O PRÓXIMO ALVO DE TRUMP
Depois da ação americana na Venezuela e do fim do petróleo venezuelano que ajudava a manter a ilha minimamente funcional, a crise cubana entrou em uma nova fase. A escassez se aprofundou, os apagões se tornaram rotina, o turismo perdeu força, a população continua emigrando em massa e o regime enfrenta sua pior deterioração em décadas.Mas isso significa que a ditadura cubana está perto do fim?Neste vídeo, eu analiso por que o cenário de Cuba é mais complexo do que parece. Em vez de um colapso imediato, o país pode estar entrando em algo ainda mais sombrio: um declínio prolongado, administrado pelo próprio regime, com mais pobreza, mais repressão e uma sociedade cada vez mais vazia.
- Cenário de declínio prolongado vs colapso imediatoRegime administrando declínio · Não-colapso do regime · Sociedade vazia e pobre · Repressão intensificada · Estagnação econômica crônica
- Mediação InternacionalSanções econômicas escaladas · Embargo americano · Estratégia de pressão americana · Designação de Cuba como ameaça à segurança · Posição de Mark Rubio como Secretário de Estado
- Crise energética em CubaColapso do fornecimento de petróleo venezuelano · Inflação extrema · Escassez de recursos básicos · Deterioração de décadas · Período especial dos anos 1990
- Desigualdade Social89% das famílias em pobreza extrema · Fome e desnutrição · Foco exclusivo em sobrevivência · Morte de pessoas por falta de serviços · Quebra do contrato social revolucionário
- Crise Energética GlobalFalta de combustível · Suspensão de serviços básicos · Impacto no transporte · Rotina de apagões · Ausência de eletricidade
- Políticas de MigraçãoÊxodo populacional · Saída para Estados Unidos · Mais de 1 milhão de cubanos emigrados · Envelhecimento da população · Redução da população economicamente ativa
- Servicos PublicosColapso do setor de saúde · Falta de medicamentos nas farmácias · Crise educacional · Infraestrutura degradada · Redução de pessoal médico
- Controle militar da economiaGAESA (empresa estatal militar) · Monopólio militar no turismo · Militarização da economia · Estrutura institucional controlada militarmente · Poder concentrado nas forças armadas
- Repressão estatalRepressão de protestos · Sentenças de prisão longas · Força de segurança e polícia · Impedimento de revoltas sociais · Endurecimento autoritário
- Narrativa política do embargo americanoEmbargo como escudo narrativo · Cobertura política para problemas internos · Inimigo externo como ferramenta de legitimação · Discurso de sacrifício patriótico · Narrativa do cerco capitalista
- Turismo em RoraimaPerda de força do turismo · Falta de dólares · Suspensão de rotas aéreas · Redução de operações comerciais · Redução de receitas em moeda estrangeira
- Reforma TributáriaReaproximação com Estados Unidos · Expansão do setor privado · Transferência de propriedade privada · Limitações das reformas · Concentração de poder mantida
Pois, americano na Venezuela, uma pergunta está pairando na geopolítica das Américas. Sem o envio de petróleo venezuelano que mantinha Cuba minimamente funcionando, o que vai acontecer com a ditadura comunista caribenha? O colapso do regime é iminente? Eu vou tentar responder essas perguntas aqui no vídeo de hoje. Vamos lá. Fazer uma pausa no vídeo para falar do nosso parceiro e patrocinador a Surfshark.
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Quatro meses extra de acesso a essa VPN e essa ferramenta muito importante nos dias de hoje. Vamos voltar para o vídeo. Mesmo antes do presidente dos Estados Unidos, o Trump, garantir um segundo mandato, Cuba já estava enfrentando a sua pior crise econômica desde o início dos anos de 1990. Turismo não se recuperou totalmente da pandemia do Covid. A inflação segue extremamente alta.
E desde 2021, cerca de um milhão de cubanos, quase um décimo da população do país, deixaram a ilha. E a grande maioria deles rumo a onde? Estados Unidos. Se nós pensarmos num paralelo histórico, que para descrever esse choque, seria o período especial do começo dos anos de 1990, quando o colapso soviético cortou subsídios e energia.
acabou provocando quedas bem substanciais no PIB cubano, racionamento de energia e apagões também. Bom, mas mesmo com todos esses dados terríveis, da economia, da energia, a conclusão que a gente teria naturalmente é, bom, o regime vai cair. Só que, na verdade, não. O regime tem experiência em administrar esse declínio.
Significa que provavelmente ele vai sobreviver, mesmo que o Estado, não o regime, e a sociedade se esvaziem, se degradem completamente. Se o exemplo que eu citei agora, que era quando a União Soviética ajudava o regime, a comparação nos dias atuais é a ajuda que o regime tinha da Venezuela.
do Maduro. E isso mantinha o regime mais sólido. E claro, com a operação na Venezuela de captura do Maduro, o principal apoiador de Cuba deixou de existir. Só que isso não é uma novidade, porque Havana também enfrentou uma situação assim quando a União Soviética colapsou. Então, o impacto hoje é que sem esse fluxo de petróleo que vinha da Venezuela,
A realidade de Cuba no transporte, energia elétrica, indústria, e claro, por efeito dominó, para a própria capacidade do Estado de manter os serviços básicos, é gravíssima. Essa penúria extrema, agora ela está generalizada em toda a ilha. E a escassez é onipresente, e como eu disse, os apagões também prolongados.
que ele não tinha mais combustível de aviação nos aeroportos internacionais do país por pelo menos um mês. Embaixadas e empresas estrangeiras estariam elaborando planos emergenciais de evacuação e contingência. Vários países, incluindo o Reino Unido, Canadá e Irlanda, orientaram seus cidadãos a evitar viajar para Cuba se não for essencial. E esse alerta do governo sobre o querosene de aviação é particularmente importante
porque ele atingiu em cheio um setor que, além de trazer divisas, sustenta empregos e cadeias de abastecimento nos polos turísticos. As reportagens recentes descrevem as companhias aéreas suspendendo rota e grupos hoteleiros reduzindo as suas operações justamente durante os períodos de mais alta temporada, o que agrava e cria um círculo vicioso.
mais dificuldade para importar o básico e assim por diante. Tudo isso, ainda somado com as rodadas sucessivas de sanções americanas cada dia mais duras, tem levado a um ritmo constante de manchetes pelo mundo, declarando que Cuba está à beira. E a pergunta aqui é, à beira do que exatamente? Do ponto de vista histórico, o objetivo dos Estados Unidos em relação a Cuba sempre foi,
induzir uma penura suficiente para provocar uma pressão interna por mudança política. E depois de mais de seis décadas, é difícil alguém argumentar que essa estratégia deu certo. Embora o embargo tenha, sem dúvida, danificado a economia de Cuba, mas ele também forneceu para o governo uma espécie de cobertura ou narrativa política
fracassos. Ao invés de assumir e levar a culpa, ele tinha alguém, um inimigo externo para culpar dos problemas. No caso, os Estados Unidos e o seu embargo. E esse efeito desse escudo narrativo, ele é antigo. E o governo de Cuba pode atribuir parte relevante do colapso material ao embargo e com isso reduzir o custo político interno das decisões econômicas ruins, atraso de reformas
e as ineficiências? Sim, pode, mas com isso Cuba se apresenta como um pequeno país sob um cerco econômico de um vizinho muito mais poderoso. Ou seja, na narrativa da família Castro, é um Davi socialista enfrentando um Golias capitalista. Nesse sentido, a privação da população se enquadra como uma parte fundamental desse sacrifício patriótico,
de um produto de fracasso do governo ingerir a própria economia. E ao longo dos anos, Castro repetidamente instou os cubanos a aceitarem quaisquer sacrifícios necessários diante do embargo dos Estados Unidos. Uma das perguntas que fica no ar é se o regime consegue manter essa estratégia de culpar um inimigo externo ou um vilão
uma batalha diante da rodada mais atual de sanções americanas, que é uma escalada muito superior a um simples embargo que a gente assistiu no passado. Porque, na verdade, o que os Estados Unidos estão fazendo atualmente é, basicamente, um bloqueio naval à energia que chega, no caso, o petróleo, à Cuba. Mesmo assim, o regime tem uma estratégia, aliás, bem desenvolvida para enfrentar
esse tipo de situação, mesmo que seja um bloqueio naval. Porque quando a gente olha no passado, desde a época dos subsídios soviéticos que desapareceram no início dos anos 90, a política cubana do regime oscilou entre alguma reforma cautelosa somada junto com uma escalada autoritária. E provavelmente essa é a estratégia
que a gente deve assistir agora. Como que o regime fazia isso, então? A cada abertura limitada era seguida por uma reafirmação do controle estatal, produzindo, no final das contas, uma estagnação crônica em vez de transformação de verdade que a suposta abertura deveria criar. E esse ciclo de abertura cuidadosa ou cautelosa ou até falsa e rápida e seguida por uma rápida consolidação,
ela garantiu e garante que o sistema se adapte o suficiente para sobreviver sem afrouxar o controle da elite governante sobre o poder. Em 2010, o presidente Raul Castro advertiu que o país precisava retificar ou então afundaria, sinalizando que existe uma urgência de uma reforma econômica.
suposta reaproximação nas relações dos Estados Unidos com Cuba sob o comando do presidente Obama, que Havana introduziu mudanças econômicas modestas, por exemplo, incluindo a expansão do setor privado e transações de propriedade e assim alimentando as esperanças entre os investidores estrangeiros de que Cuba pudesse estar seguindo um caminho talvez chinês ou vetinamita de uma
economia de mercado sob um partido único. Mas mesmo assim, essas reformas, como seguindo a cartilha dos Castro, elas empacaram enquanto o poder, no fundo, permaneceu firmemente concentrado no aparato militar e de segurança. E hoje, Cuba se assemelha menos a um Estado com um exército e mais um sistema dominado pelos militares com um Estado acoplado.
ele serve totalmente à estrutura institucional do governo, do regime ou dessas autoridades, dessa ditadura. Para vocês terem ideia, o conglomerado econômico que é administrado pelos militares, que é a GAESA, ela controla a outrora lucrativa indústria do turismo de Cuba. E como resultado, enquanto as pessoas comuns estão enfrentando extrema escassez,
Enormes hotéis de luxo foram construídos para estrangeiros e para a elite partidária do país. Ganhar dinheiro com isso, óbvio. Quando a gente olha do outro lado, do lado da estratégia americana, já ficou claro, e comentei aqui com vocês, que a estratégia dos Estados Unidos sempre foi gerar um sofrimento econômico severo, porque isso desencadearia o colapso do regime. E, dia 29 de janeiro,
Desse ano, em 2026, o Trump assinou uma ordem executiva declarando o governo de Cuba uma ameaça extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos. E é nesse contexto que o Trump e o seu principal assessor internacional, que é o secretário de Estado Mark Rubio, ele tem reafirmado quase que semanalmente que Cuba está prestes a desmoronar. Ainda assim, nenhum observador veterano e analista,
que estuda Cuba, está disposto a apostar dinheiro nisso? Porque, na verdade, a crise que o regime enfrenta agora, ela aparece menos com um prelúdio de colapso do que uma continuação de mais um passo ou mais um degrau do declínio prolongado e administrado que a gente está assistindo nas últimas seis décadas. Para vocês entenderem o que eu estou falando aqui, é que mesmo antes dessas novas sanções americanas bem mais severas e duras,
a vida do cubano médio já girava em torno de uma luta diária para conseguir comida. Segundo uma pesquisa do Observatório Cubano de Direitos Humanos, o OCDH, 89% das famílias em Cuba vivem em pobreza extrema e muitas relatam que tem que pular refeições. Esse tipo de condição nem sempre produz momentos revolucionários.
com frequência, eles produzem fadiga, desnutrição, desorganização e um foco único e exclusivamente na sua sobrevivência imediata. Um ambiente em que coordenação para protesto duradoura ou sustentável é muito difícil. O que está acontecendo na realidade é que os cubanos estão vivenciando o fim do contrato social pós-revolucionário. As conquistas que foram celebradas
conquistas do país, que foram celebradas antes, em saúde, ou educação, ou esporte, junto com aquele entusiasmo revolucionário, assim, são mais do que relíquias de um mundo que já não existe mais faz tempo. Se é que a gente pode dizer que existiu em que grau, que esfera, né? Pra vocês terem uma ideia, o gasto público nesses três setores, que sempre foram vistos, o que Cuba
caiu drasticamente, enquanto que escassez de medicamento pessoal e infraestrutura é rotineira. Só 3% dos cubanos relatam obter medicamentos por meio de farmácias, segundo a pesquisa da Organização para Direitos Humanos de Cuba. Ainda assim, embora a capacidade do Estado de fornecer comida, remédios e serviços tenha definhado, o aparato coercitivo permanece
intacto, básico, como em toda ditadura. As pessoas morrem de fome, mas a capacidade de usar a força, de sustentar os militares, as forças de segurança permanecem na balada. A gente sabe disso porque, por exemplo, depois dos protestos nacionais que aconteceram em 2021, milhares foram detidos e vários receberam longas sentenças de prisão e uma nova onda de migração aconteceu
depois daquilo. A real é que se Cuba ainda não está colapsando é porque no país os fatores como os serviços de segurança coesos, a imigração em massa e a exaustão social atualmente, elas superam todos aqueles que tipicamente produzem revolta revolucionária ou convulsão social. Na verdade Cuba está encolhendo e envelhecendo muito rápido.
A população caiu mais de um milhão desde 2020 e mais de um quarto dos cubanos agora tem mais de 60 anos. Ou seja, qualquer esforço de recuperação precisa lidar com uma sociedade menor e significativamente mais velha. E uma população envelhecida também é muito menos propensa a sustentar grandes movimentos de protesto, revolucionários e lutar por causas praticamente perdidas.
quando os cidadãos mais jovens foram embora do país. É, portanto, o resultado, paradoxalmente, é que uma sociedade simultaneamente mais frágil economicamente, ela é, no fundo, mais estável politicamente, gente. E para os Estados Unidos isso apresenta um paradoxo bem desconfortável. Se Cuba está deslizando para o declínio de longo prazo em vez do colapso iminente,
As políticas que são destinadas a quebrar o regime podem apenas estar empobrecendo a população ainda mais e não ajudando a tirar o regime dali. E essas sanções podem aprofundar o sofrimento sem afrouxar o controle do governo, enquanto elas fortalecem a narrativa de cerco e empurram para fora do país aqueles que realmente conseguem sair e que não têm como lutar. No final das contas, nessa hipótese,
a pressão que ela é destinada para trazer uma mudança, ela pode, em vez disso, cristalizar uma Cuba mais pobre, mais vazia e mais repressiva ainda. Uma Cuba que exporta as suas consequências humanas através do estreito da Flórida. A própria dinâmica migratória vira parte do mecanismo de estabilidade. Quando a saída é possível, mesmo que seja perigosa e cara, o voto com os pés sai correndo.
substitui parte da contestação organizada. Em paralelo, as remessas de dinheiro dos parentes que moram nos Estados Unidos ajudam as famílias a atravessar as crises e também podem acabar aliviando parcialmente a pressão imediata sobre o Estado sem resolver de novo o colapso estrutural. Bom, o resumo desse raciocínio, pessoal, é o seguinte. Imagina que você tenta estrangular o regime.
Mas você estrangula ele somente economicamente. E as pessoas começam a fugir, porque elas têm para onde fugir. Fugir é fugir para os Estados Unidos. Então, o incentivo da tentativa de fuga é bem atraente. Você sai da economia mais... Uma das mais pobres do mundo para a mais rica do mundo. E aí você vai esvaziando o país com as pessoas que têm disponibilidade, energia, vontade.
o regime continua lá forte. As pessoas não têm armas pra lutar, elas estão numa condição econômica tão ruim que elas não têm força também, além da questão demográfica que eu acabei de explicar. Então, né, olhando por esse ângulo da história, né, ou dessa análise, a ideia de que só fazer a situação econômica em Cuba piorar vai fazer o regime do Fidel, dos casos,
colapsar, é duvidosa. Óbvio que tudo é possível. Colapso não é impossível, no fundo. E um choque severo mesmo, ou sei lá, uma perda súbita de fluxo de remessa, ou uma falha nacional prolongada de infraestrutura, pode até empurrar o sistema para um ponto de inflexão. Mas quem está lá dentro,
comentei com vocês que a ilha, na verdade, ela é um território desses grupos, dessa elite, e não a elite controlou só o território, é um controle muito maior, é uma ilha, literalmente, isolada geograficamente, então a posição do regime é muito forte. E com isso, parece que a trajetória mais plausível nessa história não é uma queda repentina,
Esse regime. De novo. Pode acontecer. Mas. Parece que nós estamos observando. Mais um capítulo. De um declínio. Prolongado. Consistente. E repetitivo. Que a história tem mostrado até agora. Cuba pode ser pobre demais. Para prosperar. Mas isso não significa. Que a sua ditadura. Vai cair. Espero que vocês tenham gostado. Não esquece de dar like. Segue o canal. Ative o sininho.
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