Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

'Nikolas Ferreira tem sim de responder pelas relações que tinha com Daniel Vorcaro'

03 de março de 202646min
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O deputado Rogério Correia (PT) protocolou um requerimento de convocação de Nikolas Ferreira (PL) para prestar esclarecimentos na CPMI do INSS, além de quebra de sigilo, depois da divulgação de que o parlamentar usou um jatinho do dono do Master, Daniel Vorcaro, na campanha eleitoral de 2022. Na avaliação de Vera Magalhães, Nikolas Ferreira deve responder pelas relações que tinha com Daniel Vorcaro.

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Assuntos7
  • CPMI do INSSDecisão do presidente do Senado Alcolumbre · Validação da votação pela advocacia do Senado · Impacto político para o governo Lula · Investigação de operações com lobista Careca do INSS · Possível vazamento de dados financeiros
  • Punição Abel FerreiraRequerimento de convocação na CPMI do INSS · Uso de avião para caravana de campanha 2022 · Relações com dono do banco Master · Falta de declaração de gastos ao TSE · Conexão entre empresário e lobby político
  • Tensao Alcolumbre-Governo LulaSinais de descontentamento do presidente do Senado · Não votação da MP do Redesim · Investigações da PF sobre banco Master · Falta de agenda reservada com presidente Lula · Pressões políticas regionais
  • Tecnologia Seguranca PublicaRedução da maioridade penal para 16 anos · Sistema único de segurança pública · Combate ao crime organizado · Integração de forças de segurança estaduais · Votação prevista para manhã
  • Escala de Trabalho 6x1Manifesto de entidades empresariais contra mudança · Impacto econômico e custos para empresas · Debate sobre produtividade · Proposta de votação em maio · Pressão da oposição para adiar discussão
  • CorrupçãoRede de lobby de Daniel Vorcaro · Impacto em múltiplos poderes · Fraude bilionária · Operações com entidades de previdência · Conexões políticas
  • Atuação de Lucia na políticaFernando Haddad como candidato a governador · Simone Tebet ao Senado · Papel de Geraldo Alckmin · Deixa de ministérios em abril · Indefinição sobre vice-governador
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Magalhães, hoje eu vou ter que te dar boa tarde, desculpa, porque o sol está aqui batendo na minha cara, brilhando em São Paulo, tudo bem? Tudo bom, Débora, e olha que a gente nem tem horário de verão, mas hoje realmente o sol demorou, de manhã não estava esse sol não, mas quando saiu, saiu com força. Boa tarde, boa noite para você e para todo mundo.

a Brasília. O Igor Cardin tem mais detalhes sobre a decisão de Davi Alcolumbre em relação à quebra de sigilo de Lulinha. Ô Igor, boa tarde, boa tarde, barra, boa noite pra você. Você sabe que aqui também ainda não anoiteceu, Débora. Ainda tá, o dia tá claro aqui. Boa noite pra você, pra Vera e pros nossos ouvintes. Pois é, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, rejeitou o pedido apresentado pelo PT e por parlamentares

a aprovação da quebra de sigilo bancário fiscal de Fábio Luiz Lula da Silva, ou Lulinha. Alcolumbre confirmou a validade da votação na CPMI do INSS, que aprovou o requerimento da quebra de sigilo. Segundo ele, não houve desrespeito flagrante ao regimento interno do Senado, nem à Constituição que justificasse uma intervenção excepcional da presidência para poder anular aquela decisão da comissão que a gente lembra foi tomada depois de, literalmente,

um barraco entre a oposição e também parlamentares da base do governo. O presidente do Senado disse que o parecer foi embasado pela advocacia do Senado, por técnicos da Casa e também pela análise das imagens da sessão. Ele também confirmou o número apresentado pelo presidente da CPMI, Carlos Viana, de 31 parlamentares presentes no momento da deliberação. Com esse quórum, mesmo considerando que os 14 governistas tenham se levantado,

contra a quebra do sigilo, o número não seria suficiente para alcançar a maioria necessária de 16 votos para reverter essa decisão. Alcolumbre ressaltou ainda que o presidente da comissão não vota, mas que mesmo assim está mantido a aprovação da quebra de sigilo.

era de 31 parlamentares. A maioria, desta forma, ainda que se considere que o presidente da CPMI se equivocou na contagem daqueles que se levantaram contra os requerimentos, o número de votantes contrários demonstrado pelos autores não seria suficiente para ganhar a deliberação. Lembrando que esse pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPMI,

com base em uma representação da Polícia Federal que apura a ligação de Lulinha como destinatário indireto de repasses ligados ao esquema bilionário. Débora. Obrigada, Igor. Aliás, fica por aí que tem um outro negocinho do CPMI e do INSS que a gente quer perguntar para você. Ô Vera, essa decisão de Alcolumbre tem recados? É, desde a semana passada ele vem tomando decisões que tem cara de quem está insatisfeito, quem está descontente com o governo.

Então, essa é mais uma delas. Já havia uma expectativa de que ele podia até demorar um pouco mais para anunciar a sua decisão, o seu veredito, mas ele o fez logo com base num pedido de análise técnica que ele tinha feito já na semana passada, a assessoria jurídica e parlamentar da casa. E é o segundo, por assim dizer, recado que ele manda.

Outro era mais claro, porque era possível você ter votado a CP... Desculpa, a medida provisória do Redata antes que ela caducasse. Havia tempo suficiente para isso. Embora tenha chegado em cima da hora e ele já tenha dito em outras ocasiões que não é satisfeito com o fato de que o Senado sempre fica com poucas horas para analisar medidas provisórias, etc. Se tivesse boa vontade, poderia ter votado a MP.

a um programa que é ali meio suprapartidário, todos os partidos apoiam o Redata, ele gera muito emprego, essa coisa de atração de data centers é uma coisa que interessa a estados governados pela oposição também, então escolheu para mandar um recado um programa que é meio suprapartidário, mas ali era um recado claro, ficou muito evidente que ele estava insatisfeito, tanto que ele não atendeu o Haddad,

não atendeu o Dario Durigam, e o presidente Lula, na ocasião, foi aconselhado a procurá-lo diretamente, a conversar com ele, porque havia, portanto, alguma insatisfação ali. Não sei se o Lula chegou a fazer esse contato com ele, mas o fato é que, menos de uma semana depois, vem essa nova decisão, uma decisão bastante desfavorável ao governo, porque diz respeito ao sigilo do filho do presidente.

quebrado antes o sigilo do Lulinha, agora a CPMI vai receber diretamente esses dados, não vai ser necessário que haja compartilhamento. E a partir daí, a partir do momento em que chega numa comissão com vários subrelatores, com relator com o presidente, a chance de um vazamento é maior. E isso vai transformando o filho do presidente no protagonista dessa CPMI, embora ele não seja, não é investigado diretamente pelos desvios em aposentadoria

A ligação dele é indireta, mas aos poucos ele vai virando protagonista da investigação. Igor, outra coisa que a gente queria te perguntar sobre a CPI do INSS é em relação a Nicolás Ferreira. Ele está na mira? Está sim. A base do governo se organizando ali, já protocolando requerimentos de convocação do deputado Nicolás Ferreira. O deputado Rogério Correia, do PT, fez esse requerimento como um pedido para que Nicolás preste esclarecer

.

E o pastor Guilherme Batista, ligado à Igreja Lagoinha, com o objetivo de buscar votos em regiões onde Lula teve a maioria na primeira rodada e tentar reverter o resultado na reta final da disputa.

O deputado do PL confirmou ter usado o avião, mas disse que a época dos voos não tinha conhecimento sobre quem era o proprietário do avião. Ele publicou um vídeo nas redes sociais fazendo ataques ao governo e minimizando o uso do avião.

ou por que Deus simplesmente chegar e investigar a empresa ou quem está pagando, porque no fim das contas ele não estava sendo exposto como uma pessoa investigada. Ele operava normalmente, investia em clubes, em empresas, em eventos. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ironizou o deputado e disse que a oposição quer jogar no colo do governo o escândalo do Master. Gleisi afirmou ainda que foi o presidente do Banco Central, indicado por Bolsonaro, Campos Neto, quem fechou os olhos para as falcatruas,

No Master, segundo o Nicolas Ferreira, a presença no voo se deu exclusivamente em razão do convite para essa agenda de campanha, sem qualquer vínculo pessoal, comercial ou institucional com o dono da aeronave, que depois ficamos sabendo que se tratava de Daniel Vorcaro. Débora. Obrigada, Igor Cardim, pelas informações. Isso mostra também, né, Vera, que as relações de Vorcaro em Brasília iam de A a Z, né?

Como se para o Nicolas Ferreira ou para todos os influenciadores barra parlamentares da direita, isso fosse critério para deixar de atacar fortemente qualquer adversário se tivesse sido flagrado na mesma situação. Portanto, ele tende sim a responder pelas relações que tinha com o Daniel Vorcaro, que tinha muitos interesses em Minas Gerais, que é a base eleitoral do deputado Nicolas Ferreira.

Assim como ele, muitos vão poder dizer que quando estabeleceram essas relações com o Vorcário, não sabiam de toda a extensão do escândalo do Banco Master. Mas, de qualquer maneira, essas relações já eram relações bastante próximas. E a gente sabe que empresário, quando paga jatinho para político, quando paga estadia de político,

quando paga outro tipo de benesses para políticos, tem um interesse, existe interesse aí, não existe almoço grátis na política, também não tem voo de graça, não tem carona, que não vá se justificar por aquilo que Vorcaro fazia de mais explícito, que era estabelecer uma rede de contatos, uma rede de lobby importante para ele continuar tendo seus negócios crescendo,

em que eles cresciam e sem nenhum lastro como se viu depois. Eram ali operações de altíssimo risco que não se sustentavam e que geraram essa fraude bilionária de agora. Então, todos os políticos sempre vão poder dizer nossa, eu me dava bem com ele porque eu não sabia o que estava em jogo. Mas já era bastante visível que era um banco que estava crescendo muito além dos demais, muito além dos demais

mas da sua mesma categoria, do seu mesmo tamanho, e que era alguém que buscava na política o amparo para essas operações. E foi justamente esse tráfico de influência que provavelmente facilitou as transações, os negócios, os escusos feitos por Vorcaro. Ele adorava se vangloriar desse trânsito que ele tinha, e não só entre parlamentares, mas nos três poderes, e isso claramente ajudou.

entrasse em negócios com entidades de previdência de vários estados, ajudou nessa transação com o BRB, certamente foi utilizado para tentar evitar que o Banco Central tomasse uma decisão contra ele, houve pressão nesse sentido por parte dele junto às diversas diretorias do Banco Central.

impune e nada de graça nessa situação. Vera, ainda sobre a CPMI do INSS, o Alcolumbre acho que ainda não respondeu sobre isso, mas havia um pedido para prorrogação, né? Por mais 60 dias. Se isso não ocorrer, ela termina agora no fim desse mês. Diante desse humor, você acha que há possibilidade de prorrogação? Não sei, Débora, porque eu acho que não interessa também a ele essa CPMI, né?

Assim como essa investigação do Master não é totalmente inócua para o presidente do Senado. Ele tem um aliado que é investigado diretamente pelas relações com o banco do Daniel Vorcaro, que é o responsável pela entidade de previdência lá do Amapá. Então, não é algo que ele possa dormir tranquilo e achar que nada vai respingar nele. Uma coisa é você mandar um recado,

por meio da quebra de sigilo do filho do presidente. Aí você está direcionando a artilharia, mas ele também pode ser atingido se essa CPMI se prorrogar indefinidamente e se essa e a outra CPI, que aí é exclusiva do Senado, começarem a escarafunchar demais todas as relações, todas as transações do Banco de Daniel Vorcaro.

que elas fiquem se renovando, fiquem ganhando mais prazo, ainda mais à medida em que as eleições se aproximam e todo mundo passa a ter interesses. Vamos para o nosso próximo assunto. Samanta Klein traz detalhes sobre as discussões em torno da escala 6x1. Oi, Samanta, boa noite. Boa noite, Débora e Vera.

a diversos setores produtivos, incluindo a indústria, o comércio, o agronegócio e também os serviços, assinaram um manifesto contra o fim da escala 6x1 pedindo um debate da jornada de trabalho no Brasil. Esse documento foi entregue ao presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, depois de uma reunião da coalizão dessas frentes produtivas aqui em Brasília.

O setor produtivo pede que as novas regras respeitem as diferenças de cada área e sejam definidas por meio de negociações coletivas. O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Albán, disse que não aceita disputa de narrativas do nós contra eles.

giro do debate, mas admitiu que seria melhor deixar a discussão para o próximo ano sem o que ele chamou de pressão do processo eleitoral.

Essa narrativa de capital do trabalho. Esse grupo afirma que melhorar a qualidade de vida do trabalhador é legítimo, mas cobra que a discussão considere os impactos na economia. Também faz um alerta que reduzir o limite de horas trabalhadas pode elevar os custos das empresas, gerar desemprego e repassar a conta para o consumidor. É o que diz, inclusive, a pesquisa feita pelo economista José Pastore,

cedo, uma vez que as empresas de pequeno e médio porte serão as mais afetadas, segundo esse estudo. A previsão é que haja um aumento de gastos na ordem de 22% nos custos para quem emprega. Lembrando que o fim da jornada 6x1 é uma das principais bandeiras do governo Lula. Um dos autores da proposta, o deputado Reginaldo Lopes, do PT,

que está trabalhando para colocar a proposta em votação na Semana do Trabalhador, ou seja, no mês de maio. Porém, os partidos da oposição estão pressionando o presidente da Câmara, Hugo Mota, e querem adiar esse debate para depois das eleições. Ou seja, tem um racha eleitoral aí, uma briga nesse sentido. Lembrando que, na Comissão de Constituição e Justiça, o deputado Paulo Azzi, que é do União Brasil, ele é o relator,

que a proposta não foi devidamente compensada por ter efeitos negativos nas relações de trabalho, prevendo inclusive o aumento da pejotização. Lembrando que na CCJ o que se analisa é a admissibilidade, constitucionalidade, não o mérito. Com vocês. Obrigada, Samanta, pelas informações. O Gumota estava tratando como prioridade esse projeto também, que é prioridade para o governo.

essa questão, Vera? Olha, a semana passada, quando eu estive em Brasília, o presidente da Câmara estava muito convicto de levar adiante a votação do fim da escala 6x1, por mais que as pressões sobre ele já estivessem muito fortes naquele momento, na semana passada, a ponto de que ele tinha se reunido na terça à noite, ou na quarta

Marcos Pereira, que depois deu uma declaração, uma declaração a meu ver até bastante estranha, de que ócio demais faz mal para as pessoas, sendo que ninguém está querendo ócio demais. Pessoas querem o direito ao descanso, inclusive para fazer outras coisas que não trabalhar. Pediu desculpas, viu? Se arrependeu, viu que pegou mal, pediu desculpas. Ele tinha feito essa declaração, inclusive para ir à igreja, né?

um representante da Igreja Universal do Reino de Deus, etc. E mesmo com o presidente do partido dele sendo contrário, pessoas que conversaram com o Motta ouviram dele que o Marcos Pereira é uma pessoa, ele é outra, e que, portanto, ele ia continuar com a sua disposição de pautar a matéria. Não sei agora que, com essa investida mais explícita dessas entidades,

e o fato de que elas também estão ligadas a várias frentes parlamentares poderosas na casa, elas controlam várias dessas frentes parlamentares, e ele vai sentir a pressão e vai mudar de ideia. Mas a disposição dele era, um, pautar, e dois, também não atender a ideia do governo de o governo mandar o seu próprio projeto.

teria a prioridade ao projeto que já tramita, que é a PEC da deputada Erika Hilton. Porque é muito raro alguém avançar com uma proposta legislativa, algum parlamentar, ainda mais uma PEC, e ela começou esse debate lá atrás, não seria justo que a proposta dela perdesse espaço na fila para uma proposta do governo que ainda nem chegou, que ainda nem está na casa. Então, eu acho que

ele está precisando de uma bandeira dessa que seja popular. Aliados dele diziam, tudo bem, eu vejo deputados aqui falando contra, mas quero ver andar lá na base dele, andar no sertão, andar na cidade dele lá e falar, puxa, eu votei contra a redução da jornada de trabalho, que na hora H ninguém teria coragem de votar. Acho que é uma aposta razoável, faz sentido em ano eleitoral, mas a pressão econômica também é uma coisa importante.

Então, vamos ver como as duas coisas vão caminhar e o que vai andar mais rápido para ditar a conduta do presidente da casa. Mas o fato é que ele precisa de uma bandeira popular, ele tinha escolhido essa, não acredito que ele vá abrir mão dela. Hoje mais cedo, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse em Brasília que o governo pode sim enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso sobre esse tema, se julgar que o tema não está caminhando com a velocidade,

desejada, ou seja, que o Gumota está enrolando. Enfim, também é um recado, não deixa de ser um recado a ele. É, mas no caso ele tem que juntar esforços com o presidente da Câmara e não comprar uma briga com ele. O Marinho, eu sempre acho que ele é muito inábil nesse tipo de coisa. E esse é mais um caso. Na verdade, o presidente da Câmara já está lá na frente em relação a ele, já pautou a matéria. Então, ele tem que arrumar treta com os empresários

Esses que fizeram a pressão e não com o presidente da casa que, por enquanto, está do mesmo lado que ele. Você fica agora com notícias da sua região. Daqui a pouco tem mais Viva a Voz. Saber tudo o que de mais importante está acontecendo no mundo em meio à correria do dia a dia pode ser bem difícil, né? Mas tem um jeito que ajuda muito. Basta ouvir o podcast Panorama CBN para ficar bem informado de forma leve em menos de meia hora.

Sem precisar tirar as mãos do volante, da esteira ou da louça. São dois episódios diários.

Um às sete da manhã comigo, Bianca Santos. E outro às sete da noite comigo, Leandro Gouveia. É só procurar no aplicativo da CBN ou no seu tocador de podcasts preferido por Panorama CBN para ficar por dentro de tudo. Viva a voz de volta e nós vamos a Brasília. A Larissa Lopes tem mais detalhes sobre as articulações em torno da PEC da Segurança. Oi Larissa, boa noite. Oi Débora, boa noite para você e para todos. Olha, a base do governo aqui no Congresso tenta mudar pontos.

PEC da Segurança, que está com votação prevista para amanhã, o texto do governo sofreu alterações por parte do relator Mendonça Filho, do União Brasil, como, por exemplo, a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Em coletiva, hoje mais cedo, Débora, o líder do PT aqui na Câmara, Pedro Xai, afirmou após uma reunião com o Mendonça Filho que o relator se mostrou sensível para o tema e que se comprometeu, segundo ele, a conversar

com as bancadas para avaliar a possibilidade de retirar do texto essa questão da redução da maioridade. Apesar disso, a gente lembra que até ontem o Andonça Filho, que é o relator, concedeu entrevistas dizendo que estava irredutível sobre tirar esse ponto do projeto, o que segundo o CSAI foi contornado.

Bom, o que é central? Não é esse tema. O que é central é construir uma política pública nacional para enfrentar o crime organizado. Não é discutir dos meninos e meninas de 16 a 18 anos que nós vamos enfrentar o crime organizado. Está aberto, está sensível de dialogar com as demais lideranças e nós vamos conversar e vamos buscar sensibilidade. Bom, depois dessa entrevista, Débora, do líder do PT aqui na Câmara, o líder do União Brasil aqui na casa também,

o deputado Pedro Lucas, ele rebateu, publicou nas redes sociais que a bancada não abre mão de defender a redução da maioridade penal. Segundo ele, é um tema que precisa ser enfrentado com responsabilidade e coragem. Pedro Lucas ainda finalizou dizendo que o União aqui na Câmara está fechado nessa posição. O próprio relator, porém, não se manifestou hoje ainda após esse encontro com os parlamentares governistas. O presidente da Câmara, Hugo Mota,

deve se reunir com Mendonça Filho, também secretário de Segurança, ainda na noite de hoje, para debater sobre essa proposta em um evento dos secretários de Segurança de vários estados. E só para fechar também, é que em coletiva, o líder do PT, Pedro Caio, ele falou também sobre o financiamento da segurança pública. Ele afirmou que foi discutido que a PEC poderia pegar um percentual

Obrigada pelas informações, Larissa Lopes, em Brasília. Essa discussão de redução da maioridade penal, ela sempre esbarra em emoções também, né? Mas acho que é um tema que teria que ser discutido com a sociedade, como um todo.

Exato, e numa proposta própria, né, Débora, não usando uma PEC que tem outra finalidade, outro cerne, né, para tratar de algo que é muito divisivo na sociedade, é uma questão ali quase filosófica, doutrinária, de como você encara a segurança pública, que deveria estar sendo discutida com base em evidências e não em ideologia, pura e simplesmente, porque passou a ser

defendido pela direita como um elixir para todos os males do aumento da criminalidade, você reduzir a maioridade penal. Quando evidências mostram em vários locais e em vários estudos que se você baixar para 16, automaticamente o crime organizado vai passar a recrutar menores de 15, de 14. E onde a gente vai parar com isso?

o problema, que não é esse certamente para você enfrentar o crime organizado, que é você ter inteligência, que é você ter principalmente uma abordagem consistente em cima da movimentação financeira, estrangulando financeiramente essas organizações e integrando as forças de segurança para que elas atuem de fato em conjunto e de fato com uma jurisdição ali entre os

os estados e até transnacional. E aí a gente entra no que é o central da PEC de segurança, que é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública, para integrar essas ações, integrar as ações do combate ao crime organizado. Então, esse é o aspecto fundamental de você aprovar uma proposta de emenda à Constituição, você levar para dentro da Constituição um sistema que seja similar ao SUS, que é algo que vem se anunciando

insegurança há muito tempo, mas que nunca é feito e que permita à União entrar naquilo que ela é cobrada, entrar subsidiariamente ali no auxílio aos Estados para enfrentamento da violência, para atuar de uma maneira que hoje a Constituição não dá a ela essa prerrogativa de atuar em segurança. Então, talvez fosse salutar, tirar esse bode da sala,

tirar essa questão da maioridade penal, que é altamente divisiva, não tem um consenso possível entre esquerda e direita nesse tema. O deputado Mendonça Filho, que é um deputado sério, dos deputados ali da direita, é um dos mais consistentes em termos de formulação, ele está claramente mirando a eleição e querendo colocar uma pauta que vai ser atraente junto ao seu eleitorado mais conservador, que é a história

da redução da maioridade penal. Mas, se for para facilitar a aprovação da PEC, o ideal seria fazer isso num outro momento, num outro dispositivo, e agora se concentrar naquilo que a proposta tem de principal, que é a unificação do arcabouço de ações e de dispositivos para enfrentar o crime organizado. A gente faz mais uma pausa no Viva Voz, para que você fique com as notícias

da sua região e na sequência tem Tiago Bronzato, diretor da sucursal do Jornal Globo em Brasília, que vai comentar aqui com a gente a decisão de Davi Alcolumbre sobre a quebra de sigilo de Lulinha na CPI do INSS. E nós estamos de volta com o Viva Voz, são 6 horas e 46 minutos e está na linha com a gente o Tiago Bronzato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, nosso comentarista aqui da CBN,

às terças e quintas. Boa noite, Thiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Debra. E boa noite aos ouvintes. Oi, Bronzato. Bronzato, a gente viu agora há pouco a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de manter a quebra de sigilo do Lulinha na CPMI do INSS. Ele disse que não houve ali uma clara quebra regimental, falou que a análise da assessoria técnica do Senado confirmou que havia presença de quórum regimental

no momento da votação, portanto, mais uma água no chope do governo. O que está acontecendo? O que explica a decisão do Alcolumbre? Olha, Vera, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, ele não costuma dar ponto sem nó. Então, quando ele decide a favor da oposição, mantendo a validade dessa quebra de sigilo do Lulinho, filho do presidente Lula, na CPI da NSS, o Alcolumbre deixa claro para o governo que ele está insatisfeito.

o governo sofreu um revésco à oposição na votação da CPI do INSS, que autorizou essa quebra de sigilo do filho do presidente. Vale lembrar que o Lulinha é suspeito de ser parceiro de negócios do lobista conhecido como careca do INSS, numa investida que eles fizeram para tentar conquistar um contrato no Ministério da Saúde. Então, após essa votação polêmica na CPI do INSS,

acusações de votação fraudulenta, os governistas correram para o Alcolumbre e pediram o VAR da contagem de votos e pediram também para anular essa quebra de sigilo do Lulinha. O Alcolumbre, que tem um coro político grosso, poderia até ter matado no peito e salvado o Palácio do Planalto dessa roubada, mandando anular a votação. Mas não foi o que ele fez, porque ele não queria fazer. O Alcolumbre pediu um parecer,

da advocacia do Senado, que entendeu que não houve qualquer irregularidade nessa votação da CPI do INSS e ele leu esse parecer no plenário do Senado hoje e determinou a validade dessa votação, mantendo, portanto, a quebra de sigilo do Lulinha. Então, quando o Alcolumbre joga o governo na fogueira da oposição, ele está, no fundo, pressionando o presidente para recebê-lo para uma conversa reservada.

que deveria ter ocorrido antes do carnaval, mas até o momento não foi agendada por Lula. E alguns aliados do presidente dizem que este não é um bom momento para o Columbre e a sua lista de pedidos ser apresentada por Lula. Então fica esse jogo de morde-morde da parte do Columbre. E qual é a lista de pedidos do Columbre? O que ele está pleiteando, o que está deixando ele magoado? Olha, Débora, na semana passada a Vera já leitou para essa ira do Columbre com o governo.

E na cúpula do Congresso, mais especificamente na ala encabeçada por expoentes do Centrão, cresce essa percepção de que o governo está dando combustível para a Polícia Federal incendiar as investigações do escândalo do Banco Master e das emendas parlamentares. Na visão dessas figuras políticas, o Lula quer manter na mira da PF lideranças de partidos como União Brasil e o PP, que ensaiava formar uma aliança com a direita nas eleições justamente para neutralizar

o apoio dessas legendas ao pré-candidato Flávio Bolsonaro. Em conversas com o Alcolumbre, alguns governistas negam que essa seja a intenção do governo e dizem que a Polícia Federal tem independência para atuar. Tanto é que o próprio filho do presidente pode ser investigado. Mas nada tem convencido o Alcolumbre e a sua galera de que há uma arapuca política armada pelo Planalto neste ano eleitoral. E para dissipar essa nuvem conspiratória, o Alcolumbre quer ter uma prosa reservada com o Lula.

Nessa conversa, segundo alguns parlamentares relataram, o presidente do Senado deve demonstrar sua preocupação com o que ele chama de criminalização da política, traduzindo ao Columbo estar preocupado com os avanços da investigação no caso Master. E o presidente do Senado também está insatisfeito com a forma como está sendo conduzida também as negociações políticas do Planalto com o Congresso. Ele acha que o Congresso não tem sido atendido,

insatisfeito com isso, ele mandou um outro recado para o governo ao enterrar por conta própria o projeto de lei que viabilizaria a criação do Redata, que é um regime especial voltado para data centers, com potencial para atrair bilhões de investimentos do país. Então, ele vem mandando esses recados de forma consecutiva. E também o Alcolumbre está muito preocupado com conseguir o apoio de Lula no palanque do seu Estado, o Amapá, porque ele sabe que precisa do presidente,

para eleger os seus aliados no Estado. Lula, por outro lado, ele está fugindo do Alcolumbre agora, porque sabe que o mar não tapa a peixe para o governo. Com a queda da popularidade do presidente nas pesquisas e a consolidação de Flávio nessas mesmas pesquisas eleitorais, Lula sabe que a cotação para negociar qualquer coisa com o Alcolumbre diminuiu. Tiago, agora imaginando esse cenário em que o Supremo já quebrou o sigilo do Lulinha,

CPI vai ter acesso a ele, porque o Alcolumbre deu essa decisão. Qual é o impacto para o Lula, para a campanha reeleição, do fato do filho do presidente ter virado o principal personagem de uma CPI a essa altura do campeonato? Pois é, Vera, antes mesmo de chegar qualquer informação sobre a quebra de sigilo do Lulinha, já está gerando um enorme impacto político ali para o presidente. Isso porque a oposição começou a costurar,

um discurso de que o filho do presidente roubou os aposentados. Essa estratégia de distorcer os fatos tem sido explorada nas redes e também em discursos eleitorais da oposição. Isso tem gerado um dano político enorme para a imagem do presidente e o Planalto está bastante preocupado com o rumo disso. E como pegou muito mal a tentativa dos governistas de evitarem a quebra de sigilo do Lulinha, o Planalto decidiu recalibrar

estratégia para parecer que estão tranquilos quanto à investigação envolvendo o filho do presidente, ao menos aparentemente. Então, após hoje a decisão do Alcolumbre de manter essa quebra de sigilo do Lurinha, o senador Randolfo Rodrigues, que representa o governo nessas negociações no Senado e é conterrâneo de Alcolumbre, ele surpreendeu todo mundo e gastou latim para elogiar o presidente do Senado. Ele disse que quando o Alcolumbre decide, é como Roma falou e a causa está encerrada. Ou seja,

tentou dar uma puxadinha de saco ali na Colômbia para não criar mais indisposição com o presidente do Senado. Mas será que essa causa está encerrada mesmo? Porque nos bastidores do Planalto há uma preocupação enorme com o impacto político dessas investigações envolvendo o Lulinha. Ontem o Estadão revelou que o filho do presidente reconheceu as pessoas próximas que teve voo e hotel pagos pelo careca do INSS em viagem a Portugal. Tem também esse inquérito da Polícia Federal,

que tem avançado na quebra de sigilo e no levantamento de outras informações que podem estabelecer uma conexão entre o filho do presidente e o lobista careca do NSS, que está preso após o escândalo do NSS vir à tona. E o ministro André Mendonça, que está cuidando dessa investigação que pode atingir o filho do presidente no Supremo Tribunal Federal, tem cobrado mais a digilidade da Polícia Federal nos bastidores.

Como você disse, Vera, foi quebrado o sigilo financeiro do filho do presidente em janeiro e a Polícia Federal está computando esses dados. Então, a depender do que a PF conseguir confirmar a partir desses dados, isso pode continuar desgastando a imagem do presidente, que em outra frente trabalha ali em planos para tentar minimizar esse impacto eleitoral.

e deixar lá no meio do coliseu para ver o que acontece. Obrigada, Tiago, por hoje. É isso mesmo, Vera. E até quinta-feira. Obrigada. Valeu, até mais. Tchau, tchau, pessoal. Tchau, Bronsato. São 6 horas e 55 minutos. A Karen Lemos tem informações porque o presidente Lula está em São Paulo e se reuniu com as suas apostas à eleição no Estado. É isso, Karen. Boa noite. Boa noite, Débora Vera. E também para os ouvintes,

Exatamente. Lula veio acompanhado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, da ministra do Planejamento, Simone Tebit, e também do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A equipe toda visitou agora de tarde uma indústria farmacêutica em Valinhos, que fica aqui no interior de São Paulo. E à noite, Lula e os ministros participam da abertura da Conferência Nacional do Trabalho na capital.

as candidaturas ao governo de São Paulo e também para o Senado. Haddad e Tebit já adiantaram que vão deixar os ministérios até o início de abril, justamente para se dedicarem à campanha eleitoral. O cenário mais provável é Haddad sendo candidato ao governo e Tebit ao Senado por São Paulo. O presidente Lula aposta ainda em Geraldo Alckmin, que já governou São Paulo em quatro mandatos, para atuar principalmente nos palanques no interior do Estado,

tem um perfil mais bolsonarista. Bom, o candidato ao governo de São Paulo pelo PT em 2014 e derrotado por Alckmin, inclusive, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, citou a indefinição do vice na chapa da candidatura à reeleição do atual governador, o Tarcísio de Freitas, para pregar cautela na escolha das candidaturas.

Bom, ontem, para encerrar aqui, ontem, Fernando Haddad abriu espaço para a candidatura.

governo de São Paulo, mas disse que a decisão final só vai ser tomada depois dessas conversas com o presidente Lula hoje. Débora. Obrigada, Karen, pelas informações. Essa declaração de Haddad ontem, Vera, já estava mais na linha do tipo, não quero, mas eu vou. Exato, né? Se não tem eu, vou eu mesmo. Se não tem outro, vou eu mesmo. É o seguinte, eu falei na semana passada, né? Houve um jantar do Lula com ele, mesmo depois deles terem ficado um tempão juntos na viagem, fizeram um jantar dos casais,

Mas eu falei que só haveria um martelo batido depois de uma conversa que envolvesse também o Alckmin. E aí essa conversa se deu e com o acréscimo da Simone Tebbit. Tudo vai caminhando para uma candidatura do Haddad ao governo, da Simone Tebbit ao Senado, como disse a Karen, e o Alckmin funcionando como uma espécie de um coordenador.

também no plano nacional, porque ele deverá ser mantido como candidato a vice-presidente. Então, se ele vai correr o país todo com o Lula, ou se ele vai ficar mais centralizado em São Paulo, ou talvez no Sudeste, e deverá ser algo por aí que eles vão definir. Resta definir o quê? Se a Marina Silva vai ser a outra candidata ao Senado, ou se aí caberia a alguém, algum outro nome, e se o Márcio França vai ser o vice,

de uma provável candidatura do Haddad, ou se eles vão tentar atrair um empresário, como já se falou por aí. O Padilha, o ministro Padilha, que a gente viu falando agora, não deverá deixar o ministério, isso é importante. Não deve ser candidato a deputado, ele tem mandato hoje em dia de deputado, deve abrir mão da reeleição para ficar no posto. Essa foi uma condição quando ele assumiu o Ministério da Saúde, que é o ministério mais importante do governo,

de orçamento e de entregas. Mesma coisa, o ministro Guilherme Boulos não deverá sair da secretaria, ele que também é um puxador eleitoral do PSOL, ele deverá ficar no governo e não deve disputar nada. Pelo menos esse é o último desenho que eu colhi na semana passada em Brasília. Então, dois nomes aí, um do PT e um do PSOL, podendo ir para o PT, porque também tem essa conversa de que o Boulos pode ir para o PT, mas ele deve ficar no governo e não deverá se desincompatizar.

em abril para disputar a eleição. Vera Magalhães, muitíssimo obrigado. Amanhã tem mais Viva Voz. Beijo. Beijo. Até amanhã, Débora. Ótimo jornal para você. Saber tudo o que de mais importante está acontecendo no mundo em meia correria do dia a dia pode ser bem difícil, né? Mas tem um jeito que ajuda muito. Basta ouvir o podcast Panorama CBN para ficar bem informado de forma leve em menos de meia hora, sem precisar tirar as mãos do volante, da esteira ou da louça. São dois episódios diários,

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