O GRANDE MEDO DE XI JINPING
Neste vídeo, analisamos um dos maiores medos de Xi Jinping: que o Partido Comunista Chinês apodreça por dentro.A campanha anticorrupção de Xi não é apenas uma tentativa de limpar abusos dentro do Estado chinês. Ela também é uma ferramenta de controle político, disciplina ideológica e reorganização das lealdades dentro do Partido e do Exército de Libertação Popular.Depois de consolidar seu poder, Xi passou a falar cada vez mais em “auto-revolução” do partido, evocando o espírito de Yan’an, a antiga base revolucionária de Mao Zedong. Mas por trás dessa linguagem histórica existe uma preocupação muito concreta: evitar que a China repita o destino da União Soviética.Neste episódio, explicamos como as purgas, investigações e punições dentro do Partido Comunista Chinês revelam a obsessão de Xi com corrupção, deslealdade, facções internas e colapso político.Porque, para Xi, a maior ameaça à China talvez não venha dos Estados Unidos, de Taiwan ou de uma guerra externa. Talvez venha de dentro do próprio partido.
- Ofensiva chinesa no mercadoYan'an e o espírito revolucionário · Mao Zedong · Purga e consolidação de poder · Disciplina ideológica e obediência política · Legitimidade do líder
- Acusação de agente ilegal do Partido Comunista Chinês nos EUAComparação com a União Soviética · Erosão moral e cinismo · Facções e divisão de poder · Perda do controle do partido
- CorrupçãoZhang Yoxia · Li Shang-Fu · Compra de cargos e promoções · Orçamento militar e desvio de verbas · Comissários políticos e controle ideológico
- Estratégia contra crime e corrupçãoCrescimento exponencial de casos · Endemicidade da corrupção · Punições mais severas · Autopreservação como motivação
A CIDADE NO BRASIL
Depois dele garantir um inédito terceiro mandato como secretário-geral do Partido Comunista em outubro de 2022, o Xi Jinping conduziu altos funcionários em uma peregrinação à Cidade Santa Vermelha do partido. O destino foi Yan'an, no noroeste da China.
A cidade é a base das guerrilhas do Mao Tse-tung e foi uma pista sobre as prioridades do Xi para os anos seguintes. E ele disse na comitiva em Yanan, foi onde o partido forjou seu espírito de luta e se comprometeu com a direção política correta. E a escolha desse local, ela não é só simbólica.
ela remete ao momento em que o Partido Comunista Chinês consolidou uma cultura interna de disciplina, sacrifício e obediência política em condições extremas. Na linguagem do partido, peregrinações desse tipo, elas funcionam como um recado. E, na verdade, elas sinalizam quais virtudes vão ser premiadas e quais desvios vão ser punidos. E, ao mesmo tempo, reposicionam a legitimidade do líder.
como o herdeiro direto de uma linhagem revolucionária. Mas o legado de Anand também assombriu, que ali, no início dos anos de 1940, cercado por forças japonesas e nacionalistas, o Mao lançou a primeira grande campanha de purga do partido, esmagando os rivais e consolidando seu controle sobre o poder.
E o que começou com o estudo obrigatório dos ensinamentos do mal, logo se transformou numa perseguição paranoica. Dos 40 mil revolucionários presentes, 15 mil foram rotulados como traidores na época. E a tortura era comum, muitos foram executados ou levados ao suicídio.
E a retificação em Yanan, ela é lembrada no imaginário político chinês como um mecanismo de padronização ideológica e de eliminação de facções sob a justificativa de salvar o partido. E mesmo quando o Estado chinês não quer detalhar essa violência do passado, a lição implícita permanece.
que é, em momentos de ameaça, o centro do poder pode purificar as margens do poder e a sobrevivência política passa por demonstrar lealdade e alinhamento. Quando o Xi fala em promover o espírito de Yanan, ele não está necessariamente sugerindo a necessidade de um derramamento de sangue igual que aconteceu lá nos anos 40, mas isso...
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desde que ele assumiu o poder em 2012, que ele está prendendo milhares de autoridades e punindo milhões de outras. E ele chamou isso de autorrevolução do partido. E os alvos mais recentes dele, que foram anunciados no dia 24 de janeiro de 2026, são dois generais do topo, incluindo um oficial fardado mais graduado das Forças Armadas, que é o Zhang Yoxia.
E eles estão entre as dezenas de generais que o Xi já expurgou nos últimos anos, deixando esse alto comando militar chinês bastante esvaziado. Em termos políticos, essa campanha anticorrupção do Xi tem duas funções simultâneas. A primeira é governança, reduzir os abusos e disciplinar a máquina. E o segundo é controle, poder.
Ele quer reorganizar as lealdades e acabar com as redes autônomas que não passam por ele e assim por diante. Clássica dominação de poder. No caso do Exército da Libertação Popular, isso é ainda mais sensível porque o PLA, o Exército, ele é formalmente um exército do partido e não do Estado.
E a legitimidade do Xi como comandante em chefe, ele depende de um comando que obedeça sem hesitar. Esses militares do exército, eles não podem hesitar em responder às ordens do Xi. E o Xi prometeu no início do governo, inclusive, construir um partido...
no qual as autoridades não ousam, não conseguem e não querem ser corruptas. E, de fato, os cidadãos comuns atestam que o Xi conseguiu reduzir o tipo de corrupção descarada, no nível da rua, que era onipresente sob os líderes anteriores. Mas, em 2025, as autoridades chinesas investigaram mais de um milhão de pessoas por corrupção em disciplina política.
mais do que em qualquer outro ano do próprio governo Xi. E também no ano passado, 983 mil foram punidas por corrupção. O número de investigações abertas foi pelo menos 15% maior do que em 2024 e, espantosos, 60% maior do que em 2023. A suposta campanha contra o combate à corrupção não para de crescer. E é estranho, porque se ele já estava no poder antes...
Por que está aumentando tanto agora? Será que é só combater a corrupção? Um dos grandes alvos dessas investigações é o Exército de Libertação Popular, que, como eu disse para vocês, ele é um exército do partido, e o Xi é o comandante em chefe do partido, e claro, ele tem que comandar o exército, mas o exército funciona numa dinâmica...
onde os relacionamentos, as relações, elas são fechadas, baseadas em lealdade pessoal. Ou seja, existe uma grande capacidade de operar em segredo e como eles controlam muitos recursos, isso acaba se tornando um terreno fértil para a corrupção. Você tem...
Operação sigilosa, que é o exército do país, as forças armadas. Você tem muito dinheiro e você tem uma rede de relacionamentos baseada no seu grupo interno com lealdade pessoal. Isso...
invariavelmente vai levar à corrupção. E nas últimas duas ou três décadas, nós estamos assistindo um aumento monstruoso do orçamento militar chinês e uma farra de compras. E isso, claro...
abre novas oportunidades de desvio. E para combater isso, todas essas unidades militares, elas têm comissários políticos, que a função deles é vigiar a corrupção e também garantir que os soldados estejam doutrinados com a sabedoria do Xi, ou estejam alinhados ao Xi, ou estejam guiando, ou sejam...
Basicamente, ideologicamente, fiéis ao Xi. O problema é que essa supervisão é muito frouxa. Porque no exército, o comissário político, ele não é um fiscal externo neutro. Ele é um pilar do controle partidário dentro das tropas. E esse sistema foi desenhado para evitar que o exército se torne um ator autônomo.
O comissário político não é um fiscal anticorrupção. Ele, na verdade, é um fiscal para ter certeza que o exército não vai se voltar contra os objetivos do Partido Comunista. Então, ele é um fiscal.
como o próprio nome diz, um comissário político, ele é um fiscal político, mas não com uma função de fiscalizar corrupção, e sim para manter alinhamento ideológico político das forças armadas com o partido. Um outro exemplo da corrupção que ainda existe no exército chinês é...
a compra de cargo. E, segundo o Wall Street Journal, ele conta que oficiais de alta patente que foram informados sobre a investigação do general Zhang, eles foram avisados de que ele teria ajudado a promover um ex-ministro da Defesa, que é o Li Shang-Fu, em troca de grandes subornos.
O Lee acabou sendo demitido e teve a sua patente general cassada depois de desaparecer da vida pública em 2023, poucos meses depois de ter assumido o cargo. Essas figuras do topo, elas somem do espaço público antes dos anúncios formais. Isso é um sinal típico de investigação interna.
e controle de narrativa. Imagine o seguinte, né? Quando você tem um sistema que é possível você comprar uma posição, uma promoção ou um status, esse sistema vai criar um círculo vicioso. Porque você imagina que quem comprou aquela posição ou aquela promoção, ele gastou dinheiro e ele vai ter que recuperar esse investimento que ele fez para estar naquela posição.
Ou seja, se o Lee comprou a sua promoção, a sua posição, quando ele chegar no poder, ele vai ter que recuperar o dinheiro que ele gastou para chegar até ali. E aí, óbvio, que isso vai levar ao quê? A mais corrupção. Então, ele vai tentar reaver o dinheiro que ele colocou para chegar naquele lugar. E esse é o círculo vicioso.
E tem uma outra coisa ainda importante, essa compra de promoção, ela não é só nas Forças Armadas, ela também acontece nas autoridades civis. Em 2024, um chefe de administração nacional de incêndios, ele foi condenado por vender posições a subordinados, ou seja, provavelmente ele chegou ali...
E aí ele passou a vender cargos para gente que estava embaixo dele. E os de baixo vão chegar e vão tentar vender outros cargos ou arrumar jeito de colocar outras pessoas e conseguir obter dinheiro para pagar o que eles tiveram que pagar para chegar na sua posição. Um exemplo disso aconteceu entre 2016 e 23, que um chefe de bombeiros da cidade de Beihai, no sul,
Ele pagou mais de 1,3 milhão de yuan, que dá por volta de 186 mil dólares, para subir na hierarquia. Por exemplo, para levantar esse dinheiro, ele pega os seus subordinados e faz eles venderem alvarás, autorizações, aprovações de incêndio em troca de propina. E aí, uma grande parte fica com ele e o resto é distribuído para os subordinados.
e se cria um grande esquema de corrupção, como a gente está cansado de conhecer no Brasil. Onde você tem uma série de órgãos que só funcionam para criar dificuldades para as pessoas e para achar cá, retirar dinheiro. Então, as autoridades usam o seu poder regulatório com licença, alvará, inspeção, contrato.
para desviar dinheiro. E ele usa esse dinheiro, então, para conseguir a sua posição, a sua promoção, o seu status. Ele compra a posição e assim por diante. Estamos cansados de conhecer isso aqui no Brasil. Bom, agora que ficou claro como é que funciona esse esquema todo, vamos voltar para a análise do porquê das altas investigações que o Xi está empurrando essa campanha toda e o Tiago Alba.
E chegando nas fileiras mais baixas, nos cargos mais de baixo do governo. E essa caça aos membros que se comportam mal, ela acelerou em toda parte e está enredando centenas de milhares de funcionários de baixo escalão hoje em dia, bem como membros comuns do partido, empresários.
e até trabalhadores de ONGs. Crimes de suborno e de troca de presentes, eles cresceram como parte ou parcela do total de investigações. Entre abril e setembro do ano passado, de 2025, se obteve uma média mensal de 7.271 pessoas punidas por aceitar ou oferecer subornos em dinheiro ou outros itens valiosos.
No mesmo período, 10 anos antes, o número era de 586. E esse crescimento, ele aconteceu ao mesmo tempo que as punições têm ficado mais duras. Em 2014, só cerca de 30% dos casos levavam a punições como prisão.
ou expulsão do partido, o que significa exclusão da maioria dos cargos públicos. Outros implicados tinham de escrever autocríticas e passar por um processo de reeducação. Hoje, mais de 70% dos casos terminam em sanções mais pesadas.
O número de suspeitos mantidos presos sem acusação formal, na esperança de que eles confessem, subiu 46% em 2024. E a detenção geralmente envolve confinamento solitário, tortura generalizada e pelo menos cinco empreendedores proeminentes morreram por suicídio depois de serem detidos entre abril e julho, enquanto outros têm morrido sob custódia.
Vocês devem estar pensando, mas se a punição é tão severa, com tortura, preso, sem julgamento, etc., por que alguém ou por que algum funcionário vai assumir esse risco? Bom, a resposta, então, é que a corrupção nem sempre é motivada por ganância e ela pode ser feita ou causada por autopreservação. Na verdade, a corrupção é tão endêmica...
e ela está ao redor de todos que estão ali, e não tem como se escapar dela. O funcionário está no meio daquilo e ele vai ter que confrontar os pares dele, os superiores, vai ter que denunciar, falar, se expor. Então ele não tem saída. Ele é obrigado, para se preservar, entrar na corrupção.
O argumento do Xi é que ele fala que a corrupção é uma ameaça existencial para o partido e é mesmo. A corrupção é extremamente destrutiva para qualquer nação. Imagina para um partido que detém o monopólio do poder. Se ele for visto como um partido corrupto, já era. Se um prefeito local não implementa um decreto que vem do partido, ou ele acaba aceitando dinheiro de um empreendimento imobiliário.
Ambos são exemplos de falha ideológica e moral. Em última instância, o Xi fala que isso é uma deslealdade a ele. Claro, se ele não é o corrupto, isso é desleal ao que ele está tentando vender para a população. E nessa narrativa do Xi...
Esse tipo de gente foi responsável pela desintegração da União Soviética. Ou seja, ele compara e fala, a União Soviética caiu por isso. E essa história é que assombra o Xi. Se o Partido Comunista Chinês seguir o mesmo caminho da União Soviética, ele vai colapsar e a China colapsaria. E ele frequentemente usa o colapso soviético como explicação. Bom, para finalizar...
Essa referência constante à União Soviética revela uma obsessão do Xi com o colapso que vem de dentro, não com uma invasão externa, mas com uma erosão moral, um cinismo.
facção, divisão do poder e perda do controle do partido. E nessa moldura, combater corrupção, ao mesmo tempo política pública e sobrevivência do regime chinês. É isso aí, pessoal. Espero que vocês tenham gostado. Deem like no vídeo, segue o canal, ative o sininho e compartilhe com seus amigos. Até mais.
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