Episódios de Agro Resenha Podcast

BQDD #02 - O boi deixou de ser poupança e virou negócio

21 de julho de 20261h6min
0:00 / 1:06:44

Neste episódio do Boi que Deixa Dinheiro, Paulo Ozaki reúne personagens centrais da criação do sistema do novilho super precoce para revisitar uma virada histórica da pecuária brasileira. A conversa com Antonio Carlos Silveira, Luís Artur Chardulo e Mário de Beni Arrigoni mostra como ciência, nutrição, qualidade da carne, gestão do ciclo produtivo e comunicação ajudaram a romper paradigmas de uma atividade ainda marcada por baixa eficiência. Um episódio para pecuaristas, técnicos e gestores que querem entender como inovação aplicada, visão de longo prazo e decisões bem fundamentadas transformam resultado dentro da fazenda.

PARCEIRO DESTE EPISÓDIO

Este episódio foi trazido até você pela Silveira Consultoria! A Silveira é uma consultoria especializada em gestão e inovação no agronegócio, oferecendo serviços como consultoria produtiva, coleta de dados e apoio à tomada de decisões. A empresa apoia produtores com soluções práticas para melhorar eficiência e resultados na pecuária, integrando tecnologia e conhecimento do setor.

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FICHA TÉCNICA
Apresentação: Paulo Ozaki
Produção: Agro Resenha
Convidados: Antonio Carlos Silveira, Luís Artur Chardulo e Mário de Beni Arrigoni
Edição: PH de Oliveira

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Participantes neste episódio4
P

Paulo Ozaki

Host
A

Antônio Carlos Silveira

ConvidadoAgrônomo
L

Luís Artur Chardulo

ConvidadoProfessor
M

Mário de Beni Arrigoni

ConvidadoProfessor
Assuntos8
  • Origem e história do Supera30 anos do Super Precoce · Próximos 30 anos da pecuária brasileira · Genômica e marcadores genéticos · Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) · Sustentabilidade e eficiência
  • Produção de CarnesCiência da carne · Seleção genética e adaptação · Nutrição e formulação de rações · Creep feeding e desmama precoce
  • Origem do Novilho Super PrecoceEvolução da pecuária brasileira · Sistema de produção do Nelore super precoce · Ciência, nutrição e gestão
  • Impacto financeiro das facçõesRetorno do capital investido · Liquidez e giro do dinheiro · Custo de produção versus benefício · Marketing e percepção do produtor
  • Desafios e Aprendizados na PecuáriaBaixa eficiência na atividade · Inovação aplicada e visão de longo prazo · Romper paradigmas
  • Operacionalização das EquipesFormação acadêmica e orientação · Pesquisas em pecuária intensiva · Desenvolvimento de novas tecnologias
  • Divulgação e Aceitação da InovaçãoPalestras e peregrinação pelo país · Resistência da academia e do mercado · Papel da comunicação e mídia · Publicações científicas internacionais
  • Perspectivas Setoriais e TecnológicasMelhoria genética e heterose · Adaptação de tecnologias estrangeiras · Ultrassonografia na pecuária
Transcrição159 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
POPaulo Ozaki

E aí, pessoal, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda ao podcast Boi Que Deixa Dinheiro, que é uma parceria do Agro Resenha com a Silveira Consultoria, que você já bem sabe, nós estamos gravando diretamente do evento. Hoje diretamente do evento, né, professor?

ACAntônio Carlos Silveira

Hoje diretamente do evento.

POPaulo Ozaki

Estamos aqui no evento Boi Que Deixa Dinheiro. E para você que não conhece ainda, a Silveira Consultoria está há 40 anos transformando resultados por meio de gestão estratégica, inovação e boas práticas aí na pecuária. E nesse episódio eu me sinto, como é que eu vou dizer, lisonjeado por estar aqui com essas 3 pessoas que fazem parte da história da evolução da pecuária brasileira, que é professor Antônio Carlos Silveira, Luiz Arthur Chardulo e Mário de Beni Arrigoni, que estavam lá no início da formação do que veio a ser o sistema de produção do Nelore superprecoce.

Pessoal, muito obrigado por vocês estarem aqui, topado esse desafio, né, professor? Sim, tá aqui com a gente. Todo mundo já conhece o senhor, né?

ACAntônio Carlos Silveira

Mais ou menos, né? Mas É, você sabe que fazer o super precoce, tudo bem, a gente conseguiu, mas deixar a gente super precoce não teve jeito. Eu tentei, mas não adiantou nada.

POPaulo Ozaki

Professor Luiz, muito obrigado por você estar aqui, viu?

LALuís Artur Chardulo

Satisfação enorme, é muito prazeroso para nós. Bom, nós fizemos isso a vida inteira, né, transferir esse conhecimento e a vontade de que as coisas melhorassem e funcionassem. E hoje a gente tem uma, uma, um gostinho de, não diria de vitória, mas um gostinho de algo cumprido, mas que pode ser melhorado. Com certeza, o Superprecoce tá aí, é uma realidade, mas dá para melhorar. E a gente tem certeza que as coisas vão andar cada vez mais rápido do que veio até aqui.

MDMário de Beni Arrigoni

Professor Mário, ah, então esse é o prazer que a gente tava na expectativa de reencontrar não só pessoas, né, mas também o resultado que iniciou dentro de um trabalho grande, um trabalho orientado, um trabalho fundamentado e um trabalho também muito divertido em termos de, assim, a gente tem episódios assim que marcaram como era importante a nossa união, né, a união de trabalhar por um bem comum. E a gente, como o Arthur falou também, a gente não sabia onde que ia chegar, mas chegamos numa proposta de convidar para uma mudança. E esse convite, acho que é esse que é o legado um pouco que vai ficar.

POPaulo Ozaki

Exato, exato. Bom, a história do professor aqui a gente já contou no primeiro episódio, mas queria brevemente cada um de vocês pudesse contar um pouquinho da história de vocês, né, de onde vocês vieram, como é que foi todo esse processo aí.

LALuís Artur Chardulo

Ó, eu vou deixar para o mais velho, eu vou deixar para o Mário começar.

MDMário de Beni Arrigoni

Mais experiente, ele quis dizer, por favor.

POPaulo Ozaki

Jovem há mais tempo, há mais tempo.

LALuís Artur Chardulo

Hoje nós estamos na universidade juntos, nunca deixamos de Sabe? E o Mário hoje é meu chefe.

POPaulo Ozaki

Aí, tá vendo?

LALuís Artur Chardulo

Hoje ele tá numa— ele é meu chefe também porque ele é do departamento, e aí tá meio complicado isso.

MDMário de Beni Arrigoni

Mas pela idade, não, então eu acho que tem uma, uma, um pedaço da história muito bom, que é assim, ter sido aluno do professor Silveira, né? E não foi um aluno que a gente fala assim, não, é trivial. Não, o Silveira, ele ele envolvia a gente nos passos que ele queria dar. Então, com esse aprendizado da continuidade, é que eu me senti assim honrado, né, muito honrado de poder participar desde o início de todos os passos que foram dados.

Então, o professor Silveira foi meu orientador de mestrado. Então nós fizemos um grande avanço, fomos mexer dentro de uma usina, mexer com vinhaça, que era uma coisa assim extremamente preocupante na época aqui do Proálcool, né? Então já começou a inovação. Isso acho que deu uma, implantou na gente uma semente assim muito forte do que representaria as ideias novas para pecuária. Essa foi a minha, a minha que eu recebi e é que eu tento passar hoje também, ser contaminado por ideias boas.

E o Silveira foi assim extremamente estratégico na vida de todos nós. Todos nós temos um legado enorme. Então só podemos transmitir felicidade de estar nesse momento dividindo aí esse, esse papo.

LALuís Artur Chardulo

Bom demais, bom demais.

POPaulo Ozaki

Agora um pouquinho da sua história também.

LALuís Artur Chardulo

Ela começa junto, né? Nós, quando, quando Mário desenvolveu esse projeto, né, na verdade foi primeiros projetos científicos mesmo, né, de pecuária intensiva. Eu era estagiário, eu ficava ali observando os animais. A gente tinha um método de análise visual comportamental dos animais, coisa que a gente sempre levou muito em consideração. De lá para cá, as pesquisas capitaneadas sempre pelo professor Silveira se intensificaram bastante.

Na época, eu fui convidado a entrar na pós-graduação para de compor uma equipe, né, que vinha se formando. Nós estamos falando em 1987, 88, muito tempo atrás. E foi ali que eu descobri que tinha um grupo de pessoas que faziam alguma coisa diferente. Muitos colegas meus achavam que aquilo, vamos continuar com o boi no pasto, com aquela suplementaçãozinha, Esse é o caminho, esse é o que emprega a gente. E o Silveira sempre olhando lá na frente, falando: não, mas não é o que tá acontecendo nos Estados Unidos, não é o que tá acontecendo na Austrália, não é o que tá acontecendo no mundo, né?

Pecuária mundial vem crescendo, esses caras estão produzindo carne com qualidade, e a gente aqui ainda pensando em adubar pasto, que é uma necessidade, que até hoje nós somos deficientes nesse sentido. Mas o Silveira falou, isso já tá sendo feito, vamos fazer algo mais. E foi exatamente esse algo mais que mexeu com um grupo de estudantes que, obviamente, com toda a simpatia do Silveira, a empatia que ele tem, né, em trazer as pessoas para perto, a gente chegou cada vez mais perto e nos abraçou e falou, preciso de vocês para a gente desenvolver algo que sempre pensei que pode ser um start na pecuária, que é buscar a eficiência do animal, trabalhar a eficiência do animal, o quanto o animal é capaz de crescer dentro do seu potencial genético, e não o quanto a gente consegue produzir dentro do que a gente tem a oferecer. Vamos oferecer algo diferente para o animal e ver como ele responde.

POPaulo Ozaki

Bacana.

LALuís Artur Chardulo

Então as pesquisas todas caminharam nesse sentido, e foi aí que o sistema foi sendo criado. Ele foi criado com perguntas, pequenas perguntas que foram se somando, se somando, até que em um determinado momento— nós estamos falando 10 anos de pesquisas básicas, área de bioquímica da carne, fisiologia do crescimento— e num determinado momento ficou claro que tinha um modelo de produção ali. A gente tinha chegado num animal diferente.

Pronto, agora sim, agora nós vamos começar a desenvolver um novo sistema, que é o sistema do novilho superprecoce.

MDMário de Beni Arrigoni

O nome superprecoce inicialmente ele foi tratado, trouxe uma certa antipatia, teve um meio arrogante, sabe?

LALuís Artur Chardulo

Super, por que super, né? Super é o Superman, mas quem é? Mas é porque tinha o precoce e ele era diferente. E os americanos chamavam de super precoce, um animal super eficiente, um animal de crescimento super rápido. Por que a gente não poderia chamar? Por que isso, né? Porque esse preconceito com o nome, né, que na verdade tá dizendo que ele é diferente. E eu acho que aí que as coisas tomaram corpo, quando a gente sentiu que que a pecuária tradicional, que aquelas pessoas que obviamente ganhavam dinheiro, faziam a pecuária crescer mais ao seu modo, não sei se sentiram um certo incômodo ou uma quebra de um paradigma que não deveria ser quebrado naquele momento ou tocado naquele assunto.

E aí que acho que o professor Silveira se sentiu meio desafiado e falou, vamos em frente. Vamos pra cima, né? Vamos em frente.

POPaulo Ozaki

Bom, conhecendo um pouquinho mais da história aqui de vocês, né? Me remonto aqui para a gente entender também como é que o momento que a gente vivia na pecuária no Brasil naquela época, né? E mais do que isso, o que que mais incomodava vocês na época para começar um projeto tão audacioso como foi o Superprecoce? Queria entender um pouquinho como que era o contexto da pecuária da época aí, professor.

MDMário de Beni Arrigoni

Vamos lá, professor.

POPaulo Ozaki

Pode ser, pode ser, claro.

ACAntônio Carlos Silveira

Se vocês quiserem falar também, manda ver, professor. Não, na verdade O que mais me doía na época, a minha dor principal, era sendo professor e deixar a zootecnia paralisada como estava, sem crescimento, sem um objetivo claro. Consequentemente, o sangue fervia, né? Precisamos fazer alguma coisa. Nós, como professor, como equipe, Então, primeira coisa que nós fizemos foi montar uma equipe. Nossa equipe não podia ser grande porque nós não tínhamos tantos professores e mais abnegados para pegar uma empreitada desse tamanho, né?

Então fomos buscar o melhor que tínhamos, né? Mário e o Arthur, né? E trouxemos também um outro que não pôde vir aqui, que era o Henrique Nunes de Oliveira, que é professor e Hoje é professor ainda em Jabuticabal, ainda que aposentado. Então nós 4 reunidos conversando sobre a matéria, montamos o protocolo aproximado de como seria esse desenvolvimento deste animal. Que teria aspecto físico, até comportamental, diferente do que tínhamos na época.

Porque na época, só lembrando, mamatava-se boi mais passado, boi de 4 anos para cima, 5 anos. Nós não tínhamos uma genética apropriada para crescimento, como o Arthur falou, né? Desenvolvimento sobre o crescimento fisiológico, sobre o crescimento, né, sobre a qualidade da carne. Quer dizer, não tinha nada disso. Eu me recordo que ainda novo, um pouco antes, lógico, eu era incumbido de mamãe, que tem um açougue perto de minha casa, e comprar carne de vaca para fazer bife para as crianças.

Quer dizer, naquela época Açougueiro não sabia de nada, a mãe não sabia de nada, ninguém sabia nada. Você vê como a coisa evoluiu em pouco tempo, não é isso? Então era assim, comprar carne porque sabia que carne é importante nutricionalmente, né? Mas a qualidade da carne, de onde vinha a carne, isso era ignorado por todos. E na universidade a gente só lembra de alguns aspectos. Por exemplo, naquela época o boi não era explorado com sentido comercial, O boi vinha da importados, né, importava ser reprodutores, fazia cruzamento do que que nós tínhamos, que era outro zebu, cruzava zebu com zebu, tá certo?

Um zebuíno mais adaptado ao trópico, logicamente, né? Mas sem desenvolvimento, veja bem, sem nada, ficava no pasto comendo capim. Quando tinha capim, geralmente tinha, porque na desmatar as matas, explorar a terra, plantava-se capim no lugar da mata. Com isso, o boi tinha capim para comer, mas não tinha outro nutriente. Se eu bem lembro, vocês podem até me corrigir, mal dava-se um sal mineral, se dava. Na realidade, se dava. Quer dizer, não tinha uma suplementação adequada para nós termos um desenvolvimento, fazer alguma, algum animal, algum, veja bem, diferente do que se tinha.

O boi era considerado um depósito de dinheiro do produtor. Quando precisava de uma, resgatar uma quantia, vendia-se um lote lá para velho de 4, 5 anos, matava-se, ganhava aquele dinheiro, continuava como tá. E assim tocava-se a zootecnia. A própria faculdade de zootecnia mal existia na época.

MDMário de Beni Arrigoni

É verdade, tava começando.

ACAntônio Carlos Silveira

Então era um negócio realmente uma estrutura muito atrasada, arcaica, que nós partimos para isso. Vamos modificar. Essa era a dor que nós tínhamos, que acho eu que eu como professor, e eles também como professor, a dor era igual. Vamos, o que nós podemos fazer para melhorar isso aqui? Só que não dá certo. Eu sou um professor, afinal de contas. Vamos melhorar essa cabeça desses meninos que estão estudando aqui conosco. E essa era a intenção no momento, né?

Eu acho que mais ou menos qual era a dor que foi perguntada, era isso, uma modificação em virtude do atraso no abate dos animais e na qualidade da carne. O que é sabido e perfeitamente comprovado, que carne macia subtende animal jovem. Animal, quanto mais jovem, mais macia é a carne, tá? E nós batíamos o animal tarde, quer dizer, a carne só podia ser de uma qualidade. Então é mais ou menos isso, mas eu acho que eles deveriam complementar aí alguma coisa da carne.

LALuís Artur Chardulo

Eu vou entrar na minha área ali, que é a qualidade da carne. Eu entrei na equipe exatamente para isso, né, para estudar a qualidade da carne dos animais. E na época nem existia, acho que esse tema ciência da carne, né? Hoje nós temos, os alunos têm aula de ciência da carne, né? Damos aula de ciência da carne. E uma das questões mais importantes da pecuária, considerando o produto final, é o produto ao consumidor, era a qualidade da carne.

A carne do Nelore obviamente tem, é diferente do europeu nos aspectos de origem, segregação genética, né? Um foi, segregou numa região em que existia comida e as pessoas queriam comer aquela carne. Então ela foi selecionada para qualidade, e o zebuíno não. O zebuíno foi selecionado para trabalhar, foi selecionado para sobreviver, né? E se adaptou muito bem a isso. E obviamente que a gente tinha que trazer esse animal, afinal de contas nossos animais sobreviviam também, né?

Nós estamos falando de 40 anos atrás, eles praticamente sobreviviam. Claro, a carne diferente, Qual era o principal apelo para a gente melhorar essa carne? Acho que a coisa mais fácil é abater o animal mais jovem. Quer dizer, não existia o conceito de marmorização, de marmoreio, de gordura intramuscular. Era acabamento mínimo para carne não queimar nos frigoríficos, que também trabalhavam com qualquer tipo de produto. Quer dizer, não tinha essa tecnologia preparada para uma matéria-prima mais específica.

Abatia-se de tudo, desde Vacas de leite, o que nós chamamos os tucuras, tatu com cobra, ia tudo para o frigorífico. Eles precisavam de um acabamento mínimo e uma carne que fosse saudável, uma carne com segurança alimentar. Modificar a idade seria uma coisa mais simples. Então vamos fazer esse animal morrer antes, que ele chegue antes, ao menos a maciez a gente consegue melhorar. E o resultado, ele acontece, ele vem a partir daí.

Ah, mas a carne tinha pouca gordura, tal. Uma coisa de cada vez. Então, quando a gente adotou o sistema, quando ele veio, ele além de mexer com a pecuária, né, falou: ó, temos que investir no animal, não é só no pasto, não é só no manejo, é no animal. Nós temos que olhar para o animal, temos que medir o animal, fazer as medidas, temos que observar o animal. Ao mesmo tempo que nós pensamos isso, a gente pensou no produto também, né?

Porque a gente falou assim, pô, podemos conquistar um mercado diferente a hora que você coloca precocidade. E aí foi a mudança, a mudança paradoxal mesmo foi essa, quer dizer, o momento em que esse produto chegou ao mercado e as pessoas consumiram e falaram, ah, esse é o Super Precoce? Gostosa a carga. Realmente ela é muito boa. Ela custa muito mais? Não, ela não custava mais, ela não custava, porque ela tinha um modelo que o objetivo não era custar mais, o objetivo era oferecer algo diferente pelo mesmo preço.

E isso aí obviamente que mexeu em todo o setor, mexeu em todo o setor. Eu me senti satisfeito quando isso aconteceu.

ACAntônio Carlos Silveira

Inclusive, eu acho que o Mário Podia acrescentar um pouquinho aí a parte de nutrição, porque a especialidade do Arthur é carne, a do Mário era alimentação, né, ela nutrição, né.

LALuís Artur Chardulo

Mas para isso tanto algumas mudanças tivemos que fazer na alimentação, chegar lá mais rápido, mais rápido.

ACAntônio Carlos Silveira

Comida.

LALuís Artur Chardulo

Aí nós tivemos o Henrique, o professor Henrique, melhorar, melhorista, né, um dos maiores melhoristas do Brasil, Henrique Nunes de Oliveira, ele que nos orientava nos programas industriais, na parte estatística, nos projetos. E esse animal tinha que comer alguma coisa, né? Não era só fazer um motor bom, tinha que ter um combustível, né? Aí era o trabalho do Mário e da equipe.

MDMário de Beni Arrigoni

É, mas eu acho que tem um capítulo muito interessante aí, que é assim, as discussões e os embates que a gente tinha de crítica, né, de ter uma ideia arrojada ela era sempre muito bem fundamentada, porque o professor Silveira estudou a fundo as bioquímicas e as fisiologias. Isso também contaminou a gente, né? Então a gente sabia que a gente não falava bobagem, a gente sabia que o pessoal não queria escutar essa bobagem, mas isso foi uma, uma, acho que foi um caminho muito bacana da gente ter feito isso fundamentado, né?

E apesar daquela luta de fazer experimentos, né, toda dificuldade de financiamento, de parcerias, tudo, Mas o resultado sempre aparecia e a gente divulgava, fez barulho, né, Silveira? Fez barulho, né, Arthur? Então isso foi nos dando força, né? E aí, como foi tocada a parte de nutrição, novas tecnologias foram buscadas, né? Então o creep feeding, por exemplo, era— nossa, falar de creep feeding era só potro que sabia o que era um pítreo, né?

Era só cavalo que sabia, né? Falar de milho úmido era só suínocultura que sabia ou a bovinocultura de leite. E nós falamos assim, não, vamos fazer isso numa escala, numa escala de— então são tecnologias que vimos assim, fomos percebendo que dava mais acabamento, mexia na fibra muscular, então, mas tudo com uma base científica, né? Então acho que isso é bater um pouco de frente, né? E a gente sabe que tinha correntes que parecia que defendia assim, vou usar um termo assim, não adianta aplicar tecnologia que isso nunca vai ser reembolsado.

Então assumam que isso é uma coisa que é meio visionária mesmo, é uma quase uma utopia. E o contrário, a gente sempre defendeu falando assim, não, um dia, né, um dia a qualidade ela vai ser reconhecida, né? Não por bonificação, que a gente nem sabia que ia ter um negócio desse, mas por uma questão do papel da universidade mesmo, de trazer para a sociedade uma alternativa.

ACAntônio Carlos Silveira

Até, né, Mário, Eu acho que até a formulação da ração você mudou, né? Que antes usava-se volumoso, meio maior quantidade, a relação volumoso-concentrado foi mudada e nós tínhamos muito concentrado. Foi isso, né, Mário? Mais ou menos. Não sei se você viu isso na Argentina, onde foi.

MDMário de Beni Arrigoni

Não, é daí não, fui assim apoiado por vocês para ir dar um pulo lá no Texas, né? E aí, aí essa, né, cheguei para o Silveira e falei, eu acho que vou fazer uma proposta aí, vamos tentar mexer na relação volumoso-concentrado. E era necessário porque nós estávamos mexendo, como o Arthur falou, uma genética mais exigente. Então foi, foi um passo, foi dado, e isso repercutiu no ciclo e tudo mais.

POPaulo Ozaki

Então, e teve um aspecto também, né, que aí até já conversou sobre isso, né, professor, que é o cruzamento industrial, né, que até veio antes disso aí, no sentido de tipo Poxa, a gente não tem um animal pronto para isso, pronto para fazer isso, porque nós temos zebuíno, que, né, tem essa origem que você comentou de vir, ele é sobrevivente lá, né, veio para cá selecionado na restrição alimentar, né.

LALuís Artur Chardulo

Você sabe, Paulo, que quase o cruzamento industrial, ele quase morreu, né. Ele veio para o Brasil, né, foi uma, era uma alternativa de melhoria rápida do produto, né, o cruzamento industrial pela pela somatória das características positivas de ambas as espécies, e a heterose como um ganho suplementar, né? Mas tratou-se o cruzamento industrial como um Nelore, como um animal de pasto, quer dizer, cruza e joga no pasto. Ele quase acabou.

Os frigoríficos não queriam animal cruzado porque o animal cruzado não tinha peso, não tinha acabamento, não se adaptava ao pasto como se adaptava, não pegava carrapato, tinha uma série de problemas.

POPaulo Ozaki

Era até pior do que tava.

LALuís Artur Chardulo

Nós trouxemos um carro bom que não tinha gasolina boa, ninguém sabia dirigir. Aí nós falamos, vamos dirigir ele, vamos colocar ele no autódromo, ver o que que ele é capaz de fazer. E mostramos que o carro andava realmente, só que ele tinha algumas exigências, e é que as coisas deveriam ser feitas técnicas, tecnologias deveriam ser desenvolvidas. E foi aí que o Mário fez uma viagem para os Estados Unidos, ficou um bom tempo lá e trouxe toda essa tecnologia para cá.

E aí começou a criar um corpo, né? Falou, bom, Nós vamos precisar de dinheiro para fazer tudo isso.

POPaulo Ozaki

Nesse ponto que eu queria chegar, porque não deve ser tão simples, né? Hoje a pesquisa já não é tão fácil de fazer, mas na época, né, professor?

ACAntônio Carlos Silveira

Na época era muito difícil, nós não tínhamos verba para fazer. Então nós criamos toda uma metodologia para que a gente engarasse fundo, né? Fosse através da empresa privada ou através de instituição. Nós escolhemos a FAESP, que é o fornecedora de recursos para universidade e conseguimos ajeitar alguma coisa, mas eles vão falar com mais detalhes, né? Mas o muito importante disso tudo, antes de passar para isso, eu gostaria que o Mário relatasse.

O Mário foi levado aos Estados Unidos justamente para descobrir que algumas coisas por literatura a gente sabia que usava lá e aqui não se usava. Por exemplo, ensilar o milho, um, para quê? Veja bem, é fazer ultrassonografia para quê?

MDMário de Beni Arrigoni

Ultrassonografia é para quê?

ACAntônio Carlos Silveira

Então eu acho que essas coisas, fazer o Creep Feeding, que é o Creep Feeding, para quê fazer Creep Feeding? Quer dizer, são 3 atrações novas que nós colocamos na pecuária que ninguém usava.

MDMário de Beni Arrigoni

E o que é loucura usar, né?

ACAntônio Carlos Silveira

E o que é importante é para ressaltar que essas tecnologias permanecem ainda sendo usadas até hoje. Veja bem, isso são 30 e tantos anos antes disso acontecer. Nós montamos isso já. Só agora, agora nesses últimos, uma década que tá aflorando isso na pecuária. Veja bem, então foi realmente uma inovação, uma mudança, uma transição árdua, dura, que chocou. Então daí acho que vem as perguntas que estava querendo fazer.

MDMário de Beni Arrigoni

Eu acho que eu só vou abrir um parênteses, né, apesar de cortar um tempo, mas agora refletindo agora, né, o que refletiu isso que o Silveira falou? Pegar ultrassonografia, né, que foi ideias também que foram nascendo de ser arrojado na tecnologia e tudo mais. Hoje não se fala mais em, vamos dizer assim, separação de lote, previsão, DEPs e tal. Hoje a ultrassonografia virou uma ferramenta assim, não vou falar comum, mas necessária, né?

Virou uma coisa que a gente usava aquilo ali para fazer experimento e tal. Mas tava lá, né? Ó, treinamos, investimos, e graças a esse projeto super precoce que foi a contrapartida para a gente conquistar novas tecnologias, né? Então teve um, a FAESP, aí eu tenho que abrir outro parênteses, é assim, foi o mérito do Silveira em termos de ter já o currículo, de ser já graduado, que ele em vez de se fechar ele abriu para nós podermos participar. Então esse foi um exemplo assim que não dá para esquecer.

POPaulo Ozaki

E aí dentro desse processo todo, enfim, imagino que, óbvio, a hora que a gente leva uma inovação como essa para o mercado, vai ter aqueles pecuaristas que vão olhar e vão falar assim, poxa, isso aí é um negócio interessante. Mas a grande maioria provavelmente vai ignorar.

MDMário de Beni Arrigoni

Agora eu vou tomar a palavra. Então assim, o que que o Silveira, depois o Arthur entrou também nessa, mas o Silveira e eu, o que que nós fazíamos? Demos palestra. Olha, eu vou falar, vou falar, pegar o lugar mais longe que eu lembro: Araguaína. Desde Araguaína até, sei lá, o sul aí, né? Tocantins. E a gente ia ou de ônibus ou de carro, de carona, ou de— então nós fizemos uma, vou falar, uma doutrinação, mas fizemos uma divulgação, é uma peregrinação.

E o Silveira, né, como tem o dom também da palavra e da conquista, da, da, a gente via no olho das pessoas que tinha que ter uma necessidade de ouvir uma coisa nova. E ele levava coisa nova, né? Nós levávamos as coisas novas, né? Nós, eu tô falando. Então, a hora que falava é do desafio da pecuária, a gente sabia que tinha assim um eco bem sutil, mas sabia que tava no caminho certo. Então esse foi o Nós espalhamos isso aí, espalhamos, fizemos barulho e nasceu lá no simpósio, né, no primeiro simpósio em 96.

E acho que isso foi uma conquista muito importante para os pecuaristas falarem assim, opa, vou mexer. E alguns abraçaram, outros ficaram meio marginais, mas quem abraçou foi embora, né.

POPaulo Ozaki

É, não, e tem o papel assim, quando a gente vê aquela curva de inovação que a gente fala, né, que é aquela distribuição normal assim, 10% vai adotar já no início porque já viu ali uma baita de uma oportunidade que fez uma leitura na frente, mas 90% vai vir depois que esses caras adotarem, né?

MDMário de Beni Arrigoni

Esperar o resultado.

POPaulo Ozaki

É, exatamente. Só que também tem uma outra, uma outra parte ali que eu acho legal da gente comentar, porque assim, deve ter tido também uma baita de uma resistência da própria academia, porque já era um, tinha um status quo, o negócio já tava bem estabelecido da maneira como era, né?

ACAntônio Carlos Silveira

Eu só gostaria que Você, Arthur, quem sabe acrescentasse que nesta época que nós estávamos começando a divulgar tecnologias de mudança, transformação, nós tivemos apoio de alguns. Sim, por exemplo, teve uma revista da época que era das mais publicadas e mais de lidas, como é hoje a da ADBO. Naquela época ela Pecuária de Corte, da Iracema Foz. Iracema Foz, né, Mário? Meio vizinha do Mário lá em São Paulo, né? Isso. Iracema, a todos adotou.

Então era toda semana uma nova revista falando do superprecoce. E em homenagem, porque ela já faleceu, até em homenagem a ela, eu acho que vale uma referência. Nos ajudou muito. E ela também leva com isso, tá certo? Levou com isso para a eternidade, tá certo?

MDMário de Beni Arrigoni

O SUP precoce.

ACAntônio Carlos Silveira

Pronto, é só uma referência.

POPaulo Ozaki

Mas é, né, como a comunicação é importante, né? Quer dizer, nós estamos falando de palestra, nós estamos falando de veículos de comunicação, como é na época era muito importante uma revista e tal, né? Então quer dizer, não basta só, eu falo que é o marketing da galinha, viu, professor?

MDMário de Beni Arrigoni

Tem que cacarejar, tem que cacarejar.

LALuís Artur Chardulo

Ninguém come ovo de pato, né? Só para complementar então o tema comunicação e aquilo que você tinha falado, Paulo, que é essa certa, esse movimento refratário dentro da academia, né, dentro da universidade. Sim, nós tivemos grupos que entenderam, nos apoiaram e inclusive participaram da equipe. Nossa equipe ela foi crescendo, foi crescendo. Então a gente em determinado momento nós tínhamos a equipe, por exemplo, professor Raizildo da Universidade Universidade de São Paulo, de Ribeirão Preto, Jabuticabal, professor Jesus de Jabuticabal.

Nós tínhamos uma equipe, foi crescendo, né? O próprio trabalhava com carnes, o lá de Albino Lucchiaro, de Pirassununga, de Pirassununga, aposentou em Pirassununga. Pessoas que entenderam, entenderam, falaram assim: opa, isso é interessante, vamos entrar, né? Então assim, tinham, teve um grupo que entendeu. E quando nós fazíamos a referência do animal superprecoce no meio científico, utilizando o termo superprecoce e tal, nós tínhamos uma certa restrição de espaço.

As pessoas não gostavam, não, porque isso aí é mais tecnologia do que ciência e tal. Quando nós começamos a publicar os trabalhos em revistas científicas internacionais de bom impacto, Nós começamos a ter o aval. Os caras publicaram os artigos. Por quê? Porque eles entenderam que aquilo era inovação, aquilo era a fronteira do conhecimento, aquilo era o estado da arte do conhecimento. Então nós tivemos, a hora que a gente teve da comunidade científica internacional o aval de que continuem pesquisando porque isso é interessante, aí que acho que a coisa Andou, né?

É, e a coisa realmente, a gente enxergou uma estrada, né, uma estrada aberta. E foi exatamente no momento em que saiu o grande projeto científico, foi um projeto temático financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que acreditou que realmente tinham, eram 21 subprojetos, eram 21 experimentos científicos dentro do mesmo tema, superprecoce.

ACAntônio Carlos Silveira

Era bastante, bastante coisa.

LALuís Artur Chardulo

Então você imagina o número de alunos que foram formados Dissertações de mestrado, teses de doutorado, pós-doutorado.

ACAntônio Carlos Silveira

Nós alimentamos a pós-graduação com isso.

LALuís Artur Chardulo

Quantas publicações! Toda a nossa carreira acadêmica começou ali e foi sustentada por isso. Muitos outros professores, todos participaram. Então a coisa tomou corpo, né, como deve ser, né? A verdade, a ciência, ela falou: não, isso aí faz sentido, isso faz sentido.

ACAntônio Carlos Silveira

E foi dando certo.

LALuís Artur Chardulo

Nós tivemos assim, mas como que uma, um aval, tipo, deixa os cara trabalharem, deixa os cara.

ACAntônio Carlos Silveira

Mas ainda partindo para pergunta dele, alguns pontos nós podemos dar uma pequena ressaltada. Não vamos falar nome de pessoas, mas assim, a carne é rosa. Isso foi um obstáculo que nós tivemos, Mário, muito grande, né? A carne é rosa, mas Isso não invalidava a qualidade.

LALuís Artur Chardulo

A carne é rosa, o que nós vamos fazer? Vamos tentar amadurecer o animal. Porque o que acontece? O superprecoce, ele já havia sido, já haviam tentativas passadas de produzir um animal bem precoce. O problema é que a questão da precocidade era só a idade. Vamos, quanto antes a gente abater, melhor. E aí você abateu um animal jovem, você olhava a carne, era de um vitelo, um vitelônio, uma carne rosa mesmo, inclusive apreciada na Europa em vários mercados, mas era uma carne mais rosa.

A proposta era fazer um animal adulto com características de um animal adulto, com a carne de um animal adulto, um amadurecimento, uma idade menor. Então o superprecoce Não era a idade. Superprecoce era por isso que entrava ultrassonografia e tudo mais, era crescimento dos tecidos, crescimento, acabamento de carcaça, potencializando um animal pronto que atendesse a indústria frigorífica. Porque se não atendesse a indústria frigorífica, não fazia sentido nenhum, não fazia sentido nenhum.

E o mais jovem possível, né? Então a carne, quando nós chegamos superprecoce, falou assim: não, Ela pode ser rosa, mas o superprecoce, ele é um animal pronto. Ele é um animal pronto. Você pegasse a carne de um bovino superprecoce, o animal de 30, 40 meses de idade, colocasse uma do lado da outra, salvo as diferenças de coloração da idade, que é normal, eram duas carnes de mercado, duas carnes muito, muito atrativas.

ACAntônio Carlos Silveira

Aí a gente pode citar também, Mário, a parte financeira, né? Porque veja bem, enquanto se produzia um boi, demorava 4 anos para ser vendido, nós produzimos um boi com 12 meses, 13 12 meses. Veja bem, o retorno do capital investido, em toda vez que nós vamos ganhar, os pecuaristas, aí mexe no bolso, né? Sensível, é, ficou mais sensível.

LALuís Artur Chardulo

Era uma época, né, nós estamos falando de 80 para 90, a gente tinha saído aí da hiperinflação, ainda tinha essa cultura, né, de investimento. O boi era um investimento, né? Era mais uma oportunidade do que um sistema, uma moeda no porquinho, né? Era uma moeda, é isso, uma moeda no porquinho. E aí eu lembro, né, o Silveira, o Mário faziam palestras, tínhamos indicadores econômicos acompanhando, né, dolarizava. E aí tinha lá poupança de gênero, porque mostrava mesmo uma das questões mais importantes.

Eu acho que o Superprecoce, ponto de vista econômico, é a liquidez, né. Você tem um animal que você coloca um dinheiro aqui e vai ter o retorno em 36 meses, quer dizer, você tinha uma liquidez de um terço do tempo. O dinheiro girava em épocas de inflação.

POPaulo Ozaki

Isso era muito importante, dinheiro girar, porque uma das coisas que se batia muito é porque assim, fazer um bicho desse é muito mais caro e tal.

LALuís Artur Chardulo

Ele era mais caro, era mesmo, era para ser mesmo, porque do ponto de vista individual do indivíduo, porque a ração era mais rica, né?

POPaulo Ozaki

Mas no ciclo compensava.

MDMário de Beni Arrigoni

Outra coisa do ciclo, deixa eu só lembrar, que era assim, a gente tinha um marketing, né? Vou falar que a gente na divulgação nossa que era assim, Você vai abater um animal e a irmã vai estar dando cria.

ACAntônio Carlos Silveira

Exatamente.

MDMário de Beni Arrigoni

Não era? Lembra que era assim?

ACAntônio Carlos Silveira

Essa sacada sua é fantástica.

MDMário de Beni Arrigoni

Eu acho que é da Insígnia Editorial. Porque assim você viu o ciclo andando, fala assim, pô, a fêmea tá junto.

ACAntônio Carlos Silveira

É, enquanto o macho é abatido, daí você colocava dessa forma, da frase dele, enquanto o macho era abatido, entanto a fêmea tava dando, tava prendendo o cio, já tava dando o cio. Então, tipo da precocinha que hoje, isso, e a precocinha que é hoje, todo mundo quer fazer, nós já estávamos fazendo, até deram nome, né?

MDMário de Beni Arrigoni

Vai batizando precocinha.

ACAntônio Carlos Silveira

Não era essa, o marketing é a alma do negócio, viu, professor?

MDMário de Beni Arrigoni

O marketing é a alma do negócio.

LALuís Artur Chardulo

Tem uns marcos, né?

ACAntônio Carlos Silveira

Tem uns marcos muito fortes. É, sabe, os dois são, eles são muito rápidos no raciocínio. Então qualquer coisinha tem uma frase, tem um jeito de falar. Impacto, né, que fazia, né. E eu gostava muito desses impactos, mas não faço igual. Mas vocês eram muito bons nisso e isso valeu muito. Uma coisa que eu gostaria também, que só para enfeitar o programa, vamos lá, que da sua fazenda, que o seu cunhado, que a gente ia lá fazer palestra, fazendo Catroá, fazendo a Catroá, né.

Que tinha que fazer em, como chamava aquela cidade que tinha, Campininha do Monte Alegre. A radialista, a gente fazia uma palestra, que radialista falou o quê, mano?

MDMário de Beni Arrigoni

Muito bom. Ela falou assim, é tipo, isso é um boi de, era 18 arrobas, sei lá, é coisa do demônio. Então ficou, o Silveira foi o demônio. Era essa a fama.

ACAntônio Carlos Silveira

Impacto com o demônio.

POPaulo Ozaki

Olha onde chega, né, cara?

ACAntônio Carlos Silveira

O pessoal da cidade fala que o senhor é impacto com o demônio.

LALuís Artur Chardulo

Não, era muito a história do que a coisa andou, né? O precoce, superprecoce e tal. E todo mundo queria fazer. Uma hora chega um determinado momento que o grande objetivo dentro da pecuária, né, principalmente os pequenos produtores e médios, é fazer o superprecoce. Porque é um negócio que em pequena área você consegue multiplicar aquilo. E um certo dia ligaram para sala, nosso departamento ligou para o professor Silveira, um senhor muito simples e tal.

Falou, professor, o senhor que é o cara do Super Precoce? Falou, sim, sou eu. Pois não, então, professor, eu tô interessado em comprar um casal de precocinho, o senhor tem para vender?

MDMário de Beni Arrigoni

Essa fala foi emblemática. Cheguei na sala do Silveira e falei, meu Deus, estão querendo comprar um casal de Super Precoce, nós vamos vender ou não?

LALuís Artur Chardulo

Se pagar bem, vamos vender. Escolhe aí, escolhe um casalzinho bonitinho e passa.

ACAntônio Carlos Silveira

Onde chegava a mentalidade do produtor de carne da época, né? Não podia estar longe mesmo, estava muito traçado, né?

POPaulo Ozaki

E é interessante porque assim, igual comentei lá no início, né, o senhor comentou 10 anos, de 10 anos para cá já mudou muita coisa. Nossa, evoluiu muita coisa, evoluiu muita coisa. Agora do que era 10 anos atrás para hoje, igual vocês comentaram, tava na ciência, tava escrito ali, vocês já tinham publicado, já tinham validado, né? Então assim, vocês já tinham a confiança de que aquilo daí ia dar certo. Agora, agora a dúvida, e que eu quero colocar na mesa aqui para a gente agora discutir assim, qual que foi o momento que a gente levou isso de fato para o campo e começou a ver resultados práticos, reais, que validaram.

Que imagino que muita gente fosse, ah, esse dá certo no experimento aqui e tal, né? Mas quando colocar no campo a rodar, será que dá certo?

LALuís Artur Chardulo

Tem um momento que, se eu não me engano, foi quando a Fischer, é um bom exemplo, a empresa Fischer, né, de laranja, né, na região ali, Roberto Barcelos, que tava trabalhando lá na época.

ACAntônio Carlos Silveira

Roberto Barcelos vem a ser um Ex-aluno nosso, agrônomo, e ele tem uma empresa que faz churrasco e mede qualidade de carne.

LALuís Artur Chardulo

É uma referência, uma referência de qualidade de carne. Roberto, ele que, Cinderela, é o apelido dele assim. Mas você ia falar da, ele foi formado em Botucatu, ele fez toda a formação dele professor Silveira, né, até pela afinidade de, eram aqueles caras da agronomia, né, que nem você, né, Paulo, que foram para a zootecnia. Aí, olha, vou dizer, esses caras são perigo para zootecnia porque os caras são bons, os caras são super ecléticos, sabe mais coisa que nós, muito mais de pasto e tudo, né.

Enfim, ele trabalhou muito tempo com Silveira na época de faculdade, e quando ele saiu, o Silveira estava criando, montando um projeto junto a Fischer. Que tinha aquela empresa de cítricos, né, tal. E eles tinham um confinamento enorme ali, tá, um rebanho muito bom. E o Silveira chegou e falou, Barcelos, você vai, vai, vou te colocar lá, tá, para tocar o projeto, tal, para você, para a gente. E ele foi para lá, tal, e tocou o projeto.

E o projeto foi crescendo, crescendo, crescendo, e fez, e aquilo pesou demais assim, né, porque a Fischer com todo o seu marketing de agricultura, né, o marketing pesado, tinha uma instalação para o ano inteiro, confinar o ano inteiro, os animais confinados. E aquilo começou, e o Superprecoce começou a aparecer nas gôndolas de supermercado, começou a aparecer nas gôndolas de casas de carne e tal, as pessoas comerem. Eu acho que ali foi a virada, foi quando os caras falaram, olha, não é uma coisa de universidade, é uma coisa que se você levar para fazenda dá certo, mas fizemos, dá certo.

ACAntônio Carlos Silveira

E outra coisa que ajudou a virar foi que nós começamos a fazer as pesquisas transformando em mestrado, teses e dissertação de mestrado e doutorado, né? Então, com a publicação dessas teses, isso já torna-se no meio acadêmico, elas têm muita penetração, não é isso? Consequentemente, todo mundo tomou ciência, toda universidade fosse do Rio Grande do Sul, Minas, até da Rondônia, o pessoal sabia e conhecia. Quer dizer, então a divulgação foi muito maior.

Então a virada de chave foi além dos projetos, foi o nosso curso de pós-graduação.

LALuís Artur Chardulo

Sim, acho que foi, sem dúvida, a formação de recursos, né, de competência, a formação desse pessoal qualificado, mestres, doutores. Então as universidades, os institutos, os Todo o nosso sistema ligado à pesquisa, a geração de ciência por pesquisa, não atende, não é uma, não suporta essa quantidade de pessoas. Então grande parte desses alunos, eles vão para as empresas, eles vão para o mercado de trabalho, e eles vão com esse conhecimento porque eles desenvolveram uma dissertação, uma tese em que aquilo funciona, e eles levam para essas propriedades.

Então nós temos hoje aí, aqui mesmo no evento, né, todos os eventos que a gente vai de pecuária de corte, quantidade de ex-alunos nossos e ex-alunos de pós-graduação que fizeram pesquisa na área com o superprecoce é enorme.

POPaulo Ozaki

E sabe o que que eu acho mais interessante assim, até para a gente quase ir para os finalmentes aqui, é que assim toda essa formação de intelectual, né, de pessoas que foram para fora É muito mais do que isso, porque assim, eles vão começar dentro de cada um. A gente sabe que sistemas de produção são variadíssimos, né, no Brasil inteiro e tal. Só que o conhecimento tá ali, então ele vai aplicar o conhecimento que ele obteve ali na universidade adaptado a cada um dos sistemas de produção, né.

Isso faz com que a palavra seja mais aumentada ainda, né, cara. Tá fazendo lá em Rondônia até o Paraná, então isso é uma coisa que vai Deixando o legado de pessoas que continuam os projetos, né?

MDMário de Beni Arrigoni

Viu, Paulo? Desculpa, neném. Não, eu acho que eu ia falar uma coisa que assim, na solidificação, né, como solidificou, que a gente fez parcerias também. A gente era assim, convidou para a gente fazer, a gente então mexemos com pardo suíço, mexemos com canxin, mexemos com cimentão, mexemos com ângulos, mexemos. Então a base era a mesma. O limousão, o Blondadudo, então a gente era facinho. Então a gente era facinho, sabe, de conquistar assim, falar vamos trabalhar, a gente pegava e abria a porteira e vamos trabalhar.

Então isso também ajudou a divulgar numa série de coisas. Depois as raças foram tomando o lugar, né, ou sumindo, mas a gente trabalhou para caramba, até com Cenepol, Devon, sei lá o que que a gente foi mexer lá no experimento da Solange, lá no E presidente Bernardes.

LALuís Artur Chardulo

Então a gente andou, tinha que acreditar, não tinha pedigree, não tinha nada. Você tinha que falar assim, aí, isso aqui é meio estranho, onde é que tem? É isso aí, porque cada associação de criadores defendia a sua.

MDMário de Beni Arrigoni

Então tinha vaidade, né? Tinha vaidade das suas raças.

ACAntônio Carlos Silveira

Então esse grupo dessa associação do Bonder, por exemplo, divulgava.

POPaulo Ozaki

Não, você não viu?

LALuís Artur Chardulo

Eles queriam mostrar que era capaz Poderia também gerar um superprecoce.

MDMário de Beni Arrigoni

A raça do superprecoce, eles queriam botar esse selo, né?

LALuís Artur Chardulo

Era um selo, né? E aí é assim, acho que vamos só para entender o que que foi o passado do ponto de vista de tecnologia e o que é hoje. Isso, hoje as tecnologias que a gente, que chegam, né, que inovam a nossa pecuária, maior parte foi desenvolvida aqui, mas muita coisa vem de fora. Por quê? Porque o mercado internacional, ele olha para o Brasil de forma diferente hoje, né? A gente era uma promessa, a gente é uma realidade, mais do que uma realidade, a gente é um baita do futuro na produção de carne bovina, principalmente.

Nós somos o futuro, vendo onde a gente tá hoje, onde pode chegar, né? Eles olham, então abrir o caminho. A gente tem um número muito grande hoje de alunos que se formam, vão para as universidades no exterior que são patrocinadas por empresas e tal, e voltam com tecnologias. Naquela época nós desenvolvemos aqui, nós formamos a competência tupiniquim mesmo. A gente trouxe essas informações das universidades lá de fora que eram refratárias aqui no Brasil e colocamos na cabeça da molecada, falou: olha, se vocês quiserem fazer alguma coisa diferente, essa é uma alternativa.

Então foi uma tecnologia que veio de fora, foi adaptada aqui dentro e disseminada de dentro para fora, diferentemente do que é hoje, né? Hoje você, as empresas de nutrição, as empresas de genética que nós temos no Brasil são sensacionais, né? São empresas de nível top, talvez fazendo coisas muito melhores aqui do que lá fora, mas todas com este capital, não apenas de investimento, mas capital humano também formado lá fora. E nós fizemos aqui, nós fizemos aqui no arroz e feijão, na farinha e no jabá. Foi assim que saiu a coisa.

POPaulo Ozaki

Legal, muito bom. E pessoal, para não prendê-los mais aqui nessa mesa, já estamos já algum tempo trocando ideia.

LALuís Artur Chardulo

Cheiro de churrasco agora aqui, né? Tá complicado.

POPaulo Ozaki

Nós temos aí 30 anos, né, que estamos comemorando, inclusive aqui no Boi que Deixa Dinheiro. 30 anos do Super Precoce, né? Várias histórias, das mais interessantes, das mais engraçadas e inusitadas, né? Foram passando. Óbvio que vocês fazem parte de todo esse, desse legado que foi construído, né? E todo legado, ele só é legado se quando ele chega nos dias de hoje a gente olha para o passado e vê como um negócio interessante, mas é a base para o futuro também, né?

LALuís Artur Chardulo

Exatamente.

POPaulo Ozaki

Como que vocês estão vendo os próximos 30 anos da nossa pecuária brasileira? Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares.

LALuís Artur Chardulo

Podia ter começado com essa, terminar vai ser difícil.

ACAntônio Carlos Silveira

Dá para falar algumas coisas. Coisas aí que eu até gostaria de colocar depois desse complemento. Mas é o seguinte, nem todas as tecnologias adotadas, por exemplo, milho úmido ensilado, creep feed, né, ultrassonografia, quer dizer, isso tudo foi feito com base na prioridade que nós adotamos e na maneira que tinha na época. Isso foi passando para frente passando por gerações sobre isso aí, né? Só que hoje algumas delas já sofreram algumas pequenas modificações.

Quer dizer, o que importa é que a origem é nossa, mas o que estão se fazendo hoje é uma complementação para melhoria. Isso foi muito bom, quer dizer, não foi abandonada a nossa técnica. Além de ser seguida, ela foi aprimorada. Por exemplo, por exemplo, a desmama precoce em substituição ao cripe-fígio. Porque a dificuldade do Creep Feeding, vocês querem falar de algumas dificuldades do Creep Feeding? Mas eu acho que é manejo difícil, qualquer coisa Mário pode falar melhor.

Mas hoje com a desmama precoce, você sabe que desmama o animal com 3 meses, quer dizer, independente. Daí coloca numa ração com coxo individual para eles, individual ou não, Tá, mas eles ficam comendo e param de tomar o leite. Mas o leite é obrigatório até os 3 meses por causa do colostum, que dá imunidade para o bezerro, para doenças, tá. Depois eles entram numa ração complementar para o leite, por finalidade— qual é a finalidade disso?

A mãe, principalmente a mãe. Por que a mãe? Porque a mãe deixa de dar o leite para o bezerro, economiza sua energia, perde vida na produção de leite e passa para reprodução. Quer dizer, elas engordam pouco, perdem menos peso, consequentemente elas podem entrar na estação de monta antes e posteriormente parir ainda pegando um pouco do verão, quando há maior necessidade do feto receber alimentos fortes, melhores, tá certo? Muita proteína.

Quer dizer, se uma mãe pare, por exemplo, até março, o capim ainda tá muito bom. Nós temos uns 10, 9% de proteína no capim. Se for a partir de abril, já passa para 6, para 5, e daí então não é suficiente para atender o feto, né? Então isso, nós acertaremos com isso? Acerta sim, tá certo. Melhorias na desbama dos bezerros, tá? Melhoria no nascimento dos bezerros. Tudo isso reflete posteriormente na qualidade da carne e no desenvolvimento da fêmea Nelore, que serão as precoces.

Quer dizer, esse nosso trabalho hoje, né? Outra coisa que a gente faz, né, vamos falar, partir para o— e com isso tira o problema do creepfeed, que não que não possa ser usado, não que é interessante, mas houve uma distorção um pouco do creepfeed, começaram a fazer creepfeed muito diferente, com aproveitamento pequeno e outras coisas que nós que não precisamos chegar comentando, né? Mas coube muito bem a desmama precoce e capre.

Para quem? Para onde principalmente? Principalmente no lugar aonde é mais forte as águas, né, que é o Pantanal, que é o lugar da cria do animal. Se você não tirar o bezerro até os 3 meses, a desmama, veja bem, o nascimento vai ficar ao redor de 40%. Quer dizer, veja bem, é muito pouco, se perde muito. Por causa da, tá dentro d'água, além do ataque de bicho. Então veja, não tem condição. A hora que você joga, ele passa a ser normal, o desmama precoce, ele passa a ter 60, 70, como tem numa outra fase.

E o segundo, ultrassonografia, né? Ultrassonografia tinha por base, né, o que que nascia, para ver se o animal tinha condição de ser terminado, abatido, se tinha gordura de proteção da carcaça, da área de olho de lombo, né, isso que dava uma ideia da gordura de acabamento e no tamanho da carne, tá certo, através do corte, do aspecto de tamanho de corte, muito importante para o frigorífico. Mas veja bem, hoje nós já estamos mais aprimorados.

Hoje, com os trabalhos que estão sendo feitos na ultrassonografia, nós estamos conseguindo pôr mais moreno, né, Eduardo? Tá, veja bem, uma coisa que não passou pela nossa cabeça nunca, mas veja o avanço que tá tendo isso. E inclusive quem faz isso é uma das nossas orientadas também, que trabalhou conosco também, tá certo? E hoje continua do mesmo jeito atacando, fazendo e dando certo. Então são coisas, são prolongamentos que vão aparecendo à medida.

E logo depois da manhã pode mudar isso também mais para frente, mas ficou consagrado que a origem foi nossa. Isso que paga. Nós não podemos ficar a vida inteira eternizando que fomos nós que fizemos. Não, nós fizemos a origem, nós fizemos no início a base. Hoje estão tocando direito, né? Isso lembrei. Mas pode dizer outras coisas.

MDMário de Beni Arrigoni

Eu ia lembrar, mas isso aí é a fala do Arthur, que acho que os 30 anos, né, como você perguntou, Paulo, ah, eu acho que a parte da genômica, dos marcadores genéticos, a seleção genômica, né? E aí depois o Arthur tem mais propriedade para falar, mas eu queria só destacar assim que eu acho que os próximos 30 anos eles estão solidificando a importância do técnico, a valorização de uma que hoje o técnico, como era no gado de leite, o técnico do gado de leite ele tem uma base assim, ninguém fala bobagem dentro da pecuária de leite, e agora tá acontecendo isso na pecuária de corte.

As pessoas estão entrando fundamentadas, procuram informação, como é o exemplo aqui desse evento. Então eu acho que assim, eu acredito que nos próximos anos a participação dos recursos humanos vai fazer a diferença na pecuária. Essa é a minha leitura.

POPaulo Ozaki

Eu acho também, faz sentido.

ACAntônio Carlos Silveira

Você tem alguma?

LALuís Artur Chardulo

Não sobrou muita coisa, né?

MDMário de Beni Arrigoni

Sempre sobra, sempre sobra.

LALuís Artur Chardulo

A gente vai pensando aí. O que o Mário disse realmente é fato, né? As novas tecnologias hoje elas só vêm para somar. Exatamente. Mas eu acredito que ILPF, eu acho que é uma técnica que só o Brasil é capaz de fazer isso. Verdade, só o Brasil é capaz de fazer isso. E ela tá ligada a isso, a eficiência, a qualidade E um tema da qual nós não falávamos na época, que é a sustentabilidade.

MDMário de Beni Arrigoni

É uma variável.

LALuís Artur Chardulo

Essa é a palavra. Nós sabemos construir o motor do carro, nós sabemos dirigir o carro, mas nós temos que aprender a ir daqui até ali gastando menos. Nós temos que saber que daqui até ali sendo mais eficientes, entregando mais, consumindo menos. Produzindo menos resíduo, né? Menos resíduos. Isso tudo é tecnologia. Eu tenho uma analogia que eu falo para os meus alunos, né? Não sei se vocês lembram, somos todos antigos aqui, né? Que a Volkswagen lançou há 20, 30 anos atrás um carro, 20 anos atrás, um carro que tinha o motor 1.0 16 válvulas turbo, era Parati, lembra?

Andava que era uma maravilha e tal. Deu um monte de problema e todo mundo criticou, falou: um carro 1.0 turbo, que loucura! Hoje todos, qual que mais vende hoje? 1.0 turbo.

MDMário de Beni Arrigoni

Outra loucura que foi.

LALuís Artur Chardulo

Então assim, o Super Precoce, ele impactou lá atrás, exatamente o que o Silveira disse. De lá para cá, tudo cresceu, mudou-se o rumo das coisas. Era isso talvez que nós quiser, queríamos na época, e não pensávamos assim em desviar, mudar, mas realmente mudou ou criou-se alternativas. As coisas cresceram. E estão indo por um caminho que é natural. Nós temos que cuidar de tudo aquilo que foi feito. Então eu acho que o Superprecoce, ele é um legado, ele não é, ele não é algo para o futuro, ele é um legado.

Ele mexeu, ele mudou a tecla, ele abriu uma nova saída, tá? Tinha essa estrada, agora nós construímos uma outra estrada. Que chega num lugar melhor, não foi construída ali. Agora, se nós vamos produzir um animal de 24 meses, de 18, de 12, a receita tá aí. Sim, cada um que faça a sua, é possível, cada um que faça a sua receita. Legal, ela tá aí e foi aqui, o professor Antônio Carlos Silveira Essa figura aqui, não é essa figura aqui.

Não, espera aí, calma, calma, agora eu tô falando, professor, calma. Eu espero, eu esperei a vida inteira o senhor falar na frente. Brincadeira, com todo o respeito, professor Silveira era aquela pessoa que você começava a ouvir ele falar, você chegava mais perto e ficava assim, eu preciso ficar perto desse cara aqui. Eu preciso ficar perto desse cara. Tamanha a empatia que ele tinha em traduzir tudo aquilo que ele pensava em fato, em realidade. Ele dizia, acreditava, criava e dava oportunidade para a gente.

MDMário de Beni Arrigoni

Exatamente isso.

LALuís Artur Chardulo

E finalizando, exatamente isso, ele trazia pessoas que deixava a gente trabalhar, que ele precisava Ao mesmo tempo sabendo que nós seríamos o porta-voz de tudo aquilo que ele pensou um dia no futuro.

MDMário de Beni Arrigoni

Show de bola!

ACAntônio Carlos Silveira

Eu acho tudo bem, só que vamos dizer assim, nós montamos uma fantástica equipe, sem dúvida, foi mesmo fantástica equipe. Hoje não estão todos aqui da nossa equipe, é uma pena, mas esses dois eram as figurinhas especiais. Nós jogávamos pelas pontas, um ponta-direito, um ponta-esquerda, e não tinha quem ganhasse de nós, né? E jogavam para mim, eu era centravante, eu ia empurrando para os gols.

LALuís Artur Chardulo

E a gente tinha zagueiro também, tinha os cara que falava assim, professor, acho que não vai dar certo isso. Tinha os controladores de ânimo, né? Tinha, porque assim, além do seguro, além da vontade, né, dos otimistas, né? Tinha o pessimismo, né, dos inteligentes, os que pensavam um pouco mais, falava assim, senhor, segura a onda. Então tinha os freios também.

POPaulo Ozaki

Igual tinha um amigo que falava assim, é melhor você tentar segurar um avião do que empurrar um elefante. É melhor, os dois é meio que impossível, né, mais ou menos assim.

MDMário de Beni Arrigoni

Tá certo, vamos lá.

ACAntônio Carlos Silveira

É, mas a gente escolheu o melhor, né? Então também teve essa escolha, ninguém foi melhor que ninguém, mas acontece que eu também, não sendo muito bobinho, eu fui escolher os melhores para poder difundir as nossas técnicas, né? Então uma lá da nutrição, o outro entrou na parte de carne, ele montou um laboratório de carne que poucos tinham.

LALuís Artur Chardulo

Muito bom, né?

ACAntônio Carlos Silveira

Isso, muito bom.

LALuís Artur Chardulo

Foi pioneiro nessa parte.

ACAntônio Carlos Silveira

Ganache de carne, maciez de carne. Fizemos tanta coisa, tanta palestra. Então o Mário e o Arthur, né, sem vocês nós não tínhamos feito, primeiro lugar. Então não tem isso de ser, foi a equipe que fez. Agora, sempre tem alguém que tem por possibilidade, e eu sempre digo, não tive vantagem em relação a vocês. Na verdade, por ter, ser mais velho, eu tinha mais título. Vocês foram meus alunos. Em consequência disso, era mais fácil eu levar as questões para o pessoal de cima do que deixar eles ir.

Se tivesse tomado uma cabeçada, se tivesse tomado alguma cabeçada, vinha em cima de mim, né?

MDMário de Beni Arrigoni

Você tinha couro grosso, né?

ACAntônio Carlos Silveira

E assim todos nós ficamos. Mas isso não quer dizer que teve vantagem, que teve méritos. Eles sempre tiveram, porque senão eu não tinha escolhido. Mas nós montamos, o importante que ficou, né? Ficou, ficou. E tudo dentro de uma firma muito bem construída, de um negócio que produz, sempre tem algumas coisas que ficam embaraçadas, mas tudo passageiro. O que vale A construção que nós fizemos, a amizade que continua até hoje, cada um dentro da sua e cada um de nós colocando muito bem o seu lugar na sua vida.

Eu admiro, preciso de vocês, a continuidade de vocês, né? E vocês acham que podem contar comigo enquanto eu tiver vivo, né? Porque a coisa tá mudando, mas é uma equipe que Podemos honrar, podemos dizer e podemos declinar os nomes que me ajudaram muito. Eu só colocaria aqui mais um que não está no momento, que era o Henrique, que me ajudou muito. É o Henrique, tá? Que ele telefonou para mim diversas vezes que não podia, que tava marcado, não sei o que lá, tal, tal, tal. Foi uma pena, foi uma cabeça muito boa. Você ia gostar.

POPaulo Ozaki

Ele é zagueiro, aí ele é o zagueiro.

LALuís Artur Chardulo

Ele fala, professor, melhor a gente não ir aqui. Não, mas Calma, senhor, calma. Ele freava.

POPaulo Ozaki

Tá bom, legal.

LALuís Artur Chardulo

Vamos defender um pouquinho antes. Os cara tão atacando, melhor ataque é a defesa. Ele era desse time.

ACAntônio Carlos Silveira

Mas eu acho que deu para contar mais ou menos, tá certo? O início, origem do Superprecoce, a importância que esse avanço tecnológico que nós tivemos vale, está valendo ainda para o desafogo e crescimento do agronegócio do Brasil.

LALuís Artur Chardulo

Muito bom, muito bom.

ACAntônio Carlos Silveira

Então eu acho que nós temos bastante valor, podemos guardar isso e passar para os filhos e para os netos.

LALuís Artur Chardulo

Fizemos alguma coisa, com certeza, com certeza.

MDMário de Beni Arrigoni

Esse momento aqui foi sensacional. Muito obrigado também, né? Agradecendo toda a programação aí. Quando o Guilherme também, aliás, o Guilherme é nossa campeão do mundo, muito bom. Então muito obrigado, viu? Juntar nós três aqui, os dois é quando junto, mas aqui os três, eu vou chutar um Vou chutar, vou tentar acertar, né?

LALuís Artur Chardulo

Mas vou chutar. Quanto tempo os três não se reuniam para conversar sobre isso? Uns 15 anos pelo menos. Você conseguiu isso aí, Paulo?

POPaulo Ozaki

Pois é, cara, foi o que eu falei no início, a honra é minha.

LALuís Artur Chardulo

Uns 15 anos ou mais.

ACAntônio Carlos Silveira

Você conseguiu nos unir, mas não aquele unir porque tava brigado, não era isso.

MDMário de Beni Arrigoni

Resumindo, a gente parar para conversar sobre isso.

ACAntônio Carlos Silveira

É isso aí, só fomos somando, fomos somando conhecimento. Acho que deu para fazer história, com certeza.

POPaulo Ozaki

E uma das coisas que é interessante desse modelo é que daqui 15 anos, quem tiver escutando isso aqui vai saber que vai estar lá para todo mundo assistir, como uma cápsula do tempo. E daqui a pouco, daqui a mais um tempo, a gente grava outro, né?

LALuís Artur Chardulo

E quem sabe agora com os nossos filhos, com os nossos netos.

POPaulo Ozaki

Muito bom demais. Pessoal, valeu, muito obrigado, viu, professor, de novo.

ACAntônio Carlos Silveira

Muito obrigado, enorme conhecê-lo. E nós vamos sempre ser um defensor e dizer para todos que precisem fazer um podcast que procure o Paulo. Deixa para nós um cartãozinho aí e tal para a gente usar na própria faculdade, aqui com a gente. Embora o Guilherme tenha, mas eu acho que vale a pena também mandar lá para o Mário, e porque é muito tranquilo, né?

POPaulo Ozaki

Muito bom, sabe fazer pergunta, ótimo.

LALuís Artur Chardulo

Obrigado, obrigado, obrigado.

POPaulo Ozaki

Só para finalizar então, para você que tá ouvindo ou está assistindo esse episódio até agora, eu tenho certeza que você viu o valor. Eu vi um valor do caralho aqui, desculpa o palavrão, porque poxa, velho, é que a gente, nós estamos vivendo aqui agora o momento da história mesmo da pecuária brasileira, e eu sou muito grato de poder ter trocado essa ideia com todos aqui. Então, cara, se você curtiu já compartilha com alguém que vai se beneficiar desse conteúdo.

O podcast O Boi Que Deixa Dinheiro, ele cresce na medida que você participa com a gente. Então siga O Boi Que Deixa Dinheiro em todos os agregadores de podcast, também no nosso canal do YouTube da Silveira, também do Agro Resenha. Cara, para você que ainda não conhece a Silveira, a Silveira tá aí há 40 anos transformando resultados por meio de gestão estratégica, inovação e boas práticas na pecuária, sempre com foco em eficiência, sustentabilidade e decisões baseadas em dados.

Ela apoia aí produtores a elevar performance e rentabilidade em todos os estágios da fazenda. Então, se quiser saber um pouquinho mais sobre o trabalho da Silveira, é só entrar em www.silveirapequaria.com.br ou siga a Silveira também nas redes sociais, no @silveira_consultoria, tá certo? Mais uma vez, pessoal, obrigado Paulo, parabéns por toda essa trajetória, por terem contribuído tanto aí com a pecuária brasileira.

LALuís Artur Chardulo

Obrigado pelo encontro.

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Clavê Consultoria

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