ARP#445 - Como uma ideia improvável virou um negócio sustentável
Neste episódio do Agro Resenha, Paulo Ozaki conversa com Laura Vicentini sobre cana-de-açúcar, empreendedorismo no agro, economia circular e inovação aplicada à produção rural. A partir de uma trajetória que começou com resistência à cultura da cana, o papo mostra como manejo biológico, produção de mudas, cachaça sustentável, compostagem e aproveitamento de resíduos podem se transformar em estratégia de negócio. Um episódio para quem atua no agronegócio e quer entender, na prática, como observação, coragem para mudar e gestão eficiente podem gerar valor, diferenciação e resiliência no campo.
PARCEIROS DESTE EPISÓDIO
Este episódio foi gravado diretamente de uma das maiores feiras agrícolas do Brasil, a AGRISHOW em Ribeirão Preto/SP, em uma parceria do Agro Resenha com o Grupo Piccin.
O Grupo Piccin, que hoje contempla o foco de trabalho em equipamentos, componentes e inovação, começou com o trabalho de um homem, Santo Piccin. Com a evolução da agricultura, os desafios se tornaram mais complexos, exigindo a utilização de implementos agrícolas mais eficientes.
Grupo Piccin: excelente em produzir o melhor para o campo.
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Este episódio também foi trazido até você pela SCADIAgro! A SCADIAgro trabalha diariamente com o compromisso de garantir aos produtores rurais as informações que tornem a gestão econômica e fiscal de suas propriedades mais sustentável e eficiente. Com mais de 30 anos no mercado, a empresa desenvolve soluções de gestão para produtores rurais espalhados pelo Brasil através de seu software.
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E por fim, esse episódio também tem apoio da Nutripura Nutrição e Pastagem! A Nutripura, que tem como base valores como honestidade, qualidade e inovação nos produtos e excelência no atendimento, atua há mais de 20 anos no segmento pecuário, oferecendo os melhores produtos e serviços aos pecuaristas. Fique ligado nos artigos que saem no Blog Canivete e no podcast CaniveteCast! Com certeza é o melhor conteúdo sobre pecuária que você irá encontrar na internet.
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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidada: Laura Vicentini
Edição: Will Oliveira
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Paulo Ozaki
Laura Vicentini
- Inovação na AgriculturaFundação da empresa Espinagro · Produção de mudas pré-brotadas de cana · Produção de cachaça sustentável (José Sustainable Cachaça) · Produção de etanol para frota leve · Produção de composto orgânico a partir de resíduos · Desafios da gestão e tomada de decisão · Importância do parceiro/cônjuge no empreendedorismo · Rodrigo
- Inovação e Sustentabilidade no AgronegócioAproveitamento integral da cana-de-açúcar · Compostagem de resíduos da propriedade · Produção de adubo orgânico · Uso de bioinsumos · Gestão de recursos hídricos · Produção de café sombreado em áreas de quebra-vento · Diferença entre discurso e prática (greenwashing) · Seu Zé
- História de Natália BragaInfância e criação no campo · Preferência inicial por café · Transição para a cultura da cana-de-açúcar · Manejo integrado de pragas na cana · Professor Odair Fernandes · Rossato
- Legado e InfluênciaPerda da capacidade de observação com a facilidade · Sabedoria dos antepassados (ex: "Do boi a gente usa até o berro") · Gestão de recursos hídricos e proteção de nascentes · Bem-estar animal e produção leiteira (música no curral) · Valorização do trabalho e do funcionário (Queen's Social) · Seu Zé
- Recomendações para EmpreendedoresNão desanimar diante dos desafios · Estudar e aprofundar a ideia · Escolher bem as pessoas com quem construir · A importância do propósito · Aprender com os erros · Aproveitar o tempo com quem se ama
- Relação Brasil-EUA e EleiçõesImportância da cachaça como produto nacional · Produção de cachaça a partir do bagaço e vinhaça · Uso de cachaça na culinária (risoto, flambar) · Rotas da Cachaça em São Paulo · José Sustainable Cachaça
E aí, e se você ouve o Agro Resenha Podcast, a sua opinião é fundamental para a gente. A gente criou uma pesquisa rápida, leva menos de 3 minutos para você responder, para entender o que que tá funcionando e o que que a gente pode melhorar. O link tá na descrição do episódio, bem lá embaixo.
Pode ir que tá lá, dessa força aí para a gente, cara. Responder essa pesquisa é uma forma direta de ajudar o Agro Resenha evoluir. Beleza? Agora bora para o episódio.
E aí, pessoa, tudo beleza? Estamos começando mais um episódio aqui do Agro Resenha e como você já bem viu, nós estamos gravando diretamente da AgriShow esse ano, cara, e quem viabilizou a nossa vinda para cá foi o Grupo Piscim. O Grupo Piscim está há mais de 60 anos nesse mercado trabalhando com inovação e tecnologia voltada para preparo de solo e também distribuição de fertilizantes, enfim, cara. Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais sobre os produtos que a Piscim oferece, é só acessar www.piscim.com.br.
E quem também tá com a gente nessa temporada é a Skadiagro, cara. Skadiagro que tem mais de 35 anos aí trabalhando com software voltado para produtores rurais. Então, se você quiser entender melhor os seus custos de produção, entender melhor os seus números, cara, entre em contato com o pessoal da SCADiagro. É só chegar em www.scadiagro.com.br e conversar lá com o pessoal que vai ser muito legal. Beleza? E quem também tá com a gente nessa temporada é a Nutripura Nutrição e Pastagem, que há mais de 24 anos vem trazendo soluções e tecnologias para produtores rurais, para pecuaristas que querem aumentar a sua produtividade, lucratividade e sustentabilidade.
Então, se você quiser conhecer um pouquinho mais dos produtos e principalmente dos serviços da Nutripura, Só acessar www.nutripura.com.br. Beleza? Agora vamos para o episódio dessa semana.
Muito bem, então estamos aqui nessa semana com Laura Vicentini, que é gerente técnica na Spinag, tem um monte de coisa aí no meio, né? Laura, muito obrigado por estar aqui com a gente, seja super bem-vinda ao AgroResenha Podcast.
Muito obrigada, Paulo, é um prazer estar com vocês. Eu que me sinto muito grata e honrada por estar aqui contando um pouquinho do que a gente faz.
Legal. Não, e já vamos agradecer a nossa amiga em comum, a Tassi, né?
Sim.
Que é ela que nos colocou em contato. E aí, conversando aqui, já soubemos que tem outras pessoas que a gente já entrevistou, a Amanda e a Carolina, né?
Perfeito.
Que a gente entrevistou recentemente, que é amiga também. Então você vê, o mundo é pequeno, né?
Muito. Eu costumo dizer que no agro até o mundo não é tão pequeno, ele é enorme. Mas no universo agro, a gente sempre tá com as pessoas ali, né, desse mesmo convive. Nossa, então é impressionante como a gente se encontra. Um beijo para Tássia, um beijo para Amanda. Tô muito feliz de falar com Paulo por intermédio, né, e até por encontrar pessoas que nos aproximaram assim.
Muito legal. É, gente boa com gente boa, né? E para você que tá aí ouvindo, já sabe, aqui no Agro Resenha, Porteira não tem tramela para quem busca se informar sobre assuntos ligados ao negócio. Então não sai daí, que esse bate-papo aqui, você já viu, vai ser muito legal. Firmo o barco que nós já já estamos de volta. Muito bem, estamos aqui de volta. E Laura, pra gente começar essa resenha aqui, conta um pouquinho da sua história aí pra gente.
Vamos lá, Paulo. Bom, sou Laura Vicentini, já tô com 40 anos, sou casada, casada, tenho 2 filhos que, sim, graças a Deus, são nossa bênção. E a gente até comenta, né, é por eles que a gente tenta fazer diferente. Então assim, óbvio que a gente vai começar um pouquinho para trás, mas afinal, a finalidade realmente é, é, o que a gente vai deixar para eles. Eu nasci em Ribeirão, mas basicamente fui criada na fazenda, então a gente sempre viveu esse mundo agro.
Meus pais produziram café durante algum tempo e a nossa região ficou muito ilhada com cana-de-açúcar. Eu tinha um pouquinho de receio da cultura, na verdade eu tinha muito receio da cultura. Eu sonhava realmente em trabalhar com café e durante a graduação de agronomia, né, porque ficou difícil a gente escolher outra coisa, tanto eu quanto meu irmão fizemos agronomia. O meu orientador no terceiro ano me falou: "Lau, vamos começar a pensar então no seu TCC." Eu tava na época em entomologia, onde eu finalizei a graduação, tá?
E eu falei: "Pô, bacana, ele vai me mandar lá pra Minas ver cafezal, bicho mineiro, tal." Ele me botou dentro da Usina, uma usina referência aqui na região. Na época era de marmoagem. E eu falava: "Cara, como é que eu vou falar pro meu orientador que eu não gosto de trabalhar com cana?" "O que eu vou falar para ele, sabe?" Falei: "Ah, vou aceitar, né? Vamos começar e ver como é que vai." E aí foi uma história assim de amor, não a primeira, mas talvez a segunda vista, porque me deu a oportunidade de conhecer mais a cultura de cana, vi como era maravilhoso.
Eu tinha um, talvez o meu preconceito maior fosse pela cultura do café demandar muito trato, muita gente, então tem a florada, tem os cheiros, tem as pessoas. E na cana a gente via tudo muito seco, frio. Pô, uma graminha, você larga lá, o negócio quase que vai embora. E eu tava obviamente dentro da entomologia, minha área de preferência era manejo integrado de pragas, então eu não via como trazer biológico, sabe? Pra mim era um universo meio despareado.
A gente tá falando de 20 anos atrás aí já. Contei a idade, então não tem problema falar o tempo. Mas... E aí eu vi que era super possível, que dava pra gente manejar integrado, que dava pra trabalhar com químico junto com biológico. E eu falei: "Ah, então é isso que eu quero fazer da minha vida, porque eu tô dentro da minha casa, né?" O cenário de cana na época tava hiper favorável. Como tá hoje, a gente vive várias oportunidades cíclicas.
E foi assim que eu me vi dentro da cana-de-açúcar. Então, a cana no momento agro, assim, é o meu começo. Faz 20 anos que eu tô lá dentro da lavoura. Hoje totalmente desprovida de preconceitos da cultura. Ao contrário, vendo o quanto a gente consegue inovar. Quanto de tecnificação, né, quanto de aceitação, produtor já tá aberto, sabe. E é isso. E a gente depois, com Mirna, na nossa empresa, né, Mirna, meu marido, que eu conheci na faculdade, estudamos junto com Amanda inclusive, ele virou piloto de helicóptero, mas a gente tinha um sonho, né, de ter o nosso negócio, e foi no agro que a gente fundou a nossa marca de cana-de-açúcar. E aí hoje já outros produtos.
Pois é, então isso que eu— esse é um negócio interessante, né? Porque assim, a gente quando entra na universidade, talvez a gente não tenha nem maturidade para saber de fato o que que a gente quer. Você já tinha um direcionamento bem mais estruturado até, né?
Eu já queria café.
Mas o Mike Tyson tinha uma frase muito interessante que ele fala assim: a gente, todo mundo tem um plano até tomar o primeiro soco.
É isso aí. Meu primeiro soco veio do meu orientador, assim, foi um soco doído, mas depois eu reergui, acho que com mais garra, sabe, com vontade realmente de fazer coisas novas, enfim.
Sim, é porque você pensa, você olha para cana-de-açúcar em algum momento assim, foi talvez uma das primeiras culturas assim que teve que fazer a mecanização e tem todo aquele processo mais industrial até inclusive, então não é uma cultura fancy, né? Aquela cultura sedutora assim para maioria, né? O que que te pegou assim? Porque você falou, não, beleza, eu comecei a ver e tal, mas qual que foi o momento assim que você falou assim, cara, dá para fazer negócio diferente aqui?
Exato. Olha, foi assim, um momento, eu me lembro, eu tenho inclusive um amigo dessa época, meu grande amigo até hoje, que é o Rossato. Beijo para o Rossato. Ah, já já ele vai estar aqui, tenho certeza, Paulo. Nós começamos a fazer o experimento nessa usina, ele como orientado do mestrado, do meu orientador, e eu na graduação. E ele me abriu os olhos nessa questão do manejo integrado de pragas, ele trabalhava com cigarrinha e eu na época comecei com cotésia para controle da broca da cana, que hoje é ainda a maior praga da lavoura de cana.
E eu não tinha essa Essa sensação de que era possível a gente manejar integrado, trazer o biológico. Exatamente por isso que você descreveu, uma cultura de uma escala super larga, né? De tecnificação, de tecnificação não, de mecanização muito agressiva. A gente vivia naquele momento, a gente estava nos anos finais ainda do PEC, do nosso plano de controle de queima. Então tava migrando para um negócio 100% de máquina. Ai, como eu sou velha, gente. Eu vivi a época que a gente informava queima de cana.
Ah, pô, eu morei em Piracicaba, né? Fiz exauque. Era a cidade Cidade da folia, tinha época do ano que era complicadíssimo.
Então eu acho que talvez, talvez não, a mudança de chave foi quando a gente entrou no laboratório dessa usina. Eu fui buscar o que seria a minha ferramenta do TCC, que era o manejo, a liberação ostensiva de cotésia para o controle da broca. E eu vi um laboratório montado dentro de uma usina inteiro para prover um macrobiológico para controle da maior praga do canavial desde aquela época. Então isso eu tenho certeza que foi assim o grande, tirou a venda dos meus olhos, sabe, que eu era muito, pô, não, cana não dá, cana é químico.
E aí a gente começou a ver, eu, Laura, comecei a ver essa oportunidade maravilhosa. Então graças ao meu orientador na época, o professor Odair Fernandes, ao Rossato, esse grande amigo, que me abriram realmente esse leque de oportunidade de trabalhar com a cana. Esse foi o divisor de águas assim, e o que me fez apaixonar pela cultura com certeza foi ver quão manejável, quão mutável, assim, quão diverso eram as oportunidades de trabalhar nessa lavoura.
Sim, sim. É, eu lembro muito bem, assim, fazia aula em Piracicaba lá, né, e o principal exemplo de uso de biológicos na agricultura era a liberação de cotésia em lavouras de cana, né. Então assim, foi de certa maneira, foi um marco para agricultura, né, porque a partir dali dos estudos e tudo mais foram se desenvolvendo muito mais outras soluções, né?
Com certeza, Paulo. A gente está falando de uma ferramenta que já está nos acompanhando há mais ou menos 40 anos, né? Para você ter uma ideia, há 20 anos ela já estava bem consolidada. Mas ainda assim a gente tinha essa resistência, acho que é o ponto, sabe? De olhar para a cultura e ver esse mar de cana assim, tudo muito grande, e achar que não havia espaço para o manejo biológico, integrativo, enfim. E hoje, olha só pra você ver como é que a gente não pode apontar o dedo, né?
Eu faço agricultura regenerativa dentro da fazenda, produzo cana e cachaça orgânica. Então, caí do cavalo, literalmente, assim, porque eu falo: se não dava pra fazer, pô, hoje a gente faz, mostra que é possível. Agora há pouco, ainda no nosso stand, eu recebi meninos que estão estudando agronomia, eles estão no terceiro ano, e eles falam que vieram com o mesmo preconceito. Eles olharam pra mim e falaram: "Ah, a gente trabalha com produto biológico, mas..." "Cana não, a gente trabalha com grãos." "Ah, por que cana não?" "Ah, cana não dá." Fala: "Ivy, vem cá, vou te mostrar minha garrafa." "Senta aqui, você tem 10 minutos." "Minha cachaça é orgânica, meu canavial é orgânico." "Ah, mas você faz em muito pequena escala, assim, bem pequenininha." Então, essas questões ainda existem, olha só.
Mesmo extremamente consolidado, como o caso da Coteze. E hoje a gente vê outras ferramentas, né? Outros insetos de controle, vários fungos, bactérias benéficos. Então isso é muito maravilhoso assim na cultura, sou muito grata por ter me apaixonado por essa lavoura.
Que legal! E bom, vamos lá, né? Eu falei ali no início que você tá ali na Espinaco, que é a empresa e tudo mais, né? Conta um pouquinho do trabalho que você desenvolve, porque você falou da cachaça, né? Mas nós sabemos que tem um negócio de muda, pré-brota, enfim, cara, conta para a gente o que que vocês fazem.
Bom, Paulo, Lá em 2000 e... Eu tô com o Rodrigo desde a época da faculdade, então também já vão quase duas décadas. E a gente tinha duas escolhas quando a gente pensava em ter o nosso negócio. Uma era a questão da aviação, que é o que ele era apaixonado, foi a formação dele, né? Por fim, ele trabalhou muitos anos no offshore, com transporte de pessoas pra plataforma de petróleo. E eu tinha a área que eu já tava há algum tempo, trabalhei em multinacional, trabalhei em usina sempre com cana.
Que era a cana-de-açúcar. A aviação entrou num declínio muito severo com o petrolão e tal, e a cana, ao contrário, estava em plena ascensão. A gente estava vendo uma segunda onda muito forte naquela época já, né, de... A gente começou a falar de uma maneira mais forte sobre o etanol, os biocombustíveis, a energia limpa. Então assim, a gente teve uma primeira onda muito forte lá há 30 anos, 41 anos na verdade, né, 50 anos agora pro álcool.
Então a gente viu uma segunda grande onda, que foi essa questão de falar de combustível limpo, verde. E a gente tava vendo exatamente aquele momento aí nos idos de 2015. Rodrigo e eu queríamos ter a nossa empresa. E aí a gente fez durante o ano de 2016 um plano de negócio bem robusto. A aviação em declínio, ascensão da cana, não tinha muito o que pensar. E aí escolhemos obviamente trabalhar com cana. A gente juntou com a oportunidade de uma sucessão familiar, da família do Juan.
O seu Zé, que é o seu José Augusto Tomazella, é o avô dele, que a gente homenageia inclusive na cachaça, é o pai da mãe dele, então passou pela mãe, chegou até a gente, e eles estavam vivendo exatamente esse momento de querer pegar gosto, assumir ali a propriedade, e a gente falou: vamos fazer um negócio legal, assim, que dê produto legal, mas que a gente consiga ter uma permanência aqui, sabe? A família tende a aumentar naturalmente, e a gente sabe que a Vai dividindo, vai fracionando e a gente acaba tendo que migrar para outras áreas.
A nossa ideia era o contrário, que todos continuássemos ali na dependência da Canto. Então, para isso a gente tinha que verticalizar, não tinha jeito. E aí a nossa ideia foi fazer mudas pré-brotadas, que estava em expansão na época. O Marcos Landel divulgava muito desde 2010, 2012 essa ferramenta. Na empresa que eu trabalhei antes, a gente produzia mudas, mas eram de meristema. Essa multinacional saiu do mercado, então deixou um nicho aberto muito interessante.
E aí o nosso plano de negócio foi voltado para isso. Finalmente, em 2017, a gente começa a empresa lançada aqui na Agri Show. O Rodrigo recebe a primeira bandejinha assim, né, das mudas pré-brotadas com nosso parceiro primeiro, que foi o IAC. E a gente funda, planta lá as nossas mudinhas para começar a fazer extração. De 2017 a 2020, a gente trabalhou exclusivamente fazendo mudas, Paulo. Então a gente extraía a gema dos materiais que a gente plantava na fazenda, produzíamos a muda, essa muda crescia, rustificava, a gente entregava para o cliente, extraía novamente, enfim, então o ciclo ficava formado ali para produção, desenvolvimento, a gente recebia materiais das instituições de melhoramento e fazia volume.
E nos incomodava a questão da gente gerar um resíduo muito nobre. Você imagina que da cana inteira eu só usava a geminha. E o tolete, que é toda essa indústria, toda a usininha do campo ali na cana que acumulava o açúcar e tal, a gente descartava porque ela não tinha valia na muda. A gente não jogava fora, eu falo descartava, a gente fazia silo pro gado, tínhamos poucas cabeças lá na fazenda, mas assim, não virava um produto que você fala: "Pô, olha que legal, faço silo." Não, era, né, E já continuava gerando resíduo.
E aí o Rodrigo, que me desafiou lá em 2020, falou: "Lau, já sei, nós vamos fazer cachaça." Falei: "Pai amado, nunca fizemos." Nunca tomamos cachaça, não somos de família de alambiqueiro que tem tradição em fazer cachaça. O seu Zé, que depois virou o nome e é homenageado, não tomava cachaça. Nossas famílias não eram de tomar cachaça. A gente não tinha tradição nesse rum, que é tão tradicional, né, falando assim. Mas em algum momento a gente falou: "Beleza, vai, vamos topar o desafio e ver o que dá." E aí eu comecei a estudar, fiquei apaixonada de novo, né, me dei a oportunidade.
Igual lá na Cana eu tive a oportunidade de tirar a venda, eu passei por um outro momento disruptivo, que era tirar o preconceito que eu tinha da cachaça. E hoje eu sou assim, eu levanto a bandeira da cachaça, porque dentro da Câmara Superior de Produção 108 produtores paulistas. A gente tem a maior produção do país, que é do estado de São Paulo. Somos o maior estado exportador. A gente fica brincando, né? O suco de laranja, de cada 10 que você toma, sei lá, 6 são daqui do Brasil.
Da cachaça, de cada 10 copos que você toma, 10 são do Brasil. Cachaça é só do Brasil. 4,5 são de São Paulo. Então vejam a importância desse produto pra gente que é brasileiro. E a gente começou a estudar não só a questão histórica da cachaça, mas a questão da produção. Éramos muito preconceituosos porque fomos acostumados durante a graduação, né, festas, coisas, a tomar qualquer coisa assim, era o louco com pouco, sabe? Bater em tanquinho de roupa, enfim.
Mas aí a gente começou a ver a produção realmente do alambique, a questão dos cortes, a gente envasa 100% do coração, que é a fração intermediária, então a mais nobre, a gente brinca, né, que é o crème de la crème lá da produção. E as outras duas frações, que são cabeça, os álcoois que não são desejados, enfim, e a cauda, que é a terceira fração, a gente redestila daí numa coluna, não mais no alambique, e faz o nosso etanol, então, que gera a nossa frota leve ali, né, dentro da fazenda, ela que nos movimenta durante a safra.
E toda essa oportunidade, essa circularidade fazia muito sentido na nossa pegada, que era de sustentabilidade, de produção circular. E aí eu me apaixonei. E aí mais uma vez eu caio, né, na— não, como é que fala? Não joga pedra que tem teto. Exatamente, teu teto é de vidro. E aí a gente se encantou pela cachaça. Então hoje somos produtores de mudas pré-brotadas de cana. Da primeira cachaça sustentável do mundo, que é a José Sustainable Cachaça.
E a gente produz dentro da fazenda o nosso etanol e o nosso próprio composto orgânico, que é decomposto a partir de todos os resíduos da propriedade. A cama de frango dos aviários que a gente tem lá, os resíduos da produção da cachaça, bagaço, vinhaça e os restos culturais da produção da muda. Então palha, né, tudo que sobra desse processo a gente decompõe. Em 60 dias a gente tem o nosso composto orgânico que vira o nosso adubo do canavial.
E aí a gente fecha a nossa economia circular lá dentro, mostrando que cana é possível ser orgânica, totalmente possível, totalmente possível manejar com bioinsumos, totalmente possível a gente se manter em momentos como esse que a cana tá pagando pouco, mas a gente tem uma questão de governança lá, de economia, de tratamento, né, dos resíduos, que mantém, né, nesse tripé aí em pé mesmo em momentos então de tanta dificuldade da cultura.
E aí me apaixono pela cachaça e assim que a gente tá hoje, produtores, enfim, levando para frente. A gente tenta falar muito bem da cachaça porque por si só, quando a gente toma, prova, enfim, já é um ótimo produto. Mas eu acho que cabe a gente contar bem a história dela, sabe?
O que a gente fala sempre aqui no podcast, assim, se você não conta a sua história, alguém vai contar por você, né? Então a gente tem que se posicionar. E agora, para quem está assistindo, né, tá vendo aqui, ó, a Sozé, que é a cachaça, né, do grupo aí, tudo mais. Pensa numa garrafa bonita, cara. Eu quero experimentar esse negócio aí, eu chegar em casa.
Por favor, me dá o feedback, né?
Com certeza, com certeza. Laura, eu estava aqui escutando você falar, teve dois momentos ali que você falou uma coisa muito legal, que você deixar, se permitir, na verdade, conhecer coisas novas e a partir dali, muitas vezes, o rumo da vida da gente muda.
Muda.
Você e seu esposo, vocês sempre quiseram ser ter o próprio negócio, né? E ter o próprio negócio é mudar a cabeça várias vezes ao longo dos anos, né, cara?
Durante o dia, né? São vários ciclos no dia.
Muitas vezes o que você quer fazer, né? Eu brinco que nós somos os proprietários, né?
É isso. O que a gente falou há 10 minutos a gente já tá tendo que rever agora.
Exato.
Como que assim, uma coisa é você trabalhar numa empresa e tudo mais, não lembro se você teve essa oportunidade também.
Sim, fiquei por anos trabalhando em multinacionais, usinas, enfim.
O que que muda na cabeça de você, na sua cabeça, né, da família ali, quando você na verdade, poxa, não, agora sou eu? O que que mudou ao longo desse tempo depois que você de fato conseguiu fazer o que vocês queriam lá, sabe?
Paulo do céu, acho que é o que você falou, muda tudo dentro do mesmo dia, dentro da semana, o ano, enfim. Agora que a gente vai fazer 10 anos de empresa, entendeu, mudou Mais coisa ainda, mas a visão de ser CLT, por exemplo, de trabalhar para alguém, você entra com uma cultura instituída, é basicamente você aceitar aquilo e fazer, bater suas metas, entregar. Exato. É claro que existem momentos que você tem que ser diferente, tem que inovar até para conseguir bater as metas, entregar tal, mas você tem, vamos falar assim, um caminho das pedras a ser seguido.
Quando o negócio é seu, e vou te falar mais assim, isso lá em 2017, nós fomos um dos primeiros a estar nesse processo que eu comentei lá de união com o IAC, depois de DCTC em produção, a terceirizada de mudas pré-brotadas, tudo era muito novo pra gente, eu que vinha do mercado, em algum tempo eu ainda mantive, né, trabalhando no mercado em paralelo à empresa, depois em 2020 que eu migro totalmente pra nossa empresa, Mas eram universos muito diferentes.
As entregas, a gente não sabia como elas deveriam ser cobradas, entende? Porque a gente tava meio que fazendo esse caminho das pedras. Então, muito diferente de você trilhar alguma coisa que você tá sucedendo, tá acompanhando. Vou dar um exemplo simples. Dentro da Multic eu trabalhei, eu me lembro perfeitamente: "Olha, Laura, daqui uma semana você assume esse cargo, então a gente tá fazendo essa transferência." do fulano para você, ele vai fazer uma passada de bastão, vai te apresentar a regional, os clientes.
Então, sabe, você tem uma trilha, você vai fazer com seus passos, mas você acaba seguindo alguém. Quando a empresa é sua, a trilha é sua, os clientes, quem, o relacionamento que constrói é você, quem faz a prospecção, quem analisa quanto vai gastar, quanto vai custar, onde vai investir é você. Então, as decisões são muito mais arriscadas, o traquejo tem que ser muito maior, o jogo de cintura Ali a gente fica brincando que somos nós keep, né?
Assim, eu keep na produção, venda, marketing. O Rodrigo na outra, eu keep pagamento, cobrança. Então, não era o nosso todo dia. A gente nunca tinha passado pela experiência de cobrar alguém, por exemplo, de fazer cotação, vivenciar aquilo na ponta do lápis, o que economicamente fazia sentido. E a gente teve que fazer isso pra que a empresa se mantivesse, pra que ela conseguisse crescer em algum momento, hoje expandindo e tal. Mas isso foi muito legal.
Então eu falo, é um amadurecimento muito mais rápido do que você responder para alguém, trilhar o caminho que alguém já passou antes. Mas também, do mesmo modo que é extremamente cansativo, robusto, porque ainda mais a gente que é casado, você chega em casa, você quer ter aquele momento assim, não vou falar da empresa, você deita na cama, você olha para o lado, você lembra Que o seu, sabe, se é foda ali, eu preciso falar isso e agora, sabe que hora, melhor não, sabe.
Então assim, tem essa questão também do tempo que a gente acabava gastando em casa com a empresa, sabe, toda essa continuidade. Então você tem a maturidade de entender do negócio, de crescer, de querer melhorar, de aguentar as pontas quando o negócio está muito ruim. E hoje eu falo sinceramente que eu tenho a dádiva do meu marido seco. Como ele é, porque em todos os momentos assim de extremo abalo, sabe, quando eu achava que não dava mais, pô, o que que eu fui fazer, sabe, para que que eu abandonei minha carteira e fui empregar tantas pessoas, são pessoas totalmente diferentes, né, cada um tem seu jeito, ele tava lá, fala, pô, não faça isso, é difícil, mas no final do dia mesmo, sabe, era o cara que deitava na cama e a gente olhava um para o outro, não, então agora vamos descansar.
Então eu tenho essa bênção assim de ter passado por todos esses desafios com ele. Talvez se eu tivesse empreendido sozinha não teria dado tão certo. E mesmo com todo desafio, hoje a gente consegue ter uma robustez maior, uma equipe que faz essas coisas que nós fizemos por muito tempo só nós dois. Mas ainda é muito interessante a gente olhar e falar: nossa, quando a gente fazia isso em open, era para ter dado o erro do erro, assim, o negócio.
Que bom que você me segurou, sabe? Que bom que a gente tá aqui, tá junto. Isso eu acho que talvez é o mais diferente de você responder para alguém e você responder para uma empresa inteira, sabe? Eu acho que essa talvez seja a maior diferença entre estar no mercado respondendo para uma empresa e ter a sua própria empresa.
Legal. É porque, puxa, muda tudo, né, cara? Assim, a maneira como você olha as pessoas, né? Tá tudo por construir, acho que isso é um processo que dói um pouco, né?
Tudo querer crescer, né?
Todo dia, né, gente? Mas é muito bacana ver também o resultado, porque, por exemplo, hoje a gente tá aqui com produto físico, né, cara? Você olha, você fala: "Poxa, a hora que eu abri ali, eu falei: 'Caraca, velho, que negócio bonito!'" Assim, você vê que já é bonito aos olhos, né? Então você materializa todo aquele esforço aqui também, né? É uma maneira de olhar e ver o esforço aqui, né?
Essa aqui a gente vê as cachaças que a gente bebe, né? Não vê os tomes que a gente toma. Mas é exatamente isso, ter alguma coisa palpável assim de resultado de toda essa construção é realmente assim muito gratificante. Acho que você falou bem. E tem, e é engraçado às vezes, Paulo, que a gente olha para trás, por exemplo, a gente tava esses tempos agora vendo que, né, meus sogros lá, meu marido tá construindo mais grande na fazenda, e a gente começou a buscar fotos antigas de quando começou, de quando a estrutura tava pelada, que você falou, começou do zero.
E eu e ele paramos por um minuto e falou: tem noção que a gente fez isso? Olha que coisa louca, não para, a gente não comemora, sabe?
Não, desculpa cortar, mas dá aquela sensação de que a gente tá subindo uma montanha Quando você tá subindo a montanha, você tá olhando só para a próxima pedra, sabe? Aí você tá indo, pá, puta, tá difícil pra cacete, tá? Aí você olha assim, caralho, tem muita coisa para chegar, mas você provavelmente nunca olhou para trás para ver o tanto que você já subiu, né? Que eu acho que é mais ou menos isso, né?
E às vezes sentar e olhar para trás assim, mas também admirar a vista, sabe? De onde você já tá. Mesmo que a gente não vá lá para o cume, onde a gente chegou hoje, pô, a gente construiu uma família, Com toda essa resiliência, com todo esse apoio que ele me deu, fomos força um para o outro em vários momentos. Então assim, eu não consigo te dizer se teria sido diferente a nossa relação enquanto família, enquanto casal, se tivéssemos nos mantido CLT.
Mas hoje, garantidamente eu te falo que ter passado pelos problemas que passamos juntos enquanto empresa, enquanto donos, gestores ali, cara, fortaleceu muito. Judiou muito porque você fala: "Não precisava às vezes viver isso. Se eu tivesse ficado quietinha ali na minha carteira assinada..." Mas talvez isso se não tivesse nos desafiado, feito crescer, igual você falou, ter passado por essa dor de crescimento. E hoje a gente tá com uma fortaleza muito grande dentro de casa, sabe, que é a nossa família.
Então eu acho que é isso, é parar onde você tiver ali na montanha, dá uma admirada na vista, olhar para trás, ver tudo que você já caminhou ali e tentar ir cada vez mais. Isso é normal mesmo.
E cara, entrando nesse assunto, você comentou brevemente ali atrás, né, explicou um pouco da economia circular ali, né. Fala-se muito sobre economia meio que circular já há anos, há décadas, mas projetos mesmo assim estruturados, bem organizados no agro em específico, a gente tá encontrando cada vez mais, mas tem muita coisa que é discurso, né? Conta pra gente como que vocês hoje, você contou um pouquinho, mas fala como que vocês estão estruturando também de maneira estratégica, como vocês estão utilizando isso também, né?
Perfeito. Essa questão, a gente, ao mesmo tempo que a gente convive com a questão da sustentabilidade, a gente convive com a questão do greenwashing. Então, falar é muito fácil, é muito bonito, e quando a gente abre, a gente tira a tramela da porteira, igual você falou, e convida as pessoas para ver lá dentro, a gente mostra que é possível fazer. Muito mais do que a gente justifica a nossa produção, a gente mostra que é possível.
A gente recebe escolas, por exemplo, jovens, pessoal do SENAR, enfim, de universidades que vão lá e vêm, pô, dá para fazer esses jovens que eu te falei agora da questão da agricultura orgânica na cana. E a gente consegue mostrar tudo lá acontecendo assim. Então isso é extremamente interessante. Mas eu vou te fazer um parênteses assim rapidinho, que quando a gente fala de planejamento, Paulo, as coisas acontecem no tempo que elas têm que acontecer.
E graças a Deus, eu falo que é muito ele, as oportunidades que apareceram e a gente as aproveitou assim, abraçou, foi ele que nos deu. Porque de novo, não tinha um caminho desenhado, então a gente nunca começou a muda pré-brotada lá atrás pensando em ter uma economia circular na fazenda. Mas a partir do momento que a gente foi desafiado para usar bem um resíduo, que foi essa ideia do Rodelio e da Cachaça, A gente falou: pô, por que não?
É difícil, vamos ter que ir. A gente ia na professora Márcia Muton, no Miguel, consultamos a Valdirene Neves, uma consultora para fazer cachaça lá na época, de Belo Horizonte, maravilhosa. Aline Bertoletti. Então assim, a gente foi atrás de tantas pessoas que estavam naquele ambiente, que nos desafiava, porque a gente não sabia nada. E a gente falou: vamos tentar. E aí foi a oportunidade da cachaça. Ela ficou sensorialmente, vou deixar a parte muito gostosa, então teve a oportunidade de exportar e a gente nunca tinha pensado em produzir cachaça, daí já não tínhamos nem vendido "Ah, mas no Brasil tá querendo exportar, então vamos estudar exportação." Aí eu brinco que eu fiz um compacto assim de comércio exterior, porque eu não sabia fazer nada de exportação.
Então a gente começa a exportar, agora a gente vende no Brasil no último ano, mas por 4 anos a gente fez inclusive exportação. E foram essas oportunidades que nos fizeram galgar mais selo, ter mais sustentabilidade e ver que era possível todo esse aproveitamento lá dentro da fazenda. E não só o aproveitamento, que tem essa questão da economia circular, mas por exemplo, a gestão das pessoas, dos recursos. Quando a gente passa por uma situação extremamente difícil, vou dar um exemplo, tivemos a guerra da Rússia.
Imagina se naquela época eu não faço o meu composto orgânico, se eu não faço o meu adubo. Sim, eu teria gasto 2, 3 vezes mais em compra de insumo, ou seja, já oneraria mais a minha produção de mudas, eventualmente toda a minha produção final da cachaça, porque é um resíduo lá. Então, essas oportunidades que fizeram a gente, que elas apareceram e a gente foi abraçando, nos fizeram chegar hoje, graças a Deus, com uma cachaça. A muda tá aí.
Podíamos ter parado no caminho lá atrás por conta de alto custo de produção. Podíamos ter conseguido segurar até hoje as pontas assim, né? A gente brinca que a cada, brinca não, é sério, a cada 40 dias a gente recebe um imposto novo ali, ou um aumento dos impostos que já existem. Então é 40, 42 dias cravado ali, um negócio, pegadinha do malandro, tira com uma mão, dá com 3 assim, né?
Então esses dias atrás não consegui emitir uma nota porque mudaram o sistema.
Enfim, mas exatamente isso. Então se a gente não tivesse se imbuído dessa vontade de assumir os desafios e realmente ver qual que era o deles, não tá, tá difícil, tá, mas vamos ver se a gente enfrentar essa questão de ser 100% biológico qual que vai ser? A gente consegue assumir o custo lá na frente? Será que a gente lineariza, cai esse valor? Será que a alta manutenção aqui vai ser— e eu acho que é isso então que vai nos fazendo assumir desafios.
Então assim, de novo, quis dizer que a gente não tinha um plano lá na nossa cabeça em 2017 quando começamos de entregar toda essa circularidade, mas a partir do momento que os desafios e as oportunidades apareceram, a gente Pô, vamos enfrentar, sabe? Cabeça erguida e vamos lá. Às vezes é difícil, a gente não quer nem sair da cama. Fala: "Ai, não, meu Deus do céu, só de pensar o tanto de coisa que a gente tem." Que a gente tem que fazer, né?
Não, não, não, não, não. Hoje mesmo, a gente vindo pra cá, o Rodrigo olhou pra mim e falou: "Pô, tá meio desanimada assim, tá cansada, né?" Ontem a gente teve compromisso aqui até bem tarde. E pensamos nas crianças em casa. Aí ele falou: "Lau, já estamos indo." Eu falei: "É verdade, bora lá." E assim, em dois carros ainda, porque a gente tinha compromissos diferentes aqui dentro da feira, horários e tal. Então a gente foi junto para o estacionamento, mas daí a gente já se separa, chega aqui, tá junto de novo, sabe?
Então eu acho que é isso, vai, um vai fortalecendo o outro e vamos. Vão ter desafios ainda, muito, se Deus quiser. Quero tê-lo do meu lado enfrentando todos. E é isso que faz essa pungência no crescimento. Mas de novo, não foi nada estruturado de uma maneira linear, sabe? Foram várias curvas que nos nos fizeram esse caminhar aí até hoje.
Cara, um ponto que a gente sempre fala, né, assim, quando você é um grande produtor, como eu tenho lá, eu fico em Mato Grosso, lá o cara pequeno tem 5 mil hectares, né, cara. Então esse é um cara pequeno lá e ele se enxerga como um pequeno, né. E lembro que na universidade a gente falava muito assim, poxa, pequenas propriedades tem que diversificar, né. Você falou aí, poxa, vocês já tiveram gado, tem A cana, né, vem pra cachaça, tem a muda, tem os frangos e tal.
Como dentro desse contexto, né, do pequeno médio produtor e tal, né, é fácil, óbvio que não é, né, mas como replicar um modelo como esse? Tem mais a ver com o sistema de produção ou mais com a cabeça do cara?
Eu acho que é muito mais a nossa cabeça, que em algum momento a gente se acostumou tanto com a facilidade que a gente esqueceu de fazer as coisas óbvias. Quer ver? Meu avô tinha uma frase que toda vez eu falo isso, é fato. Do boi a gente usa até o berro. Então imagine você uma fazenda há 3, 4 gerações atrás, abate uma vaca, não é a carne, é a carne, é o couro, é o osso, é o casco e é o berro dele para fazer o berrante, chamar a boiada, enfim.
Então tudo tem o seu uso. Se a gente pensar só na cana-de-açúcar, por que que eu me daria o luxo de desperdiçar alguma parte dela, já visto que eu podia ter um produto dali? E que tudo isso poderia compor ali uma economia circular inteira. Mas mais do que isso, naquela mesma área onde não cabe a cana, um exemplo, as granjas foram feitas em áreas menores ainda dentro da propriedade, porque elas otimizam muito a produção. Então a gente alavanca, a gente verticaliza, né, o rendimento do hectare muito com uma uma criação pró-abate, que é o nosso caso lá, que é dos meus sogros.
Entre uma granja e outra, a gente precisava ter quebra-vento, por exemplo. E, ah, vai puxar lá atrás, há 15 anos atrás, a minha mãe uma vez comentou comigo, falou: filha, planta teca, você vai ver, ó, você vai piscar, 20 anos chegou, pô, uma madeira nobre, cara. E em algum momento o Rodrigo tava fazendo lá com a família dele esses outros lotes de granja, eu falei: potateca. E aí ele falou: ah, tá, mas como é que a gente vai atrás de madeira, tal?
Eu comentando na usina que eu trabalhava lá, um amigo nosso que tava fazendo TCC dele na época falou: lá, eu tô escarificando umas sementes para fazer mudas, você quer? Ele me deu 300 sementes. Rodrigo e eu escarificamos essas sementes, deram 280 mudas, a gente plantou essas mudas, hoje elas estão lá com, vai, 12 anos. Então daqui 8 anos a gente tá extraindo aquilo que numa área perdida, dentro, entre um núcleo e o outro, a gente não poderia ter cultura ali, mas ela funciona muito bem como quebra-vento.
A gente colocou a teca, então já vamos ter outra coisa para extrair. Há 4 anos o Rodrigo falou lá, vamos botar café na sombra da teca, café sombreado, café gourmet, não sei o quê. Então a gente tem um nanolote hoje assim, não tá dando, mas já floriu, logo com a florada a gente consegue ter safra. Então a gente vai recebê-lo lá na fazenda, Paulo, se Deus quiser, vocês vão lá, nós vamos te servir o nosso cafezinho plantado na sombra da teca que tá no entremeio das granjas de peito de frango.
Então você vê como aproveitamento não é só daquela cultura, é da cultura, mas é também de todos os espaços que a gente tem. Porque que em algum momento a facilidade de entrar num negócio que é full, que é para o dia seguinte, nos liberou para não usar tudo, para não— e eu não falo só de reciclar, de reaproveitar, eu tô falando que a gente tem mesmo que pensar no que vai ficar daqui para frente. No quão fácil essas coisas às vezes vêm, mas a gente esquece que poderiam ser mais bem utilizadas, sabe?
E o insumo caríssimo que é a terra, gente, tem que ter tudo ali, tem que estar 100% dando alguma coisa, que sejam para as famílias que moram ali, para a gente que vai levar limão para casa no final do dia para comer ele com uma carne. Então é isso, sabe? Eu acho que não é fácil, mas é o óbvio, tem que ser feito e o óbvio tem que ser dito. A gente não fala às vezes. E não é o mais fácil realmente, mas é o que a gente tem que fazer, sabe?
Cara, isso é muito massa, porque assim, de verdade, eu não tinha parado para pensar nisso. No passado, me parece, tá, e você pode me corrigir se eu tiver enganado, mas assim, me parece que as pessoas tinham mais tempo para observar as coisas, sabe? É isso. Porque assim, cara, você Tinha, não tinha outra opção, né? Eu acho que esse é o grande ponto.
Você não tinha essa facilidade aqui, né?
Não existia opção, né? Você vai ficar de papo pro ar enquanto é dia, né?
O que você tá fazendo que você não tá plantando, tá colhendo?
Até tarde você tá aqui, né, velho? Acho que esse é um ponto também que às vezes a gente perde, né, da observação. A gente como agrônomo, né, que trabalha em campo, eu não trabalho em campo mais, até porque eu acho que o melhor solo pra se trabalhar é o carpete.
Olha só que legal, é um jeito de ver, Rafa.
Brincadeiras à parte, mas assim, que momento que a gente parou de observar as coisas? Acho que esse é o ponto central aí também do negócio, né?
Ó, você quer ver um exemplo disso daí? O seu Zé, que de novo não tomava cachaça, não produzia cachaça, mas foi homenageado aí, talvez seja pela observação dele. O seu Zé tradicionalmente criou gado leiteiro, ele teve gado lá atrás. Enfim, o Rodrigo, eu não tive prazer de conhecê-lo porque logo que a gente começou a namorar ele Recém-falecido. Eu vou levar essa mesa embora. A mão, a gente se amar, não sai nem bom dia, né? E o Seu Zé, o que que aconteceu?
Ele tendo gado, ele sabia que água era fundamental lá dentro da fazenda, obviamente. Então ele começou a fazer mudas de sanção lá na fazenda mesmo e cercou todas as minas da fazenda. Hoje as minas que nos abastecem, a gente tem uma produtividade assim maravilhosa lá na fazenda. Estão todas reabastecidas, são todas funcionais, né, existem lá na fazenda, nunca diminuíram o volume. Em anos secos a gente, graças a Deus, não teve necessidade de trazer caminhão-pipa, enfim.
Temos outorga, licença de captação d'água, tem a produção nas granjas, demanda muita água, 100% com água ali fazenda legal, né, outorgada por conta de um senhorzinho que observou que Se ele extraísse, aumentasse, por exemplo, o potencial de lavoura da fazenda dele, ele ia entrar na área da mina. E aquela mina se seca, faria falta na criação. Então, quando a gente fala que o Seu Zé leva o nome da nossa cachaça, mesmo ele não sendo dessa área, nem tradicional na cana, porque a cana começou bem no finalzinho dele, assim, ele nos permitiu receber essa área com essa natureza intocada, que é a área toda que faz o corredor da mata, que margeia então com a proteção do Sansão, que ele plantou as áreas de mina, as nascentes da fazenda.
E é por conta dele que a minha sogra, né, obviamente teve a terra e chegou até os meninos agora, o Rodrigo e o irmão dele, até a gente, se Deus quiser, para os nossos filhos. Então eu falo, o produtor hoje, a gente tem métrica, a gente tem cobrança, a gente tem selo, a gente tem que justificar o que é sustentabilidade. Mas historicamente, naturalmente, isso já era intrínseco dele. Ele sabia que a água, se não tivesse disponível ali, pô, vai comprar de quem?
Vai mandar vir de onde? Entendeu? E o cara, e o agricultor, por no cerne dele já tem essa questão, ele tem que manter, porque é dali que ele tira sobrevivência dele, da família. Mais do que isso, continuando com o seu Zé, né, ele criava leite lá, o gado. Então ele tipo, e a música no curral, e aí a gente sempre conta essa história, meu marido ri até, mas era um rádio velho que ficava lá, mas por quê? Porque ele observou, igual você falou, que a vaca calma dá mais leite, sobra mais, dá pra vender mais.
No final do dia, se sobrava e dava o suficiente de leite, por exemplo, o funcionário leva pra dentro da casa dele. Que funcionário quer levar um produto ruim pra casa dele? Então ele vai fazer o melhor leite. E o seu Zé foi, graças a Deus, várias vezes premiado pela qualidade do leite, porque ele tinha funcionários que sabiam que aquele leite depois voltava pra casa deles. Então quando a gente tem dentro da sustentabilidade o Queen's Social, por exemplo, que é o meu funcionário saber por que que ele tá fazendo, porque ele tá apertando o botão, porque ele tá cortando daquele jeito, é porque ele sabe que no final do dia o retorno também é para ele, né?
Então olha só, hoje a gente cobra por sustentabilidade, mas por quantas gerações eles foram sustentáveis, intuitivamente sustentáveis assim, porque sabiam que era daquilo que as próximas gerações e ele mesmo viveriam. Então acho que isso assim, talvez esse poder de observação a gente tenha perdido com a facilidade, mas tá voltando.
Tá cada vez mais em voga, né, a gente começar a olhar melhor para as coisas. Mas a gente poderia ficar por horas aqui, porque o papo tá bom para caramba, mas eu queria finalizar assim, para a gente ir quase para os finalmentes aqui, né.
Tá.
Tem muita gente que ouve o Agro Resenha, produtores, enfim, cara, os mais variados tipos, tá. Ontem eu tava conversando com o Sidney aqui da piscina, eu entrevistei ele, ele tem uma história muito legal, ele viajou o mundo porque ele vendia máquina internacional e tal, então ele fez um episódio assim maravilhoso, ele falou que um dia ele tava na igreja dele, aí o cara falou assim: poxa, eu assisti o episódio de você, "Mas como assim?
Pô, não sabia que você fazia tudo isso." Do nada aparece alguém. É verdade. E óbvio, aqui a gente falou muito sobre vida, sobre negócio, empresa, agro, enfim. Para quem está ouvindo a gente aqui agora, dentro dessa jornada que você foi construindo de empresária mesmo, de fazer o negócio acontecer, tirar um negócio do zero, porque tirar negócio do zero nunca é fácil, né? Que dica que você daria para quem tá ouvindo a gente, que tá daqui a pouco pensando em abrir o próprio negócio, né? Tem alguma ideia, por mais maluca que seja, né?
Ai, uma loucura, Rodrigo! Falar: ai, Rodrigo, só cachaça! Eu tenho medo do ósseo criativo dele, se ele para para observar muito, igual você falou, eu falar: ai, pai amado, não tem ideia! Bom, mas conselho assim, é difícil a gente for falar alguma coisa Não desanime, obviamente, nos primeiros desafios. Então, tem uma ideia? Pô, vai a fundo e estuda. Nem tudo que vem fácil assim para gente deve ser assumido, eu falo. Então, vai ser difícil, vai desafiar, vai te tirar o sono várias noites, mas tenha certeza que se o propósito tiver ali na frente, né, galgar ele atrás é muito interessante.
E mais do que isso, assim, isso é fácil, todo mundo fala, não, vai atrás do seu sonho e tal, mas escolha com quem você vai sonhar e com quem você vai construir, porque são essas pessoas que na hora mais difícil, na hora que você tiver assim com a cabeça mais baixa, passando o seu pior momento, sabe, às vezes até com vergonha das decisões que você tomou, que você pensa, pô, devia ter feito diferente, mas são elas que vão sustentar e que vão te ajudar a reerguer a cabeça à frente.
Então, e acontece, e a gente toma muita decisão errada durante essa construção, é claro, né? Isso naturalmente vai acontecer, mas essas pessoas nos ajudam a errar menos, e quando a gente erra, nos ajudam a nos restabelecer mais rápido. Esse é o ponto. Então escolha, obviamente, as lutas que você vai enfrentar, os sonhos que você vai sonhar e construir, mas principalmente as pessoas que vão estar com você nessa jornada. Eu acho que esse é o principal recado.
Teve um amigo nosso que casou, morou na República do Rodrigo, então isso há muitos anos, hein? E ele falou assim no dia do casamento dele, eu nunca esqueço, falou: pô, sozinho a gente vai mais rápido, mas junto a gente vai bem mais longe. E é isso assim, então acho que é isso aí. O Bobra, um abraço para o Marco Vaz, falou isso bêbado no casamento dele, nunca esqueci. Acho que é isso.
Muito obrigado, viu, por você ter Topado bater esse papo aqui, adorei conhecer a sua história um pouco mais a fundo aqui. Obrigado pelos presentes, né? Aqui tá a cachaça para quem tá vendo. E tem como comprar?
Tem, tem sim. Bom, jeito mais fácil é a nossa, a gente tem o Instagram, o @souzekaxaca, manda mensagem lá e a gente manda para o Brasil inteiro. Mas a gente também tá em marketplace, Mercado Livre, por exemplo, e a gente vende aqui no Brasil desde o ano passado em algumas capitais. Já chegamos agora no interior aqui em Ribeirão Preto, Rapidamente, aqui em Ribeirão a gente tem 4 C's, o Armazém Geral, a gente tá em alguns hotéis bem interessantes assim, a gente tá já com uma carta bacana, estamos no Matuto Restaurante, somos a cachaça dos drinks deles, agora vai ter um evento super legal que é mesa para 100, convido todos vocês que estão aí nos ouvindo e pelos Instagrams assim, qualquer coisa vocês chamarem lá, a gente sempre responde, manda um link, dando certo.
Eu não dei um presente para você no início, que eu acabei esquecendo, mas aqui, ó, é um cafezinho especial nosso do Santo Par, uma parceria da Santo Par com Agro Resenha. Ele é da família Zitelli aqui de Franca. Que bacana!
Nosso vizinho ali, é.
Então, o Caio é meu amigo lá da Exalc, ele tem aí o Santo Par, que é a marca de café dele, e aí isso aí é um drip coffee para você tomar.
Que maravilha!
Tem todas as notas sensoriais e tudo mais. Pessoal é bem bacana aí.
Fantástico! Já quero conhecer a história também, porque a gente adora, né, saber o que a gente tá consumindo. Esses drip coffee ganham meu coração, porque a gente sempre tem algum lugar assim, tá cheio de sopa, drip coffee, né, ali, tá. Então muito legal, muito obrigada, Paulão. Vou provar, tenho certeza que vou adorar.
Maravilha! Bom, como que quem está escutando a gente aqui agora também pode acompanhar? Você já falou da Seu Zé Caxaca, né? Mas onde que pode acompanhar seu trabalho, o trabalho da empresa, enfim, de todas as empresas?
A nossa empresa então é a Espinagro, que é a área rural, @espinagro no Instagram. A Espinalco, que é a destilaria então pela Seu Zé Caxaca. E acho que às vezes os sites hoje é mais fácil assim. Aqui na Agri Show a gente está em dois estandes. Estamos dentro do IAC, na parte de mudas de cana, né? Basicamente falando sobre novas variedades e no pavilhão das rotas da cachaça. Hoje são 4 rotas, vale a pena a gente falar sobre isso.
A gente tem a rota do café, a rota do queijo, do vinho e finalmente a da cachaça. Então, rotas paulistas. A gente tem 8 macro-regiões dentro do nosso estado, estamos orgulhosamente na Alta Mogiana. Batataes é até o símbolo ali da nossa rota. E pode nos visitar, marcar. A gente tá de porteiras abertas, sem tramela, para recebê-los lá. Não só para degustar tal, mas para ver realmente que nosso interior aí tem de maravilhoso.
Maravilha, maravilha. Agora vamos para uma última parte desse podcast aqui, que é o nosso glorioso quiz, tá?
Vamos lá. Nossa, eu tô ansiosa aqui, meu Deus do céu.
Juro que não tem pegadinha. Uma pergunta, vocês respondem a primeira coisa que vier à cabeça. Laura, Qual que é a sua música antiga predileta?
Antiga? Lady Laura. Ai, é muito brega, mas eu adoro Roberto Carlos e minha mãe cantava para mim desde pequena. Então Lady Laura.
Muito bom, muito bom. E qual que foi o lugar mais legal que você já visitou?
Rapaz, eu acho que ainda vou visitar. Não tenho assim, você acredita?
Um lugar legal?
Eu tenho vários legais, Primeiro que vier assim, puf! Não tô preparada, vamos para um lugar calmo. Pô, teve vários. Ai, vou pular.
Tá bom.
Que vergonha, vou pular.
E na cozinha, qual que é a sua especialidade?
Cara, usar cachaça. Risoto com cachaça.
Sério?
Nunca fiz. Para de usar vinho branco, troca pela cachaça.
É mesmo?
Você usa menos, usa melhor, o sabor final é maravilhoso. Faz experiência.
Eu vou fazer.
Nesse tempo, não, por favor.
Pode fazer?
E ó, é para fazer, tá? Ah, eu tenho dó de usar Pio, para! Cozinha boa é com ingrediente bom. Caipirinha boa é com cachaça boa. É assim, gente, tem que ser. Flambar carne, troca o conhaque pela cachaça. Então assim, ó, especialidade na cozinha é usar cachaça.
Gostei, gostei. E tem algum livro que de alguma maneira impactou sua vida que você pode compartilhar com a gente?
Olha, eu até tô uma vergonha, faz tempo que eu não consigo começar e terminar um livro assim, sabe? Tipo, agora com dois filhos, mano, tá muito complicado. Eu tenho dormido sempre antes de acabar, depois eu começo outro. Mas assim, um que me marcou muito, e eu tenho certeza que muita gente fala dele, mas eu já li ele há algumas décadas, eu não tinha nem relacionamento com o Rodrigo, você tem uma ideia. Eu vou voltar a ler logo agora porque eu acho que cada vez que a gente lê, a gente tá num momento diferente.
É Pai Rico Pai Pobre, você acredita? Eu acho que a gente vive ciclos de dependência e volta em algum momento a praticar coisas que fala, pô, não ia mais fazer isso, quero fazer diferente. Então para de fazer a mesma uma coisa. Eu acho que tá na hora de eu voltar a lê-lo, porque ele foi marcante em muitos momentos, quando li em fases diferentes.
É, o livro tem muito a ver sobre quem tá lendo, e a gente não é a mesma pessoa.
É fato. Então acho que é isso, seria um momento agora de relê-lo.
Legal. E para a gente finalizar agora de verdade, se você se encontrasse com o seu eu de 17 anos hoje, qual seria o melhor conselho que você se daria? É a mais difícil de todas.
Olha, imagina, eu não teria contado nada dessa questão de futuro assim, das oportunidades. Porque pensa comigo, se eu tivesse contado para Laura de 17 anos que cana ia ser o futuro dela assim, de vida, de trabalho, eu teria perdido a oportunidade de aos 17, aos 18, aos 19, lá dentro da faculdade, passar por outras áreas que Passei inclusive mirando café e foi o café na entomologia, né, chega, até chega no meu orientador que me trouxe até a Cana.
Então talvez eu não teria contado nada que mudasse esse caminho, mas eu diria para ela relaxar um pouquinho mais, se curtir assim, se comemorar também, talvez em alguns momentos, e Eu teria falado para estar com o Rodrigo mais tempo. A gente esperou chegar no finalzinho da faculdade, talvez a gente tivesse vivido ainda mais coisas que já são maravilhosas hoje, mas acho que é isso. Acho que eu entrei na faculdade com 17 anos, né, então a gente tá muito meninona lá.
Mas é isso, acho que graças a Deus teria feito nada diferente, só teria dado esse tipzinho assim, ó, vai lá, olha que moço bacana. A gente foi amigo por muito tempo, né, a faculdade toda, até finalmente começar a namorar. Então eu teria tido, me dado a oportunidade de estar com ele mais tempo.
Bom demais, muito bom, viu? Muito obrigado mais uma vez. E é o seguinte, a gente sempre finaliza os nossos episódios aqui com uma frase de muita sabedoria, viu? Que é o seguinte: se chover, não precisa molhar a horta, não.
Muito obrigado, querida. Muito obrigada, obrigada pela oportunidade aí. Um abraço para todos, obrigado para a Tassi. Um beijo para a Amanda.
Tamo junto. Obrigada.
E esse foi o episódio dessa semana, cara. Então se você curtiu de verdade esse episódio, considere compartilhar com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo. O Agro Rezinha cresce quando você participa com a gente desse processo. Então siga o Agro Rezinha em todos os agregadores de podcast: Spotify, Apple Podcasts, Deezer. E também acompanha os episódios em vídeo no nosso canal do YouTube. Beleza? Siga também as nossas redes sociais, só buscar por @agrorezinha Resenha, em todas elas: Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube.
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Então fico por aqui. Até a próxima semana!
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