Episódios de Agro Resenha Podcast

ARP#450 - O que acontece quando preparo encontra coragem

26 de julho de 20261h13min
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Neste episódio do Agro Resenha, Paulo Ozaki conversa com Rafael Ramon sobre trajetória, ciência, carreira e comunicação no agronegócio a partir da história de um profissional que saiu de uma pequena propriedade rural no Rio Grande do Sul para atuar com modelagem ambiental, pesquisa regulatória e inovação no setor. A conversa passa por universidade, intercâmbios, registro de defensivos, sustentabilidade, gestão de oportunidades e criação de conteúdo no agro. Um episódio valioso para quem busca crescimento profissional, visão estratégica e aplicações reais da ciência no agronegócio.

 

PARCEIROS DESTE EPISÓDIO

Este episódio também foi trazido até você pela SCADIAgro! A SCADIAgro trabalha diariamente com o compromisso de garantir aos produtores rurais as informações que tornem a gestão econômica e fiscal de suas propriedades mais sustentável e eficiente. Com mais de 30 anos no mercado, a empresa desenvolve soluções de gestão para produtores rurais espalhados pelo Brasil através de seu software.

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FICHA TÉCNICA

Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidado: Rafael Ramon
Edição: Will Oliveira

 

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Participantes neste episódio2
P

Paulo Ozaki

Host
R

Rafael Ramon

ConvidadoEspecialista em modelagem ambiental
Assuntos6
  • Desenvolvimento PessoalImportância de estar aberto a oportunidades · Superação de medos e desafios · Aprendizado contínuo e atualização · Realização de sonhos
  • Agrotoxicos e contaminacao vegetalAvaliação de risco ambiental · Regras da Anvisa · Modelagem matemática para simulação de processos · Impacto em organismos não-alvo · Processo de pesquisa e desenvolvimento na indústria
  • Trajetória profissional e IAOrigem rural no Rio Grande do Sul · Estudos técnicos e graduação em agronomia · Experiências internacionais (Espanha, Bélgica, França) · Doutorado em cotutela com Paris-Saclay · Transição para o mercado de trabalho na indústria
  • Transformação do AgroModelagem ambiental e de bacias hidrográficas · Manejo e conservação do solo e da água · Importância do geoprocessamento · Pesquisa em solos e fertilidade
  • Agronegócio e EconomiaAgro Connection Podcast · Experiências internacionais compartilhadas · Produção de conteúdo em vídeo (YouTube) · Organização de viagens e intercâmbios · Desafios do empreendedorismo
  • Competição de corridaHistórico com CrossFit · Corrida em Paris · Maratonas e performance · Benefícios para a saúde mental e física
Transcrição125 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
POPaulo Ozaki

Se você ouve o Agro Resenha Podcast, a sua opinião é fundamental para a gente. A gente criou uma pesquisa rápida, leva menos de 3 minutos para você responder, para entender o que que tá funcionando e o que que a gente pode melhorar. O link tá na descrição do episódio, bem lá embaixo, pode ir que tá lá. Dessa força aí para a gente, cara. Responder essa pesquisa é uma forma direta de ajudar o Agro Resenha evoluir, beleza? Agora bora para o episódio.

E aí, pessoa, tudo beleza? Tamo começando mais um episódio aqui do Agro Resenha. E antes da nossa conversa de hoje, eu quero falar dos parceiros que ajudam esse conteúdo chegar até você. Para começar, um recado super especial para você, agricultor e agricultora. A Amage sabe como é lidar todos os dias com aquilo que foge do controle. É a chuva que atrasa, o preço que despenca da noite para o dia, a tecnologia mudando a cada safra e aquela decisão que não pode esperar enquanto você carrega a responsabilidade de manter de pé aquilo que a sua família construiu.

Mas também existem os dias de colheita boa, os dias de ver o trabalho dar certo depois de tanta luta. A Amage entende o que você passa porque também nasceu da terra, por isso fala a mesma língua do agricultor e sabe como é fundamental ter com quem contar. Afinal, no agro, ninguém cresce sozinho. E contar com quem realmente entende do assunto faz toda a diferença. Nesse Dia do Agricultor fica aqui o reconhecimento de quem também é do campo e de quem tem o DNA do agricultor.

De agricultor para agricultor, parabéns pelo seu dia. Amage! E se no agro ninguém cresce sozinho, também fica difícil crescer sem informação organizada e uma visão clara de negócio. É por isso que esse episódio também chega até você com o apoio da Sky de Agro. Há mais de 30 anos, a Sky de Agro ajuda produtores rurais de todo o Brasil a terem mais controle sobre os resultados da propriedade. Em um só lugar, você reúne informações financeiras, gerenciais e fiscais.

Soluções como software de gestão e controle de grãos ajudam a acompanhar estoques, movimentações e obrigações do negócio de maneira integrada. Na prática, isso significa mais organização, mais segurança, melhores condições para tomar decisão. E se você quiser se aprofundar nesses assuntos, Acompanhe também o Gestão Rural, podcast produzido pelo AgroResenha junto com a Escadiagro. Saiba mais em escadiagro.com.br. Escadiagro, simplificando a gestão para o produtor rural.

Mas uma boa gestão não termina na tela. Ela precisa virar decisão e resultado dentro da porteira. E na pecuária, isso exige informação, estratégia e a direção certa. Por isso, esse episódio também chega até você pela Nutripura. Você já deve ter ouvido falar aquela máxima, né, de que é o olho do dono que engorda o boi, não é verdade? Mas não basta só olhar. Desde 2002, a Nutripura trabalha ao lado dos pecuaristas oferecendo produtos e serviços que ajudam a transformar as decisões tomadas no campo em resultados na produção e, principalmente, no bolso.

E eu posso falar disso com propriedade, cara. Eu já trabalhei na Nutripura e vi de perto a competência técnica da equipe, a qualidade dos produtos e, principalmente, o cuidado genuíno com o negócio de cada cliente. Para acompanhar o que há de mais avançado na pecuária, siga a Nutripura nas redes sociais e acesse nutripura.com.br. Nutripura, o produto certo na hora certa. Então muito obrigado a todos os nossos queridos patrocinadores, porque sem vocês não daria para comprar o leitinho das crianças, não é verdade?

E tem muita, viu? Agora sim, vamos para o episódio dessa semana. Estamos começando mais um episódio aqui do Agro Resenha e nessa semana especialmente estou aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e com prazer de gravar com Rafael Ramon, que é host, co-host ali do Agro Connection. Tem várias coisas acontecendo ali no Agro Connection também, é da BASF também, né, coordenadora ali na BASF. Cara, muito obrigado por estar aqui com a gente, seja super bem-vindo ao Agro Resenha Podcast.

RRRafael Ramon

Mas imagina, Paulo Ozaki, que emoção, cara! Você foi um dos grandes mentores, né, do Agro Connection Podcast. Felizmente tô tendo oportunidade de conhecer presencialmente, pessoalmente, pela primeira vez. A gente já conversou em outros momentos, mas uma satisfação enorme. E zerei o game, né, estando aqui no Agro Resenha. Tá louco, que referência, né, em podcast do agro no Brasil todo. E obrigado aí pela oportunidade.

POPaulo Ozaki

Imagina, cara, tamo junto. Vai ser um bate-papo muito legal. E para você que tá aí ouvindo, já sabe que no Agro Resenha a porteira não tem tramela para quem busca se informar sobre assuntos ligados ao negócio. Então não sai daí, você já viu aqui, esse bate-papo vai ser muito legal. Firma o golpe que nós já já estamos de volta. Muito bem, estamos aqui de volta. Rafael, para a gente começar essa resenha, que eu sei que tem Tem várias nuances do Rafael aí, né, cara? Mas conta um pouquinho da sua história aí pra gente, meu.

RRRafael Ramon

Poxa, eu gostaria de começar dizendo de onde eu vim, quem eu sou. Bom, primeiramente, sou pai da Valentina, esposa da professora Cláudia.

POPaulo Ozaki

Com quem eu já tive o prazer de fazer uma live, acho que uns 3 anos atrás.

RRRafael Ramon

Não, não faz tanto tempo assim não. Acho que não, acho que foi ano passado, hein?

POPaulo Ozaki

Será?

RRRafael Ramon

Não, foi ano passado, eu acho que eu passei o contato lá para vocês conversarem lá na faculdade, né? E sou nascido em uma pequena cidade da Serra Gaúcha que se chama Vista Alegre do Prata, filho de pequenos agricultores, né? Meus pais são daqueles que plantam um pouco de tudo lá, né? Quando era criança, meus pais plantavam desde melancia, soja veio depois, mas Milho, gado de leite, os boizinhos para carne, tinha tudo que é bicharada, criação de frango, criação de porco, produção de erva-mate.

Então, fui nascido e criado no meio do agro, junto da minha família. Meus pais, minha mãe infelizmente estudou até a 4ª série, meu pai já se desafiou um pouco mais. Ele saiu da cidade para fazer ensino médio, porque na época deles nem tinha ensino médio na pequena cidade. Foi estudar em Bento Gonçalves, trabalhar fora, mas acabou voltando depois, porque os outros irmãos deles, nenhum, todos trabalhavam na construção, eram pedreiros.

Meu avô também tinha essa habilidade da construção e meu pai decidiu voltar para tocar a pequena propriedade lá e produzir com eles. E é engraçado, né, porque eu assim adorava, né. Eu gosto de dizer assim, às vezes eu era do tipo piolho de cabine, né, tinha um tratorzinho lá, quando ele ligava assim eu já subia, né. Já tava sempre no pé do pai, da minha mãe. Minha mãe que me ensinou a dirigir carro, moto, na verdade, até mesmo trator.

Era ela quem me liberava mais do que meu pai, eu diria. Mas eu gostava muito de ir lá e uma coisa interessante é que meus pais sempre diziam para mim, tu tem que estudar, que estudo ninguém tira de ti, tu vai estudar. E me incentivaram a sair inclusive para fazer o curso de técnico agrícola.

POPaulo Ozaki

Você estudou internato agrícola?

RRRafael Ramon

Estudei, morei no internato. Então, saí de casa com 13 anos para morar no internato do Colégio Agrícola de Veranópolis. E quando o cara sai de casa, acho que muda completamente, a gente muda, porque Tu passa a ter responsabilidade, né? Enfim, muita coisa muda no nosso jeito de ser, no— enfim, a gente cresce muito saindo, né, do ninho. Então, mas mesmo assim, depois do colégio agrícola, eu acabei voltando, né, para casa dos meus pais.

Achei que ia empreender lá com os conhecimentos do técnico agrícola, né, construir mais um aviário, esse tipo de coisa assim, né?

POPaulo Ozaki

E daí você vem de lá com a cabeça um pouco mais aberta, né? Você começa a ver outras coisas, começa a ver outras oportunidades.

RRRafael Ramon

Atividades. E meu pai disse, segui insistindo, ele disse, não, vai estudar, né? Quem sabe fazer uma agronomia, uma veterinária. E eu assim nem sabia o que que era isso, né? Ninguém da minha família, foi o primeiro da minha família a estudar, né? Altei ensino superior, então não tinha ninguém no entorno como referência para dizer, ah, vai fazer agronomia, agronomia Enfim, o que é um curso de graduação, eu não sabia. E o colégio em si tinha pouca orientação nessa linha.

Então, voltando para casa, na primeira, tipo janeiro, fevereiro, trabalhando, o pai dizendo, ah, vamos, vai estudar, vai fazer um cursinho para vestibular, não sei o quê. Daí era, sei lá, final de fevereiro, meu pai disse, ah, vou ligar para uma prima dele, que eu nem conhecia, que morava lá em Santa Maria. Para ver se eles conseguem arrumar um cursinho para vestibular para você fazer lá. E, cara, isso era uma quarta-feira. Daí ligou para essa prima dele, ela disse, ó, cursinho para vestibular começa semana que vem.

POPaulo Ozaki

Semana que vem tem que estar aqui.

RRRafael Ramon

Tem que estar aqui. Era dia 13 de março. E, cara, não deu muito tempo para pensar duas vezes. Só vai.

POPaulo Ozaki

Só vai.

RRRafael Ramon

E aí foi, né, cara? Daí acabei... Indo estudar em Santa Maria, fazendo cursinho para vestibular. Passei depois no primeiro vestibular que eu fiz para agronomia. Então... E ali a mesma coisa, o cara vem de casa com esse ensinamento. Tem que estudar, você tem que dar o seu melhor, tem que ir para frente. Comecei a aproveitar todas as oportunidades que me apareciam. E uma delas, por exemplo, foi... Uma forma também de ganhar um dinheiro, porque meus pais me ajudavam, obviamente, mas nunca tinha sobrando.

Então surgiu a oportunidade, por exemplo, de ser bolsista num laboratório. Era uma época que tinha muita bolsa de estudo e tudo mais.

POPaulo Ozaki

Isso aí foi que ano? Foi 2010?

RRRafael Ramon

2010. E daí eu comecei a trabalhar num laboratório de solos, na área de fertilidade. Depois mudei um pouco para a área de manejo e conservação do solo, que foi onde eu me identifiquei mais, trabalhando lá com o professor Jaminella, já começando mesmo na graduação trabalhando com— A gente trabalhava com manejo de bacias e a gente estudava a dinâmica do manejo do solo e avaliando o impacto nos recursos hídricos num sistema, um sistema que a gente chama bacia hidrográfica, onde monitorava todos os fluxos de entrada de água da chuva, monitorava o que os agricultores faziam em determinada bacia e media lá no final, no rio, o que estava acontecendo, o que estava saindo de nutriente, o que estava saindo de água daquela bacia, né?

E alimentava modelos matemáticos para entender o que diferentes manejos influenciavam, né? A dinâmica hidrosegmentológica que a gente falava, né? Monitorando lá o Rio. Então, cara, e é uma coisa puxa a outra, né? O cara começa na graduação trabalhando como bolsista, iniciação científica, daí o cara começa a se aproximar, né? Tu vai, tu vai se tornando o meio que tu vive, né? Então acompanhava os colegas, né, que tava no mestrado, né, doutorado, e eu pensando, poxa, é legal, né?

Vamos seguir estudando, tá? Tô gostando disso. Então Mas assim, até aproveitando essa questão de aproveitar as oportunidades, eu tive muita sorte. Na época surgiu o programa Ciência Sem Fronteiras, você já deve ter escutado sobre. E eu tive oportunidade de estudar na Espanha na graduação. Então foi a primeira experiência internacional, a primeira vez que eu sentei num avião foi voar direto de Porto Alegre para Lisboa. Então ou vai ou racha, não tinha muito, não tem ré, não tem Ah, me arrependi, vou voltar.

Tava do outro lado do oceano já, né? E então foi uma grande oportunidade no mestrado também, né? Depois segui no mestrado lá na Federal de Santa Maria, no programa de pós-graduação em ciência do solo, nessa área, né, de manejo e conservação do solo e da água. Daí fui fazer parte do mestrado na Bélgica, outra Super experiência. Digo isso porque lá eu pude provar muita cerveja boa. Cara, na verdade foi assim, né? Hoje a minha esposa, né, a Cláudia, a gente se conheceu ali.

POPaulo Ozaki

É mesmo? Na Bélgica?

RRRafael Ramon

Não, a gente se conheceu lá em Santa Maria, nesse meio da academia, da pesquisa, né? E daí ela foi para lá para fazer o doutorado sanduíche e eu tive a oportunidade de E junto, fiquei 90 dias lá, né, porque como estudante visitante, mas nos 90 dias eu provei 82 cervejas diferentes registradas, né, fora as que eu esqueci depois. E é isso, cara. Enfim, tive essas experiências. Obviamente depois já vem o doutorado, né, porque o cara Vira uma cachaça, né?

Vira uma cachaça, é, exato. O cara, na verdade, assim, eu não tinha muito claro para mim, ah, quero fazer, quero ser isso, quero fazer um doutorado, né? O cara fica observando que as oportunidades que aparecem, né? Sempre fui muito aberto às oportunidades que me apareceram e isso me, né, enfim, me levou até onde cheguei hoje, né? Sou grato. E o doutorado, a mesma coisa, né, cara? Daí, tipo, eu vivi um momento em que tinha muito investimento na pesquisa, né?

Muito investimento na ciência. Então tinham várias oportunidades. Uma delas, por exemplo, que depois eu tava buscando já no doutorado, que seria fazer o doutorado fora, né? E assim foi. Acabei mudando para Porto Alegre porque em 2017, que era quando eu fazia a transição do mestrado para o doutorado, Minha esposa passou no concurso aqui na Federal do Rio Grande do Sul e eu acabei vindo para cá, mas consegui manter o vínculo com a Federal de Santa Maria, com o professor Jean, com os projetos que eu tinha, né?

E consegui também ter essa oportunidade de fazer o doutorado em cotutela, que é dupla diplomação, com a Universidade de Paris-Saclay. Então eu passei pouco mais de um ano morando em Paris e trabalhando lá no Laboratório de Ciências do Clima e do Ambiente e também fazendo doutorado pela Federal do Rio Grande do Sul, aqui pelo Programa de Ciência do Solo. Então, tive mais essa oportunidade de intercâmbio, de viver fora, aprender outro idioma. E é isso, aquilo que eu tinha falado lá no início.

POPaulo Ozaki

Uma coisa leva a outra.

RRRafael Ramon

É, uma coisa leva a outra, mas assim, essas oportunidades, esses... Porque toda vez que a gente, que eu passei por isso, ah, vou ir para a Espanha, por exemplo, né, tava no 5º semestre, né, então era bicho do mato ainda, né, tipo, sair lá do interior, né, que não tinha tido nenhuma outra experiência, então, ah, ia viajar de avião, ficar longe de fato, né, gera um medinho, né, o cara fica, tira a gente da zona de conforto.

POPaulo Ozaki

É, cara, e eu acho que é bacana você falar isso aí, né, Porque esse é um período, ainda que você saiu mais cedo, né, cara? Você saiu com 13, eu lembro que eu saí com 17, tinha recém feito 17 assim. E não é um negócio tão simples, né? Por exemplo, eu saí de Cuiabá e fui para São Paulo, era quase daqui para Portugal em 2004, tá ligado? Então, lembro, meu pai trabalhava na Telemat, na empresa lá de telefonia, ele me deu um pacote de cartão telefônico assim, ó, para ir no orelhão todo domingo para ligar, entendeu?

Nossa ideia era assim, todo domingo você liga. Não tinha WhatsApp, não tinha aquelas paradas.

RRRafael Ramon

2010 eu acho que já tinha, mas já tinha, mas a gente não tinha tanto acesso assim, não tinha tanto acesso, era limitado. Chamada de vídeo, por exemplo, jura?

POPaulo Ozaki

Esquece, né? Mas é legal assim, o que eu tô achando bacana dessa sua Porque, por exemplo, do meninão lá da cidadezinha pequenininha que não tinha nem, sabia nem o que que era uma universidade, e as oportunidades vão se abrindo. E se você tiver aberto de fato e enxergar que aquelas são boas oportunidades, né, cara, e quem tá ao seu redor, muito provavelmente você fosse, ah, tive sorte. Desculpa, né, cara, eu não acredito muito isso aí não, porque muito provavelmente para alguém te chamar para você fazer um mestrado ou para para enxergar que existe uma oportunidade para você, em algum momento você tava fazendo um trabalho que alguém tava enxergando, né?

RRRafael Ramon

Sim, sim.

POPaulo Ozaki

Então assim, é mais ou menos sorte, né?

RRRafael Ramon

É, a sorte ela encontra oportunidade, mas o cara tem que estar preparado, né? Exatamente. E um fator muito importante, e eu vou te dizer, tipo, até tive colegas, por exemplo, que tiveram oportunidades semelhantes E não toparam, não pegaram. Por quê? Questão de idioma, né? Tinha dificuldade com idioma, receio, né, de encarar, né, uma outra cultura, né? E não ter habilidade talvez de comunicar. Então isso, graças a Deus, né, tipo, sempre tive muito incentivo, inclusive dos meus pais.

Eu não tinha estudado inglês até ir para Santa Maria, por exemplo. Tinha na escola, mas era algo Né, não contava, né? Mas daí depois que eu voltei da Espanha, para te ver como é que é os gatilhos das coisas, né? Eu fui para Espanha sem falar inglês, né? Sem, mas era para Espanha.

POPaulo Ozaki

Então tipo, espanhol você não, e eu tava na Galícia, né?

RRRafael Ramon

A Galícia lá no norte da Espanha, que falava o galego. O galego é difícil, é duro de escutar, né? Para quem fala português é duro de escutar, mas assim, a gente conseguia se comunicar facilmente. E até mesmo espanhol, consegui aprender rápido e tudo mais. Mas eu pensei, poxa, se eu quiser sair desse núcleo, eu vou ter que estudar inglês.

POPaulo Ozaki

É o principal, especialmente na ciência.

RRRafael Ramon

Especialmente na ciência, porque para você na época não tinha ChatGPT, né, meu velho?

POPaulo Ozaki

Então você lê artigo em inglês, enfim, toda essa parte, escrever tudo, né?

RRRafael Ramon

Meu primeiro artigo publiquei no finalzinho da graduação, início do mestrado, já em inglês, uma revista de alto impacto. E, cara, na época a gente, claro, já conseguia, né, tinha um mínimo, né, de facilidade, mas, cara, passava por revisor, né, daí pagava, pronto, pagar o cara para ele revisar, daí voltava, porque o cara também não tinha experiência com os termos técnicos e tudo mais. Mas voltando da Espanha, eu disse, não, eu preciso estudar inglês, preciso estudar inglês, porque se eu quiser ir além disso, eu vou ter que dominar esse idioma, né, que é é a linguagem para comunicação global.

E isso, cara, tipo, esses pequenos aprendizados, essas coisas me levou até onde eu cheguei hoje. Porque também quando eu cheguei a ter essa oportunidade de trabalho, cara, bom, primeiro, né, que tipo a oportunidade, como você falou, né, o cara tem que estar pronto, tem que estar preparado, né. Na minha carreira acadêmica eu trabalhei muito com geoprocessamento. Para te ter uma ideia, isso meio que eu era— agora eu acho que eu tô um pouquinho mais calmo, né, mas eu era meio inquieto assim durante o final da graduação e mestrado.

Por exemplo, eu entendia que geoprocessamento era algo que eu precisava saber bem. Entrei num curso de geoprocessamento lá no Colégio Politécnico da UFSM, não concluí porque faltaram 3 disciplinas, e foi justamente quando eu viajei, daí voltei, mudei para cá, não consegui— para cá, para Porto Alegre— não consegui finalizar o Mas aprendi muito e esse aprendizado, né, abriu portas, né? Não sai de você, não sai. O que o meu pai disse lá antes de eu ir para o colégio agrícola segue sendo válido, né?

E a gente não para nunca, né? Tem que seguir estudando, seguir se atualizando e para estar pronto, né, para talvez uma próxima oportunidade melhor que apareça, né? A gente tá sempre, sempre aberto. E quando Em 2020, né, eu estava já no Brasil, voltei final de 2019 da França, daí 2020 ali começou a pandemia, né. Então quando eu voltei da França já tinha gente usando máscara no avião, porque já tinha o burburinho, né.

POPaulo Ozaki

Você foi por pouquinho, hein?

RRRafael Ramon

É, foi por pouco. Tipo, muitos amigos com quem eu convivi lá na na França, por exemplo, depois acabaram ficando presos lá e tiveram que estender a estadia deles lá na França por conta da, por conta do lockdown, né, da COVID. E daí em 2020, na verdade, cara, as coisas acontecem, né, enfim, quando o cara Quando o cara entra na ciência, na academia, segue mestrado, doutorado, e principalmente na minha área, agrônomo, trabalhava com uma questão talvez mais ambiental, do impacto do uso, manejo do solo nos recursos hídricos, na erosão.

O nosso foco sempre foi bastante isso, reduzir a perda de solo, porque a gente está aqui num país tropical e Enfim, você acompanhou, né, a questão das enchentes, as chuvas que têm acontecido recentemente, erosão do solo é uma realidade que a gente ainda hoje, com toda a tecnologia, tudo que a gente avançou com sistema plantio direto e tudo mais, cara, as nossas chuvas aqui parece que estão se tornando cada vez mais frequentes, né, ocorrendo chuvas intensas com mais frequência.

E isso a gente já previa lá, né? Já trabalhava com modelos e tentava estudar medidas em que a agricultura pudesse se proteger desses eventos extremos, né? Reduzir erosão, reduzir contaminação dos corpos hídricos. Então, cara, e eu ficava pensando onde é que eu vou trabalhar com isso que eu— What's up, baby? It's Bretzky, and I'm here to tell you that spinquest.com is giving out free Sweet Coins. All you gotta do is purchase a $10 coin pack, and guess what?

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POPaulo Ozaki

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RRRafael Ramon

Que eu tô fazendo.

POPaulo Ozaki

E é legal você falar isso aí porque essa é uma coisa que eu tava pensando aqui, né? Porque assim, quando você vai para academia, né, Rafael, cara, você vai ter que aprender estatística, né, que muitas vezes a gente vai aprendendo e fala assim, pô, nós vamos usar essa parada aqui só para isso mesmo, né. É um monte de outras ferramentais que você vai absorvendo ali que no primeiro momento não parece que vai ser um negócio que vai mudar sua vida, né, que você vai aplicar isso no dia a dia e tudo mais.

Quando que você percebeu, bem nesse ponto que você está tocando, que tudo aquilo, todo aquele ferramental que você aprendeu ali na universidade, nos estudos e tudo mais, você falou assim, não, agora isso está começando a fazer sentido. Porque isoladamente nunca faz. É igual a gente fazer, vou estudar cálculo no primeiro semestre. Cara, não faz nenhum sentido aquela porra, por que eu vou querer saber o que é um limite tendendo a zero?

Não vou usar para nada essa parada, né? Mas só que qual que foi o momento que você falou assim, porra, agora eu entendi o porquê que eu aprendi aquela parada toda?

RRRafael Ramon

Cara, isso aconteceu lá em 2020, o estalo assim, eu digo, porque eu sempre pensava, cara, vou ter que fazer um concurso numa universidade, ser professor, né? Eu gosto da pesquisa, mas eu nunca gostei muito de falar em público, essa Não era algo, por exemplo, me expor, por exemplo, numa sala de aula não era algo que me atraía. Vou ter que ser professor também. Daí eu comecei a ficar preocupado com essa coisa, cara. Tem que ser professor em Embrapa, né, uma instituição de pesquisa.

Eu via como uma oportunidade, mas ao mesmo tempo bastante limitada, né. Então, ainda mais para sua área de atuação, ainda mais para minha área de atuação. E daí lá no início de 2020, um colega no laboratório aqui, ele chegou, pá, Ramon, Vi uma oportunidade aqui, cara, eu acho que é para ti. Ele tinha um jeito engraçado de falar, né?

POPaulo Ozaki

Quem que é o cara?

RRRafael Ramon

O Arnute. O Arnute.

POPaulo Ozaki

Fernando Arnute. Agradece ele aí, pô.

RRRafael Ramon

Não, obrigado. Daí ele falou, vi uma oportunidade aqui na Fundação ABC, né? E eu pensei, cara, pô, legal. Eles estavam procurando alguém com habilidade em modelagem matemática, que entendesse, por exemplo, geoprocessamento, porque eles estavam com projetos assim mais de de sustentabilidade. O Paraná é referência em manejo e conservação do solo e da água. Então, tipo, eles têm, tiveram projetos lá na Fundação Arraucária, né, de projetos de conservação do solo.

Eu pensei, cara, isso aí é um negócio da hora, tem oportunidade, esse negócio é da hora, né? E isso foi, sei lá, fevereiro de 2020. Apliquei para a vaga com toda a minha força, assim. Eu digo, cara, é isso que eu quero, meu, é isso que eu quero. Tipo, não vou precisar dar aula, né, que não era algo que Tipo, eu queria fugir disso, né? Eu digo, pô, ainda mais trabalhar com pesquisa ainda numa fundação. É, uma fundação, exato. Cara, existem oportunidades.

Daí tá, submeti o currículo e, cara, daí abriu ali, disparou pandemia e tal. E daí eu até fui atrás, né, para saber se tinha algum retorno. Daí me deram retorno dizendo que a vaga foi colocada em standby pelo momento por conta da pandemia. Daí vai, o cara já murchei, né? Eu digo, vai, vou ter que, né, enfim, seguir. Não tava desempregado, né, tava, né, seguindo no meu doutorado. Devia, eu ia concluir em 2021, na verdade, meu doutorado.

Então era um momento crítico ali, transição mesmo do negócio. Já não tinha mais disciplina, tava trabalhando, já não tinha mais disciplina, só tinha trabalhar na tese. E enfim, e aquela coisa começa a bater na cabeça do cara, né? Poxa, meu pai, casado, tava morando junto, né?

POPaulo Ozaki

A mesma coisa, casado.

RRRafael Ramon

A gente veio para cá A gente já morava junto em Santa Maria, veio para cá em 2017 morando junto no mesmo lugar que a gente mora até hoje. Então, enfim, começa a bater essa preocupação, né? O que que eu vou fazer? Daí começou a pandemia, né? A pandemia também já trazia uma preocupação a mais. Daí surgiram algumas, daí eu comecei a abrir meu olho, né? Para isso, acho, era isso que eu ia até comentar antes, né? Que tipo quando você tá aberto ou você começa a mentalizar, parece que acontece, atrai, cara.

É impressionante. Então eu cheguei a me inscrever numa outra vaga que era assim um nível bem inicial, que era na SLC na época, que era para também envolvia geoprocessamento, era técnico de geoprocessamento, alguma coisa assim. Mas também não tive retorno. E daí lá em julho, julho, um colega meu lá de Santa Maria, que já era professor na universidade, mandou uma mensagem. Ele disse, ó, cara, fiquei sabendo dessa vaga aqui, que era também, envolvia modelagem ambiental, só que era de pesticidas.

E ele disse, ó, acho que, acho que o teu, o teu currículo, né, bate com a vaga. E Obviamente, né, já me brilhou os olhos. E daí, cara, eu parei tudo que eu tava fazendo, né, parei tudo que eu tava fazendo. Eu digo, eu vou uma imersão para me candidatar para essa vaga, cara. E rapidamente assim, né, enfim, passei por 5, 6 entrevistas, né. Aí que tá, né, o cara estar pronto também para Eu não digo que eu tava pronto, foi a minha primeira entrevista de trabalho.

Eu nunca tinha passado por isso, mas eu já estudava, continuava estudando inglês e o meu professor de inglês na época disse, cara, se tu quiser eu te ajudo. Eu já passei por vários processos de entrevista e já dei aula, já ajudei pessoas a passar por esse processo. E cara, eu fazia 3, 4 aulas de inglês por semana assim, naqueles, durante aquela intensivão, durante aquela fase de entrevistas e tudo mais. E foi questão assim, cara, de mentira.

Eu falei é que eu tava considerando que eu entrei em agosto, mas eu entrei em outubro na BASF. Eu fiquei sabendo da vaga no final de agosto. Então eu trabalhei ali final de agosto, setembro, 5 de outubro eu tava, né, trabalhando na BASF. Então Tava preparado, me dediquei, foquei, e hoje eu estou como especialista em modelagem do destino ambiental de pesticidas. Trabalho num time de ciências regulatórias na base. A gente tem um time local, eu sou responsável por essa parte de modelagem destino ambiental para América Latina, mas também trabalho num time global, trabalho remotamente.

Então, tipo, Para te ver, né, cara? Assim, as coisas acontecem, né? O cara tem que estar preparado, tem que estar aberto para as oportunidades. Mas é incrível assim, as coisas, né, quando o cara mentaliza algo que o cara quer, né? Quando o cara se dedica, dá o seu melhor naquilo que tá fazendo e tá pronto para quando as oportunidades aparecem, aberto, sem medo de enfrentar, porque, né, bate insegurança no momento de E inclusive, né, para essa vaga, por exemplo, não era para ser remoto, não era para estar trabalhando aqui em Porto Alegre, era presencial.

Mas durante a pandemia cheguei até me mudar para Guaratinguetá, né, que é onde fica o nosso laboratório lá. E mas daí cheguei lá, passei uma semana lá, não podia entrar, não sei o quê. Daí eles falaram, pô, não tem por que a gente te prender aqui sabendo que tu não pode ir para o escritório e não tem ninguém indo para o escritório. Então voltei, depois enfim atualizou o contrato e tô trabalhando de casa até hoje.

POPaulo Ozaki

Legal, cara. Você tava falando aí, eu lembrei, bom, estamos na época de Copa do Mundo, né? E eu tava assistindo o documentário da Copa de 94, né, que tem na Netflix até, inclusive fica aí a dica. E aí o Cafu tava falando uma parada, cara, que é exatamente isso que você falou. Eu falei assim, o Cafu era reserva, Né, na Copa de 94, gurizão e tal. E ele falou que ele treinou 31 dias como se fosse, sabe? Aí o preparador físico, o Muracy, né, eu falei, cara, você tá treinando aí até, cara, eu não sei que hora que eu vou ter oportunidade, não sei que hora que eu vou ter oportunidade.

Então assim, velho, aqui o pau vai torar e eu vou treinar igual um louco, maluco, igual todo dia eu faço. E o cara, bom, a história escreveu, né? O lateral direito lá machucou na final, o Cafu jogou a final. Mas o que eu acho mais importante, ele falou assim, o Parreira virou, né? Falou assim, Cafu, você tá pronto? Aí o Moura C falou assim, ele tá pronto tem 31 dias. Ele já tava com meião colocado, camisa para dentro. E hoje você vê os guri saindo do banco, aí que vai colocar, puxar o meião.

Ele falou, não, cara, eu já tava com meião pronto, cara. Eu já tava pronto, era só entrar. Então assim, trazendo para o que nós estamos conversando aqui, bicho, você tem que estar pronto, velho, tem que estar com o meião erguido, cara, você tem que estar treinando. E aí a hora que a oportunidade surge é a hora que aí você vai desfrutar daquilo ali, né, cara?

RRRafael Ramon

Entrar para fazer o gol, né?

POPaulo Ozaki

E é isso aí. E Rafael, agora trazendo um pouquinho para o trampo que você faz no dia a dia, eu achei muito legal assim essa construção de você profissional e na vaga até na posição que você está hoje ali na empresa, cara. Explica um pouquinho assim para quem está ouvindo a gente, que às vezes não entende muito dessa parte, qual que é o trabalho que vocês desenvolvem, óbvio, dentro do que você pode falar, obviamente, mas traz para a gente um pouco do trampo que você faz no dia a dia, até linkando com tudo que você já conversou com a gente aqui até agora.

RRRafael Ramon

Não, então não tem segredo aqui, hoje Bom, muitos dos ouvintes aqui vão entender como é que se dá o processo de registro de um determinado pesticida. Hoje, o registro de um pesticida passa por 3 órgãos. A gente tem o MAPA, que registra, que é o órgão registrante na real. A gente tem a nova lei também de 2023 que muda um pouco, mas a gente tem o MAPA como órgão registrante, ele vai avaliar ali a eficácia do produto, todos os aspectos agronômicos de um determinado produto.

A gente tem Anvisa fazendo avaliação do dossiê toxicológico. Então, a gente, dentro de regulatório, dentro de ciências regulatórias, a gente atende todas as demandas que Anvisa, por exemplo, requer, todos os estudos de efeito e tudo mais. E a gente tem a parte ambiental. Que é então coordenada pelo IBAMA, né? Então a gente tem todo um pacote de estudos que tem que ser entregue ao IBAMA atendendo às exigências do IBAMA para, enfim, tanto dos aspectos de efeito, né?

Até recentemente as avaliações eram com base na periculosidade da substância. Então tem lá a PPA que leva também em conta os aspectos toxicológicos e que vai resultar naquele, na cor da bula que a gente do que a gente enxerga lá na bula, né? E dentro, né, da parte ambiental, hoje a gente fala muito, né, e é algo que a Lei 14.785 de 2023 define, é que a gente deve conduzir avaliação do risco ambiental de determinado pesticida para fins de registro.

Então, o que entra nessa avaliação do risco? Que é justamente a parte da qual eu sou responsável em conduzir os estudos e tudo mais. Que é, antes da avaliação do risco, em que se avaliava basicamente a periculosidade, a gente olhava muito para o efeito, o quão tóxico é uma determinada substância. Então, os nossos colegas de ecotoxicologia conduziam os estudos e tudo mais, entregavam ao IBAMA e com base na toxicidade do produto avaliava se Enfim, qual era o impacto para diferentes organismos e tudo mais.

Com a avaliação do risco, a gente traz também a questão da exposição, né? Porque uma coisa é... A gente faz uma analogia, por exemplo, com um banhista, está lá no mar e tem... O mar está cheio de tubarões, né? Existe. Se o banhista entrar no mar cheio de tubarões, ele está exposto ao perigo e consequentemente, né, a chance é maior de acontecer. O perigo é grande, né, se ele estiver. Mas agora, se ele estiver olhando do lado de fora, né, e não se expor ao risco, né, ao perigo que o tubarão oferece a ele, o risco é praticamente zero. O risco é zero, né, ele não vai vir para areia para—

POPaulo Ozaki

A não ser que ele saia voando.

RRRafael Ramon

É, então, entende? Então, tudo o que eu faço hoje, por exemplo, né, utilizando da modelagem matemática que eu tava falando, existem os modelos para fins regulatórios que são indicados pelas autoridades, é avaliar como determinada, uma determinada substância pode entrar em contato, por exemplo, com organismos não-alvos, como peixes, organismos de solo, abelhas. Então, por meio de modelos matemáticos e com todos os dados que a gente tem para uma determinada substância, a gente consegue avaliar com modelos bastante conservadores qual é o risco que um determinado organismo não-alvo, que a gente não quer efeito, né, sobre aquele organismo, está sendo exposto.

Então, a autoridade define alguns níveis mínimos, né, e a gente tem que comprovar que com aquele padrão de uso, com aquelas boas práticas agrícolas que são recomendadas em bula, aquela determinada substância não vai oferecer risco para os organismos não-alvo. Então, basicamente, o meu trabalho é conduzir esses estudos para poder simular os processos, simular, por exemplo, como que um determinado pesticida se comporta no solo, como ele se comporta na água, como ele se comporta no ar, na atmosfera, e colocar essa informação em modelos matemáticos que representam a realidade.

O modelo matemático é uma forma de representar a realidade de uma maneira simplificada, com menor custo, e atender então às exigências das autoridades. Daí cada país tem a sua exigência, né? Brasil tem a sua, Peru, Colômbia tem a sua. Então Eu trabalho dando suporte para todos esses países da América Latina, do México até a Argentina, atendendo o que as autoridades ambientais exigem para fins de registro de um pesticida.

POPaulo Ozaki

Legal, cara. É, e às vezes a gente de fora, óbvio, eu sou agrônomo, acho que tem muita gente que ouve a gente, nós aqui, que é agrônomo também, mas não conhece esse processo. Existe todo um trabalho que acho que antes demorava muito, muito, muito mais, Hoje não deve ser tão rápido, mas deve ter melhorado o processo ali. Mas é um processo complexo, envolve muito estudo, envolve muita pesquisa, porque não é só pegar o produto ali igual antes que era o toxicológico ali. Você tem que fazer um baita de um modelo que não é tão simples assim.

RRRafael Ramon

Não, é dentro da indústria de pesquisa e desenvolvimento.

POPaulo Ozaki

Desculpa, e está todo mundo de olho. É assim.

RRRafael Ramon

Não tem, tem muitos fiscais, né?

POPaulo Ozaki

Tem muito fiscal, cara.

RRRafael Ramon

Não, sem dúvida. Não, é o nível, né, de pesquisa, de informação que uma determinada substância tem até chegar no mercado é um absurdo, né? É um investimento estratosférico, né? O que é feito de investimento para poder colocar uma nova substância no mercado. Então, se a gente for falar desde a fase de pesquisa, de levantamento de uma nova molécula, até ela estar no campo para o produtor, é facilmente, sei lá, 10 anos, 15 anos eventualmente.

POPaulo Ozaki

E grana, né, meu?

RRRafael Ramon

E grana, muita grana. Então, as empresas investem muito dinheiro, muito tempo, tem muito pesquisador nas mais distintas áreas trabalhando na para garantir que ela seja eficiente, que atenda, né, o objetivo de controlar uma praga e tudo mais. A agricultura precisa disso, né, principalmente quando a gente fala uma agricultura tropical como a do Brasil, em que a gente tem uma pressão de pragas muito intensa. A gente tem uma agricultura muito pujante, muito forte, com a possibilidade de ter aí 3 ciclos de cultivo no mesmo ano, né.

Ou dependendo até mais. Então a gente depende dessas tecnologias e tem muito investimento nesse tipo de trabalho, até de fato a substância poder chegar no mercado. E o processo de registro ainda é um pouco demorado, mas enfim, tem a nova lei agora que vem atualizar algumas questões para também acelerar um pouco esse processo de registro até chegar, né, de fato ao produtor, que é quem demanda isso, né, quem demanda essa tecnologia.

Mas enfim, muita coisa avançou nos últimos anos, né, e com certeza, né, tá se tornando cada vez mais eficiente, né, cada vez mais rápido.

POPaulo Ozaki

Legal. E o Rafael, assim, ó, você tem um círculo de amizades aqui, provavelmente, de gente que não trabalha nessa área, né? Eu sei que você corre, nós vamos falar um pouquinho mais sobre isso mais para frente. Domingo agora vou correr a maratona da New Balance aqui, né? Por isso que eu tô outfit corredor, tá ligado? Mas o que que as pessoas que não são do setor mais ficam surpreendidas quando você explica o que você faz, cara?

RRRafael Ramon

Cara, o que que eu vou te dizer? Porque para mim foi uma surpresa, né?

POPaulo Ozaki

Então é justamente por causa disso, entendeu?

RRRafael Ramon

Imagina você, cara, eu falei antes já, eu imaginava que eu ia ter que ir para uma instituição de pesquisa, né, uma Embrapa ou para uma universidade e tudo mais. E cara, quando tu vê a descrição, né, da vaga assim, e daí tu descobre que a indústria, né, por exemplo, busca profissionais da agronomia com conhecimento, com doutorado, né, buscavam alguém com uma especialização já que conheça de solos, que conheça, enfim, de geoprocessamento, porque é fundamental na nossa área.

Para mim foi uma surpresa, e eu imagino que para a maioria, por exemplo, outros agrônomos talvez não fazem ideia dessa demanda da indústria. Um dos motivos, eu diria, é principalmente porque as indústrias de pesquisa e desenvolvimento por exemplo, falando da área de químicos, né, de pesticidas, ela é global, né? Então, tipo, ela tá lá fora. Então a gente não tinha esse tipo de expertise aqui local. A empresa que eu trabalho, por exemplo, não tinha ninguém aqui.

Eu sou o primeiro que entra, né, fora da central lá na Alemanha que tá trabalhando com esse tema. Eles já tinham nos Estados Unidos, porque Estados Unidos também já estava um pouco mais à frente, Mas assim, agora que tá começando em alguns outros países, né, em desenvolvimento e tal, a ter pessoas especialistas capacitados, né, a suprir essa demanda. Então acaba que a gente não ficava sabendo, não ficava. Meus professores na faculdade, quando eu fui falar para eles do trabalho que eu ia fazer, os cara não sabiam que existia essa demanda dentro da indústria.

Então é uma surpresa até para quem já é da área. Então imagina para quem, para quem é de fora, né, tu explicar tudo que, todas as etapas, né, tudo, todo o processo que leva, né, até, por exemplo, determinada substância chegar no mercado, o nosso produto chegar no mercado. E o trabalho que eu faço, por exemplo, quando a gente fala, faz modelagem matemática, o que que é esse, né, algumas coisas vêm se tornando mais família esse termo, né, da modelagem, porque se aplica em outras, outras áreas, né.

Sei lá, a gente passou por uma enchente aqui em Porto Alegre, todo mundo falava: os modelos indicam que o Guaíba vai subir tantos centímetros nas próximas horas. Os modelos que são os modelos que eu também trabalhei lá atrás nas bacias hidrográficas, era isso que a gente fazia, cara, né. A gente tentava por meio do modelo matemático Fazia todos os estudos para calibrar o modelo matemático, validar o modelo matemático, para depois poder, ó, se eu mudar isso, o impacto vai ser esse, entende?

Então essa é uma analogia, por exemplo, que a gente pode fazer. Poxa, a gente calibrou o modelo aqui para a bacia do Guaíba, por exemplo. A gente já sabe o que está acontecendo com base nos estudos anteriores. Agora, se a chuva que está prevista Sei lá, a gente calibrou os modelos até uma chuva de 300 milímetros em 2 dias, mas agora está previsto 600 milímetros em 2 dias. O que pode acontecer? O que vai acontecer? Então, por exemplo, na ocasião, gosto de usar esse exemplo porque é uma coisa que toca o coração de quem trabalhou com isso também durante o período da faculdade, na graduação, pós-graduação.

Cara, o trabalho que os pesquisadores do IPH aqui da UFRGS fizeram foi fantástico, porque eles conseguiram prever, cara, vai subir com muita precisão, vai subir tanto, né? Porque a gente tinha modelos calibrados e que eram capazes de predizer isso. E da mesma forma acontece na minha área para registro de pesticidas. Obviamente, a gente ainda trabalha com um cenário muito mais conservador, né? Porque a gente quer ser protetivo, a gente não quer que tenha nenhum impacto adverso naquele produto, naquela substância que a gente está usando.

A gente quer estar seguro de que se utilizado da forma em que é recomendado, a gente não vai ter nenhum problema, né? Então, mas os modelos são capazes de nos mostrar isso, entende? Então, tipo, é uma área que eu particularmente talvez devia treinar mais, né? Como comunicar isso, né? Mas Mas é difícil às vezes explicar, mas ao mesmo tempo a gente às vezes pega esses exemplos, as coisas que acontecem, né, enfim, que gera impacto, por exemplo, da enchente, e a gente mostra, ó, se aí é outra coisa, se a gente não mudar, né, o nosso manejo da água na agricultura, né, nas encostas onde a chuva caindo, se a gente não fizer essa chuva ficar onde ela cai, a gente vai ter problema de erosão, a gente vai ter problema de escoamento superficial, a gente vai ter problema, por exemplo, como aconteceu, da água chegando mais rápido num determinado ponto e gerando enchente.

Então é isso, cara. Não sei se eu consegui explicar, é difícil para mim, eu confesso, mas é.

POPaulo Ozaki

Então é porque é justamente isso, cara. Porque, por exemplo, você que trabalha com essa área, porque se todo mundo vai chegar, ah, mas no alface tem tanto de agrotóxico que vai matar as pessoas. E é isso normalmente que a turma pensa, né, cara? E não é bem assim. Os estudos prévios para aquele produto chegar ali, ele, cara, passou por uma sabatina violenta e por muito tempo, né? Então o risco é praticamente zero, a não ser que você vá lá beber o bagulho lá, aí não tem o que fazer, né, cara?

Mas eu acho que assim, esse processo de comunicar às pessoas, né, ao nosso redor aí, Esse negócio é importante, cara. Mas até entrando agora nesse assunto, né, você era o cara que não queria falar em público, né, não queria dar aula, e aí de repente você é cofundador de um podcast, cara. Porra, que negócio mais— conta para a gente um pouco assim, até para quem não sabe, né, você é co-host do Agro Connection. Junto com Carlos Pires, que era professor, é professor na—

RRRafael Ramon

Hoje ele é professor na Kansas, né?

POPaulo Ozaki

Não, hoje já saiu do Kansas.

RRRafael Ramon

Na época ele era doutorando no Kansas State University e hoje ele é professor na Universidade da Dakota do Norte.

POPaulo Ozaki

Exatamente. E o Carlos participou do Agro Resenha, acho que talvez uns 5 anos atrás. 2021. 2025 anos atrás. E na época eu acho que vocês ainda não tinham o Agro Connection.

RRRafael Ramon

Estávamos começando.

POPaulo Ozaki

Estávamos no início. Eu tinha uma mentoria na época para podcasters e tal, e ele participou. Mas conta um pouquinho aí do Ag Conexão, o que que vocês estão fazendo hoje, que eu sei que já não é só um podcast. O podcast, ele tá ativo, mas tem uma prioridade um pouco menor, mas tem outras atividades acontecendo ao mesmo tempo, cara. Conta um pouquinho para a gente dessa experiência, desse empreendimento.

RRRafael Ramon

É, de fato, hoje somos empreendedores também, né? Mas, cara, é aquilo que a gente vinha falando antes, E o ruim, eu me dou mal nessas coisas às vezes, porque sabe aquela coisa que tu não sabe dizer não para as coisas e é movido por desafio, né? Esse sou eu. E da mesma forma aconteceu com a Agro Connection, né? Lá atrás, em 2021, 2020 para 2021, pandemia, né? Tava começando a trabalhar, tava iniciando na empresa, o Carlos me disse assim: Cara, vamos, tava pensando aqui, tinha conversado com um amigo dele lá, por que não fazer um podcast para falar dessas experiências internacionais, falar com essas pessoas que a gente conhece lá fora, né?

Porque tem muito brasileiro trabalhando em outras universidades nos Estados Unidos principalmente, mas também na Europa, em outros países, né? E ele disse, vamos fazer um podcast para a gente trazer, convidar esses caras, né, para De uma certa forma, a gente, tanto o Carlos quanto eu, todos nós estudamos em escola pública gratuita e a gente é grato pela oportunidade que a universidade nos deu. Ele também teve experiências no exterior.

A gente se conheceu no mestrado, durante o mestrado, na verdade. E ele, sabendo da experiência que eu tinha já em outros países e tudo mais, me convidou para gravar podcast, vamos fazer um podcast para convidar o pessoal. E eu, né, óbvio que eu não ia dizer não, né, cara. Digo, o Carlos também, né, uma pessoa que eu admiro muito, admirava desde o dia que conheci assim. Ele sempre foi muito dedicado naquilo que ele faz, cara, é uma forma, comunicador também, bom comunicador, impressionante.

Para te ter uma ideia, na ocasião a gente era colega numa disciplina de solos que era de gênese e classificação de solos. A gente fez uma viagem, passou pela Serra catarinense e tal. E o Carlos dizia que queria ser professor, cara. Aí até as diferenças, né, cara? A gente é bem diferente.

POPaulo Ozaki

Do que você pede, o universo te traz de volta.

RRRafael Ramon

E daí ele, cara, ele levou muitos potinhos, né, com tampa e tal, porque ele queria coletar amostra dos perfis de solo que a gente analisasse para montar perfis artificiais para quando ele fosse dar aula poder ter os perfis de solo com as diferentes cores e tudo mais, cara.

POPaulo Ozaki

Você é doido.

RRRafael Ramon

O cara, meu, ele já estava lá na frente, sabe? E eu sempre admirei isso, a gente fazia os trabalhos juntos e tal, estudava junto para o mestrado, nas disciplinas do mestrado, o cara fantástico. Obviamente que eu não ia dizer não para um convite desses. E aí começou, cara, a gente começou com o Agro Connection Podcast numa forma de de certa forma retribuir, trazer informação, conhecimento que a gente tinha obtido no exterior e também de outras pessoas que, como nós, tiveram essa oportunidade.

E começamos a gravar esses podcasts eventuais. Daí o Carlos, na ocasião, ele disse, ah, o Paulo Ozaki lá do Agro Resenha está oferecendo lá um treinamento para podcasters e tudo mais. E eu disse, cara, eu não tenho como participar, mas eu apoio e vamos juntos. Faz, né, o treinamento, porque acho que vai ser bom para gente. E foi fantástico, né, cara. Se eu olhar hoje o que que é a estrutura do nosso podcast, ou principalmente os primeiros lá, né, cara, Agro Resenha era a referência, obviamente, né.

Todas as tuas instruções a gente tem, tá anotado até hoje, né. Eu posso puxar aqui tudo que a gente aprendeu com as tuas, com as tuas dicas e tudo mais. E foi uma— até hoje a gente chegou no— a gente tem 70 episódios gravados. A gente queria ter tido uma periodicidade maior, mas é aquela coisa, eu tava começando a trabalhar, né? Então uma dedicação bastante forte, ainda concluindo minha tese, porque obviamente eu tinha que defender minha tese ainda.

Comecei a trabalhar antes de ter defendido a tese, então sobrecarregado e tudo mais. E a gente foi indo na forma que fosse saudável para a gente também curtir o processo, né?

POPaulo Ozaki

E foi até o que eu falei na época, eu falei assim, cara, não adianta você querer fazer agora um episódio semanal que vocês vão se ferrar, pô. Faz um pouco mais passado, à medida que o tempo for passando, você, ah, beleza, agora estamos com mais tempo, faz um a mais por mês ou faz dois a mais, né, cara?

RRRafael Ramon

E a gente levou para nós assim, ó, a gente vai desfrutar disso, né, como, como hobby, né. Para o Carlos muito mais, porque ele era muito mais comunicador. Para mim, como um desafio, né, de poder conversar com as pessoas e tudo mais. Então aprendi para caramba. A gente, enfim, fez conexões fantásticas, né, por meio do podcast. Fantástico, tipo, abriu portas, né. Então às vezes a gente fala assim, pô, a gente não ganha dinheiro com isso, mas Indiretamente, indiretamente, o tempo das pessoas vale muito dinheiro.

POPaulo Ozaki

Exato, especialmente as pessoas que vocês querem acessar, né?

RRRafael Ramon

Exato, exato. E as pessoas, né, se doam, né, para isso. Poxa, cara, isso é, isso é fantástico, né? A gente sempre agradece, mas faltam palavras, né, para agradecer o tanto que é importante essas pessoas que se doaram, por exemplo, para conversar com a gente, trocar uma ideia. Trazer informação e tornar isso público de forma gratuita. Então, a gente tirava dinheiro do bolso para fazer isso. E foi fantástico, até que, enfim, daí as coisas vão acontecendo, o Carlos assumiu outras responsabilidades, depois juntou o Alexandre, hoje o Alexandre também é um co-host, a gente tem um trio para receber as pessoas nas nossas entrevistas agora.

E com o Alexandre veio uma outra camada, né, que daí foi a questão de vídeos no YouTube. Porque olha só, por meio do Agro Connection Podcast a gente se tornou conhecido, principalmente eles que estão lá nos Estados Unidos. Daí o que que acontecia? Os brasileiros iam para os Estados Unidos, sabiam que eles estavam lá, não mandava mensagem para eles, ah, não tem como receber a gente ali na universidade, né? A gente gostaria de, se vocês puderem nos mostrar um pouco da agricultura, do que vocês conhecem. Começou por aí, né?

POPaulo Ozaki

Tem um negócio aí.

RRRafael Ramon

É, daí, daí o Alexandre, né, veio com essa ideia dos vídeos no YouTube, porque o que que acontece, começou a surgir muita pergunta. Ah, o pessoal mandava mensagem: como é que tá andando a safra? Como é que tá a safra aí, né? Porque a gente sabe claramente que é um dos nossos principais competidores, né? Nas principais commodities. Então, o pessoal quer saber disso. Então, vamos começar a gravar uns vídeos durante a safra, porque nos Estados Unidos eles têm lá o USDA Report, que eles lançam semanalmente com muita informação a respeito de como está a evolução da safra nos diferentes estados.

E daí começaram a gravar os vídeos. A gente tem bastante visualização desses vídeos no YouTube e tudo mais. Também aconteceu, por exemplo, de fazer os crop tours em parceria com algumas empresas. Daí já começou a pegar preço.

POPaulo Ozaki

Claro, trabalho tem que ser remunerado.

RRRafael Ramon

Mas ao mesmo tempo, cara, aí que está. É difícil assim. O que a gente vai chegar lá, por exemplo, agora que a gente tem também o ramo de trazer os americanos para visitar a agricultura brasileira. Mas nenhum de nós largou aquilo que tava fazendo, porque a gente gosta daquilo que a gente faz, os nossos trabalhos, é feliz nos nossos trabalhos, a gente sabe do desafio de empreender. Você já trouxe aqui trocentos convidados que falaram sobre o empreendedorismo, o quanto é fantástico, mas o quanto é desafiador, né?

Então quem sabe um dia a gente, sei lá, abandona a carteira de trabalho para se dedicar ao negócio. Pode ser que aconteça, né? Mas não é, não é, não é o caso, né, nesse momento. Então o que a gente faz? A gente faz porque também gosta e vê, né, tem satisfação naquilo que faz. E agora, por exemplo, com as viagens também agregando um valor. Mas os vídeos é outra, outra, tem um outro viés também de impacto, vamos dizer assim, para comunidade, mas também, por exemplo, para os estudantes que estão lá trabalhando estudando, né, como estudantes de graduação, estudantes de mestrado, doutorado, eles gostam de, eles querem ter visibilidade, né, eles querem se posicionar.

Então, tipo, a gente encontrou uma forma nos vídeos, né, de poder trazer esses estudantes para falar um pouco sobre aquilo que eles fazem, né, nas suas pesquisas, e trazer atualização do estado que eles estão morando. E o pessoal adora fazer isso, né, e é bom para nós, é bom para eles também, ganham visibilidade. Então, tipo, também não, o YouTube também não dá dinheiro, né, mas é nesse momento nos traz muita satisfação, reconhecimento, né, isso é fantástico.

E com isso também foram surgindo outras oportunidades, por exemplo, que é essas viagens, né. Então as viagens é uma forma, né, que a gente é algo que a gente tem investido mais tempo nesse momento, né. Então A gente já trouxe algumas turmas de americanos para visitar a agricultura brasileira. A gente talvez tenha um diferencial grande nisso pelo fato de— falo principalmente pelos colegas, o Alexandre, o Carlos, eles conhecem muito da agricultura brasileira e muito da agricultura americana.

Então, quando você traz o americano para conhecer a agricultura brasileira e coloca em contexto, com a realidade deles, né, viram um baita de um aprendizado para eles. Exato. Então isso é um diferencial muito grande. Então é isso, cara. Aquela simples ideia, simples não, mas desafiadora ideia do podcast veio resultando em outros desafios, né, em que a gente se dedica, basicamente é o roteiro da sua vida, né. É isso aí, é isso aí, cara.

POPaulo Ozaki

Vendo as oportunidades e vendo o quanto aquilo ali pode agregar para o negócio, assim, para sua vida e tal, profissional. Isso é muito legal, cara, porque às vezes a gente para e não para um pouco para pensar nisso, né, Rafa? Você não é um cara velho, né? Você é um cara novo, mas a gente precisa parar às vezes e pensar nisso aí, né, cara? Do molecão lá que saiu do interior lá, não sabia nem o que que era uma universidade, e hoje você tá aí Conversando com gente do mundo todo que faz esse trabalho bacana e tá fazendo um trabalho relevante também dentro da companhia onde você tá. Então isso é motivo para se orgulhar, sim, cara.

RRRafael Ramon

É, eu confesso assim, acompanho a Agro Resenha, né? Não todos quanto como gostaria, porque a gente não consegue, mas passou tanta gente aqui, né? Tantas pessoas de peso sentadas, né? De frente para ti para conversar. Então eu pensei, poxa, cara, o que que eu vou levar, né? O que que, qual é o tema que a gente vai conversar? Porque acaba que as coisas, né, vão acontecendo, né? Parece que a gente não fez nada demais, enfim. Mas quando tu olha para trás, tudo que o cara passou, as experiências, né, e Enfim, eu gosto de falar também para as pessoas próximas, podia estar melhor talvez trabalhando, investindo na agricultura lá com meus pais, melhor economicamente ou financeiramente, sei lá.

Mas se o cara está adepto às oportunidades, abraça as oportunidades e abraça aquelas que lhe oferecem alguma satisfação, algum retorno, o crescimento, cara, isso não tem preço. E poder, por exemplo, ter saído, ido para universidade, universidade abriu portas para mim, né? Morei fora já em 3 países, na Espanha, Bélgica e na França, né? Por meio dos estudos, de forma gratuita, né? Não, sem tirar dinheiro do bolso, cara, abriu a minha cabeça, né?

Então A gente tem que estar aberto às oportunidades. Eu acho que é um exemplo de que não importa de onde você vem, esteja atento ao que pode vir e o futuro, os sonhos se realizam. Já realizei muitos dos meus sonhos, então sou feliz e grato pela trajetória até aqui.

POPaulo Ozaki

Show, show. Nós não vamos entrar num assunto legal aqui porque eu ainda vou te levar no Agro Runner. Fica tranquilo que lá é mais espaçado, né? Então aquele lá é o início, né? Se lá não dá dinheiro, a gente faz pela satisfação. Mas você é um puta de um corredor do caralho também, né, velho? Maratona em quanto tempo?

RRRafael Ramon

2 horas e 58.

POPaulo Ozaki

Porra, bicho, abaixo de 3 horas é coisa boa para demais. Eu vim aqui para correr, mas meu objetivo é chegar, então eu não tenho esse lance da performance.

RRRafael Ramon

Mas é assim, cara.

POPaulo Ozaki

Mas é legal, né, cara?

RRRafael Ramon

É assim.

POPaulo Ozaki

Há quanto tempo já você corre?

RRRafael Ramon

Cara, a história com esporte também, né, tipo, nunca foi algo que assim planejado, né. Eu comecei lá em 2017 com CrossFit. CrossFit também tinha corrida e tal, né. Daí eu fui para França, e na França o CrossFit não ia rolar porque eu não tinha cacife para bancar um CrossFit lá. E daí comecei a correr na rua, né, e vi que, poxa, corredor também tem, tem. E não, E pô, correr em Paris, cara, que oportunidade! Cada esquina que você corria, tu viu um negócio diferente, né?

Um monumento, uma história ali, cara, fantástico. E daí vira uma droguinha, né? Daí o cara começa. Daí lá na— eu disse, poxa, onde eu morava, eu morava dentro de Paris, né? Na Cité Universitaire. E o trabalho era para fora, umas cidadezinhas nos subúrbios, né, de Paris. E um dia olhei assim no Maps, 21 km do trabalho até em casa. Eu vou fazer uma meia maratona aqui. E aí foi, cara.

POPaulo Ozaki

E aí foi.

RRRafael Ramon

Voltei, continuei. E a corrida é bom demais, né? A gente pode falar mais.

POPaulo Ozaki

A gente pode falar mais. A gente vai falar mais sobre isso aí lá no Agro Runners. Você tá mais do que convidado, cara. E, cara, muito obrigado, viu, meu? Passamos aí já quase uma hora conversando, cara. Muito bom, obrigado por você ter tirado um tempinho aí. Eu sei que você— arranquei você das férias, cara, mas tenho certeza que quem escutou aqui aprendeu muito com sua história aí também. Obrigado pelo tempo aí, parabéns pelo seu trabalho, velho.

RRRafael Ramon

Cara, fantástico, muito obrigado. Eu que agradeço pela oportunidade. Mais uma dessas, né, cara?

POPaulo Ozaki

Tá vendo?

RRRafael Ramon

A gente se encontra aqui em Porto Alegre, então aqui no quintal da minha casa, na rua aqui do lado é onde eu treino, cara. Eu treino aqui dentro da PUC, né, na assessoria, aqui na pista. Legal. E, e, Tchê, falar contigo aqui no Agro Resenha, é, eu zerei o game, né, cara, do mundo dos podcasters do agro aí, cara. Poxa vida, aí foi fantástico. Obrigado aí, cara, pela oportunidade, uma satisfação enorme.

POPaulo Ozaki

E para quem tá ouvindo, assistindo a gente aqui, cara, como que a gente pode acompanhar o seu trabalho?

RRRafael Ramon

Trabalho do Agro Connection, deixa aí, ó, faz o jabá Cara, sugiro aí para turma, se, né, com a permissão do mestre, seguir lá o Agro Connection Podcast, o Agro Connection no Instagram, né, Agro Connection Podcast, nas, como vocês encontram a Agro Resenha aí nas múltiplas plataformas. Mas lá no Agro Connection do Instagram você vai encontrar lá muita, muita informação, conteúdo, eventualmente algum podcast também, algum episódio.

A gente tá devagar aí nos episódios do podcast, mas tem semanalmente lá, tem muita informação a respeito da agricultura americana, principalmente uma boa forma de se atualizar. Quem é do mundo da corrida e quiser acompanhar também as maratonas por aí, né, também tem lá no meu perfil, Rafa Ramon 11. Enfim, estamos aí. Hoje não é tão difícil da gente se encontrar, né? Tranquilo, só largar aí no Google, o cara já acha facinho.

POPaulo Ozaki

É isso aí. E cara, para a gente finalizar aqui, vamos para o nosso glorioso quiz, né? Bora!

RRRafael Ramon

Você achou que eu ia me escapar, cara?

POPaulo Ozaki

Nada, cara. Bom, você já conhece, então vou te fazer umas perguntas, você responde a primeira coisa que vier à cabeça, tá? Beleza. Rafael Ramon, qual que é a sua música antiga predileta, cara?

RRRafael Ramon

Cara, é difícil, né? É difícil, mas eu—

POPaulo Ozaki

essa aqui é a parte mais difícil do podcast.

RRRafael Ramon

É difícil, cara, mas assim, desde criança escutando nas rádios lá da Serra Gaúcha, tocava muito sertanejo. Planejo, né? E uma clássica que nunca sai da moda é evidências.

POPaulo Ozaki

Eu já contei essa história, acho que em alguns lugares já, cara, mas eu lembro que eu fui com um grupo de— eu trabalhava no instituto e a gente foi levar uns produtores para França. E aí lá perto dos Alpes da França ali tem uma caverna super famosa que eu não vou lembrar onde que é, tá? Que é uma caverna que tem pinturas rupestres e tudo mais. E aí lá dentro o cara do guia falou assim, ó, aqui era o lugar onde eles se reuniam, acendiam uma fogueira e muito provavelmente eles cantavam. Vocês não querem cantar uma música?

RRRafael Ramon

Adivinha só, adivinha só. É, não, essa não tem como.

POPaulo Ozaki

E cara, qual que foi o lugar mais legal que você visitou?

RRRafael Ramon

Pô, coincidência, cara, né? Eu pensei assim, tem dois lugares que eu achei fantástico. Posso falar dois?

POPaulo Ozaki

Pode.

RRRafael Ramon

Um é na França, na França divisa com a Suíça, que são os Alpes, né? Estive lá fazendo hiking e, cara, verão lá, então não tinha. Fantástico. Eu, mas, ó, engraçado, cara, eu fui no final do verão, início do inverno, então fora do período de férias, em que aquilo tava meio vazio assim. Então a gente conseguiu chegar nos glaciares e tudo mais, cara. Pô, aquela paisagem é de tirar o fôlego. Mas eu também queria fazer referência à Amazônia, cara.

Eu já fiz uma imersão lá na Amazônia, passamos uns dias durante o período de cheia, cara, navegando lá pela Amazônia, cara. Aquilo, meu, você viu o tanto que a gente é pequeno, né? Exatamente. É difícil explicar, só vendo para crer.

POPaulo Ozaki

E, cara, e na cozinha, qual que é a sua especialidade, meu velho?

RRRafael Ramon

Poxa, cara, eu esqueci dessa, não pensei. Comer, né? Mas o meu prato que eu gosto de fazer e comer é o arroz de carreteiro, mas não com carne seca, né?

POPaulo Ozaki

Com sobra de churrasco. Mas aí é nós, irmão. Porra, é nós.

RRRafael Ramon

Vou fazer um para nós então.

POPaulo Ozaki

E, cara, tem algum livro que de alguma maneira impactou sua vida que você pode compartilhar com a gente, cara?

RRRafael Ramon

Tem um que eu li recentemente, é uma fábula relativamente curta, que é O Cavaleiro Preso na Armadura. Ele fala um pouco assim sobre como a gente no dia a dia tenta, veste capas, né, ou coloca armaduras para se mostrar para o serviço que a gente quer fazer, ou para, enfim, para se proteger, né. E às vezes esquece, né, do nosso interior, das nossas emoções, de quem a gente é. É realmente. Então é uma, vale a pena assim para a gente refletir às vezes sobre quem a gente é mesmo assim, se é necessário às vezes a gente ficar vestindo essa armadura, né, para mostrar quem a gente não é, talvez. Muito bom, muito bom.

POPaulo Ozaki

E cara, agora para finalizar mesmo, hein, aquela mais filosófica: se você se encontrasse com o seu eu de 17 anos, cara, recém saído lá do internato, não sabia se ia lá para faculdade ou não, qual que seria o melhor conselho que você se daria?

RRRafael Ramon

17 anos é a metade do caminho até aqui, tá? Então, 34, cara, encare os desafios sem medo, né? Esteja sempre aberto a a todas as oportunidades, dê o seu melhor, que você vai realizar seus sonhos, vai chegar onde você está almejando. Acho que o principal é isso, cara. Não tenha medo do novo, não tenha medo de se desafiar. Eu acho que isso é, para quem é movido a desafios principalmente, eu acho que esse é o motorzinho da vida, né?

O cara ter um desafio ali na frente para tentar chegar mais longe. Então sempre tenha os objetivos e tudo mais, mas não tenha medo deles, não tenha medo da mudança, né, das oportunidades que possam bater à sua porta.

POPaulo Ozaki

Muito bom, muito bom. E para você que ouviu ou está assistindo esse episódio aqui até agora, tem certeza que você viu valor nessa conversa que eu tive com o Rafael aqui. Então considere compartilhar esse episódio com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo. O Agro Resenha cresce à medida que você participa com a gente desse processo. Então siga o Agro Resenha em todos os agregadores de podcast: Spotify, Apple Podcast, Deezer.

E também estamos no YouTube, como você bem sabe. Nós estamos gravando os episódios agora praticamente todos presenciais, então tem imagens lá também, cara. Cola lá no YouTube nosso lá do Agro Resenha. Você também pode acompanhar os episódios lá no nosso site, o www.agroresenha.com.br. Lá você consegue mandar até mensagem para nós aí também. Esse podcast podcast, assim como vários outros podcasts, faz parte da nossa rede agro de podcasts.

E siga a gente lá na nossa rede social, @agroresenha, no Instagram, Facebook, LinkedIn, né? E entre no nosso grupo do WhatsApp, lá tem mais de 300 pessoas já que acompanha as notícias, enfim, todos os episódios que a gente vai mandando, os bastidores do Agro Resenha também. Já cola lá, tá? O link tá aqui na descrição do episódio. Inscreva para contato, @agroresenha.com.br. Se quiser mandar sugestão de entrevistados, mandar um oi pra gente, a gente adora receber o ex.

Beleza? Fel, mais uma vez, eu sempre finalizo meus episódios com aquela frase muito de sabedoria, cara, que é o seguinte: se chover não precisa molhar a horta não, hein, meu amigo? Valeu. Obrigado, cara.

RRRafael Ramon

Obrigado, eu que agradeço.

POPaulo Ozaki

Tamo junto. Fantástico.

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