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Governo adota postura discreta sobre Master e aguarda pesquisa para definir estratégia

06 de março de 202616min
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Vera Magalhães afirma que o governo Lula mantém postura discreta diante do caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A comentarista diz que existe vontade de usar o episódio como prova de combate à corrupção, mas a estratégia esbarra no fato de que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) próximos ao governo estariam desconfortáveis com o caso. 'O governo está se sentindo amarrado para tentar surfar nesse caso e está adotando essa postura discreta até aqui. Acho que a pesquisa Datafolha do fim de semana vai ser crucial para ditar se vai ter uma guinada ou não de estratégia por parte do governo'.

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Assuntos8
  • Ministro Alexandre de MoraesTroca de mensagens frequentes · Encontros entre ministro e investigado · Mensagens no dia da prisão · Possível interferência em investigações · Relacionamento com funcionária do Banco Master
  • Banco MasterPrisão de Daniel Vorcaro · Vazamento de dados e mensagens · Investigação de vazamentos · Recuperação de mensagens deletadas · Inquérito aberto pelo STF
  • Economia do Governo LulaEstratégia discreta ante o caso · Vontade de usar caso como combate à corrupção · Desconforto de ministros aliados · Influência de pesquisa Datafolha · Risco de desgaste político
  • Responsabilidade e paralelismo institucionalPapel do STF na investigação · Papel da Polícia Federal · Papel do Ministério Público Federal · Autorização necessária para investigar ministros · Comparação com caso Toffoli
  • Ministro Dias ToffoliDemora em deixar a relatoria · Troca de mensagens com Vorcaro · Pagamentos via fundos ligados ao Master · Saída de cavalheiros · Continuação como votante nos processos
  • Caso Vorcaro e LulinhaInvestigações prévias do filho do presidente · Imagem de uso de cargos para negócios · Decisão do ministro Favio · Quebra de sigilo pela CPMI · Memória do caso Sítio de Atibaia
  • Poder LegislativoCPI do INSS · CPI do Crime Organizado · Acesso a dados e provas · Prazos de encerramento · Limitação de acesso a novas provas
  • Disseminação pública do casoMemes e conteúdo viral · Conhecimento público sobre intimidades · Pressão da sociedade civil · Legitimidade das perguntas públicas · Impossibilidade de conter informações
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Oi, Débora, boa noite para você, boa noite para a Carol, para os ouvintes, também para quem nos assiste. Oi, Vera, boa noite. Vera, a semana foi dominada por revelações do caso Master. Todo dia tem coisa nova, às vezes de manhã e à tarde também. Essas revelações foram intensificadas depois da segunda prisão de Daniel Vorcaro na quarta-feira e o principal foco agora parece ser o Supremo, que depois do desgaste com a demora de Toffoli em deixar a relatoria do caso,

agora está aí diante de evidências bastante contundentes da proximidade entre Alexandre de Moraes e Vorcaro. E a gente fica pensando no pra-frentemente, mas eu queria que você colocasse aí o que é expectativa e o que é realidade. A expectativa, ou seja, o que deveria ser feito é o ministro Alexandre de Moraes esclarecer se realmente trocou mensagens com Daniel Vorcaro, com bastante frequência, teve encontros com ele,

com bastante frequência e, sobretudo, se trocou uma série de mensagens de visualização única no dia da primeira prisão do empresário, do banqueiro, em novembro do ano passado, e que mensagens foram essas. Porque pelos subterfúgios que foram usados pela conversa, a gente só consegue ver que houve uma troca de mensagens, mas que elas não se encontram nem na nuvem.

de notas dos celulares, mandadas como print, como se fosse uma foto de visualização única e depois apagadas. O que a gente tem são alguns rastros deixados porque, apesar de tanto cuidado, não se teve total acurácia técnica para fazer isso. Então, Daniel Vorcaro deixou no seu bloco de notas, e esse sim foi parar na nuvem, o teor de algumas mensagens que, pelo horário em que foram escritas e o horário

da correspondência com o ministro, se pode aferir que dizem respeito àquela conversa. Então, é preciso que se esclareça se eles realmente conversaram ou não. Agora, você me pergunta qual é a realidade. Realidade, nesse momento, está mais para apurar o vazamento do que apurar a troca de conversas. Acabou de sair uma decisão do ministro André Mendonça que, por solicitação da defesa do Vorcário e também da Polícia Federal,

A gente, no caso, eu digo, o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal, eles estão mais preocupados em saber

a gênese do vazamento e quem vazou, do que entender qual é a relação entre um ministro da corte e um investigado. E um ministro da corte que tem como mulher a advogada, uma das advogadas do Banco Master, contratada num contrato de mais de 130 milhões de reais. Então, por hora, o que a PF entende, e eu conversei com fontes na PF hoje, que não há nenhum elemento para abrir nada,

para pedir abertura de nada referente ao ministro Alexandre de Moraes, que o caso seria bastante diferente do caso do ministro Dias Toffo. E aí os próximos passos, Vera? O que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devem fazer de agora em diante? O Ministério Público Federal está só assistindo a tudo isso. Está muito sem tempo, não está muito preocupado com o que está acontecendo e é um espectador silencioso desses desdobramentos bastante perturbadores.

A impressão que eu tenho, Carol, é que está muito pressionada. Pressionada diante dos vazamentos. E que, por enquanto, resolveu se concentrar em quem está vazando, em vez de procurar apurar o que acontece. Porque o que acontece agora? Se for fazer uma perícia nessas mensagens e conseguir recuperar alguma coisa, inclusive do teor da troca de mensagens entre o ministro e o Daniel,

E se chegar à conclusão de que eles de fato conversavam sobre processos, sobre tentativa de bloquear, esse verbo bloquear é usado por Daniel Forcaro na conversa, bloquear alguma investigação, etc., aí a Polícia Federal precisa comunicar o relator do processo, precisa comunicar ao ministro André Mendonça de que houve um achado importante em relação ao ministro do Supremo. E aí vai ter de pedir para investigar o ministro do Supremo.

tem autorização para investigar ministros do Supremo sem pedir autorização prévia para o próprio Supremo. No caso do ministro Toffoli, quando eles chegaram àquelas informações de troca de mensagem com o Vorcaro, de pagamentos, inclusive feito por um dos fundos ligados ao Master, à empresa familiar do Toffoli, eles fizeram um relatório específico sobre essa situação, levaram para o ministro Fachin, porque aí

eles estavam diante de um possível cometimento de crimes e, portanto, tinham de comunicar diretamente ao Supremo. O que se conseguiu foi uma saída de cavaleiros em que o próprio Toffoli deixou a relatoria, mas até agora ele não é investigado pela Polícia Federal. Ele deixou a relatoria e continuou, inclusive está se dizendo aí tranquilo para votar nos procedimentos que dizem respeito a esse caso,

a turma. Na semana que vem tem uma decisão em plenário virtual para decidir se mantém as prisões até aqui ou não. Então, a situação em que todo mundo parece pisar em ovos para tratar o caso dos ministros do Supremo. Então, eu vejo uma situação, um momento de paralisia em que o Ministério Público está absolutamente omisso e a Polícia Federal está diante da necessidade de precisar avançar nas investigações e ela vem

avançando em muitas das investigações, mas essa barreira que representa o fato de que você tem ministros do Supremo no meio do negócio. Tem outra dimensão dessa investigação, Vera, que é a dimensão das CPIs. Tem uma mista, que é a do INSS, e tem a do crime organizado no Senado. Quais as próximas iniciativas dos parlamentares diante do que se viu até agora?

Duas são compostas ali por vários partidos, como é o óbvio em CPIs desse tipo, e cada um tem o seu interesse de avançar aqui e ali. O que eu acho que vai acontecer é que vai chegar o prazo para elas terminarem, e esse prazo está chegando agora, uma termina esse mês e a outra termina em abril, e a cúpula do Congresso vai fazer de tudo para que elas terminem nesse prazo, não sejam prorrogadas,

fazer um novo torniquete no que ela recebe de informação. A decisão do ministro André Mendonça, a que eu me referi agora há pouco, ela faz ali um histórico de como os dados foram obtidos e como a CPMI pediu acesso aos dados que ela própria havia solicitado e que estavam embarreirados e como ele concedeu e depois houve o vazamento. Então, eu acho que daqui por diante vai se tentar limitar ao máximo o acesso dessa

CPIs a novas provas. O que acontece é que tem um monte de requerimento novo diante de tudo que vazou para investigação dessa relação do ministro Alexandre Moraes com Daniel Vorcaro, para novas convocações, para explicações da Polícia Federal sobre a extração desses dados dos celulares e por que não houve uma perícia imediata nesses dados,

Então, vai ter muito ruído entre as duas CPIs, a Polícia Federal, o Supremo e o Ministério Público. Então, a gente vai assistir a todo mundo numa arena tentando ali defender o seu lado. As CPIs querendo avançar e essa barreira de contenção que está se formando, atuando do outro lado para embarreirar. Como eu tenho dito aqui, com base na experiência que eu tenho em casos pretéritos,

É muito difícil você embarreirar quando se chega a esse nível de informação que a gente já tem. A gente está naquele momento em que o Brasil inteiro já leu as intimidades de Daniel Vorcaro com as suas muitas namoradas, que o Brasil inteiro já mandou e recebeu memes variados a respeito do assunto, de música de IA, a montagem de jogo de vôlei em que o Daniel Vorcaro pergunta para um ministro do Supremo se ele conseguiu bloquear uma bola.

está absolutamente disseminada, e não só na classe jurídica, e não só no mercado financeiro, em todas as áreas da vida, do dia a dia, todo mundo está falando nesse assunto, e todos nós estamos sendo bombardeados com memes de todo lado, mas junto com os memes tem perguntas, e essas perguntas são legítimas, a sociedade quer saber, principalmente porque o ministro Alexandre de Moraes foi alguém que ficou muito notabilizado

nos últimos anos pelo enfrentamento ali que ele fez ao grupismo, às tentativas de golpe, etc. Então, todo mundo quer saber que relações eram essas. E isso não tem nada de revanchista, isso não tem nada de vingança, nada disso. Isso tem a ver com algo que é legítimo, que é a sociedade saber o que os seus homens públicos estão fazendo em privado.

vai ser muito grande por parte da sociedade e eu acredito que embarreirar qualquer coisa vai levar a novos vazamentos. Ah, tem que devolver tudo e devolver e não ficar com nenhuma cópia, diz a decisão do ministro André Mendonça. Tá bom, então tá, né? Vou devolver todas as minhas cópias. Tá pensando lá o deputado, o senador. É impossível, já foi, já é, já tá por aí, entendeu? Então, muita coisa ainda pode vir

vazar do que já está em poder de jornalistas e de CPIs. Então, tentar abafar agora é quase inócuo. O que vazou já é muito grave, né? Agora, Vera, o governo segue numa postura discreta diante do caso, né? A ordem é essa mesmo? Por enquanto, sim, Carol. Existe um misto de vontade de avançar e dizer que esse caso Master é uma prova de que o Lula não é conivente com a corrupção do André de Silva,

do andar de cima e que mandou mesmo investigar tudo e tal. Mas isso vai só até o momento em que esbarra no fato de que tem aliados do governo no Supremo que estão desconfortáveis com essa história. Então, o Toffoli, que teve uma relação muito conturbada com o Lula nos últimos anos, desde a Lava Jato para cá, mas foi nomeado por ele, tem um passado com o PT. O Alexandre de Moraes, que, por outro lado, foi nomeado pelo Temer, que é adversário do PT,

boa relação com o Lula ao longo desses anos. O ministro Gilmar, que chegou a vetar a nomeação do Lula para a Casa Civil lá no governo Dilma, mas também construiu uma boa relação nos últimos anos. O Gilmar não tem nenhum envolvimento direto nesse caso, mas ele é uma espécie, ele é o decano do Supremo e é também o decano desta ala do Supremo, desse grupo que toca mais ou menos junto, e junto também com o Procurador-Geral da República, Paulo Gonê. Então, o governo está se sentindo amarrado para tentar

Fá nesse caso, tá? Adotando essa postura discreta até aqui. Acho que a pesquisa Datafolha do fim de semana vai ser crucial pra editar se vai ter uma guinada ou não de estratégia por parte do governo, a depender do estrago que houver na imagem do Lula e na sua intenção de voto também. E o caso Lulinha atingiu o presidente diretamente, né? Pra essa outra crise, já tem um receituário específico?

reinando a respeito disso, porque o presidente sabe que o filho já foi alvo de outras investigações, que ele está, como me disse, aquela fonte do palácio que eu citei ontem, no imaginário da população há mais de uma década, como alguém que usa dos cargos do pai para fazer negócios. E agora, também uma tentativa de conter essa história. Ontem, o ministro Flávio Dino deu outra decisão, estendendo ao Lulim,

aquela decisão que ele mesmo havia dado de suspender uma quebra de sigilo aprovada pela CPMI do INSS. As CPIs vão para cima. Nesse caso, também é verdade isso. As duas CPIs vão para cima dessa história. Então, é muito difícil conter casos quando eles já se alastraram na maneira como eles se alastraram. Mas, nesse caso, o presidente fica ainda mais amarrado,

o seu filho, ele não vai sair pra cima do filho, não vai rifar o filho. E já existe ali a memória do caso do sítio de Atibaia, da Lava Jato, do caso lá da época da empresa de games, do Lulinha e dos negócios que ela fazia com as teles. Então tem todo um arcabouço de memória desse caso que não ajuda que ele não colhe no Lula. Pelo contrário, torna ali um caso altamente adequado.

diferente ao presidente. Que semana! E a próxima também promete. Obrigada, viu, Vera? Beijo, bom fim de semana e até segunda. Pra vocês também, um ótimo fim de semana e até segunda. Beijo, tchau. Beijo, Vera. Tchau, tchau.