Agro Supply #03 - Mecanização não é máquina: é gente, processo e decisão
Neste episódio gravado durante o Agro Supply Summit, em Cuiabá, Paulo Ozaki conversa com José Vengrus sobre mecanização agrícola, eficiência operacional, tecnologia no campo e os bastidores da competitividade do agro em Mato Grosso. A conversa mostra como gestão de máquinas, pessoas, dados, manutenção e supply chain impactam diretamente o resultado da fazenda. Um episódio para quem quer entender onde a operação perde dinheiro sem perceber e o que realmente faz a tecnologia gerar valor no agronegócio.
PARCEIRO DESTE EPISÓDIO
Este episódio é uma parceria com o Agro Supply Summit! O Agro Supply Summit é o maior evento da cadeia de suprimentos da agroindústria do Brasil, reunindo executivos, gestores, empresas e grandes players para discutir inovação, tecnologia, estratégia e competitividade no agro. Com foco em networking e conteúdo de alto nível, o evento conecta indústria, tecnologia e agronegócio para debater supply chain, eficiência operacional, gestão e o futuro da cadeia agroindustrial.
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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidado: José Vengrus
Edição: Will Oliveira
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Paulo Ozaki
José Vengrus
- Transformação do AgroGestão de máquinas e frota · Importância das pessoas e treinamento · Tecnologia e eficiência operacional · Manutenção e peças
- Tecnologia e InovacaoSeleção de tecnologias aplicáveis · Parceria com a indústria e fornecedores · Telemetria e análise de dados · Tomada de decisão baseada em dados
- Casos de sucesso e desafios das SAFs no BrasilCompetição em qualidade no mercado mundial · Falta de protecionismo governamental · União de produtores e instituições · Embrapa e desenvolvimento tecnológico
- Setor AgropecuárioNecessidade de troca de informações · Exigência de qualidade de fornecedores · Fortalecimento da cadeia de suprimentos · União e força coletiva
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E aí, pessoa? Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a esse episódio especial do Agro Resenha aqui no Agro Supply Summit, o maior evento da cadeia de suprimentos da agroindústria do Brasil, onde a gente vai conversar com várias pessoas. O objetivo aqui é discutir inovações, desafios, tendências. Tendências e transformações da cadeia de suprimentos do agro, nesse setor que é cada vez mais importante para competitividade do nosso país.
Então segura a onda aí e já vamos lá para o episódio, beleza? Muito bem, estamos aqui nesse episódio com José Wengros Filho, mais conhecido nesse universo aqui como Zezão, que é diretor de mecanização agrícola na Bom Futuro. Muito obrigado por estar aqui com a gente, viu, Zezão? Seja super bem-vindo ao Agro Resenha Eu que agradeço.
E vamos lá, estamos aí, vamos bater um papo legal, positivo.
E para a gente começar aqui, cara, conta aí para a gente quem que é o Zezão, o que que ele faz. Conta um pouquinho da sua história para a gente.
É, vamos lá, hoje, né, porque o passado já tá, já tá um pouquinho distante, mas Eu vim de baixo, eu vim do começo, nascido em uma fazenda, criado numa fazenda, sempre me apaixonei por mecânica e depois comecei a trabalhar em concessionários e fábricas e acabei vindo para Bom Futuro no ano 2000 e já tô há mais de 26 anos na Bom Futuro como diretoria de mecanização. Então vamos lá, tudo que funciona Tá debaixo do meu guarda-chuva.
Então, máquinas, veículos, treinamento, oficina, peças, serviços, ou seja, tudo que precisa para uma estrutura funcionar faz parte. Combustível. Então A gente tem bastante coisa, e mas eu tô passando para outras pessoas, né? Já tá chegando o meu tempo, preciso ter um tempinho para curtir mais um pouquinho para mim. Então já tem outras pessoas assumindo aí as partes, eu vou estar dando apoio do lado e principalmente Aí o relacionamento com a indústria, isso tá comigo e vai permanecer comigo por um bom tempo ainda.
Legal. E você falou que veio, né, não é daqui de Mato Grosso. De onde o senhor veio?
Ah, eu sou do Paraná, norte do Paraná, e basicamente eu vim para cá em 91, e durante todo esse tempo eu fiquei só 2 anos e meio fora. Então já me considero um mato-grossense nato.
Bom, e dentro desse período, né, Zezão, vamos lá, vamos dizer início dos anos 90 ali até hoje, vamos dizer 36 anos, cara, mudou para caramba esse Mato Grosso, né? Você pegou toda essa evolução. Como que foi essa, esse desbravamento quase, né, cara, desse processo?
É, isso era um desbravamento, né? Vou dar um exemplo muito claro. Nós saímos de Várzea Grande 8 horas da manhã, fomos chegar em Sorriso 5 horas da tarde. Você vê como era, como é que era a condição das estradas, né? A distância não mudou. Hoje você faz com 4 horas e meia. Então realmente as dificuldades foram muito grandes, não só eu como as pessoas que vieram para se desbravar, trouxe a sua família, passaram por dificuldades e E o Mato Grosso virou o que virou hoje, acho que pelas pessoas que tá aqui, que todos vieram com espírito de vencer na vida, de buscar seu espaço, de lutar.
E acho que isso foi o sucesso de todos que estão aqui hoje. Então dá orgulho para gente ver esse estado chegar onde chegou, por trabalho e dedicação das pessoas que vieram para cá e que fizeram disso o seu lar, o seu futuro.
Legal. E isso é legal, né, Zezão? Porque assim, minha família também, né, veio para cá. Meu vô tinha fazenda aqui no interior de Mato Grosso, e muita gente veio. Nem todo mundo deu certo, mas os que deram certo estão fazendo um trabalho fenomenal dentro desse processo, né?
É uma realidade, nem todo mundo é igual. Alguns desistem nas primeiras dificuldades, outros persistem, né? Mas o importante é que esse pessoal tinha na mente uma outra, uma outra realidade, que eles desde o início sabia que tinha que ser empresário. Mato Grosso, como nós sabemos, é muito pobre de solo. Então o cara tinha que investir primeiro para depois começar a ter resultado. Simplesmente não era você abrir ou derrubar o cerrado, o mato, e já começar a plantar.
Então, diferente do restante, então essa classe que veio para cá já era um filho de agricultores que já tinha passado por isso no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, veio mineiros que também já tinha passado por isso e fez acontecer.
Sim, sim. E o senhor comentou que sempre gostou de máquina, né, sempre gostou de motor, enfim, toda essa parte de mecanização, né. Como, da onde que veio essa, essa, vamos dizer assim, interesse pela área assim?
É, na minha época lá atrás, dificilmente você tinha acesso a fazer uma faculdade de engenharia, principalmente engenharia mecânica. Estou falando nos anos 70, então era mais por curiosidade. O cara, quando não gostava de trabalhar na enxada, era um pouco curioso, entrava para o lado da mecânica e começava regulando platinado de Fusca, limpeza de carburador, E assim sucessivamente. Então eu, desde muito cedo, acabei indo para uma oficina, estudava a parte da manhã, na parte da tarde ficava nessa oficina trabalhando nessa oficina. E isso é que trouxe a paixão por máquinas como eu sinto hoje.
E Cezão, dando um pulo aí, né, tá já 26 anos na Bom Futuro. E a Bom Futuro tem uma escala, né, que é gigante. Eu já tinha ouvido falar sobre o senhor, né. Eu tenho um irmão que trabalhou muito tempo na área de máquinas também, ele sempre comentou de ti. Como que é assim dentro de uma fazenda comum, normal, gerenciar o parque de máquinas? Já é um negócio, né, que não é tão simples assim. Mas quando você aumenta a escala, como é o caso ali de um grupo grande como Bom Futuro, os problemas são bem mais amplificados assim, né? Como é que é esse dia a dia ali?
É, vamos lá. Quando a Bom Futuro me contratou, eu já conhecia eles basicamente há 10 anos. A gente já tinha relacionamento. Eu antes vendi máquina aqui, inclusive vendi máquinas para eles. Então a gente já tinha um bom relacionamento. Mas quando eu entrei, a Bom Futuro plantava 30 mil hectares, já era grande. E hoje, 2000, início de 2000, né, início de 2000. E hoje nós estamos com 700 mil hectares. Então esse foi o grande crescimento, investimento, né, por acreditar nesse negócio da própria Bom Futuro.
Mas quando eu vim, ela já tinha uma boa estrutura de gente, de pessoas e de fazenda. Então eu não tive tanta dificuldade, né, porque já tinha uma estrutura. Eu só aproveitei a estrutura que tava lá e começamos a qualificar as pessoas. E com isso ela veio ganhando o tamanho desse corpo, né. E a gente passou por bastante coisa. Um outro número muito interessante é que nessa época a gente tinha uma linha de plantio para 130 hectares.
Hoje, devido à tecnologia, devido à janela, devido genética, um monte de coisa, e onde se planta só de algodão e milho, nós temos uma linha para 30 hectares. Então essa evolução de máquinas Sim, né? E aproveitar janelas para ter produção máxima, sem chegar ao sucesso que a gente tá hoje. E fator muito importante, a Bom Futuro sempre acreditou nas pessoas, as pessoas que trabalham com ela, ela sempre valorizou muito, de todos, desde um simples colaborador que trabalha na limpeza até o gerente da própria fazenda, todos teve chance de crescer. E acho que isso foi outra questão diferenciada da Bom Futuro na região. Legal.
E é engraçado, né, Zezão, toda vez que a gente conversa sobre novas tecnologias, implementação, como é o caso da Bom Futuro aí ao longo dessas décadas, né, a gente foi implementando novas tecnologias, isso foi trazendo produtividade, e a produtividade quando vem traz outros desafios de gestão, né. Mas a gente sempre volta para as pessoas, né, Zezão, assim, Regra geral, nenhuma máquina funciona se não tiver gente capacitada para estar ali, né?
Ainda bem, né? Ainda mais as máquinas hoje com alta tecnologia necessita de uma qualidade de pessoas muito melhor, com muito mais conhecimento, com nível de cultura hoje um pouco melhor, porque tem muita coisa integrada. Mais pessoas acaba sendo grande diferencial, né? E geralmente você acaba sempre assumindo, depois do teu nome, o teu trabalho.
Então eu sou conhecido pelo Zezão da Bom Futuro, sobrenome quase, como eu já fui.
Então você acaba ganhando um sobrenome, como eu já fui Zezão da Case, Zezão da Massa, e Então isso traz para gente uma raiz, sim, né? Você acaba realmente acampando isso como se fosse o teu negócio, e acho que isso faz todo mundo a crescer. E por trás você traz a responsabilidade de tua equipe, né, que ninguém faz nada sozinho. Então você tem todo um aparato por detrás. Você tem o pessoal de suprimentos que tá lá na compra, você tem os mecânicos, você tem borracheiro, você tem lubrificadores, você tem pintor, você tem um bando de gente, né, que tá ligado diretamente a você e que basicamente depende do teu trabalho.
Então Cada vez a gente sente mais essa responsabilidade de continuar com a sustentabilidade para toda essa família.
Legal, legal. E o senhor falou aí agora de sustentabilidade, né? E uma das coisas que a gente discute muito aqui, tanto no Agro Supply Center, no agro como um todo, né? Como a gente consegue melhorar a eficiência dos nossos processos, né? Imagino que ao longo desses 30 anos aí, o senhor deve ter passado bastante poucas e boas aí em como melhorar esse rendimento operacional e tudo mais. Qual foi o principal desafio ao longo desse tempo que o senhor pegou e que melhorou aí o sistema?
Eu acho que foi muita coisa, como eu já falei um pouquinho antes ali. A partir dos anos 90, a gente teve uma evolução muito grande nas máquinas produzidas ou trazidas para o Brasil. Então nós saímos lá de um mercado interno para consumir máquinas europeias, máquinas americanas com alta tecnologia, inclusive com muito mais produtividade. Então isso fez o grande desempenho do Mato Grosso. Também lá nos anos 90 a gente teve o adendo do algodão, e o algodão trouxe muito muita valorização técnica para todo mundo, desde o engenheiro agrônomo, do técnico agrícola, porque tem que se dedicar muito mais desde o preparo de solo.
Você tem que fazer um perfil maior para ter algodão e ajudou a trazer um crescimento muito mais rápido do que tinha só com soja e com milho. Então isso para mim foi a grande diferença aqui do Mato Grosso nesse momento, né? E a evolução dos produtos vindo de fora com novas tecnologias.
Legal. E outra coisa também, por exemplo, dentro desse processo, imagino que existem ainda muitos gargalos que precisam ser resolvidos, né? Afinal, uma operação grande como essa, ou até mesmo uma operação pequena, né? Na sua percepção assim, Quando ou onde uma operação agrícola ela perde mais dinheiro sem a gente perceber assim?
Vamos lá, hoje nós precisamos ser muito competitivo para que a gente consiga ter produtos com preços a nível mundial. Essa competitividade eu acho que foi que trouxe a excelência para nós, porque nós somos os únicos agricultores que competem por qualidade. A gente nunca competiu por outras oportunidades que se tem, como em outros países, né, onde você tem um governo que protege a sua agricultura, ponha muita grana na, para que esses agricultores não saiam do campo.
É um protecionismo que eles têm e nós não temos isso. Então essa competência fez a gente chegar onde a gente chegou. E também contamos, né, com principalmente o pessoal daqui, lá vendo a necessidade de tecnologia não só em máquinas, mas nos seus produtos. Então teve a Fundação Mato Grosso, teve a Fundação Rio Verde, Teve um trabalho grande para que o esforço de todo mundo trouxesse um grande resultado. Aí criou-se a Prosmat, criou-se a ProSorja, criou-se a nossa do algodão, né?
Ampa. Então a gente fez muita coisa, e unindo quem? A agricultura dando suporte a tudo isso. Então é essa agricultura nossa, ela se uniu pela dificuldade, e quando todo mundo se une, o resultado é o que tá aí. Eu lembro que numa época dessa a gente visitou uns agricultores na Argentina, e lá o cara achava que o inimigo dele era o vizinho, e não é, né? E a gente aqui já acreditou diferença. Nós temos que se unir para poder ter representatividade e lutar contra esse mundo que nos barra, barrava do crescimento.
E é interessante o senhor falar isso, né? Porque Todo esse avanço que o Mato Grosso teve, óbvio, eu sempre falo isso, né, ele tem muita base nos produtores, nas pessoas que estavam aqui. Mas essa junção, eu acho que talvez no Brasil tenha sido uma das coisas mais impressionantes que eu vejo assim de mudança de um estado que era pobre, né, não tinha nada aqui. Se for olhar 50 anos atrás, era um cerrado bruto e tudo mais.
Separou os estados, né?
Exatamente.
Aqui só sobrou mato, só sobrou mato.
Então assim, essa união dos produtores dentro da dificuldade, que eu acho que deu esse impulso também, né, de poxa, vamos fazer acontecer e tal, você é meu companheiro aqui de luta, né, e vamos fazer esse negócio acontecer, né.
O que eu acho, né, como você tem a história dos teus avós que fortaleceu muito foi a família. Exatamente, que o cara veio com a família e a família toda queria crescer, a família toda precisava crescer, precisava colher os frutos de uma dedicação, que seus pais saíram da tranquilidade para conquistar um novo horizonte. Então eu acho que isso foi a grande estrutura do crescimento. Se você pegar esse pessoal que tava aqui, teve que ajudar a construir escola, construir igreja, construir vários órgãos que era do governo, construir uma PAE, construir um Lions Club.
Então, ou seja, em alguns lugares até a cidade, né?
Todo mundo chamava cidade, inclusive, né? Cidade. Teve que se juntar para ter telefone, para fazer uma ponte. Então, ou seja, foi muito trabalho para chegar onde todo mundo tá hoje. E todo mundo tá colhendo desses belos frutos que o Mato Grosso proporcionou para todo mundo. Quem conhece, eu posso dizer que conheço o Brasil inteiro e mais umas partes, Nós temos a maior, uma das maiores bênçãos que Deus podia dar, que é o clima do Mato Grosso.
Então esse clima nos ajudando, chegamos aonde chegou. Se nós formos voltar lá na Itamaraty, nos primeiros soja plantado aqui era entre 20 e 30 sacas, hoje 70, 80, 100, 110. Então olha o que a gente conquistou, vamos dizer, nesses 40 anos aí, né, que foi o crescimento real do Mato Grosso. E eu lembro bem da divisão, que ela aconteceu em 1978, e aqui se falava: vai no Mato Grosso, ali tem bicho, tem onça, tem cobra. Tem tudo que dificultava, mas veio um povo muito batalhador, cara, com muita força, com muita vontade, e mudou tudo isso dentro de muito pouco tempo.
Sim, é legal porque assim, toda a teoria em volta da agricultura tropical foi desenvolvida nesses 40, 50 anos, né? Porque grande parte dos tratos culturais, a maneira como a gente fazia naquela época tinha a ver com agricultura que era feita na Europa, nos Estados Unidos, né? Não tinha uma tecnologia nacional e a gente acabou desenvolvendo isso dentro da nossa dificuldade aqui, né?
Isso. E a gente temos que lembrar do nosso grande ministro Paulinelli com a criação da Embrapa.
Exatamente.
Então já começou desde um órgão governamental, isso foi multiplicando de pouco a pouco. Foi crescendo e fazendo tudo isso. E a grande importância, tudo que a Embrapa, ela focou em tudo, em criação, em lavouras, em verduras, em frutas. Quer dizer, ela acabou botando tecnologia em tudo que a gente necessitava para viver. Né, em peixe. Ou seja, foi um negócio espetacular. Então parabéns ao Brasil ter conquistado isso. E quando você acabou de falar que nós estamos numa cultura tropicalizada, inclusive começamos a exportar essa cultura para outros países onde tem o mesmo clima, muito parecido aonde nós estamos. Então acho que isso é muito, muito importante para nós.
Demais, demais, demais. E Zezão, dentro desse processo aí você viu muita tecnologia nova surgindo, né? E teve muita coisa que surgiu e foi para frente, teve muita coisa também que surgiu e, né, e parou no meio do caminho por ser talvez não ser tão prático assim de se aplicar numa fazenda. Como que vocês separam essa inovação que é real, que ajuda, daquela que é só fumaça, vamos dizer assim.
É, Iota, nos meus 60 e poucos anos vi muita transformação. Sim, que na minha época de infância quem tinha rádio, rádio era difícil, televisor então mais difícil ainda. E olha onde nós chegamos, né? Depois veio adendo da televisão, antena parabólica ajudou a massificar tudo isso aí, porque você não dependia mais de sinal de ondas, né? Você tava ligado diretamente a um satélite. E essa evolução vindo nessas máquinas trouxe todo esse tipo de tecnologia.
O que que eu falo? A tecnologia veio para nos beneficiar, mas às vezes ela não tá no tempo correto. Às vezes, ao invés de nos ajudar, ela mais nos complica. Então, o que que a gente soube? Pera aí, o que eu necessito? O que vai me agregar valor? O que vai me facilitar a vida, não complicar a vida?
Sim.
Então, veja, uma máquina tecnológica para nós é uma coisa, por pequeno agricultor da Baixada Cuiabana é outro, outro tipo de máquina, outra, outra qualidade. Não é só o valor agregado, o cara precisa da máquina que vai facilitar a vida dele, vai trazer conforto para ele. Então isso muda bastante, mas a gente brigou muito. Cheguei a ser taxado que eu era contra a tecnologia, muito pelo contrário. É que essa tecnologia custa caro e às vezes ela não te traz o resultado que deveria te trazer.
E a gente passou a entender e passamos a discutir mais com esse pessoal de novas tecnologias. Quando se falar de GPS, é você mostrar para as pessoas que estavam com isso que você precisava de um software configurado para as necessidades brasileiras, não com software que veio da Europa ou veio dos Estados Unidos, porque as nossas culturas são diferentes. Sim. Então isso começou a acontecer devagar aqui dentro, né? E aquilo que a gente falou, muita coisa foi embora e muita coisa foi permanecendo.
Então esses que ficaram aqui dentro evoluíram muito e trouxeram uma facilidade absurda para nós. É uma facilidade muito grande aí. E durante todo esse período na Bom Futuro, o que que eu fui entendendo? Que nós precisamos de parceiros. Então, dentro desses tecnológicos, nós fomos buscar os grandes parceiros, e essa parceria fez eles entender as nossas dificuldades e trazer um produto mais adequado para nós. Sim, que facilitou muito, principalmente como software, algumas coisas de hardware, simplificar as coisas que a gente necessitava aqui.
Então chegamos onde tá hoje porque acho que essa parceria fortaleceu todo mundo, tanto nós quanto quem produzia e quem passou a entender as nossas necessidades.
Eu acho que esse ponto é crucial, né, porque assim Não pode ser a melhor tecnologia do mundo, se ela não resolver um problema, ela é o problema, né?
Com certeza, não tem jeito. E até porque é difícil você entender essa eletrônica. E outra, quando a gente fala de tecnologia e eletrônica, daqui um mês já evoluiu muito. Já não é mais aquilo que era, que tu pensava que era, né? Então assim, evolução foi muito grande. E eu te digo, a gente encontrou vários parceiros para passar a desenvolver junto. Mas vamos lá, a gente não fez nada, não criou equipamentos, mas por exemplo, a gente mostrou para ele do que a gente precisava.
Então vamos lá, um hardware, ou vou dizer uma telemetria, uma telemetria de indústria ou telemetria do fabricante vem com todo tipo de sensores para pegar toda a falha mecânica do equipamento. Mas hoje eu tô chamando de telemetria agrícola. O que que é? Eu apontar quais as deficiências que eu tenho por não dar condições para máquina trabalhar da maneira que eu achava. E a gente tem encontrado números absurdos. É quando a gente começou junto com os parceiros entender isso e mostrar isso, a gente conseguiu já buscar até 40%, 50% de efetividade por não tá tudo coordenado.
Vou dar um exemplo muito claro. Numa das propriedades onde a gente investiu em cauda pronta, ou seja, caminhão saía da sede com a cauda do pulverizador pronta, sem ter que fazer ninguém. Para isso, pulverizador tinha que ser abastecido no meio da lavoura. E que que a gente chegou, depois que nós passarmos a mapearmos isso, que durante um dia 3 pousadores, cada um perdeu 30% fechando e abrindo barra para ir no caminhão. Mas era para o caminhão tá lá no meio da lavoura, ele não podia parar.
E nós botamos um entendimento, ou seja, Não é nem entendimento. Para esse caminhão abastecer o pulverizador, já deu uma condição espetacular, gera 1000 litros de produto por minuto. Quanto o nosso tanque tinha? 2500 litros. Ou seja, 2 minutos e meio eu estaria com o tanque abastecido, mais 1 minuto para engatar, conectar e desconectar a mangueira. Ou seja, 3 minutos e meio no máximo. Agora a gente tava perdendo 30%. Então esse entendimento Deu para a gente ver que nós, não é só tecnologia de equipamento, o ser humano ainda é indispensável para a gente conseguir chegar na melhor eficiência.
E esse é um exemplo claro, claro de que quando você olha para os dados, para as informações que você gera, você toma melhores decisões, né? Então assim, esse negócio a gente tem que ter muito dado, mas tem que ter muita análise em cima deles também, né?
Com certeza. E o que que você faz quando você tá dentro de uma fazenda? Tem muita coisa para você ver, e às vezes você deixa, acaba deixando isso com a equipe, que às vezes ela não tá tão antenada, ela já acostumou numa maneira de trabalho que às vezes eles começam a não medir isso. E hoje você começa a medir isso. A gente vai falar, se eu tô perdendo 30% em 3, eu ganhei um pulverizador. É isso aí, eu tenho 3 trabalhando. 3 de 30 dá 90, basicamente eu ganhei um.
E quanto custa esse um? Então essa eficiência a gente tá correndo atrás, né? E ela pode ser um bando de detalhes que você pode ver lá dentro antes de iniciar uma colheita. A máquina tá revisada ou olhada pelo operador da máquina, principalmente, ou para equipe responsável disso. Porque às vezes você fica 2, 3 horas esperando ter condições, umidade, e aí que o cara vai fazer alguma coisa. Então nós temos que estar sempre antecipado.
A gente veio aprendendo isso com as dificuldades e principalmente hoje na situação global, né, você precisa economizar para continuar sendo competitivo. Então isso também trouxe para nós essa diminuição de custo.
Sem dúvida, sem dúvida. É aí, diminuição de custo, sempre fala, né, quando você diminui custo você agrega diretamente na última linha, né, que é o que importa em qualquer operação agrícola. De empresa do mundo inteiro aí.
Isso aí. E o que o colaborador tem que entender é: se o custo para nós foi melhor e a produtividade for maior, o dele também vai ser menor.
Com certeza, é isso aí.
Então, aquela história, é todo mundo tem que importar como se o negócio fosse dele.
Exato, exatamente.
Ele tem que saber que ele é a peça fundamental né, para que tudo isso funcione e que ele consiga levar um recurso melhor para sua família.
E você sabe, a gente indo quase para os finalmentes aqui, né, nós estamos no Agro Supply Summit e uma das coisas que eu já, a gente percebe aqui, né, que o senhor foi uma das pessoas que articulou para tentar tirar esse negócio do papel. Porque assim, a gente tem uma cadeia de suprimentos que é super importante no agro, né, porque a gente pega uma operação como a da Bom Futuro ali em coisa de poucos meses você tem uma operação de guerra mesmo, praticamente, né?
Então todo esse processo coordenado ele ajuda demais no dia a dia, né? Conta um pouquinho da história aí do Agro Supply Summit, como que surgiu essa ideia aí, cara.
A gente lá de trás, e vamos dizer as fazendas, né, não só nós como todos os outros grandes fazendas ou médias ou pequenas fazendas têm basicamente o mesmo problema. E lá atrás a gente sentia necessidade de trocar informação. Aonde, aonde eu tô com dificuldade, que ele já superou as dificuldades. Aonde ele tá com dificuldade, que a gente já superou. E a gente começou a tirar isso do papel, deixamos de ter um medo de se juntarmos para crescer.
Que antes tinha um medo, se eu falar, o cara vai crescer mais que eu. Não, a gente deixou disso e começou algum tempo lá atrás, principalmente entre os grandes, nós, SLC, Maggi, os grandes agricultores aí, chefe. A gente começou a trocar muita informação. E aonde passamos a crescer? Nesse supply inteiro. Automaticamente com isso nós precisamos também ter qualidade. Eu preciso comprar uma peça que eu tenho uma boa qualidade. Então a gente passou a exigir isso também dos nossos fornecedores.
Trouxemos eles para nossa cadeia e mostramos para eles as dificuldades que a gente tinha com uma peça sem qualidade. Sem vida útil. Então isso acho que ajudou tudo a gente chegar onde nós estamos hoje. Eles passaram também a nos entender e ver que é preferível entregar uma qualidade do que pensar só no resultado financeiro do momento, né? Com isso ele acaba se eternizando como grande fornecedor. Eu acho que isso ficou muito claro para todo mundo.
Então hoje nós estamos com evento desse. Para o ano que vem a gente espera ter um evento muito maior, com mais empresas, mais gente. Por quê? Porque isso aqui é uma cadeia brasileira, começa desde o pequeno agricultor Até o grande agricultor. Então todo mundo tem os mesmos problemas. Então acho que a somatória de tudo isso a gente vai conseguir chegar lá.
E acaba que todo mundo se beneficia, independentemente se são grandes, né?
Com certeza.
A hora que você reúne e cria uma massa crítica em cima daquele problema, aquele problema passa a também, aquela solução na verdade, passa a fazer parte do pequeno, médio agricultor também, né?
A união traz a força. Então a gente sempre teve essa de se unir, né? Sempre a gente teve essa expertise de se unir. E principalmente quando você pega essa cadeia, que é a cadeia de suprimentos, ela tava muito limitada, só o fabricante, só alguns fornecedores. Então você acabou quebrando muito essa cadeia, trouxe ela mais próximo de você, né? A gente já tinha conseguido algumas coisas, por exemplo, em ajudar em desenvolvimento de máquinas para as condições da nossa agricultura, mas a gente via que essa cadeia de suprimentos necessitava muito disso aí.
Então todo mundo E principalmente os fabricantes viram que sendo importante, então a gente tá realizando o que a gente sempre pensou.
Bom, Zezão, não quero mais te prender aqui não. Baita satisfação para mim conhecer um pouco mais da sua história. A gente vê que tem conhecimento demais aí para a gente tirar. Poderíamos conversar aqui horas, né, cara? Mas muito obrigado aí, parabéns pela sua carreira, pela sua trajetória, cara.
Com certeza eu que agradeço e me coloco sempre à disposição. Afinal de contas, uma das coisas que é boa na vida é saber que os cabelos brancos trazem sabedoria, trazem conhecimento, e a gente tem que dividir isso com todo mundo. Legal, é legal quando a gente consegue dividir o teu conhecimento, é isso aí, o que você acumula durante os anos, para quem sabe as pessoas não errarem. Então estamos sempre à disposição.
Eu sempre brinco aqui que conhecimento é a única coisa que quando você divide você multiplica, né?
Com certeza. E a única coisa que ninguém vai te roubar.
Ninguém vai te roubar, exatamente.
O cara pode roubar tudo teu, pode roubar tua família, teu dinheiro, teus bens, tudo menos o teu conhecimento, que teu conhecimento só você tem ele.
É isso aí.
E tá dentro da tua cabeça. Então vamos dividir e vamos dividir de graça.
É isso aí. E Zezão, para quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho de vocês, da Bom Futuro também, como que a gente pode entender um pouquinho mais? Quem tá escutando aqui, acho que nós estamos sempre à disposição.
A Bom Futuro sempre foi uma empresa voltada a difundir e divulgar novas tecnologias, a participar com todo mundo. Né, então a gente tem uma estrutura grande, suprimentos, oficinas, grandes conhecimentos. Nós estamos lá, show de bola, a semana toda, e colocamos à disposição. Será uma satisfação a gente poder passar um pouco do que a gente viveu para quem, para quem quer conhecer.
Maravilha, maravilha. E Zezão, a gente sempre tem uma frase aqui de muita sabedoria que a gente termina nossos episódios, tá, que é o seguinte: se chover não precisa molhar a horta, não, tá tudo organizado. Muito obrigado aí pelo, pelo papo e sucesso aqui no evento também.
Muito obrigado a vocês também. Valeu, muito obrigado, valeu.
Muito bem então, e esse episódio aqui, como eu falei lá no início, é uma parceria do Agro Resenha com o Agro Supply Summit, o maior evento da cadeia de suprimentos da agroindústria do Brasil. O Agro Summit acontece anualmente e tem como principal objetivo discutir inovações, desafios, tendências e transformações da cadeia de suprimentos do agro, tá bom? Para saber mais, é só acessar www.agrosupplysummit.com.br e siga o perfil do evento também no Instagram, o @agrosupplysummit.
Para você que quiser acompanhar todos os episódios aqui, cara, entra lá no nosso, em todos os agregadores de podcast que a gente tá lá, Spotify, Deezer, todos eles, e também no nosso canal canal do YouTube, cara. Acompanhe também nosso site, o www.agroresenha.com.br. E esse podcast, assim como vários outros podcasts, estão na nossa rede Agro de Podcast, cara. Lá tem um monte de conteúdo bacana para você poder se informar. Beleza?
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Agro Supply Summit