OS EUA PERDERAM A GUERRA NO IRÃ? I Professor HOC
Na semana passada um acordo foi assinado entre Irã e EUA para que a trégua se prolongasse e as partes conseguissem chegar num acordo sobre temas delicados como urânio e estreito de Ormuz.Será que os países vão chegar no acordo?Quem saiu melhor do conflito?Vou tentar responder essas perguntas aqui no vídeo de hoje.Você já conhece o meu aplicativo? No HOC ACADEMY você tem acesso a cursos e aulas exclusivas, além do BUNKER DO HOC, um feed de notícias e análises em tempo real sobre as coisas mais importantes que acontecem no mundo. Clica no link e não fique de fora dessa!
Professor HOC
- Geopolítica e capacidade militar dos EUALiderança política sem estômago · Cálculo político de Trump · Opinião pública americana · Ditaduras vs. Democracias · China · Rússia
- Acordo EUA-IrãMemorando de intenções · Trump · J.D. Vance · Eleições americanas · Postura de Trump em relação ao Irã
- Sancoes Economicas Ira300 bilhões de dólares para fundo de desenvolvimento · Liberação de fundos congelados · Exportação de petróleo · Arábia Saudita · Emirados Árabes Unidos
- Estreito de OrmuzFechamento do estreito como arma · Cobrança de pedágio · Navegação internacional · Países do Golfo · Omã
- Programa Nuclear IranianoNegociação superficial · Coreia do Norte · Garantia de segurança para o regime
- Relação Trump-Netanyahu e Conflito Israel-HezbollahIsrael não pode atacar o Hezbollah · Hezbollah como extensão do Irã · Soberania do Líbano · Israel · Hezbollah
- Relação Israel-EUAVulnerabilidade de Israel · Mudança na opinião pública americana · Apoio americano a Israel · Turquia · Egito · Síria
- J.D. Vance· PoliticaIsolacionismo de Vance · Trump e o isolacionismo · Sucessor de Trump · Tucker Carlson · Steve Bannon
Olá, gente! Vídeo de hoje eu quero falar do tão esperado acordo, pré-acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Esse assunto está tomando conta dos noticiários. Eu estava esperando para falar disso, para ter certeza que se manteria de pé, né, que o Trump não ia mudar de ideia. Afinal de contas, ele falou mais de 40 vezes que tinha assinado um acordo, que a guerra estava resolvida, e nenhuma delas se resolveu. Então estava esperando ver se Ele ia ganhar sustentação, parece que sim, mas ele não é necessariamente um acordo final, ele ainda tem muitas etapas e muitas partes a serem resolvidas.
Vou explicar tudo isso aqui no vídeo, claro, vou explicar também quais são as consequências para Israel, para o Irã, para os Estados Unidos, para a Rússia, para a China, para os países do Golfo, o que que isso significa para a guerra, quem venceu a guerra, qual que é o desfecho dessa história. Então tem bastante assunto. A história toda é bem surpreendente. Então vou entrar no detalhe em todos esses temas com vocês. Antes disso, quero falar do nosso parceiro e patrocinador, a Coinbase, uma das maiores corretoras do mundo, listadas na Nasdaq.
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Durante 60 dias existirão outras negociações para se chegar a um acordo definitivo. O Trump já indicou que se não for resolvido em 60 dias, ele está disposto a estender o período para que a negociação continue, para que se chegue a um acordo definitivo. E então isso indica que o Trump tá mirando aí, talvez, ou preocupado com as eleições americanas. Mas esse é um dos grandes fatores que expliquem o porquê de um acordo um acordo desse, dessa natureza, desse jeito?
Porque tem uma guinada radical aí do Trump de postura em relação ao Irã. Se até então o Irã era um regime radical, irracional, violador de direitos humanos, que tava construindo uma bomba atômica, que era a maior fonte de instabilidade para o Oriente Médio, que acordos anteriores feitos por administrações americanas não eram suficientes para evitar que o Irã tivesse a bomba, como o acordo com o Obama, tudo isso não tem mais importância e relevância para o Trump.
Agora ele parece bastante leniente, amigável e favorável aos iranianos, dizendo que eles são inclusive racionais e que eles querem mudar a relação com os Estados Unidos. Basicamente, isso é impossível de acontecer, gente. Enquanto o regime iraniano for um regime fundamentalista religioso que foi baseado num pilar central que é o anti-americanismo, não tem como o regime vender para sua população ou para o resto do mundo ou para os seus ideólogos que agora os Estados Unidos são amigos.
Isso não vai acontecer enquanto o regime estiver no poder. E eu não acredito que o Trump não saiba disso. Trump sabe, mas ele escolheu mudar de ideia e de lado É por algumas razões, provavelmente. Vou especular algumas delas aqui com vocês ao longo do vídeo. Mas o fato é que o acordo é muito, mas muito maravilhoso para o Irã, muito benéfico. Entrega para o Irã coisas que ele jamais imaginou que ele pudesse receber. Claro, se isso se manter do jeito que tá e acontecer do jeito que tá escrito ali no memorando de intenções, né?
É se o acordo se consolidar dentro das bases do que está colocado ali. As bases do que estão colocadas ali Primeiro ponto: o Irã vai receber muito dinheiro, mas muito dinheiro mesmo. 300 bilhões de dólares para um fundo de desenvolvimento e reconstrução do Irã. Esse dinheiro, 300 bilhões, diz no acordo que é dinheiro americano. O Trump disse que não vai um centavo americano para lá. Claro que não ia ser só dinheiro americano, mas está escrito no acordo que é dinheiro americano, que os Estados Unidos vão criar ou fornecer esse fundo aí.
Vai ter dinheiro da Arábia Saudita e dos Emirados. Aliás, Arábia Saudita e Emirados já estão dando dinheiro para o Irã, o que é o ápice do absurdo. Imagina você ser atacado por um país e você dá dinheiro para ele parar de te atacar. O que que você disse para esse país? Olha, se você quiser me atacar de novo, quem sabe eu te dou ainda mais dinheiro. Na geopolítica e na política internacional, o movimento como esse É um movimento de extrema fraqueza.
Se a gente vive na lei da selva, né, na política internacional, simplesmente você dá dinheiro para aquele que te atacou e fala: "Pare de me atacar", você está convidando ele na semana seguinte dizer: "Vou te atacar ainda mais se você não me der ainda mais dinheiro". E onde que essa história para? O dia que ele virar e falar assim: "Ó, ou você me entrega os seus campos de petróleo, ou eu vou te atacar e destruir o seu país inteiro".
Basicamente, a Arábia Saudita e os Emirados se colocaram numa posição que o custo para eles vai ser gigantesco em algum momento, e não vai demorar muito tempo se o Irã tiver acesso a todo esse dinheiro que vai ser dado para ele, o que diz ali que pode ser dado no acordo. Então a ideia do dinheiro, então, 300 bilhões, aí tem mais 100 bilhões, 100 bilhões que vem da liberação das sanções e dos dinheiros iranianos que está congelado, né.
Com isso, o Irã acessaria 100 bilhões, dinheiro dele que tá lá congelado pelas sanções. Se a gente usar ou calcular aí mais 5 bilhões que o Irã consiga por mês com exportação de petróleo, porque o bloqueio americano que impedia as exportações iranianas também vai parar de existir, então o Irã vai conseguir exportar. E agora que também não vão ter sanções contra o Irã, nem primária nem secundária. O Irã vai poder exportar muito mais, vai ganhar muito mais dinheiro.
Aí a gente põe mais uns 5 bilhões por mês. Esse acordo durar uns 5 meses, né, ou esse memorando aí de intenção, período dessa história, foram 5 meses. Então falando de mais uns 25 bilhões, então são 300 bilhões mais 100 bilhões mais 25, 425 bilhões, quase meio trilhão de dólares para o Irã. Que que vocês imaginam que o Irã vai fazer com tanto dinheiro? Construir muitos mísseis, muitos drones, muitas armas e reativar o seu programa nuclear.
E se vocês estiverem pensando que tudo isso foi dado para o Irã entregar o seu programa nuclear, esqueçam. Programa nuclear tá fora da negociação, gente. Como assim? Mas eles falaram que está na negociação, Roque. É, eles vão falar que está na negociação porque não tem como, depois de tudo que foi feito, dizer que o programa nuclear iraniano não é uma preocupação. Então os Estados Unidos vai continuar dizendo que está negociando, mas a solução para negociação do programa nuclear é mandar os inspetores de volta, algo que nunca deu certo e não tem porque dar certo agora, ou qualquer tipo de amarração de fiscalização que já não funcionou no acordo do Obama.
E não sou eu que estou dizendo isso, é o Trump que dizia que o acordo do Obama não funcionava. Então claramente Não é por causa do programa nuclear e eu diria que o programa nuclear vai ser deixado de lado ou vai ser tratado de uma forma superficial, sem preocupação se vai ser entregue ou não o desmantelamento do programa. Isso significa dizer que ninguém mais está preocupado se o Irã vai ter bomba atômica ou não. A consequência disso é que um dia o Irã aparece testando uma bomba atômica, como a Coreia do Norte, ou uma nova guerra é feita para destruir o programa nuclear iraniano, ou o regime iraniano cai, e aí sim o Irã pode escolher um outro caminho de não ter uma bomba.
Mas esse regime certamente buscará a bomba, e não tem por que não buscar, não tem, tá? Claro e evidente que a bomba é a maior garantia de segurança, maior seguro para o regime e o regime vai buscar a bomba. O que talvez mais tenha atrasado, ou possa atrasar, o regime iraniano de ter a bomba hoje foi a guerra. Foi a guerra que destruiu boa parte aí das instalações nucleares iranianas e então isso atrasou. Mas com quase meio trilhão de dólares o Irã pode facilmente trabalhar para reconstruir.
Isso vai levar algum tempo, mas o programa iraniano vai seguir uma linha reta em direção a sua bomba atômica, a não ser que uma dessas coisas que eu disse aconteçam. Ou ele próprio tem a bomba, ou uma nova guerra, ou o regime cai. Então esqueçam a discussão sobre programa nuclear iraniano. Isso vai ser um problema que a gente vai voltar nele no futuro. Gravem isso que eu tô dizendo. Se nenhuma dessas coisas acontecerem que eu citei, nós voltaremos na história do programa nuclear iraniano, porque ele não será resolvido E não parece que o governo Trump está preocupado em resolvê-lo mais.
O assunto foi descartado. Além de tudo isso, o acordo diz que Israel não pode mais atacar o Hezbollah no Líbano. E por quê? Porque o Irã não quer, e os Estados Unidos concordou com essa parte. E aí vejam o quanto é estranho e absurdo essa parte, porque nem Israel e nem o Hezbollah São partes do acordo. Ou seja, o acordo prevê que o comportamento desses dois tem que seguir uma direção, mas os dois não assinaram o acordo. Então como é que alguém vai garantir que eles vão fazer o que tem que ser feito?
É, bom, basicamente quando o Irã exige isso, ele não tá preocupado em garantir que o Hezbollah não vai atacar Israel. Ele tá só indicando que ele quer que Israel não ataque de volta o Hezbollah. E aí tem algumas coisas muito relevantes, né, para nossa análise. Primeiro, que é um esclarecimento, né, uma formalização de que o Hezbollah é uma extensão do Irã dentro do Líbano. Por que que o Irã tem que exigir que não se ataque o Hezbollah no Líbano?
Basicamente, o Irã tá dizendo, em outras palavras, o Hezbollah é uma força militar minha dentro do Líbano e eu não quero que ela seja atacada. Agora, o que que isso implica para soberania do Líbano? Muita coisa. É claro que esse não é o ponto agora, onde ninguém tá se preocupando com isso, mas isso mostra como que o projeto iraniano ele se estende para além, em outros países, com forças militares, com milícias, com grupos terroristas presentes em outros lugares.
E agora ele forçou os Estados Unidos goela abaixo para aceitar esse absurdo. Aí Israel não vai ficar calado. Se o Hezbollah atacar Israel, Israel vai retaliar E aí tem uma equivalência que não é a mesma. Se o Hezbollah é uma extensão do Irã, Israel não é uma extensão dos Estados Unidos, porque Israel é um país soberano, podem ser os maiores aliados do mundo, vai chegar a horas, como o próprio J.D. Vance e o Trump disseram infinitas vezes na última semana, que os interesses de Israel e dos Estados Unidos nem sempre estarão totalmente alinhados.
O que não é surpresa, não é novidade, nenhum país tenha o interesse totalmente alinhado com algum outro país, não importa quanto amigo e aliado eles sejam. Então não tem novidade. Levando isso em consideração, Israel não precisa deixar a sua segurança nacional à mercê da vontade do Irã para satisfazer um acordo com os Estados Unidos. Por mais que os Estados Unidos tenha leverage, alavancagem, poder sobre Israel para forçar Israel a fazer uma coisa, isso não acontecerá.
E não é Netanyahu não, gente. É qualquer líder israelense, é qualquer israelense. Hezbollah atacou, ataquem de volta, porque nós não poderemos aceitar ser atacados passivamente. Pronto. E nenhuma nação decente que se preste deveria aceitar isso. Não importa se é ditadura, democracia, o que é. Foi atacado, vai retaliar. É do jogo, tá tudo bem. Então não achem que Israel não deve ou não vai, ou vai obedecer ou vai seguir esse pedido americano.
Não vai. Ah, os Estados Unidos vai pressionar Israel. Vai pressionar, então pressione. Israel não vai voltar atrás. Então aí já mostra que o acordo vai para um lugar estranho, a não ser que o Irã desista de exigir esta questão com tanta força, com tanta insistência, e acabe deixando isso de lado, falando: ah, tá bom, deixa eles brigarem ali um pouco, mas eu não vou jogar fora os meus 500 bilhões aqui e nem tudo que eu conquistei.
Basicamente, então vocês devem estar se perguntando: mas então para que que é esse acordo? O acordo é para o Irã reabrir o estreito. O Irã descobriu que ele tem duas grandes armas poderosas: uma, fechar o estreito, que dá certo, e a segunda, cobrar pedágio. A primeira, ele tá abdicando dela em troca de quase 500 bilhões de dólares. A segunda, o acordo já disse que ele não vai abdicar. Depois de 60 dias, ele vai começar um processo de desenho de um esquema para cobrança de pedágio com Omã.
Basicamente, o mundo vai ficar refém do pedágio iraniano e a navegação internacional vai ser comprometida. Esse é um dos pilares da globalização e da potência ou da supremacia militar e de poder geopolítica americana, que é o controle dos oceanos, é a livre navegação. Os Estados Unidos exercia esse papel de permitir que a livre navegação fosse protegida. Se o Irã vai começar a cobrar pedágio de um lugar que ele não é o dono do estreito, é uma passagem, ele não é, não é a água dele, não é o Canal de Suez ou o Canal do Panamá, não é isso que tem ali, é uma passagem de água, é águas internacionais, navegação livre, né?
Se o Irã pode fazer isso, quantos outros países não podem? Já falei isso algumas vezes, coloca em xeque a navegação do mundo, coloca em xeque a força americana. E o Irã então sai numa posição muito confortável. Os países do Golfo eventualmente eles vão começar a investir pesado em alternativas para não passar pelo estreito. Só dois conseguem fazer isso pela sua posição geográfica: Arábia Saudita e os Emirados. Quem vai se dar mal nessa é o Kuwait, o Iraque, o Bahrein e o Catar, que precisam passar pelo estreito.
Vão se dar mal porque eles vão ter que pagar pedágio para o Irã e para Oman, se quiserem passar. Senão acabou, né? Economia deles vai para o saco. Eles vão ter que fazer alguma espécie de acordo com Arábia Saudita ou com Emirados para trazer o seu petróleo e jogar nos seus gasodutos ou oleodutos que vão ser construídos. Aliás, esses dois países, antes de dar dinheiro para o Irã, deveriam estar desesperadamente, obsessivamente gastando fortunas, bilhões construindo uma série de gasodutos e portos e infraestruturas energéticas para que esse petróleo pudesse ser escoado sem passar pelo Estreito de Hormuz.
Então, no futuro, a gente vai ter alguma alternativa. O resto vai ficar refém do Irã, a não ser, claro, que os Estados Unidos mude de ideia e vá lá e ocupe e fale: o estreito é meu, eu vou controlar isso daqui e tal. Trump falou isso um dia aí, dizendo que Estados Unidos iria cobrar pedágio. Estados Unidos é seu dono do estreito. Para que a navegação fluísse. O fato é que tudo isso aconteceu não porque os Estados Unidos necessariamente perdeu a guerra, gente, porque as forças militares americanas não foram permitidas de fazer o seu trabalho.
Porque quem comanda as forças militares é a autoridade política, e a autoridade política não deu o comando e não permitiu que elas fizessem o que o que precisava ser feito. O comandante do Estado, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, apresentou uma série de opções para o Trump, para o estreito ser reaberto. O comandante do Comando Central, do Central Command, que é a região militar ali americana que cuida daquilo, ofereceu também uma série de opções para o Trump para reabrir o estreito.
O Trump não quis, porque o Trump não quis correr riscos. Ele não quis entrar numa guerra e ter o risco de ter soldados americanos morrendo, de parte da operação não dar totalmente certo inicialmente. Toda guerra tem perdas, e se você não está disposto a aceitar as perdas de uma guerra, você não pode entrar numa guerra. O Trump entrou na guerra enquanto ele achou que era totalmente seguro, sem risco nenhum. Quando ele viu que o risco podia aumentar e que a coisa podia ficar complicada, ele simplesmente recusou continuar a guerra, perdeu o apetite, o estômago.
E aí Existe um olhar mais técnico, né, aqui nosso. Não é só a ganhou ou perdeu. Do ponto de vista militar, os Estados Unidos não pôde exercer a sua força porque a liderança política não teve estômago. Então não dá para dizer que os Estados Unidos não alcançou seus objetivos militares. Politicamente, né, e essa é uma distinção, a guerra é os resultados militares podem ser alcançados, mas politicamente você não tá disposto a aguentar o que aquilo simboliza.
E por essa falta de determinação e coragem política, ou esse cálculo político do Trump, o Exército americano, as forças militares americanas, não puderam entregar o objetivo que era reabrir o estreito. Então não dá para dizer que os Estados Unidos não tem capacidade de reabrir o estreito. Mas o que dá para China e para Rússia lerem é: os Estados Unidos não têm estômago, não têm coragem, não têm disposição, não têm estrutura, não têm vontade política, não têm determinação para travar uma guerra séria com ninguém sem voltar correndo para casa com medo das baixas.
Todas as guerras trazem baixas, trazem sangramentos, ferimentos e dores. O que você tem que imaginar é que você vai fazer aquilo porque os ganhos são maiores. Na era dessa postura política democrática de passividade e indiferença, o que no fundo a posição política do Trump mostrou foi isso. Apesar do Trump ter tido coragem de iniciar uma série de movimentos na geopolítica, na política internacional, bastante acertados no meu entendimento, como Venezuela, como a guerra ao Irã.
Enfim, vários dos movimentos que ele tá fazendo são acertados, mas ele erra na hora que ele perde a disposição, a determinação de dar continuidade, finalizar o que ele começou. E quando ele não faz isso, ele dá um sinal de passividade equiparável ao do Biden e de outros líderes americanos. Então a gente tem uma safra de líderes que não tem disposição, estômago, coragem para fazer o que se precisa ao enfrentar ditaduras. E no caso, as ditaduras estão mostrando que elas têm muito mais estômago, muito mais disposição, e por isso elas podem se sair mais fortalecidas e melhores.
A China e a Rússia estão felizes da vida, estão bastante impressionadas com esse acordo e estão percebendo que o calcanhar de Aquiles americano é muito mais frágil. O estômago da opinião pública americana, dos americanos, para um confronto é muito baixo. Pouquíssima tolerância para isso. Basicamente, talvez se aproximando dos europeus. Os europeus não têm vocação e disposição nenhuma para ir para a guerra, Os americanos estão mostrando que a disposição, ela é muito mais cosmética, de fachada, do que de sustentação para entregar e ir até o final com os objetivos que precisam ser atingidos.
Então, nesse sentido, é, politicamente, os Estados Unidos perde a guerra. Militarmente, não. É o que ele tinha que foi ali fazer de objetivo Ele fez, mas na hora de fechar, de reabrir o estreito, que foi uma consequência secundária do movimento inicial, ele não teve autorização da força política, da autoridade política para fazer o que tinha que ser feito. Então, não dá para dizer que a potência militar americana decaiu e não tem mais capacidade de lidar com as ameaças do mundo.
A força militar americana ainda é a mais poderosa do mundo, e mostra que sim, ainda tem uma capacidade muito superior. O que precisa é de disposição e coragem e determinação e estômago das lideranças políticas. E quando eu falo lideranças políticas, não é só o líder, né, não é só o Trump, mas é opinião pública do país. Então as democracias não entenderam que elas vivem numa era de conflitos e instabilidade, enquanto as ditaduras não precisam lidar com esses problemas.
Elas vão ter um estômago maior para continuar na ofensiva. China e Rússia estão felizes da vida, Irã mais ainda. Bom, por que que o Trump fez isso? Não é que eu não acho que ele não saiba, eu acho que ele tá fazendo alguns cálculos. Um deles é o da eleição, e talvez ele estenda isso, né, para eleição. E aí depois da eleição ele pode até voltar atrás. O ponto é que a maneira como ele foi tão contundente, tão duro com Israel, então favorável ao Irã, Isso vai ficar marcado na história.
Alguns cogitam que talvez ele está estendendo a corda para o Jay DeVence, para que o Vance se enforque sozinho. Faz algum sentido raciocinar sobre isso, mas o Trump não está fora dessa jogada. Ele falou coisas publicamente tanto quanto o Vance falou. Então, se o Vance se enforcar, o Trump de alguma forma está se co-enforcando junto, ele está contribuindo, ele é parte dessa história que vai manchar o seu legado e a sua história, uma vez que o Irã daqui alguns anos se torne um país nuclear, uma vez que o Irã continue causando tantos problemas como sempre causou e assim por diante.
Ou uma vez que o Irã até cometa um atentado aí contra os Estados Unidos e isso vai cair nas costas de quem permitiu ou disse que o Irã era racional, né? Então O Vance ganhou um protagonismo nos últimos momentos. O Vance sempre defendeu essa ideia. O Vance é o verdadeiro isolacionista. O Trump, ele disse que era um isolacionista. Quando ele chegou no poder, ele mostrou que ele não era um isolacionista. No meu entendimento, na minha análise, isso é acertado.
Não dá para ser isolacionista se você quer ser a maior potência do mundo. Se você não quer ser a maior potência do mundo, você quer ser a Suíça, você quiser ser o Brasil, você pode ser isolacionista. Agora, se você quer ser a maior potência do mundo, não pode ser isolacionista, porque não existe vácuo na política. Se você deixa um vácuo, se os Estados Unidos se retira de um lugar, o espaço será preenchido por outros geograficamente, geopoliticamente.
E é isso que o Trump entendeu de forma correta. Já o J.D. Vance, que é muito mais inexperiente, né, é um cara muito jovem, não tem grandes feitos na vida profissional dele, não tem uma carreira política, não entende desses assuntos. O Trump não, tem uma história de sucesso como empresário, um cara muito mais maduro, com 80 anos, né, inclusive. Ele percebeu algumas coisas e falou: "Pô, não tem essa de ser isolacionista, eu vendi isso na campanha, mas eu não vou ser isolacionista." O JD Vance não, ele acredita nisso piamente, tanto que ele é a maior voz defensora da ideia de um acordo com o Irã.
E ele que coordena todos os outros MAGAs extremistas, como Tucker Carlson, Nick Fuentes, Steve Bannon. Todos eles são vence, vence, vence. Talvez o Trump esteja querendo dar corda para o vence se enforcar e não se tornar o presidente americano. Pode ser que ele queira que o movimento MAGA morra com ele. E se morrer com ele, não tem— todo mundo vai lembrar de uma nostalgia. Ah, quem criou o MAGA? E o MAGA deu certo. Foi o Trump.
O Vance veio com uma outra história e essa história não foi bem sucedida. Talvez o Trump queira isso, mas como eu disse, o Trump também se colocou publicamente nessa história falando coisas bastante contundentes que serão marcadas. Então não dá para dizer que é só querer enforcar o Vance e largar o Vance sozinho. Tem elementos aí diferentes em jogo, como por exemplo a posição do Trump. Então isso vai ficar na história junto com ele.
Mas o Vance ganhou mais espaço, O Pence tá dando entrevistas, o Pence tá aparecendo. E tem um ponto, né, gente, depois do final dessa eleição, o Trump entra no período do lame duck, que é o pato manco, que são os últimos 2 anos de mandato quando você não pode mais se reeleger. Isso significa que ele começa a se tornar uma figura com menos capital político e todo mundo passa a olhar então para o seu sucessor. Quem vai ser ele? É o Pence?
Basicamente, os próximos 2 anos São os anos de todo mundo tentando entender quem é o candidato republicano. E o Pence já começou a se colocar. Rubio, que tava até agora com bastante visibilidade, tá mais calado porque a escolha da guerra seguiu um outro caminho contrário a tudo que o Rubio acredita. Veremos, né? Tem um fator aí importante que Israel vai ficar numa posição muito ruim, muito desconfortável. Os Estados Unidos se voltando contra Israel, isso deixa Israel vulnerável.
Israel vai ter que lidar com múltiplos inimigos. Tinha, em última instância, o apoio americano. Se passar a não ter mais, Israel vai ter que lidar com múltiplas ameaças. E essas ameaças podem se juntar uma vez que perceberem que Israel está sozinha, vulnerável. Então, Turquia pode se unir com Irã, se unir com Arábia Saudita, se unir com Egito, se unir com Síria. Resbolar e Hamas e todos quererem atacar Israel, aí a sobrevivência de Israel tá em jogo, com certeza.
Israel vai ter que ser muito cauteloso, vai ter que agir de forma muito precisa e certeira para eliminar essas ameaças. Talvez influenciar o que acontece dentro do Irã sem ataques, mas fornecer armas para grupos opositores que derrubem o regime. Essa seria uma alternativa. Ninguém foi a favor disso porque não querem instabilidade para Israel. Mais do que nunca, uma instabilidade dentro do Irã agora seria super positivo, porque, e quanto mais instabilidades ocorrerem em outros países, Israel acharia positivo, uma vez que esses países não possam se juntar unidos para tentar destruir Israel.
A situação nos Estados Unidos não é boa para Israel, porque a opinião pública americana mudou de lado, prefere os palestinos ou tem uma visão desfavorável de Israel. Isso acontece porque a esquerda inteira, o Woke tá batendo Israel há anos, e a direita que defendia ganhou uma franja de radicais antissemitas como Tucker Carlson, Nick Fuentes, Candace Owens, Steve Bannon e J.D. Vance. Todo esse grupo aí, esse grupo inteiro é anti-Israel.
Então uma esquerda quase que inteira e uma parte cada vez maior da direita fazendo barulho contra Israel. Isso óbvio que uma hora vai reverberar. Reverberar dentro da opinião pública americana. Então Israel tá numa posição bem complicada, bem difícil. Os Estados Unidos mostra que pode ter disposição para fazer coisas, mas não tem estômago para sustentar e arrumar desfechos apurados e corretos para essa história. Esse desfecho terminar do jeito que tá terminando, assim, é terrível.
Terrível para os Estados Unidos, é extremamente desestabilizador para geopolítica mundial, extremamente benéfico e positivo para o Irã, para a China, para a Rússia. E isso manda recados aí para todos. Então é basicamente, é, esse é o, a foto momentânea do acordo, gente. Lembre-se disso, amanhã o Trump dá um cavalo de pau, tudo isso não serve para mais nada. É claro que ficou pesado, foi diferente ouvir o Trump falando tão positivamente do Irã e falando negativamente de Israel, e não levando em consideração uma série de questões muito sérias, como por exemplo o Hezbollah atacando território israelense, assim por diante.
Vamos ver o que vai acontecer. Do jeito que tá, o Irã vai cobrar pedágio. Do jeito que tá, o Irã vai manter aberto se ele receber tudo isso. Ele não receber nada disso, ele vai fechar de novo, e eventualmente os Estados Unidos vai ter que usar força. Mas aí, como é que vai fazer com a base? JD Vance vibrando e pedindo para que os Estados Unidos faça acordos com o Irã. Então vamos acompanhar, gente. É isso aí, espero que vocês tenham gostado.
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