Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Recorte exclusivo da Quaest mostra qual resultado seria melhor para o Brasil na visão do eleitor

07 de agosto de 202650min
0:00 / 50:55
No Viva Voz Especial Eleições, Vera Magalhães recebe Marcos Nobre, professor de Filosofia da Unicamp e diretor do Centro para Imaginação Crítica do Cebrap; Priscila Cruz, presidente-executiva do Todos Pela Educação; e Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio4
V

Vera Magalhães

HostJornalista
G

Guilherme Russo

ConvidadoProfessor de filosofia
M

Marcos Nobre

ConvidadoProfessor de filosofia
P

Priscila Cruz

ConvidadoPresidente-Executiva da Todos Pela Educação
Assuntos6
  • Pesquisas EleitoraisReeleição de Lula·Retorno da família Bolsonaro·Candidato outsider·Candidato moderado·Polarização
  • Decisão do STJ sobre Ministro Marco BuzziAssédio sexual·Importunação sexual·Perda de cargo·STF·CNA
  • Campanha de Flávio Bolsonaro· PoliticaEleitorado feminino·Michelle Bolsonaro·PL Mulher·Candidato homem
  • Indicadores educacionaisPiauí·Paraná·Enchentes Rio Grande do Sul·São Paulo·Eleições Rio de Janeiro·Distrito Federal
  • Papel do MEC e governo federalCoordenação nacional·Suplementação financeira·Formação de professores·Alfabetização
  • Privatização e educaçãoHomeschooling·Previdência Privada·Militarização das escolas·Proteção infantil
Transcrição70 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz C

Viva a Voz, especial eleições 2026. Apresentação: Vera Magalhães.

VMVera Magalhães

Olá, boa noite! São 7 horas e 3 minutos, o Viva a Voz tá no ar. Trazendo aí muita análise, muitos bastidores e muita informação sobre a corrida eleitoral. É o Viva Voz Especial de eleições na sua primeira semana. Hoje o nosso comentarista do dia, o Thiago Bronzato, não participa. Ele participou na terça-feira e a gente tem para começar esse papo dois convidados muito especiais. Eu recebo o Marcos Nobre, ele é professor professor de filosofia na Unicamp e também é diretor do Centro para Imaginação Crítica do Cebrap. Boa noite, Marcos, um prazer ter você com a gente nessa jornada.

?Voz C

Prazer todo meu, cara.

VMVera Magalhães

Eu recebo nesse começo de programa Priscila Cruz, presidente executiva do Todos pela Educação. Priscila, obrigada também, uma honra ter você com a gente. Não tenho nem roupa para essa dupla.

PCPriscila Cruz

É honra é minha, imagina, Vera, tá com você, com o Marcos, que honra!

?Voz C

Oi, Priscila!

PCPriscila Cruz

Tudo bom, Marcos?

VMVera Magalhães

E é isso, a gente vai dedicar essa primeira parte do Viva a Voz a uma discussão temática. Essa vai ser uma tônica também da nossa nova fase do programa. Então aproveito para explicar que além dos temas do dia a dia escrutinados, analisados e com bastidores, a gente vai procurar sempre que houver oportunidade, sempre que houver também um gancho noticioso para isso, esmiuçar os temas da eleição, porque se fala muito pouco de programa durante o curso das campanhas e a gente quer suprir um pouco essa lacuna contando com os melhores que temos em cada área, como é o caso da Priscila.

E ontem foi divulgado o IDEB do último biênio e a notícia é que o Brasil avançou em todas as etapas medidas pelo nosso principal indicador aí, da educação fundamental. É o principal índice que mede a qualidade do ensino. Mas se esse é o copo meio cheio, o copo meio vazio é que até hoje a gente não conseguiu atingir as metas fixadas para os anos iniciais e finais do ensino fundamental e também para o ensino médio, que eram para ter sido atingidas lá em 2021.

Mas a gente sabe o que houve com a pandemia, mas nunca mais, ainda não chegamos nela. Priscila, eu sei que a análise muito acurada que o Todos faz geralmente procura ver os aspectos positivos e os negativos. Para você, quais deles se sobressaem mais? A gente pode comemorar os dados ou ainda tem muitos pontos de atenção?

PCPriscila Cruz

Perfeito, Vera. Olha, acho que primeiro é apontar que o Brasil está numa trajetória de melhoria. A gente ainda está muito longe de atingir, mas qualquer outro país que também esteve nessa trajetória de melhoria como a Coreia do Sul, 20, 30 anos atrás, como o Canadá, Austrália, Alemanha, todos os países que chegaram no patamar mais alto de qualidade da educação passou pelo trajeto de melhorar, né? Então eu acho que a gente está justamente nesse trajeto, dá um pouco—

VMVera Magalhães

Tivemos um probleminha na conexão da Priscila, vamos ver se ela volta ou se vamos precisar refazer, mas é isso, o Todos fez uma análise muito detalhada, é uma análise de várias páginas que eu li na íntegra, que destaca justamente isso, a importância que houve de se fazer ali um trajeto, né, como eles chamam, de as pessoas terem a educação na idade certa, não reprovar. Então a progressão continuada como um fator importante para essa primeira etapa, mas que agora precisaria um foco na aprendizagem.

Marcos, enquanto a Pri não volta a se juntar a gente, eu queria te ouvir sobre um fator histórico aí da nossa política, que é que educação parece não ser muito sexy, parece não dar muito voto, então ela sempre fica relegada a um segundo plano. Nesse ano a gente nem ouve até agora os candidatos falarem em educação, né?

?Voz C

Bom, pelo menos o presidente Lula falou que ia fazer uma revolução, algo parecido. Não sei muito bem o que qual é a ideia, qual é o projeto, mas falou nisso, né? É difícil, eu tô tentando cobrir a Priscila voltando na conexão, né? Para mim é meio difícil, mas o que eu acho que é importante dizer é: educação é longo prazo, não é 4 anos. Então assim, a gente dizer: olha, em 4 anos vai resolver, não vai. Então assim, tem que ser um projeto de Estado.

Então, em certa medida, a gente conseguiu isso, né, Priscila? Um pouco, certo? Não conseguimos o ideal, mas conseguimos alguma coisa. Aí pronto, já a bola tá com você de novo.

VMVera Magalhães

É isso, adorei que vocês viram que ele já é jornalista, já devolve o gancho para outra. Amei! Vai, Priki, voltou.

PCPriscila Cruz

Não, deixa eu completar aqui, desculpa ter caído aqui, mas é justamente isso, Marcos. Eu vi também um pouco do comentário da Vera, né? O que não dá para a gente admitir, por outro lado, é um avanço muito pequeno em alguns estados e alguns municípios, porque quando a gente olha a média nacional, é isso, a gente tem estados, por exemplo, como Piauí, que tem avançado muito, o Paraná, que já estava bom, avançou ainda mais, o Rio Grande do Sul, depois das enchentes de 2024, conseguiu avançar muito acima da média nacional.

Por outro lado, a gente tem estados como São Paulo, que avança 0,1 ponto, né, no Unideb e no Saeb, você tem Rio de Janeiro, que cai o resultado, você tem Distrito Federal, que cai resultado sendo o maior investimento por aluno do Brasil. Então, eu acho que a gente tem que abrir a caixinha da média, né? Aí, Marcos, entrando também um pouco na tua seara aqui, que é isso assim, é olhar o Brasil, mas é olhar muito também os entes da federação, quem avança mais, quem avança menos.

E uma coisa, Vera, que eu acho que a imprensa faz muito bem, mas acho que tem que fazer cada vez mais, que é celebrar os bons resultados dos estados e dos municípios, que merecem as palmas de todos nós, tem muita gente que trabalhou muito para conseguir ter resultados melhores, e realmente chamar para explicar os têm os piores resultados, né, esses governadores, esses prefeitos. Porque, e ter um escrutínio assim no sentido assim, olha, tá bom, mas eu tava ouvindo aqui a sonora do prefeito Ricardo Nunes dizendo que a solução é a terceirização e tudo mais e tal.

Você até pode ter alguma coisa terceirizada, mas isso não vai garantir a aprendizagem dos alunos. Não é você terceirizar a gestão de uma escola que vai fazer com que o professor esteja melhor formado, que você consiga ter expansão da educação integral. Então tem um básico que alguns dos entes da federação têm conseguido fazer muito bem no Brasil, o que mostra que é possível. Eu acho que isso tem um efeito muito importante, né?

Até queria escutar o Marcos um pouco também sobre isso, porque quando ninguém avança...

VMVera Magalhães

Eu queria até continuar isso que você tá falando, porque você listou uma série de cidades e estados que são governados por múltiplos partidos. Então a resposta não parece estar naquela dicotomia básica entre esquerda e direita, mas sim na importância que os gestores dão à educação e talvez naquilo que o Marcos falava antes da continuidade, né, de não haver ruptura no meio do caminho na implementação de um projeto. Não precisa ser um projeto igual para todo mundo, mas que aquele escolhido tenha um tempo de fazer efeito, né?

PCPriscila Cruz

Perfeito, exatamente isso. A gente olha exatamente isso, Vera. A gente tem casos de sucesso no Brasil de, por exemplo, Florianópolis, que é direita, você tem Vitória, que é direita. Por outro lado, você tem Piauí, que é esquerda, você tem outras regiões, outros estados que a gente tem um bom resultado no Brasil. Goiás é muito bom, a gente tem, né, inclusive candidatos à presidência da República. Eu acho que tem um grande, assim, a gente tem que olhar sempre o avanço, né, porque a posição absoluta é muito do bastão que foi passado para aquele governador.

Claro que ele tem aí uma grande responsabilidade em relação a tudo isso, Mas olhar para aqueles que mais avançaram, assim, eu fiquei muito impressionada com o avanço de Florianópolis, é muito bonito o que está acontecendo lá, sabe? Teresina, Teresina é uma cidade também, né, que tem um PIB per capita muito, muito abaixo da média nacional, conseguiu um avanço impressionante. E sobre a questão da pandemia, Vera, que você trouxe, é o seguinte, também só para a gente não ser excessivamente críticos em relação à educação pública brasileira, que é o seguinte: Não sei se vocês se lembram, mas durante a pandemia havia aquela previsão de que a gente só ia conseguir chegar nos níveis pré-pandêmicos depois de 10 anos.

O Brasil chegou em 6. Então, acho que é bom a gente também marcar isso, porque existe muita energia colocada para poder melhorar a qualidade da educação. Não vai melhorar da noite para o dia, mas não dá para tolerar melhoria de 0,1, por exemplo, aqui em São Paulo, né, que tem um investimento por aluno muito alto e que não está conseguindo chegar nos resultados por exemplo, de estados muito mais pobres como Pernambuco, Piauí, Alagoas, né, que estão acima de São Paulo.

VMVera Magalhães

Marcos, mas você acha que falta cobrança da nossa parte, jornalistas, dos pensadores, da academia e do eleitor, em cima dos gestores e em cima dos candidatos nesse tema que é definidor do futuro do país, né?

?Voz C

Como sempre, a Priscila tem mais experiência que eu. Agora, eu acho que a cobrança é muito forte. E existe uma coisa que eu acho muito importante no que a Priscila tá dizendo, que é o seguinte: é Estado e município. E o fato da gente ter essa autonomia relativa dos estados e municípios para desenvolverem suas políticas educacionais é fundamental, porque senão a gente não tem experimentação, não tem ninguém que inove. E a gente precisa ter inovação.

E a gente vê isso, né? O caso de Sobral, que é sempre celebrado, o que que é? É um experimento que deu super certo. É Pode ser um experimento que você espalha para o Brasil inteiro? Não, cada lugar tem a sua especificidade, mas você precisa ter essa possibilidade, né? E eu acho que porque tem estado e município também tem uma cobrança maior, sabe, Vero? No sentido de que as pessoas querem ver essa escola melhorar, né? Agora, uma campanha eleitoral tem muitos temas, esse é o problema, tem muitos temas.

A gente não tem uma eleição só sobre educação. Se tivesse uma eleição só sobre educação, não sei o que aconteceria, mas seria uma coisa extraordinária. Problema de eleição é que é muito tema e para você conseguir fazer essa coisa convergir num programa coerente, etc., é muito difícil, né? Mas como disse a Priscila, a gente tem que olhar o longo prazo, tem que celebrar as melhoras, tem que criticar quando a gente regride, certo?

Tem que considerar, como você disse, Vera, a pandemia, certo? Tudo isso eu acho que tá em causa nessa nossa discussão.

VMVera Magalhães

Sim, e eu acho que o que você fala dessa importância dos entes subnacionais e a Constituição ter dado a cada um deles um papel específico, o município mais nos anos iniciais, o Estado com uma prerrogativa ali sobre o ensino médio muito mais clara, eu pergunto para você, Pri, e também o Marcos pode comentar, qual o papel do MEC e do governo federal nesse arranjo e se ele está sendo bem cumprido. A gente teve anos muito disruptivos, para dizer o mínimo, no MEC sob Bolsonaro, uma troca incessante de ministros, o uso do MEC no meio da guerra cultural, uma ideologização desnecessária e estapafúrdia da educação.

E agora se imaginava que fosse haver ali uma diferença muito gritante, mas eu acho que o MEC foi meio tímido em alguns momentos. Queria ouvir de vocês.

PCPriscila Cruz

Perfeito. É, o Ministério da Educação, né, o governo federal, ele tem atribuição na educação básica, que diferente da educação superior, ele tem uma atribuição direta, né, uma responsabilidade direta em relação ao ensino superior. Na educação básica, né, aqui relembrando os nossos ouvintes que vai desde a pré-escola até o ensino médio, nessa educação básica ele tem uma atribuição de coordenação nacional, né, de suplementação financeira, suplementação técnica, mas de fazer muita coordenação Por isso, Vera, que durante o governo Bolsonaro foi muito ruim, né, você ter a pandemia acontecendo na educação, com o fechamento das escolas, sem nenhum tipo de coordenação nacional, porque ali era o momento de realmente o MEC brilhar, né?

Ali era a hora do MEC fazer a coordenação nacional e tudo mais e tal, e a gente não teve Ministério da Educação por 4 anos. Então, esse ministério, ele reconstruiu essas pontes, elas foram todas dinamitadas, as pontes federativas, né, entre União, estados e municípios, essas pontes todas tinham sido dinamitadas, o governo reconstruiu, colocou de volta as políticas, enfim, as não ideológicas, né? Então, educação integral, a gente voltou a ter um programa para alfabetização das crianças que, com todas as dificuldades, né, de coordenação com os municípios, né, que são entes da federação que têm muito mais dificuldade, né, dificuldade técnica e financeira, mas que a gente vem saindo, por exemplo, olha, a gente conseguiu sair de 56% de crianças alfabetizadas para 66% em 4 anos.

Coisa para caramba, assim, quer dizer, eu acho que a gente não pode ter muito assim, sabe, essa síndrome de vira-lata na educação, porque o Brasil tem conseguido melhorar aos trancos e barrancos, poderia ser muito melhor, mas a gente tem conseguido. Então alfabetização também foi um dos focos desse governo, mas de fato tem alguns temas que ficaram assim a desejar, por exemplo, algo que é absolutamente atribuição do governo federal e que tem um impacto gigante na educação básica, que é a formação inicial dos professores, a formação que é nas licenciaturas.

A gente teve um decreto que limitou o EAD para professores, mas esse EAD ficou limitado a, quer dizer, o presencial ele é 50%, o EAD pode ser outros 50%, que é um absurdo completo, e não teve nenhum trabalho de realmente melhorar os cursos. Então a gente ainda tá formando mal professor O professor chega na sala de aula totalmente despreparado para uma das profissões mais difíceis que tem. Sim, olha, não tenham dúvida, gente, assim, você pegar uma sala de aula com alunos com diferentes níveis de aprendizado, com nível socioeconômico super desafiador, com muitas vulnerabilidades, você garantir que todos aprendam é muito mais difícil do que ser CEO de empresa, é muito mais difícil do que ser governador, é muito mais difícil que qualquer coisa.

Mas a gente não tá formando bem professor e nisso o governo federal pecou, sabe? Acho que não não pegou essa bandeira de verdade assim e realmente conseguiu mudar a realidade. Eu acho que para próximas gestões, acho que tem alguns aprendizados, a gente espera que dê para melhorar ainda mais para o futuro, mas acho que tem muita coisa para ser feita sim.

VMVera Magalhães

Marcos, como professor, tem lugar de fala nessa discussão.

?Voz C

É, não, eu fiquei tocado aqui pelas palavras da Priscila, porque de fato é isso mesmo, essa descrição me parece perfeita do que a gente faz. E é assim, O fato de ser tão trabalhoso, tão custoso formar um professor, o fato de você precisar o tempo inteiro como professor continuar se formando, né? E isso leva a soluções simples e erradas. Por exemplo, essa coisa de você achar que inteligência artificial vai resolver tudo, essa coisa de você achar que se você passar um monte de slide para os alunos que eles vão aprender alguma coisa.

Que eles fazerem uma pesquisa usando IA sem nenhuma orientação vai adiantar alguma coisa? Não vai, Vera, sabe? Então isso que a Priscila tá falando é: vamos olhar para os números, vamos, mas tem gente no meio. Tem professor, tem família, né?

PCPriscila Cruz

Posso voltar um ponto aqui no do Marcos? Assim, a gente evoluiu, né, Marcos? 300 mil anos o ser humano de evolução para aprender com o outro. Aprender nas conversas ao redor da fogueira, aprender com os mais velhos, aprender com o olho no olho. Aí, de repente, estão inventando que a tela vai fazer a gente aprender. Não aprende. Na verdade, a gente finge que aprende. O máximo que a tela consegue são as microaprendizagens, mas não é isso que está no currículo da educação básica, nem é isso também que está no ensino superior.

Então, eu acho que a gente tem que parar com esses fetiches, né, de achar as soluções mirabolantes, mas tem muito mais a ver com marketing, né, de você vender que tá fazendo alguma coisa inovadora, mas que na verdade não tá produzindo resultado nenhum.

VMVera Magalhães

Falando nos fetiches, eu queria trazer também os temas que são dessa esfera da guerra cultural e altamente ideologizados, e que estão por aí, estão no Congresso, estão nas pranchetas dos candidatos. Um deles é esse, talvez, da concessão de alguma parcela da gestão da escola à iniciativa privada, que não tá dado que isso é o que faz a diferença. Tem uma discussão no Congresso enorme sobre um tema que nem deveria estar, porque tem aí muitas complexidades, que é o do homeschooling, mas que existe uma parcela da direita que fez disso uma bandeira.

Isso sem falar em outras discussões, como o fim da promoção continuada, que também uma parcela da direita acha que isso vai melhorar a qualidade do ensino, quando você nos mostra nessa nota técnica, Priscila, que na verdade isso foi um fator que contribuiu para melhoria da situação geral do ensino brasileiro. Como é que a gente lida com essas coisas que não são baseadas em dados nem em evidências, mas que certamente vão aparecer no debate? Acho que você tá sem áudio, Pri.

PCPriscila Cruz

Desculpa. Aqui também, de novo, né, assim, acho que quando você não sabe fazer gestão, o líder político ele apela para as bandeiras mais ideológicas, né, porque fazer gestão bem feita dá trabalho, né? Você fazer expansão da educação integral dá trabalho, você formar bem professores dá trabalho. Agora você prometer homeschooling, você fazer militarização das escolas, isso aí é outra história, né? E quando você olha para as redes de ensino que têm bons resultados, você não enxerga esse tipo de política pública, né?

E eu queria falar um pouquinho assim, aproveitar esse teu gancho sobre homeschooling, porque eu acho que homeschooling ele é uma falha de como que a gente tá enxergando o papel da escola de uma forma até mais integral, porque assim, quem defende o homeschooling fala muito assim, olha, eu quero, eu quero eu mesmo ensinar os meus filhos português, matemática, ciências, porque eu sei. Então vamos até assumir que essa família saiba ensinar tudo, tá?

Que é impossível, mas vamos assumir que sabe. Mas a escola não é só aprender português, matemática e ciências. A escola é a interação com o outro, é você estudar com um colega que tem uma religião diferente de você, que pensa diferente de você, que tem uma realidade diferente. É você, é aquilo que tá na Constituição Federal, né, no 205, é preparar para vida, para cidadania, e para o mundo do trabalho. Você não prepara para essas 3 dimensões educando em casa.

Sem falar da questão do abuso sexual, que aí quem é que consegue identificar casos de abuso? Em geral é a professora que leva para o Conselho Tutelar. Então isso é assim, é prato cheio para abusador, para quem quer, sabe, de alguma forma prender seus filhos em casa. E assim, eu não tô falando com isso que quem defende homeschooling defende abuso de criança, de jeito nenhum, mas dá margem para esse tipo de situação. Então assim, a escola ela também é proteção da criança, ela é formação para vida, mas ela também é proteção física dessa criança.

VMVera Magalhães

Marcos, a gente vai continuar junto falando dos outros temas, eu só queria aproveitar esse 1 minuto antes de eu ter de liberar a Priscila para ouvir sobre o próximo passo que é preciso dar para além dessas, dos fetiches e da ideologização, o que em termos técnicos é o próximo passo para a gente deixar de tudo bem ter boas notícias, mas dá um, digamos, um salto na qualidade da educação brasileira. Priscila, tá me ouvindo?

PCPriscila Cruz

Ah, desculpa, desculpa.

VMVera Magalhães

Não, eu falei para ele que eu ia com você porque eu quero te aproveitar até o finalzinho.

PCPriscila Cruz

Não, tá certo, desculpa. Olha, eu acho que tem uma coisa que o Marcos falou no começo que eu queria resgatar, que é o seguinte: o fato da gente ter boas as experiências estaduais e municipais, isso significa que a gente consegue estudar o que foi feito de bom nessas gestões. Então, o que que Piauí fez que é tão, assim, é um fator tão explicativo desse resultado, desse salto que Piauí deu? O que que Florianópolis fez? O que Vitória fez?

O que Rio Grande do Sul fez? Então, isso tudo tá muito mapeado, sabe, Vera? Assim, o próprio Todos pela Educação faz muito isso, a gente faz essa, a gente socializa, né, esse conhecimento para outras gestões. Mas é sempre olhar para essas evidências, assim, o que que realmente funciona. Em geral, o que funciona é um cardápio meio básico, tá? Assim, não é nada muito fora da casinha, mas é um cardápio básico que tem que ser bem feito.

Esse cardápio básico bem feito não é fácil de fazer. O fato de ser básico não significa que ele é fácil. As pessoas às vezes confundem. Fazer uma boa implementação de política social que tem uma cauda longa, como é da educação, é muito difícil, porque você tem uma série de implementadores ao longo de toda essa cadeia. Então, e são servidores públicos que têm estabilidade, eles não são obrigados, né? Então, a liderança política e a liderança educacional, né, da Secretaria de Educação, ela tem que fazer a persuasão, ela tem que mobilizar a rede, ela tem que botar todo mundo ali com um alinhamento de visão em relação aos resultados, às metodologias, aquilo que vai ser feito, aquilo que é prioridade, né, nessa implementação.

Então, acho que a gente tem aqui uma ausência ainda no Brasil de entendimento de que a gente vence o jogo é na implementação. Eu diria que assim, 90% do jogo a gente ganha na implementação, não é na formulação. Tem que acertar na formulação, né, que é você setar bem assim quais são as grandes políticas e como que você desenha. Mas essa implementação do dia a dia, que não rende card no Instagram, que não rende dancinha no TikTok, né, que não é boa para o marketing muitas vezes, porque você tem que enfrentar ali o dia a dia, né, de outros desejos e vontades.

Então não é fácil, mas tem saída, Vera. Assim, eu acho que não tem desculpa. Acho que o que os estados e municípios mais pobres estão fazendo, estão dizendo para todo o Brasil, é: é possível fazer. Estado rico que não faz tem que ser cobrado.

VMVera Magalhães

Vamos cobrar. Obrigada, Priscila, pela sua participação. Fica o convite para você voltar muitas vezes, porque que esse tema não sai da pauta.

PCPriscila Cruz

Que bom, gente! Muito obrigada para vocês, vou ficar aqui escutando vocês. Beijão, tchau tchau!

VMVera Magalhães

Obrigado! Marcos Nobre continua comigo, a gente faz um breve intervalo e depois se junta a gente o Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quest, para a gente tratar de outros assuntos. Não sai daí!

?Voz C

Viva a Voz, especial eleições 2026.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

VMVera Magalhães

Viva Voz está de volta. O Guilherme vai se juntar a gente no terceiro bloco. A gente continua agora com o Marcos Nobre, professor da Unicamp e pesquisador e diretor do Centro do Cebrap. Marcos, hoje a gente teve uma decisão inédita no Judiciário brasileiro, que foi o STJ ter decidido pela perda da função de um dos seus ministros, né, do ministro Marco Buzzi pelas denúncias de assédio, de importunação sexual, que já recaíam sobre ele há algum tempo e que eram múltiplas.

Ele tava temporariamente afastado do cargo, mas recebendo salário. E agora, se for confirmada pelo Supremo a decisão do próprio STJ, que cortou na carne, portanto ele vai perder definitivamente o cargo e vai se abrir uma vaga no STJ. Isso é muito raro no Judiciário brasileiro, que costuma ser invado de corporativismo, de privilégios, etc. Isso tá no cerne de uma das razões pelas quais o Judiciário brasileiro tá na berlinda perante a população, perante uma parcela da sociedade e o eleitorado.

Isso a despeito de ter tido um papel institucional muito relevante na defesa da democracia democracia. Qual a importância de uma decisão como essa para talvez ajudar a começar a melhorar a imagem do Judiciário diante da população?

?Voz C

A importância é enorme, porque os recados dessa decisão para a sociedade, para a própria magistratura, são múltiplos. Primeiro lugar, porque foi um processo por assédio sexual. Você vai dizer, olha, Olha, isso não é admissível em lugar nenhum, certo? É como você disse, uma corte superior que está ouvindo a sociedade dizendo, olha, tem coisas que não são aceitáveis, que não podem ser aceitas em nenhum lugar, muito menos no lugar que deve fazer a justiça, sabe?

Então acho que assim, isso mostra que a pressão da sociedade tem efeito. É, a gente viu que essa decisão já foi baseada numa decisão anterior do Ministro Dino, né, dizendo que a aposentadoria compulsória não pode ser considerada uma punição, que era uma coisa realmente absurda, né. Ah, vai pegar de 8 a 12 anos? Não, vai pegar uma aposentadoria compulsória. Quer dizer, entende? É escárnio isso, né, velho. Então esses movimentos são movimentos muito importantes, mas essa decisão ela meio reúne todos esses elementos, sabe?

Assim, não vai ser aposentadoria compulsória, é realmente algo contra o assédio, isso não é tolerável, é alguma coisa que é feita contra a própria corte, ou seja, com alguém da própria corte. Então eu acho que essa decisão é algo muito, muito importante, vai ser lembrada durante muitos anos como uma decisão histórica mesmo.

VMVera Magalhães

A gente tem visto o ministro Fachin ter muita dificuldade de implementar uma agenda modernizadora, de certa forma generalizadora dentro do próprio Supremo. Ele agora tentou desviar um pouco o foco dessa tentativa para o CNJ, para que isso valha para outros tribunais, mas mesmo assim uma coisa um pouco frouxa, de caráter sugestivo e não compulsório ali, né, e não mandatório. Por que que ainda, apesar de decisões históricas como essa, ainda existe essa resistência tão grande no Judiciário em acabar com o pecuniário trabalho com outros privilégios e discutir uma pauta realmente ética?

?Voz C

Bom, Vera, é aquela história, né? Se você não tem controle externo, né, você faz o que você acha que é melhor para você mesmo, para as pessoas que estão em torno de você, né, que é o corporativismo e tal. Então vejam, o CNJ, ele tem o quê, Vera? Uns 20 anos, 22, por aí, né? Né? Veja, é relativamente recente, de 2001, demorou 20 anos para— 25, de 2001 já.

VMVera Magalhães

Eu lembro de fazer matéria disso, eu tava na primeira leitura.

?Voz C

Olha só. Bom, mas enfim, veja, demora tudo isso para você conseguir estabelecer coisas muito básicas, né? A gente sabe que tribunais não colaboram com o CNJ da mesma maneira, né? A gente sabe que tem dificuldade de implementar decisão e tudo isso. Então assim, se as reformas na política política em geral são lentas, no Judiciário elas são lentíssimas, né? Agora, se não tiver essa posição da sociedade de cobrar e dizer, olha, isso não é possível, não vai ter razão para que tenha uma mudança, sabe?

Então eu acho que isso também significa, olha, fazer pressão e dizer esse tipo de padrão de comportamento não é aceitável é alguma coisa que tem efeito. E eu acho que a gente tem que considerar esse aspecto como um aspecto central do nosso papel na cidadania, né? Eu acho que essa é a grande lição que a gente tem que tirar desse processo.

VMVera Magalhães

Faz tempo que a questão do Supremo principalmente virou agenda política. Não deveria ser, mas virou pelos motivos errados até a princípio, pelo papel importante, determinante que o Supremo teve em garantir a permanência da democracia. E você tem sido muito vocal a esse respeito. Mas de que maneira é esse tipo de brecha, né, escritório de mulher de um ministro sendo contratada, sendo contratado pelo Banco Master, e ao mesmo tempo em que isso tá no Supremo em grande medida, relações do Toffoli também com o Master, municia essa parcela da população que já atacava o Supremo pelos motivos errados?

De que forma isso pode também fomentar essa campanha pela eleição de senadores que tem como pauta aprovar impeachment de ministros do Supremo e essas outras coisas?

?Voz C

Ah, sim, isso daí vai ser decisivo, eu acho, nessas eleições, velho, vai ser decisivo. É uma pauta que mobiliza mesmo as pessoas, porque o que aconteceu, quando você tem uma tentativa de golpe, você não tem como ter meia posição, sabe, ficar em cima do muro, etc. Ou você é a favor do golpe ou você contra. Então, numa situação como essa, você tem que tomar medidas que são medidas extraordinárias. E eu acho que o STF tomou essas medidas porque antecipou que tinha ali um golpe em gestação, e depois se provou que de fato tinha uma tentativa de golpe, foi tentado um golpe.

Então, isso é uma coisa que faz com que o STF tenha tido que tomar medidas que em tempos, digamos, normais mais, não é, não seriam tomadas. E isso que acontece depois que você solta lá o gênio da garrafa, você fala o quê? Como é que faz para voltar, sabe? E não está voltando porque a sociedade tá dividida mesmo, tá dividida. E o que vai acontecer, eu acho, é que essa decisão do STJ ela vai se tornar também uma coisa incômoda para o STF.

Você fala, olha, se um tribunal superior decidiu assim, vamos pensar também se não tem algum problema no STF que deva ser resolvido dessa maneira. Não tô dizendo uma coisa como um processo de assédio, que isso é realmente alguma coisa que não está no horizonte, nenhuma hipótese do que acontece no STF. Mas o Senado de fato vai colocar uma pressão, esse Senado que todas as pesquisas e todas as análises a que eu tive acesso dizem, olha, vai ser um Senado muito mais à direita e um Senado muito mais disposto a fazer impeachment de ministro, certo?

Então assim, tem um pouco isso também. Se você exagera muito de um lado, que foi o que o STF fez, você dá munição para a própria extrema-direita que você está tentando combater. Então você tá jogando contra o próprio patrimônio. Então o STF vai ter que encontrar em algum momento uma linha intermédia que não seja a que tá prevalecendo até hoje. Mas eu acho que isso vai acontecer, acho que o STJ é um sinal de que isso vai acontecer e que nós vamos ter um tipo de regulação pelo CNJ e pelo STF, porque o STF tá acima do CNJ, né, do Conselho Nacional de Justiça, que vai nessa direção, sim.

VMVera Magalhães

Também acredito que vai acabar tendo, já aconteceu alguma coisa, me chama só atenção, só só para complementar o seu raciocínio, a gente poder sair para o intervalo, é a fraqueza do ministro Luiz Edson Fachin conseguir implementar essa agenda, o isolamento dele até aqui. Quem sabe, eu acho importante isso que você salientou, essa decisão do STJ acabe por fortalecê-lo de alguma maneira internamente para que ele não fique mais tão isolado como ele tá na tentativa de fazer a tal da autocontenção, que é uma palavra que ele Mas os seus pares odeiam.

?Voz C

Mas eu acho que tem um problema aí, Vera, que vai além do Fachin, que é a fragmentação do tribunal, sabe? Eu acho que essa história de ter posições muito diferentes e de você não ter de fato uma consertação, ela dificulta demais qualquer tomada de posição coletiva. Então a gente tem que olhar para isso também, para um STF que tá muito dividido internamente. É verdade, isso dificulta qualquer posição como a do Ministro Fachin ou de outro ministro, não necessariamente a dele, de prevalecer, porque você não tem justamente um colegiado funcionando como colegiado, né?

VMVera Magalhães

Exato. A gente sai agora para mais um breve intervalo, volta logo mais com mais viva voz, aí sim com a presença do Guilherme Russo, que é diretor de inteligência da Quest, vai trazer atenção um dado inédito da pesquisa junto e não sai daí.

?Voz C

Viva a Voz, especial eleições 2026.

— Anúncios inseridos dinamicamente —

?Voz C

See terms. Viva Voz, especial eleições 2026.

VMVera Magalhães

O Viva Voz tá de volta hoje com o professor de filosofia da Unicamp, Marcos Nobre. E agora se junta a gente o diretor de inteligência da Quest, Guilherme Russo. Boa noite, Guilherme, obrigada por ter aceitado o nosso convite.

GRGuilherme Russo

Boa noite, Vera, é um prazer falar com você e todos ouvintes da CBN. Boa noite, Marcos.

VMVera Magalhães

E como jornalista é chorão, eu não só convidei o Guilherme para estar com a gente como chorei por um recorte exclusivo da pesquisa da Quest que saiu ontem. E consegui, levei. Então eles soltaram para gente uma pergunta que não apareceu ontem na divulgação, que é a respeito de qual seria, no entendimento do eleitor, melhor resultado para o Brasil hoje, né? Qual o melhor resultado da eleição para o Brasil? Para 33% dos apontados pela Quest seria a reeleição de Lula.

Para 24%, o retorno da família Bolsonaro ao poder. Para 19%, o melhor para o Brasil seria a vitória de um outsider. E para 17%, a vitória de um moderado. Não é a primeira vez que essa pesquisa aparece na série histórica do levantamento. Ela foi feita também ao longo de todos os meses desse ano. Ano. E o que a gente tem em relação ao mês de julho foi uma alta de 2 pontos, uma oscilação, porque isso tá dentro da margem de erro, daqueles que acham que é o melhor é a reeleição do Lula, mas também uma alta de 2 pontos daqueles que acham que é melhor para o Brasil é a volta da família Bolsonaro.

Já a ideia de um outsider, que era ali atraente para 23%, passou a ser só para 19%. Então aí é uma queda mesmo, de 4 pontos percentuais. E a ideia da vitória de um moderado segue igual, segue moderada, em estabilidade, 17 a 17. Guilherme, por que que vocês resolveram fazer essa pergunta específica num cenário em que a rejeição é tão alta? Parece até um pouco contraditório, mas é para tentar extrair o outro lado da rejeição, é isso?

GRGuilherme Russo

Obrigado por mostrar esses números, né? A gente gosta muito dessa pergunta porque ela tenta, digamos, dar um passo para trás e ver qual que seria a demanda real do eleitor se não fossem os candidatos. Então, claramente, o presidente Lula tem ali um terço do eleitorado brasileiro que o defende, que acredita, isso vai ser sempre a melhor escolha. 24% diz, olha, eu na verdade queria a família Bolsonaro, Está abrindo uma oscilação, mas um pedaço menor do que a fatia aqui que prefere o presidente Lula.

Mas o motivo principal que a gente pergunta é para saber se brasileiros também querem um outsider, né? Pensando nas eleições, na possibilidade de um candidato mais outsider como o Renan Santos, a gente sempre quer medir essa demanda, se existe no eleitorado essa vontade de um candidato fora do sistema, da polarização. E a pesquisa mostra, né, 19% diz que prefere um candidato outsider que não seja moderado, que não seja Lula, não seja Flávio Bolsonaro.

Então é como se fosse um teto por uma candidatura muito outsider. Esse é o motivo principal dessa pergunta. E ao mesmo tempo a gente vê que o candidato moderado, né, a gente falou, olha, não vai ser nem o Lula nem o Flávio Bolsonaro, não vai ser um outsider, vai ser um candidato moderado, também tem uma demanda bastante limitada de 17% e fixa, né, não tá se alterando. Ou seja, com essa pergunta a gente consegue até dividir o eleitorado de forma mais detalhada e consegue ver essa demanda real para um outsider moderado para além das candidaturas principais que estão postas hoje.

VMVera Magalhães

Marcos, quando você analisa esse número e todos os de ontem, a despeito de uma certa interrupção na curva de melhora do Lula, você vislumbra um favoritismo do presidente ou ainda uma eleição muito parelha e de resultado imprevisível?

?Voz C

Acho que é uma eleição muito apertada, mas isso aí acho que não tem muita dúvida. O que a gente tá vendo muito é o fato de que ninguém quer que o Flávio Bolsonaro se eleja, né? Nem o Lula, nem a candidatura Lula, e nem qualquer outra, né? Dadas as brigas internas que estão tendo, né? Agora, Flávio Bolsonaro indo para o segundo turno muda isso, Muda a situação por completo. Então eu acho que apontar favoritismos é um equívoco nesse momento.

Agora, do que o Guilherme trouxe agora recentemente, a gente teria que ver, né, Guilherme, qual é o overlap entre eu quero um outsider que não seja nenhum dos dois e o quanto eu considero que esses dois são outsiders, né? Porque uma das coisas interessantes é não só que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro se apresentam, se apresentaram como outsiders, mas o próprio presidente Lula faz uma campanha que é uma campanha de outsider.

Então é interessante a gente tentar medir, né, o que que é eu quero um outsider e em que medida eu considero que o candidato que eu escolhi é um outsider. Então isso eu acho que seria um exercício interessante, assim, pensando a quente aqui o que você acabou de falar, né.

GRGuilherme Russo

Marta, esse ponto é muito relevante porque neste momento as candidaturas passaram meses estudando o eleitorado para se posicionar. E uma das coisas que a gente tem visto, a gente vai ter alguns recortes aí nos próximos dias, é que a gente sabe que, como a Vera mesmo citou no bloco anterior, a confiança no STF, nas instituições, está baixa no Brasil e caiu ao longo do tempo. Então existe um sentimento brasileiro, digamos, de busca de um outsider.

E aí mesmo os candidatos mais consolidados, mais, digamos, established, também se posiciona muitas vezes dizendo, olha, eu tenho posições mais de fora do sistema que na verdade trazem soluções, pelo menos no olhar de quem tá buscando um outsider. Então é quase uma resposta dos candidatos nesse sentido. Então esse overlap vai existir um pouco sim, né? Obviamente quando o Lula tem 40%, 45% no segundo turno na intenção de voto e só 33% nessa escolha mais independente, existe claro esse eleitorado que que prefere o outsider, mas dada a configuração dos candidatos, vota para o Lula ou para o Flávio Bolsonaro.

VMVera Magalhães

Tem dois temas da semana que eu queria abordar com vocês, mas o relógio tá ali me pressionando, então eu vou jogar um para cada um. Queria ouvir do Guilherme o dado persistente da pesquisa em relação ao gap que existe entre o eleitorado feminino e masculino. Lula liderando muito fortemente entre as mulheres e o Flávio Bolsonaro ainda persistindo na dificuldade. De que maneira essa notícia de que o vice dele vai ser um homem e não uma mulher pode impactar na permanência desse dado?

GRGuilherme Russo

Galera, esse dado é muito relevante porque se o Flávio Bolsonaro teve uma vantagem enorme de ter o sobrenome Bolsonaro e conquistar, né, uma intenção de voto gigantesca muito rápido, por outro lado ele recebe essa herança negativa, né, do pai, que é que vai muito mal entre o eleitorado feminino. Bom, isso o PL sabe, né? 2018, lá do bolsonarista, o PSL em 2018, PL em 2022, sempre viu esse dado e de certa forma não tinha muita solução.

Eles criaram uma tentativa com a Michele Bolsonaro fundando o PL Mulher, né, trazendo esse PL Mulher para todos os estados. E quando o Flávio, digamos, tem ali a briga com a Michele, né, essa discussão, esse desentendimento, e agora ao escolher um candidato homem ele não consegue trazer animação das mulheres que a Michele representa mais, mulheres mais evangélicas e conservadoras. E mais, quando a gente pensa agora nas mulheres independentes, né, no bloco independente que talvez não goste tanto do Lula, mas também não gosta do Bolsonaro, o Flávio não consegue de certa forma passar uma mensagem de um afago, né.

Ele tem feito muitos discursos e narrativas, mas simbolicamente, se tivesse tido uma mulher mulher, né, fosse a Michele, a Priscila Costa, mais próxima mesmo da Michele, mas simbolicamente seria muito forte. Então com certeza o Flávio vai olhar para esse dado e vai enfrentar um desafio muito grande. Imagino que a consequência é continuar trazendo narrativas para tentar buscar esse voto feminino, mas com certeza será um desafio.

VMVera Magalhães

Imagino que tem um último minutinho. Eu queria falar do tema da corrupção que voltou muito à tona nessa semana com as denúncias caindo sobre o sobre o Marcola, ele já tava pesando fortemente sobre o Flávio com o caso Dark Horse. Quando os dois principais candidatos têm denúncias graves ali rondando, uma anula a outra, o eleitor passa a entender que a corrupção é um item de fábrica da política brasileira e não liga para isso. Qual que é a sua expectativa em relação a como esse assunto vai impactar o eleitor?

?Voz C

Essa também seria uma pergunta para a série da Quest, certo?

VMVera Magalhães

Para a gente poder ver a importância que eles dão à corrupção.

?Voz C

Exato, exato, porque muda a posição, né, do tema ao longo do tempo. Agora, de qualquer maneira, nós temos interpretações diferentes por parte do eleitorado do que significa corrupção, dependendo de qual a sua adesão, né? Guilherme tava dizendo, ó, um terço do eleitorado adere ao petismo de base, de saída, e um quarto adere ao bolsonarismo, né? Então você, partindo disso, é também uma maneira de você interpretar o que é corrupção, certo?

Então você tem essas duas coisas muito ligadas no eleitorado, e esse eleitorado que é o cerne da divisão atual, ele também consegue se espalhar para um pouco além dele, dele, né? Então é pequena a porcentagem das pessoas que de alguma maneira não estão ligadas a esse 1/3 ou a esse 1/4, sabe, Vera?

VMVera Magalhães

É, ó, a corrupção hoje tá em terceiro nesse último levantamento da Quest, é atrás de violência e problemas sociais. Já foi o segundo por um bom período ali, de março até junho, acho que quando o caso Master tava no seu auge, o INSS também mas deu uma leve caída nos dois últimos levantamentos. É isso, Guilherme?

GRGuilherme Russo

Se eu puder, é, ainda, Vera, eu posso dar uma contribuição, que é primeiro que ainda não é um tema tão relevante na campanha, mesmo de novo os dois lados vão ter que responder sobre esses inquéritos e tudo mais. E o Banco Master perdeu uma certa relevância como foi na pauta pública, o próprio caso do Dark Horse do Flávio Bolsonaro fez com que a direita também desse um passo atrás nessa narrativa. E hoje, nas pesquisas que a gente tem, 40% dos brasileiros falam todos estão envolvidos com o caso do Master.

E aí se divide entre esquerda, direita, um pouquinho do STF. Então hoje ainda não tá tendo muito impacto, obviamente, né? Isso quer dizer o retrato de hoje. O que vai acontecer para o futuro depende muito, como o Marcos mesmo falou, são muitos temas, né? Muitos temas discutidos, é sempre sobre qual o tema, né, qual notícia ganha mais relevância. E aí, digamos, onde as fichas caem.

VMVera Magalhães

Incrível como a gente tem, quando a gente tem gente boa, o relógio conspira contra. Tá na hora de encerrar. Queria agradecer muito a participação de vocês e já fazer o convite para a gente voltar para tratar de outros assuntos. Pode ser? É isso então. Agradeço, Marcos Nobre. Agradeço também o Guilherme e agradeço a você pela sua companhia nessa que foi a primeira semana no novo modelo do Viva a Voz. A gente volta amanhã com aquele resumo dentro do Ponto Final. Até lá, tchau tchau!

?Voz C

Viva a Voz especial eleições 2026, apresentação Vera Magalhães.

— Anúncios inseridos dinamicamente —