Episódios de Professor HOC

NAVIO RUSSO COM CARGA NUCLEAR É AFUNDADO I Professor HOC

25 de junho de 202618min
0:00 / 18:20

Em dezembro de 2024, um cargueiro russo chamado Ursa Major afundou na costa da Espanha levando uma carga oficialmente descrita como tampas de bueiro, contêineres vazios e guindastes.Mas a investigação apontaria para uma possibilidade muito mais sensível: o navio transportava componentes de reatores nucleares de submarinos, com destino real à Coreia do Norte.Neste vídeo, explico a história do Ursa Major, a rota suspeita do navio, o envolvimento da Rússia, a possível conexão com Kim Jong Un, os indícios de uma operação clandestina ocidental e por que esse episódio pode revelar uma nova fase da guerra nas sombras entre grandes potências.O caso envolve torpedos, navios militares russos, investigação espanhola, explosões registradas no fundo do mar, o navio Yantar, voos americanos de detecção nuclear e a possibilidade de que a Rússia tenha tentado transferir tecnologia de submarino nuclear para a Coreia do Norte.Uma história sobre guerra secreta, proliferação nuclear, Ucrânia, Rússia, Coreia do Norte e a disputa silenciosa que acontece longe das manchetes.Você já conhece o meu aplicativo? No HOC ACADEMY você tem acesso a cursos e aulas exclusivas, além do BUNKER DO HOC, um feed de notícias e análises em tempo real sobre as coisas mais importantes que acontecem no mundo. Clica no link e não fique de fora dessa!LINK HOC ACADEMY:https://lp.hocacademy.com.br/home-nova/

Participantes neste episódio1
P

Professor HOC

Host
Assuntos5
  • The BearCarga oficial vs. carga real · Rota suspeita para Coreia do Norte · Operação clandestina ocidental · Torpedos supercavitantes · Navio Yantar e destruição de evidências · Voos de detecção nuclear americanos · Capitão Igor Anissimov
  • Guerra nas sombras e proliferação nuclearNova fase da guerra entre potências · Transferência de tecnologia de submarino nuclear · Kim Jong Un · Rússia e Coreia do Norte · Second strike capability
  • Operações clandestinas e guerra secretaOperação militar clandestina Biden · Stuxnet · Ataque ao gasoduto Nord Stream · Guerra silenciosa entre grandes potências
  • Geopolítica e capacidade militar dos EUAGuerra na Ucrânia · Envio de soldados norte-coreanos para Ucrânia · Navios militares russos · Investigação espanhola · Rede Sísmica Nacional Espanhola
  • Armamento nuclear norte-coreanoSubmarino de 8.700 toneladas · Avanço no programa nuclear · Vantagens de submarinos nucleares
Transcrição1 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async
?Voz A

Em 23 de dezembro de 2024, duas semanas do fim do governo Biden, um cargueiro russo afundou na costa da Espanha levando uma carga misteriosa. Oficialmente, o navio se chamava Ursa Major e levava tampas de bueiro, containers vazios e dois guindastes. Qual era o destino declarado? Vladivostok. Mas nada disso. Era verdade. O Ursa Major, na noite que ele afundou, ele levava componentes de dois reatores nucleares de submarino. E o destino real não era Vladivostok.

Era um porto no norte da Coreia do Norte chamado Ha-Song. Essa é a história de como o Ocidente provavelmente afundou aquele navio. E por que essa operação, escondida embaixo de outras manchetes, pode ter sido uma das ações clandestinas mais importantes dos últimos tempos. Pra gente entender o que aconteceu, precisamos voltar alguns meses nessa história. Vamos fazer uma pausa antes de continuar no vídeo, pessoal, pra falar do nosso parceiro patrocinador, a Insider.

Eu tô sempre com a minha tech t-shirt, né, as camisetas, mas eu já disse pra vocês que a Insider tem várias outras roupas e eu estou usando aqui a minha camisa com tecido tecnológico. E olha como ela é agradável, como cai bem no corpo, As mesmas propriedades da Tech T-Shirt, da camiseta, tem na camisa. E é uma camisa elegante que serve para qualquer situação. Ao mesmo tempo, você tá num lugar não tão arrumado, com uma coisa mais leve, ela é muito leve, é muito agradável.

Além disso, óbvio, tem uma série de outros produtos para homens e mulheres. Se você ainda não conhece os produtos da Insider, essa Aproveite a sua chance, usa o meu cupom ROC, H-O-C, e aí você vai ter ótimos descontos. Compre a sua Insider, testa as camisas da Insider e as tech t-shirts, o que você quiser. Dá uma olhada lá no site. Vamos voltar para o vídeo. Em outubro de 2024, a guerra na Ucrânia estava no pior momento para Kiev, as tropas russas estavam avançando, indústria de armamento ucraniana sob bombardeio, constante e o Kremlin com fôlego para prolongar o conflito por mais anos.

E foi nesse mês que algo inédito aconteceu: Kim Jong-un enviou 10 mil soldados norte-coreanos para lutar do lado russo na incursão ucraniana em Kursk. Era a primeira vez na história moderna que as tropas norte-coreanas lutavam num conflito fora da península coreana. E isso, claro, tinha um preço. Soldados em troca do quê? Ninguém até aquele momento sabia ao certo, mas 2 meses depois, o cargueiro Ursa Major saiu do porto russo de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, com as suas declaradas "tampas de bueiro" e o destino traçado para Vladivostok, supostamente.

Olhando assim, parece banal, né? Mas tinha um problema: a rota declarada Já não fazia sentido. Pra levar uma carga civil de Ust-Luga, perto de São Petersburgo, até Vladivostok, no Pacífico, a Rússia tem uma ferrovia que foi construída no século 19 e melhorada continuamente desde então. Mandar um cargueiro dar a volta no mundo, descendo pelo Atlântico, passando por Suez, atravessando o Índico, subindo pelo Pacífico, custa mais, demora mais e expõe a carga.

Quem faz isso pra tampa de bueiro e container vazio? A investigação espanhola que foi feita depois chegou na resposta óbvia: ninguém. A rota só faz sentido se o destino final não for esse, for um destino falso. O capitão russo do navio se chamava Igor Anissimov, veterano, ele já tinha levado o Ursa Major em missões pra Síria durante a campanha da Rússia lá. Esse era o tipo de navio que ele comandava: cargueiro civil, dono estatal, missões sensíveis.

Um cargueiro que opera quase sempre em zonas linha cinza entre o civil e o militar. Em outubro de 2024, 2 meses antes da viagem fatídica, a Oboron Logistics, a empresa dona do Ursa Major, fez uma declaração pública pouco comentada: seus navios estavam licenciados para transportar material nuclear. Ninguém falou nada, não teve barulho, ninguém nem escreveu sobre isso, mas alguém tava prestando atenção. Avançando. Já pro dia 11 de dezembro de 2024, o Ursa Major sai do porto de São Petersburgo, escoltado por dois navios militares russos, o Ivan Grin e o Aleksandr Ostrakovski.

Eles atravessaram o Mar do Norte, contornaram a Inglaterra e desceram pro Atlântico. A Marinha Portuguesa rastreou o navio e as escoltas por dias. Na manhã do dia 22 de dezembro, os portugueses abandonaram a vigilância, que o navio já estava saindo da zona territorial marítima portuguesa. E aí, 4 horas depois, já em águas espanholas, o Ursa Major começa a diminuir a velocidade dramaticamente. E os oficiais espanhóis tentaram contato pelo rádio e a tripulação respondeu que estava tudo bem.

Capitão Anís Simóvi depois disse aos investigadores espanhóis: que não tinham ouvido nenhum impacto, nenhuma explosão nesse momento. Tudo bem, continuaram. 24 horas depois, no dia 23 de dezembro, às 11:53 da manhã, o navio desviou bruscamente do curso e fez um pedido de socorro urgente, falando que tinham ocorrido 3 explosões a estibordo perto da sala de máquinas. 2 tripulantes morreram, o segundo mecânico Nikitin e o mecânico Yokolev.

Os corpos nunca foram encontrados. Os outros 14 tripulantes foram evacuados em botes salva-vidas e resgatados pelo navio espanhol Salvamar Draco. E é aqui onde a história fica ainda mais estranha. Mais tarde, quando o navio espanhol chegou para investigar, às 19:30, o navio Ivan Grim russo já estava lá e mandou o navio espanhol se afastar 2 milhas náuticas e pediu um retorno imediato dos tripulantes resgatados. Os espanhóis, claro, se recusaram e mandaram um helicóptero para checar o Ursa Major.

Quando os espanhóis entraram no navio, encontraram a sala de máquinas lacrada por fora, não dava para entrar. Além disso, o navio parecia que estava estável, aparentemente também não parecia que ia afundar tão cedo. E esse detalhe é importante, porque às 9:50 da noite, o navio russo militar Ivan Grey disparou uma série de sinalizadores vermelhos sobre Ursa Major, e aí vieram mais 4 explosões. A Rede Sísmica Nacional Espanhola registrou as 4 explosões em terra, padrão de assinatura compatível com minas submarinas. 20 minutos depois, Ursa Major afundou.

Mas claro que a história não termina no fundo do mar. Uma semana depois do afundamento, um outro navio russo apareceu em cima dos destroços, e o nome dele é Yantar. Oficialmente ele é um navio de pesquisa científica, na prática há anos as marinhas da OTAN acusam o Yantar de espionagem em águas atlânticas, de cortar cabos submarinos no Mar do Norte e no Báltico e de mapear infraestrutura ocidental subaquática. O Yantar, pra vocês terem uma ideia, ficou 5 dias parado em cima dos destroços do Ursa Major e durante esses 5 dias a rede Agência Sísmica Nacional Espanhola registrou mais 4 explosões no leito marinho da área.

A interpretação dos investigadores espanhóis foi direta: o Yantar estava destruindo o que tinha sobrado lá embaixo, os reatores, a caixa preta, qualquer fragmento que pudesse comprovar a carga real do Ursa Menor. Com o Yantar já longe e os destroços oficialmente perdidos, a investigação espanhola começou a juntar os pedaços que ainda existiam: imagens do casco capturadas antes do afundamento, depoimentos dos 14 sobreviventes e análise da assinatura sísmica das 7 explosões.

E foi nessa análise que apareceu o detalhe que mudou a leitura inteira do caso. As 3 primeiras explosões da manhã do dia 23 tinham aberto um buraco no casco de 50 cm por 50 cm. E o metal desse buraco estava entortado pra dentro, não pra fora. Quer dizer, alguma coisa entrou no navio, não foi uma explosão interna. E a investigação espanhola chegou a uma hipótese específica: um torpedo Barracuda supercavitante acertou o casco do navio.

Esse torpedo é de uma classe que dispara ar à frente do projétil para reduzir o arrasto na água. Ele ganha uma velocidade absurda e perfura o casco do alvo com uma energia cinética pura. Alguns modelos nem precisam de carga explosiva, o impacto só já resolve. Só que essa hipótese tem um problema diplomático grave. Apenas 4 países no mundo têm tecnologia de torpedo supercavitante: os Estados Unidos, alguns aliados próximos da OTAN, a Rússia e o Irã.

Não foi a Rússia atacando o próprio navio, por mais provável que às vezes isso possa acontecer, mas não dessa vez. Também não foi o Irã, que é um aliado russo, e aí sobra o Ocidente. Enquanto a investigação espanhola seguia em segredo, com a oposição no Congresso espanhol cobrando informações que o governo se recusava a divulgar, alguma coisa começou a aparecer nos registros aéreos da região. Os Estados Unidos operam uma frota especializada de aviões chamado WC-135R, o apelido é Nuke Sniffer, farejador de bomba atômica.

Esses aviões, eles coletam amostras do ar para detectar atividade nuclear e normalmente operam em segredo pelo Ártico Russo ou em torno do Irã. No dia 28 de agosto de 2025, 8 meses depois do afundamento, um avião desse tipo passou em cima de um local de afundamento do Ursa Major. 6 meses depois, em 6 de fevereiro de 2026, outro voo, mesma rota. Ou seja, os americanos foram pesquisar o que tinha sido espalhado embaixo da água quando aquele navio afundou.

Bom, vamos voltar pro Ursa Médio. Em algum momento durante a investigação espanhola, o capitão Igor Anisimov sentou na frente dos investigadores e finalmente admitiu que as tampas de bueiro da carga realmente eram outra coisa. E aí ele disse que elas eram componentes de dois reatores nucleares usados em submarinos provavelmente da classe Delta IV, que são usados em submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos da era soviética.

O Anísimov disse que, até onde ele sabia, os reatores não estavam carregados com combustível nuclear. Mas ele admitiu outra coisa reveladora: ele achava que o destino final real não era Vladivostok, mas sim Coreia do Norte. Depois disso, ele se recusou a falar de novo e disse que temia pela sua segurança. Os investigadores espanhóis acreditaram que ele falou a verdade sobre a carga e que o destino real mesmo era o porto de Ha-Song.

Os guindastes do Ursa Major estavam a bordo justamente porque Ha-Song não tem infraestrutura portuária para descarregar esse tipo de equipamento pesado. E aí tudo começa a se encaixar, né? Agora, vamos juntar os pedaços aqui. Carga nuclear sensível confirmada pelo próprio capitão. Destino: Coreia do Norte. Partida exatamente nas últimas semanas do governo Biden. Torpedo do tipo que só o Ocidente tem na linha de mira de um cargueiro russo.

Yantar, vvv, outro navio russo, voltando pra destruir evidência. Avião americano farejador voltando meses depois pra confirmar que o que ficou de radiação na água Bom, tá claro, né? Leitura mais provável é uma só: o governo Biden, nos últimos dias no poder, autorizou uma operação militar clandestina para impedir que a Rússia simplesmente entregasse tecnologia de submarino nuclear pro Kim Jong-un. E se isso for verdade, é uma das poucas operações ocidentais clandestinas de alta sensibilidade contra a Rússia documentadas publicamente desde o fim da Guerra Fria.

Estaria no mesmo patamar do Stuxnet. Que foi aquele vírus desenvolvido contra o programa nuclear iraniano ou até mesmo o ataque do gasoduto russo Nord Stream no Mar Báltico. Só que ninguém nunca confirmou e claro, ninguém nunca vai confirmar. Mas tem um outro capítulo ainda dessa história que veio surgir só um ano depois. Em dezembro de 2025, Kim Jong-un apareceu num estaleiro norte-coreano posando ao lado de um casco enorme. Um submarino. 8.700 toneladas.

E as imagens mostram o casco selado por fora, não dá para ver o que tem dentro. E a pergunta de 1 trilhão de dólares é óbvia: será que aquele casco tem um reator funcionando dentro? Se tiver, a tentativa do Ursa Major em dezembro de 2024 era só uma das tentativas, ou só o começo. Outras rotas, outras transferências podem ter sido bem-sucedidas. Agora, se não tem nada lá dentro desse submarino, aí nós vimos a vitrine. Pyongyang ainda tá tentando obter esses reatores que estão em algum lugar, em algum momento vão tentar chegar lá.

O ponto é, de qualquer maneira, esse cenário seria o maior avanço do programa nuclear norte-coreano desde os primeiros testes nucleares. Mas por que que isso é tão importante? Ter um submarino nuclear com reator nuclear, ele muda tudo. Submarino convencional, ele precisa subir para superfície em curtos intervalos de tempo, ficando vulnerável. O submarino nuclear, ele fica embaixo d'água por meses seguidos, quase impossível de rastrear.

Se o Kim Jong-un colocar mísseis balísticos num submarino desses, ele ganha a tão conhecida e famosa second strike capability, que eu já expliquei para vocês aqui muitas vezes do que que é, que significa basicamente que nenhum ataque preventivo americano ou de qualquer país contra o país que tem second strike capability pode garantir que ele não responda retaliando igualmente. E assim você cria a lógica da destruição mútua assegurada, que na lógica nuclear basicamente é a garantia que nenhum país nunca vai te atacar, porque o custo de te atacar é muito alto, porque você vai retaliar com ataque igual que vai causar destruição e ninguém quer morrer.

Então essa é uma das maiores ferramentas de poder quando você tem uma bomba atômica. Poucos, ou não são todos os países que têm bomba atômica que têm second strike capability, só para vocês entenderem isso. E é exatamente esse tipo de capacidade perigosa que a Rússia provavelmente tentou entregar para Coreia do Norte naquele cargueiro de Tampa de Bueiro em dezembro de 2024. E é exatamente esse tipo de capacidade que alguém, em algum lugar do Ocidente, tentou impedir naquela mesma noite com um torpedo silencioso a 70 milhas de Cartagena.

A história do Ursa Major provavelmente nunca vai ter confirmação oficial e nenhum governo vai admitir ter mandado o torpedo. E a Rússia também não vai admitir ter mandado os reatores e vai ficar quieta. A caixa preta vai continuar oficialmente irrecuperável a 2.500 metros de profundidade ou nas mãos de alguém. O capitão Igor Anissimov vai continuar dizendo, quando perguntarem pra ele, que tá aposentado e que não sabe de nada. E os voos do WC-135R, os aviões farejadores, sobre Cartagena vão continuar sendo descritos como "rotina técnica de detecção de detritos nucleares", sem nenhum comentário a mais.

Então, na mesma semana que o mundo discutia a ofensiva russa de inverno na Ucrânia e a transição de governo em Washington, um cargueiro russo afundou em silêncio no Mediterrâneo Ocidental, levando dois reatores de submarino nuclear. E ninguém soube, não saiu na imprensa internacional, não tivemos declaração da Casa Branca, não tivemos protesto do Kremlin. O Ursa Major durou 12 dias no mar Mas ele revela uma verdade mais duradoura para o nosso mundo, um mundo em que grandes potências movem reatores nucleares como contrabando, em que as outras grandes potências afundam esses navios em silêncio para impedir que esse contrabando chegue aonde ele está tentando chegar.

É isso aí, pessoal, espero que vocês tenham gostado. Não se esqueçam, dê like no vídeo, sigam o canal, ative o sininho e compartilhe com seus amigos. Até a próxima!

Anunciantes2

HOC ACADEMY

Cursos e aulas exclusivas, Bunker do HOC
external

Insider

Camisas e Tech T-Shirts
external
NAVIO RUSSO COM CARGA NUCLEAR É AFUNDADO I Professor HOC | Castnews Index — Castnews Index