Gestão Rural #66 - Gestão rural começa onde ninguém quer mexer
A profissionalização da gestão e a governança corporativa deixaram de ser diferenciais para se tornarem pilares de sobrevivência e expansão no agronegócio. Neste episódio, recebemos Artur Toledo, sócio da Trato Consultoria e pecuarista, que compartilha sua transição da área da saúde para a liderança de propriedades rurais. Com base em sua vivência prática, ele demonstra como a implementação de processos simples — desde o rigor no fluxo de compras até o alinhamento societário em empresas familiares — mitiga riscos financeiros, reduz ruídos de comunicação na fazenda e facilita o acesso a linhas de crédito mais competitivas. Uma reflexão estratégica e indispensável para quem busca blindar o patrimônio e garantir a longevidade dos negócios no campo.
PARCEIRO DESTE EPISÓDIO
Este episódio foi trazido até você pela SCADIAgro! A SCADIAgro trabalha diariamente com o compromisso de garantir aos produtores rurais as informações que tornem a gestão econômica e fiscal de suas propriedades mais sustentável e eficiente. Com mais de 30 anos no mercado, a empresa desenvolve soluções de gestão para produtores rurais espalhados pelo Brasil através de seu software.
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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidado: Artur Toledo
Edição: Rose Idiartt
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Speaker B
Speaker C
Speaker D
Artur Toledo
- Governança corporativa e institucionalDefinição de governança · Clareza financeira e tomada de decisão · Acordo de sócios e protocolo familiar · Planejamento sucessório
- Agricultura e propriedade ruralImplementação de processos simples · Fluxo de compras e insumos · Comunicação formal e reuniões semanais · Alinhamento societário e familiar · Acesso a linhas de crédito
- Planejamento PatrimonialA escolha de ficar ou sair · Valorização do patrimônio rural · Acordos para saída e indenização · Planejamento em caso de falecimento
- A Importância de IncomodarDiscussão sobre o futuro e prioridades · Clareza sobre resultados financeiros · Definição de participação de cônjuges · Regime de casamento e testamento
- Acesso ao financiamento e burocraciaOrigem da Trato Gestão no setor bancário · Demonstração de solidez e organização · Diferença entre CPF e CNPJ na gestão
- Comunicação no trabalhoRedução de ruídos e conflitos · Definição de prioridades e tarefas · Diferença entre urgente e importante
- Transição de carreira na agroindústriaOrigem na área da saúde · Início no agronegócio familiar · Experiência empreendedora anterior
Agro Resenha Podcast apresenta Gestão Rural, o podcast que facilita o entendimento sobre gestão de fazendas. Um oferecimento de SCAD Agro, o software de gestão feito para o produtor rural.
E aí, pessoa! Estamos começando mais um episódio dessa série sobre gestão rural, que é um tema tão importante para o avanço sustentável do agronegócio, apresentação com meu parceiro do Nescafé de Água. E esse ano um pouco diferente, né, cara? Estamos gravando diretamente da Agri Show aqui no estande da Piscim, que gentilmente cedeu esse espaço aqui para a gente poder bater um papo e gerar conteúdo aqui durante a Agri Show. E como você bem sabe, aqui a gente compartilha, além de boas histórias, muito conhecimento sobre gestão de propriedades rurais.
Então Então se prepare que a partir de agora seu tempo vai passar com muito mais conteúdo. E nesse episódio, mais uma vez, mais um episódio aqui no nosso ecossistema vai pedir música no Fantástico. Arthur Toledo Cota, pecuarista, sócio na Trato Gestão também. Muito obrigado por estar aqui com a gente, seja super bem-vindo ao Gestão Rural, cara.
Opa, eu não preciso nem de convite, né? Sou de casa, né?
Show de bola.
É só avisar o dia.
E aí, gurizada?
Vamos lá, tá rendendo, tá rendendo, e tá ótimo que tá rendendo porque a gente tá conseguindo falar com gente qualificada e que com certeza tá trazendo muita coisa boa aí para nossa audiência.
É isso aí, cara.
Talvez só chamar nós dois agora, tu trouxe esses dois aqui.
Então agora você viu que até nós fala pouco, né?
Quanto tempo a gente tem? Tem mais 3 dias de feira, é isso?
Se tivesse gravando aí da hora que eu cheguei aqui, tivesse gravado aquela nossa conversa ontem aqui, já tinha Nossa, tinha 4 episódios na gaveta.
Bom, cara, bom, Arthur, para a gente começar aqui, cara, sei que você já contou a sua história em outro episódio, mas tem audiência do Gestão Rural aqui também que muitas vezes pode não te conhecer, né? Então conta um pouquinho da sua história aí para nós.
Certamente tem gente que não me conhece, então tem que estar ali, né, sempre contando a nossa história, né, cara? Eu, a minha origem é que eu não cresci no agronegócio e tive, né, um início de vida profissional em outro setor, na área da saúde. Eu sou biomédico de formação. Você sabia dessa? É, eu acho que eu contei essa ontem para você. E aí depois que eu fui trabalhar no agro, por causa do convite da família da esposa. Depois que eu casei, a esposa, pai tinha propriedade rural, chamou para começar a ajudar lá.
E cara, aí o negócio foi profundo, né? E sempre desde o começo sempre foi muito essa pegada da gestão, né? Então eu já entrei para trabalhar numa posição e num trabalho voltado para gestão de negócio, né? E era a experiência anterior que eu tinha, né, de trabalho. Eu com 17 anos eu abri uma papelaria com um amigo, né? Então, pô, já tinha um CNPJ e um empreendedorismo ali novinho, né? Fizemos um monte de coisa errada, perdemos dinheiro, ganhamos dinheiro, torramos dinheiro.
Aprendi a trabalhar ali, né? Aí depois na área da saúde já tava com um bom trabalho ali também, voltado para liderança, equipe, né? Então tudo, quando eu cheguei no agro, falei, pô, Tem um gap aqui a ser preenchido com o mínimo de gestão, liderança, pessoas, processos, que a gente, pô, já quando você traz a vivência de outros setores, você chega na fazenda e encontra aquela coisa ainda informal, né, ainda muita coisa de boca, talvez escrito num papel sujo com braço de poeira que manchou o papel, braço de curral, né.
E aí você vê, pô, caramba, como tem espaço para melhorar isso daqui. Foi esse contexto que eu cheguei, né. Então sempre fui busca desse assunto da gestão, da liderança, e no ambiente família, que foi onde também me trouxe o começo do contato, que é onde eu tô hoje, que é a Trato, né? Então, na época, eu fui só aluno da Trato, cliente, virei amigo do Daniel Pagotto, que é o fundador da empresa. E pela proximidade física, né, do escritório da Trato ser em Bauru e as fazendas que eu tocava era na região de Bauru ali, Passa aqui para tomar um café, tal.
E aí a gente foi criando uma amizade. Em algum momento surgiu um convite de, cara, eu preciso desse negócio que você tá fazendo aí, que eu, né, elaborar um pouco aqui, mas tô precisando disso aqui. Eu falei, cara, eu tô tocando, fazendo, não tem tempo de mexer com isso daí, né. Na época eu tinha feito uma formação em 2016, 2017. Entre uma das coisas, eu pensando em melhorar como líder, como gestor, fiz uma formação em coaching.
Antes de ser modinha, antes de virar aquela esculhambação de você vai lá, frases motivacionais, né? Mas realmente no processo de planejar, executar, no nível mais individual, né? Organização, plano pessoal e tal. Isso tava me ajudando muito com os funcionários, né? A me posicionar com a equipe, a preparar melhor a equipe. E aí eu começando essa história com o Daniel, ele falou, cara, isso daí na consultoria eu tô precisando disso aqui.
Que a gente chega em alguns projetos das famílias que tecnicamente os caras são muito bons. Na parte de gestão a gente tá ajudando muito. Na parte da família, a gente é onde a gente entra de realmente alinhar os sócios e a família. Mas tem uma hora que eu tenho um limite, eu não consigo passar daquele problema. E eu sei que o problema é pessoal entre eles, e aí eu não tenho braço para isso, né? A gente já pensou em psicólogo, em outras atividades e tal, mas até hoje eu não consegui pegar um psicólogo e levar para conversar com o fazendeiro.
Esse dia nunca aconteceu, não consegui fazer isso. E acho que você conseguiria. Aí eu, obrigado, viu, gosto da ideia, mas não tô pensando nisso não, tô pensando em desenvolver a pecuária, a gestão da fazenda e tudo mais. Mas aí em algum momento, logo depois, ele me fez um convite, falou, tem uma família X que a gente tá aqui trabalhando, cara, vem aqui, vamos fazer um piloto. Você vem aqui, a gente vai fazer esse trabalho que você tá fazendo individualmente com eles.
De desenvolvimento pessoal e vamos ver no que vai dar. E, cara, deu muito certo, deu muito certo. Então assim, porque eu não fazia parte do projeto técnico, então até me posicionava e falava para eles assim: olha, o que você tá resolvendo lá com Daniel, receita, despesa, gestão, eu tenho nada a ver com isso, eu nem sei a história de vocês, eu sei só de onde vocês são e mais ou menos pai, mãe e filho é isso. Meu negócio aqui é melhorar você.
Se você, se a gente melhorar o indivíduo de todos os indivíduos do grupo, o grupo em média ficará melhor. Então esse era o objetivo. E cara, no processo isso ia trazendo certos temas com eles que acabavam repercutindo em eles começarem a se resolverem entre eles, né? Então assim, a clareza do que você quer, meu amigo. O que que você quer de verdade? Talvez na reunião com todo mundo junto o cara não ia falar isso, né? E talvez até para o Daniel o cara falava, que o Daniel sempre teve essa integração de falar com os sócios e tal diretamente.
Mas como eu tinha mais tempo e mais ferramenta para mexer com o cara, aí se eu via coisa, o cara fala assim, cara, eu nunca contei isso para ninguém, mas vou te contar agora. Aí contava um negócio, agora entendi por que que dá pau entre eles. E aí você ia, eu não fazia sugestões, né? O processo do coaching você não faz sugestões, você pergunta o cara e ele vai dizendo o que que ele acha que tem que fazer, né? E aí, pô, o cara que não falava com o pai há não sei quantos anos, que já era brigado desde a separação da mãe, resolveu chamar o pai e se resolver.
Fizeram uma conversa lá e se resolveram. O cunhado que tinha brigado com a cunhada também, se pisasse no mesmo lugar não tinha reunião. Arrumaram um jeito de se resolver. Eu não mandei ninguém fazer isso, né? Não foi nada disso, mas funcionou. Aí, cara, deu certo, vamos fazer mais um. Fizemos outro, funcionou. Aí tinha um projeto lá que era um grupo com vários produtores rurais, eram uns 10, 12 selecionados. Era um grupo de estratégia que tinha várias coisas que a Trato integrava para eles.
Me levaram para fazer o presencial, um treinamento com eles, né? Aí eu fui e fiz, né, cara? Foi a disciplina dos dias depois do feedback mais bem avaliada. A turma nota 10 para mim, né? Tipo, o Daniel foi 9. O Daniel falou, cara, você vai ter que vir para cá. É, a galera gostou de você, tá funcionando. E aí, pô, desde 2000 e 2018 a gente começou a fazer algumas coisas juntas assim esporadicamente, porque eu ainda tava na fazenda.
Então eu tinha atividade rural minha, né? Então eu, produtor rural com pecuária dentro da fazenda do meu sogro, e era o gerente da operação dele, né? Em 2022 foi quando eu entendi que para o meu processo de carreira, de evolução, de crescimento pessoal, de— a fazenda ficou no limite. Tava no limite ali, daqui pra lá só você sendo dono, daqui pra cá você tá no teto aqui. Se você não for dono disso aqui, você não vai ganhar mais do que isso, você não vai crescer mais do que isso.
E aí foi que eu falei, bom, acho que o caminho agora é eu ir buscar isso daí. Aí fui pra Trato full time, né? E aí o Daniel me convidou a ser sócio. Eu quero que você venha pra cá pra ser sócio, pra gente fazer esse negócio funcionar. Então foi daí que a gente chegou no que a gente tá hoje, né? Atendendo famílias aí no Brasil inteiro, que são produtores rurais que têm, né, que trabalham em família. Então, famílias empresárias do agronegócio é o cara que eu atendo e levo toda a questão de processos de gestão, a parte do acordo societário, a parte de criar a regra da família, fazer todo mundo conversar, criar o conselho.
Então, né, trazer entendimento do negócio para todo mundo e ajudar nas decisões, né. Então, decisão de investimento, endividamento, para onde a gente vai, de como que a gente vai crescer, que risco a gente topa correr juntos. Em síntese é isso, o resto é derivado disso.
E assim, tu tocou num ponto interessante da tua história aí que nos interessa, que é dentro da fazenda, né? Porque o Gestão Rural ele explora bastante essa questão da gestão. O Gestão Rural ele nasceu para isso, para tentar explorar quem leva soluções para gestão da fazenda E tu tem duas, duas facetas aí, né? Tu tem o Arthur que foi gestor de fazenda e depois virou um cara que atende várias fazendas e veio da área da saúde, né?
Sim, outro universo.
Sim, quem começou, quem começou a escutar agora é isso aí mesmo. Então assim, como é que Quando tu assumiu a gestão lá da fazenda do teu sogro, como foi esse momento de entrada teu aí? Quando foi que isso aconteceu? Como é que isso aconteceu? E o que mais te chamou atenção na forma lá como as coisas aconteciam, como a operação acontecia?
Legal. Foi uma coisa que eu fui convidado, assim, não foi uma coisa que eu cheguei, né? Porque eu já estava entre casado e namorando, já tava junto da minha esposa atual hoje, já nessa época, há um bom tempo já. Então já ia para fazenda passeio. O meu avô tinha fazenda, plantava cana, criava gado, mas eu peguei o fim da história do meu avô assim. Meu avô já tinha 80, quando eu me lembro assim das coisas, meu avô já tinha 75 para frente.
Então já peguei a decadência, né, do negócio já diminuindo. Depois, né, tipo, vendeu fazenda e tal. Então eu achava, eu sempre gostei de fazenda, mas não entendia como negócio. Como negócio eu não fazia nem ideia. Então gostava de ir para fazenda. Um dia nessa transição ali, mudei de uma parte da carreira para outra, mas dentro ainda da área da saúde, tava mais para o lado comercial, a gente tava sendo representante comercial na área da saúde.
Aí meu sogro, minha sogra, amanhã teu sogro vai lá ver um gado, você não vai com ele? Você tá meio meia-toice, tá meio de boa aí, né? Vai com ele dirigindo para ajudar, né? Agora, olhando agora, não, o que que você vai fazer amanhã? Nada. Falei, então vai com ele. Foi, vou, velho, tá bom. Aí nessa, tá só gerando despesa aqui, né? Toda semana comendo churrasco aqui em casa, né? Vai devolvendo um pouco o valor, né? Aí eu falei, não, vamos, beleza.
E aí, cara, foi um negócio que assim, na hora que eu cheguei, que comecei a entender o negócio, acendeu mil coisas na minha cabeça assim, né? Tanto porque eu comecei a entender o que era o business e vi que era um baita bom business, que eu não entendia, mas eu entendia de business, né? Então quando eu vi, eu falei, opa, pois quer dizer que é assim, né? Tipo, quer dizer que quando você compra, paga tanto, produz, gasta tanto, vende por tanto, a margem é essa?
Caramba, que negócio interessante, né? E o meu sogro tem uma pegada muito comercial. Ele foi um cara que cresceu na vida comprando e vendendo coisas, né? Então assim, carro, imóvel, ele sempre, o negócio dele é comprar um negócio na oportunidade e vender e tal, não sei o quê. Então tem a pecuária dele, é muito de oportunidade, negócio, né? Então quando eu vi essa porra, 2, 3 movimentos que fazia ganhando uma grana, caramba, velho, isso aqui é muito bom, né?
Aí fui estudar, né? Fui procurar o assunto tal. E aí veio o convite assim, fala, ó, se você quiser aprender Né, eu tô disposto a te ensinar. Aí eu falei, disposto a ensinar, eu tô doido para aprender. Então deu certo, né? Então entrei nessa. E aí veio muito essa bagagem, né, do conhecimento que eu já tinha de outros setores, de outras formas de trabalhar, que foi legal porque o meu sogro já é um cara que já era empresário. Ele não é só do agro, ele não tem só fazenda, né?
Ele tem uma fábrica também. Então aí a fazenda, o negócio dele já é tocado numa visão de empresa. Então eu logo entendi essa forma de trabalhar dele, porque quando a gente entrou lá, eu entrei como funcionário registrado, CLT, com função definida, salário, acordo de como é que é, como que não é e tudo mais, que normalmente não é isso que acontece, né? Nas fazendas, o cara começa: vem, vem aí, vem aí, eu deixo, compra um gadinho, põe aqui, eu não te cobro nada e tu me ajuda.
A gente começou o primeiro mês assim, mas no primeiro mês que ele viu que funcionou, aí ele falou, né, eu quero que você realmente venha para cá desse jeito e tudo mais. Aí fizemos já um acordinho inicial, passei uns 6 meses assim nesse, só ajudando ele, e tinha um gado meu lá dentro junto com ele, até o momento que o gerente saiu. E aí eu não achava que ele ia me chamar para isso, porque eu achava que ele queria alguém com mais experiência na fazenda e tal.
Falou, não, cara, você não quer pegar e tal? Pô, se você tiver coragem de deixar eu fazer isso, eu vou, né? Quero aprender. E quando eu cheguei na fazenda, o que eu achei que ele já era legal, porque ele já tinha uma certa formalidade das coisas, né? Então era já diferente dos outros, mas mesmo assim ainda tinha um espaço gigantesco de coisas que são simples em qualquer outro setor. Mas assim, é isso aí, fazenda dificilmente tem, né?
Então formalidades, comunicação, processo é um negócio que não existe assim. Aquele cara que trabalhava com ele era bom, o gerente que tava aqui, ele tocava aqui, era bom, funcionava com ele. Ele saiu, nunca mais arrumei um que presta. Esse outro não tem, o processo foi embora com o cara, entendeu? Então ficava muito dependente de ter um cara bom ou não. E às vezes cada um que chega diferente, pensa de um jeito diferente. E aí eu que entendi, colocar isso aqui, a gente tem que melhorar, pô, dá para Coisa simples.
Então assim, um processo de compra, de comprar insumos, como é que funciona, né? Normalmente o peão vai pedindo, você vai comprando, né? Ele vai, precisa de tal remédio, precisa de tal remédio. Aí você fica o dia inteiro na cidade buscar as coisas. Você vai, busca, você volta. Aí o cara precisa de tal coisa, precisa de tal coisa. Você fala, cara, mas quando a bomba, quando queima uma, não tem que ter outra? Porque senão a gente vai ficar sem.
Não, não, tem que correr para arrumar. Porra, vamos ter duas, cara, né? Que aí queima uma, você vai arrumar outra. Essas pequenas coisas que fazem, cara, a gente tem que ter um processo para isso. Ó, agora toda semana eu só compro o que tiver na minha lista que vocês vão preencher de segunda-feira, é o dia que eu compro. Se você me aparecer na terça-feira dizendo que faltou antibiótico, você vai se virar, você vai buscar lá, eu não vou buscar.
E na verdade não pode comprar, né? Não pode comprar, só segunda-feira que vem agora, é só segunda-feira que vem agora. Então isso daí era uma pequena coisa, né, mas que já começa a ter um caráter de existe, ó, toda segunda-feira precisa ser avisado, não tem aquela coisa de que fazenda tem muito isso, a turma vai gastando, né? Então assim, vai pegando, precisou hoje, tal, não sei o quê. A turma que fica no escritório, né, fica mais incomodada porque eles recebem o boleto que você nem sabia que foi gerado, né?
Tipo, você pediu um negócio, o cara te entregou lá e disse, depois eu mando. Aí depois ele manda a nota, boleto na hora, né? Vai para o escritório lá e chega os cara do escritório e fala, que isso aqui, R$20 mil, né? Tipo, quem autorizou isso? Então esse processo aí Quando a gente entrou lá, que a gente começou a— antes não era bem, mas informar uma coisa. Aí eu comecei a implementar isso, porque no laboratório onde eu tava, eu era o responsável do setor por fazer esses pedidos para o almoxarifado, e o almoxarifado gerar compra que precisasse, né?
Então, amiga, era, sei lá, 500 itens diferentes que eu tinha que estar lá dando estoque, controlando o que que vai sair primeiro, o que que validade, data de validade, não sei o quê. Aí na hora que você chega na fazenda, ele fala, pô, tá fácil, tem 3 coisas para dar controle aqui, né? 3 coisas para você dar controle. Tá fácil, mas é claro, você fala assim, tem 3 coisas para dar controle, né? É o mineral que vai no coxo ali, é o combustível que compra e o remédio. Tem 3 coisas para você dar conta.
Quantos peões?
Então você entendeu que é isso aí, você vai descobrindo que aí o cara fala, você tá entendendo por que que não dá passeio igual numa empresa? Então Você tem que conseguir fazer sair aquilo dali, né? Então, coisas simples que aí vem o processo de comunicação, vem o ter processos. Por exemplo, você combinar que toda segunda-feira você vai fazer uma reunião com os cara para decidir e explicar o que você vai fazer durante a semana.
Um negócio tão besta, cara, isso que assim parece tão óbvio, né? Mas quem tem isso é uma vida, quem não tem é outra. Porque aí você chega na segunda-feira, todo mundo já sabe os objetivos da semana que você falou essa semana. A gente vai fazer isso, isso, todo mundo junto, né? Embaixo da árvore que seja lá, 10 minutinhos, você já explica. Você manda isso aí, como é que vai fazer? Aí eu, aí vem o estilo da liderança também. Eu gosto de dar a chance dele dizer como é que eles acham que tem que fazer.
Como é que você acha que tem que fazer? Assim, assim, assado. Eu também tava aprendendo muito, né? Então tinha esse desafio, eu tava aprendendo e entendendo onde é que, o que que dava para fazer, o que não dava. Porque tem hora que se você apertar demais o cara e você tá de fora, você não sabe, e às vezes você tá sendo até injusto com o cara porque você não entende, você quer apertar o cara e você não entende, né? Então, então aquele meio do caminho de, olha, preciso entender o que você quer fazer e aí eu vou julgar aqui, é uma ajuda mútua ali, né?
Então a gente vai se ajudando. Mas essa comunicação formal é uma das coisas que você faz com que todo mundo esteja na mesma sintonia, porque senão os cara disputa para dividir atividades. Então qual é a prioridade do trator essa semana? Só tem um trator ou só tem dois? Um já saiu cedo, já pegou a carrocinha e foi levar sal. E o outro que ia fazer um baita serviço lá falou, eu tô sem trator, não tem como fazer. Isso é um negócio besta do dia a dia, né, mas que reflete no, pera aí, gente, acaba a cooperação.
Vamos lá, qual é a prioridade? Que tem que fazer primeiro? Então isso daí você já ia resolvendo com tanto perto da turma. E aí vai diminuindo o ruído, né, vai diminuindo. É óbvio que vai ter O cara depois te chamar e dizer que, ó, o cara falou que tal coisa, aí você vai falar com outro. Mas no geral a gente vê que nas fazendas a turma tem muito isso de, não, eu vou aqui, eu falo com um, aí explico para ele o que eu quero que ele faça, aí eu vou lá no outro, explico para ele.
Um não tava junto com o outro na hora, então o que eu entendi, o que ele entendeu, que ele disse para o outro que falou para mim, vixe, isso vira um balaio de gato isso daí, né? Esse foi o tipo de coisa que eu tenho muito, sabe, de comunicação, né? Então sempre acho que não parece Eu sempre acho que você resolve falando e ouvindo, né, as coisas, né. Qualquer coisa você tem que pôr, perguntar, querer saber, chamar ajuda.
Mas isso é, né, cara, isso é.
E isso daí na prática se converteu nessas ações, né, de juntar a turma, fazer mais formalidades ali, de pôr, é isso, de como é que a gente faz um processo de compra, um negócio simples que muita gente não tem, né. Então assim, eu tenho hoje em dia, né, atuando, né, nos clientes A gente vê muito isso assim, o cara só compra o que tá precisando hoje, então ele nunca consegue negociar o que ele compra, porque ele passa a semana, a semana precisa de tal coisa, ele vai na cidade, busca.
Tudo que você compra do cara sem pedir o preço e não pendura para pagar depois do fim do mês, pode saber que você tá pagando mais. O cara não vai dar desconto para você, vai dizer tanto é tanto. Você tá precisando de uma pecinha, de um sei lá o quê, você vai pegando. No final das contas vem uma nota para você no final do mês, R$1.500. Será que esses R$1.500, se eu cotasse, comprasse com antecedência, eu não gastava R$1.000 só? E muitas vezes gastaria só R$1.000.
A maioria gastaria só R$1.000.
E esse negócio aí, cara, da comunicação, velho, é duas coisas. Primeiro, essa daily, né, que tipo na empresa urbana essa reunião de segunda-feira é a daily, né, que faz. Essa reunião aí é, cara, é como tu falou, tem uma vida quem faz e tem outra vida quem não faz. Por quê? Porque O que sobrou da semana passada vai entrar nessa reunião para discutir uma estratégia de já tentar matar na segunda mesmo, com ajuda de algum outro time ali e tal.
E o que tem para fazer, todo mundo já sabe. Esse negócio do trator, né? Olha, vou precisar do trator hoje. Daí o cara já se agenda para amanhã, né? Mas esse negócio aí eu vi acontecer, é o lance da noite de pega lá na cidade, que é um negócio da comunicação que tu falou. Eu vi um BO numa fazenda ali em Água Boa, no Mato Grosso, que foi o seguinte: o cara tava colhendo, e aí época de colheita, né, tipo assim, ó, tudo é urgente, né?
Sim, tipo, olha, não pode parar a colheitadeira. Beleza. Aí deu, quebrou tal coisa da colheitadeira, aí o cara lá da colheitadeira mandou um rádio lá: ô japonês, Quebrou o negócio aqui e tal, é urgente, cara, tem que buscar isso urgente. Era sábado, o cara saiu de lá, rodou não sei quantos quilômetros, foi lá na cidade e tal, correu, não tinha, teve que ir, eu acho que em Nova Xavantina, que é na cidade do lado, não sei o quê, tá lá.
Bom, vou resumir, os cara pagaram R$8.000 a peça, trouxe no sábado mesmo. Sabe quando é que a peça foi trocada?
Quinta-feira.
Porra, daí o cara, troço não era urgente, não era importante, entendeu? Então assim, é, aí nós tava conversando lá com o produtor, tava fazendo um trabalho de liderança lá dentro, e aí a gente resolveu fazer inclusive um tipo um webinar com o pessoal lá para isso. Tu acredita? Para assim, ó, galera, vamos, vamos fazer aqui um um cursinho do que que é urgente e o que que é importante. Então assim, quando o negócio for, tu tiver que trocar durante semana assim, tu for final de semana, tu vai passar um rádio, tu vai dizer assim, ó, é muito importante que compre essa peça o mais breve possível para a gente trocar já durante semana.
Mas tu não vai dizer que é urgente, porque o cara que tá— e outra, né, o cara que tá lá também não dá uma Ah, mas cara, isso aqui, essa chaveta aqui não para, né? A porta não tá fechando direito da qualidade, sei lá, né, cara?
Isso aqui não é que às vezes o cara acha que tá quebrado. Não, não tá quebrado, vai, vai.
O pior não é isso aí, o pior é que eles pagaram R$8.000 na peça. Aí não, mas aí num dia normal o ágio foi abissal, não era R$4.000 a mesma peça.
É isso que eu falei, comprar de última hora, cara.
Daí eles começaram a meio que fazer umas contas assim de aí só esse processo de compra estando ajustado no ano deu uma economia média de R$100 mil por mês, R$1 milhão e R$200 mil por ano.
Caralho!
É, então toda diferença que você consegue em algum prazo é sempre um número grande, né? Porque são sempre qualquer operação, não há, por menor que seja, ela trabalha com uma cifra relevante, né? Alguns mils, mils reais você deixa para trás, né?
E como é um negócio que começou, né?
Não, porque aí eu vi o médico e tal, tudo a ver, né, cara?
Na realidade tudo a ver, porque toda essa pegada de processo que tu trouxe era, é, mas assim, mas ele falou bem especificamente que ele tava lá no laboratório, era isso, era compra, e para fazer qualquer coisa, né, tem que ter um processo para sair sempre igual ali e tal. Então foi uma pegada natural assim. Então, e cara, é recorrente assim, a gente Processo tá sempre na base de tudo aqui.
Sim, é parte chata de fazer, mas aí depois que tá pronto, cara, o negócio muda assim. E essa parte de compras, por exemplo, né, é o tipo de coisa que você é dono sozinho, já é muito bom pela eficiência que você ganha. Tem um outro ganho que é o da governança, que é o dos sócios saberem que o teu processo é idôneo. Então, por exemplo, é o cara que tá lá, o irmão família que tá junto ali, ele só vê chegar lá, ó, gastou R$200 mil de tal coisa.
Aí sempre tem alguém que pode questionar isso, falar assim, tá, mas vocês compraram isso nesse lugar, nesse preço, por quê? Não dava para comprar em outro lugar, né? Aí o cara fala, meu irmão, você não vem aqui, você quer se meter no quê? Você não entende, o que é que você quer se meter nisso? Então vai criando ali uma coisa de insatisfação de quem quer questionar, mas fala, se eu questionar vai dar pau. Ou ele questiona e dá pau, ou até o contrário, quem tá na operação sente a necessidade de falar: eu gostaria que os meus irmãos, a minha família entendesse o que eu tô fazendo, porque se dá certo é muito bom para mim, mas quando dá errado, a culpa é só minha.
Então vai vir só em cima de mim, eu que fiz a cagada, né? Então eu preciso que eles entendam o que eu tô fazendo aqui. Então esses processos internos é onde você consegue passar transparência, né? Então não só na prestação de contas do financeiro, mas do uso das coisas. Ah, você comprou sei lá quantos mil de adubo, quanto realmente foi aplicado? É outra conta, né? O que você comprou realmente precisava comprar isso tudo? Aí você descobre que comprou, não, mas aí sabe o que é, o cara é meu amigo, e aí eu comprei porque realmente precisava.
Mas se você fosse ver, a decisão foi mais emocional do que racional. Pode ser uma tributária às vezes, né? Comprei porque tava no fim do ano e ajudar na despesa. Mas aí abre a porta de alguém questionar, né? E é natural e saudável que possa haver questionamento, mas o questionamento embasado e bem comunicado, porque senão, né, só vai realmente gerar um ruído e briga.
E mais ainda, né, uma decisão às vezes que é tomada lá em janeiro, fevereiro, não sei o quê, chega lá no final do ano, alguém questiona. Até quem já tomou decisão, se não tem um processo definido, já nem sabe mais por que diabo mesmo que eu fiz isso desse jeito, né? Imagina.
Não, isso vai para um outro lado isso daí.
O Arthur, você falou aí uma palavrinha mágica chamada governança, né? E é interessante, cara, Porque eu não sei se tem essa, essa, esse preconceito, talvez, né? Mas quando alguém fala governança, eu penso em governo grande.
Eu também, eu também, eu também.
Empresa grande, um monte de gente, dá até uma ansiedade assim, dá até um— e aí me dá a impressão de que parece que não é acessível, sabe?
Sim.
Como que você trabalha? Porque assim, eu sei que você tem produtores de todos os tamanhos, né, cara? Mas o processo, porque nós estamos falando aqui, um dos nossos motes é, né, manter o pequeno e o médio no negócio por muitos anos, né?
Daqui a pouco até dentro do negócio do sogro dele.
Isso, acho que é legal. Como que foi isso? Como que isso aconteceu? E obviamente, como que você faz isso também?
É, a gente, eu tenho, eu digo que o desafio nosso é até da comunicação nossa como prestador de serviço, é o cara entender o que é governança. Às vezes é melhor que ele ache que é outro nome, e ele nem entenda que aquilo é governança. Porque quando fala a palavra governança, já remete a algo que ele não é familiar. Ele fala: isso não é para mim, não sei nem o que é, mas não é para mim isso daí, né? E aí, só que a gente entende que a governança ela acaba entregando uma questão de clareza financeira, né?
Então são ferramentas da gestão que a governança traz junto, porque traz a comunicação formal. Então a gente pega muito na comunicação formal. Todo mundo, todo sócio tem que entender Tem que traduzir tudo para dinheiro, que o dinheiro é a linguagem universal. Todo mundo entende o que é lucro, prejuízo, quantos por cento de rentabilidade. Isso aí pode ser uma loja no shopping, pode ser uma indústria, pode ser uma fazenda. Todo mundo entende isso daí, né?
O cara que for minimamente estudado, né? Acho que até o cara sem instrução nenhuma ele entende o que é ganhar dinheiro, o que é perder dinheiro, né? Quando você vem para o assunto mais técnico, então, ah, mas isso aqui deu um incremento de X% na minha produtividade, cara, né? Isso representa o quê no final? Mas quer dizer, ó, foi X% ou X milhão de prejuízo, X milhão de lucro, aí todo mundo, né? Tá todo mundo na mesma linha. Mas a governança traz essa visão de, através das ferramentas, você conseguir trazer clareza, comunicação formal.
E aí, por consequência, acaba atingindo muito a questão da família, que ali é onde a base muito do cara que procura o trabalho nosso, ele começa com uma dor na família. Então ele já entende que o negócio aqui, o clima tá ruim, a gente tá vendo que vai dar problema lá na frente, a gente quer organizar isso, ou já deu problema e a gente quer organizar isso. Então acaba assim tendo uma entrada em vários temas. Mas aí, pô, você falou um monte de coisa, quer dizer que tudo isso é governança?
É, em cada área você tem processos de governança que você implanta para trazer clareza, né? Então eu gosto de uma definição de que governança é sobre você dirigir, um volante, você que dá a direção de para onde vai o seu negócio. Para onde que a gente quer ir? A gente quer ir para tal lugar. Em que velocidade? E que risco a gente quer correr? E depois monitorar. Então a gente tá indo na velocidade que a gente queria? A gente precisa botar o pé no freio?
A gente precisa acelerar? A gente precisa recalcular a rota? Tamo indo bem? Tamo indo mal? Aquilo que a gente conversou, tamo seguindo? Que aí você tem o controle da situação. Então governar, né, o verbo governar tem a ver sobre ter poder sobre algo. Então o governo, o governo que dita o rumo, né, do do país, ou pelo menos deveria, né? Pelo menos deveria. A etimologia da palavra é essa, né? Então, o proprietário rural, ele, aonde que ele enxerga governança?
Ah, no acordo de sócios, de vários acionistas que existe numa empresa grande. Ele fala: não, na minha fazenda não tem isso. Tem, cara. Se tiver 2 sócios, você tem que ter governança. Que o cara que é dono sozinho é muito fácil. É o que você decidir, tá decidido. Ônus e bônus seu, né? Lucro e prejuízo é seu, você tem que explicar nada para ninguém. Agora, o cara que tem sócio, ele tem patrão, ele tem que prestar conta, ele tem que pedir por favor, ele tem que avisar.
Ele tem.
E quando isso não acontece, ou o negócio vai mal, então assim, decisões serão ruins e o negócio em si terá prejuízo e resultado ruim. Ou às vezes o negócio até vai bem, dá dinheiro, dá resultado, mas a convivência entre as pessoas tá no nível que fala, cara, vamos vender minha parte, quero sair fora, não quero ser sócio desse povo. Isso acontece muito quando tem esse lance de família, né, ou até sócios mesmo, né, que aí passa para os filhos.
E aí os filhos, cara, não quer ser sócio desse povo aí não, né. O irmão, os filhos são sócios que não se escolheram, né. Então você, pô, eu conheci vocês aqui, gostei de vocês, vamos ser sócio no negócio aqui. Eu faço uma coisa, você faz outra, a gente se junta, né. A gente escolheu isso. O cara que é família, ele não escolheu, né. E isso daí é um problema. Então, se você não tiver a ferramenta de jogar limpo, como é conseguir combinar o jogo, conseguir conduzir o jogo, todo mundo estando em acordo, cara, é o processo de governança que traz isso.
Aí você pode ter uma fazenda com 2 donos, 3 donos, marido e mulher. Marido e mulher, a gente sempre tem essa vertente de conseguir explicar para um o lado do outro, né? Então, um tá preocupado com o financeiro, que a dívida tá grande, Ah, não aguento mais o endividamento, não sei o que lá. Aí você traz a clareza para essa pessoa de que, olha, na verdade não é tão ruim assim o cenário. Problema é só que a sua dívida tá com um perfil ruim.
Se a gente mudar o perfil da dívida em relação ao patrimônio, é muito pouco. Você consegue mostrando, a pessoa vai, ah, beleza, agora eu tô entendendo. Só que antes o sócio, o marido, a esposa não conseguia passar essa informação. Mas fala assim, ah, você não entende do meu negócio, você vem aqui só para reclamar, né?
Então discussão.
Você não entende, cara, você tá falando isso porque você não entende, então prefiro não falar mais, né? Então vai virando aquele ambiente, né, de tóxico, ambiente tóxico, né? Isso é que acontece em muitas empresas, mas família você não tem escolha, né?
Pegando, bom, tá falando de governança, né, o que que resolve? Mas pegando assim desde lá o começo na fazenda, né, até tudo que tu já construiu, o que que tu te lembra assim como grande aprendizado assim no caminho? Coisas que tu pensou que era por um caminho e tu teve que errar e aprender que, cara, não é por esse caminho, e por isso que essa ferramenta funciona. Coisas que tu sentiu assim no—
como eu tive a sorte de que eu já fui introduzido num negócio com formalidade, com visão de empresa, e eu consegui enxergar que eu vivia o dilema de trabalho em família, mas apesar de tudo eu não era sócio, né? Então tinha uma vertente um pouco diferente. Mas eu comecei a ver que isso era uma dor de todo mundo. E aí eu já falei, pô, já tô melhor do que muita gente aqui, né? Então já me dei essa clareza de, pô, você tem o seu papel, a sua alçada, o seu limite, tá claro, combinado.
Então beleza. Tanto é que o aprendizado foi, eu saí de lá numa boa. Então, né, a gente não teve nenhuma ruptura, não teve nenhum Até hoje a gente de alguma forma faz negócio junto. Então aparece coisa que a oportunidade, o meu sogro leva para ele, coisa que tá na mão dele que eu vejo, ó, isso aqui eu tenho um cara que eu vou poder te ajudar, procuro também. Então a gente acaba fazendo coisas em conjunto. Mas por quê? Porque foi tão bem organizada a chegada que isso abre o caminho da saída também sendo uma boa.
E você separa a questão da pessoa, vira uma coisa mais, eu não sei se esse termo existe, mas fica impessoal, né? Não sei se isso tá certo ou não. Impessoal é assim, é o seu cargo, a sua função, é a visão de empresa. E aí, aonde que tem, para mim serviu muito isso, e eu aplico muito isso hoje com a turma, é que eu falo, olha, no meu quesito, né, eu não era e não sou herdeiro deles. Então eu tive uma visão de olhar o que que eu tenho, o que que eu vou ter, qual é o meu caminho, a minha, né, minha carreira, minha vida.
Eu tenho esse caminho. Quando o cara tá herdeiro, ele acha que ele não tem essa escolha. Então ele acaba sentindo que tem uma obrigação, porque, ou porque ele levou essa, né, pressão a vida inteira de, ó, quando isso aqui você ficar velho, isso aqui vai ser seu, você que vai tocar para os seus irmãos, que você é o cara. Então o cara já, ele acha que ele não tem escolha. Mas eu sempre gosto de dizer, cara, todo mundo tem essa escolha de sair fora, todo mundo pode sair fora disso.
E aí essa liberdade de poder sair fora pode fazer ele querer ficar. Eu sei que eu posso sair, mas eu não quero porque aqui é bom para mim. Porque isso aqui me dá a vida que eu quero ter, me desenvolve como profissional que eu quero me desenvolver, o momento de vida que eu tô faz todo sentido. E se não fizer sentido, eu posso sair fora dessa operação e ser só sócio, ser só herdeiro disso daqui. Eu não preciso trabalhar dentro disso daqui.
Então foi, é isso que a gente acaba organizando muito, porque a turma quando fala em, a gente é muito procurado e falam muito de sucessão familiar. Sucessão familiar é a consequência do trabalho que a gente faz, a ponto de que os filhos ali, os herdeiros, eles têm um sentimento de que não tem escolha e que ele sabe que vai dar problema aquilo dali, porque ele já sabe que ele não se dá com alguém ali, ou irmão, ou cunhado, ou primo, sei lá.
Ele já sabe que não vai dar certo, mas ele acha que ele não tem saída. E para ele, ele acha que ser sócio e ser herdeiro e tá na operação é uma coisa só, você não tem escolha, você vai trabalhar lá. Aí lá na frente ele entende que ele pode não trabalhar no negócio Ele pode não trabalhar e ser um sócio, um sócio que recebe de alguma forma, ou um arrendamento. A minha parte vocês me arrenda aí, vocês me paga X por ano, eu não encho o saco de vocês, né?
Ou até vender sua parte. Você pode vender sua parte, pega sua parte, vende para os outros sócios, dilui, pague não sei quantos anos. Então você pode sair. Só que se você tem um negócio que tá organizado, que o cara chega no começo do ano e fala, olha, plano nosso para o ano que vem é esse, a gente tá orçado em faturar 18 milhões, em gastar 12 e sobrar 6. Essa é a nossa conta, vamos trabalhar para isso. E o cara chegar no final do ano e ver que faturou 19, gastou 7, pô, tá mais ou menos no rumo, o cara começa a ficar seguro, que ele fala, pô, que legal ser sócio dessa empresa aqui.
A gente não precisa ser melhores amigos, a gente precisa ter boas regras para poder tomar decisões, para coisa acontecer. É mais vantagem eu continuar recebendo o que eu recebo daqui ou como dividendos, né, ou até pela função que ele recebe, ele tem ali também a visão de que o patrimônio dele tá valorizando, do que pegar, pegar o dinheiro dele, sair fora, né. Tipo, e aí onde eu digo, você pode, você sabe que você pode, né. Eu sempre falo isso com todo mundo.
Aí o cara, né, porque tá falando, você sabe que você pode sair daqui, não sabe? É, então, porque o cara faz uma conta de patrimônio, né. Essa pega todo mundo assim, pega todo mundo. Quanto vale A sua fazenda, a fazenda do seu pai, fazenda da sua família, quanto vale? Pô, para não falar nada, qualquer coisa vale 5, 10 milhões. Qualquer pequenininho, né, vale 5, 10 milhões. Você pega o cara que tem 50 milhões, 100 milhões de patrimônio, e o cara achando assim que eu não tenho saída na vida, eu não sei o que lá.
Você tem, amigo, é, você tem. Você pode pegar aí, você pode vender isso daí, fazer o que você quiser, mano. Tá? Só que aí tem, né, o outro lado, que a gente quando vira e fala: beleza, você pode. Agora, se você pegasse esse dinheiro, o que que você ia fazer com esse dinheiro? Faço esse questionamento: o que que você ia fazer com esse dinheiro? Aí o cara fala: cara, eu não sei, eu acho que eu ia investir em imóveis, comprar apartamento na cidade, ter aluguel e tal, né?
Fala: você já mexeu com isso? Você conhece alguém que mexe com isso? Sabe como é que é? O cara: não. Aí a gente traz entendimento: isso aqui, no fim das contas, o cara ser dono de fazenda, primeira coisa é que você tem um investimento imobiliário. Esse é o grande negócio, é o que vai mais gerar riqueza para o seu patrimônio no longo prazo, é que você tem uma fazenda que vale dinheiro. E ela vai valer sempre mais, pelo menos a gente acredita nisso.
Nos próximos, nos próximos anos, nos últimos 30 foi assim, acho que mais do que 30, né? Sempre foi assim. Terra é um ativo, né, que não se cria mais, né? Então é isso daí. Ainda mais com terra que tem água boa, né, agricultável, isso aí é outro campeonato. Isso Aí é só para cima que vai, né? Mas você pode pegar esse, o investimento imobiliário rural, você vai trocar então pelo investimento imobiliário urbano. Você entendeu que você fez a troca, né?
Aí o cara, é, não tinha pensado nisso. É porque você tá trocando imobiliário por imobiliário. Então, por imobiliário, talvez vale a pena você ficar na fazenda, né? A não ser que o cara tenha um grande plano da vida dele, pô. É o plano da vida do cara. É, eu faço a pergunta de quanto vale esse negócio se você tivesse esse dinheiro? Aí o cara pensa, pô, então um negócio que vale 50, eu sou eu e meu irmão, 25 milhões. Aí o cara fica fazendo conta, 25 milhões, onde que meus filhos estudar?
Onde que o carro que eu ia ter? Onde que eu ia morar? Onde que eu ia passar férias? Que plano de saúde que eu vou ter, né? Com dinheiro desse na mão, o que que eu podia estar fazendo? Aí é essa conta que o cara tem que fazer. Vale a pena ficar aqui ou vale a pena eu sair fora? Porque a turma sempre acha que não tem opção. Essa é a premissa, você tem essa opção, você pode sair. E até para sair eu quero que você se organizar. A gente já participou de, é um case de sucesso, uma turma que no fim das contas se separou.
Para mim é um case de sucesso, porque a separação foi boa para todo mundo, né? Mas para chegar nisso, primeiro eles precisaram juntar, organizar e definir no código lá, no protocolo familiar deles, a saída. Então a gente sempre faz eles fazer como é a saída. Se o primeiro, o primeiro que levantar a mão, o que que é a saída dele? Ah, o pedaço, aquela fazenda X é destinada à primeira pessoa que quiser sair, ou a gente vai dividir de tal forma.
Agora, sempre de um jeito que seja obviamente mais vantajoso com que ele fique, porque a gente sabe que é melhor ele ficar, é para a riqueza econômica patrimonial dele, é melhor ele ficar. Mas às vezes para vida dele é melhor ele sair fora e ter paz. Então tá tudo certo, então vamos combinar a saída. E aí a turma primeiro ficaram juntos por 2 ou 3 anos, mas eles já combinaram a saída. Depois de 3 anos, uma das irmãs, já com mais de 60 anos, ela tava com diagnóstico com câncer, a filha ia casar e tal.
Ela falou assim, ó, eu quero agora o que é meu, porque eu preciso comprar uma casa para minha filha, eu quero viajar para Disney com meus netos, eu tenho um tratamento caro para fazer. O cara, minha parte. E aí só executaram o que tinha sido combinado. Então, ó, primeiro que sair vai ficar daquele jeito. Aí ficou com uma renda de cana, um pedaço de terra, e aí pronto, resolveu assim. Foi uma execução do combinado. Então isso para mim é um case de sucesso, né?
Tem um case de sucesso maior que a gente mais espera, que os cara fique junto, cresça, aumente, prospere, faturamento. A gente tem caso do cara que faturava em 2018 R$50 milhões e ano passado tá faturando R$350 Alguns anos depois, o mérito deles. A gente só tá junto nessa história, né? Os caras são ousados, cresceram, tomaram risco e tudo mais. Mas, pô, puta, case de sucesso, o cara que ficou junto com os irmãos e prosperou. Mas também considero case de sucesso o cara que acha o caminho da saída.
E inclusive a gente vai falando com tanta gente que não sei se foi com você que eu tava falando ontem essa história, mas que a gente fala assim, pô, E se a sua empresa tiver tão bem organizada a ponto de ter outras empresas querendo comprar a sua, né? Então, normalmente, para o produtor rural é uma ofensa você querer perguntar se ele tá vendendo terra sem ele estar vendendo terra.
É uma ofensa.
Pô, você tá dizendo que eu tô quebrado, cara? É uma ofensa. Mas olha pelo outro lado, né? Então assim, quer dizer que você tem um negócio bom e o cara quer comprar. Que bom que a gente tem um negócio bom é que as pessoas querem comprar o que a gente tem, né? Então se você tiver organizado com uma produção boa, que é uma coisa, é a fazenda em si, mas a operação, né, principalmente a agricultura, que é uma operação mais robusta, então a turma querendo te comprar quer dizer que você tá organizado para caramba. Isso é um elogio, né? É um elogio isso daí.
Não é qualquer empresa no mercado aí, quando alguém quer comprar, é elogio.
Simplificando a gestão para o produtor rural. E o produtor, ele é assim, ele costuma começar por onde não deveria nesse processo aí? Tipo assim, acontece de ele começar por onde não deveria? Aí dá um exemplo de onde não deveria, porque os cara tá fazendo muita coisa errada no processo assim, sem, sem, antes de chamar vocês, o cara já tentar alguma coisa.
Sim, sim, acontece. Normalmente a gente, a jornada do cliente da Trata às vezes demora 2 anos. Aí o pessoal do marketing Fala, nossa, que absurdo, 2 anos para contratar um serviço, né? Falo, cara, o cara vem, fala comigo, aí ele, porra, super gostou do negócio. Agora ele tem que falar com a família dele, não, agora tem que falar com a família dele. Aí ele fala, não, por mim você tava aqui amanhã, vocês demorou para chegar, eu preciso de vocês amanhã.
Que geralmente é um que acorda para o negócio.
Aí só quando ele chegar lá, os irmãos fala, que o quê? Sai fora, a gente tá precisando é que o preço da soja melhore, tá precisando que o boi suba. Isso aí é conversas, tá aumentando a despesa, né? E aí o cara vai, rapaz, a gente, pô, né, beleza, fazer uma proposta, não deu certo, um abraço. Daqui a 1 ano, 2 anos, o cara aparece, falou: agora deu ruim, agora tivemos um problema aqui, tivemos uma briga aqui, ou faleceu alguém, então marido, um pai, alguma coisa, falou: agora a gente vai precisar de vocês virem aqui.
Quando o dono do negócio lá, um dos, ou o pai ou a mãe falece, que daí tem processo.
E aí nessa eles têm que se juntar para resolver. E aí, como eles estão por eles mesmos, aí assim, essa reunião da família sem mediação, ou sem nem a mediação em si, mas a condução, né, de como deve ser, normalmente acaba em briga. Mas não tem dúvida que acaba em briga. E a turma deixa para fazer isso no melhor dia do ano, no almoço do Natal, né? Melhor dia do ano, porque tem aquele irmão que só vem no Natal. Aí ele falou, é hoje que eu vou falar com você. 5 da tarde, os cara já gastou ali, né, a paciência, né.
Aí o cara vem e fala: então, como é que tá lá o negócio lá? Porque, ó, eu recebi lá, né, o negócio do advogado lá. O que que você vai resolver disso daí? Essa hora você me vem com essa?
Já tomou todas no dia inteirinho, cara.
E pior que isso é mais frequente do que pode se imaginar, assim. Eu escuto isso de todo mundo, assim. O cara fala: cara, eles Só falam disso no dia que tá no domingo na casa da mãe, na mesa do almoço. Aí que eles vão falar disso daí. Aí dá pau, aí um já sai puto, aí já fala, não quero mais vir aqui. Fala, caralho, bicho, primeiro passo, passo 1, a reunião tem que ser em ambiente formal, 10 horas da manhã, 9 ou 8 da segunda-feira.
Esse é o lugar de você falar disso daí com a turma. A turma faz isso no ambiente de família. E aí, filho, aí é aquele negócio que vira pessoal, é completamente pessoal. É, eu acho que você tá se aproveitando e sempre teve proveito disso, eu sempre me lasquei, eu sempre vim aqui, fiz o que tinha que fazer sem questionar, você foi estudar em outro lugar, teve uma vida bem melhor do que eu. Sempre tem isso daí, né? Então, se deixar, pega fogo muito fácil a turma, porque vem para um lado que é passional, que não é o que a gente quer, não é o mesmo.
Vem para um lado assim que é pessoa, não é o assunto, né? Eu gosto de falar assim, eu sempre digo para turma quando a gente tá começando a falar: eu espero que vocês briguem muito. Quebrem o pau no ramo das ideias, a sua ideia contra mim, o seu projeto contra o meu. A gente vai quebrar o pau, vai ver orçamento, vai fazer projeção. Vou dizer que sua conta tá errada, eu vou mostrar que a conta tá errada, beleza. Que não pode acontecer a gente colocar em xeque a idoneidade, a intenção do outro, é de, pô, você tá fazendo isso porque isso é bom para você, mas você tá me fodendo, né?
Aí isso é que é um problema, esse aí não pode, não pode acontecer. Aí o cara fala, ah, mas é que você não conhece meu irmão, que você não conhece meu pai. Está falando assim é bonito, quero ver se você vir aqui em casa e fala isso meu pai. Mas eu digo, a gente tem uma experiência com, né, já alguns anos fazendo isso, que aquele cara que parece o mais difícil muitas vezes, não vou dizer que é o cara mais fácil, mas é o cara que mais dá resultado quando ele entra, quando ele entra no fluxo.
Porque na hora que você se conecta com ele, que ele realmente consegue, como você é de fora, Você não tem o viés de ser parente dele. Você, ele começa a te falar umas coisas que ele mesmo vai entrando na língua que ele tá te falando. Aí você entende. Agora eu entendi qual é o problema de vocês, cara. Aí, porra, aí as coisas começam a andar, o cara começa a colaborar, né? Outra fórmula mágica, né, que a gente fala, cara, tem fórmula mágica para família trabalhando junto, para todo mundo tá engajado, chama dinheiro.
Solta dinheiro na mão de todo mundo, que todo mundo participa, cara. Ah, mas o negócio é apertado, tem pouca margem. Como é que você entre dizer que quer resolver ou quer ficar vendo quem tá certo. Você quer resolver ou não?
Feliz ou ter razão?
Você quer ter feliz ou quer ter razão, meu amigo?
Mas é, e esse viés que tu trouxe, né, Arthur, assim, do também da de chamar atenção para que, cara, se tu não quer tá aqui, tu pode sair, é um viés que assim, a gente tá toda hora falando de sucessão, desarma o cara, e o viés é sempre meio, cara, é meio contrário assim, ó. O pai quer manter, o pai, a mãe quer manter, não, a gente tem que manter estrutura, patrimônio. Tá tudo bem, tem tudo isso.
Só que esse viés de que o cara pode sair, eu acho que desarma ele, desarma ele, porque ele tá numas assim, ó: eu não posso fazer o que eu quero, eu tenho que ficar aqui. Então tá, tu não tem que ficar aqui, tá aqui, ó. Tu pode sair assim, assim, assim ou assim.
Tem saída para você, eu vou te dar uma notícia, tem saída. Tinha um cachorro latindo na garagem, tá abrindo Sai correndo atrás do carro latindo, para o carro ali.
Mas tem um negócio interessante assim que tu falou, falou aí, cara. Eu tô pensando assim, a gente sempre fala, né, que cada vez mais o produtor ele tem que tratar. Agora indo até para o final da nossa conversa aqui, já que já passamos de uma hora, eu acho, né? E eu acho que a gente ia fácil até às 7 da noite aqui falando, porque o assunto é denso, né?
E tá fácil, né?
O Arthur, ele comunica bem isso aí, tá fácil de entender. E a gente tem falado, cara, cada vez, cada vez que a gente conversa com alguém que trata mais desses assuntos assim de gestão mais aplicada na fazenda mesmo, todo mundo fala a mesma coisa, cara. Cada vez mais o produtor tem que tratar a fazenda como empresa, né, como negócio, tá? Isso é ponto pacífico.
Né?
É uma pergunta retórica se eu te fizer essa pergunta, mas a minha pergunta é assim: nesse cenário, dentro desse cenário que cada vez o cara tem que tratar mais como empresa, a governança, ela, no teu ponto de vista, ela— e assim, eu sei que tu vai responder não como, né, um cara que vende isso, mas como olhando os negócios como acontecem— a governança, ela vai se tornar algo obrigatório? Ou ela ainda é um diferencial para fazer?
É, eu vou dizer assim que na prática ele já é um diferencial, mas pouca gente entende o que isso significa, né? Mas para trazer bem para o prático, a origem da trata— não sei se Daniel teve aqui não, que foi outro programa. Você conversou com o Daniel outro dia, talvez ele tenha falado da origem da Trato, se ele não falou, a origem da Trato é banco. Então o Daniel Pagotto, engenheiro agrônomo, era o comercial do Banco JBS. E aí, qual que é o resumo dessa ópera?
Governança serve para você conseguir crédito melhor e mais barato. Então isso assim, você pode pegar a linha, explicar do começo ao fim. Na hora que você tem que demonstrar para um cara que você merece pegar o dinheiro dele para trabalhar, que você vai pagar de volta, e o cara confiou em você, significa que alguma coisa você tá fazendo certo ali. E uma delas é a governança, é o cara olhar ali. Porque quando o cara é dono sozinho, é fácil, você faz uma aprovação de crédito dele, você pega os dados dele e mais ou menos fácil.
Quando o cara tem um monte de CPF trabalhando junto, que normalmente é isso que acontece, que o produtor rural trabalha com CPF, maioria esmagadora, só que é o CPF dele, o da esposa, do filho, do sobrinho, da cunhada, todo mundo misturado ali. Não tem condomínio, não tem condomínio, emite nota por um, emite nota por outro. Isso aí vira um furdúncio. Quando você chega no banco, eu quero pegar dinheiro, a minha terra de garantia é essa, e o cara começa a ver esse, esse enrosco, que primeiro o cara não— qual é a conta que ele usa?
É a mesma que ele usa da fazenda, é a mesma que ele usa na vida dele, né? E às vezes o cara tem 3, 4 contas, cada coisa ele paga de uma vez numa conta diferente, porque aqui eu abri para tirar um crédito, aí movimenta para uma coisa, movimenta para outra. Na hora que chega no comitê de crédito isso daí, os cara olha e fala, meu amigo, É que é rolo, hein? Você dá dinheiro, você vai dar dinheiro, vai dar merda, Bino. Agora, quando você chega com, ó, eu tenho orçamento do ano, eu tenho orçamento do ano, tem um balanço patrimonial, eu tenho conselho, eu tenho acordo de sócio.
Opa, aí o banco sabe que tá falando com gente diferente, né? Então, a trato começou lá atrás, Daniel tendo que preparar o produtor rural para receber o dinheiro do banco, né? Então, é aí é começo da história. Aí você começa a ver índice de risco financeiro, liquidez, perfil de dívida e tal, que pô, é isso que todo banco sabe fazer, é coisa mais óbvia do mundo, né? Então, mas aí o produtor rural, ele só vai para isso quando ele realmente vai buscar o financiamento.
Mas e as outras coisas que não tá no financiamento, né? Então as decisões de investimento é que a gente vive falando de, pô, vou fazer investimento com dinheiro do caixa, aí ficar sem caixa. Vou fazer investimento numa linha de longo prazo ou de uma linha de custeio. A de custeio, pô, você vai ali, aprova rapidinho. A de longo prazo você vai projeto, vai ter que trazer coisa, nota fiscal, burocracia. Então esse entendimento, né, dessas, desses assuntos que trazem a governança, traz uma clareza sobre isso que na maioria das vezes só quem tem essa clareza é o cara que tá dentro, é quando o cara é dono sozinho.
Mas aí quando tem família envolvida, ele não vai ter essa clareza. Aí é onde trava as decisões importantes que precisam avançar e não avança. Então a gente vai comprar a área do vizinho, sim ou não? Aí que depende. Eu acho que sim, eu acho que não. Todo mundo é crônico nessa hora. Depende, depende. A gente vai botar mais um pivô, né? A gente já tem 2 pivôs, o projeto é para 4. A gente vai fazer a segunda fase, um quer fazer, o outro fala nem a pau, já estamos devendo 20 milhões, você ainda quer dever mais, né?
Então isso daí vai ficando travado, o negócio que o cara tinha que fazer esse ano. Pô, a gente que trabalha com né, com agro, a gente é muito óbvio que, ó, ou você faz até esse período ou só ano que vem, tá? Então você perdeu, perdeu um ano. Não adianta você tomar essa decisão agora em abril, já era, né? Então tem tantas coisas que deveriam ter celeridade e vai travando porque a turma não tem comunicação, porque não tem fórum formal de discussão, porque não fica claro o alinhamento de futuro dos cara, né?
Pô, é uma coisa tão besta, né? Alinhar futuro. Pois é, isso foi um processo de governança, isso, para você poder escrever o plano estratégico da empresa tem a ver com sentar com o cara e dizer, o que que tu quer para o futuro? Aquela pergunta de coach, né? Como você se vê daqui a 10 anos? Porra, daqui a 10 anos, meu amigo, eu tô querendo chegar no 30 de abril para receber meu dinheiro. Você tá falando de 10 anos, né? Sei lá, cara, se eu tiver vivo, eu espero estar bem, né?
E aí, só que aí você escuta o cara falar de coisas do tipo, fala assim, olha, eu, meu plano é, sei lá, estamos em São Paulo, a gente gostaria de vender a fazenda aqui, comprar no Mato Grosso, comprar em Rondônia, fazer essa troca, não sei o quê. A gente tá com sangue no olho, quer crescer. E às vezes tem o contrário, um irmão fala: não, eu não quero mais nada do que isso daqui, esse aqui tá bom demais, já paga minha vida e eu não quero mais correr risco não, porque já foi a vida inteira a gente— lembra como o papai era?
Lembra como que a gente se fudeu quando era criança? Você quer continuar com isso ainda, né?
Volta tudo, né, cara?
Volta o que tá no coração. A gente tava falando sobre isso antes de começar a gravar. É, então O que o cara passa lá vai voltar nessa hora.
Tá tudo guardado no coração do cara, né, cara?
A gente vê assim o cara de 60, 70 anos entre irmãos ali, entre eles tendo enrosco, que parece que o problema é aquilo ali. Não é. O problema não é aquilo ali, é só um reflexo de um problema que existe desde que eles são criança, né? Do que era mais novo, tem 10 anos a menos e foi mais mimado porque já pegou uma fase melhor. Os irmãos cuidava do mais novo, e aí o mais novo hoje é o mais novo ainda, né? E ele acaba fazendo as coisas do mesmo jeito.
Tipo, aí eu decidi, eu quero desse jeito. Aí depois o outro fala assim, aí faz isso, sabe por quê? Porque a vida inteira foi assim, faz o que quis. A gente tinha que entrar em acordo, se fuder e fazer o que queria.
E é tão forte isso, porque às vezes é um negócio que— às vezes não, a culpa nem é do mais novo.
Não tem culpa. É isso aí.
Às vezes é um negócio assim, tipo, pô, mas ele teve tal coisa, e essa tal coisa na época deles nem existia, não tinha como eles Sabe?
E aí, só que aquilo, cara, sabe, o cara fala, é, filho, você já chegou na— eu já ouvi o cara falando assim, ele já chegou numa situação muito melhor, filho. Ele já chegou aqui, já tinha carro, carrinho, escolinha particular. A gente se fudeu, amigo. A gente vendia queijo na cidade, né, na carroça. Vendia queijo puxando carroça. Isso aí já chegou na vida boa, cara. Então ele é assim mesmo, ele é desse jeito. Agora é desse jeito, mimadinho.
Arthur, para a gente ir quase para os finalmentes aqui, cara, uma coisa que a gente gosta muito no Gestão Rural é assim, beleza, nós falamos muita coisa, acho que tem conteúdo para caramba aqui, dá para falar uma dúzia tranquilo, mas assim, cara, aquele produtor que às vezes não enxergava a governança como sendo um negócio para ele e que está escutando a gente aqui agora, Pelo que pudemos perceber aqui, a governança é uma condição sine qua non para a permanência do negócio por muito tempo.
O que é sine qua non?
Sem a qual não.
Melhorou.
Para o cara se manter no negócio. E o grande objetivo da gestão rural é o cara se manter no negócio por várias gerações através da gestão rural. Né? E a governança faz parte desse processo. Agora, ele entendeu que pode ser para ele.
Sim.
O que que ele vai fazer amanhã, cara? O que que ele pode começar a fazer amanhã já, cara?
O passo 1 que o cara tem que ter é chamar todo mundo e fazer um alinhamento. Que que a gente quer para o futuro? Que que a gente tá precisando hoje? Qual é a prioridade, né? Porque, pô, prioridade minha é pagar a escola bilíngue do meu filho ano que vem, que eu tô vendo que eu vou sofrer para pagar isso daí. A prioridade do meu irmão é a filha a faculdade de medicina, é outro campeonato. Então assim, você entender que é óbvio que entre irmãos a gente sabe mais ou menos da vida do outro, mas isso é um assunto meio velado às vezes, né?
Então você não traz às claras e realmente para o bicho: o que que tu quer disso daqui, né? O que que você precisa? Aonde você quer ir para o futuro? Que esse alinhamento inicial é que traz todo o resto, né? Essa é a primeira coisa. E aí, derivado desse alinhamento, vai sair um monte de coisa. O principal, ao nosso ver, é clareza sobre o resultado. Então, se a gente não consegue dizer para onde a gente tá indo, se estamos indo bem ou indo mal, temos um problema.
Então a gente tem que aprender, conseguir responder: a gente tá melhor ou pior do que o ano passado, ou dos últimos 5 anos, né? A gente tá mais rico ou mais pobre? E quanto? Essa aí pega para todo mundo. Esse ano, se o cara não conseguir responder, ó, fluxo de caixa. Eu esse ano fechei o ano com mais dinheiro ou menos dinheiro? Aí vem, pô, mas tem coisa que não tá no caixa. Vamos para performance, vamos ver esse negócio que eu tenho aqui, ele gera resultado econômico ou eu tô só trocando figurinha, né?
E depois vem para o patrimônio. Aí a gente tá ficando mais rico ou mais pobre? Porque a gente valia X, agora a gente vale Y. Isso é bom, isso é ruim, né? Quando você consegue responder isso Qualquer um pode entender, aí tá todo mundo na mesma página. Aí, porque quando a gente fala dessa questão do entendimento do negócio, para mim é o, é assim, é o fator limitante você querer explicar para um cara que não entende. E aí eu não tenho paciência de explicar, porque, porra, vai aprender primeiro, depois você chega qualificado aqui, você vem, vai estudar, quando você se qualificar você volta aqui para eu te explicar, né?
Então quando você consegue fazer esse alinhamento inicial de E aí, quando é família, muitas vezes vai ter ali uma lavagem de roupa suja, né, vai ter assunto que você não quer fazer. A gente fala muito sobre isso na Trata, né. Então assim, você falou da missão de, através da gestão, que as próximas gerações possam ser beneficiadas da continuidade do negócio. A gente também tem essa vertente, né, esse trabalho. A gente fala da mentalidade da fazenda infinita, é o nome inclusive do nosso podcast Fazendas Infinitas, e nosso programa aí de educação Fazendas Infinitas, que é que o seu negócio perdure no tempo e sobreviva aos líderes.
Aí ele vai sobreviver a você, porque provavelmente é você que vai acabar com seu negócio. Que acabar em que sentido? Teus filhos não vai querer participar disso. Teus filhos vai olhar para isso daqui, vai dizer assim: a peste é quem vem para isso daqui, eu não quero isso daqui, né? Tenho raiva desse negócio. Se eu pudesse, eu vendia isso aqui, sumir com esse dinheiro, né? Ou tem orgulho dessa história, é um bom negócio, paga minha vida, dá qualidade de vida que eu tenho, a segurança financeira da minha família.
Opa, agora Cara, eu tô achando, tá parecendo interessante, né, esse trabalho. Então a gente fala nessa transmissão ao longo do tempo. Isso só vai acontecer quando o cara olhar para isso e falar assim, cara, isso aqui é meu futuro, isso aqui tem futuro. É uma resposta que eu gosto de dizer do funcionário até de empresa, né? Quando você pergunta para o cara, e aí, da tua empresa? O cara fala, isso aqui é sem futuro, né? Isso aqui é sem futuro, né?
Não tem futuro isso aqui não, cara. Você escuta muito, né? É, você falando com funcionário, isso aqui é sem futuro, meu amigo. Se esse cara aqui é porque não tem outra coisa, não tem lugar para ir, né? Então se o seu filho, né, sua família pensa que isso aqui é sem futuro, realmente ele não se vê naquele futuro, ele não vê isso aqui no futuro dele. Então se precisar, porque pô, tem muitos momentos que você vai precisar tomar ações que são relevantes e que pode realmente, né, mudar o destino.
Só que para isso acaba entrando em decisões que incomodam. Então você definir, por exemplo, a participação de cônjuge na empresa. Se eu vier a faltar, melhor a gente falar isso, quando eu vier a faltar, qual vai ser a regra? A minha esposa vai vir aqui, meus filhos vão vir aqui, de que forma? Aí o cara fala, pô, bicho, que conversa, né, velho? Eu falar, eu me imaginar quando eu morrer, né? Aí eu falo, então, pois é, mas a gente tem que fazer esse combinado.
Mas volta, né?
Esse é um exercício que é a primeira coisa que a gente fala, uma das primeiras coisas, né, com a família, para dizer: vamos lá, na prática, o que que acontece se você morrer hoje? O cara, puta, já engole aquilo ali, né, que ele não tava preparado para pensar essa, né? E aí ele fica pensativo e fala: rapaz, não, vamos na prática, na prática. Aí o cara já entende que se ele morrer hoje, a transmissão desse patrimônio para os filhos dele já deu merda.
Eles precisam de, aqui em São Paulo, 4% do ITCMD do valor do imóvel. Não tem, não tem. Eu já falo, nossa, cara, tão fodido! É, realmente, é, nem pensar em casa até nós ali. Aí o cara começa a pensar em regime de casamento, o cara começa a pensar regime de casamento dos filhos, começa a pensar em testamento. Isso é um assunto que ninguém quer enfrentar, mas são esses assuntos que tem que ser enfrentado, porque no dia que isso acontecer, tá conversado.
Isso daí muda, muda muito o campeonato, porque nessa hora de forte emoção é onde a gente tem, né, o problema. É na emergência, vai virar emoção, cara, vai ser a pior forma de você tomar. Então vamos tomar a decisão disso frio, né? A gente já teve caso de que a gente fez essa discussão com os irmãos e, cara, um ano depois esse cara morreu e o cara não tinha filhos. Ele era o único que não tinha filho. Então a esposa dele automaticamente tinha 25% de tudo.
Tudo.
Só que, pô, o negócio que tá há 140 anos na família, veio do vô, do bisavô, não sei o que lá, tudo bem para esposa dele, mérito, beleza. Só que a esposa não tem filho, vai ficar para quem? Vai ficar para o irmão dela, a mãe dela de 90 anos, e depois para o irmão. A gente fala, caralho, de repente, de repente, 25% do negócio tá na mão de uma outra pessoa que não teve nada a ver com o negócio e vai vir aqui tanto, tão sócio quanto a gente, com o mesmo poder de decisão, né?
De se ele não assinar não faz nada, não tira dinheiro, não vende, não compra, não faz nada. Então olha como abre uma brecha ali que o cara fala: rapaz, eu nunca tinha pensado nisso não, né?
Tipo, aí tem que ter uma regra para isso, né?
Criar regra. Você vai indenizar o cara, você vai comprar a saída dele.
Exato.
Mas você vai ter os seus direitos hereditários. Mas aí é ter preparação nessa hora. Tem se o cara vai ter um seguro para isso, que existe o seguro sucessão, se vai deixar um fundo reservado, como que vocês vão comprar essas cotas. Enfim, tem um monte de coisa, mas é discutir como será. Ninguém quer falar sobre isso.
Isso.
E isso faz a diferença demais, tá? Porque quem já passou, só quem tem família que tem ativo e já passou por essa transferência de imóveis sabe o que é isso daí. Então foi a mãe, aí já foi uma paulada. Aí daqui a pouco, daqui a 10, 15 anos, o pai. Mas pô, 10, 15 anos passa, hein? Passa. Aí 10, 15 anos depois, o cara falando, você vê, lá naquela época da minha mãe a gente já pensou nisso, não resolveu, e agora na hora do meu pai vai fazer de novo isso, né?
Então essa parte de enfrentar o assunto que ninguém quer enfrentar é onde a gente bate forte e sabe que sozinho provavelmente eles vão só evitar o assunto. Mas quando a gente põe na pauta, a gente traz a pauta da reunião, fala o assunto dele, o assunto hoje é esse aqui, ó, né? Porque eu percebi na conversa que você precisa disso, não, já veio definido. A gente tem um modelo, a gente tem que falar de tudo isso com vocês, né? E esse assunto, né, de família delicado.
Então uma das filhas lá que, pô, era casada com o cara há 10 anos, mas não tinha documento nenhum com ele e nem tinha filhos. Você sabe o que acontece se você morrer? O seu marido é o seu herdeiro. Ah, é? É. Então é bom você pensar no que você vai fazer, né? É bom você casar com ele, fazer a separação de bens. Por mais que é bem de raiz, tem uma coisa legal aí que você consegue muita coisa você consegue livrar, mas mesmo assim, de repente, tem uma pessoa que vira sócio.
E o pior do sócio não é só a questão de, pô, é um valor, vale tanto, agora é dele, não é justo. Essa é uma parte. A outra parte é o cara tem o poder do veto. O cara tem o poder do veto na decisão.
Às vezes nenhuma ligação, às vezes ele tem ódio de vocês. Ele falou 2 horas atrás quando a gente começou o episódio. Tu não escolheu ele para ser sua opção?
Não escolhi eu.
Aí foda, velho.
A gente fala isso muitas vezes, o cara fala, pô, eu já ouvi, né, de cara mais velho falar assim, bicho, eu não tinha nada. Quando a gente fala de planejamento sucessório, fazer holding, transferência de cotas, eficiência tributária, criação de regra, o cara fala, bicho, eu não tinha nada, eu construí isso, vocês vão ganhar. Vocês se vira, amigo, você se vira, vai quebrar a cabeça com advogado, paga imposto, se vira, problema de vocês.
Aí o cara fala, é bom, ele tá pensando, eu morri, eu quero, como é que você se vira, né? Eu não tô aqui, né? Só que aí, onde que dói normalmente nesse cara? Quando o cara tem filhos, aí você fala assim, então sabe tudo que você construiu? O seu genro vai torrar viajando na Europa, tá? Tudo que você nunca fez a vida inteira, ele vai a sua filha e seus netos vai passar um ano viajando na Europa. O cara, cara, é, realmente eu acho que eu vou ter que me mexer, né?
Tem que fazer alguma coisa aqui para travar. Agora é isso, né? É um, porque quem somos nós para definir o futuro da vida do cara? É ele que tem que definir, né? Então a gente traz a luz, traz o negócio, mas a decisão é de vocês. Aí tem gente que se organiza, vai embora para o negócio, vai ter gente que que não tem jeito não também, tem jeito que não tem jeito não.
Então, seu Arthur, eu vou dizer duas palavrinhas para ti.
Vale.
Parabéns!
Obrigado.
Muito boa conversa, hein, gurizada?
Eu já quero adiantar aqui porque eu conversei com o Arthur. Arthur, a gente já se fala aí há um tempão, gravamos ano passado aqui também para o Raízes, né, cara? Mas muito obrigado porque o pessoal da Sky falou assim, cara, a gente precisava conversar com alguém. Eu falei assim, ó, tem um cara bom aqui, se vocês acharem que vale a pena. Passei o seu contato, falou, não, vamos fazer, vamos fazer. E eu já sabia que ia ser um baita episódio, né, cara?
Muito obrigado, parabéns pelo seu trabalho aí, né? Acho que a sua trajetória ela traz uma coisa diferente, sabe, cara? Que às vezes você precisa ouvir. Eu acho que teve muita gente que ouviu esse episódio, escutou vários casos reais que você trouxe, que se viu. E isso vai gerar frutos aí mais para frente, cara. Então muito obrigado, parabéns aí.
Eu agradeço demais aí mais uma vez a oportunidade gostar tanto de estar aqui gravando, né, dentro do ecossistema, né, do Paulo Ozark, Agro Resenha, um monte de Frente a Frente, um monte de programa e tal. Então quantas vezes vocês quiser me chamar aí, eu tô dentro, tá, que a gente tá aí para isso, né. E juntando aqui com a turma da Escada de Água também, Escada de Água também é uma turma que temos algumas conexões já, né, temos algumas conexões.
E vamos, vamos funilar. E já tá aqui feito convite para todos, né? Tanto esse cara de água ir lá gravar o Fazendas Infinitas com a gente, quanto o Paulo ir lá também passar em Bauru e gravar com a gente lá. Que é caminho, se é caminho, eu não sei se você vai, tá?
Então, muito bom.
Eu queria agradecer também, cara, a conversa de ontem ali. Nós fizemos um episódio não gravado ali ontem, né? E hoje mais um durante o episódio que foi gravado negócio. Mas assim, o que, o que eu queria inclusive te parabenizar, e é uma, não é um dom, mas é uma habilidade. Assim, eu, eu acreditava em dom até uns anos atrás, depois passei a acreditar que não existe dom, existe habilidade. Assim, tem aptidão, sim, tu é um cara que tem aptidão para comunicar, só que tu desenvolveu habilidade de comunicar fácil.
Fácil.
Então eu já tinha visto palestra sobre governança, sucessão, caramba, né, e tal, mas pela primeira vez assim que eu escutei alguém falar sobre esse assunto e parecer fácil.
Que bom, é muito obrigado por aceitar conversar com a gente. Obrigado, valeu.
Vamos trocando ideia aí, fazer esse negócio Muito bem.
Não sobrou nada para a gente dizer, né? Até te falei ao longo do episódio, né?
Porque não te achei bonito.
Só o teu viés de explicação, né, da motivação para organizar as coisas, para mim já foi assim, já foi uma baita de uma sacada, porque a gente tá toda hora escutando a mesma coisa, escutando a mesma coisa, e a gente precisa disso, de que, sabe, que as pessoas consigam ter consciência do que tem que fazer. E muito obrigado, obrigado por estar, né, o teu tempo aqui, por ter vindo e por ter conseguido comunicar isso.
Muito bom, eu fico muito feliz porque no fim das contas é isso, meu objetivo é trazer, facilitar a comunicação. Então quando a gente entende que a nossa mensagem chegou no receptor com clareza, pô, tô indo para casa feliz hoje.
Bom, como você bem sabe, né, velho, a gente tá aqui em Ribeirão Preto e tal, né? Tem algumas questões aí de cunho estratégico e milenar que a gente fala sempre, que é o seguinte, cara, deixa eu ver, não precisa molhar a horta não.
SCADIAgro
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