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A PRÓXIMA PANDEMIA? SURTO DE EBOLA NO CONGO

01 de junho de 202635min
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Um novo surto de Ebola voltou a colocar a República Democrática do Congo em alerta.Mas essa não é apenas uma história sobre um vírus.É uma história sobre um país gigantesco, rico em minerais estratégicos, mas marcado por décadas de guerras, interferência externa, grupos armados, fronteiras frágeis e um Estado que muitas vezes não consegue controlar o próprio território.O epicentro do surto está no leste do Congo, uma das regiões mais instáveis da África. É ali que milícias disputam poder, que populações inteiras são obrigadas a fugir de suas casas, que hospitais operam sob ameaça e que a desconfiança contra autoridades e organizações internacionais pode ser tão perigosa quanto a própria doença.O Ebola se espalha pelo contato humano. Mas, no Congo, ele também avança pelas rachaduras deixadas pela guerra: deslocamento em massa, colapso da infraestrutura, pobreza, desinformação, rotas de comércio, fronteiras porosas e ausência do Estado.Neste vídeo, eu te explico por que esse novo surto preocupa tanto a comunidade internacional, como a crise sanitária se conecta à instabilidade no leste congolês, qual é o papel de grupos armados como o M23, por que países vizinhos observam a situação com medo e como uma epidemia pode se transformar em um problema regional.Porque, no fim, o Ebola no Congo não é apenas uma emergência médica.É o retrato de um país onde saúde pública, guerra, mineração, fronteiras e poder internacional se misturam.

Participantes neste episódio1
D

Desconhecido Desconhecido

HostJornalista
Assuntos6
  • Surto de Ebola na ÁfricaRepública Democrática do Congo · Ebola · Vacina para Ebola · Histórico de surtos de Ebola · Transmissão do Ebola
  • Organização Mundial da Saúde· SaudeSaída dos EUA da OMS · Organização Mundial da Saúde (OMS) · Financiamento internacional de saúde · Acordo de pandemias · Rivalidade geopolítica
  • Risco GeopoliticoPandemia de Covid-19 · Dependência econômica de países · Risco geopolítico · Coordenação internacional · Bens públicos globais
  • Saúde Pública em Zonas de ConflitoCondições de saúde precárias · Impacto de guerras na saúde · Restrições à atividade médica · Desinformação
  • Conflito na República Democrática do CongoGuerras e conflitos · Grupos armados · M23 · Ruanda · Fronteiras porosas
  • Pandemias e zoonosesConectividade global · Facilidade de disseminação de doenças · Paradoxo da conexão global
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O mundo está se deparando com mais um risco importante e relevante. Estamos ouvindo as notícias sobre um surto de ebola na África, mais precisamente no Congo e alguns lugares em Uganda.

Isso não necessariamente quer dizer que nós estamos caminhando para uma nova pandemia, mas essa é uma discussão importante. O mundo está preparado para uma nova pandemia? O que significa? O que está acontecendo no Congo? Vou falar disso hoje, explicar para vocês quais são os desafios para a gente criar uma grande coordenação internacional, como que o mundo tem se preparado para...

uma possível nova pandemia, alguns dizem que a chance de um em quatro da gente ter uma pandemia é durante os próximos dez anos. E nós assistimos a pandemia anterior e vimos o efeito destrutivo na economia, na política, na saúde, enfim, uma série de áreas que levou a problemas muito sérios, inclusive abriu várias outras feridas geopolíticas.

transformou algumas percepções dos países do mundo sobre o que está acontecendo. Eu diria que esse é o grande evento geopolítico, a pandemia do Covid é o evento que mostra a importância de você não depender.

tanto economicamente de um país. Os insumos, os equipamentos, até vacinas que vinham da China fizeram com que os países percebessem o risco geopolítico envolvido.

em ter como fornecedor, ainda mais de questões ou de coisas e equipamentos estratégicos como remédios numa pandemia ou equipamentos numa pandemia, o quanto perigoso era depender de um país. E a pandemia então revelou uma série de mudanças e percepções geopolíticas importantes.

para o mundo que continuam valendo. E não só isso, os efeitos diretos na vida das pessoas e na economia. Então, o risco de uma pandemia é real, é importante e ele tem dimensões geopolíticas bastante sérias que eu quero tratar aqui com vocês e falar.

Antes de eu continuar, quero trazer o nosso parceiro patrocinador, a Insider. Eu estou com o meu moletom aqui, minha blusa da Insider. Agora está começando a esfriar. A Insider também tem as suas roupas de inverno, todas com tecidos tecnológicos confortáveis, versáteis, em múltiplas cores. Se você não conhece a Insider, está na hora de experimentar. Se você já tem as camisetas.

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Vamos continuar falando desse tema? Porque, como eu disse para vocês, apesar de não acreditar em ninguém, achar que esse surto de ebola vai se tornar uma pandemia, é importante a gente entender o que está acontecendo. E talvez não vá se tornar uma pandemia pela natureza do ebola, que é uma doença que a transmissão não se dá pelo ar, você tem que trocar fluidos.

O nível de mortalidade é muito alto, então não dá tempo da doença disseminar, porque não dá tempo das pessoas terem contatos com muitas outras pessoas. Então isso diminui o risco de se tornar uma pandemia, de se espalhar pelo mundo inteiro. Mas a mortalidade é muito mais alta do que um Covid e outras doenças que a gente assistiu causando uma pandemia.

Nós tivemos um surto de ebola, o mais sério deles foi em 2014 a 2016, onde 11 mil pessoas morreram, mais de 30 mil foram contaminadas. O ebola, felizmente...

tem uma vacina, essa vacina ajudou essas outras milhares de pessoas aí contaminadas não morrerem, mas essa variante específica do que está acontecendo no Congo, não temos vacina para ela. Para vocês terem uma ideia, o Congo já...

teve mais de 10 surtos de ebola desde 1976, inclusive o ebola foi descoberto no Congo, quando ainda não era chamado de Congo, mas a doença nasceu ali. E o Congo é o segundo república democrática do Congo.

segundo o maior território da África, um país imenso, cheio de problemas estruturais, e isso explica um pouco dessa realidade, do porquê que ali é um solo fértil para esse tipo de doença, e problema, e surtos dessa doença.

A doença, originalmente, acredita-se que é transmitida de morcegos que carregam esse vírus e o contato do ser humano com o morcego, seja cozinhando ou seja comendo frutas que os morcegos deixaram.

rastros ou tocaram nessas frutas e com isso as pessoas acabam pegando a ebola. Agora, uma característica importante para entender, porque tantos casos dentro do Congo, e é só olhar para a história geopolítica, política e de guerras do Congo, um país extremamente fragmentado.

com autoridades fraquíssimas, viveu, assim, desde o final dos anos 90 até 2000, duas grandes guerras que levaram muito tempo para ser resolvidas e, depois disso, uma série de outros conflitos, de grupos insurgentes, armados, que estão dentro do país, os países vizinhos todos envolvidos em tentar impactar o que está acontecendo.

dentro do Congo, e isso acontece por ele ser um lugar desgovernado, onde essas disputas geopolíticas ou rivalidades que aconteciam nos países vizinhos, esses exércitos ou esses grupos que estavam ali causando problemas, para citar um deles, a história de Ruanda, o exército de Ruanda que cometeu o genocídio, ele tinha abrigo.

dentro do território do Congo, em parte porque o Congo não é capaz de governar as suas fronteiras direito, não é capaz de trazer ordem, então brigas dos países vizinhos acabavam usando o território do Congo como refúgio, como base, e isso, claro, criava tensões com esses países vizinhos, eventualmente, no caso de Ruanda, nós temos...

as vítimas do genocídio chegando no poder e aí então retaliando. E essa retaliação cria o M23, que é um grupo financiado por Ruanda, onde está controlando uma parte do território do leste.

do Congo, eu já expliquei disso num outro vídeo aqui no canal, que fala exatamente o que está acontecendo na guerra de Ruanda com o Congo hoje, mas sendo conduzida pelo M23, esse grupo, essa milícia que é financiada.

pelo governo de Ruanda. Mas esse mesmo tipo de problema acontece com vários outros países, então vários outros países também têm uma participação em financiar insurgências ou apoiar grupos militares ou senhores de guerra. Isso faz do Congo um país extremamente frágil, com muitos problemas, violência endêmica em níveis assim.

caóticos. E claro que lugares com guerra e com violência são lugares onde as condições de saúde são terríveis. Historicamente, guerras biológicas...

ou guerras são sempre sinônimos de problemas de saúde. A gente, para vocês terem uma ideia, não sei se todo mundo sabe disso, mas a primeira guerra onde o número de mortos causados pelo combate em si foi maior do que o número de mortos causado por doenças.

no campo de batalha, foi a primeira guerra mundial. Antes disso, a maioria das guerras, o número de mortos, não era causado pelo combate, mas sim pelas doenças que surgiam e apareciam. Para vocês terem uma ideia, na Guerra Civil Americana, dois terços dos mortos.

vieram de pneumonia, diarreia e outras coisas, e não do combate da morte em si. Quando a gente olha para as guerras napoleônicas, a mesma coisa. Morreram oito vezes mais soldados britânicos.

por doenças como pneumonia, diarreia, do que mortos no campo de batalha. Então vocês imaginam que guerras são ambientes extremamente contaminados, as condições de saúde são terríveis. Se o Congo é um país que está em guerras e conflitos o tempo inteiro, já dá para a gente definir o que vai surgir dali e o que vai sair. Não só isso, uma instabilidade doméstica tão grande, de onde...

médicos, equipes de saúde não conseguem fazer seu serviço, imagens e fotos que precisam ser retiradas e enviadas para outros lugares não podem ser tiradas porque existem considerações militares onde fotos de qualquer coisa...

podem ser usadas pelo inimigo, podem cair no inimigo. Quem disse que essa foto é para ser retirada, para você realmente mandar uma informação sobre uma condição de saúde de alguém ou de uma vila e não usar como uma arma de inteligência para o seu inimigo? Quando eu tive na Ucrânia a sensibilidade em relação ao telefone, ao uso do telefone, tirar foto de qualquer coisa.

Todos os militares ucranianos o tempo inteiro queriam ver as fotos que a gente estava tirando, porque se essas fotos fossem publicadas e revelassem algum tipo de coisa, seria catastrófico. Então você imagina que equipes de saúde, médicos, postos, hospitais, têm as suas atividades controladas de maneiras muito maiores do que numa condição de paz. Tudo isso nos mostra ou nos leva...

a crer que as próximas pandemias serão produtos, uma alta probabilidade de elas serem produtos de lugares ou regiões que estão passando por conflitos. Isso só acontece também.

por um outro lado, que é uma globalização extrema, ultracomunicação, linhas de comunicação, logística global, numa escala jamais vista, foi isso que a gente assistiu com o Covid, uma doença que começa num lugar rapidamente, se espalha pelo mundo inteiro, e isso é uma realidade do mundo globalizado.

Então, ao mesmo tempo que a gente tem situações de extrema instabilidade no mundo, países extremamente fragilizados, conflitos que são incubadoras de doenças, nós temos uma infraestrutura, uma conectividade, um trânsito, uma movimentação global que facilita todas essas coisas serem espalhadas, todos esses vírus e doenças.

se moverem rapidamente e contaminar uma série de outros lugares e pessoas. Então é uma realidade contraditória, paradoxal. Por um lado, a humanidade chegou num estágio de conexão que transforma problemas locais em problemas globais, mas por outro, nós temos uma discrepância e níveis de instabilidade onde certos lugares se tornam...

polos e solos e terrenos férteis para caos e problemas maiores e doenças cada vez mais complicadas. Então, a infraestrutura que nos conecta também é a mesma infraestrutura que...

carece e falta em tantos lugares do mundo, geradas por instabilidades e problemas políticos e geopolíticos. Isso mostra que é provável que a próxima pandemia surge e venha de lugares dessa natureza, como a gente está sempre assistindo. Se não for, se a próxima pandemia não vier de lugares dessa natureza...

ela também vai ser um produto da geopolítica por outras maneiras e de outras formas. A gente pode olhar e resgatar o que aconteceu no Covid e entender um monte das dificuldades.

que o mundo tem para coordenar respostas e ações. Acabei de descrever o surgimento, como que a geopolítica afeta o surgimento de uma doença e as maneiras de lidar com ela localmente. Mas esses problemas de lidar com uma doença globalmente são ainda maiores e trazem questões geopolíticas ainda mais complexas ou...

enfim, de grande escala, na escala macro. O problema do Congo é um problema micro que afeta o globo. Mas existem problemas macros que também afetam a questão de saúde global, como a incapacidade do mundo de coordenar ações em conjunto. E essa...

É uma das outras preocupações hoje com o risco de uma pandemia de ebola, que, repito, não acho que vai acontecer, mas acende o alerta para a desestrutura da rede global de saúde, de funcionamento do mundo, a maneira como os países estão supostamente ou deveriam estar organizados para lidar com esses problemas.

Tem alguns movimentos geopolíticos importantes acontecendo que retratam ou evidenciam esses problemas macro que têm impactos na saúde global. Um deles é a saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde, a OMS, ou em inglês a sigla é W.

HO, Worth Health Organization. Então, a saída dos Estados Unidos tem um impacto muito grande, primeiro porque os Estados Unidos é o maior contribuidor financeiro para a organização, depois que a maior potência supostamente exerce ou exercia até então um papel hegemônico de líder do mundo.

E dentro da teoria das relações internacionais, às vezes não, nós não temos uma autoridade legítima, mas a potência hegemônica pode assumir, talvez sem a legitimidade ou com uma legitimidade parcial, ou em alguns casos até com legitimidade, assumir o papel de uma estrutura global que põe ordem no mundo. Então, se os Estados Unidos não estão mais dispostos a exercer esse papel...

de potência hegemônica em todas as esferas possíveis, não somente como uma força militar ou atrás dos seus interesses, mas como um coordenador de como o mundo funciona, isso é um problema para aquelas questões que afligem ou afetam o mundo inteiro.

Em outras palavras, existem problemas no mundo que são globais e precisam ser resolvidos com soluções globais. E a questão geopolítica hoje impede isso de acontecer. Basicamente, a capacidade de coordenar essas respostas não é possível. O mundo, em outras palavras, precisa de mais...

bens públicos globais, que são bens que vão trazer soluções para problemas globais. Mudanças climáticas, ou pandemias, ou doenças globais, todas requerem o fornecimento de bens públicos globais. A ideia de bens públicos são aqueles bens que não podem ser excluídos, de ninguém que os consome, e o consumo de um.

não diminui a oferta para o consumo de outros. Então, imaginem que defesa, um país prover defesa para a sua nação, não tem como um cidadão não receber defesa, ou se aquele cidadão receber defesa, o outro vai ficar sem. É um tipo de bem que todo mundo...

vai receber, não rivalizado e não tem como você excluir. A hora que você oferece defesa para um, você oferece para todos. E isso significa que esses tipos de bens são necessários para lidar com problemas muito grandes do mundo. Então, existem áreas no mundo que nós precisamos de soluções e coordenação global.

E rivalidade geopolítica, instabilidade, incerteza impede isso de acontecer. E uma das áreas, talvez, que eu diria que a mais crítica, a mais perigosa e assustadora dessa realidade, existem múltiplas, né? A gente falar de proliferação de armas nucleares, a própria inteligência, desenvolvimento de inteligência artificial sem as regras claras, ou guardrails que protejam as consequências negativas.

de uma realidade como essa, de uma inteligência artificial super poderosa. Mas eu acho que de todos, mudanças climáticas ou questões de clima e meio ambiente que afetam o planeta inteiro só podem ser resolvidas por todos.

De todas essas coisas, saúde, pandemias, é a mais grave de todas, porque é mais tangível o resultado, gente. A solução de uma pandemia tem um impacto direto, as discussões de meio ambiente são meio difusas, certas nações vão ser mais impactadas que outras pela mudança climática ou pelas questões ambientais. A inteligência artificial talvez seja uma coisa tão poderosa.

que não adianta tanto coordenar em algum momento, se ela for desenvolvida e tiver essa capacidade, não é essa coordenação que vai brecar. A proliferação nuclear não são todos os países que vão ter capacidade e força para construir uma bomba atômica. Agora, doenças.

vão afetar todo mundo. E a solução de uma pandemia, de uma doença, ela resolve um problema que é grave para toda a humanidade. Então eu diria que pandemias e doenças globais são a área que mais necessitam do fornecimento de bens públicos globais.

A saída dos Estados Unidos da Organização Mundial de Saúde deixa essa estrutura global capaz de organizar ainda pior. É óbvio que existem críticas inúmeras à Organização Mundial de Saúde, foi por isso inclusive que o Trump iniciou o movimento de saída.

porque ela se tornou partidária, começou a defender a China no Covid, o fato da China ter apoiado e estar próxima da organização fez com que a OMS...

Ela foi leniente com a China, não criticou a China, não exigiu que a China publicasse seus dados, dissesse o que estava acontecendo de verdade. Então, os Estados Unidos se retiram. A retirada dos Estados Unidos...

Pode ser justificada, mas na verdade não ajuda o problema. Está certo que a OMS tem as suas falhas, está certo que ela realmente estava mais controlada pela China, mas a saída dos Estados Unidos dela abre um espaço e um campo maior ainda para que a China domine. E isso seria muito negativo e muito ruim.

para o mundo do ponto de vista da gente lidar com uma pandemia global, com um problema de saúde dessa natureza. Além da saída da OMS, os Estados Unidos também parou de ajudar países em questões de saúde. Para vocês terem uma ideia, o orçamento americano para ajuda internacional de saúde representa 0,3% do orçamento total americano. Por volta de 20 bilhões de dólares dos Estados Unidos são...

colocados em ajuda internacional nas áreas de saúde. O orçamento americano, sei lá, estou falando de números de 2023, era 6 trilhões de dólares, então 20 bilhões equivale a 0,3%.

O que essa ajuda americana trouxe para o mundo? Para vocês terem uma ideia, 40% de toda a ajuda para combater a malária no mundo venha do orçamento americano. 40% de toda a ajuda do mundo. Quando a gente fala de HIV ou AIDS, 3 quartos de toda a ajuda internacional para financiar o combate à AIDS e HIV nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos nos

vinha do dinheiro dos Estados Unidos. E o que todo esse dinheiro conseguiu fazer pela saúde do mundo? Um monte de coisas. Um dado interessante aqui, a partir do ano 2000, ou no ano 2000, nós tínhamos 42 países que tinham pelo menos...

uma a cada dez crianças que morria com menos de cinco anos de idade. Depois de anos dos Estados Unidos contribuindo com esses recursos para uma série dessas doenças, hoje a gente fala em apenas quatro países que estão nessa situação de ter uma a cada dez crianças morrendo com menos de cinco anos de idade ou até cinco anos de idade.

Então, a retirada dos Estados Unidos dessa estrutura global de ajuda favorece o surgimento de pandemias, favorece uma incapacidade do mundo de combater uma crise de saúde grave.

O que a gente também tem assistido depois da pandemia foi uma iniciativa da criação de um acordo de pandemias. Isso seria um novo item, uma espécie de um tratado internacional que foi organizado pela organização...

ou coordenado pela Organização Mundial de Saúde, isso seria inserido dentro da Constituição, a gente chama de Constituição, entre aspas, da Organização Mundial de Saúde, que são dois grandes tratados, o terceiro seria esse das pandemias, e um tratado basicamente que visa, porque ele não foi aprovado ainda, está há anos discutindo e não se chegou em lugar nenhum, não se chegou.

pelas rivalidades geopolíticas, pelas desavenças dos países. De um lado, nós temos países mais pobres ou em desenvolvimento brigando com os países ricos, e do outro lado nós temos as grandes potências como Estados Unidos e China.

também achando que um novo acordo, um tratado de pandemias pode ser ruim para sua posição geopolítica. Já vou explicar isso um pouco mais. Mas o fato é que esse tratado não avançou, alguns até discutem se deve ou não ser chamado de tratado, os Estados Unidos não queriam essa linguagem, e não é só os Estados Unidos que eram contra, a China também não é a favor desse grande acordo, a Índia também não queria um novo...

um novo tratado dizia que o problema não é mais regras ou novas regras, o problema é a capacidade da Organização Mundial da Saúde em entregar soluções e resultados. Basicamente, os países pobres...

reclamam que numa pandemia eles não têm acesso aos remédios sofisticados de primeira linha, aos exames, às capacidades de fazer diagnóstico, à tecnologia. E os países mais ricos dizem que eles não têm acesso às informações, que os países pobres não têm capacidade de dar informação imediata quando começa a acontecer alguma coisa.

Então, esses eram os impasses das discussões. Anos e anos de discussão, desde o fim da pandemia, que essa história está em prática e agora, supostamente, era para ser assinado, não foi assinado, porque a parte mais importante desse acordo fere questões onde os países desenvolvidos não querem, ou os países mais ricos ou mais poderosos não querem que...

os seus segredos industriais, a sua indústria farmacêutica tenha que dividir as patentes e as soluções tecnológicas com os outros países. Eles protegem a sua indústria farmacêutica.

com o argumento que é real, não estou tomando lado aqui, eu só estou descrevendo para vocês o nível dos problemas para vocês entenderem por que é tão difícil coordenar e por que nós estamos mais vulneráveis e suscetíveis a uma nova pandemia, já que o mundo está funcionando desse jeito, com extrema rivalidade, com falta de coordenação, falta de confiança, interesses maiores econômicos, a questão da indústria farmacêutica.

é essa. Os países alegam que se não tiver uma proteção e uma garantia para patentes, essas indústrias não vão investir todo o dinheiro e colocar todo o seu know-how e tecnologia para o desenvolvimento das vacinas.

O Covid é um case de sucesso, onde vacinas foram desenvolvidas tão rapidamente graças a esse tipo de investimento. Mas se não tem a garantia que essas empresas vão obter o retorno, não tem porque elas colocaram o dinheiro. E aí não é simples a gente dizer, ah, então os governos que coloquem o dinheiro, a gente já sabe que os governos não têm capacidade tecnológica, não têm capacidade de financiar essas coisas, estatais não são tão boas.

quanto empresas privadas, e aí tem outros problemas. Os governos têm um milhão de prioridades além da saúde, e uma delas hoje é proteger a sua nação e gastar em defesa. Então, menos dinheiro para ir para a saúde. Como vocês podem ver, são inúmeros os problemas geopolíticos para fazer isso acontecer.

A própria saída dos Estados Unidos da OMS não necessariamente quer dizer que a China vai ocupar, porque a China, o espaço que ela ocupou, ela também não estava interessada em fornecer esses bens públicos globais para todo mundo. Ela estava muito mais preocupada em oferecer ajuda a questões de saúde para os seus países.

da sua região, onde ela tem interesses geopolíticos imediatos, ou para países que estivessem alinhado com as suas questões geopolíticas mais relevantes. Por exemplo, oferecer ajuda e financiamento de saúde a países como a Nicarágua e a Guiana, porque os dois aceitaram e reconhecer a política de uma única China, onde Taiwan pertence à China.

A China também usou essa história toda por trocas de ganhos geopolíticos e não para tentar resolver o problema global da pandemia dessa questão. Bom, como vocês podem ver, tem uma série de problemas acontecendo. Primeiro as instabilidades locais causadas por guerras e depois esse cenário maior global.

E aí eu vou citar alguns pontos que agravam esse cenário maior global. O primeiro deles é o problema do free ride. O que é o free rider? O free rider é aquele que pega uma carona de graça. Então, você imagina que no fornecimento de bens públicos globais, nem todo mundo precisa contribuir. Mas no final, todo mundo vai receber os benefícios daquela ação. Imagina...

dentro de um condomínio de casas, e aí os vizinhos todos decidem que eles vão contratar uma segurança para fazer uma ronda no bairro. Nem todo mundo precisa pagar, mas se a segurança estiver andando na rua, todos vão se beneficiar. E aí existe um incentivo para alguém pegar uma carona de graça.

O que seria isso? Eu não vou pagar pelo segurança, mas no final todo mundo está pagando, vai ter o segurança aqui vigiando todas as ruas do meu lado. Então esse é um problema que acontece com questões internacionais desse porte. Nem todos os países vão contribuir, querer ajudar para resolver uma suposta pandemia. O segundo tema é a questão da soberania.

Os países são soberanos, você não consegue obrigar eles a participar, fazer o que precisa ser feito para evitar a pandemia. A China não queria revelar as informações sobre o que estava acontecendo em Wuhan. E isso atrasou e causou talvez a pandemia. A China até hoje não revelou a informação se...

A pandemia nasceu de um laboratório seu. Então, os países são soberanos, eles fazem o que eles querem, ninguém consegue obrigá-los a agir coletivamente em conjunto. Depois tem uma outra discussão importante, quem paga a conta? Quem vai pagar quanto? Cada país tem que pagar quanto, equivalente ao quê? Essa é uma discussão de coordenação internacional muito complicada. Quem vai receber os benefícios?

Como eu disse, em saúde talvez o recebimento de benefícios seja mais por igual, mas quando a gente fala de mudanças climáticas, ilhas vão sofrer mais com o aumento do nível do mar do que países continentais. Então as ilhas têm um interesse maior em fazer aquilo acontecer, enquanto outros países não têm tanta preocupação com aquilo.

Tem uma discussão de curto versus longo prazo. Dentro das democracias, um presidente tem um mandato de quatro anos. Essas crises globais de investimento em saúde para evitar uma pandemia tem que ser feita ao longo de muitos anos. E não adianta só quatro anos. Mas não vai aparecer a pandemia talvez em quatro anos. Eu disse para vocês aqui no começo do vídeo que estimativas falam até a próxima década. E se aparecer uma pandemia daqui dez anos só.

Por que um líder, um governo vai investir agora nessa história? Estou mostrando aqui para vocês vários dos obstáculos, porque a gente não consegue resolver isso. Incertezas e riscos...

Tipo, vai ter a pandemia? Isso é uma incerteza, é um risco. Vale a pena mobilizar e colocar dinheiro agora nisso? Nós temos um problema de informação, que se você não revelar a informação, como eu disse, a China não quis revelar, outros países não revelaram a informação, nós vamos ter um problema de coordenação, nem todo mundo tem acesso ao mesmo nível de informação, e um problema gigantesco de confiança.

Quem disse que a China vai dizer o que está acontecendo porque isso é uma tecnologia avançada ou ela quer usar uma pandemia como uma arma biológica? Tudo isso é bastante preocupante. A rivalidade geopolítica já está óbvia, né? Essa tecnologia avançada pode ser usada, eu não posso revelar ou entregar essa tecnologia para alguém que é meu rival. E...

E talvez, por fim, isso que eu falei da falta de hegemonia, do papel hegemônico dos Estados Unidos. E, por final, eu apontaria uma outra coisa. Nós temos um estado de conexão.

mas as instituições e a capacidade de coordenação está muito longe do nível avançado que o mundo está conectado. É isso, gente. Pandemias são um problema muito sério para a humanidade e a nossa capacidade de lidar com elas e resolver parece muito comprometida no cenário e na realidade geopolítica que a gente enfrenta hoje.

Felizmente, não acredito que essa pandemia de ebola vai ser um problema, mas ela nos aponta e traz para a superfície vários fatores críticos que têm que acender o alerta para o futuro. A qualquer momento, a gente pode estar sofrendo esse risco.

Espero que vocês tenham gostado, dê like no vídeo, segue o canal, ative o sininho e compartilhe com seus amigos. Vamos acompanhar o que está acontecendo no Congo e ver para onde vai essa história. Até mais!

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