Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Quaest e efeitos da 'guerra religiosa'; Lula deve faltar a debate da Globo; direita pede voto útil

28 de setembro de 202646min
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No Viva Voz Especial Eleições, Vera Magalhães recebe Pedro Doria e Ana Carolina Evangelista, cientista política e pesquisadora sênior do Instituto de Estudos da Religião, para analisar os principais assuntos da política e da corrida eleitoral.

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Participantes neste episódio3
V

Vera Magalhães

HostJornalista
A

Ana Carolina Evangelista

ConvidadoCientista política e pesquisadora sênior do Instituto de Estudos da Religião (Iser)
P

Pedro Doria

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Análise da pesquisa Quaest e o impacto da 'guerra religiosa' na eleiçãomanutenção do empate entre Lula e Flávio Bolsonaro·oscilações nos segmentos religiosos·aumento do voto católico para Lula·diminuição da diferença entre evangélicos
  • A inesperada 'guerra santa' na eleição e o debate sobre Nossa Senhora Aparecidadiscussão sobre a padroeira do Brasil·projeto de lei arquivado·envolvimento de Lula e Flávio Bolsonaro·resposta da CNBB
  • A recusa da política partidária nos espaços religiosos e o voto por identidademaioria recusa política eleitoral em templos·lideranças religiosas indicando voto·preocupação em respeitar o campo cristão·evangélicos e católicos concordam em políticas sociais
  • Estratégias de campanha na reta final e a ausência de Lula no debate da GloboLula não pretende ir ao debate da TV Globo·Flávio Bolsonaro desafia Lula e pede voto útil·riscos da ausência de Lula no debate·audiência da TV como fonte de informação
  • O papel do Supremo Tribunal Federal na 'guerra santa' eleitoraldecisão de André Mendonça sobre fake news·anulação da decisão por Flávio Dino·pedido de Fachin para levar ao plenário·deterioração do regime democrático
Transcrição47 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
PDPedro Doria

Viva a Voz, especial eleições 2026. Oferecimento CICB, o maior e melhor centro de convenções do Brasil. Apresentação, Vera Magalhães.

VMVera Magalhães

Olá, boa noite, são 19:03. Ouvir a Voz está no ar. Eu sou a Vera Magalhães, estou direto aqui do Rio de Janeiro, de onde nós nos encontraremos durante toda a semana. Hoje é segunda-feira, última semana antes do primeiro turno, dia de Pedro Doria. Pedro Doria, que é meu colega no Globo, também editor do Meio, comentarista aqui da CBN. Boa noite, Pedro.

PDPedro Doria

Boa noite, Vera. Sempre um prazer estar aqui com você, com nossos ouvintes.

VMVera Magalhães

É isso. E hoje eu e o Pedro temos uma companhia luxuosa. Tá conosco a cientista política Ana Carolina Evangelista, ou Carol Evangelista, como ela também é muito conhecida nos meios acadêmicos. Ela é pesquisadora sênior do Instituto de Estudos da Religião e uma das coordenadoras da pesquisa Religião e Vida Pública, que a gente vai discutir bastante hoje aqui. Boa noite, Carol. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.

ACAna Carolina Evangelista

Boa noite, boa noite, Vera. Oi, Pedro, boa noite, boa noite quem tá ouvindo a gente.

VMVera Magalhães

Carol tá lá na CBN em São Paulo acompanhada de Débora Freitas, Wender Starles. Estamos aqui, esse é o trio do Viva a Voz de hoje, porque política e religião que já vinham muito imbricadas ficaram uma coisa só nos últimos dias, desde que na sexta-feira o debate eleitoral foi tomado por uma inesperada guerra santa, literalmente, a discussão a respeito de se a eleição de Flávio Bolsonaro poderia levar de alguma maneira a revisão de, por exemplo, a decisão de ter Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

Isso foi suscitado nas redes sociais, ganhou debate televisivo, foi negado pelo candidato. Tem como base um projeto de lei que já foi arquivado há bastante tempo. Mas ainda assim a coisa se desdobrou porque o Lula falou a respeito disso, Flávio Bolsonaro também, a CNBB entrou na história. Então o que era uma conversa de redes sociais ganhou mainstream político. A gente tem também hoje a nova rodada da pesquisa Quest que mostra ali a manutenção do empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas uma distensão no primeiro turno.

A ponto de que os dois não estão mais em situação de empate técnico no limite da margem de erro, como na semana passada. Houve oscilações dentro da margem para lá e para cá, e agora Lula tem 39%, Flávio Bolsonaro tem 34%, e outros candidatos somam 12%. Eram 16% na semana passada, tá minguando esse contingente que vota em outros candidatos. No segundo turno, ambos com 42%. Na semana passada, Flávio Bolsonaro estava numericamente um ponto à frente de Lula e houve muitas oscilações nos segmentos que têm um pouco a ver com essa questão também religiosa.

Então eu queria começar te ouvindo, Pedro. O que te chamou a atenção na pesquisa e o que a gente deve ficar atento nessa última semana tão movimentada em que parece que as pessoas começaram a prestar atenção de fato na eleição?

PDPedro Doria

Vera, eu acho que tem alguns marcadores que são importantes. Mudou voto feminino, mudou voto de classe C, mudou voto de católicos, mudou voto de protestantes. O que a gente tem falado desde o início aqui, desde que começou o Viva a Voz nessa série eleições, O que que é? É o seguinte: essa eleição vai ser decidida por mulheres de classe C concentradas no Sudeste, mais católicas do que evangélicas. O que que mudou de uma semana para outra, da semana passada para essa?

Aumentou o voto de católicos para o Lula, aumentou o voto da classe C para Lula, aumentou o voto no Sudeste para Lula, aumentou o voto de mulheres para Lula. A diferença, no fim das contas, é muito pequena. É de 1 ponto, 2 pontos, parece irrisória, mas é isso que decide essa eleição. O voto dessas mulheres é o voto que vai definir essa eleição.

VMVera Magalhães

Carol, eu não sei se você tava acompanhando esse debate, se você chegou a ver essa onda vindo, mas esse assunto Nossa Senhora na eleição ganhou uma atração inimaginável, a ponto de até o Supremo Tribunal Federal entrar na história. A gente vai falar disso no segundo bloco. E essa pesquisa parece ainda não ter tido tempo de captar todo o buzz em torno desse assunto. Mas ainda assim, como o Pedro bem ressaltou, houve uma pequena movimentação dentro do segmento religioso.

Lula ganhou 4 pontos entre os católicos, um grupo no qual ele já era predominante. E a diferença também entre os evangélicos diminuiu. Ela caiu 4 pontos. Ainda é muito favorável Flávio Bolsonaro Ele tem mais 24 pontos em relação ao Lula nesse segmento. Como que esses eleitores dos dois principais blocos ali censitários que a gente tem de religião estão olhando para a eleição, estão se comportando neste momento?

ACAna Carolina Evangelista

As outras variações, né? Estão ouvindo? O Pedro já foi falando as outras variações, então Tem elementos que incidem no perfil desses dois campos, desses dois eleitorados, que têm a ver com as mulheres e que têm a ver com outras pautas que não apenas as que emergem como típicas do campo religioso, né? Então a gente teve as medidas nos últimos tempos aí do reajuste do Bolsa Família, a questão das bets, que já tem, já possivelmente tem algum resultado, né?

Isso bastante propagado também. No campo evangélico, né, como uma contrariedade às bets na questão das famílias e do endividamento. E a gente tem a questão aí de toda emergência do debate sobre o campo católico e sobre a Nossa Senhora. De fato, a gente não consegue medir ainda, não dá para saber se esses números registram esse impacto da Nossa Senhora. Mas é importante também a gente lembrar que o Brasil é culturalmente um Brasil bastante católico e também é um Brasil bastante religioso. !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

VMVera Magalhães

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Representações. Então eu acho que é pela primeira vez nos últimos anos a gente tem um tema eminentemente religioso pautando o debate político. E a pesquisa de vocês, Carol, mostra que os religiosos de ambos os espectros não gostam muito dessa mistura, né? Eles têm um pouco de resistência a essa captura do debate religioso pela política. Eu achei muito inesperado e muito inusitado que tenha sido esse um tema a catalisar tanta atenção justo nos últimos dias da campanha, né? Eu queria destacar dois pontos.

ACAna Carolina Evangelista

Acho que para esse em específico, a gente faz a pergunta, a nossa pesquisa é bastante ampla, a gente faz mais de 140 perguntas para o Brasil todo, né? E depois a gente segmenta por identidade religiosa porque a amostra permite que a gente faça isso. E a gente, eu fui resgatar, a gente, eu vou até dar esse dado inédito para quem tá ouvindo a gente. A gente faz uma pergunta sobre cultura, a gente faz várias perguntas sobre cultura, sobre feriados nacionais, sobre datas nacionais, sobre símbolos religiosos.

E a gente pergunta: você concorda ou discorda que uma data católica como o Dia da Nossa Senhora Aparecida seja feriado nacional? A pergunta é sobre o feriado nacional, claro, não é sobre ser padroeira ou não. A gente já tinha feito, a pesquisa foi feita em janeiro de 2026. Tem uma ampla concordância do brasileiro, 73% concorda que a data, a frase é: a data católica como o Dia da Nossa Senhora Aparecida seja feriado nacional. A gente pergunta propositalmente, né, para medir essas diferenças.

Então a gente tem uma concordância alta e a gente não, a gente tem alguma diferença dividido por identidade religiosa, mas também uma concordância alta entre evangélicos. Se a gente subdivide essa pergunta entre católicos e evangélicos, 81% dos católicos concorda que seja feriado nacional e 65% dos evangélicos concorda que seja feriado nacional. Então, nessa temática de respeito a uma identidade religiosa, respeito a um símbolo religioso, qualquer que seja ele, e a ser um feriado nacional, a gente tem uma alta concordância nessa pesquisa que a gente fez.

VMVera Magalhães

Interessante, Pedro. A gente viu o presidente Lula trazer o assunto para uma entrevista ontem sem ser questionado. Ele já saiu em defesa que não dá para mexer com Nossa Senhora. Adriana Araújo, da Band, isso foi no Canal Livre, chegou a dizer que isso tinha nascido de uma questão ali controversa, porque o projeto já tá até arquivado. Ele falou, é, mas tá muito fortemente nas redes sociais. E o Flávio Bolsonaro acabou fazendo o mesmo por outra via quando ele se indispõe com a CNBB dizendo que haveria setores da CNBB insuflando falsamente esse debate e gera uma resposta oficial da CNBB que até agora estava quieta e não estava se manifestando no debate político.

Os dois acabam cometendo um erro aí porque o Lula também cita o episódio do chute na santa. Ele acaba se distanciando, você acha, do eleitorado evangélico? E o Flávio deixando de ter uma possibilidade de dialogar com os católicos quando traz a CNBB para o debate?

PDPedro Doria

Antes de tudo, Carol, é sempre tão bom te ouvir. É muito bom mesmo, sabe? Ilumina. Então que bom que você tá aqui, Vera. Eu tava conversando com o cientista político Vinícius do Vale esse fim de semana e ele me lembrou de uma coisa. Que é interessante. O que que um boato— hoje em dia a gente chama boato de fake news, mas no fim das contas, culturalmente, é a mesma coisa que um boato. São aquelas histórias que aparecem, algumas pessoas acreditam, outras não, mas se espalham como fogo em palha seca na cultura.

Em geral, como é que funciona um boato? De que que um boato trata? Uma fake news dessas, do que que trata? Ela tá tratando, na verdade, de um medo que existe de fato na sociedade, ou pelo menos num determinado trecho da sociedade. Vamos pegar a grande fake news que todo mundo lembra da eleição de 2018, que foi uma madeira de piroca, que evidentemente era mentira. A maior parte das pessoas que espalhou sabia que era mentira, mas no fim das contas o que ela tava dizendo ali é o seguinte: tem um segmento da sociedade que acredita que a esquerda vai impor às crianças, através das escolas públicas, uma determinada visão a respeito de sexualidade humana que seus pais não desejam que seja ser trazida para discussão.

Aí não importa se é verdade, não importa se é mentira, o fato é esse medo existe no segmento da sociedade. O que que então a história de que o feriado de Nossa Senhora Aparecida seria mudado, seria cancelado, cada uma das versões, o que que isso na verdade está dizendo? Existe um receio por parte da população católica do país de que evangélicos vão tentar trocar a institucionalidade católica no Brasil por uma institucionalidade evangélica.

Esse medo existe na cultura. Aí importa menos se é verdade ou se não é. O que a Carol tá nos trazendo aqui é o seguinte: os evangélicos estão nesse momento em grande parte confortáveis com a existência de que exista um respeito existencial por uma história católica que o Brasil tenha com isso. Então o crucifixo que tá na Câmara dos Deputados é um crucifixo católico, que tá no Supremo Tribunal Federal é um crucifixo católico, tem um Jesus Cristo de guardadinho no Palácio do Planalto, tem o Cristo Redentor como símbolo do Brasil, tem Nossa Senhora Aparecida.

O problema é que existem pastores que se viram e falam: olha, é isso aqui é uma santa de lata, isso aqui não quer dizer nada, não tem nada aqui. Existe a declaração de Flávio Bolsonaro em agosto, após ter faltado ao debate da Band, quando ele se vira e fala: a primeira coisa que eu vou fazer, uma das primeiras coisas que eu vou fazer na presidência, é baixar um decreto consagrando o Brasil a Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso. Isso é uma disputa institucional dentro da política a respeito de qual é a religião que representa o Brasil.

E talvez para muitas pessoas essa seja uma, um debate anódino, mas esse debate existe. E o que no fim das contas Lula e Flávio Bolsonaro estão fazendo é justamente tentar explorar por ambas as vias esse debate. É claro que o Flávio reaviva quando ele parte contra a CNBB. É claro que o Lula sabe que ele tá tratando com uma mentira e ele tá manipulando a opinião pública quando ele insiste nisso. Mas no fim das contas, a gente tá falando de um percentual muito pequeno de eleitores que vão definir essa eleição, e a religião conta para eles.

VMVera Magalhães

Mas é uma jogada arriscada, né, Carol? Porque você tá praticamente fazendo uma opção que exclui dialogar com uma grande parcela do outro lado, né? É, eu acho que tem dois pontos importantes.

ACAna Carolina Evangelista

Concordo totalmente com o Pedro. É esse também, que do ponto de vista imagético dessa maioria cristã, a gente já vem medindo isso nas pesquisas qualitativas também no campo evangélico. Tem uma enorme preocupação em respeitar o outro campo cristão, né? Aqui eu não tô falando respeitar fora do campo cristão, né? Porque aí tem, né, vertentes teológicas aí que demonizam outras religiões que estão fora do campo cristão. Especialmente a partir do campo evangélico.

Mas dentro do campo cristão tem uma preocupação dos evangélicos em respeitar o outro campo cristão, porque também são, são de uma religião, de uma vertente religiosa que foi minoria por muito tempo nesse país, né, e sabe o que que é ter o seu lado respeitado. Então, do ponto de vista também, ainda que não específico, se entra no mérito, é Nossa Senhora, não é, o que que é explorado de diferença desses dentro do campo do cristianismo e do campo cristão.

Tem, eu acho ruim para as campanhas explorar essa polarização nesse sentido, de ambas, especialmente da campanha do Flávio Bolsonaro agora, que tá tentando se justificar e também ao mesmo tempo tá batendo na CNBB, porque tem uma preocupação desse eleitor de maioria cristã de respeitar o campo cristão como um todo, né? E acho que é importante lembrar disso.

VMVera Magalhães

Em 2022 tinha que— o boato, como diz o Pedro da Veja, era aquela história que o Lula iria taxar igrejas, fechar templos, e isso precisou ser desmentido por meio de uma carta aos evangélicos. Gerou um grande buchicho. Eu lembro que em 2018, a Thaís Oiema até nos refresca a memória aqui, essa questão de Nossa Senhora Aparecida apareceu, mas de uma proporção bem menor, porque se dizia que Bolsonaro ia fazer isso e precisou ser desmentido.

Mas agora eu acho que, dada essa situação de um empate muito radical entre os dois, essas coisas estão sendo hiperdimensionadas. Me chama atenção, ainda falando nessas divisões que a gente está tratando, mulheres, baixa renda e eleitorado ali do Nordeste, enfim, beneficiários de e também os cortes religiosos, uma concordância muito grande em relação ao tema das bets. Quando a gente faz o recorte da aprovação ou não do tema das bets na pesquisa Quest, tanto católicos quanto evangélicos concordam muito, é muito parecido o que tem ali.

Então a gente tem aí uma possibilidade de fazer o contrário, procurar um tema comum nessas duas vertentes religiosas. Exatamente.

ACAna Carolina Evangelista

Eu queria destacar outro ponto, que é esse, né? Como você falou, 9 em cada 10 concordam que as bets viciam e desestruturam as famílias, sem nenhuma diferença significativa dividido por identidade religiosa. E tem uma alta concordância com várias políticas sociais, né? Então 75% concorda com Bolsa Família, é uma alta concordância com o fim da escala 6 por 1, alta concordância com proteção de políticas de proteção de povos indígenas, alta concordância com taxação de grandes fortunas.

Ou seja, tem— a gente perguntou também sobre vários iniciativas políticas, de políticas sociais, sejam já existentes ou propostas de regulamentação ou de mudança, para entender um pouco, né, se era, se esse voto divisivo, esse tal voto por identidade religiosa, ele é divisivo em quais pautas, né. E nos chamou bastante atenção confirmar que muitas, uma vasta gama de perguntas sobre políticas que são conectadas diretamente com a vida das pessoas do ponto de vista social e político tem uma alta concordância.

Aí, claro, a gente vai voltar para as que são mais divisivas, sobre diversidade sexual, direito ao aborto, que as que são as clássicas que a gente já sabe. Mas a gente fez muitas perguntas justamente para segurança pública também, a mesma coisa, contrariedade com relação à facilitação da posse de armas, contrariedade com relação à redução da maioridade penal. A gente pergunta sobre se o Estado tivesse recursos para investir em segurança pública, se ele deveria investir em educação e combate às desigualdades ou prisões e polícia.

E tem uma alta concordância para investimento em combate à desigualdade e educação, sem divisão por identidade religiosa. Nenhum desses exemplos que eu dei aqui tem uma divisão marcada por identidade religiosa. Então isso é muito importante para quando a gente vai falar sobre o voto a partir dessas identidades.

VMVera Magalhães

E eu tô achando maravilhoso porque nenhum desses dados que a Carol tá dando agora estavam nas reportagens da série É o fiel da balança que o Globo fez com base na pesquisa. Então tem vários dados inéditos que você só tem aqui no Viva a Voz. Então não sai daí porque a gente vai para um intervalo bem rápido e volta mais explorando a pesquisa religião e vida pública no Brasil, a pesquisa Quest, também a questão da Guerra Santa lá no Supremo Tribunal Federal. Não sai daí.

PDPedro Doria

Viva a Voz especial eleições 2026. CICB, o maior e melhor centro de convenções do Brasil.

VMVera Magalhães

O Viva Voz está de volta hoje com Pedro Doria e com a cientista política Ana Carolina Evangelista. A gente tá tratando da pesquisa Quest, que mostrou de novo empate entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas com o presidente Levemente à frente no primeiro turno. Também sobre todas as controvérsias que surgiram desde sexta-feira com a notícia, depois desmentida pela campanha de Flávio Bolsonaro, de que ele poderia alterar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora da Aparecida e todas as suas consequências.

Uma dessas consequências, meus caros, se deu no campo jurídico, judicial, porque na semana passada, na sexta-feira, Ministro André Mendonça, que é do Supremo, mas também do Tribunal Superior Eleitoral, proferiu uma decisão ordenando a retirada de publicações das redes sociais que tratavam desse assunto, por ser fake news no entendimento dele. E no domingo, o Ministro Flávio Dino caçou essa decisão, anulou a decisão do TSE via Supremo.

Flávio Dino não é do TSE, Liberou as publicações nas redes sociais e hoje ele pediu que o ministro Luiz Edson Fachin leve esse assunto ao plenário do Supremo para uma série de decisões, entre elas se o Supremo tem grau de revisão sobre decisões do TSE, se é cabível que o ministro dê às big techs e às empresas de tecnologia poder de definir o que deve ser ou não retirado do ar, e se o TSE tem ali um campo de decisão sobre o que ele chamou de questões ali, entre elas questões religiosas.

Ele usou um termo que agora está me fugindo: questões primaciais, entre elas questões religiosas. Queria começar te ouvindo, Pedro. O Supremo, já o clima já não tava bom, agora Guerra Santa chega lá. Lembrando que Flávio Dino é um ministro terrivelmente católico e André Mendonça terrivelmente evangélico.

PDPedro Doria

Uma das coisas maravilhosas do Partido Comunista do Brasil é a quantidade de católicos que ele produz, né, Vera Magalhães? Exatamente. Eu não sei o que que Marx diria a respeito, mas é a nossa mistura do Brasil com Egito, meu caro.

VMVera Magalhães

Que bom, celebrai-vos!

PDPedro Doria

Vamos lá, Vera, eu tô, eu tô muito curioso. Vamos partir a princípio de que o presidente Lula seja reeleito. O que que vai ter acontecido após outubro com uma reeleição do presidente Lula? Lula terá sido eleito contra um Bolsonaro, e nesse jogo da reeleição contou uma fake news. E os bolsonaristas nos tribunais superiores tenta— terão tentado censurar fake news nas redes sociais. Como é que cada um dos grupos vai lidar com a história que vem contando nos últimos 8 anos?

Que o fake news é da direita e que a censura às fake news nas redes é algo da esquerda. A gente chegou a um ponto, no fim das contas, eu acho que isso no fim das contas é algo entre uma metáfora e um retrato daquilo que tá acontecendo institucionalmente no Brasil. É, a gente tá com uma quantidade cada vez maior de homens públicos, eles costumam ser homens, sabe, A gente tá uma quantidade cada vez maior de homens públicos usando seu poder no limite, em todos os três poderes.

E a gente vai consolidar na cabeça do brasileiro de que ministro do Supremo tem partido, ministro do Supremo representa um determinado grupo político. Isso aponta para um grau de deterioração do regime democrático que eu acho muito alarmante, porque tem uma hora que boa parte do que tá acontecendo, boa parte do voto que o Flávio Bolsonaro traz, por por exemplo, é um voto antissistema, é um voto de pessoas que acreditam que a democracia não é capaz de resolver os problemas que surgem no seu interior.

E vai ficando alarmantemente difícil para nós jornalistas, analistas políticos, cientistas políticos, explicar para a população: não, não, não, a democracia tem essa característica, ela é capaz de resolver os seus problemas. Mas ela é quando todas as figuras dentro do regime vão jogando de forma cada vez mais partidária, cada vez mais no limite dos seus poderes. Essa eleição eu acho muito preocupante, muito tensa, e de uma forma diferente do que foram 22 e 18, cada uma tensa ao seu jeito, sabe?

VMVera Magalhães

Sim, Carol, vocês constataram na pesquisa religião é a questão dessas nuances dentro dos mesmos grupos, religiosos, né? Mas uma coisa que ficou muito clara, fora das nuances, é essa questão que se rechaça política nos templos e também a ideia de que eles, os religiosos de qualquer matriz, devam ser orientados a votar nesse ou naquele candidato pelos seus pastores. E também cada vez mais é uma novidade ali de que os evangélicos, mas também os católicos, recorrem às redes sociais, aos grupos de WhatsApp, grupos do Facebook, para praticar alguma, para fazer alguma prática religiosa ou trocar experiências ou trocar ideias, etc.

De que maneira esses temas, né, Supremo Tribunal Federal, eleição, se comunicam com essas constatações da pesquisa.

ACAna Carolina Evangelista

É isso, Vera, você traz acho que 3 pontos super importantes que a gente coloca na pesquisa. E a gente foi construindo esse questionário super amplo a partir das pesquisas de opinião, né, questões que a gente já se faz nas pesquisas de opinião, mas também a partir de observação do campo e pesquisas qualitativas que a gente queria um pouco confirmar. Bom, essas tendências, esses ares que a gente vê nessa relação religião e política desde 2018 em especial, se confirma, não se confirma?

Então você traz o dado que Que a gente foi tentando medir isso de várias formas. Então a gente traz o dado de que a maioria das pessoas recusa essa política partidária, política eleitoral dentro dos espaços religiosos, né? Então entre 83% e 90% das pessoas recusam que candidatos peguem, discordam na verdade, que candidatos peçam voto dentro de espaços religiosos, que as lideranças religiosas falem sobre política eleitoral. Partidária dentro de espaços religiosos e discordam dessa política de forma geral eleitoral nos espaços religiosos.

Por que que eu tô enfatizando a questão eleitoral? Porque as pessoas também têm a noção de que ela faz— existe política dentro dos espaços religiosos. As pessoas fazem política, pensam sobre política nos espaços religiosos. Então é importante a gente fazer essa distinção, porque essa recusa ela não é sobre não nos interessa a política, Não falamos sobre política de forma ampla, de forma geral, né? É um pouco— e a gente até se pergunta se nós fizéssemos essa pesquisa em 2016, por exemplo, ou até 2018, qual seria essa percepção?

Porque a gente tem visto um assédio eleitoral muito maior e muito mais presente desde 2018 dentro de espaços religiosos. Então a gente não tem esse dado para comparar, mas a gente supõe que não seria tão, tão marcante assim. Ao mesmo tempo, a gente pergunta o que a gente tem dito, né? As pessoas estão cansadas de que nos espaços religiosos tenha política partidária, porque aqueles espaços não são para isso. Mas as lideranças religiosas não deixam de tentar que essa política esteja presente nesses espaços, a política partidária.

Ainda que a gente pergunta: o seu, a sua liderança do seu espaço, do espaço religioso que você frequenta, indicou voto em 2022 para algum candidato? A maioria das pessoas diz que não indicou, quase 80% das pessoas afirma que a sua liderança não indicou voto. Mas entre a parcela dos 20% quase que diz que indicou, a gente pergunta se indicou e para quem indicou no segundo turno, né, Jair Bolsonaro ou Lula. E 11% das pessoas afirma que indicou para Bolsonaro e 5% para Lula.

Se a gente faz o recorte por identidade religiosa, esse número para Bolsonaro triplica. A gente chega até a 30% de pessoas com identidade religiosa do campo evangélico e de determinadas denominações evangélicas, principalmente na Universal, né, principalmente na Universal, nas Assembleias de Deus. Que o interessante, o Pedro vai, vai me entender, nós que somos geeks, nerds de dados e nerds de pesquisa, Pedro, essa pesquisa vai nos permitir fazer um zoom até o nível institucional.

VMVera Magalhães

Como é uma amostra de 15 mil entrevistas, a gente são 15 mil, é muita gente, gente. Só para ter uma ideia, a pesquisa Quest de hoje são mil e poucos. Então é um campo muito grande.

ACAna Carolina Evangelista

Por que que a gente trabalhou para ser assim? Porque a gente não tava conseguindo fazer esse zoom no eleitor, a gente não tava conseguindo fazer o zoom nas identidades religiosas, entender diferenças regionais, diferenças sociodemográficas, diferenças políticas. Agora a gente tem um banco de dados, Pedro, que permite que a gente faça o zoom que a gente quer dar, e a gente vai poder fazer esses diversos cruzamentos, entendeu? Então aí também, isso também se conecta com o tema que você tava falando antes do olhar para as instituições, né, Vera?

E a gente também pode olhar ali, a gente pergunta, faz a clássica pergunta sobre confiança nas instituições. Aí acho que a gente tem ali um rol parecido, né, uma grande confiança nas igrejas, nas igrejas evangélicas. Mas, por exemplo, não, na verdade não é sobre confiança nas instituições, sobre problemas do Brasil. Se a gente pega problemas do Brasil e as pessoas respondem corrupção, a gente tem uma diferença aí entre segmentos religiosos ou entre gênero, homens mais preocupados com a corrupção.

Então a gente vai podendo fazer um pouco esses cruzamentos que nos parecem tão importantes agora para a gente avançar nessa conversa. Eu queria só fazer um último comentário que tem a ver com o que você falou, Vera, no começo, que olha que curioso a gente tá fazendo esse comentário agora sobre o STF depois de tudo isso que aconteceu nas últimas semanas. Nós não falaríamos que um ministro é terrivelmente católico em 2022, mas hoje a gente, a gente demarca que ele é terrivelmente católico em 2026.

VMVera Magalhães

É, ele mesmo passou a demarcar citando ali partes da Bíblia, trazendo essa identidade dele.

ACAna Carolina Evangelista

Poderemos citar o Zanin também.

VMVera Magalhães

Eu vou precisar fazer mais um intervalinho, mas a gente volta para encerramento desse programa tão importante de hoje, tá? Mas não sai daí.

PDPedro Doria

Viva a Voz, especial eleições 2026.

VMVera Magalhães

Viva a Voz de volta hoje com Pedro Doria e com a cientista política Ana Carolina Evangelista. Carol Evangelista, a gente vai tratar agora dessa reta final da campanha e o que tá em jogo. O presidente Lula disse a coordenadores ali da sua campanha e eu confirmei com eles que ele não pretende ir ao debate da TV Globo na quinta-feira. Lula considera que são muitas horas, que ele vai ficar ali à mercê dos ataques de todos os outros candidatos, todos eles de direita, e que portanto no balanço ali de perdas e ganhos teria mais a perder comparecendo do que deixando de ir.

Flávio Bolsonaro, pelo contrário, disse que vai, desafiou o presidente aí e tá fazendo uma ofensiva gigante por voto útil nessa reta final, inclusive com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que hoje disse que conversou com Ronaldo Caiado sobre a possibilidade de se vencer o PT já no primeiro turno. Pedro, o que que a gente pode dizer dessas estratégias e qual é o risco embutido aí para Lula de deixar de ir ao debate?

Um debate que a gente sabe que vai ser provavelmente o evento com maior audiência desse primeiro turno?

PDPedro Doria

Vera, é um debate cedo, né? É um debate, não é daqueles debates que começa 10 horas da noite, né? É um debate que vai começar antes. A audiência vai ser muito grande. O senador Flávio Bolsonaro vai estar lá. Todos os outros candidatos são de direita, todos. Quem vai apanhar? E não é mais a essa altura das pesquisas Um debate no qual os candidatos de terceiro, terceira via, ou seja lá como é que você queira chamar, Ronaldo Caiado, Zema, Renan Santos, o próprio Augusto Cury, não é mais um debate no qual eles estejam disputando a possibilidade de chegar ao segundo turno.

Nenhum deles acredita que isso vai acontecer. Talvez o Renan, por uma característica pessoal dele, sabe, lembrando, ele não vai estar, tá, no debate.

VMVera Magalhães

A Globo resolveu não chamar Renan Santos nem Zema porque a lei eleitoral não obriga. Então é mais uma razão ainda se tornar difícil entender porque o Lula não vai, porque ele até aqui vinha dizendo que não queria ser confrontado por alguém tão agressivo quanto Renan, mas ele não estará.

PDPedro Doria

E aí você me reforça um pouco o argumento. Obrigado pela correção. Você reforça o argumento que é o seguinte: você pega, por exemplo, Ronaldo Caiado, que estará lá. O Caiado correu toda a seleção sem parecer que percebesse que o adversário dele no primeiro turno era Flávio Bolsonaro. Quem ele precisava tirar do primeiro turno para chegar ao segundo era Flávio Bolsonaro. O Caiado passou a campanha inteira, quase todo, 90% da campanha, batendo em Lula.

O que que Caiado vai fazer nesse debate? Bater em Lula. O que que Flávio vai fazer nesse debate? Bater em Lula. No fim das contas, Lula tá dando o horário nobre do penúltimo dia útil antes da eleição para que batam nele sem ele poder responder. E uma coisa meio surpreendente, me parece, porque o presidente Lula faz debates Desde 1989, meu Deus do céu. Não existe político com mais experiência em debate presidencial do que o Lula, desses debates.

Enquanto que Flávio Bolsonaro— eu sou eleitor aqui do Rio de Janeiro, Vera Magalhães, eu lembro do debate que Flávio Bolsonaro fez, ele desmaiou de susto, para não falar de coisas piores. Isso num debate para prefeitura do Rio, isso foi apenas 10 anos atrás, não faz tanto tempo assim. Não há razão para Lula ter medo desse tipo de debate, e no entanto ele parece parece estar decidido por uma decisão que sei lá de onde ele tirou, a entregar aos seus adversários da direita oportunidade de ficarem batendo nele sem resposta durante 2, 3 horas.

VMVera Magalhães

Carol, a gente viu no debate de 22 o Padre Kelman, para ficar só no terreno religioso aqui, ser essa figura que desacatou o Lula e bateu nele, e ele ficou ali muito surpreso preso com aquela presença. Nesse debate não vai ter esse tipo de pegadinha, são 4 candidatos só, com essa possibilidade do Lula ficar com o púlpito vazio ali e apanhando de 3. Se a gente pensar nesses eleitorados que precisam ser cativados nesse momento, esse tipo de ausência pode ser muito deletério para o Lula, ou ao contrário, ficar apanhando de todo mundo pode causar alguma empatia por parte desse eleitor mais indeciso?

ACAna Carolina Evangelista

Então, eu não entendo de marketing político como vocês entendem, mas eu queria trazer dois elementos então dados da nossa pesquisa. Acho que primeiro que as pessoas ainda se informam muito por TV. A gente pergunta como as pessoas se informam sobre política e elas se informam em níveis altos a partir da TV e das redes sociais igualmente. E na divisão por identidade religiosa, os católicos se informam muito mais pela TV do que por redes sociais.

E os evangélicos metade e metade. Então eu diria que do ponto de vista de onde as pessoas se informam, se o presidente Lula quiser manter seu favoritismo no eleitorado que ele tá crescendo e que ele já é favorito e que ele precisa crescer, é importante tá na TV porque as pessoas se informam por ali e esse eleitorado dele também se informa por ali.

VMVera Magalhães

Tem esse recorte por região também? Por exemplo, região Nordeste, região Sudeste? Tem, não, mas é porque isso a gente vê em pesquisas em geral, a TV aberta como um meio ainda muito grande de informação no Nordeste, que é onde ele também é muito forte, onde a pesquisa Quest mostra que ele tá abrindo essa vantagem.

ACAna Carolina Evangelista

E eu suporia que também tem essa, o cruzamento, porque não é por acaso que dá também muito alto entre católicos, né? E dessa, da base, a base católica, a base católica tá maior no Nordeste, né? Então se a gente cruzar, vai coincidir. A pesquisa de vocês mostrou. Exatamente, vai coincidir.

VMVera Magalhães

Mostrou esse recorte demográfico que eu achei inclusive muito interessante, porque no Nordeste a gente tem 56% de católicos e 25% de evangélicos. Eu achava até que era mais próximo. Me chamou atenção ali o fato de que ainda tem uma resistência do catolicismo muito grande na região. Nordeste. Agora, Pedro, esses apelos por voto útil e principalmente por desistência de candidatos são arriscados também, né? Porque embutem ali uma certa chance de você resvalar para um desrespeito com os oponentes.

Ah, você quer café com leite porque você não desiste para tornar a minha vida mais fácil, né? Acho que pode gerar uma resistência de caiado ou zema, né?

PDPedro Doria

Pode, pode, evidentemente que pode. E não só, né, o Flávio vem prometendo que ele vai para o debate para desmascarar as mentiras do presidente Lula. Tô botando evidentemente entre aspas essa declaração. O Flávio tem sempre o risco que é o risco bolsonarista. É, a Quest dessa semana aponta que 56% dos brasileiros dizem que não votam em Flávio de jeito nenhum. Eu não tô dizendo que isso seja definitivo. O número do presidente Lula Lula é 54%, é menor, mas não é tão menor assim.

A diferença é pequena. Agora, se o candidato Flávio aparecer nervoso demais ou tenso demais, ou principalmente agressivo demais, raivoso demais, naquele modelo Bolsonaro, isso pode ser meio que um gatilho para muita gente que quer, que não quer lembrar do pai dele. Quer dizer, é uma oportunidade para o Flávio é também um risco. Isso resvala evidentemente nisso que você tá apontando, Vera, que a possibilidade de ele soar desrespeitoso, o que pode botar em risco num possível segundo turno o apoio de algum candidato.

VMVera Magalhães

É isso, Carol. Muito obrigada por hoje. É bom, a pesquisa ela tá ali, ela deu origem a uma série do Jornal Globo. Então recomendo a todos os ouvintes que ficaram curiosos com os dados, que procurem. E onde mais o ouvinte da CBN pode encontrar os dados? No site de vocês, alguma coisa?

ACAna Carolina Evangelista

Isso, pode encontrar por enquanto no nosso site, izer.org.br. A gente tá com os primeiros recortes lá, e passadas as eleições a gente vai publicar numa plataforma digital todos esses dados com as possibilidades de cruzamento, banco de dados abertos, para que a gente possa consumir esses dados, se divertir com eles. A gente trabalhou para produzir que fossem públicos. Então eles estarão todos abertos e públicos depois das eleições. Eu adorei essa conversa.

VMVera Magalhães

Até a próxima, Pedro Doria. Até segunda-feira, já com as urnas tendo falado. Nos encontramos então na segunda.

PDPedro Doria

Atenção a toda essa semana agora, Magalhães. Vamos lá, é isso.

VMVera Magalhães

Vamos lá, gente. O Viva a Voz de hoje teve a produção do Ender Starling, Viva a Voz, especial eleições 2026.

PDPedro Doria

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Quaest e efeitos da 'guerra religiosa'; Lula deve faltar a debate da Globo; direita pede voto útil | Castnews Index — Castnews Index