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T05E06 | Vidas Roubadas: Mortes violentas e acidentes roubam anos de vida dos jovens no Brasil

08 de setembro de 202627min
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A dinâmica da mortalidade por causas externas no Brasil revela transformações demográficas e espaciais profundas nas últimas décadas. No sexto episódio da quinta temporada do podcast Rasgaí, o Programa de Pós-Graduação em Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGDem/UFRN) apresenta os achados da tese de doutorado da pesquisadora Ana Edimilda Amador, orientada pelo professor Flávio Freire. O estudo investiga as disparidades regionais na perda de vidas por acidentes de transporte terrestre, agressões e lesões autoprovocadas entre os anos 2000, 2010 e 2019.

A partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS) e dos Censos Demográficos do IBGE, a análise aplicou correções para o sub-registro de óbitos e utilizou a técnica de tábuas de vida com múltiplos decrementos. O método permitiu simular cenários hipotéticos de eliminação das causas não naturais para mensurar o impacto direto na expectativa de vida ao nascer e estimar os Anos de Vida Perdidos (AVP), indicador que pondera a idade em que o evento fatal ocorreu em relação à longevidade esperada da população.

Os resultados apontam para uma acentuada sobremortalidade masculina, concentrada a partir dos 15 anos de idade e com ápice na faixa dos 20 aos 29 anos. Do ponto de vista geográfico, a pesquisa registra uma migração da intensidade do fenômeno: enquanto a Região Sudeste reduziu de forma contínua suas perdas absolutas e relativas no período, as regiões Norte e Nordeste apresentaram um expressivo agravamento. Em 2010, por exemplo, a erradicação teórica das mortes por causas externas acrescentaria mais de quatro anos à expectativa de vida dos homens no Norte e Nordeste, evidenciando o custo demográfico da violência e dos acidentes sobre as gerações jovens.

A mensuração desses diferenciais reforça que as mortes não naturais não se distribuem de maneira homogênea e estão associadas às desigualdades socioeconômicas estruturais do território brasileiro. A produção de indicadores demográficos precisos sobre mortalidade prematura constitui um subsídio central para a formulação, o monitoramento e a integração de políticas públicas nas áreas de saúde coletiva, segurança pública e planejamento urbano.

Você pode conhecer a tese completa no Repositório Institucional da UFRN.

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