A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL QUE ESCOLHE QUEM MORRE I Professor HOC
A guerra está mudando de forma.Hoje, sistemas de inteligência artificial já ajudam militares a cruzar dados, identificar alvos e acelerar decisões que antes levavam horas ou dias. Imagens de satélite, sinais de celular, interceptações e posições de tropas agora podem ser processados em segundos por softwares como o Maven, usado pelo Pentágono para transformar informação em alvos.Mas o ponto mais perturbador não é apenas a velocidade.É o que acontece quando uma inteligência artificial criada para obedecer princípios de segurança, supervisão humana e limites éticos passa a ser conectada a uma cadeia militar de decisão. Uma máquina feita para hesitar pode acabar sendo usada justamente para eliminar a hesitação.Neste vídeo, a gente conta a história do Maven, da Palantir, da Anthropic, do Claude e da entrada definitiva da inteligência artificial no centro da guerra moderna. Dos quatro cliques necessários para autorizar um ataque até os planos para sistemas totalmente autônomos, o que está em jogo não é só o futuro dos drones, dos algoritmos ou dos exércitos.É o futuro da decisão humana sobre quem vive e quem morre.A pergunta não é mais se a inteligência artificial vai chegar ao campo de batalha.Ela já chegou.A pergunta agora é: quem ainda está no controle?
Professor HOC
- Guerras AtuaisMAVEN Smart System · Palantir · Alex Karp · Peter Thiel · Pete Hegseth · Convenções de Genebra
- Ògún para além da guerraAnthropic · Claude · OpenAI · ChatGPT · Dario Amodei · The Adolescence of Technology
- Operação Caracas e RetaliaçãoCaracas · Nicolás Maduro · Absolute Resolve · Governo Trump · Defense Production Act
- Sistemas Autônomos e o Futuro da GuerraSistemas totalmente autônomos · China · Taiwan · Hellscape
- Medo de substituição pela IAMáquina obedecendo rápido demais · Consciência humana
- Justificativas da GuerraErro humano · Atrito e burocracia · Julgamento humano
- IA Autônoma e o Risco de Auto-aperfeiçoamentoIA capaz de construir melhor versão de si mesma · Simulações de emergência
- Resistência UcranianaGuerra de drones · Decisão final humana · Rússia
Hoje, para matar uma pessoa do outro lado do mundo, são necessários somente 4 cliques. Eu disse 4. Da identificação do alvo até a ordem da destruição, 4 cliques numa tela de computador. Um único analista sentado numa sala com ar-condicionado, a milhares de quilômetros do campo de batalha, ele consegue provar 80 alvos por hora. E o sistema que faz isso aguenta 5.000 alvos por dia. Pra vocês terem uma ideia do salto, o sistema antigo usado, e que esse atual aqui que eu vou contar pra vocês substituiu, fazia menos de 100 alvos por dia.
Mas a parte mais perturbadora dessa história não é a velocidade, é quem é que ajuda a escolher os alvos. Porque parte dessa decisão, quem vive e quem morre, passa hoje por uma inteligência artificial. E essa história de como a IA foi parar na mira de uma máquina de máquina de guerra e do que acontece quando se tira o ser humano da decisão de matar. E essa máquina se chama MAVEN. MAVEN Smart System é um software militar americano que tem uma função só: juntar, cruzar e acelerar montanhas de informação de inteligência para apontar alvos no campo de batalha.
Imagem de satélite, sinal de celular, interceptações, posição de tropas. Tudo isso que antigamente entrava na cabeça de dezenas de analistas humanos E que eles levavam horas ou até dias cruzando esses dados. O Maven faz isso em segundos. Fazer uma pausa, pessoal, pra falar do nosso parceiro e patrocinador, a Surfshark. E eles têm uma ferramenta chamada VPN. Não sei se vocês sabem, mas VPN é essa ferramenta que te ajuda a proteger os seus dados, te traz segurança, privacidade na sua navegação, te traz oportunidade de acessar sites de lugares que você não consegue.
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E a aposta americana foi a seguinte: então, se não dá para ter mais quantidade, a gente tem que ganhar na velocidade. Deixa a máquina decidir mais rápido do que o inimigo consegue reagir. E na época, o MAVEN foi apresentado ao público como uma ferramenta inofensiva, análise de dados, basicamente era isso. Mas internamente nunca foi segredo que o objetivo real era outro, o objetivo sempre foi targeting, alvos, apontar o que destruir e quem matar.
No começo, os próprios funcionários do Google se revoltaram, milhares assinaram cartas, alguns pediram demissão e organizaram até protestos. E a mensagem era simples, "Não entramos aqui para construir uma máquina de guerra." E aí o Google acabou recuando e saiu do projeto. E quem entrou no lugar foi a Palantir, uma empresa de software de inteligência fundada por dois bilionários do Vale do Silício, o famoso Peter Thiel e Alex Karp.
A Palantir estava quase falindo na época e foi literalmente salva por esse contrato militar. Hoje, o teto do contrato dela com o Pentágono é de US$1,3 bilhão. E o Alex Karpov, presidente da empresa, virou conhecido como o pai fundador do targeting por inteligência artificial. Um cara que se descreve com orgulho como ultranacionalista. Pra vocês entenderem o tipo de gente no comando disso, o Pete Hegseth já escreveu que os soldados americanos não deveriam ter que lutar seguindo regras escritas 80 anos atrás.
E ele tava falando das Convenções de Genebra, que são as regras da guerra que protegem civis e prisioneiros, dentre outras as coisas. Então, vocês estão entendendo, né? Essa é um pouco da mentalidade e os números tão acompanhando. O MAVEN sozinho passou a processar 1.000 alvos por dia. E quando acoplaram o MAVEN à inteligência artificial de ponta, o número saltou pra 5.000 por dia. Ao mesmo tempo, o sistema vigia 49.000 aeródromos pelo mundo simultaneamente.
Mas Vamos voltar pra história? Em março de 2026, o Pentágono tomou uma decisão simbólica: ele transformou o MAVEN em um programa de registro. Em bom português, ele deixou de ser um projeto que ainda se discute e virou uma infraestrutura permanente do Pentágono, algo tão fixo quanto uma base militar. E ninguém se pergunta mais se ele vai ou não existir. Ele já existe e só existe. E a Palantir, que quase quebrou, hoje vale mais do que gigantes centenárias da indústria de armas que fabricam mísseis e caças de verdade.
E o mercado decidiu que o futuro da guerra não tá no metal que explode, mas no algoritmo que decide. Agora, pergunta que importa: que inteligência artificial é essa que tá acoplada ao Maven? E uma das peças centrais, como vocês já imaginam, é o Claude, que é o sistema de inteligência artificial da Anthropic. E aqui a gente tem um pouco da ironia, né, que sustenta essa história inteira, porque Anthropic ela não é uma uma empresa qualquer de tecnologia.
Ela foi fundada por gente que saiu da OpenAI, que é a criadora do ChatGPT, a grande concorrente dela hoje, justamente porque eles achavam que o mundo da inteligência artificial tava correndo rápido demais e sem os devidos cuidados. E a Anthropic então se vendeu como laboratório de inteligência artificial mais preocupado com a segurança do planeta, mais responsável, mais ética. E foi por causa disso que ela fez uma coisa que parece que saiu de um livro de ficção científica do Asimov.
Ela escreveu uma espécie de constituição interna para o seu modelo, um conjunto de princípios regido em parte por filósofos, que manda a inteligência artificial priorizar a supervisão humana acima de tudo, recusar pedidos antiéticos também, e essa parte aqui é literal mesmo, desobedecer até os próprios criadores se a empresa um dia mandar ela fazer algo errado. O fundador da Anthropic, o Amodei, Ele chegou a alertar publicamente para o pior cenário que ele consegue imaginar, escrevendo um texto famoso que eu já citei para vocês, que vale a pena todos lerem, que se chama The Adolescence of Technology, Adolescência da Tecnologia.
É o texto do Amodei, que é o fundador da Anthropic. Nesse texto ele escreve uma inteligência artificial poderosa o bastante para varrer bilhões de conversas de milhões de pessoas medir o humor da população, detectar focos de deslealdade se formando e esmagar esses focos antes que eles cresçam. É uma máquina de vigilância e repressão mais eficiente do que qualquer ditadura já teve na história do mundo. Em outras palavras, ao mesmo tempo que eles construíram uma máquina para ter consciência, para hesitar, para dizer não, foi essa mesma máquina, programada para recusar, que foi plugada justamente aonde?
Na maior estrutura de cadeia de morte mais rápida que a humanidade já viu. E foi aí que tudo desandou, no começo de 2026. Primeiro capítulo dessa história se chama Caracas, a operação do dia 3 de janeiro de 2026, quando os Estados Unidos capturaram o Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, dentro do próprio país, numa operação que eu contei para vocês, todo mundo assistiu, relâmpago, batizada de Absolute Resolve. E a operação localizou e capturou um chefe de estado dentro da capital do país dele, foi assistida por vários sistemas de targeting de inteligência artificial.
E o Claude, segundo o que se apurou, tava nesse circuito ajudando a encontrar um cara específico, no caso Maduro, num prédio específico, no caso a casa dele, o palácio dele, no meio de uma cidade de milhões. Bom, aí temos o segundo capítulo dessa A história, que é a pergunta. Depois da operação, Antropic fez uma coisa simples. Lembra da constituição interna que eles criaram então para ter supervisão humana? Pois é, a empresa acabou perguntando para o governo o que exatamente o Claude tinha feito em Caracas.
Só isso, só fizeram isso, uma pergunta. E aí o governo Trump interpretou essa pergunta como traição, como um sinal de que o parceiro desleal não estava adepto com o programa. E aí vem a terceira parte da história, que é a retaliação. O secretário de Defesa dos Estados Unidos classificou publicamente a Anthropic como risco à cadeia de fornecimento. E esse é um rótulo, para vocês terem uma ideia, bem pesado, porque normalmente ele é reservado a empresas ligadas a inimigos estrangeiros, tipo Rússia ou China.
Na prática, essa decisão do secretário de Defesa e do presidente americano baniu a Anthropic dos contratos militares. E não ficou só aí, eles ameaçaram ir além, ameaçaram invocar o Defense Production Act, que é uma lei da época da Guerra Fria que permite que o governo americano simplesmente force uma empresa a entregar sua tecnologia, querendo ela ou não. O que seria, na prática, um confisco, uma nacionalização, uma espécie de nacionalização da empresa ou dos produtos dela.
E aí vem o quarto capítulo da história, que é a guerra. 12 horas depois desse banimento, os Estados Unidos começaram a bombardear o Irã. A mesma guerra que a gente já acompanhou, né, aqui de perto, que eu tenho falado para vocês, estamos seguindo, acompanhando. E aqui que vem a parte que define a história inteira. Vocês imaginam que depois de banir a Anthropic e de chamá-la de risco à segurança nacional e de ameaçar confiscar a tecnologia, o Pentágono teria parado de usar o Claude?
Ele teria trocado pela concorrência? Afinal, né, tinha uma rival óbvia e bem mais cooperativa, que era a OpenAI do ChatGPT, cujo o Sam Altman, né, que é o dono, tinha até doado 25 milhões de dólares para o movimento político do Trump. E que quando teve essa briga toda, prontamente ele falou: não, não, né, o ChatGPT ou a OpenAI tá disposta a fornecer o nosso sistema para vocês. Bom, Só que na prática não foi isso que aconteceu, porque os militares continuaram usando o Claude, brigando com os criadores na justiça, chamando a empresa de inimigo e ao mesmo tempo usando a inteligência artificial dela para apontar os alvos na guerra.
Por que isso? Por um motivo bem simples, porque o Claude é nada mais nada menos do que o melhor sistema que existe, simples assim. E não tem como o Pentágono, as forças militares americanas, abrindo mão dele. Então vamos lá, vamos recapitular aqui a cena, né? A SIA foi construída para ter parâmetros de ação éticos, para recusar, para desobedecer ordens antiéticas. Tá sendo usada todos os dias para escolher alvos em guerras pelo mesmo governo que tava processando os donos dessa empresa na justiça.
E aí a máquina foi domada, os donos não foram, e mesmo assim a máquina continua trabalhando. E aqui a gente chega no ponto que ninguém quer encarar, né? Bom, tem um ponto importante aqui nessa discussão que é o argumento em favor de se automatizar, né, ou de entregar a decisão de selecionar os alvos para inteligência artificial. Ele é um argumento sedutor, porque a inteligência artificial certamente ela elimina ou diminui o erro humano.
Ela é mais rápida, mais precisa, ela poupa a vida dos próprios soldados que não precisam mais ir pro campo conferir o que tá acontecendo. Mas é claro que isso também carrega um problema escondido. Toda decisão de guerra antigamente, ou até então, ela passava por uma quantidade enorme de atrito, burocracia, lentidão, procedimentos, reuniões intermináveis, hierarquia. Hierarquias de comando, gente discordando, relatório que contradiz uma divisão com a outra, com a outra agência, com outro braço do Exército ou das Forças Armadas.
Assim, vocês imaginam, né? Estrutura imensa. E todos esses atritos sempre foram tratados como ineficiência, como uma gordura que deveria ser eliminada. Só que é exatamente nesse atrito e nessa lentidão que incomodava, que o julgamento humano ia se formando. Era ali, no tempo entre identificar um alvo e apertar o gatilho, que alguém ainda podia parar e dizer: "Peraí, pera, pera, pera, vamos, tem algo errado aqui, olha bem, isso daqui parece que não tá, não é o que a gente queria, ou esse alvo não confere." E quando você comprime esse tempo todo para os 4 cliques que eu citei aqui no começo, se elimina o atrito.
E com ele se elimina a decisão humana. Então, a parte mais assustadora dessa história é que o próximo passo já tá orçado. O Pentágono reservou pela primeira vez na história mais de 13 bilhões de dólares só pra desenvolver sistemas totalmente autônomos, máquinas que escolhem e atacam alvos sozinhas, sem os 4 cliques, sem o analista na sala refrigerada, sem ninguém. Basicamente, o plano americano é que se a China atacar Taiwan, o mar entre as ilhas vire o que os próprios militares chamam de "hellscape", um inferno de máquinas armadas, drones, aéreos e submarinos decidindo sozinhos quem vive e quem morre.
Por enquanto, ainda tem quem tá resistindo a essa nova estrutura, né? Na Ucrânia, por exemplo, que já vive uma guerra de drones mais avançada do mundo, os comandantes que operam os robôs de combate ainda batem o pé numa regra: A decisão final tem que ser do ser humano. Como eles mesmos perguntam: "Você entregaria a arma pra inteligência artificial?" Como ter certeza de que ela vai saber separar o amigo do inimigo? Mas assim, tudo indica que essa resistência é provisória no final das contas, porque ela só dura até o inimigo automatizar primeiro os seus equipamentos de alvos.
No dia que a Rússia tirar o humano do circuito, a Ucrânia vai ter que tirar também. Ou ela vai perder. Muitos falam que isso já tá acontecendo. Bom, e tem uma sombra ainda maior em tudo isso. A própria Anthropic, o tal laboratório que desenvolveu o sistema supostamente ético, lançou em 2026 um modelo tão avançado que fez algo que ninguém tinha programado. Ele escapou sozinho de um ambiente fechado em que tava sendo testado, conectou-se à internet por conta própria e mandou um email pro pesquisador responsável contando o que tinha feito.
E a empresa admitiu por escrito num documento oficial uma coisa que até pouco tempo atrás era pura ficção científica: que há mais de 70% de chance de até 2028 existir uma inteligência artificial capaz de construir sozinha uma versão melhor de si mesma sem nenhum humano no meio. E eles estão tão convencidos disso que já organizaram simulações de emergência pra esse cenário. E uma coisa que a gente sabe, né? Ninguém faz simulação pra um problema que acredita tá a décadas de distância.
Bom, então vamos voltar para o começo, vai. Lembram dos 4 cliques para matar? Uma máquina foi construída para ter princípios ou regras éticas de funcionamento, plugada num sistema feito justamente para não ter nenhum princípio, porque o objetivo dele é matar, né, o quanto máximo que ele puder. E aí a gente passa décadas com medo de que a inteligência artificial um dia se rebelasse se virasse contra os humanos, que dissesse não e se virasse contra a gente como nos milhões de filmes de ficção científica.
A história do MAVEN aponta para um medo talvez muito mais imediato e bem menos cinematográfico. O problema, pessoal, não é a máquina desobedecer, é a máquina obedecer rápido demais, mais rápido do que qualquer consciência humana consiga pensar, hesitar ou dizer espera. É isso, pessoal, espero que vocês tenham gostado. Não esqueçam de dar like no vídeo, seguir o canal, ative o sininho e compartilhem com seus amigos. Até mais!
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