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TERRORISMO NO BRASIL: A AMEAÇA QUE NINGUÉM QUER ENXERGAR

09 de junho de 20261h30min
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O terrorismo parece sempre uma ameaça distante. Algo ligado ao Oriente Médio, à Europa, aos Estados Unidos ou a guerras que acontecem longe daqui. Mas e se o Brasil já estivesse, há décadas, no centro de investigações internacionais sobre terrorismo, financiamento ilícito, radicalização e crime organizado?Neste documentário, investigamos a história do terrorismo no Brasil: da Tríplice Fronteira às grandes operações da Polícia Federal, das suspeitas envolvendo Hezbollah e Hamas ao debate atual sobre PCC, Comando Vermelho e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.O vídeo mostra como o Brasil se tornou um território estratégico para redes ilegais, lavagem de dinheiro, tráfico internacional, recrutamento, propaganda extremista e disputas diplomáticas. Também explica por que a legislação brasileira trata o terrorismo de forma tão específica — e por que essa definição se tornou uma das grandes batalhas políticas e jurídicas do país.Afinal, o Brasil é apenas uma rota? Um esconderijo? Um ponto de financiamento? Ou o país está entrando em uma nova fase, em que crime organizado, extremismo e geopolítica começam a se misturar?Este é o documentário Terrorismo no Brasil.

Participantes neste episódio19
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Assuntos6
  • Classificacao Terrorismo BrasilTerrorismo como ameaça distante vs. realidade brasileira · Investigações internacionais sobre terrorismo no Brasil · Financiamento ilícito e radicalização no país · Tríplice Fronteira como centro de atividades ilegais · Operações da Polícia Federal contra terrorismo · Hezbollah e Hamas no Brasil · Classificação de facções criminosas como terroristas · Brasil como território estratégico para redes ilegais
  • Terrorismo em Cabo DelgadoTerrorismo como tática suicida e ápice da violência · Terrorismo como ação política e ideológica · Diferença entre organização criminosa e organização terrorista · Ausência de definição universal de terrorismo · Terrorismo como ferramenta para influenciar governos e intimidar o público · O papel da ideologia e da visão totalitária no terrorismo · Terrorismo como criação de medo na sociedade · A natureza do terrorismo em comparação com outros crimes
  • Terrorismo e Crime OrganizadoTríplice Fronteira como área propensa a atividades ilegais · Mistura de grupos criminosos e terroristas na região · Presença de Hezbollah, Hamas e Jihad Islâmica na Tríplice Fronteira · Circulação de dinheiro e falta de controle na região · Conexões entre PCC, máfias russas e FARC na Tríplice Fronteira · A Tríplice Fronteira como rota para tráfico e lavagem de dinheiro · A falta de clareza de identidade e a fluidez das fronteiras · A Tríplice Fronteira como ponto estratégico para ataques
  • Risco Terrorismo GlobalAtentado de 11 de setembro e o início do século 21 · Fundamentalismo islâmico e organizações terroristas internacionais · Atentados na Argentina nos anos 90 (AMIA e embaixada israelense) · Ameaça de terrorismo na Europa e Reino Unido · Atentados em Londres (Westminster Bridge, 7/7) · Atentado na Manchester Arena · Ataque terrorista do Hamas em Israel (festival de música) · Ataques na Tríplice Fronteira
  • Terrorismo e Guerra ModernaMudanças no modus operandi do terrorismo · Ascensão do ISIS e Al-Qaeda · Terrorismo com facas e armas de fogo em locais públicos · O papel da internet e da tecnologia na radicalização · Uso de poesia e retórica para atrair recrutas · A ideia de 'franquia corporativa' em grupos terroristas · A importância de combater o financiamento e a propaganda terrorista · O conceito de 'safe havens' para grupos jihadistas
  • Desafios na Criação de AdolescentesFatores que levam à radicalização (desigualdade, falta de propósito) · O papel da família e do ambiente social na radicalização · Uso de propaganda e narrativas emocionais para atrair jovens · A busca por pertencimento e propósito em grupos extremistas · A influência de ideologias extremistas e textos religiosos · O papel da internet e das redes sociais no recrutamento · A ideia de martírio e sacrifício pela causa · A combinação de fatores macro (ideologia) e micro (individuais) na radicalização
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Voz A:A tática suicida, ela é o ápice do extremismo e ela é o ápice da violência.

Voz B:O Ministério Público Federal denunciou 8 muito suspeitos de planejar ações terroristas durante as Olimpíadas do Rio.

Voz C:E muitas vezes esses caras são filiados, por exemplo, ao Hezbollah, mas ao partido político.

Voz D:Foi terrorismo puro, eles chegaram atacando sem perguntar quem era quem.

Voz B:Aconteceu, né? O Hezbollah foi preso aqui.

Voz A:O Brasil não consegue dar conta dos seus problemas. O Brasil O Brasil será alvo.

Voz F:O problema é que nós não sabemos quando.

Voz A:O Brasil nunca será um alvo. Nós não temos esse problema. O século 21, ele começa em 2001 com um grande episódio no mundo, que é o atentado de 11 de setembro. E quando parecia que o mundo estava em paz, com o fim da Guerra Fria, a gente começa um novo capítulo na história do mundo, e esse capítulo é marcado pelo fundamentalismo islâmico e o surgimento de organizações terroristas internacionais com capacidade de organizar ataques espetaculares e destrutivos ao território americano como algo que nunca tinha acontecido na história dos Estados Unidos e do mundo. De uma forma talvez estranha ou curiosa, parecia que a América do Sul estava imune a esse problema porque nada aconteceu aqui. Mas isso não é verdade, porque terrorismo fundamentalista islâmico já tinha atingido a América do Sul antes do 11 de setembro, nos anos 90, na Argentina. [MUSIC] Mas dado o tamanho do problema e a dimensão dessa ameaça e como ela atingiu todos os cantos do mundo, me parecia estranho achar que o Brasil está protegido ou está livre desse problema. Tudo isso me fez prestar atenção no assunto e viajar pelo mundo e falar com as pessoas e ir atrás dos lugares que sofreram ataques terroristas e as pessoas que estudam isso a fundo e perguntar para elas: "O Brasil é imune? O Brasil está protegido? O Brasil nunca será o alvo? Nós não temos esse problema?" Do you think that— is there a possibility in today's world that someone or any country or a continent is free of that problem?

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Voz F:Alguma estrutura estrangeira, uma estrutura simbólica, né, norte-americana, israelense, enfim. Mas isso já tá ultrapassado.

Voz B:Nós somos um país que temos uma relação muito boa diplomática com outros países, né, nós somos conhecidos por sermos amistosos. Nós não somos um país que estamos imunes a ocorrências.

Voz F:Não sei se você se recorda que durante as Olimpíadas Houve uma ameaça francesa, sim, né, ao Brasil, de um terrorista francês do Daesh, do ISIS, né, que ameaçou o Brasil de ataque.

Voz A:Depois de receber informações do FBI, a Polícia Federal deflagrou em julho uma operação para prender os suspeitos de tentar promover ataques terroristas.

Voz K:O alvo deles seria a Olimpíada do Rio de Janeiro.

Voz A:Todo evento de porte internacional, ele é um palco. E o terrorismo, ele é uma peça de teatro de muitas maneiras, porque ele é uma ação focada em causar um grande impacto. E o maior dos objetivos, ou o maior impacto que ele busca, é causar medo. E não medo porque ele tem uma força muito superior. Nada mais efetivo do que você fazer um ataque no momento que o mundo inteiro está olhando Você tem um grande palco para chamar atenção.

Voz F:Então tinha, existia indícios, né, que poderia, algo poderia acontecer. E por isso que foi desencadeada essa operação, um auxílio de agências norte-americanas, e houve a prisão dessas pessoas que ainda estão presas. E todo o processo está em segredo de justiça.

Voz J:O que o governo brasileiro coloca é que são reconhecidas como organizações terroristas aquelas que as Nações Unidas também colocam como terroristas.

Voz A:Terrorismo, ele é um movimento político. Toda organização terrorista, ela é uma organização criminosa. Mas nem toda organização criminosa é uma organização terrorista. According to the law in the UK.

Voz L:So the legal definition of terrorism is terrorism means the use or threat of action designed to influence a government or an international governmental organization, or to intimidate the public or a section of the public, and is made for the purposes of advancing a political, religious, or racial or ideological cause. This is all wording and phrasing. And how, how is that, how is that wording then interpreted? So what's the difference between political and religious? Why do we need ideological? Why do we need racial? Terrorism by its nature is political. And there is an argument, and a valid academic argument, that it should just say political, because behind every political cause is ideology, is religion, perhaps is racial. So surely political on its own is enough. It's a valid argument. It's that interpretation sometimes that, that needs to be refined. Now, the courts are generally quite good at refining that here, unless of course the legislators tell the courts how to define it. Is it its ordinary definition? So what's the definition of influence? Is it— is it given its ordinary definition? What is the definition of intimidate? Or is intimidate different if it's got its own set of causes? How does it work? But it's about defining the words, getting the words right.

Voz M:El terrorismo es la negación más radical al derecho y a mi libertad.

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Voz B:As definições de motivação política que a gente vê fora do Brasil, muito claramente, elas falam sobre o prejuízo ao Estado, né? Algo que tenta abalar a estrutura estatal, né? E lógico, isso é feito por meio de um emprego de violência, e essa violência ela gera uma audiência.

Voz L:The nature of terrorism is different than any other type of crime. If you, well, if you think of murder, the perpetrators usually know each other, usually know each other. There's a relationship. Terrorism's different. Terrorism, if you're killed during a terrorist action, it's simply because you were in the wrong place at the wrong time. The amount of damage that can do to society in creating that fear— because that's what terrorism is all about, it's about creating fear in society to stop you going about your usual daily life. That's the fear, and that's what the government wants to stop, and that's why we have specialist legislation to stop that.

Voz A:Existiam um monte de especulações e investigações por parte do governo americano que a Tríplice Fronteira no Brasil era um lugar onde você tinha a união de grupos ali, como uma base logística ou uma receptividade de uma comunidade local.

Voz C:Muito pouco do que acontece vinculado ao terrorismo acontece em solo brasileiro. Acontece na tríplice fronteira.

Voz N:A tríplice fronteira, ao ter esse combo, digamos assim, de desestrutura do Estado, é uma área propensa. Há muita colônia libanesa e muita máfia russa, Primeiro Comando da Capital, membros da FARC, porque é uma zona de muita circulação de dinheiro. Quiero el control.

Voz K:Pero sabe usted, le dice el del Hezbollah, necesito a su vez unas armas. Ah, no se preocupe, yo tengo a mi sobrino justamente viviendo en Brasil, en la triple frontera, que se las consigue en cualquier momento.

Voz C:Ataques terroristas aqui na Tríplice Fronteira, seja no Brasil, seja no Paraguai, ou seja na Argentina. Temos várias associações islâmicas com os mais diversos fins, algumas eventualmente com ligações preocupantes. E muitas vezes esses caras são filiados, por exemplo, ao Hezbollah, mas ao partido político, não organização terrorista. Aí você tem outro problema, por exemplo, aquele atentado da AMIA O pessoal que praticou saiu daqui.

Voz A:Hoje tem muita gente que acha que o fato de uma organização terrorista ter outras atividades que não são pura e exclusivamente terrorista faz dela não ser uma organização terrorista, ou faz dela ser duas coisas. Não, porque aquela definição de ser terrorista, ela se sobrepõe a todas as outras. Porque ela é muito mais grave, ela é uma definição que te coloca num campo de criminoso. Então não adianta se discutir: "Não, mas o Hezbollah tem um braço político." Tá bom, ele tem um braço militar, um braço violento e um braço de atividades ilícitas.

Isso não—

Voz A:o fato dele ter o braço político não isenta a existência dele ser um grupo terrorista. Dizer que ele faz algo a mais É irrelevante para essa discussão, é indiferente. Hezbollah é uma organização terrorista porque ele age como, porque ele comete atos terroristas, e isso faz dele uma organização terrorista. Ele pode fazer caridade, fazer serviço social, ser um partido político, ser o que for, ainda assim ele será sempre uma organização terrorista. Comment vous définissez le terrorisme islamique aujourd'hui?

Voz O:Le terrorisme, c'est un moyen de combat. C'est utilisé par des gens qui défendent une cause, qu'elle soit criminelle, que ça soit l'islamisme, que ça soit l'extrême droite, Donc c'est une méthode de combat. La question qui serait la meilleure, c'est qu'est-ce que l'islamisme aujourd'hui?

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Voz O:Malheureusement, les activistes qui sont les plus extrémistes finissent par utiliser le moyen de combat terroriste pour effectivement essayer de faire triompher leur cause. L'objectif final de toute façon de ces islamistes, c'est la conquête de la planète entière pour qu'elle soit gérée selon l'islam, selon la charia, la loi islamique. C'est-à-dire que cette idéologie politique est absolument pas nationaliste puisqu'elle ne reconnaît aucune frontière, aucun État, aucun pays. Pour eux, la terre La terre entière doit être régie par la charia.

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Voz A:Fundamentalistas, mas ele é o primeiro que começa a usar o fundamentalismo ou o suicídio nas suas ações fundamentalistas. E isso é um ponto bem importante, porque a tática suicida, ela é o ápice do extremismo e ela é o ápice da violência. Se você não tem respeito à sua própria vida, ou se você está disposto a tirar a sua própria vida para machucar os outros, claramente você se torna uma ameaça que não tem nada que alguém consiga fazer para te parar, a menos que te matem antes de você executar a sua missão. A Hamas é sunita, o Estado Islâmico é sunita, a Al-Qaeda é sunita, mas o Hezbollah é uma organização terrorista xiita, e os xiitas É, em algumas formas, em algumas maneiras, se mostram mais radicais. Tanto que foi o Hezbollah, né, que trouxe essa forma de combate suicida de volta para a história da humanidade. E esse mesmo terrorismo nem sempre planeja ataques sofisticados e complicados, mas ultimamente nós assistimos ações e atos muito simples, desde alguém dirigindo um carro, seu próprio carro, e atropelando as pessoas que estão na calçada, ou até sair na rua esfaqueando outros que estão andando do seu lado. Isso não requer grandes planejamentos, grande logística e grandes recursos financeiros. Só você comprar essa ideologia e agir por vontade própria cometendo esses atos.

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Voz A:De ser bem rígido, radical, você não aceitar nenhuma relativização. Existem movimentos fundamentalistas, diria que em todas as religiões, e que usam de violência, sim, e até fazem atentados terroristas, mas não organizados dessa maneira. Tanto que é assim que se apresentou o problema do terrorismo para o mundo de volta no século 21, no combate contra o fundamentalismo islâmico e não contra qualquer outro tipo de fundamentalismo.

Voz B:E a polícia britânica divulgou agora há pouco a foto do terrorista de Manchester na noite do atentado. Na imagem, Salman Abedi aparece de boné Oculus. He was caught on camera minutes before he exploded.

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Voz A:Did you know what was Islamic fundamentalism? —terrorism?

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Voz I:Hoje, uma equipe de resgate israelense confirmou que 260 pessoas morreram no local.

Voz B:Centenas de carros abandonados na estrada, queimados e com marcas de tiros. Esse foi o cenário encontrado por um uma das forças israelenses de resgate. Todos estavam ali para participar de um festival de música eletrônica. 260 corpos foram encontrados. Morar em Israel não é fácil no dia a dia, ao mesmo tempo que é muito fácil.

Voz D:Eu lembro que por volta das 6:30 da manhã eu tava sozinho na frente do palco, quando do nada eu comecei a ouvir fogos de barulho de artifício. Como se fosse barulho de artifício. Eu olhei pra cima, eu nunca vi tanto míssil na minha vida.

Voz T:Por volta das 6 da manhã, eles começaram a soltar os foguetes. E aí a gente já, a produção parou a música. E aí em Israel a gente já é acostumado com os mísseis, né, infelizmente falando, a gente já é acostumado com essa ideia de ter que se proteger, procurar um abrigo.

Voz D:Independente de nacionalidade, independente de religião, Lá tinha gente muçulmana, judia, cristã, gente da América do Sul, gente da África, gente do mundo inteiro.

Voz B:Mas eu moro em Tel Aviv e eu sinto que Tel Aviv é um lugar à parte assim lá em Israel. A gente considera que não é muito bem Israel porque é realmente uma bolha. Então eu sempre senti que quando alguma coisa ruim chegava em Tel Aviv é porque o negócio tava feio.

Voz T:Só que eu, como um instinto de sobrevivência talvez, eu falei falei para os meus amigos: olha, gente, a gente não vai ficar aqui esperando, né, a sorte de não ser atingido. A gente tava muito próximo à faixa de Gaza, então eu falei para os meus amigos: vamos sair daqui, vamos pegar o carro e ir embora. E eu fui um dos primeiros aí para o carro. A Bruna, a menina, né, que infelizmente faleceu, ela era a melhor amiga das meninas que estavam com a gente. Na hora que a gente tava saindo, a gente "Bruna, entra no carro com a gente." Ela quis esperar um amigo dela. E nessa onde todo mundo começou a dirigir de maneira imprudente, havia uma estrada paralela de terra. E um amigo meu israelense falou: "Olha, vai pela estradinha de terra." No momento em que eu peguei essa estradinha, a gente começou a ouvir tiro na lataria do carro. E até então a gente não estava entendendo o que estava acontecendo.

Voz D:A gente foi um dos primeiros a chegar nesse bunker. Eu lembro que a gente ficou bem no fundo dele. E aí começou a chegar gente, começou a chegar gente, chegar gente, chegar gente, até que tava lotado o bunker, não tinha nem mais como entrar nele. Então eu ouvi muitos tiros e muito "Allahu Akbar", muito "Allahu Akbar", que pra quem não sabe significa "Deus é grande" em árabe, e os terroristas quando eles vão atacar eles gritam isso, os terroristas que têm esse lado mais religioso, né? Então eles vão e eles gritam Allahu Akbar, Allahu Akbar, Deus é grande. E aí a primeira coisa que eles fizeram, os terroristas chegaram, tacaram gás dentro do bunker, um gás que em 30 segundos eu não conseguia respirar. Eu tentava puxar o ar e eu não conseguia respirar.

Voz B:Foi muito triste assim, porque ao mesmo tempo que a gente estava tentando entender tudo que estava acontecendo, a cada 1 hora, se não menos, a gente tinha que correr para o bunker. Em Tel Aviv, por exemplo, a gente tem 1 minuto para chegar no bunker. No sul você tem, acho que tem cidade que é 15, 30 segundos no máximo. E aí começa a sirene, né, avisando que estão vindo mísseis. E a chance de cair em Israel um míssel é pequena, né, por causa do Iron Dome, mas dessa vez eu senti que eles mandaram tantos que não tinha como segurar todos.

Voz T:Então alguns caíram efetivamente. Foi quando a janela traseira estourou, aí eu entendi que a gente tava sendo alvejado pelos terroristas. No mesmo momento, um carro da IDF, do Serviço de Defesa de Israel, eles chegaram e eu não sabia qual era o carro deles, né? Então, meu amigo israelense falou: "Ah, esse é o nosso exército." E eu joguei o carro de lado, eu abri a porta e me joguei no chão. Nesse momento onde a gente tava abaixado Deitado no chão e ouvindo os tiros entrando no carro, estourando todas as janelas, os pneus, eu mandei um áudio para minha mãe.

Voz B:Aí eu acordei com uma ligação da minha sogra para o meu namorado falando que o irmão dele estava no meio de um tiroteio.

Voz T:Mãe, eu tô no meio de um tiroteio, não sei se eu vou sair daqui, só queria dizer que eu te amo.

Voz B:Na minha cabeça, eu até mandei mensagem para ele meio rindo assim, eu falei: e aí? "Oi, como é que você tá? O que aconteceu aí?" Então demorei muito tempo para entender a dimensão do que tinha acontecido.

Voz D:Vieram vários tiros, várias granadas, eles entraram no bunker, atiravam aleatoriamente. Depois de um tempo eu desmaiei, do nada eu acordei entre mortos, vários corpos, eu estava lá no meio.

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Voz B:É a primeira coisa que a gente remete, né, ao Holocausto.

Voz A:O que aconteceu contra a AMIA, a comunidade judaica da Argentina, e contra a embaixada israelense. Então são dois alvos bastante importantes. Vale ressaltar que a Argentina tem a maior comunidade de judeus da América Latina, ficando atrás nas Américas apenas dos Estados Unidos e do Canadá. Então Então você fazer um ataque ali tinha um símbolo, tinha um efeito importante. Você atacar a embaixada de um país, mais ainda.

Voz M:La comunidad judía en su totalidad desde la Shoá, desde el Holocausto. Y también tenemos toda una generación que no tiene memoria vivencial. Nosotros, yo me acuerdo, era chico, era adolescente, pero me acuerdo. Pero hay toda una generación de chicos que eran muy chiquitos o no habían nacido.

Voz N:18 de julio de 1994, 9:53 de la mañana, 2 años y 4 meses después del ataque a la embajada a Israel que mató a 22 personas, un nuevo atentado en Buenos Aires voló el edificio de la Asociación Mutual Israelita Argentina, ubicado en la calle Pasteur 633. Fue uno de los más brutales ataques terroristas en el país y en el mundo, el mayor contra objetivos judíos fuera de Israel desde la Segunda Guerra Mundial. Una bomba Bamba. 85 muertos, alrededor de 300 heridos, casi 29 años de impunidad. El saldo del atentado a la sede de la AMIA en la ciudad de Buenos Aires difícilmente pudo ser peor.

Voz M:En mi país, usted sabe que vengo de un país que es excepcional en América Latina porque sufrimos de modo directo ha sido la manifestación más clara del radicalismo islamista del chiísmo a través de una guerra global que nos afectó casi primero que a nadie en este último tiempo.

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Voz A:Colocar ele num julgamento, né, e prendê-lo. A justiça contra um grupo terrorista, ela normalmente vem em eliminar esse terrorista. Não é um crime fácil, e essas organizações internacionais também estão colocadas num limbo de você julgar. A justiça acaba vindo com operações de inteligência, munições especiais para eliminar os alvos, o inimigo. Aqui no Brasil a gente não tem nem pena de morte nem prisão perpétua, e também não temos alguém cumprir a sua pena inteira. E aí eu acho que então você vai testando as pessoas de um jeito errado e elas vão criando uma frustração, e essa frustração vai vir à tona de um jeito que não Sei lá, talvez a melhor maneira de você criar uma sociedade organizada, com um sistema de justiça ordenado, proporcional, equilibrado. Mas alguns crimes, talvez eles precisem de penas mais duras. E o terrorismo certamente é um desses.

Importante: la muerte o asesinato del fiscal Nisman.

Voz F:Que es otro tema donde aparece un nexo con lo que puede ser el terrorismo internacional.

No aclarado, no vinculado, pero eso fue un hecho que también mostró que las conexiones no habían desaparecido del todo.

Voz M:28 años sin de un crimen de lesa humanidad con 85 víctimas, más los más de 300 heridos, y sin un solo responsable. No hay explicación, no hay explicación. Es indignante. No hay explicación para semejante impunidad y por la falta de acciones, porque uno dice bueno, pasó, pero ahora estamos, hemos aprendido la lección y se han tomado Tales medidas que yo te las podría contar a vos, no. No se han tomado medidas de fondo y es una herida abierta. Una impunidad semejante es una herida abierta. Hay una sensación a veces en la sociedad que no se hizo nada, no se investigó nada, pero no es correcto. Es mucho peor que eso, porque se investigó y se sabe más o menos quiénes fueron, pero hay una impunidad total. Realmente es muy doloroso. O sea que no hay una explicación. Las personas sobre las que recae la sospecha siguen dando vueltas y siguen vivitos y siguen activos.

Voz I:We know for a fact that Hezbollah and Iran did decide to carry out terror attacks in Latin America. In 1992, the attack against the Israeli embassy in Argentina. In 1994, the attack on the Jewish Cultural Center in Buenos Aires, the AMIA. And the day after that attack, actually, the downing of a small commercial plane in Panama that was flying from Panama City to Colón, which killed the entire crew and passenger on board. And the vast majority of the passengers were members of the Jewish community in Panama. There's also been a number of attempts to carry out attacks later on in Latin America. Including potentially a large attack in Peru in 2014. It failed because the operative that Hezbollah had sent to Peru to establish a network and start planning, identifying, gathering intelligence for identifying targets for an attack, this gentleman was arrested fairly early in his preparation Se calificó jurídicamente como homicidio agravado.

Voz M:Un ataque terrorista donde mueren 85 personas no tiene una configuración legal específica. En otros países vemos que hay leyes procesales donde se permite actuar en forma inmediata ante un ataque terrorista. Aquí no, no hay hoy, después de 28 años del ataque contra la AMIA, 30 años del el ataque contra la embajada, no hay una ley procesal adecuada antiterrorista. Entonces, ¿se hizo lo suficiente? No. El juez de la causa AMIA, que es la causa más grande de la historia del país y donde todavía hay impunidad, está vacante hoy en día. Hay un juez provisorio. Una causa que es tan complicada que yo creo que necesitamos un ejército de abogados para entenderla, y nos tomaría a un ejército de abogados un año entenderla. Esa causa sobre un crimen de lesa humanidad contra la población argentina, todavía no tiene, hoy tiene un juez vacante, hoy en día, un juez provisorio que en unos meses por ahí no está más. La cantidad de fiscales que desfilaron por la fiscalía, no sé ni el número, más de 10, no sé, habría que hacer historia desde el '94 hasta hoy. Entonces uno dice, ¿se tomaron las medidas? No, claramente no.

Voz A:Nem todo lugar onde você tem atividades de grupos terroristas quer dizer que aquele lugar vai ser atacado. E aqui no Brasil nós temos um outro agravante, que é a fusão das organizações criminosas brasileiras com essas organizações terroristas. Normalmente lugares de fronteira são lugares porosos, né, lugares de uma transição, aonde você tem uma mistura, não tem identidades claras, porque você é paraguaio ou você é brasileiro? Não, sei lá, a diferença entre ser paraguaio e brasileiro para quem mora na fronteira é quase que nenhuma. Você tá mais próximo de paraguaios do que de outros brasileiros do resto do país. São lugares com identidades fluídas, não tem muito claro quem você é, é um lugar propício para você receber gente de vários lugares do mundo e essas pessoas serem acolhidas ali e não destoarem, porque já é um lugar que todo mundo já não tem uma característica tão própria. Quais são os grupos terroristas islâmicos fundamentalistas presentes na Tríplice Fronteira aqui no Brasil?

Voz F:É o Hezbollah, Hamas y a la Jihad Islámica ya fueron apuntados como grupos presentes en esos locales.

Voz N:El terrorismo islámico, por supuesto, está dentro de un esquema mundial de crimen organizado donde se vinculan grupos orgánicos exrevolucionarios. La triple frontera es una zona clave porque hasta desde el punto de vista geopolítico te digo confluyen ríos, confluyen agua dulce. Es una unión de 3 países que relativamente hace 20 o 30 años, especialmente Paraguay y Argentina, muy débiles estructuralmente, institucionalmente, con carencias en el nivel político, carencias en el nivel de investigación, muchísima corrupción, áreas fuera de control, áreas fuera de la ley. Ahora, la Triple Frontera, al tener ese combo, digamos así, de desestructura del Estado. Es un área propensa, hay mucha colonia libanesa y mucha mafia rusa, estructuras de mafias también de Paraguay, de Argentina, de Brasil, Primer Comando de la Capital, miembros de las FARC también tenés. ¿Por qué? Porque es una zona de mucha circulación de dinero que no hay control.

Voz K:Todo esto está cubierto dentro de una estructura y de unos clanes familiares que a su vez tienen una vida absolutamente tranquila. Muchos de sus hijos no tienen la menor idea de lo que sucede ahí, o sus mujeres, o muchos de la comunidad. Y muchos de ellos están haciendo negocios en forma limpia, para ponerlo de alguna manera. Por supuesto, es así los negocios en la triple frontera. Frontera, donde se mezcla todo. No solo se mezcla esto, sino que se mezcla narcotráfico, se mezcla las organizaciones políticas que también traspasan por ahí. La hidrovía que comienza en Mato Grosso, en Brasil, y llega aquí al Río de la Plata es una vía perfecta, es una autopista extraordinaria. Ferroviaria para que todo esto confluya y baje y se traslade de una punta a la otra. Entonces el Hezbollah o algunos otros grupos, la Jihad Islámica, etcétera, etcétera, alrededor de esto pueden actuar de esta manera y pueden tener la cobertura, la infraestructura que necesitan para hacer lo que hicieron aquí en Buenos Aires cuando pusieron la bomba a la embajada de Israelí en Buenos Aires, o a la AMIA, la organización judía también de beneficencia de aquí de Buenos Aires. Entonces lo que tenemos es una organización donde no hay una de infraestructura concreta. No es que allí hay un campo en este momento de entrenamiento de grupos terroristas, pero sí una infraestructura que permite en muchos casos este tipo de acciones. Y me dan protección allí en la triple frontera.

Voz F:Fue en '92, la década de los '90, el atentado a la embajada de Israel en Buenos Aires. que foi reivindicada pela Jihad Islâmica, e o atentado à AMIA, que é a Associação Mutual Israelita, também em Buenos Aires, em 94, que há indícios de que o Hezbollah tem a participação nessa ação. A Argentina não tinha uma inteligência suficientemente forte, né, não havia naquela época, também não havia uma interação entre agências do Mercosul né, agência de inteligência, polícias. Então, estava muito enfraquecida nesse sentido e deu margem para que fosse escolhido um alvo com menor atividade de segurança. A definição de terrorismo é clara.

Voz A:O que não é igual e clara é a política, porque a política que vai definir a legislação. A definição técnica, prática, teórica, ela tá isenta do debate político. Mas quando você vai colocar essa definição escrita na lei, aí entramos no campo da política. E a política é discussão de ideias, interpretação de palavras, e cada um vai tentar puxar para o seu lado, de acordo com com seus valores, com a sua visão de mundo. Por isso que as leis, elas não carregam a essência plena e total do que é a definição de terrorismo. Elas se aproximam, às vezes talvez sejam muito fiéis, mas a definição técnica precisa é a definição estudada, pensada Eu não tenho que me comprometer ou negociar ou ceder para uma discussão política. Eu simplesmente vou falar a verdade. A legislação brasileira, ela protege o Brasil contra essa ameaça?

Voz F:Ela tem muitas deficiências, muitas deficiências.

Voz C:A gente acaba dando apoio a várias operações de outras forças ou até mesmo da própria Polícia Federal de outros estados. Então assim, Existe uma lupa gigantesca em cima de Foz do Iguaçu e ainda assim essa lupa não é o suficiente pra você zerar a criminalidade aqui. O grande problema aqui é que você tem uma atividade econômica pujante. Então, putz, você tem gente do Brasil inteiro que vem pra cá pra ver as cataratas, aí vai fazer uma companhia no Paraguai. E aí no meio de 300 turistas você identificar um, vamos usar uma palavra antiga, um malfeitor, é difícil.

Voz F:A legislação brasileira, ela foi criada mais para a questão, voltada à questão do financiamento do terrorismo. Mas, por exemplo, quando ela não coloca um movimento religioso como terrorista, ela exclui praticamente o terrorismo extremista islâmico. Essa legislação, ela foi construída com como uma imposição internacional. Ela foi criada com algumas arestas, né, e também com o objetivo de não criminalizar os movimentos sociais. Então, porque muita gente entende que o MST, por exemplo, praticava terrorismo. Então, uma certa proteção aos movimentos sociais.

Voz H:One has to be very cautious that interference with civil rights, human rights, is proportionate, proportionate to the problem. The question is whether they go too far, disproportionately. I'll give you an example. When I was independent reviewer of terrorism legislation, at one stage, 182,000 people approximately each year were being stopped and searched in London, for terrorism articles. And Of that 182,000 in each year, over a period of 4 years, there were no arrests for terrorism and there was no evidence revealed for terrorism offenses. But people who were stopped and searched unsurprisingly fell into categories you could predict. Asian men, Asian-looking men were stopped and searched to an absurd extent. The problem is not in the quality of the written law, it's in the, in the application. So there are countries where they have superb written law and the government is completely abusive in its application. And there are countries like ours where we have pretty good counter-terrorism law— imperfect, could be stronger— but the application on the whole is something we can be reasonably proud of. So it's the quality of application, in my view, that is more important than what is written in an act of parliament.

Voz J:E aí você tem essa dimensão política que há uma divergência aqui, né? Então já aconteceu, por exemplo, na década de 2000, né, quando tava ali no ápice essa discussão da guerra ao terror, de agências norte-americanas pedir para que países locais prendessem determinado indivíduo, né, que está na tríplice fronteira. E o Brasil simplesmente fala assim: não, não posso prender esse indivíduo porque ele não cometeu nenhum crime.

Voz F:Então a lei, ela é bem falha esse sentido. O terrorismo extremista islâmico geralmente ele se utiliza dessa motivação, embora a gente saiba que tem uma questão hegemônica, né, contra o tramento americano, né, nesses países do Oriente Médio, a religião está presente.

Voz I:Not every country in Latin America, of course, is willing to recognize organizations and movements as terrorist unless the United Nations has already And so whether that is because of sympathy for the movements or just a general commitment to multilateralism, it depends from country to country, of course. But it is an impediment because the lack of a legal framework to identify terror organizations and then to be able to take further legal measures against these organizations such as asset freezes, such as travel bans, the creation of lists of members who are identified and prevented from entering the country, for example. All of these measures are lacking as a result of the lack of a legal framework. What is missing from the authorities, the governments in Latin America compared to Europe or the United States There are countries that have very professional law enforcement and intelligence agencies, and these agencies have resources to carry out proper investigations. In other countries, this capacity is lacking. In some countries, the forces are trained and professional. I would say that Brazil probably has the better, best trained and most professional police force in all of South America, the Federal Police. But then there are problems of resources and resource allocation. Does Brazil allocate enough resources to investigate certain types of financial crimes potentially linked to terror finance in border areas such as the tri-border of Argentina, Brazil, Paraguay? Brazil has one of the vastest border in the world, and much of its border is very difficult to patrol and to enforce law. So there are challenges of different kinds. Having said all of that, I think that the bottom line is political. You need the political will, not just the resources, to address the challenges that this either legal gaps or executive gaps present. So for example, in the tri-border area, there is something called the Tripartite Command. It is a mechanism, a formal mechanism of cooperation between law enforcement agencies on the three sides of the border, where information is routinely exchanged through formal channels when cases arise. Of organized crime, of fugitives, clandestine people transiting illegally, what have you. But you don't have that institutionalized at the national level between countries of the region to such an extent that it could facilitate and advance significantly cooperation in fighting organized crime and potentially terror finance.

Voz J:Tríplice Fronteira, que é a principal preocupação dos Estados Unidos, a principal questão não necessariamente é performar um ataque terrorista, né, assim, mas muito mais você coletar dinheiro. É uma questão financeira mais do que tudo, né. Ali é uma região que eles sabem que podem fazer negócios, fazer dinheiro, utilizar de meios para que possa levar dinheiro para um outro canto. Só que para além dessa questão, o fato de você ter uma fronteira que é muito fácil de você transitar. Quem já foi nessa fronteira sabe muito bem, você passa do Brasil para o Paraguai, não necessariamente o cara vai te pedir um documento, esse tipo de coisa. Faz com que eles também encontrem esse local como estratégico se tiver que fazer um ataque mesmo.

Voz P:When we're so focused on who are they, what are they planning, how many weapons do they have, where, where are they going to attack next, instead of— that, that's all the sort of front office the front office stuff. What we really want is the back office stuff. If we can figure out who's financing them, how are they doing it, how do we cut off their lifeblood, how do we stop them recruiting, how do we counter their messaging, and how do we put a spanner in the works of their finances— this is really important. How do we prevent them from developing safe havens in failing states, which Western foreign fighters then flock to. The safe havens are absolutely crucial for the jihad group to be able to thrive and use it as a base to expand. But we're so busy thinking about ourselves and what, what's the next attack that we don't always think back.

Voz A:Sem dúvida, o Brasil não tá preparado para lidar com isso. Ameaça. A gente não consegue lidar com a nossa ou com as nossas grandes ameaças das organizações criminosas. Por isso que nós somos o país que mais mata no mundo em números absolutos pessoas. O Brasil não consegue dar conta dos seus problemas, que são gigantescos. O Brasil é o lugar mais o lugar mais violento do mundo, é o lugar onde morrem mais pessoas por ano, morrem mais aqui no Brasil do que em qualquer outro país que esteja em guerra. Brasil é muito violento. Talvez a gente sofrer com o problema na pele, aí nós vamos ter que se mobilizar, as pessoas vão falar: "Eu não quero isso novamente" ou "Eu não quero uma repetição disso" "Não, eu não quero passar por isso, isso que aconteceu é um absurdo." De alguma maneira, o resto do mundo também foi assim. Claro que não precisou necessariamente acontecer para vários países se mobilizarem e mudarem as suas políticas, mudarem práticas, mudarem controle de fronteiras, mudarem investigações, criarem grupos especiais para lidar com esses assuntos, passarem legislações mais ditaduras e assim por diante.

Voz J:Sim, basicamente o que o governo brasileiro coloca é que são reconhecidas como organizações terroristas aquelas que as Nações Unidas também colocam como terroristas. Então, por exemplo, Al-Qaeda, né, ou mesmo Talibã. O Hezbollah, ele vai ser considerado um grupo terrorista para determinados países, como os Estados Unidos, por exemplo, né, listado como terrorista. O que não vai ser o caso para um país como o Brasil, né, que não vai listar. E aí vai existir sempre essa uma definição discursiva aí, né? Assim, se o indivíduo ele tem, por exemplo, algum tipo de ligação com Hezbollah e ele tá em território brasileiro, isso não necessariamente incide que ele tá cometendo um crime, né? Comparado com se esse mesmo indivíduo tivesse em território norte-americano, por exemplo. Se existe alguém que é ligado ao Hezbollah, essa pessoa não necessariamente é um terrorista pro Estado brasileiro, porque você não lista como organização terrorista. É uma organização política que é sui generis, porque tem um braço que é um braço armado, mas não um grupo terrorista.

Voz B:Aconteceu, né? O Hezbollah foi preso aqui. Eu tô achando até hoje que é fake news, tá? Porque assim, eu não tô assimilando, óbvio que não é, mas eu não tô entendendo que é real isso que aconteceu. Pra mim era uma coisa muito distante, muito distante. E aí isso aconteceu e eu fiquei tipo: "Meu Deus do céu, tá no mundo inteiro." o mundo inteiro, tá aqui, tá em qualquer lugar. Só que é isso, né, que é o grupo que estava lá, que pegou um avião e veio para cá. Não, o negócio é cibernético, eles vão se— eles vão criando essas conexões. Às vezes é uma pessoa pode ver na TV e falar: nossa, é isso que eu quero fazer, sabe? Então foi realmente bem assustador assim para mim entender que se espalhou dessa maneira.

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Voz D:Eles não perguntaram qual era a minha nacionalidade, qual era a minha religião, de onde eu vinha, o que que eu achava sobre o mundo. Não, foi terrorismo puro.

Voz Q:Eles chegaram atacando sem perguntar quem era quem.

Voz R:When something happens, no matter how big, step back and look at the bigger picture. And that's Yes, that's what I did. I looked at the very big picture, which is also the reason why I managed to forgive the terrorist, because I looked at his childhood and I looked at the origins of him as a baby who had nothing to do with terrorism. And I, um, I feel that as human beings we need to have compassion, tolerance, tolerance, kindness, forgiveness, and all these values that we seem to have lost in society. If we can't love each other, then the world is lost. Also, forgiving was important to me because it broke the cycle of hate. Had I been angry, that's what terrorism wants to achieve, and I didn't want to do that.

Voz F:"Há ainda algumas tentativas de ações terroristas no Brasil, na América Latina, que a opinião pública não fica sabendo, porque aquilo é plotado bem antes de acontecer." pode acontecer, né? E então assim, a opinião pública não tem conhecimento desse tipo de ação. Se existir uma rede terrorista no Brasil, dificilmente a opinião pública vai ter conhecimento desse fato, né? Porque envolve segurança nacional, envolve investigação. Então isso geralmente é uma coisa que fica adstrita às agências de inteligência.

Voz L:Problem. Might be for now, but you don't know what's around the corner. You don't, you don't know if it is actually free. We have the internet, we have the growth of the darknet, which the internet cannot be monitored live. It's almost impossible to monitor the internet live. We found that here in the United Kingdom. So, is Brazil safe from terrorism? I wouldn't want to play that risk.