Lula fora do debate da Globo: 'Não expandir o eleitorado parece uma decisão kamikaze'
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- A decisão de Lula de não participar do debate da Globoparticipação em podcast no mesmo horário·entrevista a blogs e imprensa alternativa·preocupação de aliados com a opção
- A estratégia de Lula de não expandir o eleitorado em disputa acirradafalar com eleitores já convertidos·empate rigoroso na campanha presidencial·decisão kamikaze em cenário imprevisível
- A importância do debate na TV aberta para a campanha políticaatingir indecisos e independentes·evento mais importante da campanha·risco de ataques sem resposta
- As consequências eleitorais da ausência de Lula no debateexposição a ataques sem defesa·fragilidade diante de confrontos·impacto na reta final da eleição
Viva a Voz com Vera Magalhães. Oferecimento CICB, o maior e melhor centro de convenções do Brasil. E aí, Vera?
Oi, Sardenberg, boa tarde para você e para Cássia, para os ouvintes também, para quem nos assiste.
Boa tarde, Vera.
Bom, Vera, vamos dar uma checada aqui no som. Você tá nos ouvindo bem?
Ouço bem. A gente tem tido um probleminha de delay, né, mas eu ouço bem. Eu tô conectada aqui no nosso codec e ouço vocês bem.
Boa. E também estamos ouvindo você bem e assistindo a Vera aqui nas nossas telas.
Bom, Vera, o tema, perdão, é a decisão do Lula de não comparecer ao debate de amanhã na Rede Globo. Ele, em vez disso, ele vai participar de um podcast mais controlado, digamos assim.
É, ele tá pensando em participar de um desses podcasts de grande audiência no mesmo horário, né? Mas me chamou atenção que hoje, né, véspera do debate, ele tá concedendo uma entrevista a um grupo de blogs e outros podcasts da chamada imprensa alternativa, imprensa progressista. Então são 4 canais ou podcasts, etc., mas de pessoas claramente já alinhadas com a pauta, a ideologia, as propostas, o programa do próprio Lula. Tanto é que as As perguntas são todas positivas sobre como ele mudou o Brasil em todos os seus mandatos, sobre como ele fez programas e políticas públicas importantes para a educação, para a ciência, etc.
Então, o que eu falei com pessoas que são inclusive da campanha e do governo, aliados do presidente preocupados com essa opção, é que majoritariamente quem vai assistir a essa entrevista já vota no Lula. E a gente tá num momento de empate rigoroso na campanha em que é preciso expandir o eleitorado. Se você falar, não, já tô satisfeito aqui com esses votos que eu tenho, quero só fazer um carinho em quem já vota em mim, não preciso de novos votos, ok.
Acho que é uma opção, por exemplo, para quem tá muito na frente, como Cleitinho em Minas Gerais ou como Tarcísio de Freitas em São Paulo. Não parece ser uma opção válida para uma disputa absolutamente acirrada como é a da presidência da República. Hoje saiu uma nova pesquisa, pesquisa Meio Ideia, que é um empate ali na casa decimal praticamente. É uma situação que tanto pode configurar uma disputa de segundo turno como pode até no limite, né, se a gente continuar vendo a desidratação do bloco dos outros candidatos, levar a uma decisão para qualquer um dos lados já em primeiro turno no domingo.
Então não ampliar o eleitorado parece uma decisão meio kamikaze nesse momento, mas é a decisão que o presidente Lula parece ter feito. Ninguém sabe dizer exatamente porque que ele não vai ao debate. Ele alega que é muito longo, que expõe a confrontos com outros candidatos que não o próprio Flávio Bolsonaro. Mas lembremos, já não vão estar nem Renan Santos e nem— agora tem uma liminar que obriga a se chamar o Partido Novo, portanto Romeu Zema talvez seja, mas o interessantes, que o Lula reclamava muito dos métodos e do tom, não estará no debate.
Então vai ficando difícil entender essa opção por evitar um confronto direto com o Flávio Bolsonaro, já que ele caracteriza, e fez isso no jantar com empresários, faz isso na sua propaganda, faz isso em toda entrevista, o Flávio Bolsonaro como o pior dos Bolsonaros, a gente tem que evitar um risco de retrocesso democrático, etc. Mas ele tem a chance de falar isso tudo na cara, nos olhos do Flávio Bolsonaro, e optou por não fazê-lo.
E a gente tá falando muito, né, Vera, nessa campanha da importância dos indecisos, daquelas pessoas que ainda podem definir voto, indecisos, independentes também. A gente tem falado muito desse nicho, desse grupo, e seria uma oportunidade para o presidente de eventualmente conversar com essas pessoas, o que talvez não aconteça nesses podcasts, esse que ele tá participando hoje. E no podcast que ele vai participar exatamente no dia do debate da Globo, né?
Exato, Cássia. Por mais que as redes sociais tenham expandido o seu alcance, por mais que seja assim, eu acho que é importante falar com a imprensa alternativa. Eu acho que ela é uma realidade, né, dos dias de hoje. E a democratização dos meios de comunicação sempre foi uma pauta histórica do PT. Tudo isso é compreensível. Agora, nesta altura do campeonato, a gente tá falando de algo que acontece há 5 dias das pessoas irem às urnas nesse cenário absolutamente imprevisível.
Você optar para falar a já convertidos não é uma estratégia inteligente em nenhum manual de marketing político. E olha que esses manuais estão em constante revisão e atualização diante dessas mudanças muito rápidas tecnológicas e de comunicação. Mas ainda hoje, mesmo com a TV teoricamente tendo perdido a relevância que já teve, um evento na TV aberta, TV que é líder de audiência, num horário nobre, ainda é o evento mais importante de qualquer campanha política.
E vocês optar por deixar um púlpito vazio, ficar à mercê de receber ataques que você não vai poder responder e que vão gerar cortes imediatos para as redes sociais 3 dias antes da eleição. Não parece inteligente, não parece fazer sentido algum, a não ser que você tenha um temor de ser confrontado. E aí realmente a coisa é grave, expõe uma certa fragilidade que pode ter muitas consequências eleitorais para o próprio Lula.
Vera Magalhães, obrigado, Vera, e até amanhã. Amanhã, quinta-feira, último dia de propaganda eleitoral, mas ainda temos Quinta e sexta antes da eleição. Obrigado, Vera.
Temos uma eternidade até lá, Sardenberg. Ainda pesquisa no sábado. Acho que vamos viver 2 anos até lá.
Tchau, tchau, até mais tarde, Vera.
KTO