#466 85 anos do Repórter Esso
Você já ouviu falar da agência de notícias Gillete Press? Na verdade, essa é uma brincadeira que se refere aos primeiros anos do jornalismo no rádio.
No início, o noticiário se resume à leitura ao microfone de matérias recortadas de jornais. Tesoura, papel e cola são os três recursos usados. Os locutores apenas liam e comentavam, ao microfone, informações que já haviam sido publicadas nos jornais impressos. O rádio ainda não se valia de uma de suas principais características: a instantaneidade.
Isso muda em 28 de agosto de 1941, quando o governo brasileiro se junta aos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, ao lado das forças aliadas.
Essa é a senha para que o país passe a receber as notícias do conflito por meio do “primeiro a dar as últimas”: o Repórter Esso.
O boletim de notícias conta com patrocínio da Esso Brasileira de Petróleo, repetindo o formato de sucesso que já existia em cidades como Nova York (EUA), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Lima (Peru) e Havana (Cuba) - fruto da "Política de Boa Vizinhança" dos Estados Unidos com os países da América La
A agência de publicidade McCann Erickson, a mesma que traz o formato de radionovela ao Brasil, também é a responsável pela produção do noticiário. Em sua sede no Rio de Janeiro, as notícias chegam a partir de informações distribuídas pela agência internacional UPI (United Press International).
Até 1945, quando a guerra acaba, as notícias transmitidas envolvem principalmente informes sobre o desenrolar do conflito. O Repórter Esso se notabiliza como a "testemunha ocular da História".
Uma grande contribuição do programa foi introduzir o noticiário adaptado à linguagem radiofônica. Em cada capital brasileira e emissora, havia um jornalista diferente para ler o informativo.
Heron Domingues, no entanto, é o mais lembrado, por ter sido o Repórter Esso da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, ouvida em todo o país naquela época. É na voz dele que o manual de radiojornalismo traz as regras para que o padrão se manter, independentemente do jornalista que estivesse ao microfone.
A enorme credibilidade alcançada pelo Repórter Esso tem muito a ver com a marcante locução de Heron Domingues e de outros jornalistas que passaram pelo programa. Nos tempos áureos, destacam-se também os locutores Gontijo Teodoro e Luís Jatobá.
O programa Repórter Esso terminou suas transmissões em 31 de dezembro de 1968 com Heron Domingues narrando a abertura, e Roberto Figueiredo despedindo-se dos ouvintes bastante emocionado.