Nova Datafolha; IA nas campanhas; e Flávio Bolsonaro em avião de Vorcaro
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- Análise da pesquisa Datafolha e o cenário eleitoral para o primeiro turnoLula e Flávio Bolsonaro estáveis·Lula estanca queda de aprovação·Flávio Bolsonaro para de crescer·eleitorado acomodado na polarização
- Escândalo do caso Master e o envolvimento de Flávio Bolsonaro e Alexandre de MoraesFlávio Bolsonaro em avião de Vorcaro·Alexandre de Moraes no mesmo avião·Flávio nega voos com Vorcaro·Lula menciona festas de Vorcaro
- Desinformação e o papel da Inteligência Artificial nas campanhas eleitoraisIA como parte da paisagem·dificuldade de combate à desinformação·proliferação de perfis artificiais·opacidade das plataformas digitais
- Desafios da regulação da Inteligência Artificial e a proliferação de conteúdo sintéticoTSE e a regulação da IA·dificuldade de conter a distribuição·fazendas de IA influenciando o debate·conteúdo de baixa qualidade nas redes
- Envolvimento de Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, no caso MasterMarcola em grupo com advogado de Vorcaro·tentativa de intermediar encontros com Lula·reclamações contra presidente do Banco Central·capacidade de Vorcaro adentrar o poder
- Impacto da abstenção e conhecimento dos números dos candidatos nas eleiçõesabstenção como fator decisivo·conhecimento do número de Lula·conhecimento do número de Flávio·desconhecimento da terceira via
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Viva Voz, especial eleições 2026. Oferecimento CICB, o maior e melhor centro de convenções do Brasil. Apresentação. Vera Magalhães.
Olá, boa noite, seja bem-vindo, bem-vinda ao Viva Voz Especial Eleições. Eu estou aqui no Rio de Janeiro em companhia do Thiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília do Globo. Boa noite, Thiago.
Boa noite, Vera, e boa noite aos ouvintes.
A gente ainda vai ter hoje a participação da Tainá Long, diretora executiva da agência Os Fatos, mas por enquanto eu e o Bronzato vamos fazer um sobrevoo aqui sobre os números da pesquisa Datafolha que acabou de ser divulgada. No levantamento feito por encomenda da TV Globo, o presidente Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro tem 36% no primeiro turno. É uma situação praticamente estável em relação ao último levantamento de 11 de setembro, quando Lula tinha 39% e Flávio 36%.
Augusto Cury tem 5%, Ronaldo Caiado aparece com 4%, Renan Santos tem 3%, Romeu Zema tem 1% e Samara Dupê tem 1%. No segundo turno, também um quadro de estabilidade: 47% para Lula, a 45% para Flávio Bolsonaro, e era 46% a 44% há duas semanas. Rejeição dos dois absolutamente empatada em 45%. E a reprovação do governo e aprovação também segue ali estável. Agora são 40% que dizem que o governo é ruim ou péssimo, ante 42% em 11 de setembro.
Para usar, diante desses números muito estacionados ali, o que a gente pode perceber é que Lula conseguiu pelo menos estancar uma queda que ele vinha apresentando, tanto intenções de voto quanto em aprovação. E o Flávio Bolsonaro pelo menos por enquanto parou de crescer, né? Parece que o eleitor se acomodou entre esses dois candidatos da polarização e a coisa segue assim para um provável segundo turno, né?
Pois é, Vera, foi uma semana muito agitada no noticiário político, né? Tivemos escândalos de um lado, anúncios do governo do outro, né? E isso não moveu tanto assim as peças. E o medo que rondava as campanhas em relação a uma possível liquidação da fatura no primeiro turno acabou perdendo um pouco de força nesse momento, de acordo com o Datafolha. Claro que a gente ainda tem a reta final, que tudo pode mudar, mas Lula aparece com 43% dos votos válidos.
E para passar de 50% em 10 dias, precisa— ele precisaria de todos os indecisos do país e mais uma parte da terceira via. Só que não tem indeciso, né? A gente tem ali uma camada bem ínfima de 2% dos indecisos. Ou seja, a maior parte dos eleitores já se decidiu para onde Vai. E o ponto curioso que mostra o Datafolha é que o Lula tá na frente do primeiro turno e no segundo turno ele empata dentro da margem de erro com Flávio. E quando simula a disputa final entre Lula e Flávio, Flávio acaba herdando mais eleitores do Cury, do Caiado, do Zema, do que o Lula.
Então acho que a gente já tá vivendo um momento, Vera, que tá antecipando uma disputa ali pelo segundo turno, embora a gente ainda tenha o primeiro turno pela frente.
A gente tem visto Flávio Bolsonaro fazendo muita campanha pelo voto útil já no primeiro turno, né? Mas o que o Felipe Nunes da Quest tem dito é que precisaria que mais de 50% de todos os eleitores dessa chamada terceira via, né, que é a soma desses candidatos hoje nanicos, migrasse já no primeiro turno para que o Flávio Bolsonaro conseguisse fazer essa virada que até a propaganda dele de rádio e TV vem enfatizando esse termo virada, vira-voto, etc.
Sim, tem um outro fator também, né, Vera? Acho que tem também ali é um cenário, nesse cenário apertado assim, acho que a abstenção ela não é um detalhe estatístico, ela pode contar muito nessa reta final, principalmente se a gente considerar que um grupo pode perder mais do que o outro a partir desse não comparecimento no dia das eleições. Há um outro fato curioso que eu gostaria de chamar atenção aqui também do Datafolha, que é sobre o conhecimento do número do candidato, que isso acaba incidindo ali também na hora do voto. 87% dos eleitores de Lula sabem o número dele, enquanto 79% sabe o número do Flávio Bolsonaro.
Já entre os demais candidatos, a terceira via é praticamente desconhecida. 53% declararam que sabem o número do Renan Santos, 34% acertaram o de Augusto Cury e 18% do Ronaldo Caiado.
Exato. É uma coisa que geralmente os partidos costumam enfatizar nas últimas semanas, né, o número dos candidatos. Bom, também houve uma rodada de estados que mostra a possibilidade de vitória do Tarcísio de Freitas no primeiro turno em São Paulo, uma disputa no Rio de Janeiro que ainda é muito vantajosa para Eduardo Paes, mas na qual a distância entre ele e o candidato Douglas Ruas caiu de 18 para 13 pontos. Em Minas Gerais, o Cleitinho, que teve toda aquela dúvida sobre se seria ou não candidato, abrindo a sua vantagem em relação aos demais, chegando a 40% no primeiro turno, 60% no segundo turno.
Então é esse coração do Sudeste que é onde deve se travar o principal embate da disputa presidencial, com eleições ali, duas delas com chances de terminar no primeiro turno e uma terceira que é no estado importante de Minas, ali com uma grande vantagem de um candidato que está mais à direita.
Sim, a gente vê que nesses estados, principalmente São Paulo e Minas, que são estados ali que acabam refletindo muito o cenário nacional, né, a gente vê que os candidatos do presidente Lula não estão à frente no palanque, né. Claro que isso pode mudar, mas eu acho que em São Paulo o cenário já tá bem consolidado, porque Tarcísio tem 56% dos votos válidos e a gente tá há poucos dias aí da reta final, né. E acho que isso é um recado muito duro para o Haddad, né, que ali foi designado para essa missão, né.
Ele vai provavelmente fechar com resultado pior do que ele teve lá atrás em 2022, quando ele também perdeu as eleições para o Tarcísio, né. E isso vai projetar muito também o cenário para 2030, né, Vera, porque se o Tarcísio realmente conseguir fechar essa fatura no primeiro turno, ele vai mostrar certa independência do voto bolsonarista, né, porque ele apoia o Flávio, mas ele tá descolado dessa órbita do bolsonarismo. E também o Haddad vai sair um pouco mais fragilizado, porque ele vai estar numa posição pior do que ele entrou em 2022.
É isso. Então, encerrada essa análise do Datafolha, vamos chamar para nossa conversa a Thay Nalon. A Thay é jornalista, já foi minha colega na Folha de São Paulo e fundou o Aos Fatos, do qual ela é diretora executiva. Boa noite, Thay. Obrigada por ter aceitado o convite para estar com a gente hoje.
Boa noite, Vera. Boa noite, Thiago.
Boa noite.
A gente vai tratar aqui com a Thay de desinformação, de presença da IA nas campanhas, de como as redes sociais se movimentaram nessa campanha com uma cara tão atípica como a de 2026, marcada por muitos escândalos, mas também por uma certa apatia do eleitorado, e como todo esse ecossistema de informação e desinformação acaba impactando o voto. A gente vai falar dos casos também do dia e da semana, mas tentar trazer esse olhar sobre como eles estão aparecendo na maneira pela qual o eleitor se informa.
Thiago, a gente viu hoje a informação, na verdade foi ontem à noite, da Revista Piauí, de que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL, voou num avião de Daniel, não é de Daniel Vorkar, é um avião que é de um pool do qual o Daniel Vorcaro tem uma cota. Outra cota pertence a um advogado e amigo do Flávio Bolsonaro, que é o Willer Tomaz, que também já é uma figura carimbada aí de outros escândalos. E é o mesmo avião. A curiosidade é que é o mesmo avião no qual voou o ministro Alexandre de Moraes.
Se soma a outras revelações, aquele reforço de uma informação que já tinha sido dada da tentativa do Flávio de falar com Vorcário no dia anterior à sua prisão. Mas nada disso parece impactar muito a candidatura do senador do PL. Pelo contrário, ele parece estar bem à vontade para tratar desse assunto e continuar cobrando o Alexandre de Moraes e outros pelo caso Master. Não tem nada que cole nele em relação ao caso Master. Essa impressão que a gente fica olhando o noticiário.
Olha, Vera, eu iria um pouco mais devagar nessa análise, porque acho que a gente tá vendo aí realmente uma artilharia pesada dos dois lados nessa reta final, né? E acho também que o que pode sair do material aprendido no Solar do Vulcano pode surpreender nesse momento. E falando de surpresa, né, Vera, eu acho que o próprio Solar do Vulcano já produziu ali uma surpresa rara, né, porque conseguiu colocar o Flávio Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes praticamente no mesmo assento da aeronave, né.
Eles quase voaram juntos, né, só que momentos diferentes. É claro que cada um tem uma situação diferente. Acho que é uma diferença e uma semelhança entre o caso do Moraes e do Flávio, né. O ministro, ele voou nas asas de um banqueiro enrolado com as autoridades, que buscava uma rede de proteção para evitar liquidação do seu banco. Já Flávio embarcou a convite do seu amigo advogado, Willian Tomaz, que bancou as despesas da viagem.
São situações diferentes, mas que têm um ponto em comum, porque Flávio Moraes não deveria aceitar uma carona em jatinho de pessoas com interesses políticos, né? Porque ninguém oferece um jatinho como se tivesse oferecendo uma paçoca, né? Pelo contrário, eles têm interesse no poder, eles querem ter acesso, eles querem estar próximo, né, de pessoas que decidem, né? E eu acho que no meio dessa polarização toda acabou se perdendo um pouco o foco da discussão, né?
Um lado diz, ah, Moraes viajou. O outro diz, ah, mas Flávio também viajou, né? Só que uma coisa não absolve a outra, né? E quanto maior poder que alguém exerce, acho que menor deve ser a sua dependência desses favores privados.
Tá. E um dos principais elementos com os quais o Aos Fatos lida é a checagem. Checagem de fatos, checagem de declarações. E o senador Flávio Bolsonaro foi pródigo em negar que tivesse voado em aviões de Daniel Vorcaro. Essa filigrana de ser de um pool vai ser usada para ele para dizer que não mentiu. Mas vocês estavam fazendo um levantamento de quantas vezes ele falou a respeito disso, né?
Exato. O UOL Fatos inclusive deve publicar isso daqui a pouco no site, mas a gente fez um mapeamento dos últimos 6 meses desde que ele foi instado pela primeira vez nos nossos registros a respeito do caso Master, ou seja, a respeito de todo o escândalo ao redor do caso, não só o avião ou não só a Dark Horse, mas uma totalidade de escândalos. E a gente levantou que pelo menos 43 declarações foram falsas ou enganosas nesse histórico dele, em uma estratégia que foi desde lá atrás dizer desconhecer Vorcaro e qualquer tipo de relação com o caso do Master, até depois que ficou claro que ele tinha conversas no WhatsApp com o banqueiro, dizer que não era nada muito importante ou que nunca haviam acontecido aquelas conversas.
E depois que saíram áudios comprovando que essas conversas de fato existiram, dizer que não era nada muito importante. Que não havia nada muito comprometedor por aí, até estruturar sua comunicação de campanha ao redor de um jingle que fala que o Pix é do Bolsonaro, o caso Master era do Lula, e tentar vincular a figura do Lula ao escândalo Master, né, ao escândalo que dragou grande parte da classe política, mas que ele tenta colar na candidatura adversária por identificação com o establishment atual, né?
Mas que a gente sabe que não tem um link definitivo entre o governo Moraes, que também é muito atacado, e o próprio Flávio. Então a gente mapeou essas 43 declarações, pelo menos, e os diferentes momentos em que elas foram dadas ao longo dessa história que já se arrasta meses.
A gente tem uma dessas declarações do senador Flávio Bolsonaro em relação especificamente ao avião. Pode soltar.
Eu garanti a todas vocês aqui, eu, a única relação que eu tenho com o porcado é sobre o filme do meu pai, é a única. Qualquer reunião que eu tenha tido, qualquer conversa que eu tenha tido, tudo que aparece no celular, os milhares aí que estão sendo desbloqueados para ter acesso a qualquer diálogo meu e conversa minha com ele foi sobre o filme do presidente Bolsonaro. Você não moveu festinha de bocado, você não fez alguém triste, triste de bocado.
Você já vai brigar com ele para onde? Para Paris, para Cuba jogar. Nunca entrei em avião de bocado e nunca tive festinha de astronauta de bocado.
Tiago, aí ele faz menção a essas festas do bocado que apareceram já aqui e ali nas trocas de mensagens depois que o conteúdo do celular dele se tornou acessível a todos os ministros. E o presidente Lula voltou também a mencionar isso hoje. E ele contando com a aparição de um vídeo, de vídeos em que o seu adversário apareceria nessa situação. Por muito tempo vem se acreditando na campanha petista no momento em que vai haver uma bala de prata nesse caso master que vai atingir a candidatura do Flávio Bolsonaro.
Até aqui não aconteceu. Mas a insistência do Lula nisso, que por enquanto é um boato, denota um certo desespero ali da parte do presidente?
Acho que sim, Vera. Tem esses momentos de pressão, né, e também de trucar quando o candidato truca. Ele é muito comum nas eleições, né. A gente viu nas eleições de 2022 a campanha do PT falando do celular do Bebiano, que foi auxiliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Então sempre rondou essa história de que viria à tona no celular do Bibiano, mais no passado, né, o Collor ali no debate com o próprio Lula também carregando ali uma pasta com dossiês.
Enfim, eu acho que essa tática na reta final é uma tática muito tradicional e que visa ali exercer uma pressão sobre o candidato. Mas acho que o próprio presidente Lula também tá sob pressão, né, porque a gente tá vendo aqui uma artilharia dos dois lados. De um lado, a gente tem o Flávio ali sendo colado a essa imagem do Volcaro a partir desse voo, mas do outro também tem o próprio presidente Lula tendo a sua imagem associada ao escândalo Master também, à medida que começam a surgir mensagens do próprio celular do Volcaro falando de uma articulação dentro do Palácio do Planalto para tentar buscar um apoio para blindar o Banco Master.
E a gente vai detalhar isso no próximo bloco e falar também das implicações para a candidatura do Lula. Aí nas últimas semanas, quando a gente vem falando da sua participação aqui, da necessidade da gente tratar do que aí mudou nesse ambiente aí informacional, você cunhou uma frase que ficou na minha cabeça. Você disse que a diferença dessa campanha para as anteriores é que parece que a desinformação passou a ser vista como uma parte da paisagem ali.
Em que medida coalizões ou organizações como os Fatos que tentam combater esse mal dos tempos modernos estão encontrando mais dificuldade em 26 do que em 24, 22?
É, o cenário é bastante diferente, sobretudo em relação a 22, né? A gente tinha um cenário geopolítico muito diferente, uma narrativa sobre combate à desinformação também bastante diferente, no sentido de que nós tínhamos o legado da pandemia e do negacionismo né, e uma certa, um certo crescimento e uma credibilização da imprensa e da ciência como vacina também em relação a questões de saúde pública. E esse momento passou, assim como um momento de pressão regulatória que houve também no Brasil e houve na Europa e em outros países em que tentou-se regular os mercados digitais, a Europa com sucesso, regulação de ECA, mas aqui não, né?
A gente conseguiu alguma coisa dentro da seara do marco civil da internet com a revisão do artigo 19, houve aprovação do ECA Digital, ou seja, uma proteção extra para experiência de uso de crianças e adolescentes nas redes digitais. E há uma discussão crescente, porém infrutífera, sobre regulação de IA. E quando a gente fala em regulação de IA, são regulação de mercados, não é só o dispositivo que a gente usa no nosso celular, que é a parte mais visível da coisa toda.
Então, quando a gente entra numa eleição que é fortemente mediada por IA, a gente tá falando não só da dimensão da desinformação, do deepfake, ou das imagens geradas por IA, mas também da proliferação de perfis com comportamentos artificiais, seja com a produção massiva de conteúdo gerado por IA, mas também a administração desses perfis. E tem uma particularidade também nessa eleição que na verdade é um vício, mas também uma virtude sobre como o TSE tá observando essa eleição, que é ao proibir ou coibir ou desincentivar o uso de IA pelas campanhas oficiais, né, pelas campanhas, seja presidência, governador, enfim, acabou criando um certo vácuo regulatório também sobre tudo aquilo que não é oficial, ou seja, perfis fakes que a gente não consegue comprovar se tem ligação com campanha, a irrigação desses perfis e dessas páginas, se são quem tá por trás disso.
O anonimato também é bastante complicado. Ou seja, existe um conjunto de problemas e de falta de transparência, seja do ponto de vista da regulação via TSE, seja por conta das plataformas, que a gente não consegue ver. E isso gera uma distorção da realidade muito grande.
Nos próximos blocos a gente vai continuar falando disso e detalhar alguns aspectos que a Thay elucubrou aqui. Vamos falar da questão do ex-chefe de gabinete do Lula, o Marcola, que também apareceu agora no caso master. Não sai daí, você vai agora para o noticiário local, Repórter CBN. O Viva a Voz volta já já.
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E um personagem que já tinha aparecido no escândalo do INSS, que é o seu ex-chefe de gabinete, o Marcola, É, agora aparece numa conversa de um ex-advogado do Daniel Vorcaro, que vem a ser o Valfrido Vardi. Eles estavam num grupo chamado Amigos, em que o Vardi ficava tentando intermediar encontros do Vorcaro com o presidente Lula e também tentando obter do Palácio algum tipo de medida para impedir o Banco Central de interferir na transação do BRB com o Master.
A gente tem ali só algumas respostas meio lacônicas do Marcola, no sentido de, ah, já vi, vou encaminhar, vou avisar aqui, te dou notícias. Nada que seja muito batom na cueca, mas é de novo um personagem que tava na antessala da Presidência da República tratando de questões de interesses ali de lobistas, de quem tenta fazer tráfico de influência. De uma maneira que não é condizente com o cargo dele, né?
Sim, Vera, é assim, em situações normais não seria razoável um chefe de gabinete ali da Presidência da República estar num grupo com o advogado do Vuorcaro tratando do caso Master, né? Embora acho que as respostas do Marcola tenha sido lacônicas, né, e de certa forma até constrangido, não é legal ali, não é conveniente ter o chefe do gabinete de Lula, que tem acesso ao presidente, que é responsável pela agenda dele, tratando, por exemplo, de reclamações contra o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Isso não prova que o Lula tenha feito qualquer movimento ali a favor do Banco Master, porque a gente conhece bem a história, né? O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central e investigado pela Polícia Federal, e hoje o Daniel Volcaro está preso, né? Mas politicamente acho que é um capítulo curioso, porque mostra que o Volcaro tinha essa capacidade de adentrar a antessala do poder. E foi dessa forma que ele foi construindo a rede de apoio dele.
Numa mensagem que ele trocou com o advogado dele, o Walfrido Weid, ele se mostra muito revoltado quando o Banco Central diz que não vai rolar o negócio com o BRB. Aí ele fala, mas quem é esse servidor do Banco Central que tá se opondo a ministro do STF, Congresso e o presidente da República? Na cabeça do Volcário, ele tinha essa rede de apoio E não foi o que aconteceu, né? Ela se ruiu à medida que as investigações avançaram e revelaram que na verdade havia muito, um lado muito obscuro ali nessa relação privada de poder e de tentativa de influência do poder.
Tá, e a campanha de alguma maneira foi dragada, né, por esses escândalos. Não se discute praticamente nada. Imagino que isso também tenha canalizado muito o trabalho dos checadores e de todas as entidades que trabalham com a acuidade da informação, porque é um ambiente propício para se tentar emplacar muita fake news e muita desinformação. Eu vi no Alçatos vocês fazendo checagens daquela sessão do STF, do que veio depois dela, do papel de cada um ali.
Qual é a dificuldade quando você tem escândalos que se chocam, que se sobrepõem, e nos quais praticamente todo mundo quer emplacar uma narrativa para livrar a própria pele.
São muitos problemas, e eu acho que o principal deles, quando a gente fala de checagem de fatos, a gente precisa entender primeiro o que que é checagem de fatos, porque às vezes as pessoas acham que isso é uma parte que constitui jornalismo de uma maneira muito fundamental. De modo que quando a gente fala em fatos, a gente está falando em coisas que de fato aconteceram. A gente está no meio de várias investigações, não é só uma, são várias frentes investigativas, seja várias operações acontecendo ao mesmo tempo e vários braços acontecendo, né?
Então a gente não consegue de certa maneira cravar tudo aquilo que aconteceu. E muito do que a audiência pede às organizações de checagem é para mostrar que o adversário disse uma mentira, que o adversário e a imputação que é feita contra aquele adversário é verdadeiro ou não. Então, numa campanha que é muito agressiva do ponto de vista de ataques e imputações, do jeito que a gente tá tendo, e com imputações em relação a personalidades que nada tem a ver com o processo eleitoral em si, como os ministros do Supremo, né?
Então a gente tem uma dificuldade muito grande de apontar as falsidades Porque grande parte da campanha é baseada em diversionismo, é baseado em cortina de fumaça, em imputações que não são comprováveis com as fontes e os fundamentos e os documentos que a gente tem para comprovar classicamente as coisas. Uma campanha normal em que se discute propostas, uma campanha normal, não sei se dá para dizer que a gente teve uma campanha normal recentemente, mas Idealmente, a gente teria discussões sobre políticas públicas que são baseadas em evidências, e não é isso que tá acontecendo. A gente não consegue sequer promover debates em que todos os candidatos vão.
A gente olha no Os Fatos, quase não tem nenhuma discussão sobre propostas. Isso também me chamou atenção, porque é uma campanha em que praticamente não se fizeram propostas, né?
E as propostas não engajam nesses ambientes de plataformas digitais, né? Assim, a gente tá num ambiente de plataformas digitais muito visual, muito baseado em vídeos e imagens, em que a informação de certa forma já fica muito diluída. A informação, ela passa muito rápido também. Então propostas muito complexas, soluções complexas para problemas complexos não são exatamente a modalidade mais popular de conteúdo dentro dessas plataformas.
Então acaba que essa retórica muito simplista de soluções fáceis e que muitas vezes são enganosas, não só por má intenção dos políticos, mas porque de fato não dá para você simplificar problemas complexos, acaba que dá margem para que as pessoas usem e compartilhem conteúdos mais apelativos pela natureza da comunicação que se dá dentro dessas plataformas mesmo.
Total. E nesse terreno de múltiplos escândalos, né, Bronzeato, a gente teve hoje ainda uma nova fase da Carbono Oculto e uma ação do CNJ em cima de um desembargador ligado ao ministro Cássio Nunes Portanto, isso pode se desdobrar também na crise do Supremo, que deu uma leve arrefecida essa semana, mas que a gente sabe que nos bastidores está comendo solta ainda, né?
Pois é, Vera, eu acho que tem um pacto de silêncio para evitar que a coisa degringole ali no Supremo, né? A gente precisa lembrar que há algumas questões em abertas ali diante do ministro presidente Edson Fachin. Primeiro, o Fachin precisa decidir se ele vai pautar ou não o julgamento do André Mendonça. Que foi acusado pelo Ministro Alexandre de Moraes de praticar abuso de autoridade, né, direcionando a investigação do caso Master, o que o Mendonça nega.
Além disso, o Ministro Fachin também precisa decidir sobre a revogação do pedido de revogação de prisão do Daniel Vocário, que isso pode mudar todo o desfecho dessa investigação, porque o Vocário negocia uma delação na prisão. Só que é um impasse para o Fachin, porque Ele não se diz relator do caso, mas ele está com o caso nas mãos. Então ele também não pode decidir, porque se ele decidir, ele se torna relator e pode anular toda, toda investigação.
Então Fachin vai ter que desenrolar, desatar esse nó. E além disso, tem um pedido do Ministro Mendonça para ter acesso ao inquérito das fake news que estava sob a guarda do Ministro Alexandre de Moraes. E aí o Fachin vai decidir, vai dar acesso, vai usar a mesma medida que ele deu em relação ao caso Master e também liberar o sigilo? Então acho que essa crise tá muito fiada no Faquinho e ele tá tentando encontrar uma solução para desatar esse nó, mas não tá fácil.
A gente vai fazer mais um intervalo e na volta eu vou querer falar bastante sobre IA, o peso disso. Lula teve na ONU essa semana e a parte final do discurso do presidente foi cobrando que não só a Organização das Nações Unidas, mas o mundo precisam discutir tanto o modelo de negócios de inteligência artificial quanto o O conteúdo ali, como está se espalhando. Então a gente vai falar um pouco dessa parte política, mas também do que a Thay tenha nos trazer até em termos de existência de fazendas de IA atuando aí no ambiente eleitoral. A gente volta já já.
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Viva Voz, especial eleições 2026.
Estamos de volta com o Viva Voz, hoje com o Thiago Bronzato, diretor da sucursal de Brasília do Globo, e a Tainá Longo, diretora executiva de Aos Fatos. Falava aqui um pouco antes do nosso intervalo que o Lula dedicou uma parte do discurso dele lá na ONU a falar da necessidade de da inteligência artificial e como isso impacta uma nova fase aí do capitalismo, e também com relações importantes com o poder em todos os países. Aqui, né, Bronzato, a Justiça Eleitoral deu um sambarilove ali, pegou no começo, fez uma resolução que era muito confusa.
Depois, quando começou a dar rolo, aquele vídeo do Jair Bolsonaro de IA, depois as outras coisas, fizeram uma deixa tudo para trás, não pune nada, e a partir de agora não pode. Mas a gente viu, principalmente no lado B ali das campanhas, a IA comendo solta. A gente vai ter que pensar no Congresso, vai ter que pensar numa regulação para além da eleição, regulação da inteligência artificial, fazer um marco de inteligência artificial social.
Essa com certeza é uma pauta para o próximo Congresso, para o próximo governo, né?
Acho que o TSE daria uma grande contribuição, Vera, se ele criasse um botão para desver algumas coisas com IA que a gente viu durante essas eleições, né? Tipo Flávio de Sunga e por aí adiante. Mas é fato que o TSE afetou bastante as regras, né? E de fato, assim, o conteúdo sintético ele precisa ser identificado, né? Eu acho que precisa estar muito claro qual é o conteúdo produzido pelas campanhas e também responsabilizar as plataformas que são operadoras desse tipo de conteúdo.
Mas eu acho que o desafio da regulação ainda é muito enorme para o TSE, né? Embora tenha tido avanços expressivos, né, como também tirar alguns posts ali que simulam a realidade, alguns simulam também a realidade. Eu acho que a justiça ela ainda tá tentando de alguma forma regular o conteúdo, enquanto a tecnologia ela tá revolucionando a distribuição do conteúdo. E aí que é o desafio que a gente tem, porque Às vezes o problema, Vera, não é um vídeo ilegal criado com inteligência artificial, que isso a Justiça Eleitoral consegue coibir, tem mecanismos para tirar do ar.
Eu acho que a dificuldade mesmo é conter a proliferação na distribuição desse conteúdo, porque vem numa velocidade de luz ali, você não consegue acompanhar. E a nossa Justiça Eleitoral ainda tá patinando bastante nesse terreno e aprendendo a como lidar e correr atrás desse prejuízo. Então acho que nesse ponto especificamente a regulação precisa entender melhor, por exemplo, como que perfis legais estão distribuindo de forma coordenada esses conteúdos sintéticos, que é isso que o TSE tá tentando se debruçar nesse momento.
É isso, tá? Você acha que esse é o nó? Eu vi que vocês publicaram um levantamento que mostra verdadeiras fazendas ali de IA influindo no debate, inflando alguns conteúdos e portanto artificialmente gerando um engajamento em cima de alguns conteúdos que não necessariamente são orgânicos, né?
Exato. Eu acho que existem algumas questões com relação à IA, e a principal delas é uma questão cultural de adoção da tecnologia, né? Hoje, diferentemente de ciclos eleitorais anteriores, está muito mais fácil e rápido desenvolver um vídeo, uma foto gerado artificialmente. Então, é isso, você pode fazer em qualquer aplicativo de chatbot disponível nas lojas de aplicativos do seu celular gratuitamente. Você também pode administrar anonimamente vários perfis em plataformas digitais e impulsionar esse conteúdo, porque a partir do momento que a maior parte das plataformas digitais hoje é regida por algoritmos que premiam o engajamento e compartilhamento massivo e temático, de determinados conteúdos, você consegue segmentar audiências de tal modo que você sabe mais ou menos como que as pessoas vão receber determinadas informações.
É curioso porque conversando com pessoas comuns na rua, elas falam sobre não ver propaganda de candidatos, por exemplo, nas redes sociais, porque o TSE estabeleceu que a recomendação algorítmica dos perfis das campanhas deve ser vedada. Então, a partir do momento que você tá numa plataforma que é mediada por algoritmos, fica mais complicado de você alcançar. Mas aquilo que a gente chama de AI slop, né, aquelas mídias feias geradas por IA com uma estética complicada, isso chega dessa para as pessoas.
Por quê? Porque mesmo que as campanhas oficiais não estejam ativamente promovendo esse tipo de linguagem e conteúdo— e veja, eu falo linguagem porque não necessariamente a desinformação, não necessariamente algo falso, às vezes Ah, mas é só um meme, né, uma musiquinha. Exato. Então você naturaliza a existência de uma tecnologia e naturaliza uma forma de linguagem dentro das plataformas digitais, de modo que parece ser natural que tudo é meio de baixa qualidade ali.
Mas como são estruturas algorítmicas que são viciantes e que induzem as pessoas a permanecer ali durante muito tempo, a qualidade não importa muito. O que importa é essa sensação permanente de insatisfação, porque é um conteúdo de baixa qualidade, até você conseguir encontrar algo que plenamente te satisfaça ali dentro. E isso a gente sabe que essas redes não vão entregar, porque elas são desenhadas para serem dessa maneira. Ou seja, você cria um ambiente de impossibilidade de satisfação com o conteúdo que é gerado ali.
E aí é uma certa de certa forma atua como um combustível para isso. Sempre haverá conteúdo a ser gerado porque a sua potencialidade é vendida como infinita.
Então é um problema natural. A gente nunca viu uma campanha em que a propaganda oficial, aquela de rádio e TV, tivesse tão pouco impacto. Todas as pesquisas mostram que as pessoas viram pouquíssimos programas ou pouquíssimos comerciais oficiais das campanhas. Como também quase não teve debate, agora a gente deve ter o debate da Globo. Uma campanha pautada de um lado por esses escândalos, que a pessoa tem a sensação de que atingem todo mundo, de outro por essa mediação das redes meio aleatória.
Uma hora um meme, uma hora uma musiquinha que cola como um chiclete. O risco das pessoas irem para as urnas tão pouco informadas é gigantesco, né?
Muito, Vera. Até porque alguns dos candidatos que deveriam prestar contas públicas e debater ideias, suas propostas, estão fugindo do debate da TV, né? Vamos ver agora no debate da TV Globo, que é um dos mais tradicionais e tá posto ali para reta final. Vamos ver se pelo menos a gente consegue ver o Flávio e conhecer também as propostas dele, assim como a do Lula também, que tem fugido ali do debate de forma orquestrada. Mas enquanto eles fogem desse debate, eles estão ali a pleno vapor nas redes sociais espalhando memes, um criticando o outro.
Mas o que a gente queria ver mesmo era um debate público das ideias e do planejamento deles para campanha.
Isso não houve, tá? E não queria deixar de te ouvir sobre uma polêmica da semana que tem um pouco a ver com essa coisa de redes, com toda coisa da distribuição do conteúdo, que foi a do vídeo do Fábio, estrelado pelo Fábio Porchat, que foi retirado pela Meta sem muita explicação e depois voltou, mas com isso perdeu um engajamento que tava crescente e que tentava ali de alguma maneira explicar de uma maneira didática o caso master, o macro desse caso, e o papel de cada personagem ali nessa história.
Numa falta de regulação muito mais clara e mais nítida, fica a cargo da própria companhia, no caso da Meta, decidir: ah, esse conteúdo infringiu as nossas normas, e tirá-lo do ar sem ficar muito claro qual norma até que foi infringida, né? Foi uma situação bem estranha essa, né?
Sim, eu acho que é estranha exatamente por conta dessa opacidade ao tomar essa decisão, né? A Meta, ao decidir tirar do ar um conteúdo sem uma explicação objetiva, porque a gente não sabe se foi por violação de alguma regra de comunidade, a gente não sabe quem autorizou essa remoção, porque a gente sabe que existem camadas de tomada de decisão. A gente não sabe se foi uma falha técnica, porque a própria Meta também não pode admitir que seus conteúdos são tão vulneráveis a ataques e pessoas reportando em massa determinado conteúdo, né?
Então, enfim, fica uma sensação de que tudo pode ou nada pode também, e que todos os usuários, veículos de comunicação, empresas, pessoas, artistas, influenciadores estão submetidos a regras que valem mais para um do que para outros e que também não sabemos quais são, porque são regras que, enfim, não são globais, não obedecem ao regramento jurídico do país também. E a gente fica com essa falsa impressão de que existe algo acontecendo por trás que a gente não sabe muito bem o que é. Eu não diria nem que é falsa, mas é enganosa, é duvidosa.
Nesse terreno aí da comunicação, o Bronzato, acho que uma das grandes surpresas da semana foi o Flávio Bolsonaro, que lançou uma espécie de uma emissora, como se fosse do programa dele, que fica o tempo inteiro nas redes sociais, o tempo inteiro no YouTube, levando políticos. Foi até, ele deu uma bola fora ali com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, mas de qualquer maneira são lives que estão engajando bastante gente. Que acho que foram sentidas pela campanha do Lula, porque eles foram à justiça tentando tirar isso do ar, como se tivesse burlando aí as regras da lei eleitoral.
Mas é, de novo, no vácuo da legislação fizeram um formato novo que pelo jeito engajou, né?
É, o Flávio tá tentando encontrar a sua própria live, né? Assim como o próprio pai dele fez na campanha de 2018, né? De uma forma um pouco mais simplória, né? Ali dentro da própria casa, com uma lata de leite condensado passando em cima do pão. Acho que o Flávio ganhou uma estrutura maior, né, e conta com esse apoio porque ele quer falar direto com o eleitor, né. Uma vez que ele não tá comparecendo aos debates, ele está tendo esse ambiente sob controle, né, onde ele pode falar ali tudo que ele pensa sem ser contestado, né, sem ser confrontado, e desovar todo o conteúdo dele.
É isso. Nosso tempo chegou ao fim. Eu agradeço muito a Thay por ter participado aqui com a gente. A gente precisa tratar desses assuntos e na correria do dia a dia ali, falando de um escândalo atrás do outro, a gente acaba não aprofundando isso que na verdade tá no cerne de como as pessoas se informam hoje. Então fica o convite para vocês visitarem o site Já os Fatos. Todo dia tem novas checagens e novas matérias a respeito desse ecossistema da informação. Tá aí, obrigada.
Eu que agradeço, Vera. Boa noite.
Boa noite. Bronzato volta na próxima quinta-feira e eu e ele voltamos amanhã no Fora da Bolha também com os nossos companheiros do Globo. Até amanhã, até semana que vem. Tchau, tchau.
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