Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Falta de articulação política aprofunda isolamento de Lula

10 de abril de 20268min
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Vera Magalhães avalia que desgaste do governo cresce com reforma ministerial, falta de articulação e dificuldade de diálogo com o centro. Ela explica como o cenário que pode impactar a reeleição de Lula. Ouça.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
V

Vera Magalhães

ConvidadoJornalista
Assuntos1
  • Contexto político de Lulareforma ministerial · articulação política · diálogo com o centro · Guilherme Boulos · combate às desigualdades · votação do nome do Jorge Messias · votação dos vetos · escala 6x1 · avaliação de Lula
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Viva a voz, com Vera Magalhães. E aí, Vera? Oi, Sardenberg, boa tarde pra você e pra Marcela, pros ouvintes, também pra quem assiste vocês. Boa tarde, Vera. O Vera, o nosso assunto é o tema da sua coluna que está no Jornal Globo de hoje, que é o isolamento de Lula há seis meses da eleição. Como é que a gente mede esse isolamento, Vera?

Olha, Sertemberg, com a reforma ministerial que foi necessária para que aqueles que vão ser candidatos se desincompatibilizassem, o Palácio ficou ainda menos relevante na articulação política e com menos pessoas ali...

que são conselheiros próximos do presidente, que podem justamente dar a ele o termômetro do que está acontecendo na rua e no Congresso. Então, hoje em dia, uma das pessoas mais próximas a ele é o ministro Guilherme Boulos.

Tem pouco tempo de experiência no executivo, ele entrou do meio para o fim do ano passado e é uma voz, a gente sabe, uma das vozes mais influentes da esquerda, esquerda e estrito senso. Não dá para falar em centro-esquerda, se tratando do bolso. E o aconselhamento todo que ele tem dado tem sido na linha do Lula intensificar.

esse discurso voltado para os mais pobres, voltado para falar no combate às desigualdades, desigualdade na questão tributária, na questão da renda, etc. Acontece que o Lula precisaria voltar a dialogar com o centro, com as forças produtivas, e ele não está conseguindo êxito nisso e o isolamento é muito notável, inclusive entre aliados.

do presidente. Toda semana, todo mês tem um almoço em São Paulo que reúne alguns petistas ilustres, reúne convidados, organizado pela ex-prefeita Marta Suplicy, por outros políticos.

É sempre falado nesses eventos sobre o quanto o presidente não está conversando, não está dialogando. Ontem a gente falou aqui no nosso quadro sobre dois eventos do Congresso que se avizinhavam. A votação do nome do Jorge Messias para o Supremo e a votação dos vetos. Logo depois do nosso quadro, as duas votações foram marcadas. Elas vão acontecer em dias consecutivos.

E o governo, se não tomar muito cuidado e não retomar essa articulação que está tão deficitária, corre risco nas duas. Uma é uma derrota já computada, que é a dos vetos, e a questão do Messias não está totalmente equacionada. Então, esse isolamento se mostra nesses momentos. A questão da escala 6x1 é um outro exemplo.

O governo passou a semana inteira, já está há meses, na verdade, de dizer... Opa! Caiu a comunicação com a Vera Magalhães, ela estava dizendo que o governo passou a semana inteira dizendo que ia apresentar um projeto de lei sobre a escala 6x1, para eliminação da escala 6x1. E agora voltou a Vera?

Voltei. Para o ouvinte entender o que acontece nesses momentos, a gente fala por meio de um programa que é no celular. E aí, às vezes, quando uma fonte liga, ela derruba a gente. Então, peço desculpa para os nossos ouvintes por isso. E essa fonte que te ligou tinha alguma coisa nova?

Eu já ia perguntar... Não atendi, Sardenberg, que você tem prioridade. Você e a Marcela têm prioridade. Depois eu ligo. E nesse caso era uma fonte mesmo. Não era aclaro e nem nada. Bom, então você estava dizendo que o governo passou a semana falando no PL da dosimetria.

que ia mandar uma proposta para acabar com a escala 6x1. Exato, exato. Confundiu. Perda da pedimetria é o que o presidente Lula vetou e o veto será examinado no dia 30 de abril. Não é isso?

E esse daí é uma derrota já dada como certa, 30 de abril, exato. Aí a questão da escala 6x1, que já está correndo há muito tempo na Câmara, o presidente da Câmara falou, não, o governo desistiu de mandar o projeto.

No dia seguinte o ministro Guilherme Bolsonaro, não, não, nós não desistimos, nós vamos mandar o projeto. Então quer dizer, não está tendo diálogo nenhum ali, é um canal que está interditado. E aí o Hugo Mota se irritou e falou, pode até mandar o projeto, mas o que a gente vai tratar é o que já está tramitando aqui. Então muitos canais obstruídos com a sociedade e com o parlamento, e isso há seis meses de uma eleição para a qual o Lula chega muito mal avaliado.

e sem muito caminho para reverter essa baixa avaliação. Ele já fez milagres em outras eleições. Na de 2006, por exemplo, todo mundo achava que ia ser muito difícil, porque tinha o escândalo do Mensalão, tinha o escândalo dos aloprados, e ainda assim ele ganhou a eleição. Mas ali tinha uma conjuntura econômica bem mais favorável que a de hoje. E o Lula tinha mais conselheiros, ele não estava tão isolado quanto está hoje. Hoje ele está ali.

muito pendendo para a esquerda, quando o mapa eleitoral do Brasil mostra um país que andou para a direita desde os governos anteriores dele e sem nenhuma perspectiva de retomar o contato com esses setores, setor de mercado financeiro, setor de pequenos empreendedores, a questão do agronegócio que tem uma dissociação absoluta, enfim, um quadro bem mais complexo.

do que em eleições anteriores que ele disputou. Então, e ele tem feito discursos já em ritmo de campanha, atacando exatamente esses setores que você citou, né? E indo para a esquerda, portanto, indo para a esquerda e tal. Seria o quê? Uma tática do momento? Enfim, como é que se avalia isso?

Eles estavam dispostos a levar adiante esse discurso, explicitar esse discurso que o Lula governa para os mais pobres, que o Lula governa para quem precisa, que ele promove justiça tributária, mas na ponta do lápis.

Isso não é suficiente para ganhar a eleição, ele só ganhou a eleição, para ganhar a eleição você precisa fazer 50% dos votos válidos mais um. Isso só foi possível mesmo assim no olho mecânico em 2022, quando ele atraiu o centro, os liberais, aqueles economistas do plano real, enfim, ele conseguiu ali uma coalizão de última hora contra o bolsonarismo.

que agora a gente não enxerga se repetir. Nesses setores, uma parte está torcendo ali para que o caiado engrele, e uma outra parte vai acabar denindo o Flávio Bolsonaro. Então, ou ele retoma algum diálogo e quebra esse isolamento com esses setores, ou a conta não fecha. Só com os beneficiários de programas sociais a conta não fecha. Tá certo.

Vera Magalhães, obrigado Vera. Até logo mais do ponto final e aqui por conta do CBN Brasil, até a semana que vem. Até segunda-feira. Um ótimo fim de semana para vocês. Muito obrigado Vera. Obrigada, Vera.

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