Episódios de Vera Magalhães - Viva Voz

Com anúncios 'a conta-gotas', pacote do governo para conter preços pode ter efeito limitado

06 de abril de 202646min
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A gestão federal anunciou medidas de subvenção para diesel, importação de gás de cozinha e linhas de crédito no setor aéreo. Mas, para Vera Magalhães, ações pontuais diluem responsabilidades, têm efeito incerto sobre a inflação e podem não gerar retorno político ao governo.

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Participantes neste episódio4
V

Vera Magalhães

HostJornalista
E

Eduardo Graça

ConvidadoJornalista
L

Larissa Lopes

ConvidadoJornalista
S

Samanta Klein

ConvidadoJornalista
Assuntos5
  • Medidas governamentais de mitigaçãoSubvenção para diesel · Isenção de impostos sobre gás de cozinha · Linhas de crédito para setor aéreo · Impacto inflacionário
  • PEC 6x1Redução da jornada de trabalho · Fim da escala 6x1
  • Guerra no Oriente MédioAmeaças de Donald Trump ao Irã · Impacto da guerra nos preços
  • Bondades governamentais em ano eleitoralImpacto das medidas na popularidade · Expectativas eleitorais
  • Crime OrganizadoProrrogação da CPI · Depoimentos importantes
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Viva a voz, com Vera Magalhães. Vera Magalhães, muito boa noite, tudo bem? Oi, Débora, tudo bem? Boa noite, boa noite também pra Carol, boa semana pra todo mundo que nos ouve, nos assiste. Oi, Vera, boa noite, bem-vinda. Isso aí, semana começando e nós vamos já pra Brasília, porque a Samanta Klein tem mais detalhes sobre a PEC 6x1.

o rito da discussão desse assunto. Oi, Samanta, boa noite novamente. Oi, Débora Vera, Carol, boa noite. Olha, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Leur Lomanto Júnior, disse hoje que a eventual apresentação de um projeto do Executivo sobre o fim da escala 6x1 não vai alterar o andamento da PEC que trata desse tema.

Por mensagem, o que ele me disse? Que seguirá o mesmo trâmite. Ele também confirmou que o calendário de audiência sobre o tema está mantido. Inclusive, vale ressaltar que amanhã está prevista uma sessão sobre o fim da escala 6x1 com integrantes das Confederações do Transporte, Indústria, Agricultura, Além de Comércio e Serviços.

destacando que a PEC propõe a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. Lembrando que é uma pauta de grande apelo popular, mas que, claro, tem aí enfrentado resistências do setor produtivo. Já o governo, por sua vez, pretende acelerar a tramitação...

do tema no Congresso Nacional, com o envio de um projeto de lei em urgência constitucional sobre também o fim dessa escala e a redução da carga de trabalho para 40 horas semanais. Com vocês. Obrigada, Samanta, pelas informações. Bem, Vera, enfim, essa é uma pauta.

É importante para o governo, é importante para a boa parte dos parlamentares. E quando o governo faz um projeto próprio, sendo que já tinha um projeto em discussão, o que isso pode impactar?

É, o presidente da Câmara, Hugo Mota, estava meio mal-humorado com essa ideia do governo. E é uma ideia que já vem durante várias semanas, mas até aqui não se tem o projeto. O governo não sinaliza se vai mandar...

via Ministério do Trabalho, se vai mandar pelo palácio do Planalto, por meio da secretaria ocupada pelo ministro Guilherme Boulos, que também está tratando desses assuntos. Enfim, muita desorganização para quem está dizendo que considera esse um assunto prioritário.

O presidente da Câmara quer dar prioridade à PEC para aquela coisa de mostrar uma proatividade da Câmara num assunto que tem um grande impacto eleitoral, que tem ali uma influência na vida de milhões de pessoas.

e que marcaria, portanto, uma nova fase da passagem dele pela presidência da Câmara, que até aqui está sendo caracterizada por muito conflito, por muito assunto corporativo, ou seja, assunto que interessa apenas aos deputados e pouca entrega para a sociedade.

Então é por isso que ele quer dar muita prioridade a esse assunto. Mas o governo hoje ainda, eu falei com fontes do governo que confirmaram que vai um projeto. Falei, quando vai o projeto? Ah, não se sabe se é ainda essa semana, porque tem que passar ainda pela Casa Civil e pelo presidente Lula.

Vai ser mandado via Ministério do Trabalho ou vai ser mandado via Secretaria-Geral da Presidência? Também não se sabe. Então ainda muitas dúvidas e essa semana na Câmara tem essa agenda aí que a semana trouxe, uma série de audiências públicas na CCJ, depois tem a tramitação da PEC na Comissão Especial que trata do assunto. Então a Câmara já está adiantada com o tema.

vai ter que segurar a onda e esperar caso o governo resolva atravessar um projeto com urgência constitucional.

Agora, Vera, não tinha um consenso dentro do próprio governo, porque recentemente o ministro de Trabalho, Luiz Marinho, disse que não via necessidade de uma nova proposta nesse momento. Então, acho que é uma coisa que está meio confusa. O Marinho, historicamente, ele é contra a ideia de você mexer na história da escala 6x1. Principalmente colocar dentro da Constituição uma definição sobre a escala de trabalho. Por quê? Porque isso vai diminuir o poder de negociação dos sindicatos.

sindicatos perdem ali autonomia para fazer as suas próprias negociações e para que essas negociações prevaleçam sobre o legislado, para que o acordado prevaleça sobre o legislado. E aí ele foi mudando de posição à medida que essa discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1...

ganhou corpo na Câmara, ganhou corpo nas redes sociais, e aí o próprio ministro foi aderindo a essa ideia, porque o presidente também entendeu que essa era uma proposta que seria bom o governo encampar. Então, não é que ele era um entusiasta da medida desde o início, que ele, as centrais sindicais...

sempre defenderam e continuam defendendo, é a redução da jornada. É diferente a redução da jornada total de trabalho e mexer na escala. Se você reduz a jornada e diz que ela passa a ser de, no máximo, 48, não, 40, 38, 36 horas, aí tem várias propostas.

Você permite que empregadores e empregados definam as melhores escalas dentro das especificidades de cada atividade. Se você mexe que é proibido a escala 6x1, você restringe um pouco mais. Então, as duas coisas correm em paralelo, embora as PECs que estão em discussão na Câmara, elas mexam nas duas coisas, elas regulamentam a jornada e a escala de trabalho.

Bom, vamos para o nosso próximo tema, porque o governo hoje anunciou um pacote de medidas para enfrentar os efeitos da guerra sobre preços dos combustíveis, anunciou aumento de subvenção em várias áreas, gás de cozinha, óleo diesel, também reduziu impostos sobre querosene de aviação. A Larissa Lopes conta para nós. Oi, Larissa.

Oi, Carol. Pois é, correndo contra a queda de popularidade, o governo federal anunciou agora há pouco um pacote de medidas que prevê, por exemplo, nova subvenção para o diesel importado e também para o produzido aqui no Brasil, também para o GLP, que é o gás de cozinha.

Também prevê linhas de crédito para o setor aéreo, isenção de impostos federais e também postergação do pagamento de tarifas. Além disso, também previsto, foi anunciado hoje, então, o aumento e maior rigor nas fiscalizações. Esse pacote, Carol, anunciado pelo governo...

terá um impacto de R$ 31 bilhões. São medidas previstas para os próximos dois meses e que podem ser prorrogadas por mais dois meses. E o impacto fiscal será compensado, por exemplo, pela receita de vinda do óleo diesel e royalties e também...

IPI do cigarro. Todas essas medidas foram anunciadas agora há pouco. E tem, por exemplo, Carol, que a gente já sabia daquela subvenção de 1,20 para importação de diesel rodoviário ali em cooperação com os estados. Hoje também foi anunciada a subvenção de 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil.

E também, além disso, foi anunciada isenção de impostos federais sobre biodiesel. A gente tem uma falhinha do novo ministro de Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a respeito disso. Sobre o diesel, prevendo aqui uma nova subvenção aos produtores nacionais de R$ 0,80 por litro, que vale assinalar, se soma aquela dos R$ 0,32.

com essa nova subvenção de R$ 0,80 por litro. Então, da mesma maneira que estamos dando um sinal para que o importador possa manter o mercado brasileiro abastecido, aqui também a gente está dando uma subvenção de R$ 0,80, que na prática contribui para a estabilização de preços. Esses R$ 0,80, dado o tamanho do mercado de diesel no Brasil, deve significar um custo mensal de R$ 3 bilhões.

E da mesma maneira como estamos fazendo na importação, esse valor também seria subvencionado por dois meses, prorrogáveis por mais dois meses.

Bom, são diversas medidas, Carol, e então elas foram divididas. Então, uma parte está em medida provisória, outra em projeto de lei e outras partes em decretos, com todas essas ações do governo federal para conter esses impactos ali, que são decorrentes principalmente da guerra no Oriente Médio. Falando um pouco agora sobre o gás de cozinha, foi anunciada essa subvenção federal de toda a importação de GLP nos próximos meses.

Então, de acordo com o governo, é para garantir um alívio nos preços do combustível, mas também no gás de cozinha. Foi publicada uma MP que autoriza que o governo federal pague uma subvenção de R$ 850 sobre cada tonelada de gás liquefeito de petróleo importado, com valor total de R$ 330 milhões.

Também para o setor aéreo foram anunciadas linhas de crédito de até R$ 9 bilhões para o setor, também por meio de uma MP, que prevê duas linhas de crédito para reduzir o impacto das altas nos preços de combustíveis sobre as operações das companhias aéreas brasileiras. A primeira com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil, com um valor de até R$ 2,5 bilhões.

E também tem outra de R$ 7 bilhões, então totalizando R$ 9 bilhões para essa parte de linhas de crédito para o setor aéreo. Também isenção de impostos federais para o querosene de aviação. E, por fim, também postergação de pagamento de tarifas de navegação aérea. Então as empresas vão pagar apenas em dezembro, antes seria junho, julho.

As tarifas de navegação da Força Aérea Brasileira, que são referentes a abril, maio e junho, somente no mês de dezembro. Todas essas medidas foram anunciadas há pouco e também reforço na fiscalização, agora ampliando até o poder da NP, que vai poder interditar e não apenas multar.

Também é previsto um aumento das multas ali nos valores da multa e que isso se passe também para o CPF dos sócios, não provocando impactos apenas para o estabelecimento, Carol. Obrigada, Larissa. Então, resumindo, isenção aí para gás de cozinha, nova subvenção para o diesel, esse socorro às aéreas, né, reduzindo impostos para o creusente de aviação e esse aperto na fiscalização. Vamos ver se chega na ponta, né, porque tinha resistência das distribuidoras.

dos postos, para repassar essa redução para a ponta para o consumidor. Exato. Até aqui, os comercializadores do diesel na ponta para o consumidor final estavam resistindo a aderir.

a qualquer pacote anunciado pelo governo. Então, a consequência era que não estava chegando na ponta, daí a necessidade de medidas adicionais. O problema é que fica um monte de medida de conta-gotas, difícil de você entender o todo, porque é um tanto aqui, subvenciona um tanto aqui, um tanto colar.

isso dificulta a que o consumidor saiba de quem ele tem que cobrar, que o preço não aumente, porque se o governo está dando subvenção de uma série de coisas, se os estados estão dando subvenção de outras tantas, então por que que não baixa o preço na bomba? Porque

que não chega a ele. Então, ele deveria ter alguém a quem cobrar e a quem pressionar. Fica tudo meio diluído, uma responsabilidade diluída. O preço aumentou mais de 16% em média durante o mês de março. Isso vai ter um impacto inflacionário brutal.

E fica evidente que o governo está preocupado com isso, porque todo dia anunciando medidas adicionais. Então, eu tenho dúvida se isso vai ter o impacto eleitoral que o governo parece esperar, que é o de a população olhar e entender que o governo está fazendo alguma coisa para que ela não seja penalizada por um evento que acontece lá do outro lado do mundo.

no Oriente Médio. Então, medidas que vão causar um impacto nos cofres do Tesouro, mas que eu tenho dúvidas se, no fim do dia, ajudam a melhorar a avaliação e a popularidade do presidente da República, tendo a acreditar que, para isso, elas vão ser pouco efetivas.

Inclusive o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, voltou a defender hoje no evento no Rio de Janeiro, cautela sobre os juros, a taxa Selic está em 14,75%. Na última reunião tivemos uma redução de 0,25 ponto percentual, depois de um período extenso mantido a 15%. E tem uma outra questão, Vera, essas subvenções têm prazo e ninguém sabe quanto tempo a guerra vai durar.

Exato, a gente vai falar hoje ainda com o Eduardo Graça e a coisa está muito confusa, muito tensa lá no Irã, com ameaças diárias e às vezes em sentidos opostos do Donald Trump quanto a continuidade da guerra e a sua extensão. Isso também torna os impactos econômicos imprevisíveis para o Brasil e para o mundo.

E os subsídios tendem a ser prorrogados enquanto a guerra durar. Está evidente que o governo está muito preocupado com isso e que realmente tem razões para se preocupar, que o impacto inflacionário está dado. Então, já fica ali embutido na medida que ela pode ser prorrogada de tempos em tempos se as condições perdurarem. Mas eu diria que existe uma grande...

dúvida, um grande ponto de interrogação sobre o quanto essa guerra e esse repique inflacionário vão ser levados em conta pelo Banco Central para definir, pelo menos dar uma pausa na queda de juros, que já tinha começado num ritmo.

menor do que aquele que o governo esperava e que agora pode ser, sim, atingida por esse novo estado de coisas. Então, para desespero do governo, porque os juros altos são considerados dentro do Palácio do Planalto a principal causa...

de as pessoas não terem uma boa percepção do momento da economia e da sua própria situação econômica e financeira. Então, para desespero do governo, pode ser que venha aí uma pausa na queda que já vinha em ritmo bem lento dos juros decidida pelo Banco Central.

Vera e Débora, tem um alento aqui, porque a ANP divulgou alguns números aqui sobre reajuste de diesel, e aí depois de quatro semanas consecutivas de alta, os preços da gasolina e do diesel pararam de subir nos postos, segundo a pesquisa semanal de preços da ANP, gasolina vendida pelos postos aqui no Brasil em média R$ 6,78 por litro, o mesmo valor praticado na semana anterior, e o preço médio do diesel subiu só 0,01, não é nem um centavo, é menos do que isso, nesse período.

algumas fontes do setor dizem que os principais repasses das cotações já foram feitos há algumas semanas. Nesse momento, então, isso deu uma estancada, mas o aumento é muito grande, porque desde o início da guerra, gasolina e diesel tem alta acumulada de 8%, gasolina 8%.

e diesel 24%, então é bastante coisa, tem essa pressão com repique inflacionário. E inicialmente aquele pacote de subsídio no preço do diesel tinha sido considerado insuficiente pelos importadores privados, para o pessoal que produz diesel aqui no Brasil. O governo, o Galipo, o Durigam, está tendo que gastar salábia, conversar com os governadores que resistiam àquele modelo de dividir.

a subvenção, tendo que conversar também agora com as distribuidoras para convencer a aderir a esse pacote, certamente hoje anunciou novas medidas justamente por isso, então não é na canetada, é um assunto bem complexo. Assunto muito complexo que dominou a discussão no Confas na semana passada, que fez os governadores refletirem e muitos deles mesmo sendo adversários políticos do presidente acabaram aderindo, acho que percebendo que também ia ficar salgado para eles.

assumirem essa conta e ficarem como os grandes vilões pelo aumento do preço dos combustíveis. Devem ter recebido pressões dos empresários também nos seus estados, porque todas as outras atividades são impactadas, inclusive havia o risco, e a gente tratou disso aqui várias vezes na semana passada, disso gerar uma nova greve de caminhoneiros com novas consequências.

imprevisíveis, então o fato é que esse assunto, dado o seu alto grau de imprevisibilidade, acaba unindo todo mundo em torno do mesmo propósito de evitar um repasse para os preços, faz com que inclusive o mercado relaxe um pouco as cobranças sobre o governo.

no sentido de cortar gastos e de cortar subvenções e de evitar novos pacotes de benefícios fiscais e tributários. Nesse caso, assim como em tragédias como a guerra do... Aliás, desculpa.

a enchente do Rio Grande do Sul e outros, nesse caso, todo mundo acaba pedindo os subsídios, pedindo as subvenções e é isso que está acontecendo agora. Então, o governo Lula aproveitando para fazer alianças improváveis em outros momentos, com o empresariado, com o agro.

com caminhoneiros, que são lideranças com as quais o PT tem dificuldade de dialogar, e também com governadores de oposição. A essas medidas relativas especificamente à questão dos combustíveis, devem se somar ao longo dessa semana e das próximas outras medidas para tentar...

baratear e franquear mais crédito, que é uma outra coisa que o governo acha que é um gargalo para ele, e também para baixar preços. Então, a coisa de suspender ou revogar a taxa das blusinhas, tem muitos outros temas, muitas outras medidas que estão colocadas na mesa do presidente e que podem gerar anúncios ou de um pacote maior ou de medidas pontuais ao longo dessa semana e também das próximas.

Bom, de qualquer forma, vai ser um dos principais assuntos da eleição, né? Porque mesmo que a guerra acabe no curto prazo, ainda tem toda uma cadeia logística que é afetada. Então, a gente não vai ver um resultado promissor de imediato, né?

Tem toda a questão do suprimento de combustíveis, que demora, mesmo se eles atendam o ultimato meio trasloucado do Trump, ah, liberem o estreito agora, não sei o quê, ou qualquer outra coisa, demora para se restabelecer o fluxo normal. Para o Brasil tem um gargalo também de fertilizantes, enfim, tem uma série de consequências desse conflito que ainda vão se estender por alguns meses, pelo menos, Débora.

Vamos fazer uma pausa no Viva Voz, nosso ouvinte fica com notícias da sua região e a gente volta já já para falar aí como é que tem sido a ofensiva dos pré-candidatos à presidência da República.

Saber tudo o que de mais importante está acontecendo no mundo em meia correria do dia a dia pode ser bem difícil, né? Mas tem um jeito que ajuda muito. Basta ouvir o podcast Panorama CBN para ficar bem informado de forma leve em menos de meia hora. Sem precisar tirar as mãos do volante, da esteira ou da louça. São dois episódios diários. Um às sete da manhã comigo, Bianca Santos. E outro às sete da noite comigo, Leandro Gouveia.

É só procurar no aplicativo da CBN ou no seu tocador de podcasts preferido por Panorama CBN para ficar por dentro de tudo.

Viva a voz de volta e hoje temos uma participação especialíssima. Luísa Marzullo, que é repórter de política de jornal Globo em Brasília, está aqui conosco hoje para falar um pouco mais sobre a campanha, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, ele que começou um tour pelas igrejas evangélicas. Oi, Luísa, boa noite.

Boa noite, Débora. Boa noite, Vera e Carol. Olha, o que a gente está vendo agora é o senador Fábio Bolsonaro tentando se colocar no centro do eleitorado evangélico. Ele vai para São Paulo hoje. Está dando início ao que os aliados estão chamando de um tour pelas igrejas.

A ideia consiste em combinar agendas públicas, que já fazem parte do dia a dia das denominações, com encontros reservados com as lideranças religiosas. Hoje pela manhã, por volta das 9 horas, ele participou de um encontro de obreiros da Assembleia de Deus, Ministério Belém.

A igreja estava fazendo um encontro de obrejo estadual ao longo do dia e o Fábio ficou ali pela parte da manhã na igreja com mais de 40 pastores presentes. Ele subiu ao púlpito, se ajoelhou e recebeu uma oração do bispo José Wellington Bezerra da Costa.

E essa oração teve ali um recado político claro. O bispo chegou a dizer, abre aspas, que o senhor o leve para ser presidente. Fecha aspas. O principal, além do gesto simbólico, é que o Flávio está começando uma rodada de conversas reservadas com líderes de várias igrejas diferentes. É o modelo que o pai dele fez em 2018 e também em 22.

bem conhecido já do bolsonarismo. Nos bastidores, o Aliado está tentando ampliar essa agenda, abrir portas, e são esperados encontros com outros pastores e bispos, como Estevão Hernandes, da Renascer, R. R. Soares, da Igreja da Graça, Valdemiro Santiago, da Mundial. Enfim, isso não está batido o martelo ainda, mas são esperados entre hoje e amanhã.

Isso acontece no momento de disputa com o governador Ronaldo Caiado, que também entrou no campo semana passada, começou a montar uma chuteja parecida, escalou o deputado Tony de Paula como articulador nesse segmento.

E é importante lembrar que o Fábio tem uma vantagem importante, né? De acordo com a data folha que saiu agora em março, ele tem o dobro dos votos do presidente Lula, 48% das intenções, o Lula tem 21%. Então ele está querendo ampliar aquele apoio e defender esse espaço.

O que também é interessante é que o Flávio, depois de São Paulo, amanhã volta à Brasília e na quinta-feira ele vai para Campo Grande participar da Expo Grande, que é uma feira muito importante do agronegócio. Então é mais um outro segmento importante, que foi importante para o pai dele na campanha, um dos pilares que ele está acenando. Então os evangélicos e o água, de alguma forma.

Luísa Marzullo, muito obrigada pela participação conosco aqui. A Luísa, que é repórter de política do jornal O Globo. Bom, Vera, esse público, embora o eleitorado evangélico seja muitas vezes mais alinhado a centro-direita e a direita, ainda tem ali uma parcela indecisa. Ou seja, todo mundo está de olho nesse eleitorado, inclusive a esquerda.

Esquerda com muita dificuldade de falar com esse público. Toda vez que tenta, ela soa ali... Enfim, a mensagem soa truncada, não fica uma coisa orgânica, não fica uma coisa natural. Tem sempre aquela coisa de escalar alguns poucos emissários, ora Marina Silva, ora o Jorge Messias, ora...

rola uma carta ao eleitorado evangélico que também não consegue muita adesão. Os números nesse segmento são especialmente gritantes ali. É muito diferente o que tem para a direita em termos eleitorais dentro do segmento evangélico e o que a esquerda consegue de performance. Mesmo tendo expoentes ali...

como prefeitos, governadores, deputados, senadores, que são de partidos alinhados com o governo Lula e são de igrejas evangélicas, mesmo assim o governo patina muito. E aí toda vez qualquer questão de costumes, qualquer questão ligada a esse assunto é usada para enfraquecer ainda mais...

a presença da esquerda nesse setor. O Flávio Bolsonaro tentando repetir o script do pai, seria mais fácil e acho que teria mais adesão se a candidata fosse a Michele Bolsonaro, por ser ela própria evangélica.

e ter muita ligação com várias denominações, e ter ali o léxico, já tem toda a linguagem do segmento religioso, então ela tem uma identificação muito mais fácil. Mas ainda assim, Flávio Bolsonaro, as pesquisas já mostram, nadando de braçada em relação ao Lula.

Junto a esse eleitorado que é crescente, né? A cada censo, a cada contagem da população, a gente vê o aumento do número de evangélicos na sociedade. Agora, Vera, e essa entrada do caiado pode, de certa forma, esfriar a campanha do Flávio no setor do agro?

Porque o Caiado é um nome tradicional muito ligado ao setor do agronegócio. O Globo até fez uma matéria ouvindo algumas lideranças do setor dizendo que o agro poderia ficar dividido entre Caiado e Flávio, pelo menos no primeiro turno.

Na prática, acaba acontecendo aquele fenômeno de sempre, que a gente sempre discute, que é a pessoa olhar as pesquisas e ainda que prefira o caiado, e eu tenho certeza que o segmento do agro preferiria o caiado por ser alguém com uma ligação histórica com esse setor, com várias entregas como senador, como deputado e como governador, ele próprio um expoente.

do agronegócio, mas a coisa do antipetismo de chegada, que o Maurício Moura falou com a gente aqui na semana passada, e que tem se mostrado ali muito forte, pelo menos desde 2018, isso também pode ditar que no fim do dia a pessoa olha e prefira já antecipar o voto.

contra o PT, contra o Lula. Então, por enquanto, o Flávio Bolsonaro está guardando a maioria dos votos dos eleitores que são ali produtores rurais ou que são trabalhadores da agroindústria, de alguma maneira.

de estados do centro-oeste e do sul que tem uma forte presença do agro e que tem sido majoritariamente eleitores do bolsonarismo nos últimos anos. Se o Caiado vai conseguir fazer algum tipo de buraco nesse DIC, ainda estamos por ver. Vai ter pesquisa data folha nesse mês, a primeira desde a oficialização da pré-candidatura dele.

E aí a gente vai poder sentir se as pessoas olhando e vendo quem é o candidato da chamada terceira via, se isso causou alguma mudança de cenário ou não. Eu tendo a achar que essa é uma eleição em que qualquer candidato que tente furar a polarização já estabelecida vai encontrar muita dificuldade.

Até aqui tem sido assim, a gente não sabe se no decorrer dos meses, com debates, com o que eventualmente apareça em relação ao Flávio Bolsonaro, etc. Alguma dessas placas tectônicas pode se mover, mas por hora eu não vejo esse estrago sendo feito. Acho que é mais discurso para animar ali os que buscam uma terceira via do que algo concreto.

Muito bem, nosso ouvinte fica com notícias da sua região, daqui a pouquinho Viva Voz de volta para a gente conversar com Eduardo Graça, que é repórter especial do jornal O Globo, comentarista de assuntos internacionais e vai falar mais, vai trazer uma análise aqui para a gente sobre as últimas declarações de Donald Trump em relação ao conflito no Oriente Médio.

Seis horas, quarenta e sete minutos, Viva Vos está de volta e está com a gente na linha o Eduardo Graça, repórter especial e colunista do Jornal Globo, nosso comentarista aqui do Ponto Final. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Oi, Débora. Oi, Carol. Boa noite, ouvintes. Boa noite.

Edu, desde ontem o presidente Donald Trump está fazendo mais ameaças ao Irã. Primeiro numa postagem ali na rede social dele, depois hoje num pronunciamento falando que o país pode cair em uma nova noite, que pode ser amanhã, se o Irã não abrir logo o estreito. O que significam esses ultimatos todos? E o que a gente pode esperar desenrolar dessa guerra?

Vera, as declarações do Trump hoje, por exemplo, incluíram um vamos bombardear todas as pontes do Irã, todas as usinas de energia, se o Irã não reabriu o Estreito de Hormuz, com um ultimato que, aliás, vence daqui a algumas horas, foram feitas numa coletiva de imprensa hoje à tarde, após a negativa do Irã, de topar um plano de cessar fogo que teria sido elaborado pelo vizinho Paquistã.

O Irã rejeita qualquer acordo que inclua um cessar-fogo parcial e não um fim definitivo aos ataques. Ou seja, na prática, Teheran está dobrando a aposta de que os americanos não vão conseguir segurar muitas semanas a frio de enfrentamento, de palavróleo, assim, vamos levar um inferno para o Irã, pressionados que estão pelo calendário eleitoral lá nos Estados Unidos. Os americanos vão às urnas em novembro.

para decidir quem comandará a Câmara e o Senado, a guerra, que por si só é cara, e já causou aumento de gasolina nos Estados Unidos, está aumentando a impopularidade dos candidatos republicanos.

E o discurso público da Casa Branca, apesar disso, segue, como a gente viu hoje, nessa aposta de uma rendição total do Irã cada vez mais improvável. É que para o regime iraniano, o fundamental, Vera, é a sobrevivência deles, não a substituição por um modelo híbrido como a gente está vendo na Venezuela hoje. Aliás, o presidente Trump falou que ele vai aprender espanhol, inclusive, para se candidatar à presidência da Venezuela. O Irã não quer essa bagunça.

E fontes do Partido Republicano estão dizendo já acreditar ser inevitável um cenário de narrativa da Casa Branca de vitória centrado na impossibilidade de o Irã desenvolver bombas nucleares ainda que com a República Islâmica ali mais ou menos de pé.

O que a gente não pode deixar de enfatizar, no entanto, especialmente hoje, Vera, é que o Trump passou, eu contei, porque eu vi toda, uma hora e 20 minutos de coletiva de imprensa tratando de uma guerra que ele não consegue apoio nem em casa e nem tirando Israel na comunidade internacional quando ele poderia estar celebrando um capítulo importante da atual guerra fria espacial que o Washington disputa com a China.

Exatamente, Trump falou muito pouco sobre a missão Artemis. E isso de alguma forma, a guerra, não turva a possibilidade de ganho político? Porque a gente tem aí a primeira missão tripulada depois de 50 anos.

Pois é, Débora, os republicanos, como você pode imaginar, especialmente muitos desses candidatos agora em novembro, são deputados, que são candidatos à reeleição. Lá, a cada dois anos, os deputados têm que disputar o voto dos eleitores. E senadores, eles estão, assim, desesperados. Porque, assim, é claro que uma conquista dessa dimensão...

como a que a gente viu hoje da Artemis, não foi possível só por conta de um governo. Mas é justo lembrar que a meta de se levar astronautas novamente à Lua e de se firmar lá uma infraestrutura permanente no futuro para exploração científica e econômica, claro, mas também como um ensaio para futuras missões à Marte, ela foi estabelecida, sim, por Donald Trump lá no primeiro governo dele.

inclusive com a entrada de dinheiro e de interesses também, claro, privados para tanto. A gente está falando, entre outros, do Elon Musk, do Jeff Bezos, mas foi dele. A Trump e o que é de Trump. De qualquer forma, o feito de hoje foi notável, tem esse caráter de avanço tecnológico que enche de orgulho com razões americanas e não está sendo explorado ainda devidamente pelo Trump.

A missão lunar está prevista para terminar na sexta, e ele ainda deve receber os astronautas com aquela pompa que ele gosta, mas até agora ela está sim sendo nublada pela atenção dada com razão aos horrores do Oriente Médio. E mais uma vez, Débora, se favorece quem? A principal rival dos Estados Unidos, a China.

com quem o Washington está disputando essa nova corrida espacial. O governo Trump espera colocar a humanidade de novo na Lua em 2028, que é o ano da eleição presidencial que vai definir o seu sucessor, e os chineses em 2030. Mas em vez de capitalizar isso tudo, de mirar uma imagem de futuro, o Trump se meteu numa armadilha do passado, no que muitos trumpistas e republicanos já identificam como mais uma guerra sem fim, como aquelas do Bush Filho no Iraque e no Afeganistão.

Agora Edu, mais uma entrevista coletiva do Trump, muito errática, né? Ele adiou de novo o prazo do ultimato, depois ameaçou, destruiu o Irã numa noite só. E teve um momento ali em que ele inclusive ameaçou mandar prender o jornalista que noticiou o desaparecimento daquele segundo piloto americano, né? Diz que queria obrigar o jornalista a revelar sua fonte.

Sim, como se, na verdade, a acusação de crime de guerra, que é uma acusação que cada vez mais se volta para o governo Trump, a gente viu isso com os bombardeios e destruição e mortes no Pacífico e no Caribe, aqui na América Latina, de novo a gente está vendo essas acusações lá no Irã.

com o ataque à escola e a morte de muitas estudantes e professores, e agora, com esse tipo de ameaça que ele faz, de vou destruir todas as pontes em que ele fala em atacar o aparato civil do país. Então, esses ataques que estão sendo, nesse momento, feitos contra o Trump e o governo do Trump, de que ele pode estar cometendo crime de guerra, ele resolveu que, na verdade, quem está cometendo é a...

que é um alvo constante dele, por ter feito o seu trabalho. É um pouco comum isso, né, Carol, em presidentes que tendem à autocracia, atacar quem está fazendo o seu trabalho dignamente, nós da imprensa.

É isso. Eduardo Graça conosco todas as segundas-feiras. Bom, até semana que vem ou a qualquer momento em edição extraordinária, do jeito que estão as coisas, Edu. É, contem comigo pra edição extraordinária. Um abraço a todos. Valeu, Edu. Beijo, Edu.

Gente, vamos para mais um assunto aqui no Viva Voz, CPI do crime organizado, mais uma que deve ser prorrogada, né? CPI está querendo mais prazo para concluir as investigações, até porque começou investigando uma coisa e foi ampliando, chegou em caso máster, virou uma CPI bem robusta, né, Samantha Klein?

Sem dúvida, Carol. E por isso que o senador Alessandro Vieira protocolou hoje um requerimento para tentar prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da CPI. Lembrando que essa iniciativa teve um apoio grande, com 28 senadores, um número superior ao necessário para a tramitação desse pedido.

E aí, como você mesma disse, ela veio ali para investigar a atuação, expansão, funcionamento de organizações criminosas, mas avançou para estruturas mais complexas, chegando até o caso Master. Nesse documento, o relator cita a insuficiência de tempo, até porque está prevista para terminar no dia 14 de abril, ou seja, na semana que vem. Então, tem muitas frentes aí que se gostaria de avançar.

O que se prevê ainda, por exemplo, depoimentos importantes previstos para amanhã, tem aí no elenco o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, Gabriel Galípolo, atual presidente da Autoridade Monetária.

Eles não têm obrigação de falar, não têm nenhum pedido de habeas corpus para não comparecer, inclusive vêm aí sob convites. Mas tem ainda o governador Cláudio Castro, previsto para a semana que vem, e até mesmo o ex-governador aqui do Distrito Federal, Ibanez Rocha. Eles, sim, têm um habeas corpus em que não é preciso, ele não é obrigado nem a comparecer no colegiado. Com vocês.

Obrigada, Samanta. Vera, acabou que essa CPI do crime organizado ampliou muito o escopo das investigações. Estão precisando de mais tempo, até porque tem vários depoimentos ainda importantes marcados.

Pois é, mas deverá ser a mesma guerra da CPMI e do INSS. Não vejo nenhuma disposição por parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em topar uma prorrogação dos trabalhos pelas mesmas razões. Ninguém quer dar mais palanque, mais palco para se falar do caso Master dentro do Congresso.

Então, isso é mais ou menos um pacto tácito que une também o ex-presidente do Banco Central, todo mundo ali do TCU, do Supremo. Então, é meio um silêncio generalizado e a ideia de que agora...

cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público avançarem com essa investigação, inclusive com as delações que vão ser questionadas, que vão ser contestadas e que a gente ainda não sabe o que vão abarcar. Então está todo mundo de olho nessas delações, tenso com elas e acha que essas CPIs são só distrações e podem só causar ruído. Então não vejo nenhuma possibilidade de sucesso.

nesse pedido de prorrogação. Os senadores querem continuar porque sabem que toda CPI dá muito holofote, ainda mais uma CPI de um caso rumoroso como esse. Também deverá continuar aí a tentativa de instalação de uma CPI específica.

para tratar do caso master. Mas à medida que a gente avança, a gente já está em abril, de um ano curto, os trabalhos vão se concentrar todos no primeiro semestre, mesmo assim, no primeiro semestre até maio, porque junho já tem as festas juninas, festas juninas num ano eleitoral, copa.

Então, acho pouco provável que essa CPI também consiga sucesso na pressão pela sua instalação. Tem toda a discussão sobre a designação do Jorge Messias para o Superior Supremo, Tribunal Federal. Então, tem muitos assuntos que acabarão catalisando as atenções do Senado nesses poucos meses, que nos separam do recesso antecipado.

E o que todo mundo está querendo é empurrar para o final essa CPI e não criar nenhuma outra. Esse é o pacto subentendido que existe entre todas as lideranças, as governistas, oposicionistas, centrão, todo mundo mais ou menos imbuído desse mesmo objetivo.

Os senadores obviamente sabem disso, né? Então eles, obviamente, têm uma pressão a ser feita diante do que eles desejam, mas eles claramente sabem que isso vai acontecer. Então provavelmente já devem também preparar o relatório. Exato, devem tentar ali um relatório que...

de alguma maneira contemple esse caso. Mas ainda assim, qualquer tentativa de avançar em indiciamentos desse caso, indiciamentos que tenham viés político, vai esbarrar numa dificuldade maior lá dentro. E essa barreira de contenção que é meio pluripartidária. Então acho que é mais uma CPI que vai ter um final meio anticlimático, Débora.

Assim como a CPI do INSS, que terminou sem relatório final. É isso. Muito bem, amanhã tem mais Viva Voz. Obrigada por hoje, Vera. Obrigada a vocês, um ótimo jornal. Até amanhã. Tchau, tchau. Tchau, tchau.

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