Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Governo busca alternativas para conter crise de popularidade

04 de maio de 20268min
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O presidente Lula lançou o Desenrola 2 e defendeu o fim da escala 6x1 no pronunciamento do Dia do Trabalhador, em uma tentativa de reforçar a agenda social e recuperar popularidade, mas, segundo Vera Magalhães, o governo enfrenta uma fase de dificuldades políticas.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Críticas ao Governo LulaDificuldades políticas e de popularidade · Empate em simulações de segundo turno · Derrotas no Congresso (Supremo e dosimetria) · Discurso anti-sistema de Lula
  • PEC da Escala 6x1Lançamento do novo Desenrola Brasil · Defesa do fim da escala 6x1 · Apoio a devedores de baixa renda · Disputa de paternidade das medidas
  • Eficiência de Políticas PúblicasPrimeiro Desenrola e endividamento recorrente · Medidas eleitorais dependentes do Congresso · Gatilhos para evitar novo endividamento · Reforma do imposto de renda e gás mais barato
  • Politicas PublicasQuebra de expectativa com imposto de renda · Diferença entre conhecimento e benefício percebido · Efeito a longo prazo vs. percepção imediata
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Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você, para a Cássia, para os ouvintes, também para quem nos assiste. Boa tarde, Vera.

Bom, Vera, nosso assunto, o presidente Lula lançou hoje, fez um discurso de lançamento hoje do Desenrola 2, oficialmente o novo Desenrola Brasil, e fez o pronunciamento no 1º de maio, pregando o fim da escala 6x1. No caso, por exemplo, do Desenrola, de fato, há uma necessidade de se fazer alguma política de apoio aos devedores, que são principalmente as pessoas entre 1 e 3 salários mínimos.

Mas, de todo modo, todo o projeto, toda a movimentação do governo tem um conteúdo claramente eleitoral.

É, o governo está tentando tudo o que consegue regimentar e abarcar para sair dessa maré braba que ele se encontra, né, Sardenberg? Uma maré braba de popularidade, a questão das intenções de voto do Lula também, apesar dele liderar no primeiro e no segundo turno, ele já vive uma situação de empate com qualquer um da oposição que chega ao segundo turno contra ele, de acordo com os últimos levantamentos, e na política, aí sim uma situação mais complicada,

cujo ápice foi na semana passada, com duas derrotas em dias consecutivos para assuntos bem importantes, a indicação do Jorge Messias ao Supremo e a derrubada do veto da dosimetria. Então o governo e o Lula, enquanto tentam uma reação ainda muito incerta no campo político, tentam, pelo menos na base do discurso e da narrativa,

reconquistar uma parcela da sociedade, também com êxito ainda muito duvidoso. Por quê? Porque o primeiro desenrola, embora tenha sido efetivo no primeiro momento, ele não conseguiu impedir que as pessoas voltassem a contrair dívidas e as famílias ficassem numa situação muito complicada nesse aspecto do endividamento.

E porque os outros assuntos escolhidos para serem bandeiras eleitorais dependem de novo do Congresso, como é a questão da escala 6x1, e mesmo que passem, a paternidade da ideia vai ser discutida ali, vai ser sujeita a um teste de DNA, porque o governo mandou só na semana retrasada o seu projeto para o Congresso, e o Congresso já discutia duas propostas de emenda à Constituição a respeito desse assunto, que são de autoria de parlamentares.

Então também essa questão da paternidade muito difusa. O discurso do presidente no 1º de maio trouxe ali um aspecto muito relevante. O Lula faz um longo discurso, enumera aquilo que ele fez ou está tentando fazer para aqueles mais desassistidos e aí diz que, atenção, o sistema tem impedido que ele tenha êxito no seu governo.

para alguém que é presidente da República pela terceira vez, algo inédito aí na democracia brasileira, já disputou outras tantas eleições, elegeu sua sucessora, falar em sistema e fazer um discurso anti-sistema, a gente nota que realmente tem um certo desespero aí tentando encaixar qualquer discurso para explicar essa maré baixa. Então, me chamou muito a atenção.

o fato do presidente ter recorrido a essa coisa tão manjada como fazer um discurso antissistema, se colocando como alguém que luta contra o sistema, quando na verdade o que ele carece, está carecendo nesse momento, é de aprovação popular e de apoio congressual, que são duas condições básicas da democracia.

Não é que o sistema esteja jogando contra ele, é que em qualquer democracia, um governante pratezo precisa de apoio congressual e apoio eleitoral, apoio das ruas. E nesse momento, as duas coisas estão faltando para o presidente.

E a dificuldade dele recuperar alguns pontos de popularidade decorre do fato de que essas medidas que ele está tomando, primeiro, não são novas. Segundo, tem uma disputa de paternidade. O Congresso está dizendo que vai aprovar a sua versão da escala de trabalho.

Então fica bastante difícil que o Lula suma a paternidade dessas medidas. Enquanto o desenrola, o pessoal acha que não é mais que obrigação.

Exato, tem essa questão de que a pessoa parece que contrai a dívida já esperando o próximo, desenrola, tem uma série de gatilhos que o governo colocou lá para impedir, por exemplo, que a pessoa volte a se endividar com jogos, que me parecem um pouco ali para inglês ver, porque se você quiser burlar é fácil, ele fala que você vai ficar bloqueado por um ano ou dois em todas as plataformas, mas a gente sabe que essas plataformas...

surgem em base quase diária, muitas delas ilegais, muitas delas não controladas pelo governo ou pelo sistema bancário, então me parece um pouco enxugar gelo. E no pronunciamento longo, aliás, de 1º de maio, Lula faz menção a várias outras coisas que ele já implementou.

A questão da reforma do imposto de renda, a questão do gás mais barato, do programa de energia mais barata. E cada uma e todas essas medidas, por mais corretas e meritórias que tenham sido, não foram suficientes.

para devolver a ele a popularidade perdida. Então, me parece que ele está um pouco andando em círculos e realmente sem saber como sair desse momento em que, por mais que a economia vá bem, por mais que alguns índices como o de desemprego sejam bons, ele não consegue ter uma popularidade como já teve no passado.

nem chegar competitivo à eleição, como já foi em outros pleitos que ele mesmo disputou. Em relação a essa questão do imposto de renda, da isenção para quem ganha até R$ 5 mil, havia uma grande expectativa de ganho de popularidade com essa medida, o que até agora não se refletiu, por exemplo, nas pesquisas, né, Vera?

É, houve uma quebra de expectativa muito nítida nas pesquisas, porque até o ano passado, quando você fazia uma pergunta sobre isso nas pesquisas, o índice dos que esperavam se beneficiar e que elogiavam a medida sempre passava da casa dos 70%.

E agora, embora a medida continue sendo conhecida, você consiga medir isso nas pesquisas, quando você pergunta se a pessoa efetivamente se beneficiou, esse índice cai enormemente. Então, é realmente um caso de uma política pública.

que não teve aquele efeito imaginado, pelo menos na percepção das pessoas. Pode até ser que ela venha a ser efetiva em um ou dois anos depois da sua aplicação, mas para efeitos de percepção das pessoas de que a vida delas melhorou graças a uma política do governo Lula, isso não aconteceu, não se realizou, Cássio.

Vera Magalhães, obrigado Vera. Seguimos amanhã aqui no CBN Brasil e logo mais você estará no ponto final com Débora Freitas e Carolina Moran. Obrigado Vera. Obrigada a vocês, um ótimo jornal para vocês. Até mais.