Episódios de Peças Raras - Você em sintonia com o rádio

#404 Trilha Profissional: O Diabo Veste Prada, Tempos Modernos, Em Boa Companhia e A Procura da Felicidade

01 de maio de 202613min
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Em 2010, produzi para a Rádio USP o quadro Trilha Audiovisual. Aproveito este dia 1º de maio para trazer novemente os enredos de alguns filmes e fazer a relação deles com o mundo do trabalho.

Capítulos:

00:00 Apresentação do projeto Trilha Audiovisual, que relaciona filmes com situações vividas no mundo do trabalho

02:00 O Diabo veste Prada e o papel da mulher no mercado de trabalho

04:13 Tempos Modernos, de Chaplin, e como a repetição e falta de perspectiva podem levar ao que hoje conhecemos como burnout

07:31 Em Boa Companhia e a reinvenção profissional diante de cortes de custos e da ascenção de jovens inexperientes a cargos de liderança

10:55 A Procura da Felicidade: Will Smith e a história real de Chris Gardner, exemplo de quem acredita no sonho e em dias melhores para o filho. "Se você tem um sonho, tem que correr atrás dele. As pessoas não conseguem vencer e dizem que você também não vai vencer" é a lição que transmite ao pequeno Christopher de cinco anos, interpretado por Jaden Smith, filho de Will, o que aumenta a emoção transmitida pelo drama do pai que faz de tudo para manter o menino ao seu lado. 

Participantes neste episódio1
M

Marcelo Abud

HostPodcaster radiofônico
Assuntos5
  • Felicidade e propósitoA história real de Chris Gardner · A importância do amor e da motivação familiar · A busca por oportunidades e a crença em dias melhores · A lição de correr atrás dos sonhos
  • Saude Mental e BurnoutRepetição e falta de perspectiva no trabalho · A Revolução Industrial e a produção em massa · Motivação e a importância de entender o propósito do trabalho · O papel do líder em motivar a equipe
  • Sucesso profissional e vida pessoalAquisição de empresas por multinacionais · Ascensão de jovens inexperientes a cargos de liderança · Cortes de custos e demissões · A importância do equilíbrio entre vida pessoal e profissional · Necessidade de reciclagem de conhecimentos
  • Mercado de TrabalhoO papel da mulher em cargos de liderança · A importância da formação acadêmica versus experiência prática · Humilhação e inferno profissional
  • Dia do TrabalhadorGreve de 1886 nos Estados Unidos · Reivindicação por jornada de 8 horas · Manifestações pelo fim da escala 6x1 no Brasil
Transcrição35 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

O Diabo Veste Prada, Em Boa Companhia, Tempos Modernos, A Procura da Felicidade. Quatro filmes que nos fazem pensar sobre o mundo do trabalho, a partir de agora, aqui no nosso podcast.

Olá, tudo bem? Eu sou o Marcelo Abud, seu podcaster radiofônico, e estou de volta com nossas peças raras. Nesse dia 1º de maio de 2026, eu aproveito para trazer um conteúdo bem relevante para esta data, que é o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, que é celebrado em 1º de maio, como uma maneira de se reivindicar

direitos e melhores condições. Aqui no Brasil, esta data é comemorada desde 1925, mas a origem histórica de 1º de maio acontece em 1886, quando milhares de trabalhadores nos Estados Unidos

entram em greve para exigir uma jornada de trabalho de 8 horas. Agora, em 2026, quando a gente tem várias manifestações pelo fim da escala 6x1, é pertinente pensarmos justamente no que o trabalho nos proporciona. Então, eu separei aqui um conteúdo que é um quadro feito para a Rádio USP, eu produzi em 2010.

o Trilha Audiovisual. Ele era exibido no programa Trilha Profissional, apresentado pelo locutor que continua na Rádio USP até hoje, que é o Mário Sante. Aqui você vai ouvir quatro episódios que tinha como ideia

relacionar filmes que de alguma forma pudessem fazer com que refletíssemos sobre o mundo do trabalho. E o primeiro deles que eu separei aqui é justamente um que está em voga novamente, que é O Diabo Veste Prada.

Olá, trilheiro! Olá, trilheira! Talvez você já tenha vivido esta cena. Ao conseguir a primeira chance de sua vida em uma grande empresa, tem a sensação de que vai encontrar uma série de oportunidades para alcançar o tão almejado êxito profissional. Afinal, após ter cursado uma faculdade, parece ser esse o primeiro passo de uma incrível caminhada rumo ao glamour e à glória.

É neste ritmo que segue a produção americana de 2006, O Diabo Veste Prada. Miranda é a editora de uma importante revista de moda. A chefe megera, vivida por Mary Strip, é do tipo que não aceita o menor deslize por parte de seus subalternos.

A vaga de segunda assistente sobra para a recém-formada Ant, representada pela atriz Anne Hathaway. Ali no escalão de baixo, ela demonstra despreparo apesar da formação acadêmica. Afim de superar as dificuldades que encontra na trilha profissional, Andy se sujeita a todo tipo de humilhação e faz o diabo para não ter sua vida profissional transformada em um inferno.

O filme se mostra ainda mais atual em um momento em que o diploma para exercer a profissão de jornalista é colocado em xeque no Brasil. Outra questão em pauta é a postura assumida pelas mulheres ao alcançarem cargos de liderança. A forma como algumas se portam é semelhante à da chefe sádica que deseja mesmo ver o ambiente pegar fogo para quem está nos níveis de baixo.

Mas a mulher que alcança a posição de destaque deve perceber que o que pode oferecer de melhor para a corporação e equipe de colaboradores é justamente algumas das características femininas. Ela vai permanecer no alto escalão se demonstrar sua capacidade de ser agregadora e de administrar conflitos, ações que poucos homens conseguem desenvolver com a mesma maestria.

Nossa história de hoje termina aqui. Lembre-se, a vida, assim como os filmes, é feita de ação. Olá, trilheiro! Olá, trilheira! É hora de ação. Você já viu ou viveu uma cena parecida com essa? Acordo pra trabalhar, eu durmo pra trabalhar, eu corro pra trabalhar.

Em uma grande fábrica, o operário passa todo o tempo exercendo uma única função, a de apertar parafusos, por exemplo. A repetição e a falta de perspectiva o levam a um quadro de estafa. O esgotamento faz com que pareça que está com um parafuso a menos, já que sai apertando tudo o que vê pela frente, até mesmo os botões de uma blusa.

O resultado é a demissão do ineficiente trabalhador e a internação em um hospital psiquiátrico. Ao voltar às ruas, vive atormentado com as preocupações dos tempos modernos. Correria, poluição sonora, congestionamentos, multidões, desemprego, fome.

Você se identificou com essas loucuras dos tempos modernos? Talvez já tenha percebido que estamos falando do ano de 1936, quando Charlie Chaplin lançou uma de suas obras-primas.

Tempos modernos. O clássico do cinema mudo surge no momento em que o mundo havia se frustrado com os resultados da chamada Revolução Industrial, que transformara a calma produção artesanal em uma operação feita por máquinas em grandes fábricas.

No início do século XX, a única preocupação era de aumentar a produtividade por meio da divisão da tarefa de cada trabalhador. Naqueles tempos, o operário era motivado exclusivamente por recompensas salariais, econômicas e materiais. A crise mundial de 1929 revelou a necessidade de uma administração em que a ênfase se desloca das tarefas para as pessoas.

Nos nossos tempos modernos, um fator percebido como motivacional para os colaboradores é entender no que aquela função exercida por ele, mesmo que seja de apertar parafusos o tempo todo, resulta para fazer funcionar a engrenagem da empresa em que trabalha e, em última instância, para a sociedade como um todo.

Grandes empresas desenvolvem dinâmicas para mostrar a seus colaboradores da fábrica a participação que eles têm no sentido de levar satisfação aos clientes da marca. Quando, por exemplo, uma colaboradora que trabalha na linha de uma fábrica de cosméticos

percebe que o produto de seu movimento constante resulta no sorriso de uma cliente, o trabalho passa a ser exercido com um sorriso no rosto também. Este é o papel de um líder de equipe nos tempos modernos, motivar e fazer com que cada integrante de seu time perceba o resultado do seu trabalho. Olá trilheiro, olá trilheira!

Imagine a seguinte cena. Você é um profissional experiente e tem uma carreira bem estabelecida. Eu estou na revista há 20 anos, acredito nela. Está preocupado com os muados de que a matriz vai ser vendida? Da noite para o dia, a empresa para a qual trabalha é adquirida por uma multinacional.

Com a mudança, um jovem é designado para ocupar sua função. Para completar, você tem uma família e, consequentemente, uma série de despesas. E por depender do emprego, precisa manter um bom clima com o seu novo chefe. Quantos anos tem?

Eu tenho 26 anos. Novo em todos os sentidos, já que ele tem a metade da sua idade. 26 e é meu novo chefe. O cenário fica ainda mais difícil quando, por uma terrível coincidência, uma de suas filhas se encanta pelo jovem. Imaginou? De uma hora pra outra você deixa de ser o protagonista da sua empresa e também da sua casa.

Em um mundo cada vez mais globalizado, o enredo do filme Em Boa Companhia do diretor e roteirista Paul Waits retrata a situação de muitos profissionais de meia-idade.

A rede de relações é capaz de elevar jovens sem a necessária competência para cargos de liderança e com o poder de cortar gastos. Ou seja, diminuir a equipe e aumentar o lucro da empresa. Na verdade, eu tenho que cortar 300 mil em salários da equipe de vendas imediatamente.

Nesse quadro ameaçador, o melhor não é lutar, mas aceitar as coisas como elas são. No filme Em Boa Companhia, o workaholic Carter, Topper Grace, assume o cargo de liderança aos 26 anos. Sem vida fora do ambiente de trabalho, ele resolve se autoconvidar para uma visita à casa do cinquentão Dan.

Dennis Quaid, que agora é seu subordinado. A convivência entre eles, que a princípio era apenas um jogo de interesses, mostra ao jovem que a vida não se resume única e exclusivamente ao ambiente de trabalho.

Já o profissional experiente que perde sua posição de liderança, aprende que é preciso estar preparado para mudanças e reciclar seus conhecimentos para acompanhá-las. Então, se a vida imita arte, faça isso você também. Viva mais a sua vida fora do ambiente de trabalho e, ao mesmo tempo, esteja sempre pronto para mudanças e recicle seus conhecimentos. Você vai ser um profissional...

muito mais competente e preparado para os dias atuais. Nossa trilha audiovisual de hoje termina aqui. Na próxima, a gente volta a desfrutar da boa companhia dos filmes. Lembre-se, como no cinema, sua vida precisa de ação.

Olá trilheiro! Olá trilheira! É hora de ação! Ou melhor, a nossa história de hoje é de superação. Imagine a cena! Você é um pai de família que faz de tudo para oferecer o melhor à esposa e ao filho pequeno.

No entanto, com o mau desempenho como representante comercial, o aluguel da casa e a mensalidade da creche do filho com vencimentos atrasados, a família se desestrutura e é a mulher que passa a se desdobrar em mil e a fazer turnos consecutivos para manter as contas em dia. Essa é a história real de Chris Gardner, exemplo de um homem que acredita em dias melhores.

Gardner é vivido nas telas por Will Smith no drama A Procura da Felicidade. Ao fracassar com as vendas, a família passa a ser sustentada pela esposa. Vivida por Tendi Newton, Linda trabalha de forma incessante para pagar as contas do lar.

Porém, não aguenta a situação e decide tentar a sorte em Nova York. O filho do casal, o pequeno Christopher, de 5 anos, acaba ficando ao lado do pai. É desta forma que tem início a trilha de mais um profissional que encontra no filho a motivação necessária para correr à procura da felicidade. Felicidade que parece definitivamente cruzar o caminho de Gardner quando ele passa em frente à Bolsa de Valores e se depara com o riso estampado no rosto das pessoas.

É ali que descobre que para ser corretor de ações não é preciso ter faculdade, mas sim saber lidar bem com os números e ter um bom relacionamento interpessoal. A procura da felicidade demonstra a importância do amor como mola propulsora para seguir em busca de uma oportunidade que possa tornar a vida melhor. Em meio a tantos obstáculos, Gardner ainda encontra tempo para dar uma lição de vida ao filho. Se você tem um sonho...

Tem que correr atrás dele. As pessoas não conseguem vencer e dizem que você também não vai vencer. Lembre-se, a vida, assim como os filmes, é feita de ação. Por hoje é isso. Até a próxima, quando eu volto com mais Peças Raras pra você. Peças Raras. Você em sintonia com o rádio.