ARP#446 - O futuro do agro pode caber dentro do WhatsApp
Neste episódio do Agro Resenha, Paulo Ozaki conversa com Guilherme Bastos sobre tecnologia no agronegócio, desenvolvimento de software sob medida, inteligência artificial e os desafios reais de inovação no campo. O papo passa por temas como simplicidade na adoção digital, confiança nas relações do agro, uso prático de dados, conectividade, telemetria, certificação e soluções via WhatsApp. Um episódio para quem atua no agronegócio e quer entender como transformar tecnologia em resultado concreto, sem cair no hype nem complicar o que precisa funcionar na ponta.
PARCEIROS DESTE EPISÓDIO
Este episódio foi gravado diretamente de uma das maiores feiras agrícolas do Brasil, a AGRISHOW em Ribeirão Preto/SP, em uma parceria do Agro Resenha com o Grupo Piccin.
O Grupo Piccin, que hoje contempla o foco de trabalho em equipamentos, componentes e inovação, começou com o trabalho de um homem, Santo Piccin. Com a evolução da agricultura, os desafios se tornaram mais complexos, exigindo a utilização de implementos agrícolas mais eficientes.
Grupo Piccin: excelente em produzir o melhor para o campo.
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Este episódio também foi trazido até você pela SCADIAgro! A SCADIAgro trabalha diariamente com o compromisso de garantir aos produtores rurais as informações que tornem a gestão econômica e fiscal de suas propriedades mais sustentável e eficiente. Com mais de 30 anos no mercado, a empresa desenvolve soluções de gestão para produtores rurais espalhados pelo Brasil através de seu software.
SCADIAgro: Simplificando a Gestão para o Produtor Rural
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E por fim, esse episódio também tem apoio da Nutripura Nutrição e Pastagem! A Nutripura, que tem como base valores como honestidade, qualidade e inovação nos produtos e excelência no atendimento, atua há mais de 20 anos no segmento pecuário, oferecendo os melhores produtos e serviços aos pecuaristas. Fique ligado nos artigos que saem no Blog Canivete e no podcast CaniveteCast! Com certeza é o melhor conteúdo sobre pecuária que você irá encontrar na internet.
Nutripura: O produto certo, na hora certa.
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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidado: Guilherme Bastos
Edição: Will Oliveira
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- Desafios e Oportunidades da IAIA como ferramenta de desenvolvimento · Risco de dados incorretos (Trash in, Trash out) · IA como martelo, dados como prego · Simulações com IA · Acessibilidade da IA · Custo energético da IA
- Grupos de WhatsAppWhatsApp como plataforma de negócios · Inteligência Artificial para análise de imagem · Speech-to-text · Micro-aplicações com IA · Coleta de leads simplificada
- Jornada Pessoal ProfissionalGuilherme Bastos · Tegra · Primeiro contato com tecnologia · Formação em TI · Experiência no varejo
- Futuro do trabalho e tecnologiaSubstituição de 'apertadores de botão' · Importância de pensar e fazer perguntas certas · Evolução do emprego com a tecnologia · Adaptação à inovação
- Securitização de Dívidas AgrícolasFio do bigode · Contratos e palavra · Combate a picaretas
- Histórias de sucessoIndústrias Colombo · Painel de telemetria unificado · Análise de pragas por imagem · Soluções para certificação
E aí, e se você ouve o Agro Resenha Podcast, a sua opinião é fundamental para a gente.
A gente criou uma pesquisa rápida, leva menos de 3 minutos para você responder, para entender o que que tá funcionando e o que que a gente pode melhorar. O link tá na descrição do episódio, bem lá embaixo. Pode ir que tá lá, dessa força aí para a gente, cara. Responder essa pesquisa é uma forma direta de ajudar o Agro Resenha evoluir. Beleza? Agora bora para o episódio.
E aí, pessoa, tudo beleza? Estamos começando mais um episódio aqui do Agro Resenha e como você já bem viu, nós estamos gravando diretamente da AgriShow esse ano, cara, e quem viabilizou a nossa vinda para cá foi o Grupo Piscim. O Grupo Piscim está há mais de 60 anos nesse mercado trabalhando com inovação e tecnologia voltada para preparo de solo e também distribuição de fertilizantes, enfim, cara. Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais sobre os produtos que a Piscim oferece, é só acessar www.piscim.com.br.
E quem também tá com a gente nessa temporada é a Skadiagro, cara. Skadiagro que tem mais de 35 anos aí trabalhando com software voltado para produtores rurais. Então, se você quiser entender melhor os seus custos de produção, entender melhor os seus números, cara, entre em contato com o pessoal da SK Diagro. É só chegar em www.skdagro.com.br e conversar lá com o pessoal que vai ser muito legal. Beleza? E quem também tá com a gente nessa temporada é a Nutripura Nutrição e Pastagem, que há mais de 24 anos vem trazendo soluções e tecnologias para produtores rurais, para pecuaristas que querem aumentar a sua produtividade, lucratividade e sustentabilidade.
Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais dos produtos e principalmente dos serviços da Nutripura, Só acessar www.nutripura.com.br. Beleza? Agora vamos para o episódio dessa semana.
Bom, e nessa semana estou aqui com Guilherme Bastos, que é o CEO da Tegra. Guilherme, muito obrigado, cara, por você estar aqui com a gente. Seja super bem-vindo ao Agro Resenha Podcast.
Eu que agradeço o convite, Paulo. Uma honra, um prazer imenso estar aqui com você, estar aqui nesse lugar Fantástico e vamos lá, vai ser bem legal.
Legal. Uns 3 anos atrás eu entrevistei um outro CEO da Tegra aqui, né?
Conheço, já ouvi falar desse cara aí.
William Polis, que teve por aqui. Vocês passaram ali por uma mudança ali na empresa e tal, né, cara? Foi, foi. Mas estamos parceiros aí desde a época, né?
Tá vendo só, a parceria começou lá e vai durar muito tempo ainda.
É isso aí, cara, muito bom, muito bom. E pra você que tá aí ouvindo, já sabe que na Resenha Porteira não tem tramela pra quem busca se informar sobre assuntos ligados ao agronegócio. Então não sai daí que você já viu, né, que esse bate-papo aqui vai ser muito legal. Firme o gorro porque nós já já tamo de volta. Muito bem, estamos aqui de volta com o Guilherme. Guilhermão, pra gente começar essa resenha aqui, cara, conta um pouquinho da sua história aí pra gente.
Cara, minha história, né, quando perguntam pra mim quem que é o Guilherme, né, eu não vou falar de cargo porque o Guilherme é o pai da Livi e da Louise, que são as duas alegrias da minha vida, né. Minha filha tem 8 anos, a mais velha, mais baixinha tem 2, a rapa do tacho. Sou casado com a Renata, né, então ela é que manda em basicamente tudo, e eu como tenho um pouco de juízo Faço meu papel, faço meu papel, a última palavra é minha, né?
Tá bom, amor? Tá bom, beleza. Trabalho com tecnologia, tenho 43 anos, trabalho com tecnologia basicamente desde moleque. O primeiro serviço que eu fiz, eu tinha 14 anos, né?
É mesmo, cara?
É mesmo. E como meu pai, ele já trabalhava com tecnologia quando eu nasci, eu não consegui fugir.
Mas seu pai trabalhava com o quê?
Meu pai, cara, trabalhava com tecnologia desde sempre. Ele trabalhava na Embratel, na época que a Embratel era estatal, né?
Meu pai também, meu pai trabalhou na Telemat.
Olha só que coincidência, cara.
A vida inteira em telecomunicações.
Olha só, meu pai trabalhou a vida inteira em carreira pública, né? E eu me lembro, uma das memórias mais antigas que eu tenho assim era de eu deitado no colo do meu pai, ele digitando num CP500, que foi um computador que ele financiou da Prologica. É, cara, em 86 mais ou menos ali, eu tinha uns 3, 4 anos de idade. Eu lembro dessa cena ainda, eu dormindo no colo dele e ele digitando. Tanto que eu aprendi a digitar antes de escrever com lápis, papel, caneta, esse tipo de coisa, cara.
E aí não consegui sair do negócio, né? Já comecei a desenvolver desde muito cedo, desenvolvia em linguagem desde pequenininho, meu pai mesmo me colocou fazer curso, né? E tô aí, cara, nessa jornada até hoje, basicamente, desde os 14 anos de idade. Tentando ganhar um pouco de dinheiro com tecnologia, sofrendo muito, mas faz parte do negócio. É isso que dá o tempero do negócio, né?
Não, cara, e é legal que assim, a gente, eu brinco, né? Brinquei várias vezes aqui que os desenvolvedores são os pedreiros do século 21.
É isso aí, cara, e eu sempre falo, cara, viu? O desenvolvedor que não sabe assentar tijolo, esquece, não dá certo.
Ai, cara, mas é interessante, né, cara? Porque assim, Eu sei que tem ali a questão do seu pai, né, cara? Mas como que, quando que você percebeu que isso seria uma profissão assim, velho?
Bom, eu acho que como eu tive contato desde muito cedo, e geralmente as pessoas têm contato com tecnologia para diversão, né? Então você vê a molecada hoje com celular na mão, com videogame, e tá tudo brincando, né? Eu, quando tive contato com tecnologia, eu vi o meu pai trabalhando. Então, com 5, 10 anos de idade, eu via meu pai usar as redes lá do Banco do Brasil, na época, depois que ele saiu da Embratel, para trabalho. Então foi uma coisa muito fácil para mim entender que dava para—
Já tinha digerido isso, já, né?
É, não tinha nem como não digerir, né? Porque minha mãe trabalhava na área da saúde, e aí meu pai com tecnologia, e eu moleque, falei: "Puta, o que que eu vou fazer, né?" Então, acabei começando a mexer com isso. E aí eu comecei a desenvolver muito cedo, né? E nesse desenvolvimento, fazendo curso, o primeiro curso de desenvolvimento que eu fiz foi numa linguagem chamada BASIC.
Nossa!
É, nossa mesmo, é antiga, né?
Antiga.
E foi, eu acho que foi em 91, cara. Eu não tinha 10 anos, né? E aí comecei a fazer site. Eu lembro que o primeiro site que eu fiz foi em 96, se eu não me engano. Pro lançamento de um Alfa Romeo. Velho, cara, eu tenho vergonha de falar algumas coisas, porque aí vai entregando. Você vê que com esse cabelo aqui não tem o que falar, né, cara? Essa barba branca aqui.
Você tá parecendo caminhão de usina, né? É bom de ano e ruim de lata.
Ah, cara, a gente rodou muito na estrada de terra aqui, pneu murcho. E aí foi fácil perceber que dava pra trabalhar com tecnologia, né? Meu pai, ele quis durante uma época talvez mostrar outros caminhos para mim, né? Então eu fiz curso para entrar na Academia da Força Aérea, não deu certo, meu negócio era TI mesmo.
Legal, legal. E cara, vamos lá, você, enfim, pelo que eu conheço um pouco da Tegra, né, 3 anos aí que a gente conversa e tal, vocês obviamente entraram mais forte no agro nos últimos anos assim, né? Mas vocês não desenvolvem só para isso, né, cara? Conta um pouquinho do que vocês fazem ali, do trabalho que vocês desenvolvem mesmo assim.
Cara, a Tegra, ela é uma empresa que tá completando esse ano, em julho, 15 anos de experiência, né? Então, 15 anos para uma empresa no Brasil é uma vitória. Eu considero uma vitória. Ela foi fundada, como você já falou, pelo Polis, né, alguns sócios na época. O Polis é meu irmão, cara, assim, de alma, meu, né? A gente fez faculdade junto. Então a gente se conheceu em 2003, nos formamos na FATEC de Sorocaba em 2006. Então foram uns 3 anos ali que a gente viveu na faculdade, se conheceu, e a Tegra nasceu um pouco depois disso, cara, pra criar uma solução específica de estoque, de warehouse pra açaí.
Açaí?
Açaí atacadista.
Ah, tá, do mercado.
E isso foi um divisor de águas porque ou uma empresa de tecnologia ela nasce já com um produto específico, Mesmo que nasça de um cliente, de uma necessidade, mas acaba verticalizando para um produto específico, ou ela nasce para ser uma consultoria de tecnologia. E o que aconteceu? O Açaí era dono do produto, porque ele comprou um produto feito para ele, sob medida para ele. E aí esse produto foi feito na época, entregaram lá, e aí começaram a vir outros clientes pedindo, até por indicação do próprio Açaí, que foi uma experiência bacana.
Pedindo soluções para gerenciar a linha de produção, para trabalhar no varejo, como açaí está dentro do varejo, para analisar ruptura de gôndola, uma série de aplicações. E a Tegra começou a se tornar uma especialista em consultoria dentro do segmento do varejo, que foi o primeiro segmento que a gente realmente fez soluções relevantes. Então, por exemplo, o aplicativo de desconto lá do Pão de Açúcar foi feito pela Tegra. Mas sempre com a propriedade intelectual do cliente.
O que é diferente, naturalmente, de você ter uma solução que você vende no mercado e aí você cobra licenciamento, esse tipo de coisa. Então, a Tegra nesses 15 anos, a gente percorreu vários segmentos, cara. Segmento do agro, o financeiro, a gente fez muita coisa para banco. Então, a gente trabalhou bastante para desenvolvendo solução para banco.
Varejo, né, que você falou.
O próprio varejo, segmento de energia, né? Então energia renovável, usinas espalhadas aí no Brasil que utilizam alguma solução da Tegra. Então a gente se especializou em consultoria, né? E agora no agro, a gente trabalhou já com vários clientes do agro. Então, por exemplo, tá aqui na AgriShow aqui a Colombo. A gente já tá negociando alguns projetos com a Bayer. Depois de ter atendido eles também. Então algumas grandes empresas precisam desenvolver soluções customizadas.
Como eles têm uma demanda específica para um determinado período, em vez deles levarem todo um headcount internamente e depois ter que ficar alocando esses caras em outros projetos, eles contratam um time pontual da Tegra. A gente aloca esse time pontual e tem todo um especialista que mapeia, que faz a prototipação do produto. Então basicamente o cliente vem com uma necessidade e a gente entrega. Ela do começo ao fim.
Legal, cara. Legal. E assim, vocês atuaram num setor que é extremamente dinâmico. Você pega o varejo, tá louco.
Margem lá embaixo.
É, e o pau torando de todo dia, toda hora, um B.O., né, cara? E aí vocês vêm para o agro. O que mais chamou atenção, o que te chama atenção, na verdade, no agro? Dessa experiência que vocês estão tendo com empresas do setor?
Cara, sendo bem transparente, o agro me fascina por várias razões. Talvez a primeira que chamou atenção é o PIB, né? O que todo mundo fala do agro, né?
Os 20... Todas as introduções de dissertações tem lá o PIB do agro.
Sempre, cara, sempre. E isso daí, não vou mentir, que chamou atenção da Tegra também, né? Que era realmente uma fatia de mercado. E quando a gente percebeu, conversando com alguns produtores, algumas empresas do agro, Eles eram muito mal servidos no geral, na consultoria de desenvolvimento. E aí a gente percebeu que tinha um nicho bom pra atuar, né? Tanto fazendo software customizado pro cliente, como pra levar o conceito. Porque, cara, no agro eu percebi uma coisa assim, é tudo confiança.
No varejo é diferente, no varejo você luta por centavo na margem. No agro, o centavo na margem ele é importante também, mas se não tiver confiança, nunca o cara vai fechar com você. Então ele tem que ir, tem muito aquele negócio do fio do bigode, né, cara? Isso, demais. Nossa Senhora, então assim, é mais importante a palavra de quem tá lá garantindo e fechando do que um contrato. Lógico que isso não é uma regra, né? Mas isso me chamou muita atenção.
Alguns desafios do agro, por exemplo, conectividade. Cara, 5 anos atrás a conectividade era uma coisa, hoje é outra. Então esse desafio já tá sendo muito vencido, né? Mas existem muitos desafios pra se vencer ainda. Por exemplo, a questão da inteligência artificial no agro. O pessoal tá começando a abrir um pouco mais a mentalidade pra entender o que é isso, né? E perceber de verdade que desenvolver software não é um mal necessário, mas que você consegue aumentar receita e diminuir custo com isso.
Sim.
Mas isso tá muito incipiente ainda, né?
É, cara, porque esse é um ponto interessante, né? Porque assim, a gente vive falando aqui no AgroResenha sobre como O produtor rural em geral é adepto a novas tecnologias. Sim. E quando a gente fala de novas tecnologias, nós não estamos falando necessariamente só sobre digital, tech. Nós estamos falando de uma nova variedade, nós estamos falando de uma nova máquina, enfim. Tem um monte de inovações que o cara foi adotando ao longo do tempo. É que às vezes a gente fala inovação, o cara não entende o que é.
Mas é, né?
Mas é, a gente entende que é. Esse negócio. Como que você percebe assim? Porque pelo que eu entendi, você atende muito mais empresas do agro, né? Como que você percebe essa parte de adoção de tecnologia por parte das empresas do agro também assim?
Cara, tá um pouco mais avançado, tá? Porque algumas empresas, elas puxam aí a liderança, né? Elas são formadores de tendência, né? Então você pega uma própria Bayer do segmento, né? Basf, enfim. Você tem ali soluções que o agro precisa, né? Mas no geral, o grande problema é você conseguir fazer uma solução que seja simples. A grande questão é ser simples e funcional, tá? Algo que não foi pensado para o agro, por exemplo, mas que funciona muito bem no agro, você não vive sem, nem eu e ninguém vive sem, é o WhatsApp, cara.
É o WhatsApp. Cara, o quanto de volume a gente vê de negócio acontecendo pelo WhatsApp e o quanto a gente vê de soluções que foram criadas e que não vingaram Porque elas quiseram fazer o negócio acontecer através dela, só que não era simples. E o cara na ponta lá, ele não tem que ficar preocupado com tecnologia. Ele não tem que estar preocupado com quantos cliques ele dá num computador ou dedada num celular pra ele conseguir fazer uma compra.
Sendo que se ele mandar um áudio de 40 segundos, ele consegue fazer a compra, né? Então eu acho que o grande desafio hoje é essa questão da simplicidade. E isso é uma barreira enorme ainda, cara.
Legal.
Ainda as empresas e as pessoas, quando elas vão pensar em qualquer coisa, eu acho que isso é um pouco do ser humano, sabe? Os caras vão muito pra tornar complexo, né? Como eu penso na inovação, cara, inovação, se você resolve um problema de uma forma mais simples e diferente, mesmo que você não mexa num computador e num celular, você tá inovando. Eu, pelo menos, entendo inovação dessa forma, né? Eu posso inovar diminuindo a quantidade de papel.
Exato.
Simples assim.
Sim, exato. E, cara, dentro dessa experiência que vocês estão tendo aí no setor, né, assim, o que você tá mais enxergando assim como oportunidades, né? Porque eu sei que tem uma parte da nossa audiência aqui que é da área de tecnologia, né? Então é legal assim, eu sei que não dá para vender a fórmula da Coca-Cola aqui, né? Mas, cara, o que você tá vendo de oportunidade específico assim? Nós estamos aqui na AgriShow também. O que tá enxergando aí para o futuro, cara?
Cara, hoje eu vejo duas grandes oportunidades, tá? Uma delas está diretamente ligada a soluções com WhatsApp. Então, pelo fato de você ter uma demanda crescente, uma necessidade grande de solução para o agro, e você já tem uma ferramenta que é, por exemplo, o próprio WhatsApp, uma das grandes oportunidades é você embarcar soluções dentro do próprio WhatsApp, né? Então você, numa conversa você consegue entregar aquilo que o teu cliente precisa.
Essa eu vejo como uma grande oportunidade, porque quando você cria um aplicativo, pode ser o melhor aplicativo do mundo, ele pode dar vantagem pra caramba pra todo mundo, entendeu? A hora que você coloca só pra fazer o download, já é uma barreira. Aí o cara vai ter que entrar na Apple Store, no Google Play, entrar lá, procurar, e às vezes erra o nome. Isso daí por si só já é uma barreira, e todo mundo tem WhatsApp. Então eu vejo que a questão de entregar solução simples pro cliente naquilo que ele já tem é uma mega oportunidade.
É a primeira vertente. A segunda vertente é saber usar a inteligência artificial de forma inteligente. Porque hoje, cara, assim, tem— eu acho que isso foi até pejorativo pra IA, sabe, Paulo? Foi um hype tão grande que as pessoas entraram em euforia. E nessa euforia, a galera esqueceu que a IA nasceu desde 1950, mais ou menos, para resolver problema da vida real. Então tá tudo muito focado em fazer videozinho com IA, fazer imagem com IA lá dos políticos e tal, aquele negócio que...
Mas, cara, a IA tá resolvendo cada problema que a gente não tem noção. Análise de imagem para o agro, speech-to-text, né, quando você faz uma transcrição de uma fala para texto, para a IA interpretar e dar para você um resultado. Então hoje você consegue criar muitas micro-aplicações utilizando o IA para trazer resultado rápido. Porque hoje os caras não querem entrar numa tela enorme e preencher um formulário gigantesco, né? Você vai fazer uma página, por exemplo, uma feira dessa daqui, para coletar leads, para fazer uma prospecção, o cara não quer colocar 5 campos.
Ele quer colocar malemal o telefone dele, né? E você tem que validar o telefone para saber se é verdade. Então ele quer ser simples. E quando você embedda, né, na tecnologia, a gente fala embed, que é juntar os dois, WhatsApp com inteligência artificial, você entrega duas coisas muito interessantes e fáceis na ponta.
Sim, porque esse é o ponto que você falou que eu achei muito legal, cara, que é a questão da simplicidade, né? Que o agro, em regra geral, acho que até essa questão que você comentou antes da confiança, do fio do bigode, porque as pessoas em geral são simples. É um setor... Eu entrevistei uma vez um cara que ele é do setor industrial, veio da indústria de Minas Gerais, indústria metalúrgica e tal. E ele falou assim: "Cara, eu fui para o Mato Grosso, fechei um contrato com o cara, não assinei um papel e...
Cara, como que é esse negócio?" Acho que foi mais ou menos o que você falou, sabe? Você falou, eu estou lembrando, porque assim... No fio do bigode é a questão de você entregar um negócio que seja simples o máximo possível e usável.
É, eu acho que isso tudo tem a ver um pouco com o aumento de uso de rede social, onde todo mundo tem que vender uma imagem muito perfeita, muito complexa das coisas, e o simples, que é o que de fato faz diferença para a gente, acaba ficando de lado. Isso torna tudo mais complexo. Você estava falando aí, eu lembrei agora de um cliente que ele era alemão. Alemão, né? E eu tive que fechar um, tava fechando um contrato com ele e para explicar para o alemão que ele tinha que rubricar todas as páginas do contrato, cara.
Nossa, foi um parto porque ele não entendia por que que eu assino todas as páginas se eu tenho assinatura na última e eu tenho que rubricar. Eu expliquei para ele, então é que não vai acontecer aqui, tá? Mas em algumas situações o teu contrato pode extraviar uma página do meio ali e mudar o conteúdo da página. A hora que ele processou essa informação mentalmente, ele deve ter pensado: "Puta, velho, que merda, né, que tá acontecendo aqui nesse mundo." Porque em algumas culturas, cara, isso não existe.
Não existe, né?
Isso não existe. Você vai negociar com gente de fora, por exemplo, da Europa, não tem essa malandragem, né, que você tem que se adaptar pra sobreviver. E hoje isso com a rede social, ela tá exponencializada. Então eu acredito sim que em algum momento vai acontecer alguma coisa que as pessoas vão ter que voltar a olhar pro simples E falar assim: "Cara, é no simples que está o valor do negócio." Sim, sem dúvida. Eu acho.
E, Guilhermão, traz aqui para a gente, cara. Você está comentando aí, até de alguns casos a gente falou um pouco antes. Alguns você pode falar, alguns você não pode falar. Mas traz alguns casos interessantes aí, cara, que você... Porque eu acho que esse modelo é um modelo interessante, porque assim, não é um negócio que dá para escalar enormemente, que é uma consultoria, igual você falou. Então é super customizado e tal. E se posicionar assim já é um...
Uma baita vantagem, né, cara? Mas o que que vocês têm feito? O que que vocês fizeram de coisa bacana que dá para você trazer para a gente?
Cara, é uma vantagem, mas é um desafio das pessoas entenderem, viu? Que quando você fala de consultoria, ainda mais para o agro, o cara sempre pergunta: mas qual que é o seu produto? O que que você tem de solução? Consigo colocar para rodar aqui em tal lugar? E na verdade a gente entrega a consultoria. Então geralmente o cliente ele dá um problema, para a gente. Eu posso citar aqui, por exemplo, o caso das Indústrias Colombo, que são um parceiro fantástico, inclusive a gente visitou aqui na AgriShow.
Qual que era o problema? Ele precisava juntar as informações de telemetria dos equipamentos que eles vendem para o mundo esportivo, para o mundo inteiro, num único painel, que é um painel Colombo. Então a gente desenvolveu para eles uma aplicação que coleta esses dados de telemetria de algumas marcas diferentes E hoje eles podem se posicionar, e obviamente isso é uma questão estratégica deles, né, como uma empresa que consolida informações de vários tipos de equipamento.
Então pressão do óleo, torque, temperatura, velocidade. Você abre aplicação lá, você vê, né, a máquina rodando lá no país específico online, cara. Você vê velocidade, você vê tudo. Isso trazendo de vários equipamentos diferentes, né. Então é o tipo de de dor que as empresas têm e que ela não vai resolver com um parceiro de um determinado equipamento de telemetria. Ela vai precisar integrar esses caras e fazer esses caras conversarem, né?
Então é o tipo de solução que a gente faz, né? Mas tem muitas outras. Por exemplo, a gente já desenvolveu solução para fazer através da utilização de IA mesmo, né? De você tirar foto de uma determinada planta e ele trazer qual que é o tipo de praga que pode ter naquela planta, né? Através de análise de imagem, identificar se aquela região ela tá mais irrigada ou menos irrigada, né? E isso utilizando imagens de drone. Então esse tipo de solução são soluções customizadas que a gente resolve, né?
A gente tá trabalhando agora com alguns parceiros e aí não dá pra abrir muito, é um pouco de caixa preta aí, né? Mas a gente tá trabalhando com alguns parceiros que precisam trabalhar muito na questão de certificação Porque, cara, é isso que a gente tava falando agora, né, do simples, do fio do bigode. Eu acho fantástico, sabe, um troço importante. Só que no mundo de hoje isso é muito sensível, porque tá cheio de picareta por aí.
Então tem muita gente querendo passar a perna em gente honesta. E a gente tá começando a criar algumas soluções para proteger esses honestos e garantir que os picaretas, os violeiros embrulhão, ficam do lado de fora. Entendeu? Através do quê? Através da tecnologia.
Sim, sim. É, cara, que é a questão da segurança, né, que a gente fala sempre, né? Por exemplo assim, tem— eu lembro, trabalhei muito na época, trabalhei com leite, né? E o leite tem uma especificidade muito interessante, porque assim, você entrega o seu leite o mês inteiro para aquela, para aquele laticínio, e aí no final do mês ele faz um balanço, e aí mais ou menos no dia 10 ele te paga. O leite que você entregou mês passado, tá ligado?
Então você entregou o leite sem saber quanto que vai receber. Então olha a complexidade disso, né?
É complexo.
E como que você vai mudar um setor inteiro? Não tem jeito, né, cara? Mas a tecnologia daqui a pouco pode ajudar em processos como esse.
Não, ajuda. Inclusive eu já desenvolvi, né, num passado não tão distante, solução para analisar o tipo do leite, porque o leite você vai misturando, né? Você misturei aí no caminhão de leite lá, tem o leite do produtor 1, 2, 3 e assim por diante, né? Então você tem que separar isso tudo. Então dependendo da qualidade do leite nessa semana, na semana que vem, na próxima, ele tira uma média disso tudo para remunerar o produtor lá no final.
E tem um tudo, um cálculo de qualidade em cima disso, né? Enfim, é bastante complexo, cara, mas a gente consegue trazer, né, para o grande, a grande questão é Tem que trazer a dor. Você tem que trazer a dor e tentar não trazer uma solução. Porque nesses 15 anos, né, de Tegra e mais a minha experiência de mercado lá de antes de Tegra também, cara, a gente já fez muito projeto. Então é difícil ter alguma dor que não consiga ser resolvida.
E o que que é bom da experiência? E aí, ah, ela não traz isso, né? Aí ela traz velocidade e processamento, mas ela não traz experiência. A experiência benchmark. Então, por exemplo, eu nem lembrava do case que eu trabalhei do leite, mas você falou do leite e eu lembrei do case do leite. E assim com vários outros, né? E a gente vai compilando a solução de um, de outro e daquele outro e entrega pra você uma solução que traga mais segurança.
Legal.
Isso é uma vantagem muito legal pro Arco.
É, não, sem dúvida, sem dúvida. E tem muita coisa por fazer, né, cara?
Demais, pelo amor de Deus. Com o que a gente tá vendo agora de inteligência artificial, esse crescimento é exponencial.
Sim. Bom, vamos falar de inteligência artificial então, né, cara?
Aí dá pano para manga.
E aí, eu não sei nem te fazer essa pergunta, cara. O que que você tá vendo nesse universo? A gente conversou um pouquinho antes, né, até semana passada a gente bateu um papo, sim, de como tá avançando e das coisas absurdas que dá para fazer com esse negócio. Mas o que que você tá vendo aí, cara?
Cara, a inteligência artificial, a gente tem que analisar ela de forma muito fria. Basicamente, ela vai conseguir, ela já consegue fazer hoje coisas que o humano não faz. Por exemplo, se você for colocar uma imagem, uma foto, eu, Guilherme, vou analisar uma foto, eu vou enxergar uma coisa, você, Paulo, vai analisar a mesma foto, você talvez enxergue as mesmas coisas e outras que eu não vi. A IA, existe alguns gráficos aí de pesquisa, a IA ela já supera competências humanas muito além, por exemplo, na identificação de imagem.
Então se eu usar uma imagem tratada por IA, eu vou conseguir identificar muito mais coisas do que um humano consegue. Isso para tratamento de imagem, isso para tratamento de áudio, né? Se eu colocar numa feira como essa aqui um áudio com várias pessoas falando, aí a IA identifica as várias vozes. Eu e você não. A gente tem que tratar o que uma pessoa tá falando. Então acho que o primeiro ponto é você entender a flexibilidade da IA.
Tem IA muito forte, modelos de IA trabalhando com predição, por exemplo, de modelo genético. Então como que você altera o DNA de uma determinada semente para ela ficar mais resistente a praga, resistente a clima, por exemplo. Então acho que o primeiro ponto é entender a variedade da IA. Em que que ela pode te ajudar? O segundo ponto é de fato ter uma dor latente. Então, por exemplo, eu tô fazendo aqui de repente uma propaganda pelo WhatsApp.
Legal, essa propaganda envolve enviar mensagens lá para milhares de pessoas. Eu posso usar IA para gerar um texto, um conteúdo, né, direcionado para esse público. Eu posso usar IA para tratar uma série de variações de imagem de uma determinada planta ao longo do tempo entender se aquela planta ela tá melhorando a qualidade ao longo do tempo ou se ela tá piorando. Então a inteligência artificial ela é um, ela é um coringa muito grande.
Na Tegra, o que a gente tem trazido de vantagem no uso da inteligência artificial é no desenvolvimento. Só para você ter uma ideia, tá, vamos supor que eu demorasse há 3 anos atrás uma semana para trazer um exemplo bem simples, tá, uma semana para fazer um processo de login com Google, sabe aquele login que você fala lá, eu não quero criar um usuário e senha, eu quero entrar pelo Google. Vamos supor que isso aí demorasse uma semana atrás, 3 anos atrás, uma semana para fazer.
Hoje eu faço isso daí em 4, 5 horas utilizando IA, fazendo desenvolvimento, homologando, testando e garantindo que está funcionando. Então, o grande poder da IA é de fato você utilizar o poder de processamento dela, o motor dela, que é muito forte, é muito rápido. E o grande risco dela, e é o que tá acontecendo hoje, não só no agro, mas é, conversando com várias pessoas aqui na feira sobre inteligência artificial, os caras me falaram, a experiência deles é essa, eles desenvolvem soluções com IA dentro da fazenda, mas sem o skill de desenvolvimento técnico, é o cara curioso, o curioso ele tinha uma dor, ele entrou num cloud, no GPT da vida, Colocou lá necessidade e o Claude GPT começou a cuspir o quê?
Sistema. Só que falta para ele a base de como fazer um sistema certo. É a mesma coisa que eu hoje me aventurar, cara, eu quero plantar milho. Aí eu vou lá no GPT, como é que eu planto milho? O GPT vai falar, cara, você compra um terreno, você faz isso, você passa o arado, coisas que eu particularmente não sei. Eu vou fazer, vai dar certo de cara? Óbvio que não. Porque falta experiência de criar aquilo, entendeu? Então eu vejo que em potencial de IA a gente tem muitos, muitos mesmo.
Mas o grande problema é que as pessoas estão começando a ficar já um pouco retraídas porque tá tendo experiência própria ou de outros porque estão usando aí de uma forma errada, né? É uma ferramenta muito poderosa. É como você pegar uma Ferrari que você nunca sentou na vida e querer dirigir ela em qualquer lugar aqui do Brasil. Vai dar certo. Você tem que aprender antes.
E tem um outro, uma outra questão importante aí, né, cara, que assim, beleza, temos aí a inteligência artificial, você falou que existem vários modelos e tal, né, mas daí para tomar decisões no agro, uma coisa que eu acho que ainda vai demorar muito. Por que que eu tô falando isso? Eu quero ver o que que você acha também, cara. Dados, informação. Se você tem informação errada na sua base, o que a inteligência artificial vai te dar é coisa errada também, né?
Trash in, trash out, né, que a gente chama lá, né? Como que você tá vendo essa estruturação? Porque eu acho que tem que ter até um passo atrás aí, né, cara, de estruturar toda a parte de dados, informação, para poder utilizar essas questões.
É, a analogia ela é essa mesma, tá? Se você for de carro para qualquer lugar, você tem um tempo ali para frear, encostar na acostamento. Se você for num avião a jato, você vai viajar 900 por hora e não tem acostamento. Então assim, a potencialidade da IA, ela é absurda. Se você tem um erro e você potencializa ele com IA, você vai ter uma tragédia lá na frente. O ponto é esse, você não tem tempo de recuperação, né? Então quando as empresas hoje se posicionam como IA first, a gente escuta muito isso, né, cara?
Ah, eu sou IA first. É porque elas estão aproveitando o hype do mercado, é o que todo mundo tá vendo no Instagram, nas redes sociais, E todo mundo está se posicionando como IA first. Mas a IA, eu brinco lá dentro da Tega, eu falo assim: "Cara, a IA é martelo, o dado é prego." Não adianta nada eu ficar martelando alguma coisa se eu não tenho o prego no lugar certo para colocar. Então, muito antes da empresa ou da própria fazenda pensar em conceitos de AI, eles têm que entender os dados que eles têm.
Eu posso não trabalhar com IA, mas se eu trabalhar sem o dado, aí eu estou me condenando. Aí é um suicídio mesmo no mercado, entendeu? Eu posso até não ter IA, mas se eu não tiver o dado certo, aí eu tô perdido. E aí quando eu entendo que o conceito é o dado correto e aí eu potencializo isso com a utilização da IA, é o melhor dos casos. Sim. Porque aí eu tenho uma massa grande, importante, aí eu processo ela rápida e eu consigo ter um output mais inteligente, né?
E a grande questão da IA assim pra mim na— você perguntou agora a pouco, né, das vantagens, é a possibilidade de criar simulações. Então, por exemplo, você pega lá uma determinada safra e você começa a analisar o crescimento da planta, dos estágios da planta, de acordo com a etapa da safra, por exemplo, né, de plantio, enfim, crescimento, colheita. Eu tenho as minhas análises que eu já utilizo, eu não, né, mas o produtor, que ele já utiliza há anos.
Quando você manda isso para IA e você manda ela cruzar esses dados de crescimento, por exemplo, do Mato Grosso, do Rio Grande do Sul e do Nordeste brasileiro, ele cruza esses dados, ele traz simulações diferentes. Então, se eu usar determinada semente numa região e testar essa semente em outra região com outra condição, eu posso ter um aumento de produtividade. Isso a IA faz com o pé nas costas. Óbvio que demora o processamento, tem o preço dela lá de tokens e tudo mais, mas um ser humano não faz.
E se você for criar um sistema uma firma que ele mesmo tente fazer isso sem IA, cara, vai anos de desenvolvimento, anos. E aí ela faz isso daí muitas vezes em algumas horas, entendeu? É um puta diferencial.
Não, legal, cara, porque eu fico imaginando assim, né, porque às vezes a gente fala de tecnologia, nós parece que nós estamos falando de grandes produtores e tal, né? E eu já comecei a pensar um pouco diferente, cara, porque assim, ao custo que tá hoje ou a gente tem um GPT, qualquer coisa nesse sentido, né? Isso acabou que pode se tornar super acessível para qualquer nível de empresa e de produtor, né, cara?
Isso já tá se tornando acessível, né? A gente, eu tava conversando com você agora há pouco, eu conheço alguns produtores que eles estão montando times de desenvolvimento para validar hipóteses, né, dentro da fazenda. E se a hipótese dá certo, se aquela ideia dá certo, aí sim ele produz em escala que sistema e legal. Isso é uma média grande empresa. Mas quando eu tô falando do pequeno produtor, do cara que tá lá com WhatsApp, ele vai acessar o GPT com certeza.
Ele vai acessar o cloud ali, vai resolver muito dos problemas dele. Porque a mesma, não a mesma, né, porque ela evoluiu, mas tinha aí há 10 anos atrás. Só que para você usar uma, você tinha que ter uma puta estrutura de servidor, você tinha que pagar lá $100 mil por mês para conseguir usar um algoritmo. Hoje você paga lá R$110 e você tem os melhores modelos, cara, mais bem treinados do mundo inteiro, com conteúdo de um mês atrás.
Então assim, tornou muito mais acessível, né? Se tornou tão acessível, né? Eu tenho alguns contatos que moram lá no Vale do Silício, estão trabalhando lá no Vale do Silício. Cara, sabe o que que os cara tão fazendo lá? Eles esperam o horário de renovação de token de GPT e de cloud para poder sair do trabalho. Então, por exemplo, se o token renovar às 8 horas da noite, eles organizam a agenda deles para poder trabalhar no horário que vai renovar o token e mudou a jornada de trabalho dos caras do Vale do Silício.
Então você fala assim, por que que isso tá acontecendo? Porque tá barato e vai ficar muito mais barato, né? Tanto que o grande desafio hoje dos grandes data centers é o quê? É encontrar aonde que eu consigo manter grandes data centers consumindo menos menos água e menos energia. Aí você fala, né, porra, a inteligência artificial, boa para caramba, né, tá acabando com a água do mundo. Lugar é muito paradoxal, é paradoxal.
É porque assim, a gente, beleza, a hora que a gente coloca no WhatsApp e vê aquilo ali funcionando, um ChatGPT e tal, a gente não tem ideia do custo disso aí, né, do custo energético, porque, cara, vai vai uma grana nisso aí.
Não, vai muita grana. E assim, tem um amigo meu que ele fala que a inteligência artificial é sexy, cara, e é mesmo, porque qualquer coisa que você pergunta ela pega e responde.
É isso aí.
Aonde que você encontrou alguém que você perguntava qualquer coisa, ela respondia? Não tem, não tem. Entendeu? Isso você quer usar, né? Você comentou agora há pouco que talvez em algum momento aí ela possa tomar decisão. E aí é uma experiência minha, pode ser que eu esteja errado para o futuro. Mas eu não quero que a IA tome decisão, cara. Eu acho que o que a IA vai fazer muito bem, hoje ela já faz, mas ela vai fazer melhor ainda, é entregar para você um resumo das hipóteses para que você tome a decisão.
Análise de cenário, análise de cenário, simulação, para que você fala assim: cara, esse aqui é o melhor. Por quê? Porque aí ela vai analisar aquilo que ela tem dado. A vida é muito mais do que dado. Tá certo? Previsão do tempo, cara, na hora do almoço esse céu aqui tava torando, todo mundo suando, eu soube que nem um condenado aqui. Agora choveu, caiu uma chuva forte aqui e mudou, e não tava na previsão. O que a previsão traz? Dados. Então tem muito que o ser humano faz e nunca vai ser substituído.
É isso aí, verdade, concordo, concordo. E cara, o que você tá enxergando aí pro futuro então, cara? Porque acho que essa questão da decisão, análises preditivas, Tem muitas soluções surgindo nesse aspecto. Mas o que você está vendo para o futuro aí para tecnologia no agro, enfim?
Olha, eu acho que longe de qualquer previsão certeira, porque não existe, mas eu vejo que o próprio hype ele gera muito volume. Então você tem um volume hoje de soluções SaaS distribuídas até dentro do agro mesmo, né? Você tem um monte de solução fazendo praticamente a mesma coisa. Então hoje você tem uma bolha, essa bolha de solução, essa, esse teor sexy da AI, de tudo mais, você pagar muito barato pra ter acesso a uma coisa complexa, ele tá cada dia maior, tá cada dia mais acessível e barato.
Essa bolha vai estourar, por quê? Porque tem muita gente fazendo coisa errada com IA, fazendo soluções que não aguentam volume, que não são, não são ágeis, não são simples. Então, essa hora que essa bolha estourar, as pessoas vão entender que Assim como a medicina, cara, você tem que estudar aquilo que você tá fazendo. Não dá para você pensar em qualquer solução, jogar no GPT da vida, ele cuspir uma solução que você vai vender a empresa daqui a um ano como unicórnio, você vai faturar um bi de dólar.
Não é assim que funciona, você tem que ter a base. Meu time lá fala assim: "Cara, não coloca IA na mesa sem antes você entender o banco de dados." Então esse hype vai gerar uma seleção natural, que eu entendo. E nessa seleção natural, Muitos vão obviamente ser excluídos, né, vão, não vão subsistir, mas os que ficarem vão ficar muito fortes, né. Nesses anos de tecnologia e de empresa, a gente viu muita empresa nascer em hypes diferentes, né.
Puts, cara, eu lembro que uma das primeiras redes sociais que eu tive foi o Orkut. Nossa, e era um fenômeno, cara, você tinha que ser convidado para ter o, para você entrar no Orkut. Então são assim São técnicas de marketing que as empresas vão usando para jogar, para cevar ali. Você jogou a chumbada, mordeu, né? E é basicamente isso que acontece. E eu entendo que isso vai estourar, isso vai reduzir e vai sanear o mercado, porque hoje tem muita gente fazendo muita coisa, mas não se sustenta da forma como tá hoje.
É isso. Você falou aí um ponto interessante, que é pessoas, né, cara? Assim, quando a gente fala de tecnologia, inteligência artificial, Vem na nossa cabeça que, poxa, vamos precisar cada vez menos pessoas. E eu sinceramente acho que não, cara. A gente vai, a gente só não vai precisar mais dos apertador de botão, né? Exatamente. Apertador de botão, com certeza qualquer IA vai tirar. Agora, pensar e fazer as perguntas certas, né, que eu acho que é o grande ponto ali de uma inteligência artificial dessa, vai ser crucial, né, cara, para os próximos anos.
Isso não vai ter fim. Você contou essa história do botão, eu lembrei, cara. Eu lembro que eu sou Sorocaba, né, interior de São Paulo. Eu lembro que quando foi o ônibus para lá com a ficha, porque tinha cobrador, né, aí era moleque lá, você colocava a ficha, a catraca. Cara, isso gerou uma rebelião em Sorocaba. E eu tenho um tio que ele era, ele era motorista na época de ônibus, e ele falava: isso daí vai acabar com a economia, vai destruir a economia, porque agora vai ter só um funcionário no ônibus, não vai ter mais o cobrador.
E o que aconteceu foi o inverso, porque a quantidade de gente que foi empregada pra fazer a ficha foi enorme, foi muito maior a quantidade de emprego gerado pra fazer a ficha do que os cobradores que perderam emprego. Na hora que você tá lá vivendo aquela situação, é ruim? É ruim. Mas, cara, a gente vive isso em escala desde que surgiu a Revolução Industrial. Você ia fazer um sapato lá, era uma semana pra fazer outro sapato, cara, costurando o negócio, colando a mão, tudo.
Hoje tem isso artesanalmente, tem, mas não é isso que ganha em escala, entendeu? Aí as pessoas tiveram que aprender a deixar de costurar na mão para operar a máquina e vai ser assim para frente, né? E eu costumo dizer que tem coisa, não adianta você tentar segurar um rio, cara. E a tecnologia, a inovação de uma maneira geral, ela é um rio que não se segura, né? É uma questão quase que natural. Ela acontece, você ou você entende, se adapta, né? Como um próprio Darwinismo mesmo. Ou você acaba ficando à margem.
Legal, legal. Ô, Guilhermão, muito obrigado, hein, cara. Já são quase 6 horas aqui em Ribeirão Preto, já anoitecendo. Obrigado, cara, por você ter topado bater esse papo aqui com a gente. Espero que quem tenha escutado aqui tenha aprendido um pouco mais desse universo aí, né, cara, que é sempre interessante. Tem muita coisa boa para vir pela frente. Muito obrigado e parabéns aí pelo trabalho.
Cara, eu que agradeço demais o convite. Não trouxe a fórmula Coca-Cola, não traria. Porque acho que não tem mais como descobrir isso, mas aqui é um torol de parpite que a gente coloca, muito gostoso, e agradeço demais o convite aí, foi um prazer imenso estar aqui.
Tamo junto. E como que quem tá escutando a gente ou assistindo aqui pode conhecer mais um pouco do seu trabalho?
Cara, muito fácil, é só entrar lá no site da tegra.com.br, tá? E você já vai ver lá o nosso portfólio de clientes, os serviços que a gente faz, os produtos dos que a gente constrói, tem acesso ao WhatsApp direto. Então é bem facinho, tegra.com.br.
Bom demais, bom demais, cara. Agora vamos para uma última parte aqui do podcast, que é o nosso glorioso quiz. Vamos nessa.
Meu Deus do céu, essa surpresa!
Ó, vou fazer algumas perguntinhas, você responde a primeira coisa que vier à cabeça. Não tem pegadinha não, fica tranquilo. Guilherme, qual que é sua música antiga predileta, cara? Pode ser música, pode ser artista.
Cara, gosto muito de Beatles.
Ó, Beatles é bom, Beatles é bom demais. E cara, qual que foi o lugar mais legal que você já visitou?
Curitiba.
Curitiba é bonito, né, cara?
Meu Deus do céu, morei lá.
E na cozinha, cara, como é sua especialidade? Comer. Como beber pra caramba. E cara, conta para mim aqui, ó, tem algum livro que de alguma maneira impactou sua vida e que você pode compartilhar aqui com a gente?
Demais, cara! Você sabe que quem tem um livro só— era para ser uma frase, desculpa— quem tem um livro só é porque lê pouco, né? Eu não leio muito não, mas eu tenho um livro só, cara, que é muito bom, que é Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl.
Viktor Frankl, isso é um soco no estômago, não é para qualquer um isso aí não, hein, cara? Adoro! Rapaz do céu! Cara, agora uma mais filosófica para a gente finalizar. É o seguinte, se você se encontrasse com o seu eu de 17 anos hoje, cara, qual que seria o melhor conselho que você se daria?
Cara, você vai errar para caramba, é fácil, tudo igual.
Simples assim, só isso. Legal, legal. Meu irmão, muito obrigado mais uma vez. Eu sempre finalizo meus episódios com uma frase de muita sabedoria, cara, que é o seguinte: se chover não precisa molhar a horta não, tá tudo resolvido.
Valeu demais, cara. Obrigado. Obrigado mesmo.
E esse foi o episódio dessa semana, cara. Então, se você curtiu de verdade esse episódio, considere compartilhar com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo. O Agro Resenha cresce quando você participa com a gente desse processo. Então siga o Agro Resenha em todos os agregadores de podcast: Spotify, Apple Podcasts, Deezer. E também acompanhe os episódios em vídeo no nosso canal do YouTube. Beleza? Siga também as nossas redes sociais, só buscar por @agroresenha em todas elas: Instagram, Facebook, LinkedIn e YouTube.
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