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OS EUA ACERTARAM EM ROTULAR PCC E CV COMO TERRORISTAS?

09 de junho de 202637min
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Participantes neste episódio1
S

Speaker A

Host
Assuntos5
  • EUA classificam PCC e CV como terroristasPCC e Comando Vermelho são organizações terroristas? · Violação da soberania brasileira · Impacto na cooperação policial EUA-Brasil · Uso político da classificação (esquerda vs. direita) · Definição de terrorismo e motivação política · Ações táticas terroristas vs. grupo terrorista · Apoio e colaboração com grupos terroristas · Legislação americana vs. brasileira
  • Soberania nacionalClassificação de grupo estrangeiro como terrorista · Possibilidade de ação militar ou intervenção no Brasil · Diferença entre classificação e intervenção · Violação da soberania por organizações internas (PCC, CV) · Monopólio do uso da força pelo Estado (Max Weber) · Domínio territorial por organizações criminosas · Nacionalismo e conflitos externos como unificadores
  • Cooperação contra crime organizadoImpacto da classificação na cooperação EUA-Brasil · Papel do FBI e DEA no combate ao terrorismo · Aumento de agências e recursos americanos · Preocupação com sanções financeiras ao Brasil · Due diligence de bancos brasileiros
  • BRICS e agenda geopolítica contra hegemonia americanaEstratégia de segurança nacional americana · Continente das Américas como prioridade · Classificação de organizações mexicanas como terroristas · Movimento geopolítico para organizar as Américas · Distanciamento da China, Rússia e Irã · Interesse nacional brasileiro em segurança e violência · Tríplice Fronteira como local de terrorismo
  • Consequências da classificação como terrorista (FTO)FTO - Foreign Terrorist Organization · SDGT - Special Designated Global Terrorist · Departamento de Estado americano · Departamento do Tesouro americano · Foco em questões financeiras e apoio
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Voz A:Oi gente, vídeo de hoje eu quero continuar o debate, a conversa e análise sobre a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Eu publiquei alguns dias aí um documentário sobre o tema, então na verdade se você não assistiu documentário ainda, para o vídeo aqui, vai lá, assiste o documentário. Foram anos, mais de 4 anos aí de pesquisa, viajei para vários lugares do mundo, entrevistei uma série de pessoas, vários países que são vítimas do terrorismo, fui para a Tríplice Fronteira, fui para Argentina e debato a profundo na discussão da possibilidade ou da existência ou das ameaças terroristas para o Brasil e tem tudo a ver com essa decisão americana. Mas o meu trabalho começou muito antes disso acontecer. Como eu disse para vocês, são anos, demorou aí para a gente conseguir colocar esse filme de pé, mas tá muito legal. Assistam antes de você continuar esse vídeo. Então assiste, assistiu, volta aqui que a gente tem outros assuntos para falar desse tema, porque o tema provocou uma série de discussões dentro do Brasil e eu quero analisar cada um desses sub-temas que estão sendo discutidos, não por mim, pelos outros, o debate. Então vamos aprofundar no debate, quero analisar cada um dos sub-temas que foram trazidos com essa história toda. Tem vários, né? Não sou eu que tô falando deles, é todo mundo, o debate público, são os especialistas, são outras pessoas, é a população, opinião pública no geral. Tem a questão, a discussão Uma delas é: o PCC e o Comando Vermelho são organizações terroristas? Quero debater isso com vocês. Segunda é a história da soberania. É uma violação da soberania brasileira o que está acontecendo? Os Estados Unidos fazer isso, o que ele pode vir a fazer seria ou não violação da soberania? Que tipo de impacto isso tem? Depois tem uma discussão se essa classificação vai prejudicar o combate e a cooperação entre os órgãos americanos com os órgãos policiais brasileiros, ou as forças de segurança do Brasil com as forças de segurança americana. Tem gente muito séria e respeitada fazendo comentários, e eu quero falar, né, dessas análises e refletir aqui com vocês algumas coisas sobre isso. Aí tem, óbvio, a discussão política. Esse foi criado, né, a esquerda e a direita no Brasil no Brasil debatem um assunto puxando a corda para o seu lado, principalmente os grupos políticos. A opinião pública acaba caindo nas narrativas do seu grupo político, mas as lideranças políticas brasileiras tentam usar isso de uma forma política. E eu quero falar desse assunto porque merece, o assunto é maior do que as discussões ideológicas. Então a gente precisa olhar para ele com muito mais atenção. Esses são alguns dos temas principais, óbvio que tem outras questões menores envolvidas com tudo isso. Vou falar de todos eles a fundo. Antes então de eu começar, eu só quero lembrar vocês aqui do nosso parceiro patrocinador do canal, a Insider, que tem essas roupas incríveis, roupas tecnológicas. Eu tô com a minha camisa Essa é uma camisa da Insider, extremamente confortável, versátil, agradável. É a antiga camisa, só que feita com um tecido muito melhor, muito mais gostoso de usar, muito mais prática. Então, se você não conhece a Insider, convido você a dar uma olhada no site. Se você já conhece, aproveita de novo o meu cupom ROCKHOC, Visita lá, tem sempre coisa nova, tem cores novas, o tamanho que você queria não tinha, agora tem, outras roupas que você não tinha pensado, além das Tech T-shirts, tem uma infinidade de coisas para homens e para mulheres. Então, deixo aqui o meu cupom ROC, vai lá visitar Insider, o nosso parceiro aqui, inclusive parceiro do documentário que eu comentei com vocês. Então vamos continuar no vídeo e vamos falar dos assuntos. Eu quero começar talvez o que eu acho, não sei se é o mais polêmico, não é o mais polêmico, mas vamos falar primeiro da soberania, discussão de soberania. Todo mundo está dizendo que a classificação dos Estados Unidos do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas é uma violação à soberania nacional. Vamos deixar claro algumas coisas. É uma violação à soberania nacional classificar um grupo de outro país como terrorista baseado nas suas leis internas? Não, não é. A simples e mera classificação não é uma violação da soberania nacional brasileira. Os Estados Unidos têm a legislação dele e a legislação americana ela simplesmente define o que é um grupo terrorista. Ainda mais um grupo terrorista ou uma organização que comete crimes transnacionais que chegam até o território americano ou passam da fronteira de onde esse grupo se originou. Então, a pura classificação não é uma violação à soberania. Está baseada na lei americana, os Estados Unidos podem fazer o que ele quiser perante o seu país. Então essa discussão nem vale. Eu imagino e espero que quem esteja dizendo isso está se referindo à possibilidade, depois da classificação, existir uma ação, uma ação militar, uma ação, uma operação militar, uma intervenção de alguma natureza no território brasileiro para combater essas organizações. Então vamos destrinchar e definir bem quais as ações são podem ser possíveis. A primeira ação que não vai acontecer e que muitos aí, vivendo numa completa abstração da realidade e numa fantasia absoluta: "Não, o Trump vai vir capturar o Lula, tirar o Lula do poder." Isso é um devaneio assim, mas de uma, eu diria que de uma infantilidade muito grande, né? Então, não, Trump não vai capturar o Lula. O Brasil, o Estado brasileiro ou governo brasileiro não foram classificados como um Estado ou um governo que patrocina terrorismo. Isso não aconteceu. Diferente do que aconteceu na Venezuela, onde o líder, o Maduro, ele estava envolvido com o cartel e a Venezuela e a liderança foi classificada como parte disso ou como países como o Irã, que patrocina, o país patrocina o terrorismo, não é um país que tem organizações terroristas lá dentro, o governo é parte do terrorismo. Não é isso que aconteceu com o Brasil, então não existe operação de intervenção de combate ao terrorismo ligada ao governo brasileiro, ponto, não existe. Pode existir operações contra o PCC ou Comando Vermelho? Podem, mas elas têm que estar embasadas em alguma coisa. E aí a gente tem que olhar para o histórico. Uma série de organizações ao redor do mundo estão listadas e não tivemos operações militares americanas contra todos esses territórios aonde essas organizações se originaram e foram listadas. São mais de 90 organizações espalhadas pelo mundo e não Não existiram 90 operações ou mais de 90 operações militares americanas em todos os lugares. Não, isso não acontece. Existiram em alguns lugares, em outros não. A gente não pode cravar e dizer que isto vai acontecer. E é, a gente tem que pensar na realidade. O que seria uma operação? Capturar ou matar alguma liderança do PCC ou do Comando Vermelho? Imaginem isso, subir um morro de uma comunidade no Rio de Janeiro para capturar ou matar uma liderança do Comando Vermelho ou do PCC. Não me parece uma operação interessante para os Estados Unidos. Não me parece que faz sentido os americanos fazerem isso, despenderem tanta energia para isso. Ah não, eles não vão entrar lá no morro. É, certamente eles não vão vir com soldados aqui fazer essa operação física. Isso não vai acontecer. Ah, eles podem só lançar um míssil, um drone e matar esse criminoso. Olha, aí nessa condição, nessa situação, a gente pode falar em violação da soberania. Certamente seria uma violação da soberania se não tivesse autorização, né, ou a participação das autoridades brasileiras. Uma outra possibilidade é uma operação policial, uma operação de combate a tudo isso com a participação de forças americanas junto com as brasileiras, mas nesse caso, se estão juntas, teria a nuência das autoridades brasileiras e aí não dá pra falar em violação da soberania. Foi uma ação de cooperação dos dois lados juntos. Matar um líder desses não acho que resolve a vida dos Estados Unidos. Acho que as medidas americanas visam ações muito maiores, e é uma estratégia que ela é muito mais ampla do que é o problema específico somente de um líder do PCC ou do Comando Vermelho. Eu vou falar disso daqui a pouco quando a gente entrar nos outros temas. Bom, então nesse caso a gente só teria uma violação da soberania se acontecesse uma dessas coisas. Aí eu acho que vale uma outra reflexão, né, que é surpreendente como que o Brasil respondeu a— na verdade não é surpreendente, mas para nós brasileiros essa discussão deveria— esse ponto que eu vou trazer aqui deveria ser pensado com mais profundidade, que é o seguinte: tanto escarcéu, né, tanto incômodo com a possibilidade de uma violação da soberania por um país estrangeiro, mas nenhum incômodo ou nenhuma mobilização da opinião pública, da mídia, da discussão nacional, do debate, quando uma organização interna como o PCC, criminosa ou terrorista, ou como Comando Vermelho, criminosa ou terrorista, viola a soberania nacional, porque o PCC e o Comando Vermelho certamente violam a soberania brasileira. Uma das definições do Estado, eu já falei disso inúmeras vezes para vocês, é a do Max Weber, que diz que o Estado é a entidade que detém o monopólio do uso legítimo da força. Nesse caso, de acordo com essa definição, qualquer outro grupo ou força que usar violência está afetando a soberania do Estado. E certamente o PCC e o Comando Vermelho violam a soberania do Estado brasileiro. E eles não foram escolhidos, não têm legitimidade, eles são uma organização criminosa, clandestina, terrorista, que faz o que quer à revelia da vontade das pessoas. Eles não têm um... eles não foram escolhidos, eles não respeitam leis e regras definidas por todos os brasileiros num processo democrático, de uma Constituição, de um Legislativo. Não existe isso, eles simplesmente violam a soberania. Só que eles são violadores internos e nós não assistimos esse incômodo, esse frenesi, esse calor e toda essa discussão com a violação deles interna. E não é uma violação pequena. Alguns estudos aí, já citei pra vocês, dizem que mais de 30% da população brasileira está sob o domínio de uma organização criminosa. Não é pouca coisa. E quanto do território brasileiro também tá dominado por essas organizações? A soberania brasileira é violada em grau, escala, tamanho e dimensão interna em níveis incomparáveis com qualquer outro lugar do mundo. Talvez uma população desse tamanho, de 205 milhões de habitantes e mais de 30 e poucos por cento dominado por uma outra organização que viola a soberania do país, talvez não exista outro lugar no mundo com um tamanho tão grande de população absoluto, né, e claro, e aí vira um tamanho relativo para o tamanho da população, que tem a sua violação de soberania. Mas ninguém tá falando sobre isso, ou não fala sobre isso com a intensidade que se deveria. É explicável isso acontecer, porque dentro da sociologia das relações internacionais a gente sabe que toda vez que você traz para dentro de uma nação uma entidade externa, um estrangeiro, uma outra nação, você mexe com as paixões nacionalistas, patrióticas, etc. Se tem uma guerra civil, e a guerra civil ela é entre dois grupos internos, e chega alguém de fora, a guerra civil ou os argumentos eles se direcionam para aquele de fora. Se o Brasil está se matando internamente, os argentinos entrarem no Brasil para ajudar ou para qualquer coisa, claramente parte da briga interna vai tirar o foco da briga interna e vai olhar para os argentinos. Isso é natural. Por isso que países costumam às vezes usar guerras ou olhar para conflitos como fatores unificadores. Por isso que eu digo que um dos fatores que ajuda a construir identidade nacional são conflitos, porque você tem uma relevância externa, você se conecta com alguém de fora. Então esse é um elemento aqui, não é uma surpresa, mas do ponto de vista do problema interno brasileiro É sim, é um distúrbio, é um devaneio e algo grave, porque nós deveríamos dar essa mesma atenção sobre a violação da soberania interna do que está se dando sobre a violação da soberania externa americana. Um outro tema que está todo mundo falando é a questão se o PCC é ou não uma organização terrorista. E no documentário eu trato disso de uma forma técnica e profunda. E vou trazer aqui um pouco dos argumentos resumidos já para vocês. A definição clássica de terrorismo, ela diz que é uma organização— toda organização terrorista é uma organização criminosa, mas nem toda organização criminosa é uma organização terrorista. Para ela ser uma organização terrorista, ela precisa cometer ou ter o intuito de, das suas ações, terem uma motivação política. E o que é uma motivação política? Um objetivo político. Objetivos políticos diferem de objetivos econômicos. Normalmente organizações criminosas, elas estão preocupadas em lucro financeiro, em ganhar dinheiro. Elas cometem um tipo de crime. Elas não têm um objetivo político. Al-Qaeda, o Estado Islâmico, tem objetivos políticos. Eles querem fundar um estado, eles querem que esse estado tenha características religiosas específicas da sua ideologia. E na definição pura e simples, o PCC não tem, nem o Comando Vermelho tem esses objetivos. Porém, tem outras coisas que eles fazem que são terroristas. Eles cometem atos terroristas, ou seja, o seu modo de operar é um modo que usa de ações terroristas. Uma ação terrorista não é necessariamente um grupo terrorista, várias pessoas podem usar ações terroristas. Quantas ações terroristas são necessárias para alguém fazer para você chamá-lo então de um grupo terrorista? Tem uma distinção aqui, tô sendo bem técnico com vocês, o objetivo é aprofundar e a gente saber classificar onde estão os limites de uma coisa e começam a definição da outra. Você pode recorrer a táticas operacionais terroristas e ainda assim não ser um grupo terrorista na sua essência fundacional de objetivo. Para alguns essas distinções não fazem diferença, mas aí você não tá a fim de aprender ou aprofundar em nenhum assunto, esse vídeo não serve para você. Aqui o objetivo é a gente ser mais complexo, mais sofisticado, entender cada uma das caixinhas, né, e todas as nuances dessas definições. Bom, aí tem um terceiro elemento na questão de ser ou não terrorista, que é: você ajuda grupos terroristas? Então imagina que você é só uma organização terrorista, o PCC, você é só uma organização criminosa e você colabora com uma organização terrorista. Isso te faz uma organização terrorista? Aí sim, porque a legislação Americana e as legislações de terrorismo ao redor do mundo dizem que se você atuar como um apoiador do terrorismo, você tá fazendo terrorismo. Se você tá financiando, se você tá ajudando a lavar dinheiro, você é um cúmplice, você é um comparsa, você é uma extensão daquela organização. Então, mesmo que você não nasceu para ser, não, eu sou um criminoso comum, "Mas eu lavo dinheiro de organização terrorista." Bom, você está ajudando a organização terrorista a existir. E você está financiando, participando de uma atividade de uma organização terrorista. Então, nesse critério, o PCC e o Comando Vermelho são organizações terroristas, porque eles ajudam, eles colaboram, eles fazem negócios, eles trocam informações, eles atuam em conjunto em diversos momentos e áreas. E é isso que eu conto no filme, no documentário. Vocês têm que assistir. Então vamos lá. As ações táticas do PCC e do Comando Vermelho são terroristas? Sim. É muito difícil dizer que não. A maneira como eles ajudam, colaboram e coniventes e comparsas de grupos terroristas como Hezbollah e Hamas e outros acontecem? Acontecem. Então, nessa ótica, eles também são terroristas. Aí, na definição estrita de ação do PCC, tem um objetivo político? Não. E objetivo político não tem a ver, ah, está infiltrado dentro da política. Está infiltrado dentro da política para conseguir roubar mais. Não é política, é participação na política, é um objetivo político, é o instrumento, o fim que você deseja. E nesse sentido aí o PCC não é. Para legislação americana, o mais grave de tudo não é o que, como o PCC age internamente do Brasil, dentro do Brasil, ou nem como o PCC PCC tem como objetivo aqui econômico ou político interno, mas como o PCC participa com outras organizações terroristas fora do Brasil e como que isso impacta os Estados Unidos, aí nesse sentido o PCC e o Comando Vermelho são sim organizações terroristas dentro do olhar da legislação americana. E a legislação brasileira é muito fraca, eu falo isso no documentário, não é um parâmetro. Mas a americana é uma das legislações mais bem elaboradas sobre o tema, como de outros países da Europa também. Então nesse sentido, eu diria que a conclusão aqui para o Brasil, não só para os Estados Unidos, é que o PCC já pode ser classificado como uma organização terrorista, apesar de ainda não ter elaborado e articulado objetivos políticos, de uma ideologia, de um movimento, de uma vontade de fazer algo organizado com a coletividade dos brasileiros, diferente das FARC, por exemplo, que sim tinham objetivos políticos. Mas as outras coisas que o PCC tá fazendo, elas vão muito além dentro do campo do terrorismo. Então diria que sim, são, é uma organização terrorista. Agora, é o outro tema aqui E esse tema foi trazido por pessoas que eu respeito demais, gente muito séria que está há muito tempo combatendo o crime organizado no Brasil, que é o Lincoln Gacchia, né? Ele é uma das maiores autoridades nesse assunto. Eu entrevistei ele por horas, conversei muito já com ele ao longo dos anos, respeito demais o trabalho dele. E nós tivemos muitas manchetes dizendo que as maiores autoridades no Brasil sobre o assunto dizem que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como terroristas podem atrapalhar o combate a essas organizações no Brasil. O argumento do Gacchia, e aí a gente precisa fazer uma ressalva, porque as manchetes dizem que ele é contra, que ele acha que não. E aí, quando você pega a própria frase que ele diz, né, a citação expressa da frase do Gacchia, ele diz: olha, eu acho que isso pode acontecer, eu não estou afirmando que isso vai acontecer, eu não estou dando certeza. Ele reforça isso duas vezes, dizendo que o que o que ele acha que pode acontecer, não está dizendo que vai acontecer, que é uma preocupação dele, é que ao se tornar uma organização terrorista, ou essas ao se tornarem organizações terroristas, isso vai ser conduzido pela CIA, pelo serviço de inteligência americano, e a cooperação com FBI, FBI e DEA, que é o órgão de combate antidrogas americano, não vai seguir na mesma intensidade. Eu quero fazer uma ressalva, sei que o Gacchia lida com isso diariamente e sabe dessa cooperação, mas eu quero só deixar explicado aqui para todo mundo que o FBI e o DEA, eles participam de investigações e a responsabilidade deles é sim, desses dois órgãos americanos, é sim sim, para investigar terrorismo. Não é porque virou uma organização terrorista que FBI e o DEA estão fora. Ao contrário, o FBI tem representantes nas suas embaixadas ao redor do mundo que participam de investigações de terrorismo, da mesma maneira que participam de investigações de organizações criminosas. A responsabilidade do FBI não é só para lidar com questões de natureza, sei lá, né, natureza de crime organizado. Eles também lidam com terrorismo. Então o FBI e o DEA não vão abandonar a cooperação com o Brasil porque o PCC e o Comando Vermelho se tornaram grupos terroristas. Isso não vai acontecer. Basta, hein, entrem no site do FBI e vejam a infinidade de investigações que o FBI executa ao redor do mundo contra organizações terroristas em diversos países. Então, eu acho que a preocupação do Gakia não vai se materializar. Não acho que isso é um problema, eu acho que é positivo nesse sentido, porque os Estados Unidos colocam status diferente para esses grupos. Se antes eles ficavam ali, ah, é mais uma organização criminosa ao redor do mundo que eu tenho que lidar, é uma coisa. Não, não, é uma organização terrorista, e eu disse para vocês que tem 90 e poucas no mundo, 94, talvez agora 96, né, se a conta é exata, são só essas, e duas delas estão aqui. Então vão ter mais agências envolvidas, vão ter mais preocupação por parte das forças de segurança americanas, sejam elas de inteligências militares, as policiais, as antidrogas, as todas elas. E eu acho que isso é positivo para o Brasil, é positivo para o combate contra essas organizações, porque você tem mais atenção, você tem mais recurso, você tem mais preocupação, você tem mais agências americanas participando. Isso é a melhor coisa que poderia acontecer. E aí, numa dessas notícias aí faladas, né, também respeito o jornalista que escreveu, e não foi ele, ele é só um mensageiro, né, um jornalista do Estadão, Godoy, ele fala que o ex-secretário de segurança Tal diz que a CIA não fala com ninguém no Brasil. Isso não é verdade. A CIA fala com todo mundo no Brasil, não é com pouca gente. A CIA fala com muita gente no Brasil. As autoridades brasileiras falam sim com serviços de inteligência americano. O diretor da CIA já veio para o Brasil, já teve reunião aqui com lideranças brasileiras políticas. Assim, não sei que tipo de fala, se foi tirada do contexto, se qual é o contexto. Não estou atacando nem criticando ninguém, mas estou explicando uma coisa que tem que ficar clara nessa discussão, nesse debate. A CIA está envolvida nessa, passar a estar envolvida nessa história não faz o combate ao PCC e o Comando Vermelho ser uma coisa pior ou mais difícil, tá? Último, penúltimo, né, depois eu só quero fazer uma reflexão final aqui, mas o penúltimo tema é a questão da direita e esquerda, né? A esquerda brasileira tá usando o assunto politicamente, a direita brasileira também, e o brasileiro precisa acordar, né, gente, entender qual é o movimento de político. Político tenta politizar tudo para ganhar bônus e resultados e benefícios políticos, no caso eleitorais, no ano de eleição, há poucos meses da eleição. O Trump não fez isso por causa do Bolsonaro. Esse movimento tem a ver com a estratégia de segurança nacional americana. Foi publicado, já foi dito que o continente das Américas é o lugar mais importante para os Estados Unidos. Isso não tem nada a ver com Bolsonaro. OK, foi declarado e anunciado junto com a visita do Flávio Bolsonaro. Isso sim é um elemento político, mas a escolha é muito maior. Várias organizações mexicanas estão sendo classificadas como terroristas. Você tem Colômbia, Equador, El Salvador, Venezuela, todos tiveram novas organizações classificadas desde que o Trump chegou no poder. Nós temos todo um movimento geopolítico de tentar colocar ordem no continente das Américas. Esse movimento transcende a política ideológica do Trump. O Trump não está tentando fazer uma política ideológica. O anúncio, sim, é um pequeno movimento ideológico, mas aí a esquerda, as lideranças da esquerda brasileira e as lideranças da direita brasileira estão tentando capitalizar e transformar isso numa discussão ideológica, política muito maior do que ela é. Ela é uma discussão geopolítica para os Estados Unidos, a segurança das Américas, a organização das Américas, as Américas estarem em ordem, longe, afastada da China, da Rússia, do Irã, mais organizadas, com menos crime transnacional, com menos organização terrorista, com menos organização criminosa, É do interesse da segurança nacional americana e esse é um movimento claro do Trump, tá sendo dito e redito há muito tempo. E aliás, não só dos republicanos, porque os democratas, uma parte deles apoiou esse tipo de coisa. Isso não é um movimento unilateral, isso não é uma discussão de direita e esquerda. Somente os políticos querem fazer ser uma discussão de direita e esquerda. Essa é uma discussão extremamente importante para a geopolítica e ela é uma discussão extremamente importante para o Brasil, para a nação brasileira. Ela não deveria ser uma discussão de direita e esquerda no Brasil, ela deveria ser uma discussão do interesse nacional básico brasileiro, porque um dos maiores problemas que o Brasil tem é com a segurança pública, um dos maiores problemas que o Brasil tem é com a violência. O Brasil é o país que mais mata em números absolutos, o Brasil é o país que tem a maior porcentagem de uma população controlada por uma organização terrorista ou criminosa, tanto faz, o ponto é que ela não tem legitimidade, ela não é soberana para fazer isso, controlar territórios e todas essas coisas que a gente já sabe. Outro ponto, desde o 11 de setembro, a tríplice fronteira é colocada pelos Estados Unidos, pelo governo do Bush, como um lugar do terrorismo. Essa discussão já existiu lá atrás no Brasil A atenção que os americanos deram para a tríplice fronteira já era uma grande, grande preocupação. Isso não é um tema de direita e esquerda, ele é muito maior. Aqueles que tentarem classificar ou para ganhar bônus com isso ou para tentar culpar o outro lado estão usando narrativas quase rasas políticas, sem compreensão do que está acontecendo. Nós aqui, vocês que me seguem, sabem que o objetivo do canal e das nossas conversas não são para a gente estar nesse lugar. A gente quer estar num lugar mais elevado. Por fim, eu só quero explicar uma coisa que é importante. São duas designações, ou dois status diferentes, né? FTO, que é o Foreign Terrorist Organization, que é uma organização terrorista internacional, estrangeira, que isso é declarado pelo Departamento de Estado americano, que é equivalente ao Ministério das Relações Exteriores. A outra classificação que os Estados Unidos deu, que é o SDGT, que é Special Designated Global Terrorist, que é uma designação, uma organização terrorista especial designada, ela é pelo Departamento do Tesouro e ela visa questões financeiras muito maiores. Então é o impacto dela tá focado naqueles que apoiam. E aí tá um grande temor, né, do Brasil. Não, mas o Brasil pode ser ser sancionado. Pode ser sancionado se você financiar, lavar dinheiro, participar de atividades ou ter clientes. Ou você é um posto de gasolina, você é um banco que oferece empréstimo, dinheiro, crédito para um posto de gasolina que tá ligado ao PCC, você vai ser sancionado. E Acho isso extremamente positivo, não entendo qual é o problema disso. Acho que isso força o Brasil a tomar atitudes, né, fazer coisas com essa realidade que tá aí dada e ninguém nunca fez nada. Então acho que é positivo. E como eu já disse aí no Shorts e no Reels no Instagram, De toda essa discussão, de todos esses pontos que eu trouxe aqui, o ponto mais interessante, mais importante para o Brasil é que tudo isso fez com que a gente começasse a discutir PCC e Comando Vermelho. E tá mais do que na hora. Somente o Brasil vai conseguir resolver esse problema. Ele precisa ser enfrentado de frente. É um problema muito sério. A gente não debate isso com profundidade, a gente não para, as pessoas estão insatisfeitas, aí as conversas terminam, elas não dão continuidade. Espero que essa discussão toda force o Brasil a caminhar para algum lugar, para fazer alguma coisa. Já estamos escutando aí que os bancos brasileiros estão preocupados em fazer uma due diligence, uma grande varredura, nos seus clientes, uma investigação mais aprofundada para entender se algum dos seus clientes tem ligação com organizações criminosas. Fantástico! É isso que tem que acontecer. Mas não aconteceu porque as autoridades brasileiras iam punir as atividades diversas de qualquer negócio no Brasil que tivesse ligação com o crime organizado, e sim porque um país de fora disse e passou uma classificação que muda todo o jogo. Então talvez isso provoque uma reação do Brasil. Essas são as minhas análises ou pontos aqui sobre essa discussão toda. Espero que vocês tenham gostado. Esse tema, eu espero que ele continue presente. Repito, não acho que nós teremos operações militares no Brasil e não acho que esse é um produto de uma discussão ideológica partidária de direita e esquerda também, nem aqui nem lá fora. É isso aí, pessoal. Dê like no vídeo, segue o canal, assiste o documentário, ativa o sininho e compartilha esse vídeo com seus amigos. Até mais.

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