Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Encontro com Donald Trump: ‘Melhor dos mundos que Lula poderia esperar’

07 de maio de 202643min
0:00 / 43:08
O presidente Lula afirmou que a reunião com Donald Trump nos Estados Unidos foi positiva e abordou temas considerados estratégicos para o Brasil. Trump, por sua vez, chamou o líder brasileiro de "muito dinâmico" e também considerou a conversa "muito boa". Vera Magalhães analisa que o resultado foi o "melhor dos mundos" do que Lula poderia esperar.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Participantes neste episódio9
C

Carol

HostApresentadora
V

Vera Magalhães

HostJornalista
D

Dario Durigan

ConvidadoMinistro da Fazenda
L

Larissa Lopes

ReporterJornalista
L

Leandro Prazeres

ConvidadoCorrespondente da BBC News Brasil em Washington
M

Márcio Elias Rosa

ConvidadoMinistro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
P

Pedro Popolim

Reporter
S

Samanta Klein

ReporterJornalista
T

Tiago Bronzato

ConvidadoDiretor da sucursal do jornal O Globo em Brasília
Assuntos3
  • Encontro Lula e TrumpReunião na Casa Branca · Compartilhamento de minerais críticos · Combate ao crime organizado · Combate ao narcotráfico · Guerra contra o Irã · Intervenção na Venezuela · Relação comercial Brasil-EUA · Tarifas sobre produtos brasileiros
  • Banco MasterOperação Compliance Zero · Busca e apreensão de Ciro Nogueira · Delação premiada de Daniel Vorcaro · Relação de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro · Investigação de políticos · Financiamento de campanhas eleitorais
  • Royalties do petróleoJulgamento no STF · Pedido de vista de Flávio Dino · Distribuição de verbas · Equilíbrio federativo
Transcrição111 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Viva a voz com Vera Magalhães.

Vera Magalhães, boa noite, tudo bem? Oi, Carol, tudo bem? Boa noite também para você, para a Anadédia, para os ouvintes, para quem nos assiste. Boa noite, Vera. Bom, a gente começa essa edição do Viva Voz falando sobre o encontro do presidente Lula com o presidente americano Donald Trump, um encontro que durou cerca de três horas na Casa Branca. A Samanta Klein já está posta para fazer um resumão de tudo o que foi dito depois da entrevista coletiva do presidente Lula, também dos ministros. Samanta, boa noite para você de novo.

Boa noite. Olha, a entrevista foi bem longa e acho que se equipara quando a gente vai fazer a comparação ali com o encontro deles, que durou cerca de três horas envolvendo almoço e que foi mais longo do que a equipe esperava. Foi aí os relatos que eu recebi.

O presidente Lula afirmou que ficou muito satisfeito com essa reunião. Na coletiva, ele disse que contou ter dito a Trump que o Brasil está aberto para compartilhar o potencial de minerais críticos com investidores interessados no país.

Também falou do projeto que foi aprovado ontem na Câmara dos Deputados. Os dois ainda falaram sobre comércio bilateral e, segundo Lula, conversaram sobre temas considerados tabus, entre eles o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. Já a classificação de facções criminosas e o PIX não entraram nesse debate. Lula afirmou ter proposto ainda a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado.

Não é hegemonia de um país ou de outro que ele é combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos. E o Brasil tem expertise. O Brasil tem uma extraordinária política federal. O Brasil tem uma experiência no combate às drogas, no combate ao tráfico de armas. E também é importante saber que parte das armas que chegam no Brasil saem dos Estados Unidos. E criar um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, a gente pode resolver em anos aquilo que não se resolveu em séculos.

A respeito da guerra contra o Irã e a intervenção na Venezuela, Lula disse que não vai brigar com Trump por conta da visão dele e que não seria uma reunião de três horas com ele que mudaria o jeito de Trump pensar. A respeito ainda de outros temas, como o combate ao crime organizado e a relação entre os dois países, o ministro da Fazenda, Dario Durigan,

detalhou, portanto, uma relação entre as aduanas. Nesta área, há uma troca de dados que, desde maio do ano passado até abril deste ano, resultou na apreensão de meia tonelada de armas e uma tonelada de drogas sintéticas.

Durigan também disse que o próximo passo vai ser a realização de operações conjuntas. Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que ficou acertado nesse encontro, que nos próximos 30 dias haverá uma nova reunião.

técnica para discutir aquela investigação contra o Brasil, que envolve pontos como o PIX, a comercialização de produtos falsificados em centros populares e alegações dos americanos sobre restrições às redes sociais. Lula ainda disse que não se falou sobre PIX, não se tocou no assunto e ainda brincou. Espero que ele um dia venha a fazer um PIX, até porque muitas empresas americanas já fazem. Com vocês.

Obrigada, Samanta Vera, a gente estava falando aqui na abertura do programa, não sei se você concorda, né? O Lula parecia bastante aliviado até nessa entrevista coletiva estava falante, estava sorridente tinha um temor ali de algumas cascas de banana que pelo que a gente viu não aconteceram, né? Não teve aquele aperto de mão estranho

O Trump estava sorridente, alguns assuntos espinhosos, como a questão das facções criminosas não foram tocados, em outros o Lula ganhou tempo, como a questão das tarifas, combinou ali de uma nova conversa daqui a 30 dias. Que balanço você faz aí dessa reunião do que a gente soube, pelo menos, pelo lado do governo brasileiro?

Carol, eu acho que o saldo foi o melhor possível para o Brasil, porque ainda que não tenha havido nada de conclusivo, também não teve nenhum tema que pudesse azedar a conversa. Pelo contrário, as fotos mostram os dois com uma boa interação, sorridentes, e isso tem peso nessas visitas, principalmente num contexto de campanha eleitoral, em que esse tipo de encontro serve mais para a narrativa.

do que para ganhos efetivos do ponto de vista diplomático ou comercial. E não se tratou nos dois, três, eu diria, três assuntos que poderiam azedar de vez a maionese. A questão do PIX, a questão das facções equiparadas a grupos terroristas e nenhuma questão do Jair Bolsonaro. Tanto que o próprio Lula depois fez uma fala nessa mesma coletiva.

dizendo que não vê interferência dos Estados Unidos na eleição, não houve, etc. Então, nem esse tema ideológico da coisa do Ramagem, Eduardo Bolsonaro, nem isso contaminou a reunião. É claro que o Brasil esperava sair de lá com algo mais conclusivo em termos de negociação tarifária. Então, sob esse aspecto, pode ter sido meio frustrante. Mas se você pensar todo o contexto envolvido...

nessa viagem, os riscos que esse encontro trazia, a questão da guerra, que poderia ter sido posta à mesa, o Trump poderia ter cobrado do Brasil uma visão mais alinhada com os Estados Unidos em relação ao Irã.

em relação a Israel, e nada disso aconteceu. Isso seria um problema também em relação à Venezuela, à Cuba. Então, nada que poderia ser divisivo e mostrar as muitas divergências que existem em relação à visão de mundo entre os dois, foi central no encontro. As duas diplomacias pareciam empenhadas em tornar a conversa a mais fluida possível, porque interessa a ambos.

Para o Trump, num momento de uma avaliação muito baixa, uma popularidade muito baixa, criar novas arestas, abrir um novo contencioso com o Brasil, não interessava nem um pouco. A mesma coisa em relação ao Lula, que vive um momento de desafio interno, de recompor a sua governabilidade.

de melhorar a sua avaliação junto a muitos setores do eleitorado brasileiro e, neste momento, diante disso, ser visto como alguém que tem o respeito do presidente dos Estados Unidos, que é um líder conservador barra de direita.

para alguns até de extrema direita, e que consideram o Lula um sujeito apaziguador, dinâmico, como ele disse, isso é sim um trunfo, isso é sim um motivo para respirar aliviado e dar uma entrevista nesse tom que ele deu, de quem surfou no encontro, de quem tirou de letra, nisso o Lula é muito bom.

Quando ele se sai bem nesse trato social barra político, ele sabe tirar proveito disso, ele sabe gerar dividendos. Então, eu acho que nem nos melhores prognósticos do governo brasileiro a coisa teria saído tão acertadinha, tão azeitadinha.

E para saber da reação do lado dos Estados Unidos, a gente ainda vai trazer as informações do Leandro Prazeres, que é correspondente da BBC News Brasil em Washington e já está com a gente. Boa noite. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Nadedja.

Bom, a reação, até onde a gente pôde saber a reação do Donald Trump em relação a esse encontro, foi uma reação considerada pela diplomacia brasileira positiva, mas veio a partir de uma nota bastante sóbria, uma nota em que o presidente Trump classifica o presidente brasileiro como muito dinâmico.

E diz que a reunião transcorreu muito bem e aponta para que novas reuniões sejam agendadas, principalmente para discutir a questão tarifária. Esse foi o principal ponto da pauta brasileira. O governo brasileiro diz que o governo Trump...

aceitou criar um grupo de trabalho para discutir o fim das tarifas aos produtos brasileiros e a nota divulgada pelo próprio Trump na sua rede social aponta para essa convergência de que novas reuniões serão realizadas para discutir esse assunto.

Perfeito. Leandro Prazeres, que é correspondente da BBC News Brasil em Washington, com essas informações, como ele disse, né, Vera? A gente acompanhou realmente essa reação por nota, por rede social, mas continuo aqui com o foco da situação de que realmente só de nenhuma das coisas imprevisíveis, mirabolantes, imprevisível, mas que a gente acaba esperando de Donald Trump acontecer, onde aparece realmente um resultado bem positivo.

Se você pensar, Naded, aqui ele já teve encontros muito constrangedores, como um com o Zelensky, um ano e pouco atrás, e que ele tem adotado um tom muito mais impositivo em relação a parceiros até mais próximos dos Estados Unidos que o Brasil. Então, muitas vezes deu ultimatos na China, ultimatos no Canadá, em várias potências da Europa.

Em relação ao México, que é o vizinho ali próximo e um parceiro muito frequente, então só de não haver essa animosidade e de ambos saírem com o mesmo discurso, o que é importante porque impede que a tropa de choque bolsonarista tente deturpar e tente surfar em cima.

Então, só isso é um monte de gol para o Brasil comemorar. É claro que a questão tarifária é muito importante, mas a gente tem de pôr também isso em perspectiva. O que restou sobre taxação é pouco em relação ao que foi anunciado no primeiro momento. Então, ainda em 2025, o Brasil conseguiu, à custa de uma boa diplomacia, uma diplomacia profissional e de...

uma parceria com o setor privado reverter uma série de tarifas. O que restou é residual em relação ao que havia. É importante reverter. E o anúncio daquele Coringa Grupo de Trabalho soa bem nesse momento. Evita que se saia de lá com um não. Um não seria pior.

se saiu com esse super trunfo do grupo de trabalho. O Lula sugeriu mais ou menos a mesma coisa para discutir a questão do combate às drogas e também à segurança pública no continente, mas não teve nenhum ultimato da Casa Branca. Isso seria muito ruim, porque o presidente não poderia atender, não teria como atender.

principalmente nessa questão do PIX, que é algo absolutamente consolidado no Brasil, consagrado. As pessoas adotaram ninguém, mas outro dia me deram um troco em dinheiro. Eu fiquei quase olhando para aquilo sem saber direito o que fazer. Não tinha carteira na Bolsa para guardar o dinheiro.

Então, o PIX é algo absolutamente introjetado no dia a dia do brasileiro e qualquer sanção que decorresse do PIX levaria a um impasse, porque o governo brasileiro nem tem como retroceder em relação a isso. A mesma coisa...

essa questão das facções criminosas. A gente acabou de aprovar um projeto de lei anti-facções que evitou propositalmente qualquer equiparação com o terrorismo. O governo também teve que camelar para fazer isso, porque tinha uma tentativa da oposição bolsonarista num primeiro momento de fazer essa equiparação. Portanto, qualquer uma dessas coisas levaria a impasses muito desgastantes no plano da diplomacia e a um arranhão de imagem.

no ponto de vista político-eleitoral para o Lula. Então, foi o melhor dos mundos. E essa consonância de avaliação, as fotos ou identes, tudo isso também ajuda a fazer consolidar essa narrativa. Pode trazer aqui repercussão na imprensa internacional. Vários veículos acompanharam essa reunião.

O New York Times cobriu o evento em tempo real, disse que o encontro ocorreu em um clima de trégua frágil, depois de meses de tensão diplomática, marcados pelo tarifácio e com aquelas divergências todas em relação ao Bolsonaro. BBC News também cobriu em tempo real. O canal britânico afirmou que houve surpresa entre os jornalistas que cobrem a Casa Branca, depois do Lula sair da reunião sem participar da tradicional aparição diante das câmeras no Salão Oval, que é algo comum em encontros com líderes estrangeiros. Segundo a emissora...

E ainda não está claro o que isso revela sobre a conversa entre os dois presidentes, embora Trump tenha dito que a reunião ocorreu bem. Chamaram atenção e para esse detalhe.

A Reuters também destacou a falta da coletiva prevista entre os dois presidentes. A reportagem disse que a expectativa brasileira era de bons resultados, mas chamou a atenção da Reuters o fato de todos os dois presidentes não terem falado juntos. Al Jazeera destacou as diferenças ideológicas entre Lula e Trump. Vários veículos. A NBC News também cobriu, relembrou a questão do tarifácio. Então, veja que teve uma repercussão.

importante, né, Vera? É um presidente brasileiro, aqui no Brasil, claro que a grande notícia do dia é esse encontro, para a imprensa americana acaba sendo um tema lateral, mas a gente teve o New York Times cobrindo em tempo real, ou seja, a imprensa americana também estava de olho nesse encontro, até porque o Brasil virou um símbolo dessa fase do tarifácio, é um país que exporta para os Estados Unidos produtos importantes, como o café, como a carne, então a imprensa de lá também estava de olho, né?

Por isso e porque o Trump vive esse momento de auto-questionamento interno, tá às vésperas aí das eleições de meio de mandato muito questionado, então qualquer tratativa dele com os chefes de Estado do mundo inteiro é acompanhada com lupa para verificar essa instabilidade conhecida dele. Tanto que esse ceticismo...

que a imprensa mundial demonstra a partir do encontro, decorre desse fato de que o Trump é um líder com alto grau de instabilidade. Então, fica se tentando ler nas lacunas, nas entrelinhas. No caso do Brasil, haver essas lacunas e não haver nenhum choque de frente é bom. Então, eles estão olhando o copo meio vazio, enquanto a gente está olhando o copo meio cheio.

Mas é isso, o Lula enfrentou derrotas importantes na semana passada, sair de lá com qualquer arranhão de comunicação, com qualquer ruído, seria muito ruim. Agora ele volta ao Brasil como alguém que recebeu um bom aperto de mão, uma boa risada ali, acenos de negociações futuras e um adjetivo positivo. Ele é muito dinâmico, melhor dos mundos do que ele poderia esperar.

Bom, vamos para outro tema importante de hoje, que é a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira, operação de busca e apreensão no âmbito das investigações do caso do Banco Master, operação que está repercutindo muito em Brasília, diante da dimensão do caso do Master e da dimensão do senador Ciro Nogueira nessa história. Larissa Lopes conta para a gente. Oi Larissa, boa noite para você de novo.

Oi, Carol, boa noite para vocês e para todos que nos acompanham. Olha, Carol, e depois das buscas feitas ali contra o senador Ciro Nogueira, críticas vieram do próprio campo da direita e também, claro, da oposição. Além do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro...

O presidente Lula, que também vai disputar a reeleição, ele se manifestou sobre essa nova fase da Operação Compliance Zero. Ele evitou falar muito do assunto, mas disse que espera que todas as pessoas investigadas sejam inocentes.

Você percebe que é difícil falar de uma coisa que eu estou aqui, um ócio que aconteceu no Brasil. Há uma decisão do ministro André Menonça de que houvesse a operação, ela foi feita. A Polícia Federal cumpriu uma decisão judicial. Eu espero que todas as pessoas investigadas sejam inocentes.

Bom, como falamos um pouco mais cedo, Carol, também Flávio Bolsonaro, ele falou sobre isso, ele disse que acompanha com atenção e considera graves as informações divulgadas pela internet.

devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal. A gente lembra que Seru Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro e é um aliado próximo.

Também, Romeu Zema, pré-candidato à presidência pelo Novo, disse que safados recebiam mesadas e viagens de luxo para cobertar as fraudes do Banco Master, uma referência a Ciro Nogueira e a informação da PF de que ele recebia uma mesada de 300 mil reais. E Zema destacou que está claro que muito mais vai aparecer.

Hoje, logo depois das buscas contra o senador, ele se reuniu com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, na residência oficial no Lago Sul, aqui na região nobre de Brasília. E o senador que está em pré-campanha até iria hoje a um evento político no Estado, no Piauí, mas cancelou participação de última hora. Segundo fontes, Ciro e Aliados vão tentar atribuir essa operação a uma perseguição política.

por conta da derrota no Senado de Jorge Messias, indicada ao STF por Lula. E, enquanto isso, aliados do presidente Lula devem tentar aproveitar para colar essa crise à imagem de Bolsonaro. Carol.

Obrigada, Larissa. Delicada a situação do senador Ciro Nogueira depois de todas as revelações da Polícia Federal hoje, né, Vera? Exato, Carol. Falei disso na primeira edição do Viva Voz. A gente vai tratar mais longamente, mais detalhadamente com o Tiago Bronzato logo mais, mas é importante essa fala do Lula, que não tinha havido ainda na minha primeira intervenção.

Quando ele fala, olha, uma coisa normal do ministro André Mendonça, que ele mandou, reforça algo que eu destaquei sem ouvi-lo no CBN Brasil, que nesse momento existe uma certa consonância ocasional.

entre Lula e o ministro do Supremo nomeado pelo Jair Bolsonaro. Os dois estão mirando a mesma coisa, ou seja, a ideia de que o caso Master não é um caso do governo, não é um caso do PT e, portanto, o Supremo que lide com isso é a ideia do Lula.

E a ideia do André Mendonça é ir até o fim, porque ele também ficou muito incomodado com a história de, na semana passada, não aprovarem o Jorge Messias com a alegação de que seria um aliado dele dentro do Supremo. Então, tudo isso é má notícia para a direita e para o Centrão.

Bom, a gente faz uma pausa no noticiário da sua região, depois o repórter CBN, a gente volta já já aqui com Viva Voz, temos falas do ex-ministro Fernando Haddad sobre caso Master e ainda hoje o Thiago Bronzato aqui com a gente.

Mãe, você viu como aumentaram os casos de doenças respiratórias? Vim, filha. E após os 60, o risco de piorar é ainda maior. Nossa, deixa eu até bater na madeira aqui. A prevenção e a vacinação em dia é que reduzem as complicações pra nós e pra quem vive com a gente. Então amanhã, vamos nos informar sobre as vacinas disponíveis e ver o que tá em dia? Ah, vamos sim. Doenças respiratórias. Riscos que não valem a pena. Campanha destinada ao público geral.

Estamos de volta aqui com Viva Voz e a gente segue falando sobre repercussões do caso Master, agora com uma fala do ex-ministro Fernando Haddad, ele falou sobre Master, falou também sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, quem tem os detalhes é o Pedro Popolim, em São Paulo. Oi, Pedro, boa noite.

Boa noite, Carol. Boa noite, Nadé de Ivera. E ao nosso ouvinte, é isso, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, do PT, deu o tom aí do que será explorado pela campanha do presidente Lula para derrotar, em outubro, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, do PL, na disputa ao Planalto. Para desgastar, Flávio, a campanha deverá apostar em mostrar à população quem é o senador.

E, sobretudo, em como ele angariou patrimônios, referindo aí as investigações contra o senador por um suposto envolvimento em casos de rachadinha e compra de imóveis em dinheiro vivo. Vamos ouvir. Eu creio que as pessoas não têm ideia de quem seja o Flávio. Não têm ideia. Então, eu espero que a campanha mostre quem é o personagem. O que ele fez na vida, quantos mandatos ele teve, quantos projetos ele aprovou.

como é que ele angariou esse patrimônio considerável que ele detém, quem são os amigos dele. Outro ponto a ser explorado pela campanha, tanto de Haddad quanto de Lula, é o caso Master. Neste campo, os petistas farão referência às doações recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pelo atual governador Tarcísio de Freitas durante as campanhas de 2022.

Na época, o então presidente, que tentava a reeleição, recebeu 3 milhões de um parente de Daniel Vorcar, o ex-dono do Master, a título de doação. Já Tarcísio, que se tornou governador de São Paulo naquele ano, foi agraciado com 2 milhões.

Haddad também destacou que o presidente Lula não repetirá o populismo barato feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em seu último ano do mandato, com aumento de gastos para disputar a reeleição. A declaração foi uma clara resposta às críticas da oposição sobre um suposto pacote de bondades do governo petista para se manter no Planalto.

Obrigada, Pedro. Certamente esse caso do Banco Master vai ser uma das grandes pautas da próxima eleição, né, Vera? Exatamente, Carol. Todo mundo espera escapar o mais ileso possível e fustigar o seu adversário com esse caso. Mas o grau de imprevisibilidade que ainda existe em relação às próximas etapas é enorme.

A gente vê a delação do Daniel Vorcaro correndo um certo risco. A gente ouviu agora, durante o Repórter CBN, essa informação de que existe um pedido da PF para que ele volte para o presídio. Isso totalmente mostra que eles não gostaram do que ele apresentou.

como primeira versão da sua delação, estão pressionando para que ele apresente mais coisas. O fato que a Malu Gaspar revelou primeiro, de que não constava nesse esboço de delação, essa situação do senador Sino Nogueira, já mostra o quanto ele está querendo acoxambrar e quanta gente ele está querendo poupar na delação. Ele quer só o benefício e não quer entregar nada de relevante.

Então, se já existia uma enorme má vontade no Supremo em relação a essa delação, se ela viesse com coisas realmente substanciosas, agora a tendência é eles dizerem que não vão aceitar a delação. Tudo na expectativa de que ela não chegue também aos próprios ministros do Supremo. Então, são muitos os interesses. Essa história de que o Flávio Bolsonaro ainda não é conhecido, que o Haddad está lançando e que todo petista fala.

ela embute duas fases. Primeiro é mostrar o que já se sabe, em termos de rachadinha, compra de imóveis com dinheiro vivo, etc. E a outra é essa expectativa enorme que existe no petismo de que em algum momento o caso Master vai pegar, entre muitas aspas, o Flávio Bolsonaro, que vai pegar a direita. Principalmente o Flávio por causa da questão do Rio Previdência. Até agora isso não se concretizou.

Mas existe isso que é visto como uma promessa difusa por parte da Polícia Federal. A oposição também acha que a Polícia Federal está mirando nisso e fica tigurica e louca da vida toda vez que o Andrei Rodrigues viaja na comitiva do Lula, como viajou agora para os Estados Unidos.

É um caso que já está no palanque, dos dois lados, de todos os lados, e que vai atingir, a gente não sabe com que magnitude e em que dimensão, políticos de todo o espectro ideológico. Até aqui começou pelo centrão, mas pode caminhar para a direita e para a esquerda indistintamente.

Bom, a gente faz a nossa pausa, voltamos já já com o Tiago Bronsato e vamos seguir falando um pouco mais sobre esse assunto. Ponto final, CBN. A gente está de volta com o Viva Voz e quem está com a gente já na linha é o Tiago Bronsato, diretor da sucursal de Brasília do jornal O Globo. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera, Carol, Nadedi. Boa noite aos ouvintes.

Boa noite. Tiago, a gente amanheceu hoje com essa nova fase da Operação Compliance Zero, que atingiu o primo do Daniel Vorcário e a estrela do dia, que foi o senador Ciro Nogueira. Falei que ele inaugura a fila dos políticos, nesse caso Márcio, algo que já existia uma expectativa há alguns meses.

O que essa operação nos conta sobre a possibilidade da delação do Daniel Vorcaro ser aceita e sobre esse sacolejão aí no mundo político?

Olha, Vera, você tem algum amigo que já pagou para você uma mesada de 300 mil reais, uma hospedagem no hotel em Nova York com diárias de 50 mil reais e liberou um cartão de crédito para você gastar à vontade no final de semana? Não tenho nem amigo, nem parente, nem marido, nada. Estamos querendo, né? É, a gente vai me apresentar.

Eu também não tenho. Talvez a gente não tenha porque a gente não é o Ciro Nogueira, né? Que é essa figura estrelada, como você falou, que mantinha uma relação que ele dizia ser de muita camaradagem com o banqueiro Daniel Vocaro, dona do Banco Master, né?

E você sabe que quando essas investigações do Banco Master começaram a avançar, e começou um burburinho em Brasília, dessa relação estreita entre o Ciro Nogueira e o Daniel Volcaro, eu até cheguei a perguntar para a defesa e para as pessoas próximas do Volcaro se a investigação da Polícia Federal iria bater na porta do senador Ciro Nogueira.

E a resposta, na época, Vera, foi bem taxativa. Me disseram que tinha chance zero disso acontecer, porque não tinha nada contra o senador Ciro Nogueira, e que os dois só nutriam uma bela relação de amizade. Essa confiança da defesa de que o Ciro Nogueira e o vocairo passariam em colume...

em qualquer investigação da Polícia Federal, era tão grande que na proposta de delação premiada feita pelo vocário, ele não incluiu o Ciro Nogueira no rol de pessoas delatadas. Ou seja, ele dizia que não tinha nada delatado do Ciro Nogueira porque tudo era lícito, foi tudo feito de forma muito tranquila e transparente. Só que agora a investigação da Polícia Federal revelou que tinha não só esses...

300 mil reais, que às vezes poderiam chegar até 500 mil reais, como também tinham essas vantagens indevidas, com hospedagem em Nova Iorque, com cartão liberado à vontade para gastar final de semana, e também negócios societários duvidosos. E a contrapartida para esses pagamentos, segundo mostrou a Polícia Federal, era a mão amiga que o Ciro Nogueira estendia para favorecer os negócios do Vocaro nos projetos no Congresso.

E, diante dessa revelação, ficou muito difícil provocar ou convencer os investigadores de que a relação com o Silvio Nogueira era só uma amizade sem fins lucrativos. Amizade sem fins lucrativos é muito bom. Ô, Bronzato, como é que o mundo político se moveu em Brasília depois dessa operação da PF e atingiu o cardeal do Congresso, né? Porque o Silvio Nogueira é um nome muito relevante.

Pois é, Carol, essa operação envolvendo o Ciro Nogueira, ela produziu um abalo imediato aqui em Brasília, porque acabou confirmando uma suspeita que já circulava há um tempo nos bastidores, que o escândalo Master poderia ter uma extensão política muito maior do que algumas pessoas gostariam de admitir.

E diante desse abalo sísmico em Brasília, ocorreram ao menos dois movimentos políticos muito importantes. O primeiro, como de costume, a cúpula política passou a espalhar a versão de que essa operação da PF envolvendo o Ciro Nogueira nada mais era.

do que uma forma de retalhar o Congresso, especialmente depois da votação que rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF. Isso porque o André Mendonça, que é o relator do inquérito do Master no Supremo, teria, segundo essa versão, ficado muito bravo com a derrota do Messias, que ele apoiava, e aí mandou a Polícia Federal investigar o Sr. Nogueira. Só que essa versão...

Ela não se sustenta, é falaciosa, porque a própria PF já tinha avisado o Mendonça que tinha encontrado indícios envolvendo o Silvio Nogueira e que enviaria um relatório com todas as informações que eles levantaram sobre o senador. E o segundo movimento, que também é considerado importante...

foi uma antecipação de uma disputa eleitoral entre governistas e bolsonaristas. Integrantes do governo Lula fizeram questão de lembrar que Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e adotou como estratégia alavancar o discurso de que esse escândalo do Master é, na verdade, um escândalo do Bolso Master, que é uma estratégia que deve ser bastante explorada daqui em diante até as eleições.

Já o pré-candidato Flávio Bolsonaro, ele fez questão de dizer numa nota que ele divulgou publicamente que as denúncias contra o torcedor Nogueira são muito graves e ele até estendeu elogios ali à operação autorizada pelo ministro André Mendonça. Seja de um jeito ou de outro, uma coisa ficou clara. Carol, todo mundo está tratando o escândalo Banco Master com uma batata quente e ninguém quer se queimar nessa história.

E agora, Tiago, quais devem ser os próximos passos da investigação do caso Master? Olha, na verdade, a operação contra o Ciro Nogueira...

ela resolve, pelo menos por enquanto, uma dúvida muito importante, se o caso Master deveria continuar no Supremo ou não. Até então havia um incômodo ali nos bastidores, porque não tinha aparecido uma figura com foro privilegiado, que justificaria o caso continuar no Supremo Tribunal Federal. Isso era especialmente sensível, porque o ministro André Mendonça, em outros julgamentos, defendeu que casos sem autoridades com prerrogativa de foro deveriam tramitar na primeira instância.

Agora, com o senador no centro das investigações, o jogo muda para todo mundo. Para a Polícia Federal...

Fica muito clara a mensagem de que se houver indícios de crimes, qualquer figura poderosa da política pode entrar na mira da investigação. Provocar significa que a delação vai ser examinada por um ministro que é muito rigoroso e que já avisou que não pretende homologar nada automaticamente. E para o mundo político, como ficou claro hoje,

a gente fica essa percepção de que outras medidas contra normas graúdos de Brasília podem vir no decorrer das investigações. E nesse sentido, a Polícia Federal já tem mapeado todas as mensagens que o Volcaro mencionou supostos pagamentos para figuras políticas, especialmente aquelas mensagens que ele trocava com o cunhado dele, o Fabiano Zettel.

E aí a Polícia Federal está fazendo o que agora? Está começando a mapear o caminho desse dinheiro. E a ideia é verificar se esses diálogos sobre supostos pagamentos correspondem também ao dinheiro efetivamente transferido, seja de forma direta ou por meio de intermediários.

E a Polícia Federal estava esperando, para iniciar outras frentes de investigações, que a delação do Vocar pudesse esclarecer o caminho do dinheiro. Mas como a delação entregou menos, que os delegados já sabem, então ela provavelmente corre o risco de ser descartada.

E a Polícia Federal avançar ali com todas as informações que ela já tem, principalmente no que diz respeito a investimentos do Master feito por meio de fundos de previdências do Estado. E a pergunta agora, Naded, não é mais se o caso Master vai atingir a classe política. A pergunta é até onde essa trilha vai chegar.

O Tiago, na semana passada, depois da derrota do Messias, que teve também um dedo de alguns ministros do Supremo e uma tentativa de fazer uma contenção do caso Master, já se dizia que isso poderia levar o ministro André a ir adiante. Com a facilidade com que ele decretou medidas ali em relação a um ex-colega de ministério, os dois foram ministros juntos.

E ali o grau de informações, detalhamento em relação ao ministro Ciro Nogueira, que ele tornou público, tirou, nem deixou sobre sigilo, eu imagino que esse pavor em relação à independência, entre aspas, dele, em relação ao bolsonarismo deve ter crescido na oposição.

Exatamente, e isso inclusive fez o próprio Flávio Bolsonaro estender esses elogios a André Mendonça, ressaltando a independência que ele tem para poder investigar. E com isso, o ministro André Mendonça reafirma que ele está disposto a investigar, seja quem for, seja figura expoente do Centrão, como você bem disse que foi, colega dele.

de governo por um dia ali, mas que tinha uma relação de proximidade e afinidade política, ou também figuras centrais na investigação, como os próprios dirigentes partidários que estão para entrar na mira dessas investigações, ou mesmo figuras de ministro supremo, que pode gerar um constrangimento maior para a corte.

É isso, ser colega não vai isentar ninguém. E muitas coisas constrangedoras que havia ali, né? Coisa de, ah, pode liberar o cartão para ele até no sábado, o primo do Vorcaro pergunta em relação ao senador Ciro Nogueira. Essa coisa de pode baixar de 500 para 300. A outra coisa ali do pagamento de passagem, então, ficou muito exposto.

É, e é uma história até bizarra, tão bizarra, né, velho? É que até fugir da Polícia Federal com um carrinho de golfe apareceu nessa investigação, né? Essa é a melhor história, gente. Eu fiquei imaginando a cena, aquela fuga, assim. É, não, essa história... Só mostrou que o caso Mastra ainda vai render bastante, né? Essa aí nem seria no americano, poderia replicar. É isso, Thiago Bronsato com a gente todas as terças e quintas. Obrigada por hoje, Thiago.

Obrigado, uma boa noite, pessoal. Tchau, tchau. Valeu. Agora são 6h56 e a gente ainda tem tempo para mais um assunto do Rio de Janeiro. Diogo Bugalho segue acompanhando a discussão no Supremo sobre os royalties do petróleo. Boa noite.

Boa noite, Nadeja. Boa noite a todos. O ministro Flávio Dino, segundo a votar nesse julgamento no STF, pediu vista e interrompeu a análise do caso. Lembrando que esse tema já estava parado na corte há 13 anos e voltou à pauta nessa quarta-feira. Antes de Dino, a única a votar foi a relatora, a ministra Carmen Lúcia, que votou por manter a distribuição da verba como ela está no momento.

Carmen Lúcia falou por mais de uma hora e meia, argumentando que a distribuição atual foi desenhada pela Constituição e contribui para o equilíbrio federativo.

Eu tenho para mim que o artigo 3º da Constituição não pode ser entendido, não pode ser interpretado como uma distribuição obrigatória, igualitária e exata dos recursos, incluídos os recursos naturais nacionais, notadamente pela peculiaridade dos entes confrontantes que sofrem ônus, ônus ambientais, ônus administrativos, ônus financeiros.

das populações na exploração destes recursos. Nesse sentido, o texto originário da Constituição, como destacado, criou para mim um verdadeiro sistema de equilíbrio federativo quanto aos recursos advindos da exploração de petróleo e gás natural.

No pedido de vista, Dino argumentou que muitas coisas mudaram na legislação nos últimos 13 anos e que por isso seria preciso mais tempo para analisar a questão dos royalties no contexto atual. Uma eventual redistribuição poderia tirar bilhões de estados produtores e o Rio, que é o maior produtor de petróleo no país, perderia cerca de 21 bilhões anuais na dédia.

Obrigada, Diogo Bugalho, como ele disse, né, Vera? 13 anos esperando uma solução para o assunto, agora esperar mais um pouquinho com esse pedido de vista, né? O ministro Flávio Dino vai assim colecionando pedidos de vista que interessam ao Estado do Rio, né? Não vamos esquecer que ele está com a ação que trata da eleição direta ou indireta.

para preencher a vacância no governo do Rio, também pedido à vista no gabinete dele. Então, essa coisa de você, quando tem uma controvérsia, simplesmente parar, pegar a bola, tirar de campo e não devolver nunca.

vai criando uma insegurança jurídica em temas relevantes. Os dois temas são muito centrais para o estado do Rio de Janeiro e o STF já teria condições de resolver. Esse, como você disse, se arrasta há mais de uma década.

E o outro tem decisões similares, atingindo Roraima e Amazonas. Portanto, tem aí já elementos para se tomar uma decisão. É ruim que o Supremo fique postergando se manifestar sobre assuntos que são cruciais e que têm urgência.

Vera Magalhães, ficamos por aqui, né? Boa noite para você. Até amanhã. Ficamos por aqui. Amanhã a gente faz um resuminho da semana e dá conta do que tiver de novo também. Até lá.

Encontro com Donald Trump: ‘Melhor dos mundos que Lula poderia esperar’ | Castnews Index — Castnews Index