O castigo de receber o que pediu! (Felipe Seabra)
O vídeo começa com uma inquietação simples, quase banal: ninguém mais lê, ninguém mais vê, ninguém mais consegue ser atravessado por aquilo que consome. Vivemos cercados por livros, vídeos, músicas, filmes, séries, pregações, conteúdos e mais conteúdos sendo empurrados todos os dias para dentro da nossa alma. Mas, no meio de tanta oferta, parece que perdemos a fome. Existe comida demais, mas falta apetite. Existe abundância demais, mas falta significado. E talvez o problema não seja a falta de conteúdo, mas o excesso que já nos fez perder a capacidade de apreciar. A partir de Números 11, o vídeo mostra que nem toda fartura é bênção. Às vezes, Deus entrega o que o homem tanto deseja até aquilo sair pelo nariz, até virar nojo, até revelar que o problema nunca foi a falta de carne, mas a magreza da alma. O povo tinha o maná, tinha o cuidado diário de Deus, mas desprezou a provisão porque queria mais, queria outra coisa, queria o gosto idealizado do Egito. E então o desejo sem governo se torna juízo: recebem o que pediram, mas junto com a satisfação vem a doença, o enfado, o vazio e a alma incapaz de louvar.O vídeo também caminha por Eclesiastes para mostrar que a abundância sem medida termina em canseira: os olhos não se saciam de ver, os ouvidos não se cansam de ouvir, e nada parece novo debaixo do sol. Por isso, a resposta bíblica não é viver em privação, como se Deus quisesse uma alma faminta e miserável, mas voltar ao caminho da medida, da gratidão, do temor e do descanso. A alma precisa de hiato, de silêncio, de jejum, de fechar algumas portas para voltar a sentir. Porque quando tudo entra o tempo todo, nada atravessa; mas quando a bênção é recebida na medida certa, ela volta a gerar satisfação, louvor e presença de Deus.Doação pelo PIX: pr.felipeseabra@gmail.com