Raízes do agro #38 - Entre o preço do boi e a verdade do campo
Neste episódio do Raízes do Agro, Paulo Ozaki conversa com Lygia Pimentel sobre ciclo pecuário, sucessão familiar, gestão de risco, comercialização de gado e o desafio de comunicar o agro para além da porteira. A conversa conecta análise de mercado, decisões estratégicas na pecuária e uma reflexão importante sobre como o setor forma percepção nas novas gerações. Um episódio para quem atua no agronegócio e quer pensar melhor sobre preço do boi, planejamento, educação, narrativa e o futuro da imagem do agro no Brasil.
Este episódio foi gravado na Agrishow, a maior feira do agronegócio da América Latina, diretamente do estande do Grupo Piccin.
PARCEIRO DESTE EPISÓDIO
Este episódio foi trazido até você pelo Grupo Piccin! O Grupo Piccin, que hoje contempla o foco de trabalho em equipamentos, componentes e inovação, começou com o trabalho de um homem, Santo Piccin. Com a evolução da agricultura, os desafios se tornaram mais complexos, exigindo a utilização de implementos agrícolas mais eficientes.
Grupo Piccin: excelente em produzir o melhor para o campo.
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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidada: Lygia Pimentel
Edição: Will de Oliveira
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- Inovação na AgriculturaMaterial didático infantil · Narrativa sobre o agro · Livro infantil "A Fazenda dos Bizerros" · Lei Rouanet · Representatividade infantil
- Produção e MercadoPreço do boi · Comercialização estratégica · Análise de ciclo pecuário · Oferta e demanda · Ciclo pecuário
- Transformação do AgroGestão familiar · Conflitos de gestão · Inventário · Sucessão
- Setor AgropecuárioConexão com a natureza · Trabalho físico · Produção de alimentos · História do Brasil
- Mentalidade EmpreendedoraAnálise de mercado · XP Investimentos · Agrifac · Empreendedorismo
- Situações de Risco e Tomada de DecisãoPensamento crítico · Coragem de ir contra a massa · Confiança
O ser humano é gregário, né? Então você precisa, antes de fazer alguma coisa, você olha se o vizinho está fazendo também, né? Para você sentir aquela segurança de que você está no caminho certo. Então precisa trabalhar um pouco a confiança nossa e tentar enxergar mais o nosso caso e o que serve para o nosso case, né?
A gente sempre tem um plano, né? Até tomar o primeiro soco na cara.
Pois é.
O Mike Tyson fala isso.
Pois é. Tudo que você for fazer nessa vida, alguma hora vai ficar chato mesmo, vai cansar. E é nessa hora que a gente tem que insistir. Então cuidado, porque a gente não vai ser mega feliz todos os dias. Então meu marido, por exemplo, vem da aviação, pra mim é tipo um café com leite assim. Brincadeira, amor.
E aí, pessoas, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao podcast Raízes do Agro, uma parceria entre o Agro Resenha e o Grupo Piscim, que tem como principal objetivo perpetuar os valores das famílias no campo e o respeito pela terra. E aqui em 2026 estamos de novo pelo 4º ano consecutivo aqui na AgriShow, no stand aqui da Piscin, que gentilmente cedeu esse espaço aqui pra gente trabalhar e fazer, gerar um monte de conteúdo. Então muito obrigado aí a Piscin pelo espaço.
E nesse episódio vou conversar com a minha amiga Lígia Pimentel, que ela consegue ser mais do que eu em quantidade de filhos.
Não é uma competição.
Não é uma competição, é coisa boa demais. Muito obrigado por você estar aqui junto com a gente, você é super bem-vinda ao Agro Show.
Mais uma vez, né? Que bom, que bom, alegria estar aqui, Paulo.
Muito legal. E temos novidades esse ano muito legal, cara, e nós vamos falar muito sobre isso aí, né?
Temos sim, temos novidade boa.
Isso aí, muito bom. E Elígia, para quem ainda não te conhece, eu acho difícil, né? Mas conta um pouquinho da sua história aí para a gente, das suas raízes no agro.
Pois é, eu venho de família de produtores rurais, tanto de um lado quanto do outro. Então eu brinco assim que é muito difícil para mim entender como que é ganhar dinheiro fora do agro assim, né? Da produção. Então, meu marido, por exemplo, vem da aviação. Para mim é tipo um café com leite, assim. Brincadeira, amor. Mas é muito natural, né? Então, nasci na fazenda, vivi na fazenda, minha adolescência foi toda trabalhando na fazenda, a gente não tinha férias de viajar, as férias eram trabalhar na fazenda, rodar pasto com os peões.
E foi um período assim mágico, né? Me fez, me formou, me forjou. Depois eu fui para faculdade por influência da minha mãe. Minha mãe era veterinária, meu pai era agrônomo. Minha mãe é veterinária e eu fui fazer veterinária também, mas eu não me encaminhei para sucessão. Não foi uma coisa que rolou ali de forma natural para mim, tava mais claro ali para o meu irmão. E eu recebi uma proposta de trabalho assim que eu me formei, eu achei aquilo maravilhoso.
Tava comentando com a minha mãe ontem como eu sou grata ao Scott, porque ele me deu meu primeiro emprego, né? Eu estava naquele limbo entre se formar e encontrar algo, o que fazer, por mais que a gente saiba o que a gente quer. E eu tenho a impressão que hoje o pessoal escolhe tanto, e eu só queria alguma coisa. Eu queria só fazer algo, sou muito ativa, sou muito acelerada. E aí me surgiu essa oportunidade, e quando caiu aquele dinheiro, era um salário mínimo na época, quando caiu na minha mão, eu falei: "Cara, que delícia!" Então foi uma libertação aquilo para mim.
Então fui trabalhar na Scott por uma coincidência do destino. O Scott é pai de um grande amigo meu, nós estudamos juntos toda adolescência, passamos juntos, né, que é o Carneiro, que hoje tá na Scott também. E aquilo transformou a pecuária para mim, porque eu achava que pecuária era só cuidar de bicho. Eu gostava muito da parte reprodutiva, mas eu acabei caindo na parte de inteligência e foi fantástico. Eu gostei de estar no escritório, é legal, né?
Cara, é fantástico, né? Eu, enfim, eu sou mentalmente muito acelerada, muito ativa, então tava ali, aquilo casou com a— porque no campo as coisas são um pouco mais lentas, né? Vamos falar assim, são muito trabalhosas, muito intensas, mas um pouco mais lentas. E aquilo se encaixou muito bem. E ali eu descobri essa parte da inteligência, né, da área de análise de mercado. No meio do caminho eu recebi um convite para ir gerenciar toda a parte operacional de análise de commodities da XP Investimentos.
Foi para mim, na época, uma baita de uma oportunidade. Fui para lá. No meio do caminho eu falei: agora eu preciso estudar economia, porque eu tô de veterinária aqui, né, trabalhando com números, com projeções, com análises econométricas. E aí eu fui fazer economia, deu certo, gostei também. E no meio do caminho fui me especializando, até que chegou um ponto em que eu falei: eu preciso voltar para casa. Eu precisava muito voltar para casa, meu pai tava doente.
E aí, voltando para casa, falei: vou abrir minha empresa. E aí abri, escolhi um nome que não era o meu nome. Falei: isso aqui, né, tem que ser uma coisa independente. E esse ano nós faremos 15 anos de Agrifac. 15 anos, passou voando. A empresa começou comigo, era eu que fazia tudo. Talonava a nota na época, era no munheca, né? Eu já posso dizer que eu sou de outra geração. 6 filhos, né? Já deu tempo. Eu tô talonava nota, mandava pelo correio para o cliente, formava o produto, ia atender o cliente, ia dar palestra.
Então, assim, eu fazia tudo de uma empresa, de uma pessoa só. Hoje nós somos uma empresa de aproximadamente 20 pessoas, com departamento de marketing independente. Então tem coisas, o departamento de inteligência independente do departamento de consultoria, que é independente do departamento de RH. Então assim, hoje a gente tem uma estrutura e eu falo, puxa, que legal, né? E essa é minha história assim que eu vim parar aqui, né?
O negócio assim é muito interessante porque No fim, no fim, a hora que você começa a olhar o resumo da história ali, né, você pega lá desde o final até onde você tá hoje, a Grifato nada mais é do que todas as suas experiências anteriores, né, cara. Exato. E a gente fala toda vez que a gente fala sobre alguém para falar de mercado, seu nome sempre aparece, né. E você acabou se tornando uma baita referência nesse mercado, né, de análise de mercado e tudo mais. Então, poxa, é um É uma baita de uma trajetória assim, né?
É o que eu falo, principalmente para os mais jovens, são muito ansiosos, né? Hoje as coisas têm que acontecer muito rápido. A gente tá, por exemplo, quando a gente seleciona currículo hoje em dia, fica muito interessante observar que, bom, a gente tava selecionando currículo no ano passado, aí um pessoal da minha equipe, uma pessoa da minha equipe falou assim: "Nossa, pergunta por que que ele mudou tanto de emprego, né? Por que que ele tão jovem já tem tantas experiências?" Eu falei: "Não, você não tá entendendo, tá todo mundo assim." Então eles são muito ansiosos, né, por melhorias, por serem ser felizes.
E eu falei isso recentemente para uma pessoa muito querida que passou pela empresa e saiu, falou: acho que eu já aprendi tudo nesse nosso ramo, não na Grifato, nesse nosso ramo, e eu preciso fazer outra coisa. Eu falei: olha, não tô satisfeita. Eu falei: seja o que for, seu casamento, sua profissão, tudo que você for fazer nessa vida, alguma hora vai ficar chato mesmo, vai cansar. E é nessa hora que a gente tem que insistir. Então cuidado, que a gente não vai ser mega feliz todos os dias.
É mais lá na frente que aí nós vamos entender, aí que o nosso coração aqui é, tá calma. Eu acho que eu já tive um pouco dessa ânsia, mas hoje, como mercado de trabalho tá muito insaturado, ele tá muito deficiente, tem muitas oportunidades para esses jovens e eles não se constroem ali persistindo em alguns desafios que muitas vezes têm traves que você precisa transpor. Eles ficam infelizes muito rápido, querem mudar muito rápido.
E isso eu acho que impede que eles tenham estabilidade para amadurecer. E isso foi uma coisa que a minha geração permitiu, que a gente tivesse um pouco mais de estabilidade. Então eu tive duas grandes experiências, persisti nessas experiências, aprendi muito dessas experiências. Depois fui para a Grifato já com o nome feito e ali comecei a entender como que era montar a empresa, que era um outro desafio. Mas essa trajetória, eu sou muito grata a Deus.
Ele foi encaminhando as coisas sem eu saber. Jamais imaginei que eu ia fazer isso. Eu achei que eu ia de fato ficar palpando vaca no curral, né?
A gente sempre tem um plano, né? A gente até tomar o primeiro soco na cara. Pois é, Mike Tyson fala isso.
Porém, que seria uma coisa agradável também, né? Eu falo, minha mãe que brinca, minha mãe brinca assim: você podia fazer qualquer coisa que você quisesse, porque eu pego a coisa para resolver. Minha cabeça é muito complexa assim. Então vou fazer isso, isso é de processos, né? "Então, o que eu pegar para fazer vai dar certo, eu vou gostar, vou amar aquilo." E meu sogro fala uma outra coisa em paralelo, que eu adoro. Eu vejo tanto sentido nisso.
Ele fala: "Faça o que você fizer." Fala para os netos dele, na verdade. Ele fala: "Faça o que você fizer. Você tem duas opções: mal feito ou bem feito. Você vai ter que fazer de toda forma. Faça bem feito." E aí você vai aprendendo, você vai melhorando, e as coisas, as pessoas vão apostando em você e te dando maiores responsabilidades. Se você gostar, você vai ficar e aumentar e crescer. Se você não gostar, daqui a pouco você está fazendo outra coisa. Então é juntar tudo isso e fazer acontecer.
E, Olígia, uma coisa que você falou ali atrás, que eu acho que é um gancho bacana, que você falou assim: "Ah, eu não fui me preparando para a sucessão." E ficou muito ali mais para o lado do meu irmão. Acho que isso é muito comum em muitas famílias. E a gente está falando aqui de Raízes no Agro, nós estamos falando de perpetuação de famílias na terra. Óbvio que você tinha o seu irmão, né? Mas podia não ter também, né?
Podia não ter. Aí eu ia ter que agarrar.
Ia ter que agarrar. E aí parece que às vezes acontece por falta de opção e não por querer, né? Isso é uma coisa que acredito que tá mudando bastante, mas ainda é um desafio, né?
É, no nosso caso especificamente foi porque a gente tinha muito conflito com a gestão do meu pai ali, já desde cedo, né? Meu pai gostava de fazer as coisas muito do jeito dele, sozinho, calado, na dele. E o meu irmão enxergou que ele tinha que brigar por aquilo. Eu já não. Eu não tinha esse vislumbre de que meu pai daqui a pouco não ia estar ali. Eu não enxerguei a coisa com essa clareza. Acho que o inconsciente não estava me apontando isso.
E o meu irmão estava mais de olho ali. Então eu fui, eu queria arrumar meu caminho, me resolver. E ele falou: "Não, eu vou precisar voltar." Só que o meu irmão mais novo. Então, quando eu saí, ainda não tinha essa urgência de voltar.
Entendi.
E quando ele se formou, já existia essa urgência. Então, ele ficou. E foi muito bom porque, ao mesmo tempo, olha só, é por isso que eu falo, sempre bota Deus na frente, porque a gente, ele vai trilhando e a gente não sabe. Quando meu irmão foi, a fazenda estava degradada e endividada. A fazenda estava quebrada. Acho que mais uns 2 anos, a gente talvez tivesse perdido tudo. Então, quando eu saí, ele ficou para trabalhar, né, para cuidar, levantar.
Se eu tivesse ficado ali, seriam duas pessoas para Fazenda ter que acomodar. Então eu estava independente. E quando a gente teve que fazer o inventário, eu tinha uma grana acumulada que eu consegui complementar o inventário. Então você vê, eu por fora eu consegui ajudar, porque apesar de eu não ter ficado, apesar de ele gerenciar e eu ser sócia hoje, Eu amo meu irmão do fundo do meu coração, eu tenho uma plena confiança nele, assim, absoluta.
A gente não tem esse problema entre os irmãos, né? É tudo muito coeso assim. Claro, temos nossas coisas lá, mas é tudo altamente solúvel, assim, altamente resolvível. Então ele ficou e ele levantou o capital, ele trabalhou ali para levantar o capital, e eu por fora consegui dar um alívio para estrutura, né, para operação. E quando foi necessário, eu aportei. Entendeu? Então isso foi muito bom, isso salvou a gente, senão a gente teria perdido.
Então você vê, tudo vai se ajeitando, né? Tudo foi se acertando, mas a gente teria perdido patrimônio. Gestão do meu pai não foi legal. Na verdade, eu sou muito grata ao meu pai. Meu pai era um exemplo de retidão, de honestidade. O nome dele sempre foi limpo, era no fio do bigode. Ele tinha grandes Como é que fala? Valores ali, grandes qualidades. Mas ele ficou muito doente, meu pai ficou muito doente, ele não conseguia mais tocar a fazenda como a fazenda precisava.
Então assim, ao mesmo tempo, foi o que a gente precisava fazer, né? E a gente foi forjado ali na necessidade. Então a gente é muito sóbrio, né? Sabe, a gente leva as coisas muito de uma forma muito sóbria. Isso eu também, também agradeço por isso, que é muito bom a gente não ter essas Não se perder nas coisas, não se perder no capital, nas coisas mesmo, materiais. Então isso é muito positivo. A gente, eu só posso agradecer.
Legal, bacana. E Olígia, você tocou no assunto nevrálgico aqui, que eu acho que um pouco do seu trabalho, que é às vezes a gente acompanha o mercado e tal, muitos produtores gostam de olhar o mercado e aquela pergunta assim: "Para onde que vai o preço do boi?" É isso. Você quase nunca escutou essa pergunta, eu acho.
Vendo ou não vendo.
Tá na hora de vender?
Todo dia.
E cara, qual que é a diferença do produtor que ao invés de só acompanhar o mercado, ele entende? Porque eu entendo também que além de toda a informação que vocês trazem e tal, tem um cunho educacional fortíssimo, que é o que boa parte dos pecuaristas precisam hoje entender com mais profundidade para tomar boas decisões, né? Qual que é a diferença entre entre um e outro perfil assim que você enxerga?
É a diferença entre você esperar um milagre e você operar o milagre, tá? Porque quando você tá preocupado com o preço do boi, se ele vai subir ou se ele vai cair, você tá esperando que o seu estoque, que já está montado e custeado, se valorize, entendeu? Então você depende que o preço do boi suba para que você ganhe dinheiro. E assim, a verdade é que isso não é uma crítica, porque é muito natural que isso aconteça. Nós vendemos commodity O preço da commodity é volátil e a margem dela é muito curta.
Então é claro que se o preço do boi começar a subir, vai ser maravilhoso para o meu caixa. Eu vejo aquele dinheiro pingar e aquilo me dá um alívio. Mas a gente não pode mais, no nível que a gente tem hoje de custos e de risco para a pecuária, trabalhar só assim, né? Por exemplo, tem uma coisa que acontece muito. Eu tenho zero notas fiscais de frigorífico na minha empresa. A gente trabalha muito focada no pecuarista e um pouco na indústria de insumos, mas a gente tem um foco muito forte no pecuarista.
E quando eu vou para a, quando eu vou para mídia falar sobre preço, e hoje a gente tem esse feedback automático, né, nas redes sociais, é rápido, e eu falo que o preço pode cair, a revolta que isso gera é enorme. Então veja, eu não sou uma pessoa que tem conflito de interesses, eu mesma sou pecuarista. Né, na pessoa física. Então eu não tenho esse conflito de interesses de a indústria me pagar para falar tal coisa, né, isso não existe.
Eu vejo, quando eu falo que vai cair, o pessoal fica muito bravo e começa a fazer essa acusação. Então eu falo assim, gente, você vê, o cara tá emocionalmente muito apegado àquela necessidade que o boi suba. Então vamos rever essa condição, porque assim, se eu falar, não é porque eu falei que vai cair, ele vai cair se tiver muita oferta ou menos demanda, ou os dois juntos, né? É um equilíbrio. Eu concordo que nós temos hoje poucas indústrias frigoríficas, eu concordo que em determinados momentos eles apertam a gente, colocam a gente num corner assim, mas eu ainda acho que o mercado no Brasil é um— eu acho que ainda o boi, ele trabalha numa economia de mercado.
Por exemplo, nos Estados Unidos ele tem uma concentração muito maior do que aqui. Tá, é 80% da indústria na mão de 3. Aqui é um pouco menos concentrado, né? E eu não tô defendendo nenhum lado nem outro, estou dizendo como as coisas são. Então essa, essa braveza, né, essa reatividade do pecuarista, ela vem quando ele depende muito, ele tá muito ligado emocionalmente àquele preço. Portanto, ele não deveria estar tão ligado emocionalmente, ele deveria ter feito alguma outra lição de casa, alguma outra comercialização mais estratégica antes.
E essa comercialização estratégica nem tá tão necessariamente na bolsa, na minha visão. A bolsa é uma ferramenta. Para mim, ela é cerejinha que você põe em cima do bolo. Você tem que ter feito todo o resto antes. O que eu acho que dá para melhorar na comercialização é análise de ciclo pecuário. Isso para mim, assim, que vai levar a gente a preços médios melhores, né? E não tanto assim comprar na mínima e vender na máxima, porque também não dá para você fazer isso, sabe?
Você não é catireiro. Você não tá fazendo a vazia pra lotar ou esvaziar, você sabe, não é assim que funciona. Então assim, eu preciso intensificar as minhas compras em momentos oportunos. Para isso eu preciso já ter feito caixa, ou seja, eu preciso ter caixa no momento em que o preço do boi tá caindo. Esse é o grande desafio. E eu só consigo fazer isso se ao longo dos ciclos eu ir melhorando um pouquinho minha comercialização e eu tiver o caixa um pouco mais flexível.
Porque se você pegar a última fase de baixa agora, nós trabalhamos com juros de 14%. Como que você vai pegar dinheiro assim, se alavancar justo nessa hora? É muito difícil, o custo do capital tá muito alto. Aí você já começa a engasopar o resto da sua operação. Então assim, o pecuarista, ele tem de 6 a 7 ciclos pecuários na vida adulta dele para poder trabalhar. As oportunidades não são muitas, são 6 ou 7 chances que você tem de acertar.
Se você conseguir compreender como ele funciona e estabelecer algumas estratégias de compra, de venda e de alívio da fazenda, lá na sétima você vai estar craque e você já vai encaminhar para a próxima geração, né, para sua sucessão. Esse trabalho de tentar comprar um pouco mais gado na baixa, fazer um estoque maior, ter a fazenda preparada para isso, ter caixa para conseguir operar isso, e na fase de alta aliviar um pouco. Aí você fala assim, ah, mas eu vou deixar fazenda vazia.
Não, porque não dá mais para trabalhar sem tecnologia na fazenda. O que dá para fazer, por exemplo, é trabalhar, por exemplo, com ILP, porque a gente sempre tem pasto para reformar, né? Trabalhar aquele pastejo intensivo, ultra intensivo, em faixas, ele ainda não é uma realidade para todo mundo, ele está acontecendo. E mesmo para implantar aquilo na fazenda, você vai fazendo de pouquinho. Então assim, vamos entrando para realidade, a gente tem muito espaço ainda para reformar pastagem no Brasil com ILP.
E aí você pode aliviar um pouco, porque o primeiro passo de LP você perde, né? Você não ganha. Então o primeiro passo, ele é um passo a menos na fazenda. Então você pode aliviar aquele passo na fase de alta, quando o gado já tá começando a mostrar que ele já não tem mais tanta força para subir. Ele já subiu durante 1, 2 anos, no terceiro ano já é bem arriscado. Então a gente pode aliviar, fazer uma pressão de seleção nas fêmeas maior, né, por exemplo.
Bota um ILP no lugar, dilui aquele ILP ali durante 3, 5 anos, que é a fase de baixa. Hora que virou, você lota. E aí a tua densidade de gado naquela área reformada é maior do que era antes.
É, porque você recuperou ela toda em 5 anos.
Pronto, pronto, entendeu? Então tem mecanismos, estratégias que são— elas precisam ser individualizadas, elas precisam ser tratadas caso a caso, porque não é todo mundo igual. Então eu dei o exemplo aqui de uma fazenda de cria. Pode ser que você não tenha cria, a estratégia vai ter que ser outra. Pode ser que sua fazenda já esteja toda reformada, não caiba o MLP, a gente precisa pensar em outra coisa. Mas é importante entender o ciclo.
E eu escuto muito ainda muitas pessoas falando: "Ciclo é uma invenção do frigorífico." Eu falo: "Gente, não é." Tem estudos científicos publicados, não só no Brasil, no Brasil, no Paraguai, no Uruguai, na Argentina, nos Estados Unidos. Tem ciclo pecuário para rebanho bubalino na Índia, na Austrália. Então assim, tem estudos que combinam todos esses países. E chegam a uma conclusão: não existe o ciclo pecuário. Nós temos fases de maior investimento na pecuária que leva ao aumento produtivo, que leva a uma desvalorização, que aumenta a oferta.
A desvalorização leva a um desinvestimento que faz a gente liquidar as fêmeas, que reduz a produção, que faz o preço subir de novo. É isso, né? E nós estamos vendo agora a coisa começar a querer virar, acontecer de novo, dentro de um cenário muito favorável, que é um cenário em que o Brasil tá altamente exportador. Então a gente tá pegando esse excedente, entre aspas, excedente produtivo. Nós batemos recorde de produção no passado, somos pela primeira vez na história o maior produtor global de carne.
E olha que bom, isso veio no momento em que a gente está exportando muito, né? Só que a exportação vem com outras contrapartidas. É um mercado mais volátil. Se a gente precisar fechar esse determinado mercado por qualquer coisa que seja, a rouba sente na hora. Pode ser justamente o momento que você precisa comercializar. Aí eu preciso de bolsa. Para não ficar muito exposta no curtíssimo prazo e por aí vai.
Legal, é porque assim, esse pensamento é muito contra-intuitivo, né? A que que você atribui essa contra-intuitividade desse?
Porque é o seguinte, do pensamento, é do pensamento, porque o cara do contra, cara.
Então por isso que eu tô te falando, sabe?
Porque assim, ó, meu pai me ensinou a pensar contra. Que que ninguém tá pensando aqui? Ele era muito assim, né? Eu lembro que tava todo mundo votando num político, ele falava, ó, isso aí não tá, sempre cara desconfiado. E eu, às vezes, eu, olha só, uma coisa que eu acho que eu nunca contei. Na adolescência, eu tinha um pouco de vergonha, falava: "Nossa, por que todo mundo assiste a Globo e meu pai odeia assistir a Globo?" Desculpa, corta Globo aí, fala o canal de televisão.
Canal de televisão mais assistido no Brasil. "Por que todo mundo assiste o Faustão? Ele odeia assistir o Faustão." Ele era do contra, assim, ele gostava de pensar marginalmente, ele lia muito. Ele me ensinou a ter esse pensamento crítico, né? Falar: "Olha, deixa eu ver." E outra, você precisa ter coragem pra ir contra a massa hoje em dia. Hoje em dia não, desculpa, acho que sempre foi assim. Ser humano é gregário, né? Então você precisa, antes de fazer alguma coisa, você olha o seu vizinho tá fazendo também, né?
Para você sentir aquela segurança de que você tá no caminho certo. Então precisa trabalhar um pouco a confiança nossa e tentar enxergar mais o nosso caso e o que serve para o nosso case, né? Acho que isso que me fez enxergar dessa forma. Mas ciclo pecuário, assim, precisa ter coragem de admitir que você tá enxergando uma coisa que a maioria não está enxergando, para você mesmo. É uma briga com você, né?
Sim, sim. É porque eu tenho um amigo, né, produtor, que ele fez exatamente isso. E aí o bafafá dos vizinhos é muito interessante. Ih, fulano quebrou, vendeu todos os animais. Mas não, cara, ele simplesmente fez o que fez, a sua cartilha, o que você descreveu, foi exatamente O que ele fez? Liquidou o rebanho na alta, ó, aqui debaixo do braço. A hora que o preço caiu, encheu a fazenda muito mais. Só que já vem com uma cabeça de agricultura, então já tem os elementos, não é um cara fechadinho ali, sabe? É um cara que tinha outras experiências também.
Nós pegamos um vizinho, desculpa, senhor.
Não, pode falar, mas é isso aí mesmo.
Nós pegamos um vizinho que tava liquidando o plantel dele ali e eram animais muito bons, né? Meu irmão comprava e falava: "Cara, tô com dó do meu amigo, cara, vou comprar o gado dele, mas ele vai liquidar, ele vai sair da pecuária esse ano." E tinha um gado muito bom. E ele com dó assim, ele comprou o gado do amigo, um gado excelente, justamente na fase da baixa ali, na hora da baixa, que foi 2024. É isso, você tem que ter essa coragem de falar: "Não, isso aqui vai voltar a se valorizar." E eu acho que assim, o motivo maior, e as pessoas não enxergam muito isso, É que ao mesmo tempo que vender commodity é muita volatilidade, baixo preço agregado, é uma luta, né, cara?
É uma luta vender commodity. Mas a gente tem uma grande bênção, assim eu falo, que é: são produtos absolutamente necessários para que as pessoas possam existir nesse planeta. Então não existe nenhuma civilização na história da humanidade que tenha vivido sem carne bovina. Então assim, é muito ancestral comer carne, comer carne de ruminantes em específico, especificamente falando. Então ninguém nunca viveu sem carne, todas as carnes na verdade.
Ninguém nunca viveu sem carne, nunca viveu sem milho, ninguém vive hoje em dia sem café, sem etanol, sem petróleo. Então são produtos que quando a gente produzir muito e o preço cair e quebrar as pessoas que não têm uma gestão tão boa para suportar aquilo, logo fica na nossa mão para viver o bom momento. Por quê? Porque a demanda continua. A demanda ela é flexível também. Mas ela é muito menos flexível, entendeu? A oferta é muito mais flexível do que a demanda.
A gente tem um problema de curva de oferta e demanda, né, na commodity, que é essa. A demanda basal, ela sempre existe porque ela é necessária para que a gente continue funcionando. É claro, quanto mais dinheiro tiver na economia brasileira, mais consumo de churrasco terá, positivo, né, porque a gente depende da renda. Mas vai acabar o consumo de carne bovina? Jamais, jamais.
Ainda mais culturalmente falando, né, igual você comentou, é ancestral, né?
É ancestral. Aliás, Mas tem uma coisa, eu sempre falo isso, né? Com o tempo eu fui amadurecendo a minha forma de ver a pecuária, porque eu nasci nela, então para mim já era normal. Quando eu fui para faculdade, aí eu falava: "Não, agora quero cuidar de bicho." "Ah, legal." Quando eu me formei: "Ah, agora eu preciso entender do mercado." "Legal." Mas quando eu me casei e na sequência eu me tornei mãe, aí me bateu. Falei: "Tá, veio a fase adulta agora de verdade." A pecuária, Paulo, ela é o melhor ambiente, não só a pecuária, mas o agro, né?
A produção agropecuária, produção de comida, é o lugar mais natural do ser humano para trabalhar, porque depende de esforço físico. Por mais que a gente tenha hoje aqui tratores, cabinados com ar-condicionado, com GPS, cara, a gente tava andando lá fora no calor, no sol rachando. Não é natural você tá atrás de uma mesa digitando computador o dia inteiro, né? Com a luz artificial. Então o nosso trabalho é ancestral porque ele é físico.
A comida que a gente gera é a mais nutritiva de todas. O único alimento com o qual você consegue sobreviver exclusivamente é a carne bovina. Você tem uma conexão com Deus assim que você não consegue negar a realidade das coisas, porque macho é macho, fêmea é fêmea. Choveu, tem que produzir. Não choveu, não tem. Então assim, a gente vive na realidade ainda das coisas. Então eu acho que o nosso meio é um grande privilégio, tá? E produzir no nosso meio.
Então eu agradeço todos os dias por viver na realidade, na verdade, na verdade de Deus, né? Assim, olha, eu estou diante da realidade das coisas como elas são. Assim que funciona, assim que funciona. Não é natural eu estar numa mesa e eu ter que viajar uma hora e meia de ônibus lotado todos os dias para poder trabalhar no centro de São Paulo, aquilo é ultra artificial, aquilo não é natural. Então eu acho que a gente está numa profissão assim, num lugar muito abençoado e a gente tem que ter essa consciência. Não é fácil, não é fácil, mas não é natural também que seja fácil.
Se fosse fácil, não era desse jeito, né? É isso aí. Mas, cara, e poxa, você tocou no assunto agora também que não podemos deixar de falar, porque quando a gente fala de filho e de coisa e tal, né? O que você trouxe pra gente aqui são aspectos técnicos relacionados a como a gente gerencia melhor a venda, enfim, toda a produção pecuária, né? E tem um aspecto que cada vez está mais importante, que é como a gente comunica isso, tá certo?
Assim, eu e você aqui, "Beleza, faço, tô de boa, tô tranquilo, porque pô, eu sei que você curte comer carne, eu como carne, sei que a produção pecuária não é a vilã do negócio todo, que inclusive se não tivesse seria muito pior, mas aí é eu e você aqui, né?" Existe um caminho gigantesco para ser andado ainda, que é como a gente passa essa imagem, né, que de fato você acabou de descrever, né? Essa proximidade que a gente tem com Deus ali e toda a naturalidade que é trabalhar no campo, né?
E você tem uma iniciativa fenomenal agora nisso também, né? Conta um pouquinho a sua visão e o que te motivou também a seguir esse caminho novo aí de escritora, talvez.
É uma dor que nasceu também junto com os meus filhos, né? Eu comecei, bom, a gente já vê esses ataques, mas a gente leva eles quase como piada. E eu observei, né, as iniciativas que a gente tem para tentar comunicar melhor. Mas como mãe, como eu tô ali nesse ambiente, eu vejo que essa mensagem não está chegando em quem precisa. Se você pegar um adulto ideologizado, ele tá muito enraizado naquilo, ele abandonar aquela crença é quase ele abandonar a religião dele.
Então comecei a perceber que a gente precisava de um efeito mais primitivo, mais embrionário. E eu, na verdade, foi uma dor. Eu via que a leitura, as leituras, bom, o material, eu ia pesquisar escolas para os meus filhos e eu falava, eles são pequenininhos na educação infantil, mas me traz as apostilas aqui do colegial, eu quero história, geografia e português, traz aqui. Na hora que eu abria, a primeira página assim já tava lá, 15 mil litros de água para 1 kg de carne bovina.
Falava, nossa, Meu Deus, reforma agrária, né? Falava as terras improdutivas. Falava: gente, onde que tem terra improdutiva no Brasil hoje? Então, coisas ultrapassadas, erradas, né? Inverídicas. E eu notei que o material didático, paradidático, desculpa, aquelas leiturinhas paradidáticas estavam também muito ruins. Ilustrações feias, os bichos parecem uns demônios, assim, horrível. A literatura em si, horrível. Então, uso de gírias para crianças indo para a escola.
Eu falava: "Não, primeiro eles precisam..." Eu não sou da pedagogia, mas para mim é meio óbvio que primeiro eles precisam aprender a ler e escrever para depois usar a gíria, num ambiente adequado. Eles vão achar que isso aqui é normal. Histórias vazias, completamente vazias. E já falando também de poluição, de petróleo. Eu falava: "Gente, eles não sabem nem o que é petróleo." Ou seja, eu estou ensinando um pensamento crítico antes de alfabetizar.
Então vários problemas ali que eu falo: nossa, gente, eu acho isso um absurdo. E eu percebi que da nossa parte também, quando a gente vai se comunicar, a gente cria muitas cartilhas. Paulo, cartilha. Aí vamos falar como a carne é boa, legal, mas a criança não é conquistada por isso. Aí vamos falar como a gente faz sequestro de carbono, meu. "Desculpa, isso é chato." Entendeu? E eu leio muito para os meus filhos, muito. Todos os dias a gente tem...
Elas acho que já leram mais livro que eu. Claro que o delas é pequenininho. Mas elas leem muito, eu leio muito com elas e elas gostam disso. Então eu falei: "Eu vou escrever uma história para crianças." Um dia meu marido viajou, eu sentei na cama, escrevi no WhatsApp e mandei para mim mesma. Escrevi uma história e falei: "Cara, eu vou escrever uma história legal, uma história bonita, uma história emocionante." que não seja uma cartilha, mas uma história que a pessoa se emocione com aquilo e marque a infância dela.
Porque me marcou, a minha infância foi marcada por boa literatura, e nós não temos mais. E nós não temos literatura que conte o agro, então é muito pouca. Então eu vou fazer isso. E aí eu escrevi a história, testei com os meus filhos. Meu bem, falou: mãe, eu não quero te chatear, mas tá meio chato. Falei: então nós vamos melhorar. Ai, mas eu 'Eu queria te falar.' Falei: 'Você precisa me falar.' E aí nós transformamos em verso.
Aí eu mandei para revisão de uma pedagoga. E aí ficou, foi ficando. Eu pedi para uma ilustradora profissional, né? Ela ilustra as histórias das minhas filhas. Eu falei: 'Será que ela topa fazer?' Ela falou assim: 'Me manda o texto, se eu gostar eu vou ilustrar.' Ela: 'Meu, eu adorei.' Aí já tava bom. Nessa etapa a gente já tinha revisado. 'Não, adorei, vamos fazer.' E ela fez. Ela fez as ilustrações para mim. As ilustrações dela são no método tradicional, ela faz na mão, não é mais feito no computador.
Eu falei: eu quero botar uma capa dura, eu quero botar um acabamento impecável, porque eu quero que seja um livro para prateleira, eu não quero que seja uma coisa descartável, né? E eu escrevi e ficou pronto. E quando eu comecei a apresentar essa ideia para as pessoas, eu tive duas grandes pessoas, três na verdade, né, que me compraram essa ideia. Em primeiro lugar, diz que ninguém é profeta na sua própria terra. Mas eu mandei, não tinha ainda o texto terminado, mandei num grupo, veio Roberto Zero do Sindicato Rural de Bebedouro, que é minha cidade natal, e ele falou: não, meu dinheiro é seu, leva, faça, faça, faça.
Ele não sabia nem como ia ser. Então assim, eu sou imensamente grata a ele, e vocês vão entender porque que eu tô falando isso já já, por ele ter apostado. Em segundo lugar, o Walter Patrizzi da DSM da Tortuga, porque, meu, ele deu um jeito de fazer a coisa acontecer lá dentro. A gente queria fazer pela Lei Rouanet, o projeto foi aprovado pela Lei Rouanet, mas ele falou: "Eu não consigo fazer, mas eu vou te aprovar esse negócio aqui dentro." Mas foi assim uma dedicação para fazer o projeto ser aprovado.
E em terceiro lugar, o pessoal ali da Siltomac, que falou: "Lígia, esse projeto é maravilhoso." "Sim, você precisa levar isso para frente. É assim, é do meu coração que você leva isso para frente." Então assim, sem o apoio, né, teria sido muito mais difícil. Então essas pessoas falaram: "A gente precisa plantar essa semente agora para daqui 10 anos essa criança que vai ler isso hoje." Porque infantil é leitura de 2 a 10 anos. Essa criança que vai ler hoje, ela daqui 10 anos ela vai lembrar disso.
Nós estamos plantando a semente para os próximos 10 anos, que é uma coisa que ninguém quer fazer, Paulo. A gente quer ir lá ensinar e chacoalhar e falar aceite a verdade, porque é verdade. Não é assim que nós vamos fazer, a gente vai ter que fazer isso. E aí eu lancei o livro e a tiragem que a gente achou que ia demorar um ano para vender se esgotou em 24 horas. E aí eu criei um problema para minha vida, eu criei um problema para minha vida, é porque a minha casa está toda de pacotes, de sacos de livros para mandar, e eu não tenho a logística do Mercado Livre.
Então assim, O que isso me mostrou no lançamento? Que o nosso setor está carente de representatividade real junto às crianças. Não é a Lígia que fez o projeto maravilhoso, não é isso. Nós estamos precisando de representatividade, nós estamos precisando bater nessa tecla. Você vê, a De Olho no Material Escolar também tem um baita de um apoio, um baita de um efeito. Então nós precisamos voltar lá para as criancinhas e mostrar, não uma cartilha, mostrar a verdade para eles.
Através de histórias que inspirem. Então assim, o que que eu mostrei? É um dia na vida do pecuarista, como é da hora que ele acorda até a hora que ele vai dormir, que é duro, que é difícil, mas ele faz com amor, né? Tem gente que faz coisa errada, tem todas as áreas, em todos os lugares. Tem político ruim, tem professor ruim, tem policial ruim, tem produtor ruim, entendeu? Tem freira ruim, sabe? Tem padre ruim, tem tudo ruim, gente.
Qualquer dos lugares tem ONG ruim. Todo lugar vai ter coisa ruim. Não é daí que a gente tem que partir. Por que é que os professores e os compositores aí que fazem os materiais escolares, eles se deram a liberdade de pautar as coisas pelo lado ruim? Porque não é a maior parte ruim, é o contrário. Olha onde nós estamos, o tamanho da feira, cara, o tamanho do nosso Brasil, o tamanho da produção que a gente exporta, o número de tamanho das pessoas da população que a gente alimenta.
Quem deu a liberdade para eles de falar só das coisas ruins e de forma inadequada, inapropriada, obtusa, não está correto. Então assim, outro ponto dessa mesma história, né, que eu percebi: se nós não fizermos o trabalho de falar e comunicar, ninguém fará. As associações não farão, porque associações têm outros milhões de problemas, tem outros mil problemas para fazer. Então assim, se nós não pegarmos aí e falar: eu vou pegar esse negócio pelo rabo aqui, eu vou fazer, vou resolver.
Tá, não vai ser feito, não será feito da forma como precisa. E outra, a minha iniciativa não vai atingir o Brasil inteiro, então nós precisamos de outras como a minha, né, como a nossa. Então é isso, foi através da dor dos meus filhos que eu enxerguei esse espaço, resolvi fazer uma coisa diferente, bem feita, menos cartilhada e mais história para contar, ocupar o coração deles, o imaginário infantil, para que aquilo seja quebrado ao longo do tempo.
Para que aquela coisa, aquela inverdade seja combatida de uma forma mais fácil, mais embrionária. E, cara, teve uma aceitação bizarra, gigantesca. Eu tô assim me descabelando para conseguir entregar. Tô aqui na AgriShow para fazer um segundo lançamento do livro. Serão 3 grandes lançamentos. E é isso, eu tô enlouquecendo para entregar agora. Pessoal, vai chegar. Por favor, tenham paciência. Comprem mais, entreguem para os filhos de vocês, para as escolas dos filhos, para os amigos dos filhos, para os filhos dos funcionários. É a nossa história.
Aqui tá tendo para vender?
Não tá tendo para vender, tá ali do lado.
Não, por favor, não, sabe por quê? Você falou uma coisa assim que é interessante. Lá em casa a gente tem também muito, muitos livros, né?
Esqueci de trazer aqui um para você.
Eu vou lá buscar.
Não, não, eu podia trazer para mostrar para a pessoa. Esqueci de trazer, tá ali do lado.
Não tem problema. Mas a gente, minha esposa gosta muito de ler também. A gente tem muito livro para criança. E aí eu leio, né? E aí eu viro e mexo e falo assim: Ana Flávia, pode devolver isso aqui, que não vale a pena.
É isso.
Não vale a pena, porque já começa errado.
Já começa errado.
Já falando coisa absurda assim para criança. Eu falo assim: cara, isso aqui não faz sentido, isso aqui não tem como. E eu sempre senti falta assim, tem alguns livros que traz uma história e tal, mas falta, sabe? E eu falei assim: puxa vida, cara, precisava e tal. E eu vivia pensando nisso. E o dia que eu vi o seu lançamento, eu falei: cara! Caralho, velho, que massa! Vamos ter que ir.
E você sabe que eu escrevi a história com base nas minhas memórias, como é assim, na nossa realidade lá na fazenda, né? É uma história de uma família, de uma família que vive ali da atividade pecuária. E a minha ideia agora, Paulo, eu vi que o negócio é grande, a deficiência é grande. A ideia é que vira uma coleção. Nós já demos o nome, é coleção Um Dia na Vida do Fazendeiro. O nome do primeiro livro é A Fazenda dos Bizerros. E cada ano nós vamos fazer um livro.
E nós vamos fazer 10 anos, nós vamos fazer 10 livros, nós vamos atingir uma geração com esses livros, se Deus quiser. O livro, ele tá, ele foi aprovado ali, o projeto foi aprovado no Ministério da Cultura pela Lei Rouanet. Então ele está aberto para receber doações, para a gente poder fazer impressão e a distribuição gratuita nas escolas das redes municipais. Então eu preciso ainda receber recurso. A gente fez um outro lançamento privado paralelo que não é dentro da Lei Rouanet, Mas nós temos o projeto na Lei Rouanet agora, a gente tá quase destravando ele, que para destravar eu preciso receber recurso.
A gente já recebeu alguns, mas eu preciso de mais um pouquinho para a gente poder fazer uma impressão grande para distribuir escolas das redes municipais de ensino. E aí a gente poder atingir as crianças que mais precisam, que nós estamos falando aqui com gente que tá preocupado com isso, mas nós precisamos atingir agora as crianças que mais precisam disso. Então nós vamos atrás, estamos recebendo aí, quem quiser ajudar, ó, tamo dentro.
Está dentro, tão precisando da ajuda de vocês, porque assim, a tiragem por fora da lei já explodiu. Vocês veem aí a necessidade da gente continuar fazendo isso. Mas agora eu preciso destravar por dentro da Lei Ronet pra gente poder distribuir pras crianças de forma gratuita, né, e dentro do projeto. E é isso. Então nós vamos fazer uma coleção, quero fazer isso por 10 anos, esse é meu compromisso agora, e devolver pro nosso país um pouco do que ele é, Né, ele é agro, a essência dele é essa.
O agro ajuda a contar nossa história. Por sinal, vou fazer mais uma observação aqui no meio desse rolo de lançamento de gente falando comigo: Lígia, eu quero 500 livros, eu quero 200 livros, eu quero mil, e eu tô enlouquecida. Agora me chegou uma mensagem no Instagram da Marcela Lemos, desculpa, Marcela Lemos, que ela escreveu um livro sobre o Pantanal. E ela me mandou, eu falei: ah, meu livro tá à venda na Amazon. Então eu falei: ah, legal, tá bom, não, manda aí, você comprou o meu, tô comprando o seu.
Comprei o dela. Quando chegou em casa, Paulo, top, é um tesouro, um tesouro. Ela faz as próprias aquarelas e ela descreve uma comitiva. Como que chama mesmo? Pera aí que eu tô, gente, eu não lembro nem da minha cabeça.
É foda, né, cara, porque assim, a gente não sabe, né, cara, das coisas bacanas que tem.
Ela não tem editora, ela publicou por conta também.
Que legal!
Quer ver? Só um minutinho que eu já vou te falar.
Faz sentido, né? Isso faz sentido.
O nome do livro é "Comitiva Pantaneira". Espera aí. Isso, "Do Rio Negro ao Rio Piquiri". E ela descreve uma comitiva, como ela é do começo até o fim, tudo que precisa ali, como são feitos os jantares. É a história do Tiquinho, que foi convidado para tocar violão, ele sabia tocar violão dentro da comitiva, como era montada a cozinha volante, Como que era contado o gado com a Thalia. Meu, é um tesouro. E ela faz as próprias ilustrações aquareladas.
Meu, que massa, cara!
Olha que eu vi aquilo, eu fiquei arrepiada. Eu fiquei arrepiada na hora que eu vi aquilo. Eu falei: "Não acredito." Que bom, Deus, que eu comprei, que ele me iluminou. É maravilhoso. Então nós temos iniciativas. E você lembra, por exemplo, da novela Pantanal? Esse livro, tudo isso ajuda a contar a nossa história, a nossa origem sertaneja. O Brasil, ele foi explorado, ele foi habitado primeiro pelos animais. Os animais iam, eram o primeiro veículo para a gente conseguir adentrar o país, né?
Toda a nossa colonização e a nossa fundação foi feita pela pecuária. Então assim, isso é muito importante, porque se a gente demonizar a pecuária, a gente deixa de aprender sobre a nossa própria história. Então isso é muito importante assim, resgatar, levar isso de uma forma ou de outra. Então essas iniciativas, elas estão aí para isso. Tá me dando um trabalhão. Vocês sabem que escritor não é rico, milionário, e a nossa iniciativa é toda para ser reinvestida no próximo livro.
Mas é porque eu amo o nosso setor, eu amo agro. Acho que isso aqui é a verdade. Assim, ninguém vive sem comer, sabe? Ninguém vive sem se vestir. Então assim, nós estamos no melhor do mundo, a gente emprega a gente. Sabe quantas pessoas estão lá? Mas lá, quantas pessoas ele emprega? Quantas famílias tem lá? Não é latifundiário nada, cara. Isso não existe mais, isso já passou. Se você hoje não é eficiente, competente, produtivo, você está fora, entendeu?
Então isso é maravilhoso. Eu sou apaixonada pelo nosso setor de coração. E quando me veio essa maturidade que eu falei da maternidade, eu entendi que era tudo muito bom, né? Como diz no Gênesis, era tudo, era muito bom. Eu falei, cara, Isso aqui é maravilhoso, eu tenho muito orgulho do que a gente faz, muito orgulho mesmo.
Legal, muito bom, Lígia. Muito obrigado, viu? Eu sei que baita correria aí, tem lançamento. Eu vou, nós vamos sair aqui, eu vou lá junto com você, já vou pegar o meu livro que eu quero ler para minhas crianças, e depois nós vamos conversar porque eu tenho um livro na cabeça já. Vamos fazer acontecer. Muito obrigado por participar aqui com a gente.
Obrigado pelo convite.
E parabéns pelo seu trabalho.
Obrigadão, obrigado pelo convite, uma alegria estar aqui com você.
E como que a gente faz para conhecer um pouco mais do seu trabalho também e para aquisição do livro também.
É, tem agrifato.com.br, nas redes sociais Agrifato com dois T's, e tem o meu, Lígia Pimentel, @lígiapimentel. Tá o link lá, né, nos dois perfis para comprar o livro. E espero que vocês gostem. Eu gostaria de receber o feedback também. Primeira vez que eu escrevo um livro infantil. Eu tenho um outro livro, mas é técnico, né? Primeira vez que eu escrevo um livro infantil. Então preciso do feedback de vocês para que a gente chegue ao coração, aos corações das as crianças.
Então eu vou fazer o seguinte, eu vou pegar o livro, vou entregar para minha esposa ler isso para as crianças, que eu sei que eu vou gostar, tá ligado? Tem que colocar ela, que ela não é nada. Então vou deixar ela ler e eu vou te falar exatamente o que que ela falou e as crianças falaram.
Fechou, eu espero. Eu agradeço, brigadão.
Muito bom. E para você que tá aí ouvindo, assistindo esse episódio aqui até agora, tem certeza que você viu valor nessa conversa que eu tive com a Lígia aqui? Então considere compartilhar esse episódio com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo. O Raiz do Agro, ele cresce quando você participa com a gente desse processo. Então siga o Raiz do Agro em todos os agregadores de podcast, acompanha também no Agro Resenha. Siga o Grupo Piscim nas redes sociais, só buscar por @grupopiscim em todas elas: Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube.
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Obrigadão, valeu.
E se chover, desamoi a horta, tá bom? Tá tudo organizado. Valeu.
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