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A GRANDE DERROTA RUSSA I Professor HOC

20 de junho de 202616min
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No norte do Mali, em pleno deserto do Sahel, forças ligadas ao Africa Corps — sucessor do Grupo Wagner — foram obrigadas a abandonar posições estratégicas depois de uma ofensiva coordenada envolvendo rebeldes tuaregues da Frente de Libertação do Azawad e jihadistas do JNIM, braço da al-Qaeda na região.O episódio mais simbólico aconteceu em Kidal, cidade que havia sido apresentada como uma das maiores vitórias russas na África. Em 2023, sua tomada serviu como vitrine da influência de Moscou no continente. Em 2026, a retirada russa expôs os limites desse modelo.Neste vídeo, explicamos como a Rússia entrou no Mali após a saída da França, como o Grupo Wagner se transformou no Africa Corps, por que a geografia do Sahel favorece grupos armados locais e o que essa derrota revela sobre a verdadeira capacidade militar russa fora da Ucrânia.Uma história sobre propaganda, mercenários, golpes militares, alianças improváveis e o colapso de uma promessa: a de que Moscou conseguiria estabilizar o Mali onde o Ocidente havia fracassado.Você já conhece o meu aplicativo? No HOC ACADEMY você tem acesso a cursos e aulas exclusivas, além do BUNKER DO HOC, um feed de notícias e análises em tempo real sobre as coisas mais importantes que acontecem no mundo. Clica no link e não fique de fora dessa!

Participantes neste episódio1
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Professor HOC

Host
Assuntos5
  • Cessar-fogo Rússia-UcrâniaAfrica Corps · Grupo Wagner · Frente de Libertação do Azawad · JNIM · Kidal · Sahel · Propaganda Russa · Capacidade Militar Russa
  • Transformação Wagner em Africa CorpsYevgeny Prigozhin · Vladimir Putin · Kremlin · Golpe do Grupo Wagner · Nacionalização das operações
  • Impacto da Derrota Russa na Narrativa GlobalUcrânia · OTAN · Narrativa de Potência Russa · Propaganda de Guerra
  • Geografia do Sahel e Grupos ArmadosMali · Deserto do Saara · Tuaregues · Jihadistas · Instabilidade regional
  • Alianças Improváveis no MaliAssimi Goita · França · Golpe Militar no Mali · Rompimento com a França
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PHProfessor HOC

A Rússia acaba de ser derrotada em uma guerra. E eu não tô falando da guerra da Ucrânia, tô falando de um deserto A milhares de quilômetros de Moscou e de Kiev, mais especificamente no norte do Mali, país pobre sem saída pro mar no oeste da África. O Mali fica numa região chamada de Sahel, e é uma faixa seca que corta o continente logo abaixo do deserto do Saara. É uma das zonas mais violentas e instáveis do planeta. E foi lá, numa cidade chamada de Kidal, que aconteceu a derrota russa mais acachapante dos últimos anos.

Vou contar pra vocês a história de como 2.000 soldados russos perderam o controle de metade de um país do tamanho de duas Ucrânia e do que essa derrota nos diz sobre quanto a força da Rússia é real e quanto é encenação. Vamos fazer uma pausa antes de continuar no vídeo, pessoal, pra falar do nosso parceiro e patrocinador, a Insider. Eu tô sempre com a minha tech t-shirt, né, as camisetas, mas eu já disse pra vocês que a Insider tem várias outras roupas.

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Não era um grupo só, eram dois. E durante anos esses dois foram inimigos entre si. De um lado, os tuaregs, um povo nômade do Saara, espalhado por vários países, que há décadas luta por um estado próprio no norte do Mali, uma terra que eles chamam de Azawad. E eles estavam atacando sob a bandeira da Frente da Libertação Associação dos Azawads. Do outro lado, a gente tinha um outro grupo que é o JNIM, um grupo jihadista que é o braço oficial da Al-Qaeda na região do Sahel.

Separatistas de um lado, então, e jihadistas do outro, gente que normalmente se mata entre si, né? Mas naquele dia eles estavam agindo e atacando junto, no mesmo horário, contra o mesmo alvo, e o alvo era a presença russa no Mali. Em poucas horas, várias bases militares do norte caíram e no dia seguinte, dia 26 de abril, na cidade de Kidal, aconteceu o impensável. Kidal é uma cidade isolada, cravada no extremo norte do país, no meio do deserto, e por anos foi símbolo de quem controla o norte do Mali.

Quem manda em Kidal, em outras palavras, manda na região. E naquele dia, os russos do Africa Corps que é um ex-grupo Wagner, estavam cercados ali, sem reforço possível, a milhares de quilômetros de qualquer ajuda. E aí fizeram a única coisa que ainda dava pra fazer: negociaram a própria fuga. Sentaram com os rebeldes e aceitaram um salvo conduto pra sair vivos. Cerca de 400 russos deixaram Kidal espontâneo. Os soldados malianos que lutavam ao lado deles ficaram pra trás, viraram prisioneiros.

E aí veio a imagem que correu o mundo, vídeos de combatentes tuaregs rindo, debochando, filmando a coluna de veículos russos fugindo da própria base. A Frente de Libertação do Azawad anunciou nas redes que tinha um acordo, que os russos iam embora pra sempre e que Kidal agora tava livre. Pra vocês entenderem o tamanho desse golpe, a gente precisa saber o que Kidal significa pra Moscou. Em 2023, tomar Kidal tinha sido a maior vitória russa em toda a África.

Foi o troféu, a prova de que o modelo russo estava funcionando. A ideia que se vendia era simples, né? Onde a França tinha falhado por quase uma década, combatendo os jihadistas, claro, a Rússia chegou, entrou e venceu. E que dao era esse cartaz publicitário inteiro da presença russa no continente. E aí, em abril de 2026, esse cartaz acabou fugindo de caminhonete, debochado pelos rebeldes em cima de moto. Mas só que o ponto aqui é que essa história não para em Kidal, gente.

E no mesmo final de semana, os rebeldes acabaram invadindo um centro do comando militar em Kati, a cidade colada na capital do Mali, que é Bamako. Lá morreu o Sadio Camara, ministro da Defesa. E o Camara não era um cara qualquer, ele era um oficial treinado na Rússia, na verdade o arquiteto da virada de Mali pra Moscou, exatamente o homem que costurou essa aliança inteira. Além dele, o chefe da inteligência do país, Modibo Koné, que controlava o dinheiro que pagava os russos, saiu gravemente ferido.

Ou seja, em 2 dias o eixo que tinha sido criado entre Bamako, Mali, e Moscou, na Rússia, perdeu a cabeça e o cofre. E nas semanas seguintes, a sangria continuou. A cidade de Tessalit caiu no dia 1º de maio. Depois foi a Gueonhok. E assim a gente foi vendo uma base atrás da outra caindo, e sempre com o mesmo roteiro. O Africa Corps negocia a retirada e a coluna recua em direção a Bamako. Só que no fim de maio, o norte do Mali já tinha basicamente deixado de existir como território sob controle do governo do Mali.

Que eram aliados da Rússia. E a Rússia, que tinha chegado para estabilizar o país inteiro, agora também recuava para tentar defender só a capital do país. E aí tem uma pergunta, né? Como que a Rússia foi parar no meio do Saara para começar essa história? Para responder isso, existem vários vídeos aqui no canal, mas eu vou fazer um resumo rápido aqui. Vamos voltar alguns anos. Por décadas, Quem mandava militarmente no Mali sempre foi a França, que é a antiga potência colonial, e os franceses tinham milhares de soldados no país combatendo os jihadistas.

Em 2021, o Mali teve um golpe militar e um coronel chamado Assimi Goita tomou o poder. E o novo regime rompeu com a França e expulsou os soldados franceses e foi atrás de um outro padrinho internacional. E achou esse padrinho num homem chamado Yevgeny Prigozhin, um velho conhecido aqui do canal e da história russa, o famoso dono e líder do Grupo Wagner. Lembram dele, o Prigozhin? O Wagner era um exército particular, lembram-se disso, uma empresa de mercenários russos que eram leais ao Prigozhin e que o Kremlin usava para fazer o trabalho sujo onde ele não queria aparecer oficialmente, na África, na Síria, na Ucrânia.

Só que no Mali, o Wagner entrou pesado. Os mercenários, né, muito agressivos, brutais e movidos e motivados pelo lucro e o acesso ao ouro do país. Mali tem muito ouro. E por um tempo, assim, essa dinâmica funcionou. Afinal de contas, foi o Wagner que tomou Kidal em 2023. Só que em junho de 2023, o Prigozhin fez o impensável, né? Ele virou os canhões do próprio exército contra Moscou, vocês lembram da história? E uma rebelião armada contra o Putin que no final acabou durando um final de semana e parou no meio do caminho.

E dois meses depois o avião dele caiu do céu e ninguém duvida quem mandou derrubar o avião. Mas com a morte do Prigozhin, o Kremlin ficou com um problema nas mãos. E eu citei isso para vocês na época, que o que que o Kremlin, né, o que que a Rússia fazer com a máquina de guerra africana? Que pertencia a um cara que morreu e que tinha acabado de tentar dar um golpe. E a resposta foi óbvia: os russos tomaram o controle. O Putin dissolveu o Grupo Wagner e criou no lugar uma nova força que agora era estatal e tava ligada diretamente ao ministro da Defesa russo.

E o nome dela é Africa Corps. E em junho de 2025, o Africa Corps assumiu formalmente as operações no Mali. E aqui que tá a primeira pista do que deu errado. O Grupo Wagner era uma empresa privada, e óbvio, faminta e agressiva, que saía longe das suas bases atrás da vitória. Porque pra eles vitória era sinônimo de lucro. Já o Afrika Korps é uma burocracia do Estado, então ele é mais cauteloso, mais preso às bases, dependente do apoio aéreo.

Comandado por oficiais que chegaram de fora, diretamente ligados ao establishment de defesa russo. Quando o Kremlin domesticou essa operação, pra nunca mais correr o risco de surgir um novo Prigozhin, ele tirou a impetuosidade que permitia que o grupo Wagner ganhasse as batalhas. Ou seja, sobrou o pior dos dois mundos. A brutalidade continuava existindo, ou seja, ela fazia inimigos, só que agora não tinha mais aquela competência, né, ou aquela impetuosidade que fazia com que as guerras fossem vencidas.

Quando eu digo que a brutalidade foi preservada, tô querendo dizer que ela realmente não foi embora. Por exemplo, massacres, estupros, vilarejos inteiros queimados norte do Mali, tudo documentado por refugiados e por organizações internacionais, tá. E cada vilarejo que era queimado virava um centro também pro inimigo dos russos, do outro lado, pra Al-Qaeda, pros jihadistas, pros insurgentes que queriam expulsar os franceses primeiro e agora os russos.

Bom, então o que aconteceu é que no fim os russos não resolveram o problema do Mali, eles só pioraram. Agora, vamos, né, uma boa análise geopolítica requer que a gente traga a geografia pra equação. E vejam, o Mali é gigante, ele tem o dobro do tamanho da Ucrânia, e a Ucrânia é o maior país da Europa, lembre-se disso. E a Rússia tinha ali no auge, né, no auge da sua presença no Mali, cerca de 2.000 soldados. Vou repetir: 2.000 para cobrir um deserto imenso contra um inimigo que se move de moto e conhece cada grão de areia, cada duna do país.

E além disso, eles também, os russos, eles não tinham a rede de informantes e de inteligência que os franceses e os americanos levaram décadas para construir. Os russos nunca tiveram isso, nunca estiveram presentes ali. Então, imaginem, 2.000 soldados, não tem como segurar um território desse tamanho. É só uma questão de tempo. E como é que Moscou reagiu? Como Moscou sempre reage, negando que algo, uma dessas coisas tenha acontecido.

Na verdade, a agência de notícias russa lá no Mali disse que foi só a retirada de uma guarnição remota, uma coisa pequena. O Ministério da Defesa russo já afirmou que o ataque tinha sido feito por 12 mil combatentes, um número que ninguém fora da Rússia leva a sério, e disse que foi a aviação russa que salvou o palácio presidencial na capital do Mali. Como sempre, conseguiram inverter e transformar uma fuga numa grande vitória defensiva, transformaram uma humilhação numa decisão tática conjunta.

Só que tem os vídeos dos Tuaregs rindo da coluna russa que já estavam na internet, e é vídeo, né, mais difícil de desmentir do que o comunicado oficial russo. E aqui que a história deixa de ser só sobre o Mali e passa a ser sobre a Rússia inteira, porque durante anos A Rússia tem vendido uma narrativa, a de que o país tinha virado um parceiro de segurança mais eficiente e efetivo da África, mais flexível que o Ocidente, né, porque ele não dá sermão sobre democracia, não exige governança contra a corrupção, não impõe ou não exige nenhuma pré-condição para relação diplomática, política ou de apoio militar.

E então, onde a França saía humilhada, dizia-se, né, a narrativa, que a Rússia entrava e resolvia. E os vários países do Sahel compraram essa ideia. Mali, Burkina Faso, Níger, todos trocaram Paris por Moscou. O Mali mostrou que essa narrativa era, em boa parte, pura propaganda. E isso importa muito além da África, porque no mesmo momento que a Rússia perde o norte do Mali, ela tenta se apresentar ao mundo como uma potência que avança na Ucrânia, que ameaça a OTAN e que tem hoje um exército maior do que tinha em 2022.

Mas a realidade, ela é bem diferente dessa narrativa. E a gente vê ela acontecendo no Mali e começando também na Ucrânia. Um exército brutal, mas mal treinado, mal comandado e com resultados cada vez mais catastróficos. Os russos chegaram no Mali prometendo fazer o que a França não conseguiu: estabilizar o país, derrotar os jihadistas, segurar o norte. 4 anos depois, o ministro que os convidou tava morto, o norte inteiro tá perdido e a capital vive sob ameaça do cerco dos jihadistas.

Na Ucrânia, a Rússia ainda consegue esconder suas fraquezas atrás da escala, do número e da propaganda. Porque a mobilização russa na Ucrânia tem outra dimensão do que o Mali. Quando a gente compara com o deserto ali do Mali, os 2.000 homens sem nenhuma cortina de fumaça para segurar, aí não tem como impedir que essa força pequena vai ser derrotada. E nesse caso, a máscara caiu. E o que apareceu por baixo da máscara não era a ideia dessa superpotência invencível que está em todos os lugares do mundo, dominando e construindo alianças que entrega resultados que o Ocidente nunca conseguiu entregar.

Mas é a ideia ou a imagem de uma coluna de veículos fugindo de uma cidade no deserto, debochada por homens de chinelo em cima de motos. É isso aí, pessoal, espero que vocês tenham gostado. Não se esqueçam de dar like no vídeo, sigam o canal, ativem o sininho e compartilhem com seus amigos. Nice.

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