ARP#447 - O agro acaba na sua geração?
Neste episódio, Paulo Ozaki conversa com Daniel Pagotto sobre gestão e proteção de patrimônio no agronegócio, sucessão familiar, governança e os erros que colocam em risco fazendas rentáveis ao longo das gerações. A partir de uma trajetória que passa por consultoria técnica, operação internacional e crédito rural, a conversa mostra por que produzir bem já não basta. Para quem atua no agro, o episódio traz reflexões práticas sobre escala, dívida, tomada de decisão, conflitos entre herdeiros e como transformar propriedades rurais em empresas preparadas para continuar no longo prazo.
PARCEIROS DESTE EPISÓDIO
Este episódio foi gravado diretamente de uma das maiores feiras agrícolas do Brasil, a AGRISHOW em Ribeirão Preto/SP, em uma parceria do Agro Resenha com o Grupo Piccin.
O Grupo Piccin, que hoje contempla o foco de trabalho em equipamentos, componentes e inovação, começou com o trabalho de um homem, Santo Piccin. Com a evolução da agricultura, os desafios se tornaram mais complexos, exigindo a utilização de implementos agrícolas mais eficientes.
Grupo Piccin: excelente em produzir o melhor para o campo.
Site: https://piccin.com.br/
Instagram: https://www.instagram.com/grupopiccin
Facebook: https://www.facebook.com/grupopiccin
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/piccin-máquinas-agrícolas-ltda
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCk4BdnkZnq7gObUiR0XQR7g
Este episódio também foi trazido até você pela SCADIAgro! A SCADIAgro trabalha diariamente com o compromisso de garantir aos produtores rurais as informações que tornem a gestão econômica e fiscal de suas propriedades mais sustentável e eficiente. Com mais de 30 anos no mercado, a empresa desenvolve soluções de gestão para produtores rurais espalhados pelo Brasil através de seu software.
SCADIAgro: Simplificando a Gestão para o Produtor Rural
Site: https://scadiagro.com.br/
Podcast Gestão Rural: https://open.spotify.com/show/7cSnKbi7Ad3bcZV9nExfMi?si=766354cb313f4785
Instagram: https://www.instagram.com/scadiagro/
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/scadiagro
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCQxErIaU0zBkCAmFqkMohcQ
E por fim, esse episódio também tem apoio da Nutripura Nutrição e Pastagem! A Nutripura, que tem como base valores como honestidade, qualidade e inovação nos produtos e excelência no atendimento, atua há mais de 20 anos no segmento pecuário, oferecendo os melhores produtos e serviços aos pecuaristas. Fique ligado nos artigos que saem no Blog Canivete e no podcast CaniveteCast! Com certeza é o melhor conteúdo sobre pecuária que você irá encontrar na internet.
Nutripura: O produto certo, na hora certa.
Site: http://www.nutripura.com.br
Blog Canivete: https://www.nutripura.com.br/pub/blog-canivete/
Instagram: https://www.instagram.com/nutripura/
Facebook: https://www.facebook.com/Nutripura/
LinkedIn: https://www.linkedin.com/company/nutripura/
YouTube: https://www.youtube.com/user/TvNutripura
INTERAJA COM O AGRO RESENHA
Instagram: http://www.instagram.com/agroresenha
Twitter: http://www.twitter.com/agroresenha
Facebook: http://www.facebook.com/agroresenha
YouTube: https://www.youtube.com/agroresenha
Canal do Telegram: https://t.me/agroresenha
Canal do WhatsApp: https://bit.ly/arp-zap-01
E-MAIL
Se você tem alguma sugestão de pauta, reclamação ou dúvida envie um e-mail para contato@agroresenha.com.br
QUERO PATROCINAR
Se você deseja posicionar sua marca junto ao Agro Resenha Podcast, envie um e-mail para contato@agroresenha.com.br
FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidado: Daniel Pagotto
Edição: Will Oliveira
See omnystudio.com/listener for privacy information.
- Gestão Agrícola FamiliarProteção de patrimônio no agronegócio · Governança familiar · Conflitos entre herdeiros · Transformação de propriedades rurais em empresas · Tomada de decisão em família · Planejamento de sucessão
- Historia do FrevoInfância em Rondonópolis · Formação em Agronomia na ESALQ · Mestrado em Ciência Animal · Consultoria Técnica na BoviPlan · Projeto na África (Angola) · Experiência em Banco JBS/Original · Fundação da Trato Consultoria
- Agronegócio e EconomiaAlimento como base da sociedade · Impacto social do agro em comunidades · Desenvolvimento de infraestrutura em áreas rurais · Transferência de tecnologia para países em desenvolvimento
- Problemas financeiros no setor agrícolaAnálise de crédito rural · Gestão de dívidas e oportunidades de investimento · Avaliação de ativos e passivos · Planejamento de caixa e projeções financeiras
- Legado familiarImportância da família · Fazer o que se gosta · Planejamento para futuras gerações
- Transformação do AgroTransformação de fazendas em empresas · Processos e controles administrativos · Gestão de pessoas e liderança · Competitividade através da escala
Se você ouve o Agro Resenha Podcast, a sua opinião é fundamental pra gente.
A gente criou uma pesquisa rápida, leva menos de 3 minutos pra você responder, pra entender o que que tá funcionando e o que que a gente pode melhorar. O link tá na descrição do episódio, bem lá embaixo, pode ir que tá lá. Dá essa força aí pra gente, cara.
Responder essa pesquisa é uma forma direta de ajudar o Agro Resenha a evoluir, beleza?
Agora bora pro episódio.
E aí, pessoa, tudo beleza? Tamo começando mais um episódio aqui do Agro Resenha. E como você já bem viu, nós estamos gravando diretamente da AgriShow esse ano, cara. E quem viabilizou a nossa vinda para cá foi o Grupo Pissim. O Grupo Pissim tá mais de 60 anos nesse mercado trabalhando com inovação e tecnologia voltada para preparo de solo e também distribuição de fertilizantes, enfim, cara. Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais sobre os produtos que a Piscim oferece, é só acessar www.piscim.com.br.
E quem também tá com a gente nessa temporada é a Escadiagro, cara. Escadiagro tem mais de 35 anos aí trabalhando com software voltado para produtores rurais. Então, se você quiser entender melhor os seus custos de produção, entender melhor os seus números, cara, entre em contato pessoal da Escadiagro. É só chegar em www.escadiagro.com.br e conversar lá com o pessoal, que vai ser muito legal. Beleza? E quem também tá com a gente nessa temporada é a Nutripura Nutrição e Pastagem, que há mais de 24 anos vem trazendo soluções e tecnologias para produtores rurais, para pecuaristas que querem aumentar a sua produtividade, lucratividade e sustentabilidade.
Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais dos produtos e principalmente dos serviços da Nutripura, Só acessar www.nutripura.com.br. Beleza? Agora vamos para o episódio dessa semana.
Muito bem, nessa semana estou aqui com Daniel Pagotto, meu querido Dr. Labamba, não é verdade?
Opa, exatamente.
CEO na Trato Gestão e Proteção de Patrimônio do Agronegócio. Daniel, muito obrigado por estar aqui com a gente, cara, e seja super bem-vindo ao Agro Resenha Podcast.
Obrigado, Paulo, o prazer é meu. A gente acompanha você aí. Que bom que você faz esse tipo de conteúdo, que a gente pode sair na estrada aí ouvindo e aprendendo bastante coisa.
É isso aí, a nossa turma tá na estrada, né, cara? Então nós temos que levar esse tipo de conteúdo também, né? Um conteúdo mais, mais profundo talvez, né?
Então, mas é profundo, mas é leve, né? Que você vai ouvindo a história, vai ouvindo a experiência, vai ouvindo, né, o que aconteceu na vida de muita gente, que muitas vezes tem semelhança com a tua vida, com a tua história, ainda mais a turma do agro aí que vem da mesma origem, da mesma cultura, né? Então a gente se conecta bastante.
E você que tá ouvindo já sabe, aqui no Agro Resenha a porteira não tem tramela para quem busca se informar sobre assuntos ligados ao agronegócio. Então não sai daí, você já viu que esse bate-papo aqui vai ser muito bom. Filma agora porque nós já estamos de volta. Muito bem, estamos aqui de volta com Daniel. E Daniel, para a gente começar essa resenha aqui, cara, conta um pouquinho da sua história para nós.
Vamos lá, vamos lá. Eu sou filho de médico e meu pai médico, Sidney. O sonho do meu avô é que aquele, sabe, aquele, o sitiante que queria ter o pai médico. Meu pai foi esse médico que nunca quis fazer medicina, chegou aí para ESALQ fazer cursinho lá, morou em República um tempo lá, mas foi no ano que ele passou na medicina vestibular, foi primeiro, ele nem prestou ESALQ. E da família, minha mãe professora, mas também com meu avô comerciante, depois produtor rural, né, com fazenda.
Então o começo da minha vida sempre foi vinculado com isso, apesar que no começo a gente morou no Mato Grosso. E aí em Rondonópolis, minha infância foi em Rondonópolis, né? Até lá eu morei lá também, minha infância toda também. Tem uns amigos nossos lá, o Gilberto Vitor, Robertinho Aguiar, então é tudo, né, dessa turma das antigas lá, de quando eu era novo lá. E tanto que os melhores amigos dos meus pais acabou sendo lá de Rondonópolis.
E era um plano de vida dos meus pais de ir ganhar vida longe, depois voltar. E nesse tempo, meu pai, que era um médico e nunca quis ser médico, beleza, ele fez o pé de meia dele, ele largou de ser médico com 51 anos, voltou para o estado de São Paulo para ser produtor rural numa propriedade que era da família do meu avô, que depois foi trabalhando aí com irmãos, e tinha outra propriedade do meu outro avô do lado da minha avó, e aí da minha mãe.
E nesse contexto eu me vi É claro, aprendi a dirigir na fazenda lá naquela Chevroletzona de câmbio aqui, né? Então a lembrança, aprendi tocar trator na fazenda do meu avô e assim por diante. E aí eu me vi próximo do vestibular, o que que eu vou fazer? Eu vou fazer engenharia, eu vou para agronomia. Então fomos para a Exauc e foi a melhor decisão da vida. Então a partir daí, de fato, né, o agronegócio entrou de maneira ampla E tamo aí contentes com o desenvolver dos últimos 30 anos. Esse ano vou fazer 30 anos de formado já.
Legal, porra, 30 anos já, velho, rapaz, não parece, né?
Não, mas é mais os cabelos brancos, a barba branca entrega, não tem jeito, cara.
Mas eu gostei muito dessa história, né, cara? Porque assim, no passado tinha muito mais isso, né, cara? Tipo, eu quero que você seja médico, advogado ou engenheiro, né? E não era engenharia agronômica não, tinha que ser engenheiro, qualquer tipo de coisa, né?
Agronomia não vale não, não estudou vai para fazenda, né? Encosta lá, não quer estudar vai tomar porrada lá no mato.
Mas pô, que interessante a determinação do seu pai também, porque tinha uma questão, né, que existia muito forte de você não confrontar, né, o pai e tal, né? E ele fez a vida e não, agora que tá tudo entregue.
Ele fez o que o pai queria fazer, ganhou um dinheirinho dele. E eu não conheço duas, dois médicos que pararam de ser médico com 51 anos para ir para o campo, né? E ficou desse jeito até 80 anos, faleceu com 80 anos lá com chapelão, né, gasto dele lá, e a camisa, e a camisa xadrez.
Legal. E que que é isso? Como que isso impactou você, né, cara? Porque eu imagino que vivenciar o que o seu pai vivenciou a decisão que ele tomou para família é diferente, você que tá vendo de dentro assim, né?
Então você vê que legal isso, né? Porque em alguns momentos eu até me confundia, falar, pô, será que é a minha vontade, é meu sonho, ou sonho do meu pai, né, de estudar em Piracicaba? Que a gente já ouvia e tal, disse, agrônomo tá ali e tal. Então, né, fiquei uns 2, 3 anos da minha vida até com essa, será que é isso mesmo, né? Porque no mesmo ano, né, vestibular era separado. Então eu passei em Direito na PUC, no Mackenzie e tal, e aí, e aí, e passei em Agronomia na USP, na UNESP, em Viçosa e tal.
Mas aí eu já, enfim, estamos aqui, foi uma boa escolha, mas foi uma ótima escolha. Mas de fato eu acho que eu vivi também o sonho do meu pai. Meu pai no fim adorava tudo que eu fazia, que eu acho que é tudo que ele não conseguiu fazer E o filho tava fazendo, então me acompanhava muito o que eu tava fazendo em cada momento. Eu gostava muito de compartilhar aí, né, cada degrauzinho que a gente subia com o meu pai. Isso aí valia muito a pena.
Só que assim, depois que você saiu da escola, você não foi diretamente assim, né, para fazenda, né?
É, vamos lá, ainda na escola você vê, né, meu pai gostava de pecuária, né? Tinha lá fazenda, tinha laranja, tinha sempre plantava alguma coisa, mas gostava de pecuária. Aí uma época ele falou, viu, quando você começar a ir para o terceiro, quarto ano aí, você gosta de boi também, não sei o quê, você encosta, tem um cara que é o Master Course aí, você encosta, encosta nesse cara aí que vai dar bom. Falei, beleza. Então aí segui a instrução do meu pai, né, fiz a matéria de forja e cultura, depois me formei, e aí fui fazer mestrado com ciência animal, pastagem, departamento de zootecnia.
Com o meu orientador, professor Moacir Corres, né? Isso ajudou muito a gente, na minha mentalidade, como pensar, como trabalhar, como entender mais ainda o perfil do produtor rural, da consultoria, né? E o que que é entrega que a turma esperava. Então, nessa época, fazia mestrado e ao mesmo tempo não podia, mas trabalhava com consultoria técnica na Bova e Plan lá, dos nossos amigos exalquianos também, né? E tanto que eu fui penúltimo acabar meu mestrado, porque a turma ligada ainda entrega o seu, entrega o seu, e a gente já rodando Brasilzão na consultoria.
Até onde é que o Silvio me ligou e falou: você é o penúltimo aqui, só falta você e mais um, você vai atrapalhar a nota do nosso, né, do nosso, né, a nota da entrega.
Porque tem uma estrutura deles lá, né.
E o professor Massir viajava muito também, então na correção, e um pouco perfeccionista, né, que o professor Massir aprende assim: você escreva, se for escrever para entregar, sabe muito bem que tá ali. Falar, eventualmente você fala e a palavra vai embora, né? Mas escrever, não escreve o que você depois não pode defender. Então eu mandava para lá, ele corrigia, eu mandava e ele corrigia. Então cada pernada era um mês. Então aí fomos deixando.
Então já tava nessa vida profissional aí rodando e com consultoria, que a gente sempre gostou, né, de entender projetos e atuar ali e ver que melhoria que a gente colocava na vida dos outros. E a partir daí embalou, embalou, né, na consultoria.
Sim, sim. E a consultoria é um negócio muito interessante, né, cara, porque você consegue ver diversas realidades assim, que é uma visão que, por exemplo, um produtor sozinho ele tem uma noção um pouco da região dele, né, mas o consultor ele consegue rodar muitas regiões e trazer muitas coisas diferentes assim, né.
Sim, sim, sim, é bem por aí. E você tá lá, uma hora você tá no Mato Grosso do Sul, outra hora você tá no Mato Grosso, outra hora você tá em histórias, estando no interior de São Paulo, com perfis diferentes, com tamanho de propriedade diferente, com intensificações diferentes. E o que demorou para eu entender, que nesse tempo de consultoria eu ainda não sabia, e com mentalidades e perfis de comportamento distintos. Isso aí, a consultoria técnica, a gente aprende na faculdade, mas a gente não aprende na faculdade, a gente não aprende de gente, de comportamento e de família, de gestão de patrimônio.
Então a gente não aprende nisso. E eu fui aprender sem querer, dali a pouco, quando numa dessas consultorias veio um grupo estrangeiro para o Brasil, então, que tinha fazendas, fazenda grande no Mato Grosso, depois no Mato Grosso do Sul e no interior de São Paulo. E aí a gente teve que montar do zero um projeto para essa empresa. Era eu e o Burgui. Então, Burgui ali, a Grande Burgui, nosso também, uma mente boa, aprendi muita coisa com o Burgui.
E o Burg tocava as fazendas da Barra do Garças e eu tocava ali Mato Grosso do Sul e São Paulo, Água Clara e perto era Satuba. E aí nesse momento esse grupo estrangeiro pediu um projeto grande e aí a gente era novo, né? Então era, ia para as fazendas, tinha preguiça, né? Falava, ó, monta isso aqui, fazia, ficava lá madrugada desde mexer no, é, recomendação de adubação, é fazer corredor, dividir estruturar carga hidráulica para montar bebedouro.
Então era uma coisa muito técnica, nutrição animal, né, naquele tempo, né, os programas. Então aquele tempo eu falo que eu ainda era um agrônomo eficiente de zootecnia. E esse grupo estrangeiro que chamou a gente para tocar um projeto BoviPlan tinha um negócio na África, e esse proprietário ganhou dinheiro na África, em Angola, né, chegou lá com a mão na frente, outra atrás, cresceu lá. E quando acabou a guerra em Angola, ele falou, não, eu quero ajudar esse país e quero ajudar a fomentar o agronegócio lá.
Então ele resolveu fazer um congresso lá, um simpósio tal formal. E aí o Burg ia palestrar lá, ia mais alguns lá, Scott e tal. E aí na data desse evento, o Burg tinha um outro evento na Bolívia, que ele era o grande palestrante. Aí ele falou, Daniel, você segura as pontas lá? Falei, segura as pontas. E teve uma outra reunião também, que era para o Burg, então o Burg não tava, que era com todo mundo e a gente apresentar o projeto.
E o Burg tem um problema com o filho dele, não apresentou o projeto. Então, em um mês, eu apresentei o projeto para esse estrangeiro aí, para o sócio dele, para o vendedor de sal, para o gerente, para não sei o quê, para todo mundo ali, para 10. E depois fomos à Angola fazer um congresso formal. Aí fui eu, Scott, o Mihalca, Rodrigo Rodrigues, cada um falar um pouco do seu setor para falar de agronegócio de produção tropical. E eu sei que no fim desse evento o Renato falou, ó, tá vendo o que que é o meu negócio aqui no Brasil?
Você já tá nos problemas. É esse essa pessoa aí falou, você tá vendo o que que é o meu negócio, né? No Brasil a gente tá com as fazendas lá, a gente quer transferir tecnologia para cá. Você montou um carrão para mim lá no Brasil, aqui você tá vendo o que que a gente quer fazer, e eu tô sem piloto. Então você não quer ser o piloto lá e apoiar na construção do nosso negócio aqui fora? Aí enfim, foi uma uma oferta imprudente do Renato, vou falar assim.
Eu tinha 28 para 29 anos. Você vai ser o responsável do grupo aí, de todo o agro do grupo, que são 40— na época ainda não era, era depois virou 40— era 27 mil hectares de terra no Brasil, e ajudar a gente a montar essa transferência de tecnologia para África tropical e em Angola, um ano pós-guerra. 2004, se não me engano. Aí eu falei, tá bom, vamos embora. Então saí da BoviPlan nesse momento. E aí, de um dia para o outro, eu virei executivo de empresa com matriz na Europa, em Portugal.
E que sentei na fazenda, um mês de fazenda, já chega um português e fala, viu, como é que você tá montando aí seus procedimentos administrativos, seus controles? Como é que estamos de orçamento? Como é que estamos de projeção de caixa?
Você sabia a fórmula de Hazen-Williams, né?
Então eu falei, veja bem, veja bem, veja bem, procedimentos administrativos, que isso, né? Então, que louco, essa visão empresarial. Então eu me entendia como um bom técnico, né, que daria conta de, pô, agricultura, pecuária tropical aqui, a gente faz, toca as fazendas aqui, depois faz a transferência para lá.
Isso aqui eu manjo.
E a hora que começou esse negócio, falei, não sei mais nada. Então aí, né, me preparei. Aí você faz MBA com o próprio expertise do grupo ali, né, e de modelagem de processos, caminhando nisso. E aprendi bastante nisso, até o ponto que eu contratei um ex-alquiano que fez mestrado comigo. Eu falei, pô, Fred, ele é muito melhor que eu tecnicamente. Então comecei só ter que ficar no ambiente administrativo de repórter, um negócio que depois virou 42 mil hectares, e precisava de um fera lá para a parte técnica.
E eu acabei me dando bem nessa parte de gestão e de reportes para cima, de entendimento de grupo empresarial, né, de transformação de uma fazenda comum ali de dono num negócio que era uma empresa. E eu acho que foi um aprendizado bom, um aprendizado único, e me senti bem confortável nesse contexto. Fiquei 6 anos com eles e nesse contexto era isso, 2006, 2007, a gente tava levando navio inteiro de gado para Angola, levava contratava o vaqueiro, levava o navio com cavalo, levava arame, levava semente de capim, tudo aqui, semente de milho, tudo aqui, e começava a fazer agricultura.
Mas em paralelo, encontrando fazendas do tempo colonial português, olha que legal, nas regiões que o país ia começar a fazer a produção agropecuária de novo. Então algumas, então a cada 90 dias mais ou menos, eu e Pangola ficava 15 dias lá buscando fazenda. Foi um ano e meio até achar fazenda, teve que eu bati e voltei porque não tinha estrada, que vai ter uma picada aqui, não, aqui tem mina, ninguém passa aqui faz 30 anos, então nós não podemos ir.
Foto com mina, mina aqui do lado, tem uma meia dúzia assim de, ó, aqui não passa porque tem mina, né? Enfim, então foi uma aventura grande, tomar banho de rio, dormir de qualquer jeito, entra numa cidade fantasma cravada de bala assim, onde ninguém ia desde o tempo colonial, porque o país teve a guerra, né? Primeiro teve a separação de Portugal e depois ficou em torno de 30 anos de guerra civil. Então nós chegamos nesse momento lá.
E aí, beleza, coisa foi andando. A gente, eu fiquei 6 anos e nesse, nesses 6 anos conseguimos abrir bastante. Contratei um ex-alquiano que, né, hoje é meu sócio, né, um cara muito próximo meu, para tocar a operação lá. Então, de fato, quem achou fazenda, quem abriu fazenda, quem fazia essa operação funcionar lá é o Rodrigo Camargo, que hoje é meu sócio e morou lá 8, 9 anos nesse projeto, 8 anos e meio para ser exato, nesse projeto lá.
E aí o cara que vai trabalhar em Angola é um cara, nesse ambiente que a gente trabalhava lá, não tem não para esse cara. Então, pô, isso é difícil fazer? Não, não tem. Você tem que fazer e não tem condição, você faz fazer. Então aqui no Brasil, né, a gente ganha uma resiliência muito grande entendendo o que que é dificuldade de que tal uma coisa. Então eu falo, Camargo, você deu a missão, não tem talvez. Ele fala, deixa para mim, ele vai fazer, né? É o Césio, né? O famoso Césio.
Muito bom, cara. E é muito louco isso, né? Porque reconstruir um país praticamente, né? E a gente fala, isso é um negócio interessante, cara, porque assim, a gente às vezes fica falando, pô, a turma fala mal do agro e tal, tal, tal. Só que na sociedade ele é meio que uma construção de base, né, cara?
É isso aí.
Você ter assim, ó, no básico, no básico, o alimento para turma comer. Mas tem todo um aspecto social ligado a ele que é a base para qualquer tipo de crescimento posterior.
Olha aqui, isso não é um exemplo que eu, uma história que eu costumo contar, né, das primeiras vezes que a gente tava lá começando a fazenda, lá abrindo a fazenda. Então tinha um povoado, ainda tem lá vizinho da fazenda lá, que a gente começou a contratar a mão de obra deles lá para carregar pau, para puxar fio e tudo mais. Então, primeira vez que eu tive nessa aldeia lá, todo mundo dormia no chão, numa palhinha ali, tudo de noite é tudo escuridão.
Beleza, depois a gente começou a— eu me lembro que, incrível que pareça, hoje o salário mínimo lá é muito menos do que a gente pagava lá, que era ao redor de $100. Para cada um desses meninos aí. Aí você começava a voltar lá dali, né? Eu ia mais ou menos a cada 90 dias. Então passava lá de novo, e aí, como é que tá? E depois já demos lá um painel solar, então já tinha uma luzinha no povoado. A turma começava a ter colchão, começava a ter bicicleta, entendeu?
E hoje você vai lá, então a turma, todo mundo se veste bonitinho, tem motinha, tem não sei o quê. Só que a cultura de morar naquele vilarejo onde não tem banheiro dentro de casa ainda, eles continuam igual, né? Só que enfim, eu acho que é a cultura mesmo, né? Porque eu não sei até te explicar como é que esse perfil, que é uma turma que não é muito longe de índio, de ficar, né, no mato, mas também algumas coisas que com 30 anos aí já podia estar diferente.
Mas aí entra muito fator social, cultural, que não é o foco aqui hoje, mas é interessante. Então, e até hoje, a fazenda em Angola que a gente atua, que eu tive um gap lá e depois te conto de volta. Tem lá mais de 120 colaboradores e tudo, tudo, alguns brasileiros liderando e a grande maioria da operação com funcionários ali que todos moram em volta. Não, não, não, é brasileiro, mas operador de máquina tem bom lá assim, mas a hora que você vai, pô, vaqueiro, vaqueiro vai daqui até hoje para lá e a turma ensina a turma montar cavalo, laçar, pegar bezerro, por exemplo.
Regular, né? Então regular máquina, regular plantadeira. Então os líderes normalmente vão daqui e a turma é de lá. Legal. Mas enfim, aí trabalhei nesse grupo 6 anos até então como gestor lá. E aí, casa, né? Falo, pô, para África já é legal, mas não é tão legal mais, né? Tão aventura, todo mundo pegando malária, não sei o quê. E aí, enfim, nesse momento eu fui para São Paulo para uma empresa de navegação que fazia os navios que a gente fazia.
E aí foi uma, entrei, mas já vi que não era aquilo. Aí morei em São Paulo, tava com 3 meses, tem um amigo meu também da Exalc, o Marcelo Peto, falou, cara, tô num banco aqui que é tua cara. Falei, como é que é? Não, banco dos donos do Freeboi aqui, JBS, sei que conhece pastagem, de fazendeira, de não sei o quê. E o banco acabou de começar e precisa de gente boa ali. Você não quer vir para cá? Eu falei, eu quero, porque tá ruim demais aqui.
E aí eu, e o banco tava começando, né? Aí fui fazer a entrevista com o presidente. O Hermes falou, ó, eu ganho isso e esse é o maior salário do banco, é meu. Você vai ganhar metade disso. O metade disso era 40% do salário que eu tinha na outra empresa. Aí morando em São Paulo e custo aumento, aí eu falei, Jô, vou para lá. Você tem certeza que você tá fazendo? Vai dar certo. E o banco com agressividade para crescer, estilo lá dos caras lá.
Então eu participei dessa estruturação do banco, então comecei a entender de ambiente financeiro, de gestão de risco, por que que você dá dinheiro para alguém e não dá para outro, e o público produtor rural. Então no começo chamava JBS Banco, depois Banco JBS, que era o quê? Para dar dinheiro para os pecuaristas, clientes da JBS Store, que falava, viu, não dá para adiantar uma grana aqui? A própria, o próprio frigorífico da região lá falou, me adianta uma grana aqui que eu já vou repobrizar e vou entregar boi gordo daqui 60 dias.
Então começou assim o banco. E aí o banco foi se profissionalizando, depois virou banco original. Fiquei outros 6 anos nesse contexto e os primeiros 3 anos muito naquele estilo, no estilo frog, vamos dizer assim, que o banco era muito de relacionamento. Cliente faz 20 anos na proposta de crédito e o parecer do comprador de boi. O cliente compra boi aqui faz 20 anos, tal, é muito seguro, fazenda boa, bem cuidadoso, tal. Matrícula tal, beleza.
E a gente aprovava crédito muito mais na confiança do que entendendo análise mesmo. Aí certo dia entrou lá para ser presidente do conselho da holding o Henrique Meirelles. Então no dia 1 ele entrou, no dia 2 ele falou: a diretoria estatutária toda, obrigado. Recolocaram todos em outros setores do grupo e entrou todos os vice-presidentes do banco passaram a ser os diretores, os ex-diretores do Banco Boston, de quando o Henrique era do Boston.
Então, e aí o meu nível de superintendência era o primeiro abaixo dessa turma aí. E aí, aí que começa, aí começamos a aprender de banking mesmo, que era assim, é também outra história que eu conto de vez em quando. Primeiro crédito que vamos dar com essa turma nova, o Pedro era diretor lá, já um velhote careca ali, né, super experiente, que eu acho que o Meirelles meio que Essa turma tava tudo consultor, meio cansado, falou, vem aqui que eu preciso de vocês, né?
Tem um negócio novo aqui, quase que desaposentou essa turma. E aí era assim, era um fazendeiro do Mato Grosso do Sul, fazenda no Pantanal. Vou falar números genéricos aqui, mas era mais ou menos isso aqui. Tinha na época um ativo de R$50 milhões, fazenda no Pantanal, umas 5 mil vacas e tal, devia quase nada, uma linha do Banco do Brasil. E aí era a primeira operação desse cliente no banco. Aí organizamos lá a proposta, beleza.
Aí o Pedro falou, viu, quem que, quantos animais esse cara mata por ano? Ah, mata aqui mais vaca e tal, mas vende bezerro, tá. Como é que vocês fizeram essa conta do faturamento dele? O que que ele mandou para vocês? Não, não, nós fizemos mesmo, né, nós fizemos, pegamos até o histórico do EBAD dele, quando vende bezerro, tá. E os custos dele? Não, custo tivemos que estimar também porque não tem nada. Beleza. E como é que a família dele?
Não, ele tem duas filhas, né, que moram fora. Uma até o marido é fazendeiro, mas é médica. A outra mora em São Paulo e tal. Então pronto, tá entendido. Falei beleza, era R$1 milhão, operação aprovada. Não, negada. Falei negado, pô, negada, mamão com açúcar ali. O cara não deve quase nada, fazendeiro antigo. Falou o seguinte: hoje nós vamos dar R$1 milhão para ele. Amanhã nós vamos dar 2, depois de amanhã nós vamos dar 5. Ele tem um ativo muito grande, mas ele não sabe quanto ele gera de caixa, que que é lucro, que é prejuízo.
Ah, ele já tinha 70 anos e daqui a pouco ele vai ter 75, depois vai ter 80, ele vai ficar doente, ele vai morrer e nós vamos ficar sem receber porque ele não tem sucessão, não tem ninguém que sabe das contas dele. Muito bem, negado. Nesse dia eu entendi já Que eu sempre tive um plano de ter um negócio próprio e voltar para consultoria, mas como a vida foi me dando aí um pouco de sorte, já trabalhei no grupo estrangeiro, uma jornada boa, legal, depois vai trabalhar numa JBS que também se aprende de corporação, de processo, de controle.
E até quando eu fui para o banco, um dos amigos da Exalto falou, não acredito, você tá indo para JBS, cara? Você tá indo para o lado negro da força. Eu falei, mas eu volto, eu voltarei, eu voltarei.
É que tem aquele lance, né, Doc, assim, ó, se você quer aprender, você tem que estar perto de quem sabe, né?
O cara é malvado, fica do lado do malvado lá que você vai saber das malvadezas. E depois eu falei, mas eu voltarei, né? E aí voltamos. Então tinha esse projeto de morar em São Paulo nessa época também, já casado. Só que como a gente operava no Brasil inteiro, então todas as semanas eu viajava, avião para Campo Grande, o avião para o interior de São Paulo, para o Paraná. Na época tinha frigorífico em Maringá e Goiânia e Cuiabá.
Enfim, né, eu começo a ter filho e tal, falou, pô, voltar para o interior e tudo mais, recuperando teu negócio. Então esse dia ainda fiquei mais 3 anos depois desse dia lá até viabilizar tudo, mas eu sabia o que eu ia fazer. Eu falei, a hora que eu vou abrir minha empresa de consultoria de novo, eu não vou querer competir com nutrição, com pastagem, com agricultura. Tem tudo meus amigos fera aí da Exalc aí que estão surfando e eu parei, né, no tempo nisso e Nem pensa, primeiro não vou competir com eles.
E o que eu, que dá para eu fazer, ainda dá para trocar figurinha, né? Porque eu vou fazer um negócio muito diferente, que era isso, era trabalhar com gestão e patrimônio de famílias e produtores rurais. Porra, né? Então, pô, do jeito que a gente já vem de família, como é que eu vou de um lado, como é que é do outro, né? Encrenca que meu pai tinha lá uma época de, né, de como é que é quem tá no negócio, quem não tá, o tio que tá, quem não E aí você começa a entender, né, que começa a ter fatores que vão muito além da produção que a gente aprendeu a fazer bem feito na Exalc, para você ter uma gestão de fazenda e de ativos patrimoniais relevantes.
O que a gente falou hoje para os clientes da Trato, ou para a turma do meio aí, né, os herdeiros ou que podem ser sucessores, assim, viu, ó, Até sábado passado, eu e o Arthur, né, nos clientes nossos, com ativo de R$484 milhões de terras e mais um tanto aí de giro e tal. E são 8 da geração mais baixa, então são os 3 pais que já vem, você vê, eles, última vez a gente falou disso, eles estavam na centésima, quadragésima segunda colheita de café.
Olha que louco, eles têm os histórios lá do tataravô, sei lá, né. E aí a gente tá nessa transição dos 3 com 8 agora, que 2, já 3 na verdade, já entraram, né? 2 diretamente, uma outra menina que ainda trabalha fora, mas participa. Falou, moçada, vocês 8 aqui, ó, o porto seguro de vocês aqui não é você que é médico, arquiteto, né? O que trabalha em banco e tal, que é engenheiro. Você vai trabalhar sua vida inteira e provavelmente você não vai gerar caixa para botar um ativo, um patrimônio de 40 milhões, 50 milhões de patrimônio.
E, ó, o que vem da sua família, que legal, você tem esse porto seguro para o seu futuro aí, né? Então o que a gente pede é que você entre nessa discussão com a sua família, porque, ó, você escolheu, não escolheu, né? Porque tem gente que fala, não, mas eu não mereço, não fiz nada. Ó, alguém lá em cima gosta de você, que alguém antes de você fez um negócio que vai sobrar um ativo muito relevante para você. E uma coisa, você não escolheu, você vai ter sócio, irmão, primo, né?
E aí, como é que você faz a gestão disso? O que a gente mais vê é você tomar a decisão ou ter que enfrentar esses assuntos difíceis no momento errado, no momento da falta de alguém, no momento que apertou e que endividou, ou de uma ação errada do irmão, de alguém que tá no negócio, o outro não tá e questiona. Então, o negócio que às vezes tá lá com 5 gerações para cima ele acaba na sua vez, Paulo, acaba na sua vez. Porque quando a turma briga, encrenca, se dá tudo certo você para, mas depende do seu tamanho, você parou duas vezes, você tinha um negócio com uma escala e você já virou sítio, perde totalmente a escala e geração de caixa.
Então, a gente começou a fazer isso. Então, a gente cuida dessas famílias de produtores rurais que a gente vai desde entender o perfil de comportamento de cada sócio, de cada sucessor ou herdeiro, né, já acima de 18 anos, 20 anos, a gente já conversa com essa moçada. E o Arthur, que você conhece, que é meu sócio, que faz análise de perfil de comportamento. Pô, nós temos clientes que ninguém tá ali com ambiente comercial, turma retraída que ergueu um negócio.
Como é que eu vou falar que agora você vai ser o comprador, vendedor de boi, ou que você vai fornecer cana e negociar com a indústria? Turma não quer, não é feliz nisso, né? Então esse tipo de caso Esse tipo de caso a gente fala, pô, você tem que ter um gestor executivo ali, né, e cria o conselho. Então a gente cria o ambiente para que esses sócios de cada momento, sócios do presente, possam criar o melhor alinhamento entre eles, adequar a vida, o momento de vida de cada um, para esse negócio persistir ao longo do tempo sustentável, ganhando dinheiro, e pronto.
Tem gente que quer dever, tem gente que tem aversão à dívida, tem gente que quer dever demais, tem gente que não quer dever nada, né? Enfim, então aí a gente faz isso hoje. Esse é o ponto da Trato, que eu acho que a gente se encontrou, faz um negócio que é diferente de todo mundo. Tem algumas empresas que trazem patrimônio? Não, a proteção de patrimônio não é holding, não. Nós temos nossos parceiros que estruturam as PJs também, mas é um pilar desse negócio.
Mas o que o cara faz, o que ele não faz, quem trabalha com sucessão não entra nisso. Eu falo, a gente entra. Eu acho que o grande diferencial é a gente ter essa sensibilidade de saber, porra, estratégia do negócio, nós estamos no boom, em que momento de ciclo, cicana, como é que tá a tendência de mercado, entendeu? Então a gente ajuda essas famílias a tomar decisão, cria um orçamento de 1 ano, de 3 anos, o quanto que vale o meu ativo, se eu devo ou não devo, se a minha curto prazo ou longo, se ela é cara ou se é barata.
Então a gente entra na estratégia, no modelo financeiro, nessa gestão de pessoas também. Aí muitas vezes, quase sempre hoje, o melhor caminho é levar as terras pelo menos para PJ. Então a gente tem nosso parceiro, fica junto com a gente, e que querem a nossa ajuda ainda estrutura essas reuniões. E depois nós temos o ambiente só de discussão, de interações familiares entre irmãos, pai e mãe, criamos esses fóruns. Porque o negócio seguir ao longo do tempo. Então é muito legal fazer tudo isso.
E não, cara, e a gente conversava até um pouco antes, né, Daniel, porque assim, cara, esse tipo de trabalho é um trabalho extremamente necessário, né, e ele é um trabalho extremamente complexo de se fazer, porque você tá mexendo, colocando o dedo na ferida de muita família, né, porque assim É um negócio que vem de pai para filho, alguns com mais gerações do que outros. Só que, cara, como que normalmente chega até vocês? Porque você pode fazer o máximo possível de barulho e falar que isso é lindo, maravilhoso, mas se o cara não for com a sua cara, não confiar, né?
Então esse é o ponto, essa entrada com a gente, né, às vezes é limitada porque a turma Às vezes vejo ele dando uma palestra ou vê na internet falando uma coisa que comunica, mas fala, pô, eu vou contar para esse cara aí que eu brigo com meu irmão? Vou contar aqui que nós estamos apertados devendo dinheiro no banco? Enfim, nesse contexto a gente faz, antes de qualquer contrato, né, entrevistas individuais, pelo menos com quem lidera, ou um filho que já tem uma atuação forte ali, para ver se de fato a gente vai conseguir ajudar essa turma.
E nessa conversa a gente falou, ó, eu te ajudar, vou ter que saber da sua vida. Então vamos ver se a gente tem algum amigo em comum. Ó, lê esse aqui da minha vida aqui, lê o que a gente faz. Às vezes tem algum cliente nosso, ou liga, tem esse, esse que são clientes já da empresa com perfis semelhantes ao teu. Liga lá para essa turma, fala para rasgar nossa vida com eles aí, porque eu só vou conseguir te ajudar se eu souber. Quanto mais eu souber da vida de você do seu ambiente de negócio, estratégia.
Por que que você faz isso? Por que que você arrenda cana? Por que que você não fornece, por exemplo? Por que que você mexe com cria, não mexe com recria engorda intensiva? A gente entra nisso e ajuda às vezes quem tá ali se entender com sócios para, né, para essas coisas avançarem. No financeiro falou, porra, você vale quanto é teu ativo de patrimônio? Ah, 50 milhões, 80 milhões de terra. Pô, não, mas eu devo não sei o quê. Quanto você deve?
Ah, devo R$4 milhões. O cara fica sem dormir porque deve R$4, mas tem um ativo patrimonial de R$80, então ele deve 5%. Eu falei, então calma, tá tudo bem, você tá sem liquidez porque você toma linha de custeio para fazer investimento, e é isso que tá errado. Então a gente ensina o cara, né, a trabalhar o perfil de alongamento de dívida, ou se ele quer dever mais ou quer dever menos ou não quer dever, onde dá para ele chegar também no ambiente financeiro.
E por aí vai. Então a gente vai clareando. E no ambiente de família, fala, pô, nunca me dei bem com meu irmão, nunca não sei o quê, meu pai. Então aí a gente tem as conversas individuais de cada um, que a gente alinha com todo mundo. Ó, nós vamos saber da vida de alguns aqui, porque vocês não têm conforto de falar para o seu irmão, para o seu pai, para sua mãe, né, seu primo, para ver se vai dar certo, como vai dar certo essa continuidade.
Porque às vezes na largada você já ouve do irmão falar Tudo, eu faço tudo que você quiser, menos me pede para ser só. Já ouvi isso, tá? Já ouvimos isso mais de uma vez. Eu só não quero ser só dos meus irmãos quando meu pai faltar. Às vezes a gente tenta entender por quê e tal, ou tenta reverter, se entende que não é isso e tal. Só que o plano A, o nosso plano A, sempre assim: vamos ficar junto. Porque ficar junto você já tem uma escala e você consegue evoluir.
Mas ficar junto às vezes não cabe todo mundo. E tá tudo bem, porque às vezes é um irmão, uma irmã que tá lá, o outro foi ser médico, foi ser piloto de avião, tá tudo certo. Só precisa esse um, se for alguém capacitado, que possa ser capacitado para tocar um negócio desse que tem ativo de 100, 200, 300 milhões e saiba reportar para os demais, aí tá 80% do negócio certo. Que de fato é o que eu aprendi lá quando eu saí, né, do Above Plan e comecei a ter que explicar por que que o boi é branco, por que que é boi preto, o que que é essa espécie de capim, porque agora eu tô plantando, né?
Porque o consórcio do milho com soja, para quem não sabia de nada, para um grupo estrangeiro, para um executivo de fora. Então essa sensibilidade veio muito com a gente. Então a gente, ao mesmo tempo que pega aquele irmão, aquele gestor familiar ali que tá eventualmente com o pai, e fala: viu, você não escolheu, filhão, se você não souber vender o peixe para os seus futuros sócios, hoje teu pai tá aqui, tua mãe tá aqui, né? Você se ajeita com ele.
Mas der tudo certo, se der tudo certo, seu pai vai faltar antes de você, sua mãe vai faltar antes de você. Aí você vai ser sócio dos seus irmãos. Aí o seu combinado, se você já não combinou antes, vai azedar, né? Então aí a gente trabalha esse contexto de falar: se você quer tocar o seu negócio, você pode escolher separar, Beleza, você vai, dois irmãos, você vai ficar com um terço. Como é que é o teu negócio com um terço? Ah não, aí complica.
Então tá, então vamos tentar ser sócio dos irmãos para o futuro e vamos ver se eles vão querer ser teu sócio também. Porque aí você ouve os dois lados, né? O irmão que tá na fazenda que fala assim: porra, eu venho aqui desde moleque, eu que faço isso, eu que ando estrada de terra, eu que não sei o quê, terra valorizou na minha mão, só porque eu vim para esse rincão eu nunca para cá, né? E a gente tem cliente do Pará com irmão que mora fora do país, né?
E fala, porra, o terra não valia nada, agora vale um monte. E agora, e metade dele é pela lei. E na outra ponta a gente ouve o outro irmão que tá fora do negócio, né? E fala assim, pô, meu irmão lá é folgado, folgado, folgado, porque, ó, mamata a vida inteira, não estudou direito, ia para fazenda, meu pai alisava, já Ganhava caminhonete, vai ficar para lá. Eu ralando aqui, ó, ralando aqui, moro em São Paulo, rala até hoje, tem que fazer plantão, não sei o quê.
E o vida mansa lá até vale de pescar, tem no carro, né? Então como que você media isso? Explica para um, ó, não é bem assim, e para o outro também não é bem assim, né? E outra, ó, melhor coisa que vocês têm é ficar sócio, é ficar sócio. Se vocês têm essa energia e o amor de irmão e não tem desgaste de família, Pensa em ser sócio, que vai ser a melhor decisão que vocês vão tomar da vida. Você vai continuar sendo sócio, você vai ser um cara da confiança, você vai ter um cara da confiança que vai fazer seu negócio crescer e vai te pagar todo ano uma graninha ali, né?
E outra ponta aqui, fala para você manter escala, para você continuar fazendo o que você quer com autonomia, com alguém que a hora que precisar vai te ouvir. Você só tem que entender se seu irmão quer um relatório por semana, um por mês, um por ano. E aí você cria os processos, né, os procedimentos administrativos, que muitas vezes é isso, ó, é um fechamento trimestral que vai por mão, serve. O outro não. Às vezes a turma é mais analítica, quero saber fechamento mensal aqui de caixa, o que que tá acontecendo, porque estamos aumentando boi, porque estamos diminuindo.
Então varia. E aí a gente entendendo cada um dos sócios que não participam no dia a dia também, dos sócios ou dos futuros sócios, A gente ajuda a modelar esse gestor para falar, ó, cara, tem que entregar um relatório de 30 páginas aqui, porque seu irmão, seu sócio, que é assim, o outro só quer, só quer o balanço patrimonial do fim do ano, se vocês ficaram 1 milhão mais rico, 1 milhão mais pobre, e para ele tá tudo bem. Mas esse outro que precisa de tudo, tem que, se você quer ser um executivo, né, e aqui você é executivo, que você entrega questões para sócios, você tem que propor os processos, ouvir o que, o que esse a sociedade fala, entregar.
Senão você não vai ter vida longa aqui também, né? Então aí a turma confunde eu sou dono com eu sou gestor. Então a gente ajuda bastante a clarear isso dos dois lados e tentar fazer que com isso essas fazendas sigam, né, dando dinheiro e competitivas ao longo do tempo. E tá cada dia mais difícil você ser competitivo se não tiver escala, né?
E cara, esse ponto é muito interessante, né? Porque Aí entra um outro negócio, né, sabe? Eu trabalhei muito tempo no CPE levantando custo de produção e papapá. O mais comum é não ter porra nenhuma, né? Mais comum é você chegar no lugar, o cara não saber quanto que custa o básico ali, né? E quando você pensa em fazer uma estrutura como essa que você tá falando, que aí independe se o cara é gigantesco, se o cara é grande, se o cara é médio, o cara uma hora vai ter que parar para pensar nisso aí, né?
Tem um trabalho prévio ali que precisa ser feito muitas vezes para você chegar nesse patamar aí, né, cara?
É porque quem chega com a gente depende da dor que tá no momento, assim, que fogueira nós vamos apagar primeiro. Então, para ficar bem claro, a gente trabalha com 5 pilares, né? Primeiro, da estratégia, que eu falei, por que que você tem cana, não tem boi? Porque você tem vaca em vez de boi? Porque você tem laranja, né? O segundo é o ambiente financeiro, ver se você tá devendo muito, você não tá devendo nada e tá perdendo oportunidade de, né, hoje juro tá mais puxado, mas pô, teve época de CDI 12% e a linha 6%.
Ah não, não quero, não tomo. Pô, é dinheiro, põe teu dinheiro ali para render, você toma um spread de 6% sem fazer nada, né? Então dependendo onde tá a fogueira, a gente atua primeiro, né? Às vezes é na interação familiar, de estruturar. Mas então a gente tem um modelo que começa isso com diagnóstico, com entrevistas individuais com todo mundo, e com entendimento do que cada um desses sócios ou futuros sócios quer hoje, vai querer para frente.
E aí a gente modula o que a gente vai propor para essa família, né? Porque às vezes o irmão que tá tocando falou, pô, eu quero intensificar tudo, quero adubar, quero pôr pasto rotacionado, quero fazer um confinamento gigante. Pô, mas meu pai é muito devagar, meu pai não sei o quê, meu irmão é roda-presa demais, não quer dever. Então a gente tem que adequar que é justamente porque que um quer acelerar demais, quer dever demais, para equilibrar, para a sociedade se manter, né?
Então o ponto em questão é a gente entender rapidamente de pessoas, de comportamento de pessoas. E aí a gente é psicólogo, né? Acaba isso. Não, cara, o meu irmão, puta que pariu, não sei o quê. Não, eu liguei só para desabafar mesmo, entendeu? Acontece demais. Então, e aí, como a gente, né, gosta de lidar com pessoas gosto de lidar com produção e participar de estratégia, porque você faz isso, faz aquilo. Então nós estamos no céu no dia a dia da nossa vida, que é isso, ajudando essas famílias, esses projetos a tocar.
Em paralelo, né, eu tenho duas sociedades, uma até com a minha irmã e depois outra, né, porque herança, né, herança. A reunião com o meu pai, com a minha mãe, com a minha irmã foi bem interessante, né. Fica a dica aqui para quem nunca falou desse assunto com a família, né, falou Então já lidava com isso, mas meus pais saudáveis e minha irmã foram em casa, né, um dia, um fim de semana e tal, já tá com meus filhos. E aí minha mulher tinha ido com as minhas filhas, sei lá, não tava.
Falei, viu, vamos fazer uma reuniãozinha aqui, 15 minutos, né? Que que é? Falei, ó, Mariana, minha irmã, falou, Mari, mamãe e papai morreram, morreu mãe, morreu pai, morreu. Já já eu ressuscito vocês. O que que nós vamos fazer quando eles não tiverem mais aqui? Nós vamos ficar junto, vamos separar? Eu tenho propriedade rural, tem alguns imóveis e tal. E a minha irmã casou, separou, não tem filho. Aí ela falou assim, olha, Daniel, por mim a gente fica junto e toca aí.
Você toca, você que sabe como é que funciona as coisas, que toca e que toca o negócio, né? Minha irmã é veterinária e adora cachorro e trabalha com cachorro. Falou, e eu só quero ter essa minha vida aqui. Se der certo para ter, beleza. Falei, então tá bom, então eu topo ficar junto, a gente se dá bem e tudo mais. Então, dia que eles não tiverem mais aqui, a gente toca junto, né, combina o jogo e vai tocando junto. Beleza. Então, com a minha irmã eu não precisei escrever nada, e meus pais se foram, e assim que funciona hoje.
Então a gente tem, né, na operação que é conjunta, uma renda que vai para ela, eu que faço os negócios, né, outra renda que fica para a gente. Eu vou fazer agora mesmo, tô no momento até de de querer trocar nossa propriedade mais para perto de onde eu moro, onde eu tô, para poder tá mais ativo ali. Porque, né, com consultoria, com uma outra operação que a gente tem também que envolve essas coisas de produção e África, então não tem muito tempo.
Mas a gente se dá bem com a minha irmã. Não tem um conselho consultivo que eu sento e formalizo, né? Eu vou jogando jogo, né? Mostra os controles para ela, que não é muita coisa assim. Então nós criamos um jeito prático de conviver sendo sócios. E a minha esposa sabe muito bem disso. Falei, ó, meus pais, quando meu pai e minha mãe faltar, eu e a Mari vamos ficar junto. Então você vai ser, né, formalmente você não vai ser sócio da minha irmã, né, porque o que vem por herança e tal não passa.
Mas tá assim que é o jogo, assim que tá escrito na nossa cabeça. Isso.
E do mesmo jeito que o que você escolher para sua família, né, eu vou respeitar e tá tudo bem. Se gostar de fazer coisa junto, enfim. E minha irmã, né, e minha mulher se dão bem também. Então também teve essa conversa, né? Ó, tudo bem, ó, vai ter minha mulher aí, ó, tudo bem, vai ter minha irmã aí, né? Ela falou: fria é fria, né?
Vai.
Então esse jogo é bem resolvido. E em paralelo, hoje a gente, eu tenho também uma sociedade agropecuária que acabou sendo isso depois que a gente saiu desse projeto da África. O Camargo saiu também, foi tocar a vida dele de Goiás. E quase 4 anos atrás, esse nosso chefe antigo, né, falou, viu, ó, tô querendo retomar o negócio da África lá e não quero consultor, não quero gestor, vamos bolar uma sociedade aí para esse negócio. Tô ficando velho, né.
Antes a gente tinha 30, ele tinha 50, né. Agora ele tem quase 70, nós já estamos, nós já estamos igual ele antes. E vamos bolar um modelo para a gente retomar a produção aqui no Brasil e ativar de volta o negócio nosso lá em Angola, isso, aquilo e tal. Então nós bolamos um modelo de sociedade que hoje nós somos 3 sócios, trabalhamos, somos fornecedor de cana. O ano passado batemos 6.700 cabeças, quase tudo, né, confinamento. E voltamos, né.
Então a empresa tem 2 focos, um é reprodução agropecuária e a outra é voltar essa transferência de tecnologia para África de novo, que aí estamos fazendo tudo lá de novo, fazendo navio, exportando navio, né, elevando a fazenda para níveis de operação mais evoluído, contratando gente, fazendo conexões governamentais que ajudam também. Tem um projeto do governo lá de repovoamento do rebanho bovino, então esses navios que a gente vai lá Também do mesmo jeito que a gente entrega os animais, tem todo um programa de, para o bicho não morrer, para o bicho procriar e seguir em ambiente tropical, né?
A turma tem uma dificuldade lá com gado Nelore, que é muito brabo. Senão, se não tem um vaqueiro brasileiro que ensina os outros e sabe tocar lá, não faz sentido ter gado Nelore lá, novilha Nelore lá, por mais que o ambiente de adaptação é perfeito, né? Então esse último navio, por exemplo, que a gente levou que tinha uma encomenda nesse contexto de fêmeas, tá, prenhas e tal. É uma parte foi novilha Nelore prenha de gado de cruzamento, que a gente vai, vai nascer na fazenda, porque a gente entrega os programas de governo já o animal meio-sangue.
E bezerras, tudo meio-sangue, com perfil mais manso um pouco, para poder essas fazendas não ter muito estresse de manejo de rebanho, por exemplo, né. Então a gente faz essa, essa extensão rural num clima tropical em Angola, um país que não tem nada e precisa ser, ainda precisa ser reconstruído. E ao mesmo tempo a gente toca operação aqui no Brasil. Então hoje eu tenho muito mais até discernimento para peitar o meu cliente que tem cana e falar, por exemplo, isso, viu?
Por que que você arrenda e não fornece? Você tá numa idade boa, tem uma condição boa, não sei o quê, para Eu sou agrônomo, mas tá plantando cana faz 4 anos, né? Então aí a gente ajuda a entender o perfil da pessoa para tomar decisão com o meu skin in the game, né? Com o meu na reta, falando não, né? Claro que a gente ouve de vez em quando na internet, fala não, esse cara tá falando uma besteira aí, nunca sujou uma botina, né? Já cansamos de ouvir os haters de internet aí, mas isso aí faz parte do jogo, né, cara? A gente fica fica quieto e deixa, bota um joinha lá e vamos para o próximo.
É muito bom, porra, cara, que história da hora, hein?
Essa sua história diferente para contar, a gente tem um pai que largou medicina com 50 anos e para África um ano pós-guerra, ouvindo, né, com a bala ali, vendo um monte de cidade fantasma cravada de bala. E aí o resto é vida normal igual todo mundo, né?
Cara, muito obrigado, viu, por você ter ter trocado essa ideia aqui com a gente. Daria para a gente conversar muita coisa ainda, cara, mas legal. Sim, tenho certeza que quem tá ouvindo a gente aqui aprendeu bastante com a sua história também, né? Vários pontos de virada aí. Você vê, né, a vida vai levando a gente em caminhos que a gente nunca imaginava que a gente ia, né?
É nesse contexto, né? A gente vai ficando mais velho, né? Cada dia mais a gente tem certeza que você fazer o que você gosta Porque encrenca vai dar, problema vai dar, BO vai dar. Mas quando você enfrenta o problema com coisa que você gosta, você faz sem pensar, né? E difícil até às vezes, pô, tenho que ir para fazenda da minha mãe, você não tem nada, para com isso, você não tem nada, né? E não se vitimize também, né? Porque tem, isso dá para ficar mais 2 horas falando só disso.
Mas aí o que que a gente fala? Faz o que você gosta, faz o que você gosta muito, que a hora que der o pau, a hora que der encrenca, Você vai estar focado em algo que você gosta, que depois você vai lembrar dando risada. Até hoje em dia que a gente vai para África lá, de vez em quando tem uns bêozassa, né? Eu olho lá para o Camargo, a gente dá risada e fala: não é possível, não é possível que aconteceu isso, puta merda, né? Então isso acontece com todo mundo.
Em vez de você ficar choramingando, se chateando, com raiva de coisas que são problemas que vão acontecer com todo mundo, Você leva isso numa coisa que você gosta, sabe, tem que enfrentar e resolver. E é isso que vai movendo você, né? Então é isso que é o mais legal. Faz o que você gosta, aprofunda, porque você vai ter que estudar, você vai ter que desaprender coisa e depois reaprender. Quantas coisas a gente aprendeu na faculdade? 30 anos que eu formei, cara, né?
Eu desaprendi 90% da faculdade. Você tem a base, a essência, mas depois você tem que reaprender tudo de novo. E esse caminho de transformar fazendas comuns em empresas rurais, não é que você vai fazer PJ, você tem uma empresa, não. Modelo de empresa com processo, com controles, com processo, procedimentos. Isso muda o jogo e leva o seu negócio ao longo do tempo. Então a gente fala, não é sobre a próxima safra, não é sobre o clima, não é sobre o preço da rouba, é sobre a continuidade, sobre como é que eu vou entregar isso melhor para os meus filhos.
Ah, não gosto de fazenda, meu irmão que toca. Beleza, você não sabe como é que vai ser seu filho, se ele vai gostar. E nós temos caso que não tem no meio, não tem os filhos, mas tem um neto louco que já 14 anos que já falou, fica de olho, que é ali que vai, né? E com a continuidade, mesmo que não seja o foco de estar no agro, entender que tem um porto seguro ali que alguém fez e que isso vai poder te ajudar na sua qualidade de vida e no longo prazo da sua família.
Legal, cara, muito bom. É isso, obrigado, parabéns pelo seu trabalho, cara. E como que quem tá ouvindo a gente aqui agora pode acompanhar o trabalho de vocês?
Vamos lá então, nós temos nossos caminhos nas redes aí, que é o Trato Consultoria, @tratoconsultoria no Instagram, canal do YouTube que agora a gente voltou a criar conteúdos atualizados lá, mas tem umas coisas antigas também boa de ver. Eu acho que é mais aí Instagram e YouTube, e tem o site da Trato também que a gente tá refazendo um novo lá, mas entra no @tratoconsultoria no Instagram, que dali tem o caminho para bastante coisa que a gente faz.
Muito bom, cara, muito bom. Agora vamos para o último bloco nesse podcast aqui, que é o nosso glorioso quiz.
Vamos lá, vamos lá.
Prometo que não tem pegadinha, vou fazer umas perguntas, tem que responder tudo, responde a primeira coisa que vier à cabeça. Vamos lá, daí eu pergunto: qual que é a sua música antiga predileta, cara?
Rapaz, eu sou muito fã de Christian Ralf, e das músicas do Christian Ralf tem uma música antiga que chama-se Piscina. Então minha música preferida das antigas é uma que chama-se Piscina. E nunca esqueço um show do Christian Hoff lá em Piracicaba, que a gente pediu essa música. Eles falaram assim, nem 30 anos atrás, eles falaram, rapaz, será que eu lembro dessa? Então a música Piscina, que uma turma nova gravou agora, eu acho que é o Fred Fabrício gravaram. E muito bom essa aí.
E qual que foi o lugar mais legal que você já visitou, cara?
Vamos lá, lugar mais legal que eu mais gostei de passear, né, de passear, foi viajar com a minha mulher para Fernando de Noronha. Fernando de Noronha é um lugar muito legal, você esquece da vida, você tá lá caminhando, é uma ilha de 10 km que você anda ela quase inteira a pé, que aí você entra para dar um mergulho na água, você já tem que ir com snorkel, você já baixa, você já vê peixe de longe para todo lado, é uma paz gigante. Fernando de Noronha eu gostei bastante.
E na cozinha, qual que é sua especialidade, cara?
Rapaz, eu confesso que eu não sou o melhor cozinheiro não, viu? Mas minhas filhas gostam da minha comida. Mas eu, eu me viro para fazer um bom churrasco, mas se tem outro para fazer, vai no meu lugar. Mas que que eu faço na cozinha? Não, vamos ficar no churrasco. No churrasco, a vistinha, tô entregue, tá bom?
Churrasco é justo, é bacana. E, cara, tem algum livro que você leu que de alguma maneira te impactou e que você pode compartilhar com a gente, cara?
Tem alguns livros que, né, muda o jeito da pessoa pensar, né? Um deles é um livro que chama-se, atualmente, vai, os mais atuais, tem um que chama A Ciência da Felicidade, um cara que chama Luiz Gazzini, que ele fala do mundo de negócios, porém como você trabalha e ao mesmo tempo o ambiente, uma empresa leva seus funcionários sendo felizes, tudo com conceito de estatística, de trabalhando em Harvard, com estudo de Harvard e tudo mais.
Mas o melhor livro que existe é um do Daniel Kahneman que se chama, pera aí que agora, Rápido e Devagar. Rápido e Devagar, você, a hora que você entende de como o cérebro das pessoas funciona, como o nosso cérebro 1 e o 2, sistema 1, sistema 2, funciona, você entende tudo e você não cai em pegadinhas da vida e sabe que tudo que você faz pode ser muito melhor se você consegue levar para um sistema 2, que você pensa um pouco e não anda no automático, né?
Então Rápido e Devagar é um livro que a gente volta com alguma frequência nos nossos treinamentos, pontos desse livro que a gente toma lá. E também de gestão de fazendas, tem aquela empresa que a gente coloca no ambiente de fazendas, tem Jim Collins, né? Tanto a Empresas Feitas para Vencer e depois a Vencedoras por Opção, que vai além. Tem a Feitas para Durar, que é a primeira, mas quando você lê o livro Empresas Feitas para Vencer, você entende o que que faz o que diferencia um negócio que vai se sustentar e o outro que não vai.
Então eu acho que pega o Daniel Kahneman e o Jim Collins e o Luiz Gaziri nesse caminho mais de pessoas, pensando que você tem uma empresa com cultura, com gente para levar isso para o longo prazo.
Já tem boas dicas aí, já dá para se divertir.
Pronto.
E cara, agora uma mais filosófica, né? A gente fez hoje um passeio aqui pela sua trajetória, né, cara? Às vezes a gente não para para pensar tudo que a gente já realizou, né? Mas se você se encontrasse com seu eu de 17 anos hoje, qual seria o melhor conselho que você se daria?
Eu falaria para eu casar mais cedo, para eu ter filho mais cedo, porque no fim, cara, a família é tudo que a gente tem, mais que a gente tem, sabe? Né? Tem minha mulher Juliana, minhas duas filhas que a nossa vida é viajar, vai e volta, né? Mas a maior felicidade é a hora que a gente tá em casa com a família, ou viajando com a família, sendo feliz no ambiente de família. Eu ia falar isso: casa um pouco antes, tem filho logo. Eu demorei um pouco para ter filho também, que aí eu ia ter mais tempo de vida com mais felicidade familiar. No fim é isso.
Muito bom, cara. Muito obrigado mais uma vez. E a gente sempre finaliza aqui, viu, Doc, com uma frase de muita sabedoria Cara, que é o seguinte: se chover, não precisa molhar a horta não, que tá tudo organizado. Obrigado, muito obrigado, cara.
Tamo junto.
E esse foi o episódio dessa semana, cara. Então, se você curtiu de verdade esse episódio, considere compartilhar com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo. O Agro Resenha cresce quando você participa com a gente desse processo. Então siga o Agro Resenha em todos os agregadores de podcast: Spotify, Apple Podcast, Deezer. E também acompanha os episódios em vídeo no nosso canal do YouTube, beleza? Siga também as nossas redes sociais, só buscar por @agroresenha em todas elas: Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube.
Escreva também para contato@agroresenha.com.br para mandar sugestão de entrevistados, mandar um oi aí para gente. A gente adora receber oi. E entre também no nosso grupo do WhatsApp, lá tem mais de 300 pessoas que estão recebendo as nossas novidades direto da fonte, cara. E esse ano vai ter cada vez mais novidades ali dentro do nosso grupo do WhatsApp. Beleza? Então fico por aqui, até a próxima semana.
Grupo Piccin
Equipamentos, componentes e inovação para o campoNutripura Nutrição e Pastagem
Soluções e tecnologias para pecuaristasSCADIAgro
Software de gestão para produtores rurais