Inédita interferência judicial foi uma das tônicas da campanha eleitoral
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- Interferência judicial inédita na campanha eleitoral e cancelamento do debateJudiciário ativo em proteger integrantes·interferência no debate eleitoral·liminares do TSE e Supremo·retirada do púlpito vazio de Lula·direito de Renan Santos comparecer·Flávio Bolsonaro desiste de ir
- Consequências do cancelamento do debate e a judicialização da eleiçãoRede Globo cancela por falta de segurança jurídica·Lula aproveita para entrevista camarada·Flávio Bolsonaro faz live raivosa·ameaças às instituições·pregação por vitória no primeiro turno·falta de esclarecimento sobre propostas
- Chances de resolução da eleição no primeiro turno e o impacto da abstençãopesquisadores indicam chance, mas não provável·60% de probabilidade de segundo turno·40% de resolução no primeiro turno·abstenção afeta votos válidos·necessidade de alta abstenção para primeiro turno·voto útil de chegada
- Novas regras do Supremo para evitar pedidos sob medida a ministrospresidente Fachin cria novas regras·evitar pedidos para ministros específicos·tentativa de manter compostura do Judiciário·definição por sorteio ou conexão
- Estratégias dos candidatos para vencer no primeiro turnoLula prega história e biografia·Lula alerta para risco institucional de Flávio Bolsonaro·Flávio Bolsonaro busca apoio da direita·Flávio Bolsonaro prega contra o PT·ambos estimulam o voto·ambos pregam contra a abstenção
- Dificuldade de apuração e tendências nas eleições para senadoreseleição com dois votos·muita gente não sabe que tem dois votos·número de senador com três dígitos·decisão na última hora·voto atrelado ao governador·governadores elegem pelo menos um senador
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Oi, Sardenberg, boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes também, para quem nos assiste.
Boa tarde, Vera.
Era como dizemos em áudio e vídeo, Vera Bom, começamos, Vera, pelo, por esse final não esperado, inesperado final de campanha com o debate que não aconteceu lá na Rede Globo. Vera?
Pois é, Sardenberg, não aconteceu por uma inédita interferência judicial que foi uma das tônicas dessa campanha durante todo o período, né? O Judiciário muito ativo. Primeiro em proteger os seus próprios integrantes de investigações e depois, num segundo capítulo, em interferir no debate eleitoral por meio de liminares, ora do TSE, ora do Supremo, e ontem de ambos. Primeiro uma da ministra do TSE, Estela Aranha, que obrigava a retirada do púlpito vazio do presidente Lula, que tinha decidido não ir ao debate, sendo que as regras acordadas por todas as campanhas previam a existência desse púlpito e a possibilidade de que o candidato ausente recebesse perguntas dos presentes.
E depois, logo em seguida, uma outra liminar, dessa vez do Ministro Gilmar Mendes do Supremo, que não é do TSE, a gente sempre lembra isso, usando uma ação do Paraná para dar ao Renan Santos o direito de comparecer ao debate quando a lei eleitoral não faculta, ou pelo menos não obriga que ele seja convidado. Então aí o debate se travestiu de uma circunstância totalmente diferente. O Flávio Bolsonaro usou essas decisões também como uma desculpa para não precisar ele mesmo comparecer, desistiu de ir.
E a Rede Globo, diante de tantas mudanças de última hora e não tinha mais nem clareza quanto às regras, que iam pautar o debate, não tinha havido um sorteio com o Renan Santos, sem o Flávio Bolsonaro e tal, resolveu cancelar o debate por não ver segurança jurídica para realizá-lo. Então, a Justiça Eleitoral jogando um papel, e a Justiça em geral, porque não foi só o TSE, muito grande nessa reta final, sem que a gente saiba quem se beneficia desse cancelamento, sem que a gente tenha certeza quanto a isso.
O Lula aproveitou o período do debate para dar uma entrevista super camarada para ele, em que ele não foi apertado, não foi questionado. E o Flávio Bolsonaro usou o tempo que ele estaria no debate para promover uma live com vários aliados, num tom super raivoso, com várias ameaças às instituições e uma pregação por vitória já no primeiro turno, para justamente poder ir à forra contra o Supremo e as demais instituições. Então, um quadro bastante preocupante esse que nos leva à reta final da campanha.
Nenhum esclarecimento sobre propostas, nenhum aprofundamento sobre questões cruciais para o futuro do país, extrema judicialização e a possibilidade de que tudo aconteça no domingo, que haja segundo turno ou que qualquer um deles vença já no primeiro turno.
E depois, Vera, dessa extrema judicialização que você mencionou, a gente teve hoje, agora há pouco, O presidente do Supremo, Edson Fachin, criando aí umas novas regras para evitar que a gente tenha aqueles pedidos feitos sob medida para alguns ministros específicos, né?
Exato. Isso também acabou virando moda, né? Você já judicializa e já diz quem você gostaria que julgasse a sua ação, quem você acha que deve julgar a sua ação. O ministro Fachin tem tentado enxugar gelo, né, nessa crise toda do Judiciário. Vamos falar a verdade, Ele atua aqui e ali tentando manter o mínimo de compostura, mas o pessoal já passou por cima dele 300 vezes. Vamos ver se dessa vez pelo menos ele consegue emplacar essa norma, que é o mínimo, né?
O mínimo que se espera, que a coisa seja definida por sorteio ou por conexão, quando a conexão de fato existe, não quando é forçada pelas partes para que caia com aquele E só de ter um ministro preferido para cair já mostra o grau de distorção que tá havendo na justiça nesse momento, né?
É, se cada lado político, né, tem o seu juiz, o seu juiz de preferência, aí a justiça já foi para o espaço, né?
Já foi para o beleléu.
E isso tem acontecido. Agora, você fez uma menção aí sobre o resultado, sobre a eleição de amanhã e tal. E o esforço dos candidatos, dos dois principais candidatos, para encerrar no primeiro turno. Você acha que existe essa chance?
Os pesquiseiros dizem que ela existe, mas ela não é o mais provável, Sardenberg. É o Maurício Moura que é, entre esses especialistas de pesquisa, aquele que mais tem alertado para que essa possibilidade ela é maior do que nas eleições desde 1998. Ele hoje coloca em termos assim de que é mais, existe 60% de probabilidade de haver segundo turno, mas os outros 40% de que ela se resolva no primeiro turno. E para que a gente tenha certeza do que vai acontecer, é preciso olhar qual vai ser a abstenção no domingo, porque numa eleição com alto índice de não voto, a quantidade de votos válidos muda e aí pode aumentar a chance de uma vitória de um dos dois já no primeiro turno.
E se a gente olhar as tendências das últimas eleições, essa questão da abstenção preocupa, né, Vera? Porque a abstenção só faz crescer, e nas últimas eleições foi recorde ali na casa dos 20%, né?
Exato, em 2018 maior do que em 2022, né? Existe aí uma ponderação de que aquela situação pós-pandemia e o governo Bolsonaro levou a que mais pessoas comparecessem às urnas 2022 do que em 2018, mas ainda assim num índice alto. O que os outros especialistas em pesquisas calculam é que para terminar em primeiro turno essa abstenção teria que cavalgar um pouco mais, Cássia, chegar quase a 30%, que aí seria um recorde que é realmente muito, muito grande.
Então por isso é que todo mundo avalia ou os outros candidatos derreterem demais, né, sumirem os votos de todos os outros candidatos até domingo. Então Por tudo isso, ainda é mais provável que haja segundo turno em 25 de outubro. Mas o que todo mundo tá olhando é para esse voto útil de chegada que está acontecendo. As pesquisas mostram uma redução no percentual de votos do bloco, do pelotão de baixo ali, dos outros candidatos. E aí a gente só vai poder saber mesmo no domingo esse índice de abstenção.
Tava especulando aqui, você fala a possibilidade de resolução, de resolver no primeiro turno. Para que lado?
Então, para qualquer um dos dois lados. Eu falei aqui, é, tão rigorosamente empatados, né, Sardenberg? Cada um fazendo uma pregação. O Lula dizendo que ele é o único que tem história, biografia, trajetória para governar o país e que o Flávio Bolsonaro significaria um risco institucional, risco democrático. E o Flávio, na live de ontem, e toda a pregação que ele tá fazendo já voltada aos eleitores dos outros candidatos de direita: eu sou o único capaz de tirar o PT, preciso tirar o PT agora, até porque eles estão contando com esse apoio dos tribunais, etc.
Então cada um com argumentos para Primeiro, é estimular as pessoas a irem votar. Os dois, nisso eles coincidem, os dois estão estimulando o voto, pregando contra a abstenção. E em segundo lugar, essa ideia de encerrar a fatura e liquidar a fatura já no domingo. Os dois com essa pregação, cada um com um argumento.
E quando a gente pensa nas eleições, Vera, dos senadores, por exemplo, pesquisa é uma coisa muito mais difícil de apurar esses resultados, né?
Muito mais difícil, ainda mais numa eleição com 2 votos, Cássia, em que muita gente nem sabe que tem de dar 2 votos. Até essa semana superava o percentual de 30% quem não sabe que vão ser eleitos 2 senadores e que, portanto, ele precisa votar 2 vezes. Ninguém sabe o número dos senadores, é um número com 3 dígitos, diferente de todos os outros. Enfim, muito complicada essa eleição. As pessoas costumam definir na última hora. E existe uma tendência histórica aí das últimas eleições de que esse seja um voto na última hora atrelado ao voto de governador.
Então você vai, olha quem são os candidatos do seu candidato ao governador e acaba votando por aproximação, por indicação desse candidato. Então uma tendência aí de que os governadores em cada estado elejam pelo menos um senador.
Vera Magalhães, obrigado, Vera, pela participação de hoje. E temos ponto final hoje, né? Ponto final não, viva-voz eleições, né?
É isso, não teve debate, mas vai ter viva-voz, que normalmente não tem. Então tá tudo virado, sabe? Teremos viva-voz às 7 da noite hoje com o time quase completo: Pedro Doria, Bruno Carazza e Thiago Bronzato comigo, fazendo um fecho desse primeiro turno. E aí há uma estimativa do que a gente pode esperar ainda até domingo.
Que sorte, sorte a nossa ter mais Vera Magalhães hoje, viva-voz estendido. Normalmente não tem nesse horário na sexta-feira, mas hoje tem por um ótimo motivo. Essas eleições estão acirradíssimas e é bom que a gente continue tendo bastante informação e análise de qualidade para todo mundo. Vera, obrigada e até mais tarde.
Obrigada a vocês, tchau tchau, gente.
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