'Campanha de Flávio Bolsonaro se especializa em buscar interferência indevida de outros países'
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- Crise diplomática Brasil-ArgentinaJavier Milei · Confronto com Flaviano · Lula e Trump · Alexandre de Moraes · Dario Durigan · Interferência externa indevida · Relações diplomáticas
- Campanha de Flávio BolsonaroSegundo turno · Eleitores de direita · Bolsonarismo · Repercussão da declaração de Romeu Zema · Ronaldo Caiado · Silvio Santos
- Inteligência artificial e desinformação políticaInvestigação de Jair Renan Bolsonaro · Confronto com Flaviano · TSE · Deepfake · Propaganda eleitoral
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Ela voltou, Vera Magalhães! Boa noite, tudo bem?
Boa noite, Débora. Boa noite, Carol. Tava com saudade já. Tudo bem?
Bem-vinda!
Boa noite, Vera.
Obrigada.
Bem-vinda de volta. Nós também, os ouvintes também. Aliás, Vera, semana que vem tem uma novidade, né, no Viva a Voz, que vai vigorar durante o período de eleição. A gente já contou aqui na programação, Mas tem ouvinte que não tá sabendo ainda.
Então deixa eu contar, pessoal. Durante a eleição, a partir da segunda-feira, dia 3 de agosto, até o segundo turno, o Viva Voz vai se descolar temporariamente do Ponto Final, vai virar um programa autônomo depois do Ponto Final. Então a gente vai se falar um pouquinho mais tarde. Viva Voz começando às 7 da noite, indo até às 8. E além de mim vai haver outros comentaristas. A gente vai anunciar em breve o escrete de comentaristas.
E a gente vai contar também com entrevistas com candidatos, vai contar com análises de especialistas em áreas específicas que vão estar em análise, em discussão durante a campanha eleitoral. Vamos ter especialistas em pesquisas. Então a gente vai girar um papo aqui sobre os principais assuntos de cada um dos dias. Ele vai ao ar de segunda a quinta. Na sexta-feira a gente volta a falar aqui com a Débora e a Carol para fazer o nosso resumo da semana no horário que vocês já conhecem.
Mas nesse horário especial a gente fica no ar de segunda a quinta trazendo uma análise especial aí para vocês dos assuntos da eleição. Mas vou sentir saudades do nosso trio.
Nós também, eu e Carol, saudades de Vera Magalhães, mas vai ser muito legal. Então, ó, essa semana ainda às 6 da noite. Vamos começar a edição de hoje por Brasília. Igor Cardim vai trazer detalhes aqui sobre essa crise de diplomática entre Brasil e Argentina. Oi, Igor.
Oi, Débora, bem-vinda de volta. Vera, boa noite a você e aos ouvintes. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente da Argentina, Javier Milei, de palhaço e classificou como uma interferência externa indevida e absurda a participação dele na política brasileira. A fala à Rádio Jornal de Pernambuco ocorre justamente após a vinda do chefe argentino ao Brasil, no sábado, na convenção que lançou Flávio Bolsonaro como candidato do PL à presidência.
Milei disse que Lula agravou o risco de crise da dívida por falta de ajuste fiscal e se referiu ao presidente brasileiro como lixo socialista e presidiário e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, de lixo careca, após ter negado o pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Duregan rebateu as críticas sobre a situação econômica brasileira e destacou que os índices de inflação e da dívida pública da Argentina são mais elevados que o do Brasil.
O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil ontem e falou de Brasil quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito mais alta. Então assim, não dá para considerar, não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse, que vai ter problema, porque o Brasil ele tá com mínima de desemprego, mínima de inflação, recorde em balança comercial.
Segundo o jornal argentino La Nación, o governo Milei não se retratará e descartou qualquer pedido oficial de desculpas ao presidente Lula. Em resposta às declarações de Milei, o Itamaraty convocou para consultas o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bittelli. A reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve ocorrer até quarta-feira. Débora, Vera e Carol.
Obrigada aí, Igor, pelas informações. Dario Durigan acabou destoando, né, do tom que o governo até tinha adotado, que era de não revidar esses insultos, esses xingamentos, né, Vera?
Exato. E eu vi você informando para os nossos ouvintes mais cedo que ele disse que falou isso em caráter pessoal. Não existe fala em caráter pessoal de um ministro de Estado, ainda mais do ministro da Fazenda, num contexto eleitoral. Ele, como ministro da Fazenda, sempre vai falar como ministro. Ele tava dando uma entrevista sobre vários temas ligados à pasta dele. Portanto, essa desculpa não cola. Pegou mal no Palácio a fala do ministro, tanto em relação a isso quanto em relação às taxas das blusinhas, dizendo que elas podem voltar porque elas acabaram justamente agora na pré-campanha, porque ficou uma disputa entre duas áreas do governo e prevaleceu aquela que achava que a taxa era impopular.
Em detrimento da equipe econômica, tanto a Fazenda quanto o Ministério do Desenvolvimento Econômico gostariam que a taxa tivesse permanecido, porque acham que ela ajudou a organizar a economia e foi melhor para a indústria nacional. Mas ainda assim não é papel dele, ainda mais no meio da artilharia de campanha, ameaçar ou ventilar a possibilidade da taxa prevalecer. Então não sei se ele levou um puxão de orelha, do presidente, mas é possível que tenha levado, porque quando o Sérgio Gabrieli falou lá atrás que o Lula deveria anunciar o fim do arcabouço fiscal, ele levou uma reprimenda do presidente.
E agora então a gente não sabe se a mesma coisa foi adotada em relação ao Dario Durigan.
É só para trazer aqui uma fala do presidente Lula, Vera. Parece que a tática do presidente realmente é não alimentar a polêmica, né, deixar para os canais diplomáticos. Teve um repórter que perguntou para ele ali um pouco antes da agenda com o presidente da Coreia do Sul. Como é que o senhor vê essa história do Milei? Resposta do Lula: eu? Quem é esse cara? Quem é esse cara?
O Lula presidente respondendo a um presidente, né? Então tudo que ele falar depois do que o Milei falou, porque isso também me dá a oportunidade de comentar a notícia anterior, que é a fala do presidente da Argentina. É um absurdo, é um despropósito, é um descalabro um presidente de outro país vir ao Brasil e se comportar dessa maneira, como um animador de auditório, é, usando palavras absolutamente de baixo calão para se referir a autoridades brasileiras, fazendo comparações indevidas, é, e usando de desinformação.
Porque de fato a situação econômica do Brasil é muito melhor que a do país que ele preside. Então tudo de errado nessa fala do Milei. A campanha do Flávio Bolsonaro vai se especializando em buscar interferência indevida de outros países na eleição brasileira, e eu acho que isso não tem nada de inteligente. Acho que isso joga contra a campanha do próprio Flávio Bolsonaro. Mas no caso das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina, a Argentina depende mais do Brasil do que o contrário, e isso é muito grave.
É muito grave um presidente usar esse tipo de declaração contra um país com o qual tem relações comerciais e diplomáticas tão próximas, como é o caso desses dois países.
Bom, teve outro ponto que gerou bastante polêmica nessa convenção do PL, que foi o uso de inteligência artificial, né, para fazer um vídeo com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, como se ele tivesse falando ali para o público na convenção. E agora tanto o TSE quanto o STF vão analisar representações aí, recurso protestos contra o uso da inteligência artificial nesse caso. João Rosa tem os detalhes para gente. Oi, João!
Oi, Débora! Oi, Carol! Oi, Vera! O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques, será o relator da ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, que questiona a exibição de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro feito por inteligência artificial durante a Convenção Nacional do PL. O evento aconteceu no último sábado durante Durante a convenção, foi exibido um vídeo de 46 segundos em que uma versão criada por IA de Bolsonaro aparece falando em primeira pessoa.
No vídeo, a própria simulação informa que o conteúdo foi produzido com inteligência artificial. Em seguida, critica as medidas restritivas impostas ao ex-presidente e declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República. O TSE deverá analisar o caso com base na resolução que trata do uso de inteligência artificial nas eleições. A proíbe o uso de conteúdos sintéticos em áudio ou vídeo para favorecer ou prejudicar candidaturas quando houver manipulação da imagem ou da voz de pessoas, mesmo que exista autorização para o uso.
Na ação, a Federação Brasil da Esperança pede multa de R$30 mil para candidatura de Flávio e a retirada do vídeo das publicações relacionadas ao evento. Eu volto com vocês.
Obrigada, João Rosa, de Brasília. Para falar sobre esse assunto e a polêmica jurídica que tá aberta a partir do uso desse vídeo. A gente tá na linha com o advogado especializado em direito eleitoral, Ricardo Penteado. Ele fala com a gente sobre esse tema tão controverso, mas que tende a dominar a eleição. Boa noite, Doutor Ricardo, obrigada por nos atender.
Obrigado pelo convite, Vera. Boa noite para você, para Débora e para Carol. E aos ouvintes, boa noite.
Eu queria começar ouvindo o senhor sobre a perspectiva da resolução do TSE que trata do uso de inteligência artificial, porque ela permite esse uso desde que informado, mas proíbe em qualquer circunstância o uso do chamado deepfake. Nesse caso, o vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro se enquadra em qual das categorias, Doutor Penteado?
Olha, eu tenho aqui uma dúvida para levantar desde o início, porque eu percebo o seguinte: evidente, a resolução é muito clara em proibir o uso de uma fabricação, vamos dizer, de um ser humano numa situação que ele não se encontra, nessa chamada deepfake, né? A inteligência artificial, evidentemente que ela é admitida, mas desde que avisada. Agora, essa proibição e toda norma restritiva, ela tem que ser interpretada de uma forma restritiva também.
Nesse caso, eu que coloco uma dúvida, que lá, ainda que seja um ato político, não me parece que ele possa ser classificado como um ato de propaganda eleitoral. Porquanto era uma apresentação feita numa convenção, e a convenção é um ato interno partidário, não é um ato que busca voto do eleitor, é um ato que apresenta aos convencionais aqueles que estão submetendo o seu nome para uma eventual candidatura. Então é bom lembrar, o que é proibido pela resolução do TSE é o uso da deepfake na propaganda eleitoral.
Bom, uma coisa é o que aconteceu lá na convenção, e aí é uma propaganda, vamos dizer, uma manifestação de pensamento intrapartidária. Outra coisa talvez seja, e aí precisa ser estudado, não vou me adiantar nisso, é a reprodução e a manutenção disso para o acesso ao público em geral. Então nesse caso último é que eu tenho aí então uma certa dúvida e acho que se enquadra na proibição. Mas no ato em si da convenção eu não classificaria aquilo lá como propaganda eleitoral não.
Mas no caso de se enquadrar como o que é proibido, que consequências isso poderia ter para a candidatura e para o partido? E efetivamente para Jair Bolsonaro, né?
Olha, primeiro vamos separar o Jair Bolsonaro do candidato Flávio e do partido PL para analisar essa conduta.
São duas frentes, né?
Exato, porque assim, uma coisa é analisar sob o ponto de vista penal se o ex-presidente teria ou não violado as sanções acessórias, né, foram impostas quando ele foi condenado, e também nas medidas preventivas e tudo mais. Vamos, vamos para o candidato Flávio e o partido político. As sanções, se isso for considerado um ilícito, elas vão desde a multa até, conforme a gravidade, que eu acho que não é o caso, e a gravidade aí se vê com que tipo de repercussão isso tem no eleitorado, vamos dizer, é uma, e se é conduta reiterada, etc., para chegar eventualmente até num registro, numa cassação de registro, coisa que não me parece, vamos dizer, que tenha havido sequer esse pedido por parte daqueles que representaram.
Eu não conheço a representação, mas creio que se limitaram ao pedido de aplicação de multa. Já com relação ao ex-presidente que sofre esta restrição, eu pondero aqui: se é deepfake, é porque ele foi mimetizado, né? Ele não participou, tanto é que tiveram que criar, vamos dizer, um clone virtual dele. Então não me parece que ele tenha violado qualquer Qualquer uma das regras que impuseram a ele é esse silêncio, tá? Então, para mim, de fato, o presidente, ex-presidente, não tem que responder por nada nesse fato.
Mas e do ponto de vista eleitoral, doutor? Esse julgamento inclusive pode gerar um precedente aí para as campanhas. Em todo o país, né?
Sem dúvida. Eu vejo o seguinte, na realidade, eu vejo o seguinte: a deepfake tá proibida na propaganda eleitoral. Então, na propaganda eleitoral, a gente não tem dúvida de que esse recurso não poderia ser utilizado. A minha, o que eu levanto aqui do ponto de vista teórico e acadêmico é, se a convenção ela se equipara em todos os seus contornos à propaganda eleitoral. E a gente percebe que pela leitura da lei, não. Tanto é que existe um regime próprio para propaganda, permissões, porque a propaganda é interna. Então eu não consigo estender essa proibição para o ambiente da convenção.
A gente tem ainda uns minutinhos. Queria ouvir o senhor sobre um tema um pouco mais amplo, né? A gente vai ter essa eleição sob a presidência do Ministro Cássio Nunes Marques. O TSE foi um ator importante na eleição de 22, e usando uma atuação muito restritiva, muito presente, muito punitivista até. O senhor acha que a tendência é o TSE sob Nunes Marques atuar de uma maneira diferente nesse pleito?
Eu acho que o pleito que se avizinha aí é, talvez seja bem diferente daquele anterior. Aquele anterior existia, vamos dizer, uma agressão muito explícita às instituições e a própria, o próprio papel do TSE, é um ataque com muita fake news aos aos sistemas de votação. E não me parece que isso venha a se repetir. Claro que a conversa a respeito da segurança da urna eletrônica, ela sempre existiu e vai existir sempre. A segurança de urna, seja ela eletrônica ou aquela velha urna de papel, sempre foi e será sempre questionada.
O fato é que a ciência demonstra que a urna eletrônica é muito mais segura do que o sistema antigo. Aqui, neste caso, nós temos realmente nesse ano duas coisas diferentes: um tribunal num ambiente que me parece muito mais seguro, no sentido de que as instituições estão funcionando bem e não estão sendo atacadas, e as novidades tecnológicas, que elas têm um outro lugar de análise e tudo mais, que não é algo que aconteceu, por exemplo, na eleição passada. Então são temas bem diferentes.
Doutor, pelo que o senhor tá trazendo aqui para gente, na teoria não há crime eleitoral e nem violação das medidas impostas pelo STF na prisão domiciliar. Faria alguma diferença nesse entendimento Jair Bolsonaro saber ou não?
Não entendo que não. Eu até assim não tenho procuração para defender ninguém, mas assim, o preso, e eu falo de todos os presos, qualquer preso nesse país tem direito a uma existia, existe no Código Eleitoral um crime previsto lá que é de participação de quem não está no gozo dos seus direitos políticos. Esse dispositivo foi bastante discutido há menos de uma década, tá? E o TSE entendeu que esse dispositivo é inconstitucional, e a manifestação de pensamento dos, e a expressão dela pelos presidiários Ela não é de forma alguma um ilícito.
E a gente até já viu isso durante o seu cumprimento de pena. O Zé Dirceu participou, por exemplo, de alguns eventos políticos, e foi até numa discussão a respeito do caso dele, se não me falha a memória, que houve, vamos dizer, essa ressalva muito clara.
Perfeito. Doutor Ricardo Penteado, ele é advogado especialista em direito eleitoral, em direitos políticos, atendendo aqui o Viva Voz. Muito obrigada. Bom, como o senhor percebeu, a gente vai precisar do seu socorro muitas vezes durante a campanha. Obrigada.
A gente tá à disposição. Agradeço muito a todos e a paciência.
Obrigada, obrigada.
Boa noite, Débora. Boa noite.
A gente faz agora um breve intervalo. Vocês voltam, a gente volta já já com mais Viva Voz. Vocês ficam com o noticiário da sua região.
Estamos de volta com o Viva a Voz, agora para falar sobre pesquisa Quest, né, gente? Hoje saíram números sobre 3 estados, entre eles o Rio de Janeiro, e o ex-prefeito Eduardo Paes liderando a corrida em todos os cenários. A Juliana Prado tem os números para gente. Oi, Juliana, boa noite.
Oi, boa noite, Carol, Vera e Débora, ouvintes também. Se as eleições do governo do Rio Sim, hoje, Carol, o ex-prefeito da capital, Eduardo Paes, do PSD, venceria em primeiro turno. Levantamento foi feito pelo, pelo Instituto Quest, divulgado hoje aí para todo o Brasil. No cenário principal de primeiro turno, Eduardo Paes teria 38% dos votos, mais que todos os outros concorrentes somados. O ex-governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, do Republicanos, vem em seguida com 10%, empatado numericamente com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, do PL.
O vereador William Siri, do PSOL, tem 2% no levantamento, e outros candidatos não sobraram mais de 1%. Indecisos, por ora, 19%, e outros 16% afirmam que vão votar em branco, nulo, ou não vão votar. Num segundo cenário, já sem o governador, o ex-governador Garotinho, Eduardo Paes chega a 42% das intenções de voto. Enquanto Douglas Ruas aparece com 11%. Outros candidatos não apresentam variação relevante. Em eventual segundo turno, Eduardo Paes venceria Garotinho por 48% a 18% contra Ruas, né?
Numa simulação de possível segundo turno contra Douglas Ruas, o ex-prefeito registra 52% contra 16% do deputado estadual. Paes é conhecido por 9 em cada 10 eleitores, segundo a pesquisa. Por outro lado, 7 em cada 10 entrevistados não conhecem Douglas Ruas. Para professora de ciência política da UFRJ, Mayra Goulart, ainda há brechas para o crescimento do candidato do PL.
Um cenário diverso é o candidato Douglas Ruas, que tem uma baixa taxa de conhecimento porque ele nunca exerceu nenhum cargo em âmbito estadual, mas com uma campanha muito centrada, ele poderia ter um desempenho maior, poderia se tornar mais conhecido. Diferentemente de quem? Do ex-governador Garotinho, com a taxa de rejeição dele de mais de 60%. Ele mesmo com campanha não vai expandir muito essa taxa de conhecimento em intenção de voto.
O candidato mais rejeitado segundo a pesquisa, Antony Garotinho, com 62% dizendo que não votariam nele. A Quest também mostrou que no estado do Rio, Flávio Bolsonaro e Lula empatam tecnicamente na corrida ao Planalto. Primeiro turno, o senador tem 32%, enquanto o presidente tem 30 pontos. No segundo turno, os índices vão a 38% para Flávio e 35% para Lula. Deputada Federal Benedita da Silva, do PT, lidera a corrida ao Senado com 11% das intenções de voto, seguida pelo ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella, do Republicanos com 8%.
Pesquisa Quest foi contratada pela Genial Investimentos e ouviu 1.200 eleitores entre 21 e 25 de julho. Margem de erro 3 pontos percentuais para mais ou menos. Nível de confiança dessa pesquisa, 95%. Levantamento foi registrado no TSE, Tribunal Superior Eleitoral, sob o número RJ-02671/2026.
Carol, obrigada.
Juliana, Pesquisa mostrando que a gente já imaginava, né, Vera, a situação aí por enquanto confortável para esse prefeito Eduardo Paes. E difícil esse palanque para o Flávio Bolsonaro aqui no Rio, que não tem um palanque forte, né? O Douglas Ruas é bastante ainda desconhecido da população.
Isso eu acho que é o maior ponto de atenção, né, da pesquisa e de mudança em relação a um passado recente, nem tão recente, das eleições do Rio de Janeiro. Porque em 2018 Jair Bolsonaro teve 59,79% dos votos no segundo turno. Em segundo lugar ficou Ciro Gomes, no Rio, com 15,22%, e o Fernando Haddad só em terceiro, com 14,69%. No segundo turno, o Bolsonaro teve 68% dos votos contra 32% do Haddad. Corta para 2022, em que o Bolsonaro também venceu com uma margem menor, com 51%, contra 40% do Lula e 30%, aliás, e 3,8% da Simone Tebet.
Então o PT não tem um histórico de boas votações no Rio de Janeiro. E agora esse empate entre Lula e Flávio Bolsonaro mostra que as crises recentes da campanha do Flávio Bolsonaro e o fato de o grupo político dele ter sofrido muitos reveses recentemente com várias operações da Polícia Federal, ter escolhido um candidato desconhecido, tudo isso conspira contra a candidatura do Flávio Bolsonaro na sua terra, né, na sua sede ali, no seu berço.
Então acho que inspira cuidados para o PL a situação no Rio de Janeiro. Para o Eduardo Paes fica sempre aquela lembrança de outras vezes em que ele liderou e não venceu. Isso aconteceu em 2018. Então tenho visto uma preocupação em não cantar vitória antecipadamente por parte do ex-prefeito do Rio de Janeiro.
E a pesquisa Quest também trouxe os cenários de outros dois estados, Paraná e Pará. Eu vou resumir aqui, Vera, para que você possa comentar. No caso do governo do Paraná, Sérgio Moro lidera as intenções de voto em todos os cenários. Vou trazer aqui o principal cenário. No primeiro turno, Sérgio Moro, que é candidato do PL, teria 39%, Requião Filho do PDT, 18%, Rafael Greca do MDB, 12%, Sandro Alex do PSD, 7%. Sandro Alex, que é o candidato apoiado pelo governador Ratinho Júnior.
No cenário de segundo turno, Moro aparece à frente de todos os principais candidatos, né, de Requião Filho, de Sandro Alex e também de Rafael Greca. Ele aparece como levando a eleição, se a eleição fosse hoje, não se levaria no segundo turno. Quando a gente vai para o cenário nacional, no Paraná Flávio Bolsonaro tem 42% de intenção de voto e Lula também, e Lula tem 24%, isso no primeiro turno. No segundo turno, uma simulação de segundo turno, com exceção de Renan Santos, todos os outros candidatos venceriam o presidente Lula.
Flávio Bolsonaro aparece com 50% contra 28% de Lula. Ronaldo Caiado com 33% contra 29% de Lula. Romeu Zema com 32% e Lula com 30%. Aí, no caso de Renan Santos, o presidente Lula aparece à frente com 30%, e Renan Santos com 27%. Agora vamos aqui para o Pará. Hanna Gassan, que é atual governadora, ela aparece num dos cenários de primeiro turno, principal cenário, com 24% das intenções de voto. Doutor Daniel Santos com 20%, Mórcir Couto com 11%, e Araceli Lemos do PSOL com 2%.
Num cenário de segundo turno a governadora também aparece em primeiro lugar contra Daniel Santos, com 30, bem apertado. Na verdade, o empate técnico, né, na simulação do segundo turno com Daniel Santos. Hannah Gastão aparece com 36% e ele com 35%, apertado numericamente e empate técnico. Quando a gente vai para o cenário nacional no Pará, o presidente Lula tem 38% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro aparece com 31%.
Ronaldo Caiado com 3% e Renan Santos com 3%. No segundo turno, Lula venceria Flávio Bolsonaro com 44%. Flávio aparece com 37%, Lula aparece com 46%, Caiado com 30%. Numa disputa com Renan Santos, Lula aparece com 45% e Renan com 28%. E na disputa com Romeu Zema No Pará, o presidente Lula aparece com 46%, Romeu Zema com 2%, um cenário de segundo turno.
Pois é, o Paraná, e assim como toda a região sul, é um calcanhar de Aquiles para o Lula. Vem sendo assim nos últimos anos, e nem sempre foi assim. O PT já foi forte no Paraná, até mesmo em Santa Catarina, e muito forte no Rio Grande do Sul, mas isso mudou pelo menos desde 2014. E agora essa situação em que ele perde no segundo turno para qualquer adversário, o que mostra a dificuldade que o PT vai enfrentar lá. Resolveu colocar a ex-ministra Gleisi Hoffmann para tentar competir, né, no Senado, mas não vai ser simples para o Lula.
A situação do candidato do Ratinho, Sandro Alex, é uma situação previsível. Ele é muito desconhecido, Quando a campanha começar para valer, ele deverá subir e a disputa será entre ele e o Sérgio Moro, apesar dos outros nomes estarem na frente, que são nomes que têm recall. O Rafael Greca foi prefeito de Curitiba por muito tempo e a família Requião tem um recall também. No Pará, a situação se inverte. O Lula é aliado do ex-governador Hélder Barbalho, que teve um governo bem avaliado, tende a ser puxado por ele na sua votação lá.
Mas a disputa para o governo vai ser bem acirrada, porque o ex-prefeito de Ananindeua também é muito popular e é inimigo figadal do ex-governador. Então lá vai ser uma disputa bem acirrada.
A gente faz mais uma pausa, você fica com o noticiário local. Já já tem Eduardo Graça para comentar os assuntos internacionais.
6 horas e 48 minutos, o Viva Voz está de volta e já tá com a gente o Eduardo Graça, repórter especial e colunista do Globo, nosso comentarista aqui da CBN. Boa noite, Edu.
Boa noite, Vera querida, boa noite Carol, oi Débora, boa noite ouvintes.
Oi Edu, a gente viu nesse fim de semana, né, uma nova rodada de crise entre o governo brasileiro com os governos aí da Argentina e dos Estados Unidos. Até as eleições de outubro, a pressão dos países comandados por adversários ideológicos do PT tende a subir. De que forma isso tende a impactar as nossas relações diplomáticas, a própria eleição e a economia?
Pois é, para quem tinha ainda alguma dúvida, né, Vera, esse fim de semana ilustrou como essas eleições aqui no Brasil definitivamente não serão iguais àquelas que passaram. Embora a efetividade dessas referências externas seja questionável. Na convenção do PL aqui em São Paulo, o presidente argentino Javier Milei chamou o presidente Lula de presidiário, o ministro Alexandre de Moraes de lixo careca. O ministro da Fazenda, Dário Durigan, em entrevista hoje chamou Milei de palhaço.
Mas a reação oficial do governo brasileiro, vi Itamaraty, foi a de convocar o embaixador argentino para explicar as grosserias, o embaixador brasileiro na Argentina de volta à Brasília, além da manifestação sóbria e firme do ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira, que tirou o episódio do bate-boca e o levou para o devido universo das relações entre duas nações amigas. E no caso do Brasil, como ele frisa, o principal sócio comercial da nossa vizinha.
O Milei provavelmente vai bater pé, não vai se desculpar oficialmente, tentando com isso ganhar alguns dividendos ali com eleitor argentino, mas não deve escalar ainda mais a queda de braço, até porque isso complicaria ainda mais a campanha do aliado dele, Flávio Bolsonaro, aqui no Brasil. A maioria das pesquisas mostram que os brasileiros torcem o nariz para interferências diretas estrangeiras, sejam elas histriônicas como foi a do Milei, ou menos teatrais, mas nem por isso menos graves, como o caso dos dois funcionários do Departamento do Estado americano que, após a reportagem do Washington Post informando que eles viriam ao Brasil para questionar as nossas urnas eletrônicas, tiveram os seus vistos negados.
A Casa Branca deve reagir de imediato com algum tipo de reciprocidade, negando, por exemplo, desvisto alguns nomes do segundo escalão do governo brasileiro e não tem a menor dúvida de que seguirá tentando outros caminhos até outubro para deixar clara a sua preferência por Flávio Bolsonaro. O Trump acredita que ele foi decisivo, o que também é questionado por analistas dentro e fora dos Estados Unidos, para vitórias recentes da direita na própria Argentina, nas eleições legislativas lá, na Colômbia, no Peru e em outros países latino-americanos.
Mas essa interferência explícita Também prejudicou, mostram estudos, candidatos apoiados por ele que acabaram derrotados no Canadá, na Austrália e mais recentemente na Hungria.
Edu, faltam 100 dias, né, para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Essas eleições vão definir quem é que vai controlar o Congresso por lá. Quais são as principais apostas do governo Trump e da oposição democrata nesses próximos 3 meses de campanha?
Debra, ontem a gente viu um retrato do que vai ser a campanha democrata. Eu tô me referindo especificamente ao evento em torno desses 100 dias que foi feito na Pensilvânia, não por acaso o estado mais decisivo dos mais decisivos na disputa presidencial, que reuniu o líder da oposição na Câmara, o Hakeem Jeffries, e o governador Josh Shapiro, um dos favoritos para ser candidato à Casa Branca em 2028. Os dois incentivaram os democratas a, nos próximos 3 meses, baterem na tecla de que esse pleito agora de novembro é um plebiscito sobre o Trump 2.0, que em 2024 o Trump foi recontratado pelos eleitores para gerenciar a economia americana e que ele falhou, e agora precisa ser fiscalizado pelos democratas para o país começar a voltar aos eixos, que em 2 anos os bolsos dos americanos ficaram mais vazios, a inflação mais alta, inclusive pelos tarifaços e a guerra no Irã, e que houve enriquecimento sim, mas dos amigos do presidente, com indícios graves de corrupção e uso do poder para benefício da família e dos negócios de Trump.
As pesquisas mostram que esse discurso tá funcionando até agora, mas os republicanos também têm as suas armas. Eles estão apostando majoritariamente em duas frentes. A primeira é a de que o corte de impostos e o tarifaço gerarão mais empregos com a reindustrialização do país e melhorarão a economia em médio prazo. A segunda, que é a que os democratas temem mais, é engordar o discurso que eles já têm da lei e da ordem com a difusão do medo em eleitores independentes com avanço da esquerda nas prévias do Partido Democrata, que estão sendo impulsionadas pela percepção popular de sucesso até agora da administração do socialista Zohran Mandani em Nova York.
Os republicanos têm 100 dias para convencer o eleitor de que um Congresso democrata significaria um legislativo anti-americano, que se posicionaria não só contra os eventuais erros da Casa Branca, mas contra as ambições futuras do próprio país, e no momento crítico em que os Estados Unidos travam uma guerra sem fim no horizonte contra o Irã.
Edu, queria te ouvir rapidinho sobre a guerra no Irã, porque Washington cada hora fala uma coisa, né? Fala em negociação, depois fala em ataques mais terríveis nos próximos dias. O Trump tá no meio no modo shuffle. O que que a gente pode esperar aí nas próximas semanas?
Pois é, e o governo Trump precisa encontrar uma narrativa interna para que a guerra não seja um fator que retire votos dos candidatos governistas em novembro. É, há sinais mais claros do porquê desse morde-assopra da Casa Branca, viu, Carol? O Wall Street Journal publicou duas reportagens nos últimos dias ouvindo fontes das Forças Armadas americanas que mostram que a suspensão dos bombardeios diários ao Irã tá relacionada ao nível muito baixo de estoques de mísseis do sistema de defesa aérea americana, que são fundamentais para reduzir reduzir o efeito das retaliações iranianas.
Os mísseis foram usados pelos Estados Unidos de tal forma desde fevereiro que não há vazão para se seguir os ataques sem risco de mais mortes e feridos americanos, o que complicaria Trump. O jornal também detalhou como Teerã se recuperou muito mais rapidamente do que Washington imaginava do estrago feito pelos primeiros e intensos ataques ao país lá em fevereiro, se adaptando ao novo teatro de guerra, retaliando e causando, como a gente viu, baixas nas tropas e danos em equipamento militares e nas bases americanas no Oriente Médio.
Enquanto as negociações seguem, Teerã segue jogando com o fato de quem precisa de opinião pública a seu favor é o governo Trump. Lá, a guerra teve um efeito contrário, com a diminuição do protagonismo dos manifestantes pró-democracia e o fortalecimento em torno da pauta de sobrevivência nacional da linha dura. Ou seja, deu tudo errado para Trump até agora.
É isso. Esse foi o Eduardo Graça, repórter especial, colunista do Globo, comentarista da CBN, conosco todas as segundas Obrigada, Edu.
Boa noite, gente. Obrigado a vocês.
Tchau, tchau.
Bruna Barbosa tem informações ao vivo de São Paulo sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, que já tá traçando aí estratégias mais avançadas, né, Bruna? Boa noite.
Já pensando no segundo turno, viu, Débora? Boa noite para você, para Carol e para Débora. O primeiro turno nem aconteceu, mas a campanha do senador Flávio Bolsonaro já começa a pensar nessa estratégia. Avaliação dos marqueteiros é de que nessa nova etapa, no segundo turno, a disputa começa do zero, zera a eleição. Isso abre espaço para reorganização tanto de alianças quanto de estratégias da comunicação. É fato que Flávio até o momento não tem conseguido atrair apoios importantes do Centrão para o primeiro turno.
E a expectativa da equipe é que esse cenário mude numa eventual disputa final. A aposta hoje é de que os candidatos da direita que concorrem ao Palácio junto com Flávio passem a apoiar o senador, e isso consolidaria o campo conservador em torno de uma única candidatura. E aqui eu trago um dado para vocês de uma pesquisa qualitativa interna que foi publicada pelo PL, que indica que num eventual segundo turno, 9 em cada 10 eleitores de Romeu Zema do Novo e Ronaldo Caiado do PSD migrariam automaticamente para Flávio Bolsonaro.
Já se a gente olhar para os eleitores de Renan Santos do Missão, percentual fica um pouco menor, cai para 64%. Esse é um levantamento conhecido como tracking interno da campanha, é uma pesquisa de consumo exclusivo dos Então não é divulgada publicamente, por isso não tem registro na Justiça Eleitoral, mas serve para orientar todas essas decisões estratégicas. Agora, falando de pesquisa registrada, eu puxo aqui para a gente fechar esse assunto o Datafolha da última sexta-feira.
Aqui nos bastidores foi visto como uma vitória. Flávio Bolsonaro marcou 43% das intenções de voto contra 48% do presidente Lula, mostrando uma estabilidade E avaliação de dentro da campanha, as pessoas que eu conversei, é que diante da sequência de desgastes que ele enfrentou nas últimas semanas, manter essa estabilidade é um resultado que mantém a disputa aberta e demonstra resiliência da candidatura.
Débora, obrigada pelas informações. Bruna Barbosa em São Paulo. As pesquisas têm indicado realmente segundo turno, e nesse caso, no caso de um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, Bolsonaro, parece que é natural que os demais candidatos da direita se unam e apoiem Flávio Bolsonaro. Agora, essa estabilidade que foi apresentada na pesquisa Datafolha de sexta-feira, Vera, isso pode mudar nos próximos dias quando a campanha efetivamente começar, né?
É, ele teve vários solavancos nessa fase pré-campanha que atingiram o crescimento que ele vinha apresentando, mas não inviabilizaram a sua candidatura, como se chegou a temer na direita, e como até o Palácio chegou a temer, porque isso poderia suscitar, por exemplo, a troca da candidatura do Flávio pela Michele Bolsonaro. E o PT e o Palácio acham a Michele uma candidata mais difícil de enfrentar que o Flávio Bolsonaro. Então parece que o jogo tá jogado, segundo turno tende a ser entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Hoje o Felipe Nunes da Quest participou de um evento em São Paulo, em que ele analisou que os últimos meses devolveram ao Lula um certo favoritismo, tirando dele aquela circunstância de chegar a uma campanha de reeleição muito debilitado. Ele até traçou um paralelo entre a situação do Lula agora e a da Dilma em 2014, quando ela venceu a eleição por pouco. Então eu acho que tende a ser realmente muito acirrado, e a resiliência mostrada não é exatamente do Flávio, mas do bolsonarismo.
Porque se você pegar toda a questão do Bolsonaro preso, condenado, vários bolsonaristas condenados, e ainda assim candidato tá muito forte, realmente a gente vê que o bolsonarismo é muito consolidado como movimento político no Brasil.
Vera, muito obrigada por hoje. Encerramos o Viva a Voz, mas amanhã tem mais.
Esperamos você amanhã, tem mais. Até lá, boa noite, tchau tchau!