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Vera Magalhães sobre derrota de Messias no Senado: 'humilhação pública'

29 de abril de 20268min
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A indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada em votação no plenário. Ao total, foram 34 votos favoráveis e 42 contrários. É a primeira vez que isso acontece desde 1894, época da Velha República. Vera Magalhães analisa.

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Participantes neste episódio2
S

Sérgio Dembele

Host
V

Vera Magalhães

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Indicação Jorge Messias STFRejeição ao STF · Consequências para o governo Lula · Campanha eleitoral antecipada · Falta de base no Congresso
  • Eleições e PolíticaArticulação da oposição · Narrativa eleitoral · Crise no governo
Transcrição22 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Vera Magalhães, já está aqui com a gente, Vera. Dissemos que talvez precisássemos te acionar e precisamos, né? E agora, o que vai acontecer? Bom, aquele sorrisinho do Davi Alcolumbre, tanta brincadeirinha, posso abrir a votação, posso não abrir, etc.

estava com uma cara bem estranha, né, Débora? O fato dele não receber o Jorge Messias, não receber as lideranças do governo, que eu também relatei no Viva Voz, tudo isso já prenunciava um cenário ali de armação de uma derrota para o governo.

E aconteceu, ele teve 42 votos pela rejeição ao seu nome, é algo sem precedentes na República Nova. A última vez, você lembrou bem, que um presidente tinha tido uma indicação sua rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal. Aconteceu lá atrás, no Floriano Peixoto.

Ele só conseguiu 34 votos, 7 a menos do que o mínimo necessário. Mesmo os cenários da oposição que eu colhia diziam que ele poderia ter de 37 a 39 votos, então foi menos ainda que isso, num sinal de que a sabatina dele pode ter atrapalhado as suas chances em vez de, sei lá, a sua vitória.

E agora a gente tem essa derrota acachapante, humilhante. Todos os adjetivos que você buscar no coroário da língua portuguesa para dizer o que isso significa, eles são cabíveis. A gente está no processo de campanha eleitoral antecipada já, em que o governo passa um terrengue, passa um sufoco em termos de aprovação.

e também de intenção de voto do presidente Lula, que a gente começa a enxergar nas ruas uma dúvida até sobre a capacidade e a possibilidade de Lula vir a ser candidato a mais um mandato.

E agora essa derrota que mostra uma falta absoluta de base no Congresso, isso vai certamente alimentar especulações dessa natureza, de um término prematuro do governo, um governo que termina de véspera, e as dúvidas a respeito da viabilidade de uma nova candidatura do presidente Lula. Para você ter uma ideia da gravidade do que a gente assistiu agora,

as lideranças estavam fazendo um voo cego nessa votação, numa votação que é de vida ou morte. Você não pode fazer voo cego sem aparelhos.

sem comunicação com a Torre, e nesse caso a Torre é o presidente do Senado. Se você não conseguiu falar com o presidente do Senado no dia de uma votação dessa, tem que no mínimo ligar um sinal amarelo, mas todo mundo seguiu com o baile, seguiu com o barco e sujeitou o presidente a uma derrota humilhante dessa.

Se você não consegue ser atendido, você fala, olha, tem alguma coisa errada aqui. No mínimo, você aborta o povo, você dá uma arremetida. Mas nem isso eles fizeram, acreditaram que passaria por uma margem pequena. Eu fiquei controlando isso durante o Viva Voz, falei com dois líderes.

que disseram, não, vamos votar. Até assessores que dificilmente erram uma votação, assessores de liderança, não, vai aprovar, vai aprovar, o MDB e o PSD estão entregando os votos nas votações anteriores, e isso é sinal que está tudo certo. E eu falei no ar, o ouvinte que está com a gente desde o início da jornada, há de resgatar as minhas palavras. Falei, essas votações não dizem nada a respeito da votação do Jorge Messias, é uma outra votação.

E aí quando a gente vê imagens ali, né, Davi Alcolumbre ao lado do Ciro Nogueira, a oposição ali toda felizinha antes da votação, a gente já vê que alguma coisa estava sendo articulada.

muito ruim para o governo, muito ruim também para a ala do Supremo Tribunal Federal, que apoiou essa indicação. Cristiano Zanin foi um dos que fizeram ali todo o pé, ele foi ao lado do Jorge Messias. E agora a gente vai ver como que o Lula vai fazer, se ele vai indicar alguém até a eleição, correndo o risco de sofrer outra derrota, ou se ele vai deixar para indicar esse ministro depois.

da eleição, podendo correr o risco de ser uma indicação, depois dele até sofrer uma derrota nas urnas. Muito, muito complexo esse cenário.

Até porque o que parece, né, velho, é que qualquer nome que venha do governo deve ter um destino semelhante, né? A gente estava falando aqui antes de você entrar, que o Messias hoje na sabatina falou tudo que a oposição queria ouvir, disse que era contra aborto, criticou o inquérito das fake news e mesmo assim teve essa derrota caixapante. Talvez seja menos sobre o nome do indicado e seu desempenho na sabatina e mais sobre esse recado ao governo mesmo, né?

Exato, é um recado de que o governo não lidera, não comanda o Legislativo, não tem base, não tem base. Amanhã vai ser outra derrota grave, Carol, um tema importante, porque vão derrubar um veto do Lula numa coisa que favorece diretamente o Jair Bolsonaro.

O candidato adversário do Lula, não nos esqueçamos, é o filho do Bolsonaro, é um senador da República que teve voto hoje, votou, ajudou a derrotar o Lula. Tudo isso tem leitura como prognóstico e como um prenúncio eleitoral, não tenha dúvida que as relações...

Elas vão ser feitas e elas existem, porque por mais que o Flávio Bolsonaro não seja um grande articulação, na verdade o Rogério Marinho é um articulador mais consistente do que ele e articulou mais diretamente, o PL, a direita, vai tentar colocar o Flávio Bolsonaro nessa vitrine.

como sendo aquele que derrotou o Lula. Tudo isso vai ter narrativa eleitoral, aquele vídeo do Nicolas. Então não é só recado, isso daí é humilhação pública, é derrota ali...

com direito ao seu principal adversário eleitoral tripudiar em cima de você. Então é muito grave. Eu falei na minha coluna no Globo que era a questão de vencer ou vencer e perder. Então agora é crise, crise sem precedentes. A crise escala muito fortemente, muito rapidamente, e a gente não sabe o que pode acontecer de agora em diante.

Vera, rapidamente, aqui a gente está em cima do repórter CBN, mas o Alex diz, se for o Pacheco, o Pacheco passa. Mas agora o Lula também não indicaria o Rodrigo Pacheco, né? Eu não sei. Pode ser a única saída que ele tem. Pode ser que o Davi Alcolumbre e o Rodrigo Pacheco tenham emparedado o presidente. O que é pior, ceder a uma chantagem explícita, só passa se for o meu, ou você nem sequer chegar a indicar.

o ministro. Eu não sei, sinceramente. Fizeram o presidente entrar numa arafuca tão grande que ele pode se ver levado a, obrigatoriamente, indicar o Rodrigo Pacheco sob pena de sofrer qualquer outra derrota. Pode ser desse grau a humilhação. Vera, obrigada mais uma vez por ter voltado aqui para repercutir esse tema com a gente. Até. Obrigada, meninas. Bom jornal para vocês. Tchau, tchau.

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