Agro Semanal | Alívio no Oriente Médio, queda do etanol, e balança agro de abril
Neste episódio, trazemos três destaques da semana: a evolução do cenário geopolítico no Oriente Médio, o movimento recente no mercado de etanol e a balança comercial de abril.
Começamos pela guerra, com alívio parcial das tensões e impacto direto nos preços do petróleo e no humor dos mercados. No etanol, seguimos observando queda nas cotações, pressionadas pela maior oferta no início da safra, demanda mais retraída e pela indefinição regulatória, após o adiamento do CNPE.
Por fim, comentamos a balança comercial agro de abril, com destaque para o recorde nas exportações de carne bovina, impulsionadas pela China, e o comportamento das importações de fertilizantes em um ambiente ainda marcado pela volatilidade da energia.
César Castro
- Indicadores semanais do agronegócioRecorde nas exportações de carne bovina · Demanda chinesa por carne bovina · Importações de fertilizantes · Impacto geopolítico nos fertilizantes
- Demanda por etanol e biodieselQueda nas cotações · Aumento da oferta na safra · Demanda retraída · Adiamento do CNPE e E32
- Geopolítica do PetróleoTensões militares e diplomáticas · Impacto nos preços do petróleo · Negociações de entendimento
Olá pessoal, eu sou o César Castro e hoje nossa atualização semanal trata do alívio das tensões no Oriente Médio, que influenciou o mercado de energia nesta semana, as novas quedas do etanol hidratado nas usinas e comento um pouco da balança comercial agro de abril, divulgada nesta quinta-feira, que mostrou um novo recorde de exportação de carne bovina e as importações de fertilizantes. Começando pela guerra, a semana foi marcada mais uma vez por forte volatilidade nos mercados de energia. Obrigado.
repulsionada por movimentos simultâneos de escalada militar e avanços diplomáticos no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. No início da semana, o petróleo chegou a superar os 114 dólares o barril, após relatos não confirmados da mídia iraniana de que mísseis teriam atingido uma embarcação americana no estreito de Hormuz. Ao mesmo tempo, o Irã atacou alvos nos Emirados Árabes, incluindo um porto de petróleo.
no que representou a maior escalada desde o cessar-fogo declarado em meados de abril. Porém, no campo diplomático, os desdobramentos da segunda metade da semana trouxeram algum alívio aos mercados. Trump anunciou uma pausa na operação de escolta de navios pelo estreito de Hormuz, citando progresso nas negociações com o Irã. Alguns agentes especulam que os dois lados estão alinhando um memorando de entendimento de detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed detailed
que poderia encerrar formalmente a guerra e estabeleceria uma estrutura para negociações mais detalhadas, incluindo a reabertura do estreito. O Irã, por sua vez, afirmou estar analisando a proposta americana, mas membros do governo iraniano impuseram condições adicionais, como o pagamento de reparações de guerra, o que mantém a incerteza elevada.
No final da semana, o Brent recuou para cerca de US$ 100 o barril, com os mercados acionários atingindo novas máximas, impulsionadas pela desescalada do conflito e expectativa de um acordo. No mercado do etanol, os preços continuaram cedendo nesta semana, com o hidratado em Pauline atingindo R$ 2,39 o litro, nas mínimas desde 2024.
Se considerarmos a variação em relação ao início de abril, o biocombustível acumula queda próxima de 20%, partindo de níveis ao redor de R$ 3,00 o litro, em um movimento consistente de correção ao longo da entrada da nova safra. Do lado da oferta, a principal explicação segue sendo o avanço acelerado da moagem.
O clima mais seco tem favorecido o ritmo de colheita e processamento, permitindo as usinas anteciparem a produção e elevarem rapidamente a disponibilidade de etanol no mercado esporte. E esse aumento de oferta ocorre ainda em um contexto de crescimento estrutural da produção, reforçando a percepção de um mercado mais abastecido nesse início de safra. Pelo lado da demanda, o comportamento também tem contribuído para amplificar o movimento de baixa.
As distribuidoras, que já vinham com níveis elevados de estoque, adotaram uma postura mais cautelosa e reduziram o ritmo de compras no mercado, aguardando melhores oportunidades de preço. Esse desalinhamento entre uma oferta crescente e uma demanda momentaneamente retraída
intensificou a pressão sobre as cotações. Ainda assim, vale destacar que, segundo dados do CPEA, as usinas comercializaram cerca de 25% mais etanol em abril na comparação anual, o que indica que, apesar do movimento de retração das distribuidoras no curto prazo, o escoamento de produtos segue relevante diante do maior volume disponível. No campo regulatório, persiste um fator importante de incerteza.
A reunião do Conselho Nacional de Política Energética, que estava agendada para quinta-feira, dia 7 de maio, e que teria como principal foco a avaliação do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, foi adiada e segue por hora sem nova data definida.
Com isso, o mercado permanece operando em um ambiente de oferta elevada, sem a implementação de um gatilho regulatório relevante do lado da demanda. A eventual adoção do E32 é vista como um mecanismo importante de absorção do excedente de etanol projetado para a safra, ao elevar o consumo doméstico de anidro. Na ausência dessa medida, o equilíbrio do mercado segue mais dependente do ajuste via preço, o que tende a manter as cotações pressionadas no curto prazo.
Com relação à balança comercial de abril, os envios de carne bovina continuaram fortes, alcançando cerca de 252 mil toneladas em natura, alta de 4,3% em relação ao mesmo mês do ano passado e estabelecendo um novo recorde para o período. O desempenho reforça a consistência da demanda internacional pela proteína brasileira, mesmo em um ambiente de maior volatilidade global.
Um dos principais destaques foi o comportamento dos embarques para a China. Com os exportadores acelerando o preenchimento da cota, os envios ao país asiático ganharam tração ao longo do mês, atingindo volumes significativamente superiores aos observados nos meses anteriores e ficando cerca de 27% acima dos níveis de abril do ano passado. Esse movimento reflete uma estratégia clara de antecipação de embarques diante da possibilidade de restrições futuras.
o que tem concentrado demanda no curto prazo e impulsionado o ritmo de exportações. Como resultado, no acumulado do primeiro quadrimestre, a exportação de carne bovina in natura segue bastante robusta, com crescimento próximo de 15% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esse avanço consolida 2026 como um ano de forte desempenho para o setor, sustentado tanto pelo apetite externo quanto pela competitividade do produto brasileiro. E além do volume, o preço de exportação também chamou atenção. Em abril houve uma valorização relevante, com alta de 7,3%. L'oubouro de 1%, E aí
frente ao mês anterior, levando o preço médio para a faixa de US$ 6.200 a tonelada. Na comparação anual, a alta é ainda mais expressiva, refletindo um cenário de oferta global mais apertada e uma demanda consistente, especialmente por parte da China. Já com relação às importações de fertilizantes, em abril o volume total embarcado ao Brasil registrou queda de 11% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
somando 3,2 milhões de toneladas. Esse recuo reflete em grande medida o impacto direto do ambiente geopolítico mais tenso no Oriente Médio, que elevou os custos energéticos e logísticos, encarecendo os fertilizantes e afetando a dinâmica de abastecimento no curto prazo.
O movimento foi concentrado principalmente nos nitrogenados e, sobretudo, nos fosfatados. Nas importações de nitrogenados, observa-se um ajuste na composição. As compras de ureia recuaram cerca de 200 mil toneladas, enquanto o sulfato de amônia apresentou aumento equivalente, indicando uma clara substituição entre produtos diante da nova relação de preços e disponibilidade.
Já nos fosfatados, a retração foi mais expressiva e difundida. As importações de MAP caíram aproximadamente 200 mil toneladas, enquanto as de superfosfato simples recuaram cerca de 300 mil toneladas, evidenciando um comportamento mais cauteloso da demanda diante do aumento nos preços internacionais e da menor urgência de reposição nesse momento.
Do ponto de vista dos preços, o cenário segue pressionado. O MAP foi importado a um preço médio de US$ 733 por tonelada FOB, um avanço de 8,5% em relação a março e 16% na comparação anual. Já a UREA, por sua vez, apresentou um movimento ainda mais acentuado.
com preço médio de US$ 574, alta de 16% frente ao mês anterior e 55% em relação a abril de 2025. Em conjunto, esses dados reforçam que o mercado de fertilizantes atravessa um momento de ajuste, marcado por preços elevados e demanda mais seletiva.
A recente redução das tensões no mercado de energia pode trazer algum alívio adiante, mas por hora o cenário ainda é de custos pressionados e maior cautela nas compras por parte dos importadores. Por hoje é isso, pessoal. Um bom final de semana e até a próxima sexta.