Episódios de Redação e Dialogia

Quando a ética é suspensa, a verdade é suspeita

08 de maio de 202652min
0:00 / 52:34

O jornalista, pela ECA-USP, Anderson Antonangelo, e o doutor em Análise de Discurso, pela UFSCar, Fabrício Oliveira, falam do papel da mídia na atualidade e em tempos de Guerra.

TEMA DA AULA:https://drive.google.com/file/d/1owG9...TEXTO ANALISADO:https://drive.google.com/file/d/1NQeM...

Participantes neste episódio2
F

Fabrício Oliveira

HostDoutor em Análise de Discurso
A

Anderson Antonangelo

ConvidadoJornalista
Assuntos4
  • Desconexão da realidadePapel do jornalismo: revelar, ocultar ou distorcer · Influência da tecnologia e mídias digitais · Redes sociais e a formação de opinião · Crítica à superficialidade da TV · Sensacionalismo e espetacularização da notícia · Violência doméstica e subnotificação · O poder da pauta jornalística · Jornalismo como mercadoria e busca por lucro · Influência de grupos financeiros e políticos · A verdade suspensa em tempos de guerra · Guerra do Golfo e o espetáculo midiático · Guerra do Afeganistão e o papel da Al Jazeera · Censura e manipulação na mídia · Ditadura militar no Brasil e a imprensa · Realismo bizarro e distópico na mídia
  • Ética e corporativismo no jornalismoO papel ético do jornalista · A seleção e o recorte da realidade · A crítica à neutralidade jornalística · O valor social versus o valor de mercado no jornalismo · A importância de mídias diversas e internacionais
  • Conflito Irã-EUAImpacto midiático do conflito · Cobertura tardia da mídia ocidental · Declarações de Donald Trump · Posição do primeiro-ministro alemão · Uso de IA em conflitos
  • Humanização de textos por IADiferenças entre FUVEST e VUNESP · Análise de charges e textos argumentativos · Critérios de avaliação de redação
Transcrição139 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Olá, bem-vindos a mais uma aula, um troca de ideias do Redação Ideologia da conversa de hoje. E nada melhor que ter ideia com o meu amigo Anderson Tonângelo, que é jornalista pela ECA. Anderson, vamos para essa troca de ideias.

trocar ideia, realmente conversar e ir para cima, falar um pouquinho do jornalismo, essa peça tão fundamental para as democracias ou para o oxigeno, as democracias, mas também pode fazer um papel manipulador dependendo das escolhas sexuais, dependendo...

do vínculo a certos grupos financeiros, como o The Washington Post, que foi comprado agora pelo Jeff Bezos, dono da Amazon, certos líderes mundiais tendo sua própria rede social que vai moldar a percepção do mundo como um presidente estadunidense que tem sua própria rede social que, traduzindo, seria a rede social da verdade, a verdade social ali, entre outras coisas.

A intenção é essa, hein? O jornalismo revela, oculta ou distorce o mundo. Anderson Donange. Bom dia, Fabrício. Bom dia, pessoal. Sejam bem-vindos a mais uma aula aqui do nosso curso. Sexta, 8 de maio. Vamos adiante. Já estamos aí no segundo terço do ano. A coisa acelera que é uma loucura.

E hoje vamos falar aqui sobre mídia, realidade, percepção, sobre o jornalismo. O jornalismo ali até pelo menos o comecinho do século XXI, tão conhecido como o quarto poder, tão divulgado como o quarto poder, depois passou por um processo de absoluta descentralização com o advento da tecnologia, das mídias digitais, das revoluções industriais do século XXI.

E a informação, como o Fabrício estava bem comentando, está longe de ser algo inofensivo, porque a gente vê que ao longo da história grupos de comunicação, jornalistas, grandes jornais, rádios, e agora as redes sociais, como o Fabrício estava falando, as redes sociais de figuras.

do poder internacional, são alvo de interesse prioritário para a questão de manutenção do poder, para a questão de reafirmação de determinados interesses. Então, se tem todo esse interesse, se tem todo esse movimento, é porque, certamente, algo muito relevante para a manutenção desses interesses sair dali. Vamos falar um pouquinho sobre...

jornalismo, mídia, realidade, percepção, e claro, nós, como consumidores dessa informação, como nós estamos expostos dentro dessa teia informacional, ainda mais numa época de hiperinformação, a infocracia, como nós poderíamos dizer. Então, muita coisa aqui, esse tema a gente vai centralizar na discussão do tema, a gente vai centralizar na discussão do texto.

mas é um tema inesgotável, para mim é algo que, como o Fabrício falou, para mim me pega muito, até pela formação jornalística, mas é algo que tem que pegar para todo mundo, porque a gente está exposto à informação o tempo todo, olha para o lado tem informação, olha para fora tem informação, olha para baixo tem informação, então vamos falar sobre informação, vamos falar sobre jornalismo em nível.

É isso mesmo, Quarto Poder, conhecido como Quarto Poder, tem até documentários, filmes, tem um filme muito famoso que fala sobre o Quarto Poder, esse Quarto Poder tanto no século XX quanto no século XXI, e aí é tomado, eu falei de The Washington Post, que é do Jeff Bezos, mas tem...

O antigo Twitter, que virou o XX, foi comprado pelo Elon Musk. São seis, sete famílias que são donas das grandes mídias brasileiras. Lembrando que as mídias brasileiras são concessões, né? Dadas por governos, e elas têm que cumprir certas metas, certas questões. Mas lucram e buscam o lucro o tempo todo e também têm interesses. A proposta vai mídia, realidade e percepção. O jornalismo revela, oculta ou dissorte o mundo.

É uma proposta no padrão FUVEST, e diferentemente do padrão VUNESP, a VUNESP gosta que você faça a dicotomia e encontre a questão do X e o Y e o Z, então você teria que, de alguma forma, falar do revela, do oculto, do distorce, e escolher um deles. Na FUVEST tem um quesito mais livre.

Você pode escolher os três, você pode escolher dois deles, você pode escolher um deles e defender o seu ponto de vista com mais profundidade, mais afim. Na Unesp, você tem que considerar os três. Essa é a diferença da Unesp para a Fulvestre. Ambas, tanto a Fulvestre quanto a Unesp, pedem dissertações argumentativas. E aqui você tem a realidade de percepção. Então, você tem o jornalismo, ele revela o ponto de stories.

E logo a gente vai ter na coletânea, são quatro textos na coletânea, e há uma charge, três quadros nessa charge. No primeiro quadro aparece a famosa personagem Mafalda, do cartunista argentino Quino. A Mafalda está na frente de uma TV. E aí nessas TVs, ela está sentada na frente de uma TV, e o pai dela passa, observando ela no primeiro quadro.

E ela está sentada com os dois bracinhos, com os dois cotovelos segurando a cabeça e ela olhando para a TV, aparentemente muito concentrada. No segundo quadro, o pai dela dá um passo atrás, fala com ela, olhando para a Mafalda e pergunta, ela na frente da TV, concentrada, na mesma posição, e ele pergunta, mas o que você está fazendo aí com a televisão desligada?

Esse é um fator novo, quebra a nossa expectativa, porque na hora que a gente está vendo, parece que a Mafalda está assistindo a TV concentrada, e a TV está desligada. E no terceiro quadro, a Mafalda responde para o pai, e o pai coloca a mão no queixo, segurando também pensativo. E ela diz, estou pensando. E esse pensando está em negrito e em destaque.

queria ter uma chance de poder pensar, e o poder pensar também está em negrito e em destaque.

na frente da televisão. Então aqui já, nitidamente, nesses três quadros, mostra uma crítica, uma denúncia, dizendo que pressupõe-se que a TV não faz com que a gente pense, ela não faz com que a gente replique. Isso aqui é típico de Fulvesh, porque Fulvesh vai por esses veios, por essas veredas de debate sobre reflexão, sobre manipulações.

efetivamente sobre, até mesmo no ambiente escolar, entre outras coisas. Aqui ela está denunciando essa mídia que entrega muito entretenimento, muita superficialidade, coisas rasas e...

pouca profundidade. Aqui é uma grande crítica ao que a TV é capaz de fazer. Agora, o jornalismo faz com que a gente pense ou não? A gente vai olhar para a coletânea aqui com muita calma. A gente tem ainda três textos para analisar, mas a primeira charge, ou pelo menos a charge, que está dentro da coletânea...

Já indica. Vou fazer a leitura do texto do José Roberto de Toledo, jornalista do UOL. O texto é intitulado Advogados se especializam em defender homens no podcast UOL Prime, de março de 2025. Ele diz o seguinte. A imprensa tem certa culpa.

Quando uma mulher é morta fora de casa, é notícia. É o caso dessa menina que foi assassinada aqui na periferia de São Paulo. Com requintes de crueldade e a gente tem uma cobertura maciça sobre o assassinato dela. Só que, de cada três feminicídios, dois acontecem dentro de casa. E vocês não viram notícia. Por quê? Justamente é a regra. E a notícia é, por definição, quando o homem morde o cachorro. E não quando o cachorro morde o homem.

Neste caso, a percepção das pessoas de que há um risco muito grande de a mulher ser morta pelo próprio companheiro não bate, talvez, com a percepção que elas tenham. Ou seja, a realidade é muito pior do que as pessoas imaginam. José Roberto de Toledo, do Araraquarense José Roberto de Toledo, grande Araraquarense, eu que...

abraço para a região de Araraquara, onde eu fui criado, fiz ensino fundamental, ensino médio, boa parte, depois parte em Minas Gerais e parte em Curitiba, no Paraná também, mas é um lugar que eu tenho muito carinho, o José Roberto Toledo, um ótimo artigo, um artigo investigativo, ele escreve esse artigo no UAL Prime.

Anderson Tonângelo, comentários sobre a Coretânia até então, meu caro. É contigo. É o... A charge do Kino, a charge da Mafalda, lembra o trechinho da música Televisão dos Titãs? Você que é vestibulando, está prestando vestibular agora, saiu do ensino médio.

Talvez não tenha ouvido falar dos Titãs, na década de 80, eles lançaram a música televisão, que era A Televisão Me Deixou Burro, Muito Burro Demais, bem literal em relação ao que o Keno coloca aqui na charge também. A televisão era um grande assunto, talvez fosse o maior expoente de onde nós podíamos acessar o jornalismo. Na época, hoje, pós-século XXI, nós vivemos um outro período, claro.

E aqui no texto 1, José Roberto de Toledo, Arara Quarencia, como o Fabrício falou, na minha leitura é um dos grandes expoentes éticos do jornalismo brasileiro, grandissíssimo jornalista, mais do que um grande jornalista, um jornalista ético que pensa sobre a qualidade e a forma como a informação é passada. E a gente vê isso nesse trecho aqui.

quando ele aponta que a notícia é quando o homem morde o cachorro e não o cachorro morde o homem, cria para a gente a ideia de que, através do jornalismo, existe uma construção daquilo que é a impressão da realidade. Desculpa. Então, o que é o recorte da realidade que é dada? É a capacidade do jornalismo de criar narrativas.

acerca daquilo que se passa. Ele está apontando aqui o sensacionalismo, a ideia da espetacularização da notícia. Você me lembrou, Fabrício, só fazer uma pequena anedota aqui, uma pequena lembrança.

Eu sou nascido em São Paulo, vivo em São Paulo hoje, sabemos dos problemas sociais, criminais, etc., várias questões de São Paulo. Mas quando eu era bem mais novo, eu ia muito para o interior do Paraná, para uma cidade chamada Arapongas, que é onde a maior parte dos meus primos vivem.

e de vez em quando alguns primos meus vinha para cá eles vinha para cá achando que fala não mas eu posso pisar na rua assim tipo ouvia um transformador estourar e falava Nossa tiroteio assim só não tipo eu entendo que São Paulo tem tem várias questões para mas não é assim só que qual que é o recorte de realidade que eles tinham São Paulo

aqueles tipos de programa, que enfim, Brasil Urgente, por aí vai. Não vou nem ficar citando o nome desses supostos jornalistas, porque acho que não vale a pena. Mas é a criação do âmbito de que tipo, nossa, vivemos no caos absurdo, no caos completo, porque isso, enfim, aí outras discussões. Mas por que isso vende e tal? E aí isso já começa a colocar a gente...

no espectro de considerar a informação de que, ok, estamos falando...

do jornalismo dentro de uma economia de mercado né E daí talvez justamente essa questão do sensacionalismo claro que na metáfora dele aqui né quando o homem morde o cachorro tudo bem isso não acontece não tem nada mas de fato ali quando a mulher é morta fora de casa isso vira notícia mas agora a infinidade de feminicídios que há dentro de casa a violência doméstica

a qual é absolutamente normalizada, isso não vira notícia. Cria-se a percepção de que isso é absolutamente normal, já que não é notícia, então qual é o problema? O problema é bater na minha mulher fora de casa, bater na minha mulher na rua, mas em casa está tudo bem, em casa está tudo certo. Então a potencialidade que a informação que nós recebemos tem de moldar as nossas próprias ações e concepções de normalidade.

Então, acho que ele traz um tópico muito importante aqui na ideia de...

É claro que o jornalismo ainda não vai poder falar de tudo. Nem sei o que é isso, nem sei o que é o tudo. Mas a seleção que se faz, ela conduz por uma determinada linha de pensamento. E aí, pontuando o que o José Alberto de Toledo coloca aqui, e lembrando vocês que os textos estão aí para provocação, vocês não precisam concordar ou discordar do texto, mas eu concordo muito que...

cria-se um fio narrativo para determinado tipo de ação, que muitas vezes é feito de maneira irrefletida pelas redações jornalísticas, simplesmente com... E aí no próximo texto a gente vai falar do poder da pauta, porque qual pauta vai vender mais? Qual pauta vai vender mais? Então, acho uma colocação muito sóbria, muito consciente aqui do José Roberto de Toledo, e acho uma ótima maneira de começar a coletânea para esse texto.

E é isso mesmo, meu caro. Aqui você adiantou que a pauta é um ponto central do jornalismo e o texto do Clóvis Rossi, que é um grande articulista, um grande escritor, que ele vai definir o que é jornalismo. E aí ele vai falar especificamente dessa pauta. E esse recorte. O papel das mídias, quando a gente vai falar de mídias, a gente está falando de mídias em geral, e o jornalismo faz parte dessas mídias.

o papel dela é fazer esse entremeio entre o indivíduo e a realidade. Então, claro que ele vai moldar e vai moldar a percepção de realidade que você tem. Por isso é importante ouvir e assistir mídias distintas, de lugares distintos também. A gente está em períodos de guerra, é fundamental.

em que muito se diz que em períodos de guerra a verdade é a primeira a morrer, pois a verdade é suspensa. Eu acho que tem um elemento muito importante aí, a verdade é suspensa, ela vira suspeita de alguma forma ou de outra, e a ética é suspensa. Acho que seria mais ou menos, a frase, o tópico frasal seria mais ou menos esse, em períodos de guerra a ética é suspensa e a verdade é suspeita.

Então, no caso, quando a gente vai observar a pauta jornalística, e esse é o texto do Clóvis Rossi, ele diz o seguinte. Em jornais, revistas ou televisão, há um fio condutor que delimita o que será publicado ou levado ao ar. A pauta.

de mero instrumento de orientação para os repórteres e de informação para as chefias, a pauta acaba se transformando com o tempo em uma espécie de bíblia, ocasionando distorções e limitações ao trabalho jornalístico. Primeira distorção. A pauta, por ser elaborada principalmente em função do que os próprios jornais publicam, gera um círculo vicioso pelo qual os jornais se autoalimentam.

Em consequência, a pauta reflete apenas, parcialmente, o que está acontecendo ou quais os assuntos que preocupam, efetivamente, o público em geral. Ela acaba refletindo muito mais o que os jornais estão publicando e a televisão está mostrando. A cada jornal, e cada jornal publica não tudo aquilo que ocorre no mundo, mas apenas aquilo que cabe no espaço destinado à informação.

Nos grandes jornais, esse espaço varia de 40% a 60% do total de páginas de cada edição. O espaço restante é preenchido pela publicidade. Clóvis Rossi, O Que É Jornalismo.

O Anderson já tinha apontado, acho que aqui é o lugar onde a gente pode desenvolver mais alguns comentários, né, Anderson? Você estava indo naturalmente, a consequência do seu pensamento estava indo para exatamente esse lugar, como que é feita a notícia. O jornalismo não dá conta de tudo, a realidade é muito ampla.

o que ele tem que fazer? Ele tem que selecionar, ele tem que filtrar. Esse filtro passa pelas lentes, às vezes, do próprio jogo do capital. Comente um pouco sobre isso, meu cara, contigo. É superinteressante a maneira como o Clóvis Ross, que realmente é uma mente muito esclarecida, como ele fala sobre a criação de um círculo vicioso. Porque a justificativa...

dos jornais, eu estive dentro das redações, lidei com editores, a justificativa muitas vezes é...

Não, mas esse tipo de notícia o nosso público não quer ver. Eles querem ver sobre isso. Por exemplo, na Folha de São Paulo, como exemplo, a Folha de São Paulo, historicamente, que tinha um viés de divulgação cultural, ela veio com os anos cada vez mais diminuindo o seu caderno cultural, a sua ilustrada, no caso.

E hoje em dia, por exemplo, e isso não estou falando que é uma crítica, é um recorte, mas observe, a Folha de São Paulo é um jornal que vai se pautar muito mais em questões de conflitos e corrupção. Talvez eles tenham identificado que isso é um viagem de mercado. Mas essa questão do tipo, vamos falar das pautas que o público quer ver. Só que ao mesmo tempo o público é condicionado por essas pautas. Então a gente acaba criando um cerco que...

enfim, isola muitas coisas, os acontecimentos mundiais são muito amplos, claro, mas o recorte vai sempre, sempre exatamente para o mesmo lugar. E aí, esse sempre, sempre para o mesmo lugar...

vai acabar refletindo naturalmente o interesse de quem está no controle do grupo jornalístico, da empresa jornalística. E vale lembrar que eu não tenho o número exato, a última checagem que eu tive desse dado é que 97% das empresas jornalísticas brasileiras, por exemplo, pegando o Brasil como exemplo, pertencem a oito aglomerados, oito conglomerados, oito famílias, historicamente, mas hoje são oito conglomerados.

Então, são visões muito restritas, né? E, por exemplo, dentro da história do jornalismo, fala-se muito, usa-se muito como exemplo em 1994, se eu não me engano, que houve o genocídio em Rwanda. Isso foi pouquíssimo noticiado. Pouquíssimo noticiado.

Imagina se esse genocídio fosse, não sei, mas vamos dizer, um atentado na Espanha, um genocídio em um determinado outro lugar. E aí a gente vai vendo que esses interesses acabam esbarrando em questões que são valores sociais muito complicados, por vezes de ordem étnica, por vezes de ordem aporofóbica, ou várias outras coisas. Aqui é só ralando a superfície da coisa.

Então, como essa criação da pauta, na verdade, acaba sendo muito limitante para a comunicação sobre o que está havendo no mundo.

E, claro, nós ficamos à mercê disso também, porque não tem como a gente saber do que está acontecendo. O jornalismo é a nossa mediação com as coisas que estão acontecendo. Se eu falar para você agora, Fabrício, o que está acontecendo no Gabão agora? Eu não faço a mínima ideia do que está acontecendo no Gabão, principalmente porque não tem nada sendo noticiado e eu não tenho como checar pessoalmente. A gente sabe o que está acontecendo em determinados lugares. Vocês estão acompanhando aqui a gente em 8 de maio de 2026.

e se estiverem acompanhando no futuro, só estou botando a data para poder situar, nós falamos principalmente de questões vinculadas a, enfim, não só a política brasileira,

as questões do embate entre Congresso, poder executivo, poder legislativo, mas também há conflitos dos Estados Unidos. Então, os Estados Unidos pautam muito do jornalismo na atualidade. É o que está acontecendo no Líbano, Israel e Líbano, o que está acontecendo nos Estados Unidos e Irã.

e Estados Unidos e Venezuela. Então, isso não é à toa. Tem muita coisa interessante acontecendo no mundo, certamente. Mas a gente vê um direcionamento. E aí, uma coisa que é muito patente, que talvez nós, consumidores da informação, não saibamos, mas as empresas jornalísticas, elas são...

totalmente dependentes de investimento. Elas em si não geram muito capital. Então, como o Clóvis coloca aqui, de 40% a 60%, ou seja, metade, vamos dizer aí, metade do jornal é propaganda. E a outra metade, que é informação, é condicionada por quem também financia.

né o jornal e assim e isso é isso é uma informação clara né não tô falando de conspiração pode se financiar um jornal na maior parte dos países é permitido só que lógico na hora que eu tô lendo eu não tô ali com a lista de financiadores né eu tô assim

assimilando, acho que a maior parte de nós assimila do tipo, ah, o que o jornal está falando é a verdade. Mesmo porque boa parte do discurso midiático vem com isso. Não, nós somos os detentores da verdade. A gente está te trazendo aqui a informação pura e...

e verdadeira e aí eu nem vou entrar nas questões filosóficas sobre verdade aqui mas é qual verdade você tá me contando né E essa é uma pergunta importante e acho que o Clóvis colocar aqui essa questão da pauta e a pauta né é ótimo é quase uma moeda dentro do jornalismo então a pauta ela não é

uma coisa pura, né? Nossa, a informação está aqui, né? A pauta tem, aí como o Fabrício estava falando no começo, trato semântico, de como lidar com ela, que foto eu vou colocar junto com essa reportagem, com essa notícia, várias opções, né? Até o lugar dentro do jornal onde isso vai ser colocado.

Muitas coisas. Enfim, falei demais aqui até, Fabrício. Muitas coisas e coisas boas. Indicações literárias e cinematográficas. Assistir Hotel Ruanda, um filme premiadíssimo, fala justamente desse massacre, desse conflito, pouco noticiado pela mídia ocidental, mas muito grave, acontecido em Ruanda na década de 90. Hotel Ruanda.

Outra dica literária é ler uma peça de teatro de um dramaturgo inglês da era elizabetana, que era contemporâneo de Shakespeare, chamado Ben Johnson.

uma peste-teatro chamada Mercado de Notícias, já no final do século XVI e início do século XVII, mostrando que a notícia já era instrumento mercadológico, instrumento de trocas financeiras. Então, duas dicas. Outro detalhe importante, uma dica para você assistir o mundo de forma diversa. O Anderson indicou o Gabão, mas você sabe o que está acontecendo em Mali nesse exato momento?

8 de maio de 2026, vocês vão ver que está tendo uma tentativa de golpe por forças ocidentais, por mercenários em Mali, e quem está fazendo a defesa do Estado de Mali nesse exato momento são as forças russas, então tem um conflito armado.

pesado em Mali. Para você pegar essas informações, é sempre importante ir atrás de mídias internacionais fora do Ocidente, principalmente uma mídia do Oriente Médio chamada Al Jazeera, que tem filiais em espanhol, em inglês, jornalismo de alta qualidade, de alta monta, também jornalismo russo, que é bem interessante, e jornalismo chinês.

E nesse momento histórico, o jornalismo iraniano, as estatais iranianas também fazem a diferença. Nós sempre indicamos aqui, como ponto de partida, dois jornais internacionais, que são duas estatais. A BBC News, a inglesa, e a Deutsche Welle DW, que é o jornalismo alemão, que também tem filiais no Brasil, então é um jornalismo muito bem feito.

vale a pena porque foge um pouquinho do espectro desses jornalões brasileiros e aí por diante. Anderson falou de pauta e parece, Anderson, aí é a nossa grande crítica, parece que aí eu já não acho jornalismo, quando as pessoas acordam e vão direto para a rede social do Trump.

e vem o que ele escreveu, e aquilo vira pauta. Na verdade, assim, o dia... Quer dizer, isso não é jornalismo. Você ler na rede social do Trump, em que ele é dono, ele não vai censurar a si mesmo. Ele pode falar o que ele quiser ali.

Ele fala o que ele quiser, ele nunca é censurado. Se você pegar as últimas publicações da rede social dele nos últimos 100 dias, são 100 mentiras, ou 2 mil mentiras ali. Ele fala, vamos destruir uma civilização, uma declaração totalmente antiética.

que isso não aconteceu, que não, e a resistência efetivamente do Irã mostra-se efetivamente que é um, como você vai destruir um país onde tem o maior número de engenheiros e doutores per capita?

só abaixo de China e Reino Unido, cara. Então não é uma civilização qualquer, é o povo iraniano, é o povo persa. Tanto é que agora, só agora em maio, a mídia, até mesmo a mídia estadunidense, a CNN, a gente vai colocar até...

Esse vídeo publicou nesse fim de semana, no dia 3 de maio, que todas as bases, a maioria das bases dos Estados Unidos estão totalmente destruídas no Oriente Médio. E mostram elas sendo destruídas. Quem publicou isso? Quem revelou isso? A mídia e jornalismo estadunidense.

O The New York Times já tinha falado sobre isso, agora tem uma reportagem da CNN com vídeos comprovando que a maioria está destruída, e ainda mais, The Washington Post publicou que mais de 220 alvos estadunidenses foram atingidos com uma precisão cirúrgica persa.

porque também tem uma discussão aí onde a mídia oculta, distorce ou revela, mas por que só revela agora em maio se quem segue as mídias orientais sabia disso já desde março? Nós aqui do Redação de Elogia estamos apontando certas informações, a gente fez até uma live sobre IA na guerra.

falando numa perspectiva como que a IA pode ser crime de guerra, dentro da guerra, se não houver uma regulamentação, a gente vai passar por um período de conflito ético complicadíssimo, nós vamos precisar regulamentar, fazer um tratado de não proliferação.

do uso de ar na guerra, nós fizemos essa discussão já há algumas semanas, de onde a gente tira essas informações de mídias confiáveis, de mídias diversas no mundo contemporâneo. O que vai acontecer, se vocês quiserem...

ter acesso, a gente vai colocar aqui na descrição do vídeo, tanto no YouTube quanto na descrição também do podcast do Spotify, vocês vão ter acesso, vai ter o link para vocês assistirem um vídeo de quatro minutos de uma reportagem da CNN mostrando que todas as bases dos Estados Unidos foram atingidas pelo Irã com uma precisão cirúrgica persa, tá? E isso se revelou muito tarde, a gente está em maio, são dois meses.

E o Trump cantando vitória todos os dias, enquanto a derrota nas mídias internacionais. O próprio primeiro-ministro alemão, o Maher, falou no início, final, na última semana de abril, em entrevista, ele falou, olha, a gente está enxergando o Irã, vendo o Irã, humilhando a nação estadunidense. E ele diz mais, ele diz assim,

Ele diz que é preciso, quando você entra numa guerra, é preciso saber os motivos. Você tem que saber entrar na guerra, mas também você tem que saber como sair. E ele está dizendo claramente, fala assim, que os Estados Unidos não estão sabendo como sair. Então a gente está em maio. Então essa pauta da guerra Irã-Estados Unidos não é só uma pauta do jornalismo ocidental, mas uma pauta dos vestibulares, uma pauta das discussões, vocês já discutiram muito isso.

Mas também falar que o jornalismo se baseia em ler tweet de presidente que tem a sua própria rede social. E aí todo o jornalismo passa essa pauta. Ah, não. Qual que é a pauta de hoje? Ler o tweet novo do Trump.

você acaba reproduzindo, retroalimentando esse ciclo vicioso e raso de notícia e acaba gestando tudo aquilo que a gente tem por aí. Então vale muito a pena depois assistir mídias internacionais como a Al Jazeera. Diga, meu caro, você ia falar alguma coisa? Eu ia falar que essa rede do Trump é uma depressão isso daí, que pelo amor de Deus... Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim, Sim

Enfim, saber que civis acessam aquilo. O Trump, enfim, ele não está... Ele assume isso, ele não tem compromisso com nada. Ele cria o dado que ele quer, ele fala o número que ele quer. Não está nem aí.

vive dentro de uma narrativa específica. E saber que tem jornalistas que vão lá e checam isso, isso é deprimente de fato. Nós dois que somos também pessoas da literatura, eu já tinha até tido essa conversa com um amigo, que eu adoraria que essa mídia social do Trump fosse um projeto literário, na verdade.

que é a criação de uma persona, simplesmente ali dentro da sua própria rede social, soltando suas loucuras. Parece até um realismo fantástico. Mas não, na nossa realidade, o realismo fantástico se chama realismo.

a gente chegou nesse ponto, porque é a insanidade dentro do trato informacional, e aquilo é levado adiante, mesmo que for para, vamos repercutir como é problemático, mas é levado adiante, aquilo é surrealismo lisérgico puro, é uma doideira.

E isso leva realmente assim, né? Eu acho que não só realismo fantástico. Eu gosto muito de uma frase do nosso querido Gabo, né? Gabriel Garcia Marques. Perguntaram para ele, falaram assim, de onde você inventa essas histórias de realismo maravilhosas, né? Realismo maravilhoso. Ele falou assim, é que eu vivo na América Latina, ele disse, né? No caso do... No momento que a gente está passando, até mesmo...

de pós-verdade, quando a gente vai analisar essas mídias, como você bem disse aí, da rede social do próprio Trump, é uma distopia da mais bizarra possível. É impressionante como as coisas... Não sei se é realismo fantástico, mas realismo bizarro.

A gente poderia chamar uma nova categoria literária, realismo bizarro, realismo distópico, bizarro, invertido. Bom, vamos lá para o último texto. E aí temos aqui, desde a guerra do Golfo, já há mais de uma década, o papel da mídia tornou-se inconfundivelmente visível e negável.

Há quem diga que aquele famigerado confronto entre as tropas de Saddam Hussein e o poder militar dos Estados Unidos, auxiliado pelo poder de fogo das demais potências da OTAN, foi a primeira guerra travada sobre os holofotes da tensão midiática. A guerra contra o Iraque inaugurou uma nova era de conflito, em grande escala, como verdadeiro espetáculo a ser comercializado e apreciado pelo público e transmitido muitas vezes ao vivo, com direito a replays e intervalos comerciais.

Como detentores dos rumores do conflito travaram no deserto e poeticamente apelidado de operação tempestade na areia e das informações censuradas, é claro, os aliados dos Estados Unidos, aliados aos Estados Unidos, controlaram a guerra de ponta a ponta, decidindo, inclusive, sobre as pausas. Então, a guerra no Iraque, a guerra do Golfo.

Bom, as guerras de hoje são verdadeiros shows de audiência em escala planetária, dignas da Sociedade do Espetáculo de The Board, publicada em 1967, em que vivemos. Essas sociedades dignas da Sociedade do Espetáculo em que vivemos. Já na Guerra do Afeganistão, uma outra guerra, aqui já início do século XXI, a situação mudou bastante. Desta vez, o prejuízo total da CNN...

e das demais emissoras que dominam o mundo da mídia, uma vez que quem controlava o fluxo e a transmissão de informações era não o lado vitorioso dos Estados Unidos, entre aspas, quer sempre falar que é vitorioso, o lado dos derrotados.

E como acontece com frequência, com eventos de audiência assegurada, como a Fórmula 1, a Copa do Mundo, etc., os talebãs, que era um grupo terrorista do Afeganistão, acharam por bem lotear os direitos de transmissão entre os amigos, entre aspas, e a rede árabe Al Jazeera, que ficou com o monopólio da transmissão dos vídeos gravados pelo inimigo, número um dos aliados, Osama Bin Laden.

Vídeos estes que foram entregues por mãos invisíveis a uma das surcursais da emissora de Tempo em Tempo. Foi também nessa guerra, a do afeganistão, que a questão da censura veio à tona. Embora se diga, com muita propriedade, que a primeira vítima de qualquer guerra é a verdade, nunca ficou tão escancarada.

a forma como a mídia manipula a notícia, mesmo naqueles momentos em que os responsáveis negam que estejam fazendo qualquer tipo de maquiagem propositadamente. Canavilil Rajagopalan, designação à arma secreta, porém incrível e poderosa, da mídia em conflitos sociais. Anderson Tonanjo, a gente até se antecipou falando de guerras aqui, já. Guerra...

no Irã, guerra contra o Irã, Israel e Estados Unidos atacando o Irã, e aqui efetivamente, ele está falando, ele localiza a gente na Guerra do Golfo, depois na Guerra do Afeganistão, e faz umas críticas bem interessantes nesse texto, né, meu caro? Então a gente tem alguns elementos que chamam nossa devida atenção e levam a gente a alguma coisa...

Então, a gente tem algumas coisas que são importantes. Bom, aqui, na sequência, a gente vai ler o texto, vamos colocar na tela a redação, e aí a gente faz a devida leitura dessa redação específica, quando a gente for... Porque a gente sempre faz isso em duas partes do podcast. Na primeira parte...

Quando a gente faz a análise da coletânea e na segunda parte a gente lê. Bom, o linguista Caraviru Rajagopalan disserta que a partir da Guerra do Golfo e do avanço tecnológico, a mídia deixou de ser um meio neutro, passando a exercer um papel ativo na construção das narrativas dos acontecimentos. Aqui tem um S nos acontecimentos.

Assim, cenários conflituosos transformaram-se em espetáculos midiáticos, entre aspas, orientados pela busca por atenção e engajamento, ao mesmo tempo em que as informações são frequentemente condicionadas por forças institucionais, tanto estatais quanto privadas, o que limita o acesso pleno aos fatos.

Dessa forma, os meios de comunicação tendem a favorecer determinados lados da história, destacando as positividades, ocultando erros ou ainda omitindo informações relevantes, se essas não existissem para a sociedade.

Isso resulta na construção de uma percepção distorcida da realidade, uma vez que o público deixa de visualizar os fatos como realmente são, passando a enxergá-los conforme são apresentados, o que contribui para a alienação social. Excelente parágrafo, excelente primeiro parágrafo, na verdade, porque aqui já responde a pergunta que é a pergunta-tema colocada.

pela proposta, se o jornalismo revela, oculta ou distorce o mundo. E aí a gente vai tendo, efetivamente, dois detalhes importantes aqui, que é o uso já de saída da própria coletânea, passa pelo texto 3 da coletânea, que é do Rajagopalan.

e fala como que a percepção é distorcida da realidade através do uso do jornalismo. Muito bem feito, tese muito clara, texto muito bem articulado, muito coeso, uso dos conectivos adequadamente, uma coisinha ou outra de linguagem, mas nada que tire nota por enquanto.

Perante isso, observa-se que o jornalismo está submetido às leis do mercado financeiro. Isso ocorre, pois, conforme o artigo que diz sobre a investigação valor...

o valor social do jornalismo investigativo aqui, a partir da década de 1980, houve uma mudança de paradigma. O jornalismo, antes voltado à produção de lucro social, entre aspas, isto é, ao desenvolvimento da sociedade, passou a ser gerido como uma indústria de bens de consumo, transformando-se em uma mercadoria, entre aspas.

Ou seja, o sucesso de uma notícia jornalística passou a ser medido por critérios financeiros e não mais pelo impacto social de suas reportagens. Com isso, as matérias postaram a ser transmitidas com base nos interesses do mercado, convertendo-se em instrumentos de um espetáculo midiático marcado pela dramatização e pela simplificação dos acontecimentos.

com foco no impacto e no engajamento, em detrimento da análise crítica.

ao transmitir entretenimento sobre aparência de informação. Nesse cenário, a lógica do engajamento favorece conteúdos mais sensacionalistas, que contribuem para a distorção da realidade e para a alienação social, dado que o público passa a consumir informações de forma passiva, sem desenvolver uma análise crítica da realidade. Excelente parágrafo, porque é que contextualiza essa visão.

do uso em cima de um artigo da década de 80, mostrando que o lucro social agora é trocado por um lucro financeiro mesmo, os critérios financeiros é que comandam o jornalismo em geral.

Outro detalhe importante, a gente vai aqui para o terceiro parágrafo, outro sim, pontua-se que o jornalismo é condicionado por forças institucionais, tanto privadas quanto estatais, foi já indicado lá na introdução, isso daqui, quase a mesma frase, mas aqui é a coesão.

E diz assim, isso ocorre pois as elites que ocupam esses espaços de poder limitam a circulação de informações nos meios de comunicação, a fim de evitar a divulgação de conteúdos que possam comprometer seus interesses. Nesse sentido, práticas como suborno, censura e manipulação passam a ser empregadas no âmbito midiático, com o objetivo de filtrar e direcionar o que é divulgado para a sociedade. Tal dinâmica pode ser observada na ditadura...

ou pôde ser observada, que aqui teria um acento circunflexo, porque é marcação temporal do passado, tal dinâmica pôde ser observada na ditadura militar do Brasil, período em que a atuação da imprensa foi...

regradamente controlada que contribuiu para a formação de percepções distorcidas que ainda hoje persistem na sociedade. Percepções distorcidas, a tese aqui, como a minimização e a urbanização das práticas de repressão e violência. Isso aqui a gente poderia mostrar no próprio uso da violência policial. Consequentemente, o acesso da população a uma compreensão ampla dos fatos.

é prejudicada porque força a construção de narrativas parciais e contribui para a alienação social. Vamos para o último parágrafo para o Anderson comentar.

Portanto, conclui-se que, desde a Guerra do Golfo, o jornalismo, ao exercer um papel ativo na construção das narrativas dos acontecimentos, contribui para a distorção da realidade ao privilegiar o lucro por meio de um espetáculo midiático, além de se submeter à influência de forças institucionais que condicionam a circulação de informações. Ponto final no texto. Meu caro Anderson Tonângelo, seus comentários, meu caro...

É um texto coeso, ele já, logo de partida, já fala do Rajagopalan, que estava na coletânea, o penúltimo texto da coletânea, e aí vem falando e vem trazendo um artigo jornalístico muito importante, da década de 80. Aqui, meu cara, eu só vi dois detalhes, entre o lucro e controle de extorsão da realidade, só vi dois detalhes que me chamaram a atenção.

Uma ortografia é outra de uma palavra, e aqui concordância é outra, alguma coisa de linguagem, muito pouca coisa. E quando cita a Guerra do Golfo, no último parágrafo, essa Guerra do Golfo não é comentada ao longo do texto. Poderia ter sido comentada, efetivamente, logo no primeiro parágrafo. Contigo, seus comentários, Anderson. Bom, enfim, esses pontos que você falou, eu concordo, tem alguns...

alguns aspectos que carecem um pouquinho de desenvolvimento, mas me parece uma abordagem muito sobre, com uma leitura boa da coletânea, inclusive. Falando sobre a questão dessa transição do valor social, do jornalismo, para um valor exclusivamente de mercado, o que, enfim, acaba coincidindo com a ascensão do neoliberalismo, não à toa.

E acho interessante, né, Fabrício, até extrapolando um pouco o texto, mas pegando as informações que o texto traz, é muito comum aqui para a gente, pelo menos eu já ouvi de muitas pessoas, tenho certeza que, enfim, é um papo recorrente, a ideia de que, tipo, a gente ouve, ah, mas a mídia em tal país é controlada, mas a mídia em tal país é censurada. E beleza, esses problemas também precisam vir à baila, esses problemas também precisam ser discutidos, sem dúvida.

Mas parte-se do princípio de que a mídia aqui não tem controle nenhum, ela é totalmente livre, como se nós estivéssemos no âmbito do ok, aqui é o ápice, o apogeu da mídia. Aqui a gente também tem uma mídia controlada por interesses. São interesses diferentes, de grupos diferentes, mas entender essa dinâmica do que está no bastidor da mídia, que é o palco,

É muito importante. Então, nesse sentido, argumentativamente, parece ser um texto que vai nos pontos principais e sustenta a linha de distorção, já que essa realidade acaba sendo condicionada àquilo que, enfim, atende aos interesses de quem está ali por trás. Seja um grupo econômico, seja um grupo político, seja um grupo religioso ou alguma intersecção entre eles também.

É isso mesmo, né? Essa coisa é um assunto inesgotável, um assunto bem tipicamente Fulvesh, né, Anderson? Fulvesh gosta desses assuntos que são amplos, universais, inesgotáveis, gosta desses assuntos polêmicos, ambíguos, controversos e paradoxais, e a mídia, ela suscita.

todos esses adjetivos. Então, quando a gente observa o papel do jornalismo no mundo contemporâneo, a gente vai vendo o jornalismo nos últimos cinco séculos. Nossa, o jornalismo é tão antigo assim. O lance de passar informação é tão antigo quanto a humanidade.

Então, essa está no viés da comunicação. Mas o jornalismo estabilizado, estabelecido, como jornalismo, a gente conhece desde a prensa de Gutenberg. Então, são quase cinco séculos aí para a gente conversar sobre como a mídia se estabelece. Quando a gente fala de jornalismo, a gente está falando de jornalismo só impresso, só no papel. A gente está falando do jornalismo hoje feito, de jornais independentes. A gente tem muitos jornais independentes.

que isso dá uma oxigenada no ambiente das informações. Isso é fundamental para a gente. Isso é fundamental para a gente. Se a mídia é controlada ou não, e também para a gente não cair no mito da neutralidade jornalística. Sempre tem algum interesse por trás. Sempre tem algum viés por trás.

tem uma lente sendo usada para aquilo. E é fundamental que nós tenhamos em mente que a reflexão sobre os assuntos que um vestibular, como a Fulvesh pede, esses assuntos pedidos pela própria Fulvesh, são assuntos que vão para esse ambiente do amplo e você sempre vai ter que fazer um movimento...

que é o movimento um de toda a Fulvestre, trazer para a concretude. E aqui tem muitos desses elementos. Além disso, a terceira coisa a ser dita é que há a obrigatoriedade do uso da coletânea. Há uma obrigatoriedade do diálogo consistente com a coletânea. E esse é um ponto central. Ótimo texto. Nota para ele, Anderson. Eu acho que aqui vai para uma nota... Só tiraria em linguagem, meu caro. O uso da coletânea...

a apropriação do uso da coretânia, esses elementos são elementos importantes, valendo 40 pontos naquela grade da Fulvestre. De tema, uso da coretânia e autoria, bem consistente, 12 pontos de 12.

Concordo, também acho que o texto é bem consciente da sua intenção, né, e ao mesmo tempo sabe se utilizar daquilo que a grade pede, claramente alguém que entende a grade da FUBESTE e está indo na direção de cumprir aquilo que é pedido.

Exatamente. E responde a pergunta, né? Se o jornalismo oculto, revela, distorce, distorce na percepção de mundo, de realidade. O tipo de texto é um texto citativo argumentativo, né? Então, oito pontos de oito possíveis. Progressão textual, Anderson. Progressão textual, que é progressão, coerência, aqui de 12...

de 12 pontos também daria essa progressão plena. Ah, tem um detalhezinho ali da Guerra do Golfo que talvez tire isso daqui, então pode a escala é 0, 6, 9, 12 pode ser que seja um 9 aqui né? É, ia começar isso também.

Pode ser um 9, acho que o 9 seria interessante, né? É nota mínima. 12 também é possível, mas 9 seria uma nota de 12. E linguagem? A linguagem ali vai ser um 6 de 8. 6 de 8 pontos. 6 de 8. Então, a gente tem aqui, nota mínima do texto, 35 pontos.

35 pontos de 40 possíveis, na grade da Fulvestre. 35 pontos de 40 possíveis. Belo texto, bela discussão. A gente ficaria aqui horas falando sobre mídia, percepção e realidade, se o jornalismo revela, oculta ou distorce. Mas essa live e esse podcast está encerrado por hoje, meu caro, porque a gente iria longe, com certeza.

É isso, né? É isso, é isso. Esse assunto é inesgotável. Quem sabe depois a gente até faz uma live temática e tal. E é super importante, né? E ainda mais, não só por isso, mas vocês estudam atualidades aí também, né? Muito disso vem do jornalismo.

Saber como olhar para essas atualidades, para essa informação também é bem importante. É, isso é imprescindível mesmo. É isso, gente. Voltamos no próximo podcast, no próximo episódio. Até mais para as nossas conversas dialógicas. Até lá. Valeu. Abraço, pessoal.

Quando a ética é suspensa, a verdade é suspeita | Castnews Index — Castnews Index