Gaza: a guerra que nunca termina - com Motasem A Dalloul
Neste episódio, o Pauta Pública mostra os efeitos dos ataques na vida da população palestina e as perspectivas para o futuro. Andrea Dip conversa com o jornalista palestino Motasem A Dalloul, que vive e reporta os acontecimentos diretamente da Faixa de Gaza. Além de lamentar a perda da sua casa e de grande parte de sua família, incluindo esposa e três filhos, Dalloul fala sobre a precariedade das condições de vida dos palestinos e critica o papel das potências ocidentais em relação à violência na região.
A entrevista foi realizada em inglês e dublada por Ricardo Terto.
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Andrea Dipp
Motasem A Dalloul
- Experiência de Motasem A DalloulPerda familiar · Cobertura de guerra · Resistência palestina
- Conflito Irã-EUAAtaques aéreos · Uso de força letal · Civis mortos
- Condições de vida em GazaImpacto do cessar-fogo · Violência cotidiana · Deslocamento forçado
- Perspectivas para o futuro da PalestinaEsperança de mudança · Direitos palestinos
Olá, eu sou a Andrea Dipp e começa agora mais um Pauta Pública. No dia 28 de fevereiro, um míssil dos Estados Unidos atingiu uma escola no Irã matando mais de 100 crianças. Essa atrocidade, um ataque contra civis, especialmente crianças em uma escola, talvez tivesse parado o mundo há alguns anos.
Mas já faz algum tempo que a linha entre a indignação e a insensibilidade foi borrada. O limite do que é tolerável ou imperdoável foi se transformando a partir do momento em que o mundo passou a testemunhar o genocídio palestino, transmitido em tempo real em telas de celular do mundo todo. Mutilações, execuções, explosões de prédios e corpos.
imagens que deram ao século uma nova expressão de violência. Toda bomba que mata civis no mundo ecoa em Gaza. No entanto, apesar da ficção do cessar fogo, o massacre na Palestina não acabou. O sofrimento do povo ainda é constante e mesmo quando as lentes do interesse público passaram a mirar outras guerras, os corpos em Gaza continuaram a se acumular.
Não há nenhum palestino em Gaza que não tenha perdido inúmeros membros de sua família, que não tenha visto rostos de amigos, de pessoas amadas em meio aos escombros ou mutilados. Não há nenhum palestino em Gaza que não precisou enterrar corpos ou que não tenha familiares desaparecidos.
Há pessoas que, sim, ainda vivas, seja pelos que ficaram, seja pelos que se foram, resistem, permanecem confiando em dias melhores e que alguma forma de vida para outras gerações é possível. Há aqueles que ainda acreditam que o Estado de Israel, de Benjamin Netanyahu, vai pagar pelos crimes e vai ser reconhecido pela história como um genocida responsável pela morte de mais de 70 mil pessoas só na faixa de Gaza.
Israel que agora ataca o Líbano replicando táticas que utilizou contra palestinos, como a de matar civis, médicos e jornalistas, utilizando a retórica de que são terroristas. Israel que, no dia 30 de março, aprovou a pena de morte para palestinos, com direito a estouro de champanhe, broches com forca e danças animadas.
Enquanto os fascistas e genocidas dançam sobre a pilha de corpos, o que a gente pode fazer diante da sensação de terror e impotência é lembrar que ainda há pessoas resistindo em Gaza, e por mais difícil que seja ouvir esses relatos, e é muito difícil, as vozes de Gaza não podem se calar e não podem ser esquecidas.
É por isso que hoje o pauta recebe Motazen Adalou, jornalista palestino que está em Gaza, reportando de perto tudo o que acontece no território devastado. Ele fala sobre como está a vida na Palestina hoje, sobre como tem sido para os palestinos sobreviver e recolher as esperanças em meio às ruínas, e sobre como esses novos ataques de Israel e Estados Unidos em países próximos podem afetar o destino de toda a região.
A entrevista foi gravada em inglês e a dublagem do Motazem é na voz do Ricardo Terto.
Ok, então minha primeira pergunta para você é há quanto tempo você está cobrindo a guerra de Israel em Gaza? Eu estive lidando com a agressão israelense contra os palestinos na faixa de Gaza desde 2000. Eu reportei a agressão israelense contra os palestinos durante diferentes guerras, entre 2000 até hoje. A primeira grande agressão, ou a primeira guerra que eu vivi, foi em 2008 e 2009. A agressão israelense começou às 11 da manhã.
Eu estava caminhando na rua, de repente ouvi o som de explosões massivas por toda a cidade de Gaza. Mais tarde, descobri que essas explosões foram resultado de ataques de caças israelenses que atingiram todos os escritórios de segurança e toda a faixa de Gaza. Um desses ataques teve como alvo a polícia civil no oeste da cidade de Gaza. 400 policiais foram mortos em um único ataque aéreo e aquilo foi a pior coisa que eu já vi na vida, independentemente das cenas que vemos nesse genocídio em curso.
Dois dias após o início daquela guerra, a ocupação israelense atacou a minha casa em 29 de dezembro de 2008. Bombardiaram a minha casa e, graças a Deus, apenas dois dos meus filhos ficaram feridos. Não houve mortes. Depois disso, parei de reportar e de cobrir a guerra por um tempo, porque aquilo me causou um grande choque pessoal.
Em 2012, viajei para Londres, fiz meu mestrado em jornalismo internacional e depois voltei para casa. Em 2018, os palestinos organizaram manifestações semanais ao longo da barreira leste da faixa de Gaza para protestar contra o cerco israelense contínuo. Eles exigiam o fim do cerco, o levantamento das restrições à circulação de pessoas, mercadorias e pacientes.
As instalações médicas em Gaza não são suficientemente qualificadas para oferecer tratamento adequado aos pacientes, especialmente aqueles que sofrem de câncer e outras doenças graves. Embora as manifestações fossem completamente pacíficas, as forças de ocupação israelenses responderam com força total.
Com base em testemunhos e relatórios de organizações de direitos humanos e de organizações internacionais, incluindo agências da ONU ligadas aos direitos humanos, foi constatado que as forças israelenses estavam usando força letal contra manifestantes palestinos totalmente pacíficos.
A marcha do retorno, como foi o chamado protesto que reuniu mais de 30 mil pessoas, foi o início de um movimento que deveria ser pacífico com duração de 45 dias. Mas não foi o que aconteceu. Os soldados israelenses lançaram bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e abriram fogo em resposta às pedras lançadas pelos palestinos.
Durante essas manifestações, eu fui caçado por um atirador de elite. Esse atirador me enviou uma mensagem no Twitter. A mensagem dizia, nós vamos te caçar, porque eu estava expondo seus crimes.
Eu registrava, em fotos e vídeos, os ataques e as violações israelenses, documentando o uso de força letal contra manifestantes desarmados e publicava esse material no Twitter e em outras plataformas. Eu trabalho oficialmente para o Middle West Monitor. E então, na sexta-feira seguinte, eles me caçaram. Atiraram em mim.
Eu estava trabalhando com um grupo de cerca de 20 jornalistas estrangeiros. Todos nós usávamos equipamentos de imprensa e estávamos claramente identificados como imprensa. Mas eles me caçaram. O atirador atirou em mim no peito. A bala entrou pelas costas e era uma munição explosiva que detonou dentro do meu corpo. Ela dilacerou minhas pernas e outras partes internas do meu corpo, incluindo o fígado. Eu entrei em coma por vários dias.
Depois que eu me recuperei, fiquei cerca de 20 dias ou mais de 20 dias no hospital. Alhamdulillah, eu me recuperei.
E depois da alta, levei várias semanas para me recuperar totalmente. Alhamdulillah, graças a Deus, eu recuperei minhas forças completamente. Eu não esperava que isso acontecesse, mas aconteceu. Eu voltei ao trabalho, retomando minhas reportagens e a cobertura da agressão israelense. Em 2023, no dia 7 de outubro, eu estava no telhado da minha casa pela manhã.
De repente, eu vi algo estranho no céu. Descobri que foguetes palestinos haviam sido lançados em direção ao que é descrito como escudos humanos israelenses, assentamentos a leste da faixa de Gaza. Não existe apenas 7 de outubro.
A agressão israelense é contínua, não para. Isso vale tanto para as ações das forças de ocupação israelense, quanto para os colonos que, todos os dias e noites, matam palestinos dentro de suas casas. Eles invadem vilarejos e cidades palestinas, ateiam fogo a propriedades, eles cortam árvores, arrancam plantações, destroem fazendas, despejam esgoto nas terras agrícolas palestinas e soltam javalis nas plantações.
Em teoria, há um cessar-fogo, mas não é isso que a gente está vendo. Eu gostaria de te ouvir. Na prática, esse cessar-fogo existe? Na prática, esse cessar-fogo não existe. O que existe é apenas uma espécie de redução dos ataques.
No entanto, de tempos em tempos, os ataques voltam a se intensificar e pessoas são mortas. Isso já aconteceu três vezes. Mais de 100 ou 150 pessoas foram mortas em um único dia. Nos outros dias, são dois, três, quatro, cinco, doze. Ontem foram mortos 13 palestinos, incluindo nove pessoas de uma mesma família. Uma família inteira apagada do registro civil.
Anteontem, mataram três pessoas. No dia anterior, seis. Todos os dias, palestinos são mortos em Gaza. Não há um único dia sem novas mortes.
Ao menos 100 crianças teriam morrido em ataques israelenses na faixa de Gaza desde o início do frágil cessar-fogo entre Hamas e Israel. O Hamas e o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, vêm trocando acusações de violações da trégua e o exército israelense continuou a realizar ataques aéreos e operações direcionadas ao território palestino.
O tempo todo, eles matam civis e alegam que encontraram ou atingiram um líder de milícia. No entanto, os fatos no terreno provam o contrário. Quando vamos aos hospitais e vemos os corpos das pessoas mortas, encontramos crianças e mulheres, e raramente homens.
Isso demonstra que essas alegações são falsas e que servem para enganar o mundo e justificar os ataques e a continuidade das mortes de palestinos em Gaza. E se esse for o argumento de que estariam atingindo combatentes, tudo bem, vamos aceitar isso por um momento. Mas então, por que não permitem a entrada de comida suficiente? Por que não permitem a entrada de medicamentos? Por que impedem a chegada de materiais de reconstrução para restaurar hospitais e clínicas?
E deixa eu perguntar, por que não avançam para a segunda fase do cessar-fogo, quando o lado palestino cumpriu integralmente tudo o que era exigido, tudo o que era previsto no acordo?
Eles libertaram os prisioneiros, entregaram os corpos dos prisioneiros mortos e até abandonaram seus escritórios. O governo palestino em Gaza, que Israel alegava ser composto por milícias e militantes do Hamas, abandonou seus escritórios. E eles disseram que estavam esperando que o Conselho de Paz viesse a assumir as responsabilidades.
No entanto, recusaram-se a permitir que os membros desse conselho entrassem e começassem a operar em gás e administrar a vida da população. Eles não se retiraram nem um centímetro das áreas ocupadas, embora fossem obrigados a isso pelo acordo de cessar fogo. Em vez disso, ampliaram a área ocupada que se estende para além da chamada linha amarela.
Todos os dias, eles expandem a área ocupada e empurram, comprime a população para um espaço muito pequeno, menos da metade da faixa de Gaza. Se você vier a Gaza e olhar para a costa do Mediterrâneo, verá que toda a orla está cheia de tendas e de pessoas deslocadas. Imagine centenas de milhares de pessoas sem casa, dormindo à beira-mar, no frio do inverno. Imagine que em uma noite, todas as pessoas vão dormir e, de repente, uma onda forte do mar arrasta as tendas e elas acordam correndo procurando seus filhos.
Essa é uma vida insuportável. Gaza se tornou inabitável.
As forças de ocupação israelenses posicionadas a leste da cidade de Gaza ou na parte ocupada da faixa de Gaza continuam atirando contra as tendas das pessoas deslocadas. No mês passado, uma bala atravessou a tenda dos meus filhos, mas graças a Deus nenhum deles ficou ferido. Eu também esqueci de mencionar que durante esse genocídio, perdi minha esposa e três filhos. Em fevereiro de 2024, perdi minha esposa e meu filho pequeno, Abu Bakr. Ele tinha cerca de dois anos e meio.
Em maio de 2024, perdi outro filho. Em 8 de outubro de 2025, perdi meu terceiro filho. Meu terceiro filho estava noivo. Estávamos planejando o casamento para depois do fim do genocídio, na tentativa de amenizar a dor e a tristeza que vivíamos. Mas dois dias antes do anúncio do cessar fogo, ele foi morto, enquanto tentava conseguir comida para nós.
E não foram apenas esses quatro membros da minha família. Eu perdi um irmão, ele tinha 40 anos, e o filho mais velho dele, meu sobrinho. Também perdi uma irmã que foi atacada dentro de casa junto com o marido, os filhos e os netos. Ela foi morta, assim como seus filhos e netos. Apenas o marido e um dos filhos sobreviveram. Também perdi toda a família de outro irmão, meu irmão mais velho, que está no Egito.
No total, perdi mais de 200 parentes da minha família ampliada, de segundo e terceiro grau. E isso, infelizmente, não é incomum quando comparado ao número total de mortos, que ultrapassa 72 mil pessoas. Quero fazer uma observação sobre esse número. O dado oficial aponta mais de 72 mil mortos. Mas há cerca de 10 mil pessoas desaparecidas que não estão incluídas nessa contagem.
Sabemos que muitos dos desaparecidos estavam dentro de suas casas quando foram atacados, o que indica que seus corpos provavelmente estão sob os escombros.
Mas também há milhares de pessoas desaparecidas cujo destino é desconhecido. Não sabemos onde estão, se estão vivas ou mortas, se foram vítimas de desaparecimento forçado, sequestradas ou detidas pelas forças de ocupação israelenses. Não sabemos nada sobre eles. Um deles é meu amigo. O sobrinho me contou que viu o tio ser atingido na perna. Ao ver isso, ele fugiu. Depois disso, disse que não encontrou nenhum vestígio do tio.
Esse homem que foi atingido na perna não deveria ter morrido. Dois dias depois, quando as forças se retiraram, eu mesmo fui até o local para procurar. Não encontrei nenhum sinal que ele estivesse lá. Encontramos apenas pequenas manchas de sangue e nada mais. Não sabemos se está morto, sequestrado, desaparecido, a força ou detido. E você não imagina como é quando os filhos pequenos dele vêm até mim e dizem, Tio, você pode nos dizer alguma coisa sobre o nosso pai?
Eu desabo em lágrimas. Não consigo responder. Esse é apenas um caso, por exemplo. E imagine a complexidade da situação quando na semana passada a esposa dele conseguiu emitir uma certidão de óbito. Ela estava feliz. Por quê?
Ela ficou feliz. Feliz por quê? Ficou feliz porque isso permitiria que as organizações humanitárias reconhecessem que ela não tem mais um marido e que precisa de ajuda para os seus filhos. Ela ainda não sabe se o marido está morto ou não, mas foi obrigada a obter uma certidão de óbito para conseguir buscar assistência e garantir o sustento dos filhos.
Eu sinto muito em ouvir isso, é terrível. É, é inacreditável. É inacreditável e é também inacreditável como o mundo inteiro não está fazendo nada. Agora uma pausa e a gente já volta.
Eu saí de um show de Paul McCartney direto para o hospital. E essa é a história de como eu morri. Na balança, tive que me livrar de 58 quilos. E nesse sarapatel teve de tudo. Obesidade, ultraprocessados, canetas emagrecedoras. Uma investigação com rigor de ciência, mas toda trabalhada num temperinho pernambucano. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o A Última Bolacha, o novo podcast narrativo da agência pública. Toda segunda, em todos os tocadores de podcast.
Eu tenho duas perguntas para você. Uma delas é sobre como a escalada da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e no Oriente Médio de forma mais ampla tem afetado a situação em Gaza. Como você vê o impacto dessa guerra envolvendo não só Israel, mas também os Estados Unidos em tudo o que está acontecendo aí?
Nós, na Palestina, entendemos qual o objetivo final da ocupação israelense. Eles querem estabelecer o que eles chamam de Grande Israel, que se estenderia do Nilo ao Eufrates. Isso incluiria partes do Egito, da Síria, do Líbano, do Iraque e outros territórios. Sabemos, portanto, que essas guerras e ataques fazem parte desse projeto.
Horas depois de Trump anunciar o cessar-fogo EUA-Irã, Israel lançou uma onda massiva de ataques no Líbano. Cerca de 100 alvos foram atingidos em minutos. Israel diz que a maioria dos mortos eram combatentes do Hezbollah-Tec, mas vídeos do local mostram casas destruídas e civis feridos.
Agora estão atacando o Líbano e o Irã. Depois podem mirar a Turquia, a Síria, o Egito e os países do Golfo. Algumas autoridades israelenses já dizem que a Turquia pode ser o próximo alvo após o Irã. E é por isso que Netanyahu estaria pressionando Trump a não interromper a guerra.
Essa guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã nos afeta de duas maneiras principais. A primeira é que, como esses ataques são de grande escala e dominam a tensão global, a mídia se concentra neles e deixa de olhar para o que acontece em Gaza. Isso permite que a violência continue aqui sem a devida tensão internacional. Eu mesmo notei uma queda no engajamento com o meu trabalho, já que muitas pessoas voltaram sua atenção para o Irã.
Esse é, claro, um tema muito importante e que merece atenção. Mas, ao mesmo tempo, o que acontece em Gaza também precisa continuar em destaque, porque a violência não parou. A segunda forma de impacto é que esses ataques têm como alvo o Irã e seus aliados. A resistência palestina em Gaza é considerada um desses aliados e recebe o apoio do Irã, embora existam diferenças ideológicas, por exemplo, entre grupos sunitas e xiítas.
Apesar dessas diferenças, o Irã é visto como um dos poucos países da região que apoiam abertamente a resistência palestina. Quando Netanyahu fala publicamente, ele afirma que Israel pretende derrotar o Irã e seus representantes, incluindo os palestinos. Portanto, isso nos afeta diretamente. Impacta a nossa região e a nossa capacidade de agir.
Então, passando aqui para a minha última pergunta, eu gostaria de te ouvir sobre o futuro da Palestina. Como você vê o futuro? Como os palestinos enxergam o futuro da região? Eu quero falar sobre duas coisas. A primeira é que temos muita esperança de que a dominação de Israel e dos Estados Unidos não dure até 2027. A segunda coisa é que nos recusamos a aceitar a vida como ela se tornou em Gaza.
Um lugar onde viver se tornou insuportável e onde sofremos intensamente. Não temos hospitais, não temos escola, não temos nada, nem mesmo redes de esgoto. Mas acreditamos que essa é a nossa terra e que existir aqui é um direito. Não vamos nos render. Não vamos abrir a mão dos nossos direitos. Estamos preparados.
Todo palestino, especialmente os que estão em Gaza, com quem convivo todos os dias, crianças, mulheres, idosos, todos estão dispostos a morrer por sua terra, pela Palestina, por seus direitos. Certo. Muito obrigada mais uma vez por compartilhar essa história tão difícil com a gente. Muito obrigado. Tchau.
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E chegamos ao fim de mais um Pauta Pública. Obrigada a quem esteve com a gente até aqui. O Pauta é apresentado por André Edipe, que também fez a entrevista e a tradução deste programa. O roteiro é de Ricardo Terto, que neste episódio fez a dublagem do entrevistado. A produção é minha, Estela Diogo, com apoio de produção da estagiária Thais Santana. A edição do áudio é do Pedro Pastoriz e a coordenação de podcasts da Agência Pública é de Sofia Amaral. A identidade visual do Pauta Pública é da Thainá Gonçalves.
Na comunicação, a coordenação das redes sociais é da Lorena Morgana, o vídeo para as redes é de Tchene Karen e a publicação no site fica com Guilherme Silva e Rafaela Ribeiro. A trilha sonora original do programa é do Pedro Vittori. Esse episódio inclui áudios dos canais SBT News, G1 e First Post. O Pauta Pública é uma produção original da Agência Pública de Jornalismo Investigativo. Se você quiser falar com a gente, é só deixar um comentário ou mandar seu recado através do e-mail podcast.org.
Um abraço, gente, e até semana que vem. Se você quiser falar com a gente, é só deixar um comentário ou mandar seu recado através do e-mail podcasts.org. Um abraço, gente, e até semana que vem.