#405 Editorial: A verdade sobre o fim da Eldorado FM
Crônica da morte anunciada de uma rádio
Segundo o Dicionário Online de Português, Eldorado é um lugar imaginário, fictício, cheio de riquezas e de pedras preciosas que, supostamente, existia na América do Sul, nomeadamente na Amazônia.
Durante quase 70 anos, esse eldorado foi encontrado em um local chamado Rádio. O que parece ficção é o que temos acompanhado desde o dia 23 de abril.
Não é o fim da era do rádio, mas de uma emissora que há muito tem sido relegada a segundo plano pelo grupo que deveria dar valor a ela.
É dessa forma que podemos tratar o anúncio do encerramento das atividades de uma das emissoras mais tradicionais do dial brasileiro. A Eldorado, fundada há pouco mais de 68 anos, teve seu fim decretado pelo Grupo Estado para o dia 15 de maio de 2026.
Talvez - e muito provavelmente - o início do fim se dá há 15 anos. Em 20 de março de 2011, a emissora passa a ocupar os 107,3 MHz da Frequência Modulada, em São Paulo, onde “invade” o espaço da Rádio Brasil 2000. Na então nova configuração, os 92,9 – em transmissão simultânea com o AM - mudam de Eldorado para Rádio Estadão ESPN. No fim de 2012, a ESPN tira o time de campo.
O desmonte da marca Eldorado tem outros capítulos que são difíceis de entender. Em maio de 2015, um acordo com o bispo R.R. Soares faz com que os tradicionais 700 KHz do AM paulistano deixe de transmitir a Eldorado para passar a retransmitir a programação da Nossa Rádio. (FICA A PERGUNTA: SE O RÁDIO E A TV NO BRASIL SÃO CONCESSÕES PÚBLICAS, COMO PODE UMA FREQUÊNCIA SER VENDIDA DE UM GRUPO A OUTRO?)
À época, o Grupo Estado já falava que as mudanças refletiam um contexto de prioridade para as plataformas digitais. Ao que me consta o Grupo Estado não tem assim tanta relevância até hoje nas tais plataformas. Melhor seria descer do salto e aceitar que esse passo foi um tropeço.
Mas quem disse que pior do que está não dá pra ficar. O ano de 2017 tem início com um plano de demissão voluntária nas Rádios Estadão e Eldorado. Era o terreno sendo preparado para mais um baque. Fevereiro de 2017 traz a fusão das programações da Estadão com a Eldorado.
Menos de uma década depois de acabar com a Rádio Estadão é a vez do Grupo Estado decretar a morte da rádio que fala com melhores ouvintes, a Eldorado. Capítulo esse que começa no fim de 2025, quando a Rádio Bandeirantes começa a se movimentar para ocupar os 107,3. Ainda havia uma possibilidade de a Eldorado migrar para os 86,3, mas o Grupo Estado e a Fundação Brasil 2000 parecem não ter levado essa alternativa em consideração.
Muito mais do que os argumentos apresentados, sobretudo do crescimento do streaming - até porque os conteúdos de uma rádio podem gerar excelentes podcasts, cortes em vídeos e afins, se houver planejamento - a morte da Eldorado tem a ver, como se vê, com a incompetência de um grupo de gerir uma rádio que fez história e agora entra para a história.
Essa é a opinião do blog e podcast Peças Raras.
Marcelo Abud
- Fim da Eldorado FMHistória da rádio Eldorado · Grupo Estado · Mudanças de frequência e frequência modulada · Prioridade para plataformas digitais · Incompetência na gestão
- Crise do rádio no BrasilConcessões públicas de rádio e TV · Ascensão do streaming
Segundo o dicionário online de português, Eldorado é um lugar imaginário, fictício, cheio de riquezas e de pedras preciosas que supostamente existia na América do Sul, nomeadamente na Amazônia.
Durante quase 70 anos, esse Eldorado foi encontrado em um local chamado Rádio. O que parece ficção, na verdade, é o que temos acompanhado desde o dia 23 de abril. Não é o fim da era do rádio, mas de uma emissora que há muito tem sido relegada a segundo plano pelo grupo que deveria dar valor a ela.
É dessa forma que podemos tratar o anúncio do encerramento das atividades de uma das emissoras mais tradicionais do DAIO brasileiro. A Eldorado, fundada há pouco mais de 68 anos, teve seu fim decretado pelo Grupo Estado para o dia 15 de maio de 2026.
Talvez e muito provavelmente, o início do fim se dá há 15 anos. Em 20 de março de 2011, a emissora passa a ocupar os 107,3 MHz da frequência modulada em São Paulo, onde invade o espaço da Rádio Brasil 2000. Na então nova configuração, os 92,9 em transmissão simultânea com o AM mudam de Eldorado para a Rádio Estadão e SPN.
No fim de 2012, a ESPN tira o time de campo. O desmonte da marca Eldorado tem outros capítulos difíceis de entender. Em maio de 2015, um acordo com o bispo R. R. Soares faz com que os tradicionais 700 kHz do AM paulistano deixe de transmitir a Eldorado.
E fica uma pergunta, se o rádio e a TV no Brasil são concessões públicas, como pode uma frequência ser arrendada ou vendida de um grupo a outro? Já naquela época, 2015, o Grupo Estado falava que as mudanças refletiam um contexto de prioridade para as plataformas digitais.
Ao que me consta, o Grupo Estado não tem até hoje uma grande relevância nas tais plataformas. Melhor seria descer do salto e aceitar que esse papo não cola. Mas quem disse que pior do que está não dá para ficar? Fevereiro de 2017 traz a fusão das programações da Estadão com a Eldorado.
Menos de uma década depois de acabar com a Rádio Estadão, é a vez do Grupo Estado decretar a morte da rádio que fala com melhores ouvintes, a Eldorado. Muito mais do que os argumentos apresentados em seu jornal, a morte da Eldorado tem a ver, como se vê, com a incompetência de um grupo que não sabe como gerir uma rádio que fez história e agora entra para a história.
Essa é a opinião do blog podcast Peças Raras.