Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

'Governo Lula vive apagão de soluções para baixa popularidade do presidente'

13 de março de 202617min
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Nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (11), aponta que, pela primeira vez, o medo da permanência de Lula (PT) no poder supera numericamente o temor da volta da família Bolsonaro à Presidência. Vera Magalhães analisa a queda de popularidade de Lula, e avalia que a equipe do governo "parece perdida" para divulgar resultados da gestão em ano eleitoral, como as medidas de segurança pública aprovadas.

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Assuntos6
  • Economia do Governo LulaPesquisa Quaest/Genial · Empate com Flávio Bolsonaro · Medo da permanência de Lula supera medo do retorno de Bolsonaro · Falta de estratégia de comunicação · Governo sem soluções
  • Segurança OperacionalDecisão do STF · Manutenção da prisão preventiva · Voto do ministro André Mendonça · Organização criminosa armada · Risco de lesão irreversível
  • Mediação InternacionalDarym Biri · Encontro cancelado com Bolsonaro · Recomendação do Itamarati · Histórico extremista do assessor · Possível interferência em assuntos domésticos
  • Preços de Combustíveis e PetróleoAumento do preço do diesel · Medidas do governo para conter elevação · Reajuste anunciado pela Petrobras · Guerra provocada por Trump · Crítica de Lula à guerra
  • Tecnologia Seguranca PublicaMedidas aprovadas pelo governo · Falta de transformação em plataforma política · Incógnita do governo
  • CorrupçãoRetorno como tema relevante · Falta de discurso do governo · Falta de medidas anunciadas
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Viva a Voz, com Vera Magalhães.

Sol lindo, brilhando nessa sexta-feira aqui em São Paulo. Vamos começar, então, o Viva Voz de hoje com a notícia do dia. Na verdade, com uma das notícias do dia, que é o STF formando maioria pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro. Aliás, foi sua aposta ontem, né, Vera, que os ministros Fux e Nunes Marques seguiriam o relator. O que isso significa nesse momento de crise no STF? Significa que eles estão preocupados, Débora.

dar esse voto, o ministro Cássio Nunes Marques aceitou até se indispor com alguns dos seus amigos ali do Centrão que pressionam nos bastidores pela soltura do Daniel Vorcário, para que ele vá pelo menos para casa numa prisão domiciliar com tornozeleira, mas que saia do regime ali que ele está, preso num presídio de segurança máxima, com muitas restrições, sem muito conforto, porque

sente-se que isso seria um fator decisivo para ele, por exemplo, optar por uma delação premiada. Mas, diante da gravidade do caso, principalmente diante da enorme repercussão que ele tem e do desgaste que ele provoca na imagem do Supremo, o ministro Cássio Nunes Marques parece ter preferido se preservar e preservar o Supremo de mais desgaste. Então, simplesmente acompanhou o voto do ministro André Mendoza,

um voto, ou seja, sem se estender sobre as razões que o levaram a tomar essa decisão, sem se estender também sobre o caso. O mesmo fez o ministro Fux, os dois simplesmente acompanharam André Mendonça e em pouco tempo já tinha formada uma maioria pela manutenção da prisão, o que retira também muito da responsabilidade, da expectativa sobre o voto do ministro Gilmar Mendes, que pelo jeito vai ficar para a semana que vem.

Eu passei ali com pessoas do Supremo que disseram que o ministro está analisando o caso e que deve se manifestar só na semana que vem. O prazo se esgota só na sexta-feira para que se deposite o voto nesse assunto, mas com a maioria já formada, esse voto não muda nada. O que o ministro André disse no voto que ele sim formulou para justificar as suas próprias decisões anteriores?

disse que ainda há diligências pendentes, que houve ali, que ficou evidenciada pela Polícia Federal a existência de uma organização criminosa armada e que poderia haver lesão irreversível à integridade de pessoas, à integridade da economia popular e ao sistema financeiro nacional, caso Daniel Vorcaro fosse solto. E ele citou também o que eu achei que foi uma leve cutucada

ministro Dias Toffoli, as intercorrências processuais ocorridas nesse caso, que levaram, por exemplo, a que o celular dele, que foi apreendido, tenha ficado custodiado em diferentes locais antes de ser periciado. Então, isso eu achei que foi uma leve cutucada no relator anterior, no seu antecessor no caso. Ele salientou também que tem oito aparelhos ainda para serem periciados e que tem integrantes da

organização criminosa que ainda estão à solta. Então, tudo isso forma um conjunto de fatores a justificar a permanência da prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Então, mostra que o ministro está com uma certa moral. Depois que ele assumiu esse caso, assumiu um pepino, tomou decisões bem diferentes das do antecessor e agora parece ter ali um domínio da segunda turma.

uma maioria tranquila. O que torna a situação do ministro Gilmar uma situação ali bastante singular. Ele é o decano da corte e ele integra um outro grupo dentro do Supremo, um grupo ali de afinidades e de uma certa... Eles jogam juntos o jogo das estratégias e da definição ali de para onde vai o Supremo.

com outro grupo, com o grupo do ministro Alexandre e do ministro Dias Toffoli, ao qual às vezes se junta também o Flávio Dino ou o Cristiano Zanin, a depender do caso. Então, o André Mendonça vai constituindo na segunda turma um grupo mais ou menos paralelo de força ali dentro do Supremo. Então, aí vai ser interessante a gente observar os próximos passos de como vai se desdobrar isso.

O Vero Brasil revogou o visto do Darren Beatty, conselheiro do Donald Trump, que tinha pedido encontros com Jair Bolsonaro. Encontro esse, aliás, que foi permitido depois negado pelo ministro Alexandre de Moraes. Quais as razões dessas decisões? A razão veio do Itamaraty. O ministro Alexandre de Moraes, nesse caso, seguiu uma recomendação, ou enfim, um alerta, que foi feito pelo nosso chanceler, pelo Mauro Vieira,

lá em Washington, esse assessor internacional Donald Trump, o Darren Beatty, alegou apenas a participação num evento para tratar de minerais críticos. Não informou o desejo de visitar o Jair Bolsonaro por nenhuma razão. E isso foi considerado ali uma fé, uma fé diplomática, mas o Itamaraty está tentando circunscrever a esse caso, a um caso isolado, e evitar que isso escale

e vire uma crise diplomática com o governo Trump às vésperas de um encontro entre os dois presidentes. Então, está tentando isolar o caso nesse assessor. Não sei se isso vai ser possível, porque hoje mesmo o Lula já deu uma declaração traçando uma analogia entre essa situação e a negativa de visto para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Então, isso soou um pouco como um abravar. Enquanto não liberar o Padilha,

não libera o deles. Isso vai criando um clima de tensão para esse encontro. A gente sabe que o Trump não precisa de muita coisa para comprar uma tensão, para comprar uma treta. Então, eu acho que é um assunto que ainda pode se desdobrar em outras complicações diplomáticas ou, pelo menos, embaraços diplomáticos no meio do caminho. Também aconteceu de depois,

desse visto ter sido negado e o encontro ter sido cancelado, o estado de saúde do Bolsonaro ter piorado. Ele foi socorrido ali na Papudinha e depois levado para a UTI do DF Star com um quadro de broncopneumonia descrito como relativamente grave pelos médicos. Está internado, está na UTI, sem prazo de alta e tudo isso vai criando um plano de fundo político daquela reclamação de que ele é alvo de

perseguições, etc. Flávio Bolsonaro, que é o pré-candidato à presidência, criticou Alexandre de Moraes, disse que ele é tóxico, que ele está criando confusão por nada, quando, na verdade, desta vez, a decisão de cancelar o encontro veio antes do Itamaraty que do ministro Alexandre de Moraes. Mas esse assessor, é importante a gente falar sobre o histórico dele, quem ele é. É um radical do gabinete Trump,

No primeiro governo, era um dos responsáveis pelos discursos do Trump. Agora ele está no Departamento de Estado, mas já arrumou a confusão com o próprio Marco Rubio. Teve ali uma série de postagens fazendo insinuações de caráter sexual a respeito do Marco Rubio, que depois ele apagou. Já participou de evento com extremistas, nacionalistas brancos. Foi demitido pelo próprio Trump em 2018 por participar de eventos desse tipo.

disse que no comando do país devem estar homens brancos competentes, enfim, alguém com uma clara propensão de extremista, de radical, e que no caso do Brasil, vem fazendo coro a ideia de que o Bolsonaro sofreu ali um golpe, de que as eleições foram fraudadas, e tem muita proximidade com o Eduardo Bolsonaro, teve encontros com ele nessa passagem do Eduardo

e uma dúvida sobre quais eram as intenções dele ao vir ao Brasil e fazer esse encontro com Bolsonaro. Para o Itamaraty, havia um risco de interferência em assuntos domésticos, interferência indevida em assuntos domésticos, daí porque a negativa, que não me parece absurda, parece bastante razoável à luz desse histórico. E Vera, além do cancelamento, da revogação desse visto, teve também a inclusão do Brasil numa lista de investigados,

e ainda a discussão sobre a designação pelos Estados Unidos de PCC e Comando Vermelho como terroristas. Enfim, são novas situações. O que está na mesa agora, antes da definição, se haverá mesmo um novo encontro entre Lula e Trump? Pois é, parece que está ficando menos amigável e menos festivo esse encontro do que ele parecia no primeiro momento.

que os últimos encontros entre o Trump e o Lula demonstravam. Agora, além dessas duas coisas que você mencionou, Débora, o governo Trump está fazendo uma proposta para que o Brasil receba aqui estrangeiros capturados nos Estados Unidos e fiquem presos aqui, como o Salvador já aceitou fazer. Parece algo impossível do Brasil aceitar, mesmo porque o governo brasileiro não coaduna dessas prisões.

não considera que elas sejam listas, que elas sejam justas à luz dos direitos humanos, do direito internacional, etc. Então, vai entrando um monte de tema na pauta que é espinhoso e que não conduz a um entendimento entre os dois países. Esses dois que você mencionou já eram bastante polêmicos e agora se junta esse terceiro tópico que tende a causar embaraço.

Esse encontro, se acontecer, não vai ser tão efusivo como foram os anteriores e uma química não vai se formar, não vai se criar. O Itamaraty está preocupado com essa questão da equiparação das nossas facções criminosas brasileiras a grupos terroristas. É o que mais preocupa, porque embute um risco de intervencionismo dos Estados Unidos, inclusive militar, no território brasileiro.

e o governo brasileiro quer passar longe dessa possibilidade. Então, enquanto não se tem clareza sobre a possibilidade de se avançar em diálogo entre os dois, imagino que vai demorar para que o Itamaraty aceite marcar essa conversa presencial, o Lula fazer uma viagem que pode ser um desgaste num momento em que ele já está muito desgastado aqui no plano doméstico. Vera, vamos falar dos preços do petróleo?

Brasil, o governo anunciou algumas medidas para tentar conter a elevação do preço dos combustíveis, sobretudo do diesel. Hoje veio o reajuste já do diesel anunciado pela Petrobras. Essas medidas aí vão na linha correta? São suficientes? Aquele tipo de medida que a gente vê sempre que acontece um fenômeno que leva e vem a aumento de preço de combustível, né, Carol?

um preço em termos de você abrir mão de receita, etc. Então, um receituário velho e que não costuma ser sustentável por muito tempo. Dito isso, não parece que havia muita coisa a ser feita diante da possibilidade de um aumento significativo no preço do petróleo por um fenômeno que não diz respeito ao Brasil, que é a guerra provocada pelo próprio Donald Trump.

desgaste também é um fator que tensiona as relações, porque quando foi anunciar as medidas, o Lula fez críticas à guerra. E isso também tem sido um fator de desgaste para o Trump internamente. Então, era uma medida que não dava muito para escapar. Eu acho que ela não pode ser ali, não pode perdurar no tempo muito. E ela acaba aproximando, de um jeito desconfortável para o Lula,

do Bolsonaro, que teve de fazer algo parecido porque estava muito desgastado ali às vésperas da eleição. Então, não é algo bom para ninguém quando você tem que intervir em preço. E deixa um recado ruim. Mas não tinha muito o que ser feito nesse momento. E tudo isso acontece, Vera, no momento em que as pesquisas mostram um empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, além de más notícias para o presidente em termos de avaliação.

Planalto para tentar reverter essas más notícias? Me parecem muito perdidos, Carol. Débora, quando você conversa em termos do que tem ali no arsenal, me parece que estão com a caixa de ferramentas vazia, como eu escrevi na coluna de hoje, porque a aposta enorme que havia no projeto do IR até aqui não surtiu efeito. A pesquisa Quest deixa isso muito claro. Quando questionada sobre o efeito da redução

IR nas suas vidas, as pessoas dizem que é menor, quando antes elas eram questionadas e diziam que tinha uma expectativa muito grande em relação a isso. Então, quando você tem uma quebra de expectativa, isso também se reverte na maneira como você avalia o governo. Tem a questão da corrupção, que voltou a ser um tema relevante para os eleitores e para a qual o Lula não parece ter um discurso entabulado e nem medidas para serem anunciadas.

a segurança pública. Essa, para mim, é a maior incógnita, porque o governo conseguiu aprovar duas medidas que tratam do assunto e não conseguiu transformá-las em uma plataforma a seu favor. Então, me parece que o governo Lula vive realmente um apagão, um apagão de medidas e de soluções para esse problema da baixa popularidade do Lula.

É isso? Ele está demais. Ele se escondeu até num armário. Ele está para fora. Vocês veem que ele não está aqui, mas ainda assim, alguma pessoa muito simpática da minha família deixou ele solto pela casa. Muito bem. Mas deu tudo certo. Vera, um beijo para o Apolo, então. Então, bom fim de semana e até segunda. Obrigada para vocês também, gente. Beijo, Vera. Fria Apolo. Quer proteger a experiência do seu adolescente online?

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