O FUTURO DO ORIENTE MÉDIO
A atual guerra no Irã pode ajudar a adiantar algo que já estava no horizonte da região: uma nova dinâmica que depende menos do país persa.
Neste vídeo, eu mostro por que a região talvez esteja entrando em uma nova fase, menos definida pelo protagonismo iraniano e mais marcada pela disputa entre dois blocos emergentes: uma coalizão abraâmica, centrada em Israel e Emirados Árabes Unidos, e uma coalizão islâmica, liderada por Arábia Saudita, Turquia, Paquistão e Catar.
A grande questão já não é apenas o que o Irã ainda consegue fazer, mas como os parceiros e rivais dos Estados Unidos estão se reorganizando entre si, disputando influência, rotas estratégicas, guerras por procuração e o futuro da ordem regional.
- Atuação de Lucia na políticaDisputa entre blocos emergentes · Rotas estratégicas · Guerras por procuração · Reconfiguração do poder regional · Competição entre Arábia Saudita e Emirados
- Fe AbraamicaIsrael como centro · Emirados Árabes Unidos · Integração militar e tecnológica · Expansão para Marrocos, Grécia e Índia · Rejeição da ordem Cold War · Controle de poder e rotas estratégicas
- Islamismo e CoalizaoLiderança da Arábia Saudita · Participação da Turquia · Participação do Paquistão · Participação do Catar · Preservação de estruturas existentes · Oposição ao separatismo
- Crise InstitucionalPerda de capacidade de influência regional · Enfraquecimento das milícias · Perdas políticas e financeiras · Mudança na dinâmica regional
- IA Operacoes MilitaresInfluência econômica e diplomática · Intervenção direta em conflitos · Apoio a forças separatistas · Presença no Golfo e além
- India GeopoliticaAliança com Israel e Emirados · Rivalidade com Paquistão · Engajamento estratégico na Ásia · Participação na coalizão abraâmica
- Forcas ArmadasCampanhas militares de Israel · Exercícios militares conjuntos · Cooperação militar entre aliados · Capacidade de projeção de poder
- Tensões regionais no SudãoDisputa entre Arábia Saudita e Emirados · Forças de transição de poder · Fragmentação política · Competição estratégica
- Geopolítica de Trump, Xi e PutinSolução de dois estados · Política Trump · Prioridades das coalizões
- Fragmentação estatal e estabilidade regionalFragilidade doméstica · Preservação da integridade territorial · Preocupações com separatismo
- Cooperação militar Paquistão-Arábia SauditaFormalização de segurança mútua · Aliança contra ameaças comuns · Integração estratégica
- Relações histórias Israel-TurquiaRivalidade histórica · Incidente da Flotilha · Cooperação militar apesar das tensões
Recente domínio do noticiário pelo Irã no Oriente Médio esconde, na verdade, uma mudança regional muito importante. O Irã talvez não seja mais o principal ator a moldar a trajetória estratégica da região. Em vez disso, a gente pode argumentar que o Oriente Médio está entrando em uma nova fase definida pela competição entre dois blocos emergentes.
colisão islâmica. A forma como essa rivalidade vai evoluir e como os Estados Unidos vão lidar com ela, talvez seja mais importante para entender o Oriente Médio do futuro do que as questões do enfraquecimento do regime iraniano. A tese central aqui não é que o Irã tenha deixado de ser perigoso, mas que a sua capacidade de influenciar a ordem regional foi severamente degradada. O eixo da resistência iraniano, com Hezbollah, Hamas, milícias
e Síria, sofreu perdas militares, políticas financeiras significativas desde 2023, como a gente sabe bem. Só que, ao mesmo tempo, os países tradicionalmente alinhados a Washington passaram a agir de uma maneira mais autônoma, criando dinâmicas próprias que já não giram exclusivamente em torno do problema do Irã. É justamente aí que entram as duas coalizões que eu acabei de citar,
o que o Irã vai fazer e mais sobre como os parceiros e rivais dos Estados Unidos passaram a se organizar entre si. Embora essas duas coalizões que eu citei não formem alianças formais, a coalizão abrahâmica e a islâmica estão cada vez mais coesas. O primeiro grupo, a abrahâmica, é centrado em Israel e nos Emirados Árabes Unidos.
Focos, Grécia e até a Índia. E esse campo é revisionista na sua orientação. Ele está buscando reconfigurar a região por meio do poder militar, da colaboração tecnológica e da integração econômica. O termo revisionista aqui é fundamental, gente. Essa coalizão rejeita o consenso pós-Guerra Fria no Oriente Médio, que foi baseado em processos diplomáticos lentos, uma mediação multilateral,
e a centralidade da questão palestina. No lugar desse consenso pós-Guerra Fria, essa coalizão aposta em fatos consumados, que são acordos econômicos, interoperabilidade militar, cadeias de suprimento e controle de rotas estratégicas do Mediterrâneo Oriental ao Indo-Pacífico. E tem um detalhe que ajuda a entender por que isso assusta tanto os rivais.
Pausa para falar do nosso parceiro e patrocinador. E com essa crise toda no Oriente Médio, a gente está vendo que, novamente, a geopolítica está impactando o preço de vários ativos. E hoje, aqui no vídeo, eu estou, inclusive, contando para vocês como que a geopolítica pode tomar novas configurações. Ou seja, os problemas não vão acabar, as incertezas também não. E você está se perguntando aí, então, como é que você lida com o seu investimento?
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sem pedir licença às estruturas tradicionais, como o Conselho de Cooperação do Golfo, que historicamente funcionou como uma sala de controle das monarquias petrolíferas. E os membros centrais dessa coalizão compartilham a convicção de que a ordem atual do Oriente Médio falhou em conter a maré do islamismo militante, seja na sua forma xiita, apoiada pelo Irã, ou na variedade sunita, apoiada pela Turquia,
Atar hoje, no passado, também já foi apoiado por Arábia Saudita e Egito. E eles sustentam que a estabilidade duradoura só pode ser alcançada por meio da intervenção nos diversos conflitos da região em apoio às forças de perfil mais secular. Ou seja, eles querem levar vantagem e ocupar um espaço geopolítico em contrapartida ao projeto islâmico. Se a gente combina com isso,
o desejo do Trump de expandir os acordos de Abraão, esses países estão priorizando ampliar o círculo de normalização árabe-israelense, independentemente dos avanços rumo à autodeterminação, ou independência, ou criação do Estado palestino, ou da aceitação por Israel de uma solução de dois estados. Resumindo, o núcleo ideológico dessa coalizão abrahâmica, ele se resume ao seguinte.
principal ameaça sistêmica acima das disputas territoriais específicas. E essa visão aproxima os regimes autoritários seculares, as monarquias pragmáticas e a democracia de Israel. Essa coalizão abrahâmica ainda, além de tudo, ela está em ascensão. Por exemplo, as campanhas militares de Israel depois do ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023,
E não só isso, ampliaram a sua capacidade de projeção de poder. Enquanto isso, Emirados Árabes Unidos, apelidados de pequena Esparta, eles continuam a alavancar a sua influência econômica e a flexibilidade diplomática para expandir a sua presença muito além do Golfo. Para vocês terem uma ideia, o país forneceu armas às forças de apoio rápido no Sudão, ao Conselho de Transição no Sul do Iêmen e ao homem forte da Líbia, o Khalifa Haftar.
Um ponto que deixa isso ainda mais explosivo é que o Sudão virou, nos últimos anos, uma espécie de linha vermelha para a Arábia Saudita. Uma guerra a curta distância do Mar Vermelho, um impacto em rotas, portos e estabilidade no entorno do seu território. Quando os sauditas apoiam o exército sudanês e os emirados apoiam as forças de apoio rápido, o que parece uma disputa periférica,
vira na prática uma competição direta pelo desenho político em um país estratégico, no caso o Sudão. O papel dos Emirados é central nessa história e ele é controverso. Os Emirados, para vocês terem uma ideia, eles combinam capital, dinheiro, logística e intervenção indireta militar para moldar conflitos e frequentemente apoiando grupos separatistas
forças paramilitares contra esses governos locais frágeis. O resultado dessa estratégia é maximizar a influência com custo político interno muito baixo. As autoridades dos Emirados ainda argumentam que vários desses estados são só estados no nome, o que não deixa de ser verdade. Mas faz mais sentido se aliar às forças locais fortes do que apostar nesses governos centrais falidos.
Esse raciocínio é exatamente o que os sauditas e os egípcios leem como uma receita para a fragmentação permanente dos seus vizinhos. Bom, voltando para os membros da coalizão, pode até parecer estranho, mas a Grécia apareceu como um parceiro-chave no Mediterrâneo Oriental, cooperando com Israel em exercícios militares e iniciativas energéticas para conter a Turquia, que é um rival histórico dos gregos.
E vale lembrar que Israel tem uma relação bastante complicada com a Turquia depois do episódio da flotilha há muitos anos atrás. E ainda tem um detalhe importante. Tanto a Grécia quanto a Turquia são membros da OTAN. E aí quando a gente sai da região do Mediterrâneo e vai mais para o leste, o engajamento crescente da Índia com Israel e com os Emirados Árabes Unidos
estratégica que se estende muito além do Oriente Médio. Na verdade, ali o subcontinente indiano já está, de muitas maneiras, perto da Ásia. E tudo isso acontece do lado da Índia, em grande parte, porque o Modi tenta contrapor o seu grande rival regional, que é o Paquistão. E aí a rivalidade, o Paquistão sendo um Estado islâmico, um único Estado, aliás, com bomba atômica,
e com as tensões que existem contra a Índia, isso faz a Índia estar se posicionando dentro dessa coalizão. Eu já comentei aqui em alguns vídeos anteriores dessa rivalidade e como ela pode transbordar para o Oriente Médio. Agora vamos falar do outro lado, a outra coalizão. E se opondo à aliança abrahâmica, está a coalizão islâmica, que é uma tentativa de contraponto
Contrapeso, liderada por quem? Arábia Saudita, do lado da Turquia, Paquistão, Catar e de uma forma mais cautelosa o Egito. Esses estados, eles veem o eixo Israel-Emirados como profundamente desestabilizadores. E eles argumentam que o apoio da coalizão abrahâmica a essas forças separatistas agrava a fragmentação nas zonas de conflito da região.
essa argumentação que a coalizão abrahâmica tem de resistência ao islamismo militante, é só um pretexto, uma desculpa para eles projetarem poder. A preferência da coalizão islâmica é preservar e operar por meio dessas estruturas que já existem. Mesmo aceitando que elas são imperfeitas, seja no Iêmen, no Sudão ou em outros lugares, os islâmicos apoiam os estados fracos e fragmentados
lutam para exercer a sua soberania e manter a sua integridade territorial. E essa coalizão não é ideológica no sentido clássico islâmico. Ela, por exemplo, une monarquias, repúblicas e regimes autoritários com interesses várias vezes conflitantes que em outros contextos ou outros ângulos de análise sequer estão juntos. Mas eles convergem na rejeição ao separatismo armado.
e a redefinição agressiva de fronteiras. Em parte, porque eles têm medo que isso se volte contra eles próprios. Afinal de contas, esses países têm estabilidades e grupos separatistas internos ou fragilidades domésticas. Aqui, por exemplo, essa disputa fica bem concreta. Para os Emirados é pragmatismo, para a Arábia Saudita é desestabilização deliberada. Para vocês terem uma ideia, no último ano, a Arábia Saudita se moveu para a
fortalecer os laços de defesa com o Paquistão, formalizando um pacto de segurança mútua depois do ataque aéreo israelense sem precedentes contra o vizinho Qatar. Esse pacto pode criar um guarda-chuva nuclear para os sauditas, inclusive. E a cooperação militar saudita com a Turquia também se expandiu significativamente e um acordo de defesa mais formal parece estar aparecendo no horizonte. Já o Egito, que está desconfortável com a atividade dos Emirados,
traduzido de Israel no chifre da África, ali na Somália, na saída do Mar Vermelho, ele também tem discutido com a Arábia Saudita uma coordenação mais estreita no Sudão e exatamente na Somália. Juntos, todos esses estados formam agora uma espécie de contrapeso frouxo,
Oeste-oeste da região. E a grande razão por trás disso tudo é que as maiores potências do Golfo, teoricamente aliadas há décadas, deixaram de agir como um bloco. Arábia Saudita e Emirados eram aliados próximos há décadas. Ambos são membros de destaque no Conselho de Cooperação do Golfo, o GCC, que é um clube de petromonarquias, e também no cartel da OPEP.
e que tomou grande parte do país em 2014. Os Emirados são o quinto maior mercado de exportação de bens da Arábia Saudita, enquanto a Arábia Saudita ocupa só a nona posição para os Emirados. O comércio bilateral dos dois soma 31 bilhões por ano. E os voos entre Dubai e Riyadh compõem a sétima rota internacional mais movimentada do mundo. Ou seja, não é um atrito diplomático qualquer.
Quando os dois batem de frente, o choque vai repercutir em energia, logística, aviação, investimentos e várias cadeias de suprimento. Bom, como todos os aliados, eles também tiveram seus atritos. E os interesses no IEM começaram a divergir em 2018. Uma disputa sobre cotas de produção de petróleo paralisou a OPEP por vários meses em 2021. Só que agora as disputas estão cada vez mais intensas.
E as altas autoridades dos dois países mal se falam. E os propagandistas que são apoiados pelo Estado, em cada um dos estados, eles foram mobilizados para atacar um ao outro. E a rivalidade está remodelando a guerra no Iêmen, por exemplo, e complicando vários negócios transfronteiriços. Como eu falei para vocês, um ponto de inflexão aconteceu em 2023, quando o Sudão mergulhou na Guerra Civil. E aí os sauditas apoiaram o exército sudanês.
enviaram dinheiro e armas às forças de apoio rápido, que é uma milícia acusada de genocídio que está lutando contra o exército sudanês. E os sauditas viram isso como uma interferência muito perigosa e uma guerra que só está a 200 quilômetros do outro lado do Mar Vermelho. Os emiradenses disseram que o exército sudanês era dominado por islamistas radicais. E aí depois veio a disputa no Iêmen, em dezembro, quando o Conselho de Transição do Sul,
que são separatistas apoiados pelos Emirados, tomou inesperadamente um grande território das forças que estavam sendo apoiados pela Arábia Saudita. Os sauditas forçaram o Conselho de Transição do Sul a recuar e expulsaram os emiradenses do Iêmen. A grande rivalidade entre as duas coalizões se manifesta na prática por meio da rivalidade saudita-emiradense em guerras por procuração.
E eles também divergem quanto a Israel. Os Emirados reconheceram em 2020 com o Acordo de Abraão. E essa divergência sobre Israel é o elo direto com a lógica da coalizão abrahâmica. Para Abu Dhabi, ou para os Emirados, normalizar com Israel é um instrumento de poder. Para a Arábia Saudita, é uma moeda de troca que precisa render vários ganhos de segurança e, idealmente, reduzir riscos de instabilidade interna.
Ainda mais de perto para a rivalidade dos dois, a Arábia Saudita e Emirados, a Arábia Saudita tem de longe a maior população do Golfo, com 20 milhões de cidadãos contra 1 milhão dos Emirados. Ela é uma economia do G20 e é a guardiã dos locais mais sagrados do Islã. Ela se enxerga como o primus inter pares no Golfo, ou seja, como um país acima dos outros, ou melhor. No mês passado, um comentarista,
próximo da Corte Real, ele descreveu os Emirados Árabes como um irmão mais novo rebelde. E esse tipo de comentário, claro que irrita os emiradenses, que possuem uma economia mais diversificada e um exército mais capaz que o saudita. Claro, menor, mas mais capaz. E eles não querem mais seguir a liderança saudita em política externa, por exemplo. E essa dimensão de status e hierarquia é crucial aqui.
O choque não é só por interesses, mas é por quem manda e quem obedece, claro. Algo que no Golfo sempre tentou se esconder sobre uma fachada de unidade. Mas a disputa acabou se transformando também em uma batalha de narrativas e os comentaristas na Arábia Saudita acusam os Emirados de servirem aos interesses israelenses, enquanto os seus equivalentes alegam que o Mohammed bin Salman,
que é o príncipe herdeiro saudita e o MBS, ele caiu sob a influência de islamistas radicais. E há poucos meses, qualquer um que publicasse tais comentários podia ser convocado pela polícia. Em tempos normais, os monarcas do Golfo não iam tolerar essas críticas mútuas. Hoje, os dois governos parecem incentivar esse tipo de crítica.
digamos assim, da propaganda, ela é um sinal clássico dessa escalada. Quando esses líderes deixam de conter o discurso, é porque eles querem reeducar o público para a ideia de que o rival deixou de ser amigo ou irmão. Um outro temor ainda é que a competição entre a Arábia Saudita e os Emirados agrave outros conflitos. Isso pode ocorrer no chifre da África, onde está a Etiópia, que é uma aliada dos Emirados,
Arábia Saudita, porque esses dois estão próximos de uma guerra. Os sauditas também se preocupam com a Síria, onde os emiradenses permanecem até então céticos em relação ao Ahmed al-Sharaa, que é o ex-jihadista que assumiu o poder em 2024, depois do colapso do regime do Bashar al-Assad. E isso amplia o tabuleiro. O Golfo não está só disputando o Iêmen, ele disputa o Corredor no Mar Vermelho,
até o Mediterrâneo, com reflexo em rota de comércio e segurança energética. As autoridades sauditas têm dito que a disputa vai terminar se os Emirados deixarem de apoiar os rebeldes regionais. É menos claro, por outro lado, o que os emiradenses querem, mas é improvável que eles vão ceder as exigências do reino saudita. No fundo, essa crise mais recente no Golfo está sendo
criada ou gestada há anos e ela não está dando sinais que vai terminar tão cedo, não. O que eu quero dizer com isso é que o novo desafio, por exemplo, dos Estados Unidos não vai ser só conter o Irã, mas se você gerenciar essa competição prejudicial entre antigos parceiros que agora se tornaram rivais e que isso não cause uma fragmentação ainda maior na região. E a ausência de uma estratégia clara vai fazer os Estados Unidos
deixar de ser árbitro para se tornar espectador. E claro que isso incentiva os aliados a irem testando os limites, agirem unilateralmente, internalizarem a ideia de que os Estados Unidos não vão intervir para impor ordem nenhuma. E é nessa lógica que a normalização saudita-israelense vai vir não só como um objetivo diplomático, mas uma tentativa de costurar uma arquitetura de segurança que impeça que essa disputa e rivalidade
continue caminhando na direção que está indo. E para alcançar esse avanço histórico no Oriente Médio, o Trump vai precisar fazer duas coisas. Primeiro, ele vai ter que administrar de forma mais ativa essas rivalidades entre os parceiros americanos. E segundo, ele vai precisar manter um caminho viável para a normalização saudita-israelense, moldando os desdobramentos políticos em Israel depois das eleições legislativas ainda nesse ano.
próximo governo israelense, depender menos dos seus aliados ou dessa coalizão que envolve grupos mais extremos da política israelense, que afasta qualquer possibilidade de um acordo mais amplo com os sauditas. Portanto, gente, se o Trump conseguir entregar a normalização saudita-israelense antes de deixar o cargo, ele ainda pode desviar a região dessa trajetória atual de rivalidade e pode reunir as duas coalizões, a abrahâmica
islâmica sob um amplo guarda-chuva americano no Oriente Médio e estabilizar a ordem regional pós-Irã sob a primazia dos Estados Unidos por décadas. Caso contrário, o mais provável é um Oriente Médio multipolar fragmentado com várias alianças fluídas, conflitos intermitentes e uma influência americana diluída. Se a gente olhar para os países que compõem essas duas coalizões, tirando essa rivalidade
mais entre Sauditas e Emirados, os outros países não são inimigos ou grandes rivais. Então, se os Estados Unidos conseguem gerenciar isso melhor, se envolver mais, não é impossível ele construir um Oriente Médio mais unificado, mais alinhado. Caso contrário, ele vai abrir espaço para a criação de blocos e a gente já sabe que quando existem blocos, vão existir
Existe, naturalmente, alinhamentos com outros países. E se a China e a Rússia quiserem entrar nessa história, quais dos blocos elas vão se juntar? Tem uma novidade nisso tudo porque tem a Índia, que normalmente não participa da criação da política ou da geopolítica em outras regiões nesse nível como ela está se envolvendo com Israel e comprando essa briga mais global contra o islamismo fundamentalista. Enfim, haver movimentações
muito interessantes no Oriente Médio. Espero que vocês tenham gostado. Não esquece de dar like, segue o canal, ativa o sininho e compartilha com seus amigos.