Alcolumbre decide pautar fim da escala 6x1; 1º turno sem debate; tensionamento com STF
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- Cancelamento do debate presidencial e suas consequências para o eleitorperda de oportunidade para o eleitor·intervenção judicial no debate·desgaste de imagem dos tribunais superiores
- A judicialização da política e a atuação do Supremo Tribunal Federalministros escolhendo processos·politização do Supremo·guerra partidária entre ministros
- Estratégias de campanha dos candidatos após o cancelamento do debateLula no Flow Podcast sem contraponto·Flávio Bolsonaro em live com ataques ao Supremo·candidatos fazendo propaganda política
- Reforma do Judiciário como pauta eleitoral e o confronto com o JudiciárioLula defende reforma do Judiciário·Flávio Bolsonaro e o impeachment de ministros·consequências para a institucionalidade
- Cenário eleitoral nos estados e a possibilidade de segundo turnopesquisa Datafolha em São Paulo, Rio e Minas·importância de Minas Gerais nas eleições·abstenção e engajamento dos governadores
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Viva Voz com Vera Magalhães.
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Apresentação.
Vera Magalhães.
Olá, boa noite, bem-vindos a esse Viva Voz Extra. Plena sexta-feira, esse fim de expediente tá diferente. Eu tô aqui com o time quase completo do Viva Voz Especial. Comigo aqui no Rio, Thiago Bronzato. Boa noite, Bronzato. Boa noite, Vera, e boa noite aos ouvintes também do Rio, mas não aqui no estúdio. Pedro Dória, plena sexta-feira, tirei, eu tinha te prometido um chopp e te dei trabalho, Pedro.
Vera, você faz dessas coisas comigo aí, claro que eu venho, né?
Bruno Carazza também conosco em BH, presente em plena sexta pré-eleitoral. Boa noite, Bruno.
Boa noite, pessoal. Esse final de semana não tem sextou não, né?
Não tem sextou, não tem sabadô, e o domingo também tá comprometido, todo mundo trabalhando o tempo inteiro. Eleições chegando, uma eleição pautada por um grande grau de imprevisibilidade. A gente tá na sexta-feira e não tem a menor ideia do que vai sair da urna no domingo, mas tivemos últimos lances aí muito significativos, importantes, e vai ser bom ouvir de vocês as impressões de cada um. Propus que a nossa pauta que seja mais ou menos freestyle, mas que a gente tente abranger os últimos acontecimentos.
Queria começar pelo cancelamento do debate, foi o grande fato de ontem. Teve ali motivações, primeiro em decisões judiciais, depois na estratégia dos candidatos, ou uma coisa antes que a outra, a gente não sabe o que veio antes, o ovo ou a galinha, mas terá consequências forçosamente. Queria começar te ouvindo, Pedro. Quem ganha, quem perde com o cancelamento do debate? E o que dizer desse grau de intervenção judicial que a gente está assistindo nessa campanha?
Vera, quem perde é o eleitor, né? A gente vai chegar ao final do primeiro turno sem termos visto uma interação entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula. E isso é óbvio que é um problema. Eu sei que o brasileiro foi se habituando a não ter o líder das pesquisas nos debates, mas a gente sequer viu o número 2 nessa eleição, né? Isso é uma novidade E é um problema, faz falta a gente ver esse teste. Eu saí da TV Globo ontem na frustração do debate, um pouco com a impressão de que o senador Flávio Bolsonaro teria perdido mais.
Eu já não tenho tanto essa certeza e eu não sei se a gente vai ter até o domingo. Agora, evidentemente que o desgaste de imagem dos tribunais superiores, do TSE e do Supremo Tribunal Federal se acentuou e se acentuou muito, porque no fim das contas foram duas medidas da ministra Estela Aranha. Primeiro, tirando o púlpito, que era um acordo da TV Globo com todas as candidaturas que participariam do debate, isso dentro do Tribunal Superior Eleitoral.
E depois a decisão do ministro Gilmar Mendes de permitir que o Renan Santos do Missão fizesse também parte do debate. Aí naquele meio, Flávio Bolsonaro anunciando que não ia ir. Os tribunais superiores atrapalharam o debate, eles fizeram uma interferência real que prejudicou evidentemente a sociedade, que acabou— eu compreendo perfeitamente a atitude da TV Globo quando se vê, vem cá, e o que que acontece se outro ministro tomar alguma decisão no meio do debate?
A gente tem que fazer um debate entre candidatos à presidência, ao mesmo tempo ficar monitorando o que que tá vindo dos tribunais superiores? Criou um tipo de confusão que atrapalhou a sociedade.
Agora, Bruno, em vez de ir ao debate, o Lula concedeu uma entrevista ao Flow Podcast, até esboçou algumas propostas, mas ele praticamente conduziu a entrevista, não foi questionado fortemente, duramente, não houve contraponto ao que ele apresentou como dados, como fatos, e surfou ali por quase 2 horas com uma audiência enorme, chegou a ter 1 milhão e meio de pessoas ao vivo. E agora já acumula algumas dezenas de milhões de views.
Esse tipo de estratégia também é questionável, né, porque você tá se furtando ao contraditório, né?
Sim, Vero, os dois candidatos fizeram isso ao longo dessa campanha, né? Infelizmente a gente não teve debate, não teve apresentação de propostas, não teve confronto. E inicialmente havia uma discussão, né, discutir com várias pessoas, né, se a decisão do Lula de não comparecer ao debate havia sido um erro. A meu ver, foi a decisão, foi um erro, não é? Porque ele perdeu a oportunidade numa eleição disputada, ele não tem vantagem, né, grande, diferentemente dos antecessores dele, né.
A gente até falou disso com a Cila na quarta-feira. Maneira, né? Mas muita gente falava que era estratégia, né, que ele iria ser confrontado ali por todos os outros. Quando não houve o debate, aparentemente apareceu como uma vitória do Lula, né, porque ele não, não teve a imagem dele exposta, ele não apareceu com essa imagem de medroso, de fujão. Então, no curto prazo, acho que ele foi um ganhador nessa história, né, porque não houve debate.
Ele falou com o público dele, não foi confrontado, né, reforçou a mensagem dele junto ao eleitorado. Porque eu acho que nesse, nessa entrevista para o Flow também ele não ganhou nada, né, mas também não perdeu. Mas eu acho que no médio prazo, agora com as coisas assentando, eu tenho minhas dúvidas se ele realmente ganhou, porque toda essa intervenção do Judiciário na discussão, acho que ela ainda insufla ainda mais o eleitor anti-Lula, né?
Aquele eleitor que de repente tava pensando em votar, anular ou não comparecer, de repente esse intervencionismo do Judiciário acaba insuflando esse eleitor. Então É como o Pedro falou, né? Não dá para— a certeza mesmo é que quem perdeu foi o eleitor, quem perdeu foi o processo eleitoral. É difícil captar os dividendos políticos aí dessa lamentável, desse lamentável evento.
Agora, Brunzato, o Flávio Bolsonaro tentou capitalizar em cima disso e catalisar essa revolta, essa indignação, numa live, num tom bem exaltado, cercado ali por alguns outros apoiadores igualmente exaltados. Pablo Marçal, seus dois irmãos entraram remotamente, os candidatos ao Senado, candidatos ao governo, etc., também com uma audiência razoável. Mas nessa live ele explicitou os ataques ao Supremo: preciso do seu voto para a gente acabar com essa intervenção judicial, etc.
Então, se havia ali alguma dúvida quanto ao caráter de confronto com o Judiciário da candidatura dele, ontem Ficou bastante explícito, né?
Pois é, a dúvida que fica: não era um Flávio moderado ontem? Parece que eu vi uma live do Jair Bolsonaro, né, atacando o sistema, atacando o Supremo e tudo, né? Eu acho assim, velho, a gente tava contando com debate, mas a gente acabou recebendo aí peças publicitárias, né? Na live, o Lula acabou falando o que quis, principalmente voltou o seu discurso ali para o público mais jovem e também para os cristãos, né? Ele até falou: olha, quando você for dormir, ore para Deus iluminar o seu voto, algo nessa linha, né?
E também passou um recado ali para os jovens, que são dois públicos que têm muita dificuldade ali para dialogar. E o Flávio, por outro lado, aproveitou toda a situação, que para ele de certa forma foi um alívio não ter que ir para o confronto direto com o Renan, e tentou capitalizar aquela situação movendo as engrenagens do algoritmo do ódio, né? Retomando o discurso antissistema, anti-STF. Então o que a gente acabou vendo foram dois candidatos fazendo praticamente uma peça de propaganda política. Uma pena porque Como disse o Pedro, quem perde é o eleitor.
Quem perde é o eleitor, quem perde é a institucionalidade, porque o Judiciário tá essa bagunça. E hoje o Ministro Edson Fachin teve a necessidade de reforçar que as partes não podem escolher os ministros que vão julgar os seus feitos e que é preciso que se respeite o sorteio, juiz natural, etc. Algo que não deveria ser necessário dizer, Mas que, dada a judicialização, uma certa judicialização dirigida que tá acontecendo, ele se viu obrigado a fazer.
Ele tá tendo sucesso em moderar os seus liderados e em organizar um pouco essa bagunça ou não? Tá livre, quem quiser pegar essa pode pegar.
A história parece aquela coisa do seu time assim, falar: quero escolher com quem eu vou jogar.
É assim, também gostaria.
Impressionante, né? Mas assim, a gente tava vendo, né, Vera, as pessoas pegando ali um elevador privativo em determinadas ações para conseguir ter um acesso privilegiado, escolher com qual ministro eles iriam ser distribuídas as causas e poder dar uma decisão. Nesse caso da decisão do Gilmar, chama mais atenção porque é uma ação de reclamação que nasce de uma disputa entre o Zeca Dirceu e o Deltan. Passa por Alagoas com Renan Filho e JHC e termina no Renan Santos no debate da Globo.
Ou seja, são temas totalmente nada a ver, né? Então, Faquinha olhou para isso, não, acabou essa bagunça aqui, vamos dar uma organizada. Estabeleceu um filtro ali que agora as ações vão ser distribuídas para quem é de direita. Não sei se vai funcionar muito também, não sei.
De direita, opa, como é que é de direita?
Mas é o problema, né? É, primeiro veio tarde demais, né? E aliás, é uma decisão, apesar de necessária, ela não deveria ser tomada, né? Porque o processo é muito claro, né? Então quando não tem uma parte do processo que tá querendo uma decisão favorável, cabe ao juiz, né, indeferir aquela petição. E remeter para distribuição. Então não é só um jogo estratégico por parte dos advogados que querem obter decisões, é o jogo estratégico dos próprios ministros do Supremo que aceitaram jogar, né?
É como o Bronzato falou de jogo, a sensação que eu tenho é que a gente voltou àquela época do futebol brasileiro, década de 70, década de 80, de juiz comprometido com o time ou outro, com mudança de regra no meio do campeonato, com tapetão. A gente perdeu completamente a institucionalidade e isso vai ter consequências bastante graves para o Brasil a partir do ano que vem, independentemente de quem ganha a eleição.
O Pedro, a gente acha que vale a pena a gente— não pode, pode ir.
Não, vem você depois. Se você não abordar o ponto que eu ia te jogar, eu falo.
Eu acho que vale a pena a gente esclarecer para os nossos ouvintes qual era o truque exatamente que eles estavam usando. Tem um sistema, os advogados poderiam apresentar uma petição ao Supremo pedindo para vincular uma queixa qualquer, uma reclamação qualquer, um processo qualquer, a um processo que já estava em andamento com determinado ministro. E foi assim que a gente começou a ver esses Frankensteins construídos. Por exemplo, a decisão do ministro Flávio Dino liberando o post do humorista Antônio Tabet a respeito de Nossa Senhora Aparecida e a família miliciana, que ele não citava os bolsonaros, mas era óbvio que era a respeito dele, foi parar na mão do ministro Flávio Dino dessa forma.
A gente começou a ver esse truque sendo usado E virou um jogo em que os ministros do Supremo pareciam que estavam fazendo um jogo de truco, né? Um cortando o outro em cima do outro. E de repente isso virou uma guerra. E principalmente eu acho que é importante a gente sublinhar isso: uma guerra partidária. A gente já tinha essa sensação de que os ministros tinham algum tipo de lealdade aos presidentes que haviam os nomeados. Isso é uma coisa que começa com o ministro Alexandre de Moraes, com sua muita proximidade com o presidente Temer, e desde então sempre aconteceu.
Agora, nesses últimos meses, eu tenho impressão que a sociedade brasileira passou a ter certeza que ministro tem partido político. Não era assim. Ministro nomeado por presidente petista processava presidente petista. O caso do Mensalão com Joaquim Barbosa foi isso. Houve uma deterioração dessa institucionalidade do Supremo que se tornou muito aguda nos últimos meses e que não vai se resolver com eleição. Ela piorou com eleição, mas eu não sei como é que a gente sai do outro lado, sabe?
E essa coisa da politização do Supremo, ela é tão escancarada que essa prática de você apensar processos é uma prática típica do Congresso Nacional. De você pular etapas de discussão, de pegar carona em outros processos para votar mais rápido, ter o relator favorável àquela proposta do governo. Então, inclusive, o Supremo tá incorporando práticas da más, práticas ruins da política brasileira na condução dos processos, e isso é muito preocupante.
É, ontem me chamou atenção que o Lula na live lá, na entrevista para o Flow, voltou a defender reforma do Judiciário. Então eles devem ter visto que isso tá colando nele e que esse excesso de intervenção, inclusive do Supremo no TSE, que não era algo também tão comum assim, o Supremo atuar como quase uma instância de correção do TSE, ele viu que isso tá pegando nele. Aí voltou a repetir aquela ideia de mandato, a ideia de criar um conselho para definir as nomeações de ministros.
Também falou, repetiu aquela coisa que ele falou, que quem escolhe ser ministro do Supremo não pode querer ser rico, porque ser ministro do Supremo é um sacerdócio. E lembrou e falou aí, né, sem ser questionado. Vejam se pode. Eu, por exemplo, nunca me pautei por questões pessoais para indicar ministros do Supremo. Aí diz, tanto é que vários deles me julgaram e tal.
Não sei o quê. Indicou o próprio advogado dele, né? Uma coisa, um pequeno detalhe, Gente, um pequeno detalhe. E essa é a pena de não ter debate, né, Vera?
Primeiro do partido e depois o pessoal.
Exatamente. E a pena de não ter debate, porque se ele falar isso no debate, muito provavelmente ele teria uma contradição ali, né, para apontar, para pegar no pé dele.
Esses são os males dessa, porque é ótimo que haja mil podcasts, é ótima democratização da comunicação, é ótimo que o podcast seja assim num clima mais informal, até porque aí a pessoa se solta, mas Mas isso não substitui o debate e não substitui você se submeter a uma entrevista ao jornalismo profissional. E durante todos os anos na presidência, nesse terceiro mandato, Lula deu pouquíssimas entrevistas, né? A do Jornal Nacional foi um caso raro.
Agora deu ao Canal Livre, mas ele tem dificuldade de conceder entrevistas a grandes veículos nesse período do mandato dele. Bom, a gente agora vê, é importante, só mais um antes da gente passar.
É importante o Lula trazer essa discussão sobre reforma do Judiciário, e tomara que a gente tenha um segundo turno para que realmente esse debate aconteça, quem sabe, né, entre os dois principais candidatos. Porque ao trazer essa discussão da reforma do Judiciário O Lula tá se confrontando diretamente com Flávio, né? Enquanto o Flávio Bolsonaro vem com discurso de afronta ao Supremo, o Lula tá tentando trazer a discussão para uma questão mais institucional de reforma.
Então, caso a gente tenha aí o segundo turno, vai ser saudável ouvir o que os candidatos têm a dizer sobre o que mudar dessa situação, porque isso vai ser uma questão chave para os próximos 4 anos.
É, o Flávio ficou insistindo muito, batendo na tecla eleição do Senado. Inclusive, a lista completa dos candidatos está aqui do lado. É obrigatório, ele falava assim, é obrigatório votar nos dois, não é para votar só em um, é para votar nos dois. Então, uma batendo muito e deixando claro, só com o Senado é que a gente vai conseguir mudar isso. Então, essa coisa do confronto ficou muito explícita ontem.
Agora, eu não sou tão assim otimista com essa questão da reforma do Judiciário, porque ontem até quando o Lula tava dando entrevista Antes de ele falar da reforma judiciária, ele falou: primeiro temos que fazer a reforma política e depois a reforma judiciária. Bom, você colocou a reforma política na sala, é que não vai sair essa obra mesmo, né? Porque realmente a reforma política não tem interessados em querer mexer ali na sua própria estrutura.
E também, Vera, eu acho que assim, tem uma dificuldade ali do Lula, porque quando ele entra nessa seara e ele fala assim: ah, o ser ministro supremo é quase um sacerdócio, que você não pode ali enriquecer. Ele também demonstrou uma dificuldade muito grande de fazer um contraponto ao Alexandre de Moraes, né, de criticar explicitamente.
Depois elogiou bastante aí.
Exato. Ele fala assim, ah, mas eu falei, o senhor, você precisa se explicar, Moraes, você precisa se explicar. Mas em nenhum momento ele consegue fazer uma crítica ao que todo mundo quer saber, de onde vem esses recursos do master, do contrato que a mulher do Moraes assinou, né, que é um recurso muito vultoso Faça o seguinte exercício, né? E se esse contrato tivesse sido assinado pela mulher do André Mendonça, qual que seria o discurso do Lula?
Diga, Pedro, você ia começar a falar algo também?
Pois é, eu acho que tem uma questão aí que me intriga profundamente na hipótese de um governo Flávio Bolsonaro, que é o seguinte: ontem, ontem, Rogério Marinho, senador Rogério Marinho, que é um dos coordenadores da campanha do senador Flávio, ele teve, ele teve no Supremo, teve uma longa conversa com Zanin. Nossos colegas noticiaram isso na semana passada, foi uma longa conversa do Rogério Marinho com Gilmar Mendes. E o que ele tem dito, segundo a imprensa tem noticiado, o que ele tem dito aos ministros do Supremo é o seguinte: esperem um governo que respeita a institucionalidade por parte do senador Flávio Bolsonaro, mas nós não abrimos mão do impeachment de um ministro, de alguns ministros do Supremo, a começar por Alexandre de Moraes.
Bem, primeiro tem uma coisa que eles estão falando com muita clareza, é aquela coisa do manual Steven Levitsky de como você destrói uma democracia por dentro. Ou seja, primeira lição é você garante uma maioria de alguma forma dentro da Suprema Corte. Flávio Bolsonaro já vai ter 3 a 4 indicações por natureza, por conta das aposentadorias que vão acontecer. Se ele consegue mais uma, duas, ele já tem metade da corte, é dado para ele de presente só pela coisa do impeachment.
Agora, independentemente disso, isso cria uma dinâmica dentro do Supremo que é o seguinte: é uma declaração de guerra e é, para alguns dos ministros, uma briga de vida ou morte. Porque perante acusações graves de corrupção, o impeachment quer dizer imediatamente um processo com uma prisão ali na outra ponta, ainda mais numa Suprema da corte, que vai estar organizada, que vai estar com uma supermaioria flaviana, uma supermaioria bolsonarista.
E parte do que a gente tá vendo é justamente esses dois times de ministros do Supremo encarando o resultado dessa eleição como uma luta de vida ou morte. Isso é muito ruim. Pois é, é muito ruim para o jogo eleitoral ter essa, ter esse peso.
Explica um pouco dessas decisões aí de última hora. A gente vai para um rápido intervalo e volta já já com esse timaço hoje discutindo os últimos lances do primeiro turno. Não sai daí!
Viva a Voz, especial eleições 2026.
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Viva Voz, especial eleições 2026.
Estamos de volta a esse Viva Voz extra da sexta-feira com time quase completo: Pedro Doria, Bruno Carazza e Thiago Bronzato. Bom, hoje o Datafolha divulgou a estratificação da pesquisa em 5 estados que eles divulgaram ontem na disputa para presidente. Então tem disputa para presidente em São Paulo, em Minas, no Rio, em Pernambuco e no DF. A gente tem aqui hoje um carioca, uma paulista, um morador do DF e um morador de Minas. Então vou tentar distribuir um pouco a bola.
Em São Paulo é o que mais me chamou atenção, porque o Lula reduziu a distância em relação ao governador Tarcísio de Freitas, de acordo com o Datafolha, tá? Então ele tinha 33, e aliás, com o Flávio Bolsonaro, tô louca, e o Flávio Bolsonaro tinha 38 na última rodada do Datafolha. Agora Lula aparece com 38 a 39 do Flávio Bolsonaro. Me chama atenção uma diferença tão pequena, mas a gente sabe que essas estratificações, e também alguns dias das urnas, podem ter alguma diferença lá na frente.
Se for isso, Motivo para celebração na campanha do Lula, porque eles têm desde o início o objetivo de perder por pouco em São Paulo. E isso é muito importante porque São Paulo é aquele caminhão de votos. Pedro Doria, Rio de Janeiro, o Flávio Bolsonaro mantém uma vantagem muito grande em relação ao Lula. Flávio com 45, Lula com 38. Eram 44 a 38, então oscilou um ponto a mais a diferença. Pode comentar São Paulo, pode comentar Rio também.
É, o Datafolha fez uma pesquisa bastante extensa, né? São 1.200 entrevistados do Rio, 1.610 em São Paulo, 1.200 em Minas Gerais. Quer dizer, é uma pesquisa que realmente foi bastante fundo, entrevistou muita gente. Vera, eu acho que a gente tem que chamar atenção, se a gente pega as outras pesquisas feitas essa semana, a da Flash, a que eu coordeno, né, Meio Ideia, com o pessoal do Instituto Ideia. As outras pesquisas estavam indicando um cenário muito mais apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Datafolha dá uma diferença de votos, uma vantagem para o presidente Lula, que a gente tem que levar em consideração. E tem esses dois contrastes muito interessantes, que é Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, que tecnicamente, teoricamente, é um candidato mais próximo do presidente Lula, tem 10 pontos de vantagem contra o seu adversário. E, no entanto, quando a gente olha o voto para presidente, é invertido. Assim como Tarcísio de Freitas, em São Paulo, tem uma vantagem muito grande em relação ao ministro, ex-ministro Fernando Haddad, embora esteja colado.
Mas o que mais me chama atenção aqui, Vera, é a terra do Carasa. 42 a 36, vantagem do presidente Lula. Isso é uma vantagem bastante grande. A gente não pode esquecer o seguinte: quem ganha em Minas costuma ganhar a presidência.
É isso, Bruno?
É, tem essa mística, né, comprovada estatisticamente. A gente não sabe, né, de que lado vem essa correlação aí. Mas Minas é um estado estratégico pelo peso do eleitorado, né, o segundo maior. E nessa eleição a gente tem o fator Cleitinho aqui em Minas, né, que é um populista de direita, mas que é aquele político que a marca dele é vestir camisas de times de futebol os mais variados possíveis, né. E inclusive ele faz a declaração de que é cruzeirense, mas adora o Atlético e usa a camisa do América, né?
E eu acho que isso exemplifica bem o comportamento dele nessa campanha, porque ele não fez uma campanha para o Flávio Bolsonaro, apesar da proximidade entre eles, apesar de ter surgido aí na leva do bolsonarismo, né, que o Cleitinho surge aí primeiro como deputado estadual e depois depois dar esse salto para senador. Ele é o líder disparado nas pesquisas. Há uma chance dele vencer inclusive no primeiro turno, bem à frente do Patrulha Ananias, né, petista, que tá em segundo lugar.
E ainda assim Lula resiste aqui em Minas, com em várias pesquisas na frente, mas com margens mais apertadas, e com uma margem maior agora nessa do Datafolha. E aí Minas, essa história de Minas, né, ser essa síntese do Brasil, é porque é um estado de características muito diferentes e que abraça o lulismo ou antilulismo de forma diferente em regiões diferentes, né. Então Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, são como o Nordeste bastante próximos, né, votam em peso no Lula.
Região metropolitana de Belo Horizonte, por ser uma área mais industrial, tem uma população, né, de sindicalizados maior também. Então tá tudo incerto por aqui e vamos ver se essa máxima se mantém nessa eleição.
Agora, Brunzato, os dois outros estados pesquisados mostram bem essa disparidade, né? Tem Pernambuco, onde o Lula aumentou ainda uma vantagem que já era imensa. Então ele tem 61 contra 25 do Flávio Bolsonaro. E o DF, uma vantagem muito grande do Flávio, 44 a 35, assim como em toda a região Centro-Oeste. A diferença é que esses são estados com menos eleitores, não tem um peso tão grande na estratégia nacional dos candidatos, né?
É, Vera, nessa geografia eleitoral tem um cálculo que acaba pesando, que é o que o Felipe Nunes costuma dizer, que historicamente o lulismo tem 70% ali dos votos válidos em média, né, no Nordeste, enquanto o bolsonarismo tem o mesmo tanto no Sudeste, também no Centro-Oeste, né. E essa equivalência é importante porque à medida que você tira— no Sudeste— e à medida que você tira essa diferença, em 2018, por exemplo, quando o Bolsonaro, ele, ele saiu melhor do que o Lula no Sudeste, mas a diferença do Lula no Nordeste foi muito ampla.
Lula.
Então acho que o que o Flávio tá mirando agora é nesse eixo do Sudeste, né, porque ele já tem essa vantagem consolidada no DF, né, que é um estado que elege Damares, provavelmente vai eleger Michele Bolsonaro. Ele tá à frente do Rio de Janeiro também, e o Lula tem uma ampla vantagem no Nordeste, ele sabe disso. Então acho que a eleição mesmo vai acabar sendo decidida nesse eixo aí, Rio, Minas, São Paulo, né, e mais acho que São Paulo e Minas.
E não por acaso as campanhas estão focando nisso. Acho que o que vai ser um fator determinante agora, Vera, é se caso os dois vão de fato para o segundo turno, Qual vai ser o engajamento dos governadores assim? Porque a gente não viu Cleitinho tão empenhado na campanha do Flávio, também não vimos o Tarcísio assim tão empenhado. Só na reta final ele começou ali dar um gás final. Mas hoje o Tarcísio disse que se ele ganhar, ele vai viajar inclusive para outros estados, sinalizou que pode ajudar o Flávio em outros estados.
Então acho que passado esse momento do primeiro turno, se houver segundo turno entre os dois, acho que o Flávio deve contar aí com ajuda de outros governadores.
Então a gente tem 3 minutos para vocês me dizerem se vai ter ou não segundo turno, hein, Pedro Doria?
Vamos lá, eu vou tentar fazer essa conta para os nossos ouvintes rapidinho. Tem duas coisas que a gente tem que levar em consideração. A primeira é abstenção. 36% dos brasileiros, isso vem da pesquisa Meio Ideia de agosto, 36% dos brasileiros não gostam não querem votar nem Lula nem Flávio Bolsonaro. Esse grupo é o grupo mais desanimado. A gente nunca teve um grupo tão grande de brasileiros desanimado com as opções oferecidas para eles.
Quando forçados a fazer uma escolha, eles, esse grupo de brasileiros, quebra 3 para 1 na direção do Flávio. No fim das contas, precisamos entender o quanto que essas pessoas vão se animar para ir votar. Se votarem poucos, é ruim para o Flávio, porque ele precisa desses votos. Muito da vantagem dele vem desses votos. Se votarem muitos, é ruim para o presidente Lula. E a gente tem que lembrar, em geral se abstêm aproximadamente 20% dos brasileiros nas classes D e E, são os mais pobres, os menos escolarizados e os acima de 70 anos.
Que é o principal núcleo de eleitores do presidente Lula. Então um joguinho aí de escolha.
Tem que ser ver, a turma que vota no Flávio é muito menos empolgada.
É, pois é, respondeu foi a Manoaura ainda. Olha só que elegância, hein?
E não respondeu nada, né? Na verdade não apostou em nada. O mineiro é o que tá do seu lado, Pedro.
A turma que vota no Flávio é menos empolgada com seu candidato, mas costuma votar com mais frequência. Vera, o que eu tenho ouvido do meu guru Maurício lá na, lá no Instituto Ideia, Maurício Moura, é que 60% de chances de ter segundo turno.
Tomara que os 60% prevaleçam, porque é importante que haja segundo turno para a gente finalmente ter debate. Eu acho que nem ninguém merece ser premiado com uma vitória em primeiro turno diante de tanto desalento, de tanta fuga de debate e de tanta, tantos expedientes alheios à campanha que acabaram tirando o protagonismo da própria campanha nessa eleição. Então eu vou torcer para que haja um segundo turno. Senhores, ficamos por aqui.
Podem cestar agora com moderação, porque vocês também vão trabalhar esse fim de semana, assim como eu. Você que tá em casa, já pega o seu e-título, já atualiza, já vê a senha, já vê o seu local de votação, vá votar independentemente desse cálculo de ajuda a quem ou não. É importante que todo mundo vote, exerça o seu direito sagrado ao voto. E até segunda-feira, depois que as urnas falarem. Gente, obrigada por hoje, até segunda, terça e quarta e quinta.
Boa eleição, pessoal!
Bom voto, bom voto. Trabalhos técnicos foram do Henrique Dias e do Paulo Alberto Xavier, e a produção desse Viva Voz Puro Luxo foi dele, o Ender Starles. Até segunda-feira, pessoal. Tchau, tchau. Mas acompanha a programação da CBN no fim de semana, que tem muita coisa boa.
Viva a Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães.
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But what if everyone's plus one brings a plus one?
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