Carrie, a Estranha: um clássico imortal.
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Professor de inglês em uma escola de ensino médio, Stephen King escrevia contos para revistas masculinas antes de publicar Carrie, seu primeiro sucesso. O autor tinha 26 anos quando vendeu os direitos cinematográficos do livro, que cairiam nas mãos do cineasta que conseguiria praticamente um milagre: fazer King gostar de uma adaptação de sua obra. Eu sou Júlia Gavillan e esse é o Mais Que um Filme.
- Stephen King e CarrieStephen King · Carrie · Primeiro livro publicado · Vida no trailer no Maine · Professor de inglês · Contos para revistas masculinas · Origem como conto · Influência de artigo da revista Life · Imagem da primeira menstruação · Desconforto do autor com a cena do chuveiro · Manuscrito jogado no lixo · Intervenção da esposa Tabitha · Enredo: garota solitária com poderes telecinéticos · Vingança após brincadeira no baile · Estrutura narrativa epistolar · Venda dos direitos cinematográficos · Valor da venda dos direitos
- Adaptação cinematográfica de CarrieBrian De Palma · Lawrence G. Cohen · Marcia Nassadir · David Saskind · 20th Century Fox · United Artists · Orçamento do filme · Omissão de cenas por limitações financeiras · Paralelos com Star Wars · Seleção de elenco conjunta · Amy Irving · William Cate · Carrie Fisher · Glenn Close · Linda Blair · Betsy Slade · Jack Fiske · Sissy Spacek · John Travolta · Nancy Allen · Piper Laurie · Priscilla Pointer · Isidori Menkovsky · Mário Tosi · George M. Auer · Ken Papyod · Alfred Hitchcock · Psicose · Bernard Herrmann · Pino Donaggio · Cenário da casa gótica · Locações de filmagem · Inspiração em Amargo Pesadelo · Cena da mão enterrada · Tapa na cena de agressão · Ferimentos de Paige Soules · Uso de sangue falso · Sequência do baile de formatura · Alterações em relação ao livro · Destino da personagem Collins · Alteração do final do livro · Influência de Trono Manchado de Sangue · Sucesso de bilheteria · Indicações ao Oscar
- Inspirações e base para CarrieBase em duas garotas da escola · Uma delas peculiar com família peculiar
Em abril de 1974, Stephen King lançou Carrie, seu primeiro livro publicado. Na época em que escreveu o livro, ele morava em um trailer no Maine com sua esposa Tabitha e os dois filhos do casal. King trabalhava como professor de inglês em uma escola de ensino médio e escrevia contos para revistas masculinas. Carrie era originalmente um conto destinado a uma dessas revistas. King começou a conceber a história depois que um amigo sugeriu que ele escrevesse um enredo sobre uma personagem feminina.
Antes de escrever Carrie, o escritor já tinha cinco livros inéditos que ainda não haviam sido publicados, incluindo A Longa Marcha. O autor usou como base para a história um artigo da revista Life sobre telecinese, além de uma imagem imaginada de uma garota menstruando pela primeira vez no chuveiro, semelhante à cena de abertura da adaptação cinematográfica. Porém, ao escrever a cena do chuveiro, King se sentiu desconfortável por não ser uma mulher e não saber como reagir à cena se ele fosse uma. O autor também sentiu apatia em relação a Carrie.
Depois de três páginas, King acabou jogando o manuscrito da história fora. No dia seguinte, sua esposa recuperou as páginas do lixo, e convenceu King a continuar escrevendo com contribuição dela. Ambientado no Maine, o enredo gira em torno de uma garota do ensino médio solitária, criada em uma família religiosa abusiva, que possui poderes telecinéticos. Após uma brincadeira cruel feita na noite do baile de formatura, Carrie decide se vingar de seus agressores.
Em parte um romance epistolar, a narrativa é organizada em torno de múltiplos narradores e uma coleção de relatos em ordem cronológica aproximada. Essa estrutura narrativa é usada para indicar que nenhum ponto de vista particular, científico ou não, pode explicar Carrie e os eventos da noite do baile. King tinha 26 anos e recebeu apenas 2.500 dólares quando vendeu os direitos cinematográficos de Carrie, que caíram nas mãos do cineasta que conseguiria praticamente um milagre, fazer o autor gostar de uma adaptação de sua obra.
Eu sou Julia Gaviland, e esse é o Mais Que Um Filme. Monash tinha um acordo com a 20th Century Fox, e o estúdio rejeitou o roteiro quase imediatamente. Marcia Nassadir, uma agente literária que trabalhou para intermediar os acordos dos direitos de adaptação de Carrie, havia assumido um novo cargo como vice-presidente da United Artists, e ao perceber que o projeto poderia ir para as mãos da Fox, se aprestou em aceitá-lo. Nassadir foi a primeira vice-presidente de um grande estúdio de cinema em Hollywood.
Com o projeto garantido, Monash convidou Lawrence G. Cohen, que estava apenas no começo da carreira e tinha um longa-metragem no currículo, para trabalhar como editor de roteiro de Carrie. Curiosamente, anos antes, em 1973, Cohen trabalhava como leitor de manuscritos para o produtor e apresentador David Saskind.
Um dia, após voltar do almoço, ele encontrou um manuscrito na mesa dele, escrito por um romancista estreante, um professor de inglês do Maine chamado Stephen King. Coyne ficou maravilhado logo nas primeiras páginas, e na época já acreditava que King se tornaria um grande contador de histórias. Ele fez de tudo para persuadir Saskin a comprar os direitos do livro, mas o produtor não estava nada interessado no material. Coyne ainda tentou convencer outros executivos que conhecia, mas também não teve sorte.
Anos mais tarde, Monash o contratou como editor de roteiro para trabalhar nessa pequena obra da qual o produtor acreditava que Cohen nunca tinha ouvido falar. Para a sorte do roteirista, o primeiro escritor que o produtor contratou acabou sendo dispensado, e ele recebeu a oportunidade de tentar fazer a adaptação. Responsável pela distribuição e subfinanciando o filme, a United Artists...
Aceitou o roteiro escrito por Cohen e deu a De Palma um orçamento modesto de 1,6 milhão, uma quantia pequena considerando a popularidade dos filmes de terror na década de 1970. Mais tarde, o orçamento acabou subindo para 1,8 milhão, mas certas cenas roteirizadas foram omitidas da versão final, principalmente devido a limitações financeiras.
Talvez você não saiba, mas quem escreveu o texto inicial que aparece na tela no começo de Star Wars, Uma Nova Esperança, foi De Palma, ao lado do roteirista Jay Cox. Na época, o processo de seleção de elenco para Carrie a Estranha coincidiu diretamente com o processo de seleção do primeiro filme da franquia Star Wars. De Palma e George Lucas analisaram um grupo de atores para os papéis de ambos os filmes.
Por exemplo, Amy Irving e William Cate foram considerados para interpretar a princesa Leia e Luke Skywalker antes de serem escalados como Sue Isnell e Tony Ross no filme de The Palma. Carrie Fisher, que assumiu como Leia, chegou a ser considerada para o papel da protagonista que leva seu nome.
Além de Fischer, inúmeras atrizes como Glenn Close e Linda Blair também fizeram testes para Carrie. De Palme estava decidido a escalar Betsy Slade, que havia recebido boas críticas por seu papel em Your Time, lançado em 1984. Porém, ele foi persuadido pelo diretor de arte Jack Fiske a permitir que sua esposa C.C. Spacek fizesse um teste.
Determinada a conseguir o papel, Spacek desistiu de um comercial de televisão que estava pronta para filmar. Usando vaselina no cabelo e um vestido azul estilo marinheira, feito para ela quando ela estava na sétima série, a atriz impressionou o cineasta na audição e ganhou o papel. Carrie avista com esse mesmo vestido azul na cena em que está na escola.
A personagem Carrie foi vagamente baseada em duas garotas que King conheceu na escola. Uma delas era descrita como uma pessoa peculiar, vinda de uma família peculiar. Ao contrário de Margaret, uma fanática religiosa, a mãe dessa garota era viciada em jogos e sorteios. O autor também se lembrava de que a garota tinha uma muda de roupa para o ano letivo inteiro, e era constantemente alvo de piadas maldosas dos outros alunos.
Para se preparar para o papel, Spacek se isolou deliberadamente do resto do elenco durante as filmagens. Ela se refugiava em seu trailer, que era decorado com diversos objetos religiosos. A atriz também analisou a linguagem corporal de pessoas que foram apedrejadas até a morte por seus supostos pecados.
No geral, o elenco de Carrie a Estranha era majoritariamente jovem e relativamente novo, embora Spacek e John Travolta já tivessem chamado a atenção por trabalhos anteriores, respectivamente no cinema e na televisão. Travolta, por exemplo, ainda não havia alcançado o sucesso como estrela de cinema, mas já estrelava a série Welcome Back Colder. Quando ele fez seu primeiro teste para o papel, Travolta estava usando a maquiagem e o figurino do seu personagem na série.
porque precisava encaixar a audição durante o horário de almoço. Nancy Allen foi a última atriz a fazer o teste, e sua atuação aconteceu justamente quando ela estava prestes a deixar o Hollywood. A atriz ficou com o papel de Chris Higlinson. Ela e De Palma se casaram em 1979 e se divorciaram em 1984.
Allen não entendia o quão malvada era sua personagem até assistir a versão final do filme. Inicialmente, ela acreditava que Chris e Billy, interpretado por Travolta, eram um casal egoísta que viviam brigando e uma espécie de alívio cômico. Outra que não entendia sua personagem era Piper Laurie, intérprete da mãe abusiva de Carrie. Laurie achava que Margaret era uma personagem tão exagerada que o filme tinha que ser uma comédia sombria.
The Palma precisava lembrá-la constantemente no set de filmagem de que eles estavam fazendo um filme de terror. Mesmo assim...
Laurie caía na gargalhada durante as cenas, pois achava Margaret ridícula demais. A atriz recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação no filme. The Palma também escalou Priscilla Poynter e Amy Irving, mãe e filha na vida real, para o papel da Senhora Isnell e Sue Isnell, mãe e filha no filme. Em Carrie, ainda há duas músicas na trilha sonora cantadas por Kate Irving, filha de Poynter e irmã de Irving. As filmagens de Carrie A Estranha começaram em 1º de março de 1976.
De Palma começou a produção com o diretor de fotografia Isidori Menkovsky, que acabou sendo substituído por Mário Tosi após conflitos com o diretor. Jack Fiske atuou como diretor de arte, enquanto George M. Auer, auxiliado por Ken Papyod, trabalhou como supervisor de efeitos especiais. De Palma é conhecido por citar e fazer alusão ao trabalho de outros diretores ao longo de sua carreira, sendo Alfred Hitchcock uma das suas principais referências.
Em Cary, ele faz pelo menos três conexões com Psicose, lançado em 1960. Por exemplo, o nome da escola que Cary frequenta se chama Bates High, uma clara alusão ao protagonista Norman Bates. O frigorífico na cidade Bates Packing também ganha o nome em referência ao vilão. Bernard Herrmann, compositor de Psicose, teria composto a trilha sonora de Cary a Estranha, mas faleceu em 1975. Pino Donadio assumiu a responsabilidade, compondo um arranjo de cordas de quatro notas, quase idêntico a uma sobreposição na trilha de Psicose.
Para dar a casa um tema gótico, o diretor e os produtores visitaram lojas de suverniros religiosos para encontrar artefatos para decorar o local. A maioria dos exteriores foi construída em um estúdio em Culver City, enquanto os exteriores ambientados no terreno da escola foram filmados em uma escola em Los Angeles. Ao Larry Carey, Coyne ficou particularmente cativado com o artigo incluído no livro sobre como a jovem personagem conseguiu fazer chover pedras sobre sua casa. Essa parte o inspirou tanto no início quanto no final do filme.
Infelizmente, uma falha mecânica atrapalhou as filmagens do prólogo, fazendo as pequenas pedrinhas caindo do céu parecerem água de chuva. Como a chuva de pedras também aconteceria no final do filme, a equipe descartou a ideia e foi decidido que a casa de Carrie pegaria fogo e desabaria. A cena foi feita com uma maquete em miniatura da casa.
A cena final em que Sue Isnell estende a mão em direção ao túmulo de Carrie foi filmada de trás para frente para dar um aspecto onírico. Ela foi inspirada na cena final de Amargo Pesadelo, filme de John Borman lançado em 1972. Em vez de usar uma dublê para a cena, Spacey insistiu em usar a própria mão.
De Palma contou que os membros da equipe tiveram que colocá-la em uma caixa e enterrá-la, mas ele passou a responsabilidade para Fiske após não conseguir convencer a atriz a usar uma dublê. O público consegue ver esse truque graças a alguns carros andando de ré no início da cena. De Palma idealizou esse final e só conseguiu convencer Coyne após agarrar o joelho do roteirista e assustá-lo enquanto descrevia a cena. Ele foi instantaneamente convencido.
Buscando reações mais autênticas, The Palma pediu que a atriz Beth Buckley desse um tapa forte em Nancy Allen na cena em que a professora Collins bate em Chris Harkinson. Existem diferentes relatos sobre quantos tapas foram necessários para a cena, mas nos extras do filme falam entre 12 e 30 tapas.
Ainda sobre reações autênticas, a atriz Paige Soules sofreu ferimentos graves quando a forte pressão da água da mangueira estourou seus tímpanos. A atriz perdeu a audição de um ouvido por seis meses, até que o tímpano finalmente se recuperou. Embora a produção tenha filmado em um matadouro de verdade para a cena em que Chris e Billy matam um porco, o filme obviamente não usou o sangue de verdade. O líquido era uma mistura de xarope de milho e corante vermelho alimentício.
que se tornava uma gosma pegajosa depois que secava. Para não atrapalhar a produção com a necessidade de replicar o sangue constantemente, a atriz passou a ser acompanhada no set por um assistente com borrificador que mantinha a mistura úmida. Uma das cenas mais memoráveis do filme ocorre durante o baile de formatura, no qual o estado mental vertiginoso de Carrie é retratado com uma sequência de movimentos de câmera que causa tontura.
A tomada da dança entre Carrie e Tommy foi realizada posicionando Spacek e William Ketch em uma plataforma que girava em uma direção, enquanto a câmera o seguia na direção oposta. A sequência do baile de formatura levou duas semanas e aproximadamente 35 tomadas para ser criada.
Durante os primeiros meses de produção, Carrie passou despercebido pelo público, já que o livro de King ainda não era um best-seller. Com base em suas próprias preferências, De Palma alterou alguns elementos cruciais da trama. Uma das diferenças notáveis entre o livro e o filme é o destino da personagem Collins, cujo nome no material original é Senhorita de Jardim. Na versão de King, ela sobrevive, mas De Palma decidiu que a professora de educação física teria um fim violento.
Quando chegou a hora de filmar a cena, o diretor pediu que a atriz se contorcesse como um inseto em um alfinete.
O final de Carrie e a Estranha também foi alterado. No livro, Margaret tem um coração esmagado telepaticamente pela filha, mas a produção não tinha o orçamento necessário para levar essa ideia adiante. Eventualmente, The Palma teve a ideia das facas voadoras, e foi visualmente influenciado por um filme de Akira Kurosawa chamado Trono Manchado de Sangue, lançado em 1957.
Auer foi responsável pela criação do mecanismo para a cena. Seu estupendo trabalho de efeitos especiais no filme influenciaram muitos filmes de terror que saíram depois. Carrie A Estranha se tornou o primeiro sucesso de bilheteria genuíno de The Palma, rendendo a Spacek e Laurie indicações ao Oscar por suas atuações. Eu sou Julia Gaviland e esse é o Mais Que Um Filme. Me siga nas redes sociais para acompanhar o que eu faço pra ir e bater um papo comigo.
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