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Judcast #105 - Virada Sustentável: impacto, educação e o papel das instituições

27 de abril de 202634min
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A edição 105 do Judcast, o videocast do Judiciário gaúcho, aborda a Virada Sustentável e o papel das instituições na construção de uma sociedade mais consciente e responsável. No episódio, você confere como surgiu a Virada Sustentável, o que ela representa hoje na vida da cidade e quais impactos permanecem após o fim do evento.
A conversa também traz reflexões sobre sustentabilidade para além do meio ambiente, conectando o tema a comportamento, ocupação urbana, educação e políticas públicas. Além disso, o programa discute a atuação do Judiciário nesse contexto, a importância das parcerias institucionais e os desafios diante das mudanças climáticas, especialmente após eventos extremos recentes em Porto Alegre.
Participaram desta edição: o coordenador da Virada Sustentável Porto Alegre, Vitor Ortiz; a coordenadora socioambiental da Virada Sustentável, Júlia Caon Froeder; e a diretora do Departamento de Relações Públicas do Tribunal de Justiça do RS, Analice Bolzan.
Participantes neste episódio4
J

Jean Costa

HostJornalista
A

Analice Bolzan

ConvidadoDiretora do Departamento de Relações Públicas do TJRS
J

Júlia Caon Froeder

ConvidadoCoordenadora socioambiental
V

Vitor Ortiz

ConvidadoCoordenador da Virada Sustentável
Assuntos3
  • Virada Sustentávelimpacto na cidade · educação ambiental · políticas públicas · mudanças climáticas · parcerias institucionais
  • Poder Judiciárioresponsabilidade socioambiental · Agenda 2030 da ONU
  • Legado da Escravidaomicroflorestas · murais artísticos
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Começa agora o Judicast, o videocast do Judiciário Gaúcho. Uma conversa aberta sobre justiça, sociedade e inovação no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Sustentabilidade. Todo mundo já ouviu essa palavra. Mas na prática, onde ela começa na vida das pessoas? Ela começa no lixo que não é recolhido. Na enchente que muda a rotina de uma cidade. No jeito de consumir. No jeito de ocupar os espaços urbanos.

E também nas decisões que as instituições tomam todos os dias. Por isso, sustentabilidade não é só reciclar lixo, não é só plantar árvore. É comportamento, é política pública e responsabilidade coletiva. Acima de tudo, também é ação.

É nesse contexto que surge a Virada Sustentável, um movimento que ocupa a cidade com cultura, educação e participação social. E que propõe justamente isso, transformar discurso em prática. Eu sou o jornalista Jean Costa e este é o Judcast, o videocast do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Para conversar comigo sobre o assunto, recebemos aqui o coordenador da Virada Sustentável Porto Alegre, Vitor Ortiz. Seja bem-vindo, Vitor.

Obrigado, uma satisfação poder estar aqui conversando com vocês. Então, boa companhia. Fico com a equipe do Judiciário, que participou dessa virada muito intensamente. E com parte da nossa equipe da virada. A Júlia, que cuida da área socioambiental, que é uma parte importante da nossa programação. Que é quem também recebemos nesta edição do Judicast, a coordenadora social da virada sustentável, Júlia K.1 Freuder. Júlia, muito bem-vinda.

Obrigada, Jean. Oi, gente. Bom estar aqui de volta no Judiciário para contar hoje essa história que aconteceu. A gente veio muitas vezes aqui para sonhar essa história juntos. E hoje é muito bom estar aqui para contar tudo o que rolou nesses dias de virada desse ano.

E completa a mesa, nada mais, nada menos, do que a nossa diretora do Departamento de Relações Públicas, aqui do TJRS, Annalise Bousan. Seja muito bem-vinda, Annalise. Obrigada, Jean. Prazer estar de novo com a Júlia aqui, com o Vitor. Grandes parceiros que estão aí botando essa virada junto do Judiciário. E a gente perto da sociedade, presente, acho que a gente teve uma edição de 2026 super emblemática, com grandes coisas para a gente conversar hoje.

E antes de darmos sequência à nossa conversa aqui neste episódio do Judicast de número 105, convido a você que nos acompanha tanto no YouTube quanto nas rádios e também nas plataformas a nos seguir nas redes sociais. No antigo Twitter, o ex-arroba-tjrsoficial e claro no nosso Instagram, arroba-tjrsoficial. Por lá todos os detalhes desse Judicast também futuramente, além de outras notícias que movem os bastidores.

e o noticiário do Judiciário Gaúcho. Dando o start na nossa conversa, Vitor, nada mais nada menos do que importante a gente saber sobre o funcionamento da virada. A gente tem esse contexto histórico, essa participação fundamental visando um cenário do meio ambiente, mas hoje o que ela virou na prática, na vida da cidade? Como começou o que é a virada sustentável?

Bom, primeiramente, a Virada é um festival, é um festival que se escreve aí numa história de um jeito de fazer atividades culturais ou sociais com grande participação, buscando ou visando a intensa participação do público.

A virada de Porto Alegre se inspira na virada sustentável de São Paulo, começou, teve sua matriz original lá em São Paulo, com o surgimento da virada sustentável. E a virada sustentável de São Paulo, por sua vez...

Teve uma maternidade também inspirada na virada cultural de São Paulo, que é aquele evento 24 horas de cultura, de atividades culturais, que acontece em São Paulo, já também há vários anos, acho que quase duas décadas. E essa virada de São Paulo tem também uma mãe.

que é a Nuit Blanche, que é a Noite Branca em Paris, que acontece nas margens do Sena, já há cerca de 20 anos. Então, a verdade é que em Porto Alegre tem uma inspiração numa história de uma forma de fazer atividade social pública com grande participação popular.

É o caso da Nui Blanche em Paris, é o caso da Virada Cultural em São Paulo, a Virada Sustentável que veio trazer o tema da sustentabilidade para dentro de um festival de arte, cultura, etc. Ou...

como é o caso da Virada, um festival que procura trazer o tema de grande relevância para a sociedade, que é a sustentabilidade, através das linguagens artísticas, da música, da dança, das artes visuais, do teatro, enfim, procurando sempre realizar eventos públicos.

nos espaços públicos, procurando sempre realizar intervenções urbanas que possam chegar até as pessoas e, dessa forma, comunicar, trazer a sua mensagem, a sua missão institucional.

No nosso caso, a principal missão da virada é a promoção da Agenda 2030 da ONU, a Agenda dos ODS, que, na verdade, em torno dessa agenda existe um grande consenso internacional sobre o que precisam as sociedades promover para que nós possamos alcançar um grau satisfatório de sustentabilidade.

Lembrando que sempre são temas muito diversos que estão na pauta da nossa conversa sobre sustentabilidade. Não é apenas a questão da preservação do meio ambiente ou dos impactos sobre o meio ambiente, que obviamente isso também é fundamental, mas é também uma agenda social de igualdade, de combate ao racismo. E cultural também, imagino.

E a cultura, no caso da Virada Sustentável, é a linguagem que a gente encontrou para poder comunicar temas que às vezes são áridos.

de uma forma diferente, que certamente tem mais poder de alcance e penetração nos corações humanos que andam pelas ruas, às vezes meio duros, muito duros pela vida, endurecidos. Que tem dificuldade. Sofrendo tanto com todos os efeitos climáticos. Então, é. E com os problemas sociais, que são parte também da agenda dos ODS.

E falando também em agendas, a gente obviamente vai fazer uma projeção da próxima edição, mas eu quero saber da Júlia o que marcou esta edição na sua avaliação de 2026 do Virado Sustentável, da virada melhor dizendo.

Olha, essa resposta é muito difícil de dar, porque a gente faz muita coisa maravilhosa na Virada. Todos os anos a Virada, nesses últimos dez anos, entregou uma diversidade de coisas muito grande. Mas a gente sempre gosta, ultimamente, das entregas da Virada que deixam legados para a cidade. Inclusive para que a gente possa ter nos eventos que são essas coisas muito efêmeras.

também entregas que vão ficar pra sempre na cidade de Porto Alegre, né? Então eu vou misturar uma bem artística e outra bem ambiental pra dizer que a gente tá muito orgulhoso do novo mural Fauna e Flória, né? Ali no prédio do Forum do TJ, que ficou a coisa mais maravilhosa, né? Lindíssimo. Tá muito lindo. Quem ainda não conheceu o mural, vá lá. Ele tá muito lindo.

E a nossa microfloresta, né? Mais uma, né? Enquanto eu estava falando das novas árvores, né? A gente tem novas 300 porto-alegrenses, que são árvores, que estão morando na nossa cidade conosco, na segunda microfloresta do TJ, né? Então eu vou dar uma resposta dupla aqui para a galera entender que uma coisa só nunca dá para dizer que a Virada fez de maravilhoso, porque é muita coisa.

Eu acredito. E também, Annalise, acho que uma questão importante da gente abordar é justamente o que muda quando o judiciário deixa de só falar da sustentabilidade como um todo e também passa a ocupar esse espaço e essa pauta na cidade que é tão importante.

Eu acho que o que muda mesmo traz muito do nosso slogan desde os 150 anos, né? O TJRS junto contigo. O TJ, ele se propõe a estar junto com a sociedade. A justiça está no dia a dia das pessoas, né? E o TJ, ele traz essa participação na virada como mais uma forma da gente mostrar que o tribunal faz muito mais do que só julgar processos.

O tribunal é signatário da Agenda 2030 da ONU, o tribunal tem as metas de sustentabilidade para cumprir junto ao Conselho Nacional de Justiça, trabalha com licitações sustentáveis, reciclagem de lixo, metas de responsabilidade socioambiental. Mas, acima de tudo, isso poderia ficar no papel, metas a cumprir, mas a gente tem que estar...

junto de onde a gente vive, seja o magistrado que está lá na sua comarca, fazendo as ações junto da sua comunidade, como aqui o tribunal dentro da capital, Porto Alegre. E a gente encontrou essa parceria com a Virada, uma forma de a gente estar junto na cidade, trazendo esse legado maravilhoso, como a Júlia colocou, de a gente ter nas duas últimas edições da Virada, desses 10 anos, a gente tem muita honra de ter participado.

e de ter deixado esse legado maravilhoso para a cidade, que foi o mural do Lupicino Rodrigues, que trabalhou a questão da sustentabilidade, que foi uma área super afetada pela enchente, tudo ali ficou, ali naquela avenida ficou embaixo d'água, mas também a questão do racismo, como nós lançamos naquela oportunidade, nós lançamos a nossa campanha de responsabilidade socioambiental, Delete o Racismo.

Pratique o respeito. O Lupicine foi um ícone, foi uma pessoa que marcou muito essa resistência com relação ao enfrentamento ao racismo. Então, juntando essas duas coisas, ficou estampado e ficou para sempre ali. Então, as pessoas na correria da cidade, que legal a gente passar por um prédio público.

o prédio que tem uma função social, que as pessoas vão ali, nem sempre felizes, porque quem vai num for, quem vai numa audiência, porque está com alguma coisa, está com algum litígio, as pessoas vão ali e tem aquele legado, um momento de reflexão. E além disso, também as nossas duas microflorestas, né, Júlia? Nosso orgulho aqui, né, Vitor?

que o Tribunal de Justiça sediou, recebeu essas duas microflorestas. A primeira, que foi ali no Foro 1, onde foi o nosso mural da fauna e flora deste ano, a primeira microfloresta também, gente. Aquela região ali ficou embaixo d'água. Se nós tivéssemos plantado lá, já naquela época, depois a Júlia vai poder nos dar uma parte mais técnica, o embasamento, mas nós poderíamos ter um outro...

tipo de resiliência daquela área urbana. Então, tu ocupar a cidade com esses espaços de resiliência ambiental, isso deixa a gente cheio de orgulho. Isso envolve o nosso público interno. O pessoal aqui, agora a gente estava aqui em off antes de começar a gravar, o dia estava contando. Ah, eu plantei, o que tu plantou, meu dia? Um IP amarelo. IP amarelo. Eu plantei um araçá. E tu, Júlia, o que tu plantou? Eu plantei uma canafístula.

Uma canafístula. Eu não sei o que eu plantei, mas eu plantei uma das 300 mudas que foram colocadas. Mas com certeza

Está anotado o que você plantou, porque a gente fez todo esse registro. Exatamente. Então, que legal. O nosso público interno vai, se mobiliza, participa. Isso, gente, é a gente criar cultura socioambiental dentro de uma instituição. Então, isso é além de julgar. A gente tem a nossa vara ambiental, que é especializada para julgar processos ambientais, que atuam com especialização para julgar os processos do Estado inteiro.

Mas a gente precisa criar essa cultura interna, né? Para que a gente veja as coisas de uma outra forma. E estarmos juntos da sociedade nessa baita dessa entrega que é a virada. Nos eixo de orgulho. É uma parceria que só tende a crescer.

Ana, ali se pontuou uma questão muito bem, Júlia, que diz respeito justamente a esse impacto da enchente aqui no Rio Grande do Sul, a nossa capital, Porto Alegre, nem se fala, 95% do estado foi atingido como um todo. Mas depois de uma tragédia como essa, que é histórica, infelizmente, aqui na capital, plantar microflorestas como a ação que a gente já vê em outros anos, que vem em 2026 agora principalmente, ela vai num ponto na sua avaliação de memória, ela vai numa reparação de um modo geral ou visando um futuro na sua avaliação?

Ela vai nessas três coisas, Jean. Veja só que poderosa que é a microfloresta. Ela trabalha num sentido de diminuir o tamanho do problema, quando a gente fala de gás de efeito estufa, né? Porque as árvores, elas são essa grande tecnologia natural de coleta dos gases que estão por aí soltos em abundância, né? A gente precisa guardar esses gases de novo. Então, as árvores são essa tecnologia de captura de carbono muito eficiente. Então, plantando essas...

essas duas microflorestas, plantando qualquer árvore, especialmente as nativas, a gente está capturando isso. Então, o TJ ajuda, inclusive, para que as próximas, num pequeno nível, para que a crise climática no futuro seja menor. Então, a gente está fazendo a parte da mitigação.

E quando a gente fala de lidar com um clima que já mudou, né? Ou seja, como que a cidade vai conviver com chuvas maiores, etc. A microfloresta, ela também atua num sentido de aumentar a drenagem, né? Do terreno. Então, a nossa cidade, hoje em dia, ela é muito cheia de concreto, né? Cheia de... Os espaços não estão abertos pra água da chuva que cai e ir pra baixo da terra, né? Então, a microfloresta não só tirou um pedaço de concreto, que a gente tinha calçada ali.

no lugar e colocou agora todas aquelas árvores, mas também as árvores ajudam a sugar toda essa água excedente do terreno. Então, isso aí ajuda muito nas questões de adaptação, de a gente adaptar a cidade com as tais soluções baseadas na natureza. A microfloresta Miauá, que é uma das soluções baseadas na natureza.

que inclusive estão em políticas públicas, como as indicações do que a gente deve fazer nas cidades para que a gente possa viver melhor nesse clima novo que já está se apresentando na nossa realidade. Vitor, se o impacto da própria virada é difícil de se medir, uma das questões que eu quero na tua avaliação também é o que ela prova, na verdade, para que continue viva? E, num sentido geral, quando esse evento termina também, o que significa como uma prova, até mesmo de um próprio sucesso na sua avaliação?

Bom, isso é uma questão difícil de ser respondida com precisão, mas nós podemos afirmar, sim, realizamos esse ano a décima edição da virada. Foram dez anos de atividades em cada um dos...

em cada uma dessas edições, nós sempre tivemos eventos públicos com grande participação. Existe uma repercussão do evento que acontece na imprensa local. A virada, felizmente, é muito bem recebida pelos canais todos de comunicação no Estado inteiro. Então, nós temos no final do evento...

um balanço de mídia que é sempre bastante significativo, o que significa que, pelo menos, a notícia da realização do evento chegou a um grande público de uma forma massiva. Nós temos também, nas redes sociais, um resultado extraordinário. A Virada tem, nos seus canais de comunicação, um alcance bastante significativo.

E nesse legado que fica, por exemplo, quando nós fizemos o mural Lutzenberger aqui do lado do fórum, foi o primeiro do Kelvin Kolbik. Aliás, vamos fazer uma homenagem aqui, um parênteses para uma homenagem ao tio Trump. Ah, maravilhoso.

Do mural Fauna e Flora desse ano. O Tio Trampo fez o mural desse ano. E o Kelvin fez os três murais anteriores das edições anteriores da Virada. O primeiro é esse do Lutzenberger aqui na Borges. Nós fizemos...

para nós mesmos essa pergunta, quantas pessoas dessa vez com essa ação nós vamos conseguir alcançar? E sabendo que a resposta era muito positiva, porque não era uma pena que as pessoas que estavam ali no dia da inauguração do mural, as impactadas por aquela obra. Aquela obra está aí impactando desde 2019.

Nós estamos também com a certeza de que aquilo teve um alcance popular, porque as pessoas que passam de ônibus por ali a caminho da Zona Sul diariamente, né, têm na sua janela a possibilidade de ver aquela obra só para...

Imaginar quantas pessoas poderiam ser. Sim, imagina quantas viajam a Daiane lá na entrada. A Daiane dos Santos, lá no prédio da Fê Comércio, ali no viaduto. O Lupe aqui, que na Orla passam todo final de semana, sei lá, milhares de pessoas caminhando, andando de bicicleta, do sábado e do domingo. Seu momento de lazer também. Seu momento de lazer.

E tem a visual do mural loop aqui no TJ. Enfim, somente os murais têm um alcance imensurável. Então, nós temos fé que isso ajuda a mudar as coisas. Não tem como dar certeza disso, mas...

Se esse tema, sendo tocado, ele já tem ainda... Tudo que é feito não é suficiente, porque obviamente só a conscientização não é suficiente. Precisam acontecer outras coisas que...

que modifiquem o sistema para melhor, como a gente gostaria, na direção da sustentabilidade. Essa mudança é uma mudança complexa e que envolve todo um universo de coisas que acontecem na sociedade. Mas a conscientização é, sem dúvida nenhuma, um passo indispensável e importantíssimo. E nós sabemos que isso é feito nas escolas também.

mas que poderia ser feito mais do que é feito na atualidade, tanto nas escolas quanto nos canais de comunicação. Para a gente, a gente vê, né, Vitor? Porque eu acho que o legado que fica é também trazer essa pauta ambiental para o dia a dia. Com certeza. Trazer essa conversa para dentro das instituições, como o TJ, para a pauta das pessoas.

Porque eu acho que o legado é muito mais do que, claro, que os murais provocam esse debate, essa reflexão. Se a gente tem ali o nosso Sabiá Laranjeira, o nosso Quero Quero, o Brinco de Princesa, o nosso Butiá, que são as pessoas, nossa, isso aqui realmente é nativo do Rio Grande do Sul, tu traz essa conversa ambiental. E as pessoas se identificam, né?

Aqui dentro do TJ eu vejo muito mais do que as quase uma tonelada de que a gente recolheu durante nesses dias de virada de resíduo eletrônico, né? Mais do que o nosso seminário que trouxe todas as escolas, os professores da rede municipal, fica muito ensinamento, né? A gente aprende que sustentabilidade, bem como tu falou no início, é muito mais do que isso. Hoje a gente fala em educação climática.

Eu estou aprendendo muito, a Júlia está aqui, ó. Esse é letramento, esse é letramento ambiental, gente, porque a gente vai aprendendo que as coisas mudam. E a gente fala muito em Geração Futura, Geração Futura é uma das palestras que eu ouvi durante essa virada e que acho que faz todo mundo pensar. É isso, não é só futuro, gente.

As coisas têm que ser feitas agora. O que a gente está fazendo são pequenas ações, parece ali, ah, é 100 metros quadrados da microfloresta, tem impacto, sim. Trazer esse assunto para a pauta, o TJ proporcionar essa discussão interna e externa para a sociedade, tem impacto, sim. Porque não é geração futura.

A gente está falando sobre uma emergência climática que está acontecendo. E nós, no Rio Grande do Sul, parece que a gente está vivendo isso com uma intensidade muito maior. Então, eu acho que tu colocou mais do que conscientização, que trazer a pauta e a responsabilidade das instituições, que eu acho que o TJ está ali fazendo sua parte também.

trazendo isso à pauta, estando junto, para a gente construir isso de uma forma que a sociedade possa colocar também em prática tudo o que a gente está pensando e debatendo durante esses dias de virada. E uma microfloresta com 300 árvores não é tão pouco, não. Porque, olha só, foram 300 esse ano e o ano passado foram 300 também. Quantos já foram? Quase...

A virada já fez três microflorestas. Três microflorestas. A outra também foi 300, mais ou menos. Então, são 900 árvores. O temporal de 2019, janeiro de 2019, em Porto Alegre, derrubou duas mil árvores. Então, nós plantamos já 900.

a redução do impacto. Dá para ter uma ideia do que significa. É uma microfloresta que não é tão micro assim. 300 árvores é muito significativo. E mesmo agora, quando nós fomos inaugurar essa nova microfloresta desse ano, estando diante da microfloresta do ano passado, que também é aqui no prédio do TJ.

Pois é, então, o pessoal que, a Júlia mesmo, que estava ali nos apresentando, nos demonstrando quantas outras árvores essas 300 já criaram naturalmente ali, na sua próprio processo natural, né? Os pássaros, os insetos levaram. De ocupação dos pássaros, exatamente. Não foi só a gente que plantou ali.

Eu acho que a gente vê muito também, a gente viu muito a virada, para mim foi muito emblemática, foi uma ação diferente que aconteceu este ano, foi a questão dos professores. Nós recebemos aqui dentro do TJ professores de 35 escolas, né, Júlia? 35. 35 escolas de Porto Alegre, quer dizer, o professor é aquele que está lá na ponta, falando sobre isso, formando essa e provocando essa...

É muito mais do que só a reciclagem do lixo. A gente tem que ter uma visão muito maior e mais integrada. Então, a gente trabalhou aqui também, nesse dia, com os professores, oficinas de como fazer uma cantina, aproveitando os alimentos sazonais, os alimentos da época. E eles levaram para a escola um jogo, né?

Exato, então assim é colocar isso no dia a dia das pessoas, acho que a virada tem muito isso ela acontece em tantos dias, em quatro, três dias mas ela fica com esse legado pra ser trabalhado durante o ano todo e o jogo tem muito disso, né Julia? Super, a última, desculpa acabar o nosso roteiro aqui, mas tem uma coisa que pra mim é muito importante do legado da virada

que são os encontros que acontecem. Existem muitos encontros que acontecem de pessoas que conhecem o tema, de pessoas que já se conhecem, pessoas que já atuam no mundo da sustentabilidade, que depois saem fazendo projetos juntos, que não sei o quê, que isso daqui dá uma outra repercussão.

as pessoas que se encontram na virada, e isso é uma coisa que a gente nunca vai conseguir mensurar, mas que eu tenho muito apreço, né? Porque é isso, a gente sabe o quão é importante voltar a se ver presencialmente, né? O quanto tem uma energia diferente que acontece quando os seres humanos se encontram. E tem muito encontro bonito, histórias que algumas a gente já ouviu, mas a gente tem certeza que esses encontros que a virada proporciona também ressoam com um impacto, assim, imensurável, mas são muito importantes.

E no final desse encontro que teve com os professores, né, Júlia, uma coisa que me marcou e acho que deixa muito assim como marca da virada, é que o pessoal fez um city tour, entre aspas, entre os pontos principais da parceria do TJ com a virada. Foi muito legal, né?

Quer dizer, o pessoal foi visitar a microfloresta de 2024 no Foro 1, viu o painel de 2026, o painel Fauniflora, depois foi visitar a microfloresta nova, foi ver o painel do Luxemberger, fez uma oficina também sobre a questão do trabalho do trampo, de que forma essa arte urbana pode levar esse recado.

Então, eu acho que isso demonstra bem o espírito da coisa, como a gente diz, né? O espírito da virada e dessa parceria. E nos honra muito a gente estar fazendo esse city tour dentro dos prédios do TJ, mostrando a nossa participação. E quem quiser ver virada ainda...

Não só tem aqui a possibilidade de vir aqui, de fronte à sede do tribunal, na Aureliano Figueiredo Pinto, ver o mural Fauna e Flora do Tio Trampo, um grande artista, muralista, gaúcho, um dos primeiros a abrir esse tipo de trabalho aí na cidade. Ele é uma pessoa muito querida, inclusive, competente, querido, grande artista.

E pode ver também lá atrás da usina do gasômetro, que ainda está lá disponível, aberta ainda, a exposição do Araquém Alcântara.

que é hoje, sem dúvida nenhuma, o principal fotógrafo brasileiro de natureza, vivo, e que tem uma obra fantástica e nos cedeu para a virada sustentável Porto Alegre 20 imagens do trabalho dele, que estão expostas em grandes murais, ali do lado de fora do gasômetro, onde fica o pira, onde se acessam aquelas embarcações que fazem passeio ali atrás da usina.

Bom, assim como toda a programação da virada, todas as atrações, todas as atividades são gratuitas, abertas ao público, financiadas pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, pela Lei Rouanet, com os nossos patrocinadores e também com o apoio fundamental do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que é um dos que ajuda a viabilizar que essa programação toda possa acontecer e possa ser gratuita e possa ser aberta a todas as pessoas.

E que destaca essa própria força também, né, Vitor, do evento como um todo, do movimento, a gente pode chamar, né, essa força que representa também o meio ambiente. Para quem está nos acompanhando no YouTube agora, faço um rápido convite a acompanhar justamente o legado, né, da Virada Sustentável 2026. Essas imagens disponíveis agora do painel Fauna e Flora no Foro 1.

Aqui em Porto Alegre, a nossa capital, imagens que, claro, retratam símbolos aqui da cultura do Rio Grande do Sul, como o nosso bioma gaúcho, entre eles também a própria fauna, como o sabiá laranjeiro, um butiazeiro, além da flor, que representa, claro, o nosso estado, a brinco de princesa, portanto. Para quem nos acompanha nas plataformas de áudio ou nas próprias rádios, portanto, a descrição visual, além, claro, das microflorestas.

recentemente plantada nesta edição de 2026, com 300 árvores, entre elas as quais nós quatro que compomos a mesa aqui também plantamos. Mas antes da gente encaminhar o encerramento, eu quero começar contigo, Annalise, claro, o que a gente pode esperar da virada sustentável de 2027 e, claro, também dessa participação fundamental aqui do Tribunal de Justiça.

Eu acho que vai além da programação. Eu tenho certeza que a programação vai ser maravilhosa. Nós vamos ter outros murais, nós vamos ter outros seminários. Mas o que eu acho que a gente pode esperar é o engajamento cada vez maior, tanto do nosso público interno quanto da comunidade, da sociedade. A gente tem uma revista semanal chamada Informativo aqui no Tribunal de Justiça.

E essa revista, ela mostra-se nos bastidores, o que está por trás de cada decisão, as pessoas que se envolvem nos projetos, dando valor aos magistrados, aos servidores, aos estagiários. E a capa da nossa revista, que eu até compartilhei com a Júlia, é quem se vira para a virada acontecer.

Então, quem do nosso público interno se virou, se dedicou, e eu vejo no rosto, na carinha de cada colega, de cada magistrado, de cada estagiário envolvido, eu vejo uma super satisfação, sabe? O pessoal tem muito orgulho de estar junto nessa história, de estar criando uma conscientização, uma cultura socioambiental dentro da instituição.

da gente estar podendo participar e estar presente na vida da sociedade, da comunidade. Que as pessoas dizem, sabe o painel da virada? Está lá no TJ. Isso dá muito orgulho. Está lá no Foro 1, que é um foro criminal. É um foro super que chega ali os carros da SUSEP com réu preso. Um lugar difícil de litígio. E a gente está ali.

com o Sabiá Laranjeira quebrando todo esse gelo e dando esse aconchego. Com a sombra da microfloresta em breve. Com a sombra da microfloresta, entendeu? Então é isso que eu vejo. Eu vejo que para os próximos eu vejo um engajamento cada vez maior, tanto da comunidade de Porto Alegre, eu vejo um engajamento cada vez maior dos nossos colegas aqui para trabalhar para essa coisa maior que é...

Fazer alguma coisa, entendeu? Fazer, ter uma ação efetiva e com representatividade para a sociedade e trabalhar para essa nova cultura. Júlia, o que você vê também? O que esperar da virada de 2027?

Tu sabe que a virada por tratar dos ODSs a gente nunca exatamente sabe o que vai vir, né? Porque a gente pode escolher um ODS lá e falar de temas muito distintos, né? Os ODSs são 17 temas diferentes, né? Mas eu tenho certeza que a partir dessa confiança que a gente tem com todas as pessoas que se envolvem na virada, né? Isso que a Annalise estava dizendo.

a nossa parceria com o TJ, com as organizações da nossa comunidade, os professores, enfim, a gente certamente vai falar de temas muito relevantes, disso eu não tenho dúvida, e de uma maneira não só a falar sobre o problema, mas sempre a olhar para a solução. Isso que tu está dizendo, Annalise, também é parte da nossa missão como evento, a gente poderia muito facilmente ficar falando só dos problemas, o Gaúcho adora ficar falando dos problemas.

Mas a nossa inspiração é sempre olhar para o lado da solução. Temos isso, é verdade, os problemas existem, mas como é que a gente faz para superá-los? Então, certamente a gente pode esperar uma virada que vai falar de inspiração, de como a gente vira a página e o que dá para fazer nas nossas vidas, no nosso cotidiano, junto com as grandes organizações, as instituições como o TJ, para ter um mundo melhor para todo mundo, porque no final das contas é isso. A gente quer um mundo melhor.

Um mundo bom de viver para bichos, plantas, pessoas, todo mundo que estiver vivendo por aqui. E, Vitor, como coordenador da Virada, eu não posso deixar de te perguntar o que a gente pode esperar da edição de 2027. A Virada, nesses 10 anos, nós tivemos muitas coisas diferentes dentro da programação. Isso sempre se ajusta um pouco dependendo do contexto, do momento, do ano que nós vamos realizar a edição. Então, ainda estamos recém...

concluindo essa edição que foi a décima. A décima primeira terá alguns meses pela frente que terão fatos que certamente vão influenciar as decisões sobre a próxima programação. Nós já fizemos virada com o Covid, no ano da pandemia. E fizemos no ano da enchente. Então, já tivemos muitas...

momentos, circunstâncias que acabaram influenciando a programação da virada. O que acontece, o que está acontecendo no mundo, no país. Até nos próprios ODS, nós estamos prestes a ter uma atualização da plataforma dos ODS, com a inclusão de novos ODS, inclusive o ODS da cultura, que está sendo esperado nessa nova revisão. A gente vai aproximar ainda mais.

a causa da sustentabilidade da questão artística, cultural e tudo mais. Então, mas, certamente serão eventos que vão buscar participação, integração, não só com as pessoas de uma forma direta, com o público em geral, mas especialmente com as organizações, com as instituições, com as instituições públicas como o Tribunal, essa parceria que é...

fundamental e importante, com a universidade, com as organizações sociais. Eu acho que a virada tem na sua veia essa característica e acho que nós devemos buscar isso ainda mais para a próxima edição.

E é com essas belas palavras que eu agradeço aqui a participação dos nossos convidados, o Vitor Ortiz, coordenador da Virada Sustentável aqui em Porto Alegre, e também, claro, da nossa diretora do Departamento de Relações Públicas do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Annalise Bolzão, e a coordenadora, claro, só se ambiental, não posso deixar de falar dela, Júlia Caúmo.

Freder, aqui da Virada Sustentável, e lembrando que sustentabilidade não é só uma pauta ambiental, é uma discussão sobre como a gente vive, consome e se relaciona em sociedade. E iniciativas como a Virada Sustentável mostram, claro, que isso passa por diferentes espaços, inclusive pelo sistema de justiça. Esse foi o Judicast de número 105. TJTRS, sempre junto contigo. Até o próximo episódio. Tchau, tchau.