Episódios de Professor HOC

TRUMP E XI JINPING: A REUNIÃO QUE PODE REDESENHAR O MUNDO

14 de maio de 202637min
0:00 / 37:10


Trump desembarca em Pequim nesta semana para a cúpula mais importante do seu segundo mandato. Do outro lado da mesa, Xi Jinping — que na semana anterior recebeu o chanceler do Irã e, dias depois, deve receber Vladimir Putin. A China se posiciona, literalmente, no centro do tabuleiro.Neste vídeo, eu analiso tudo o que está em jogo no encontro entre os líderes das duas maiores potências do planeta: o impasse no Estreito de Ormuz e a pressão americana para a China entrar numa operação internacional de reabertura; a guerra comercial que já viu tarifas chegarem a 145%; a questão de Taiwan, que Trump colocou na mesa ao dizer que pretende discutir vendas de armas à ilha; a disputa por terras raras e semicondutores; e um tema que pode surpreender — a cooperação em segurança de inteligência artificial, com os dois lados sinalizando disposição para discutir os riscos da tecnologia que ambos lideram e que nenhum dos dois quer ver fora de controle.Xi chega confiante, projetando a China como alternativa estável à volatilidade americana. O que sai dessa reunião pode definir os rumos da geopolítica global pelos próximos anos.

Participantes neste episódio2
T

Trump

ConvidadoPresidente americano
X

Xi Jinping

ConvidadoPresidente da China
Assuntos7
  • Taiwan e EswatiniDisputa geopolítica e militar · Choque direto entre potências · Política de ambiguidade estratégica dos EUA · Vendas de armas para Taiwan · Impacto de uma mudança de posição de Trump · Movimentos políticos internos em Taiwan · Risco de proliferação nuclear · Dependência dos EUA de semicondutores de Taiwan
  • Importância geopolítica de inteligência artificialCompetição geopolítica em IA · Controle da capacidade computacional · Riscos de desenvolvimento sem precauções · Possibilidades de diálogo e transparência · Regras comuns de desenvolvimento · Inspeção e verificação mútua · Preocupações com o modelo chinês de IA · Proposta chinesa de regulamentação internacional na ONU
  • Comércio Internacional e TarifasTarifas americanas e chinesas · Impacto no déficit e superávit comercial · Comitiva de empresas americanas · Conselho de comércio EUA-China · Retaliação chinesa com terras raras · Dependência americana de semicondutores de Taiwan
  • Encontro Xi Jinping e TrumpClima tenso entre EUA e China · Relevância geopolítica global · Impacto na economia e tecnologia · Segurança internacional e futuro das guerras · Comparação com encontro Mao-Nixon
  • China no ConflitoAscensão da China e perda de poder relativo dos EUA · Competição que se torna rivalidade maior · Histórico de confrontos através de guerras · Ausência de colapso de um dos lados · Luta, resistência e confronto como resultado
  • Economia da ChinaAbertura econômica e comércio com a China · Expectativa de transformação política da China · Fracasso da aposta em transformar a China · China como ditadura e uso de benefícios econômicos
  • Corrida por MicroprocessadoresLiberação da venda de semicondutores avançados · Expectativa de ditar modelos e ganhar dinheiro · Risco de China copiar tecnologia e desenvolver IA · Expectativa positiva de Trump
Transcrição101 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

Nos próximos dias nós teremos um dos encontros mais importantes da geopolítica. Eu me refiro ao encontro do Xi Jinping com o Trump. Estados Unidos e China, as duas maiores potências, que estão em um clima tenso há muito tempo, aliás, cada vez mais tenso.

vão ter um encontro dos dois grandes líderes. E esse encontro está sendo muito esperado. Tem muitos assuntos críticos que serão discutidos. É de extrema relevância para a geopolítica como um todo, para o mundo, para os dois países, para a economia, para a tecnologia, para o comércio internacional.

para o Brasil, para os outros países, para a segurança internacional, para o futuro das guerras. São tantos assuntos que envolvem Estados Unidos e China e tantos assuntos que estão no seu ápice de problema ou de necessidade.

de uma direção melhor, né? E a discussão, óbvio, é o que pode acontecer nesse encontro, qual vai ser o resultado, para onde os dois podem caminhar. Vou falar disso nesse vídeo, vou entrar em cada um dos temas principais dessa conversa, desse encontro que vai acontecer no dia 14 e 15 de maio. Esse não é o único encontro do ano.

Na verdade, estão planejados outros três encontros, supostamente depois desse, que vai acontecer na China, onde o Trump está indo para lá. Foi adiado esse encontro, era para ter sido em maio, mas com... Maio não, desculpa, era para ter sido em abril, mas com a guerra do...

no Oriente Médio com o Irã, o encontro foi postergado, mas os dois lados não quiseram desistir do acontecimento, ou dessa oportunidade de conversarem. Depois, supostamente, o Xi Jinping visita os Estados Unidos.

E além disso, eles ainda vão ter dois outros encontros em eventos internacionais. Então, são quatro encontros esse ano. Esse é o mais importante, porque vai marcar uma conversa desse segundo mandato, onde as coisas estão...

muito tensas entre os dois lados, principalmente ou inicialmente, começando com a questão econômica, do tarifácio, enfim, restrições econômicas para todos os lados. Isso já recuou bastante, mas ainda é um tema inicial de onde as tensões estão indo até questões mais antigas, de longa data, estruturais, como...

toda a discussão sobre Taiwan, e claro, as discussões mais atuais de tecnologia, inteligência artificial, e o que isso representa para o mundo como um todo.

Vamos fazer uma pausa antes de continuar no vídeo, pessoal, para falar do nosso parceiro e patrocinador, a Insider. Eu estou sempre com a minha Tech T-shirt, as camisetas, mas eu já disse para vocês que a Insider tem várias outras roupas e eu estou usando aqui a minha camisa com tecido tecnológico. E olha como ela é agradável, como cai bem no corpo. As mesmas propriedades da Tech T-shirt, da camiseta, tem na camisa.

E é uma camisa elegante, que serve para qualquer situação. Ao mesmo tempo, você está num lugar não tão arrumado, com uma coisa mais leve, ela é muito leve, é muito agradável. Além disso, óbvio, tem uma série de outros produtos, para homens e mulheres. Se você ainda não conhece os produtos da Insider, essa é a sua chance. Use o meu cupom ROC, HOC, e aí você vai ter ótimos descontos.

Compra a sua Insider, testa as camisas da Insider e as Tech T-shirts, o que você quiser. Dá uma olhada lá no site. Vamos voltar para o vídeo.

Vamos lá, então vamos começar primeiro o perfil dos dois líderes. E talvez em tanto tempo a gente não tenha tido duas figuras tão centrais e importantes nos dois países. Onde o poder está concentrado na mão dos dois. Claro, o poder está concentrado na mão do líder.

na China, que é uma ditadura, é mais comum. Mas, mesmo assim, o Partido Comunista Chinês tinha um processo de alternância de poder, de transição, de restrição de número de mandatos. Tudo isso foi extinto pelo Xi Jinping.

E ele se consolidou, está há 15 anos no poder, é muito tempo, e tomou controle de tudo. Então, se tornou uma figura muito mais central, mesmo numa ditadura chinesa, ele ainda tem uma influência maior do que os outros líderes chineses. Talvez ele seja um novo Mao Zedong ou tente ocupar esse espaço. E aí, claro, a gente pode comparar...

o encontro do mal com o presidente americano na época, isso aconteceu nos anos 70, e naquele momento, se o mal era uma figura que tinha muito poder, estava centralizado ali nas suas mãos o controle do país, do lado americano não era da mesma forma.

Hoje o Trump exerce um controle, um domínio sobre a política americana, sobre a democracia americana de uma forma muito mais substancial. Então nós temos pela primeira vez, dos dois lados, líderes muito fortes, muito centralizadores, com muita autoridade, com muito poder. Com estilos diferentes, certamente o Trump é imprevisível.

ele é mais direto, mais inesperado, agressivo, às vezes confrontacional. O Xi Jinping já não, ele segue um modelo mais estrutural, mais opaco, mostra uma...

ou se vende como uma figura calma, que tem um plano de longo prazo, prefere fazer as suas comunicações em discursos pensados e falados, pronunciamentos oficiais. O Trump não, está ali tweetando, postando na rede social.

fala o que quer, quando quer, como quer, não usa da mesma simbologia e da mesma forma de comunicação que o Xi Jinping. A burocracia chinesa também pensa num longo prazo maior, a democracia americana vai e volta, as coisas não têm uma mesma sequência. Talvez alguns assuntos específicos nos Estados Unidos sobre a China que tenham uma consistência.

tem perdido força com o governo Trump porque ele tem quebrado alguns desses modelos de pensamento estratégico mais de longo prazo dos Estados Unidos em relação à China. Me refiro aqui, por exemplo, à política de restringir o acesso à tecnologia dos semicondutores. O Trump reverteu isso recentemente.

permitindo que a China pudesse comprar alguns dos semicondutores de mais alta tecnologia. Isso é uma novidade e contraria uma política bipartidária, ou seja, democratas e republicanos tinham isso como um consenso, restringir o acesso da China aos...

semicondutores mais sofisticados, o Trump reverteu isso, talvez parte da sua tentativa de negociar com a China, ou de entregar alguma coisa, ou dele achar que os Estados Unidos podem ganhar dinheiro com a China, sem colocar a prioridade da segurança da China acessar e copiar esses semicondutores como uma prioridade. Na verdade, é uma aposta, como eu sempre digo para vocês, do mesmo jeito que os Estados Unidos...

fizeram apostas em relação à economia chinesa, em comercializar, em abrir a sua economia, em vender, em comprar muito da China e trazer a China para a Organização Mundial do Comércio. Tudo isso foram apostas que a nação americana fez achando que isso transformaria.

a China de dentro. Claramente essa aposta não deu certo, a China continuou sendo uma ditadura, continuou usando esses benefícios econômicos para os seus próprios interesses e para o seu modelo de desenvolvimento específico, que cria desequilíbrios na economia mundial. Então a aposta americana de que depender ou participar da economia chinesa traria benefícios.

para os Estados Unidos e para a economia do mundo e para principalmente a transformação da natureza política da China. Isso mudaria talvez a forma como a China se comportasse em relação aos Estados Unidos ou ao resto do mundo.

aconteceria e não foi isso que aconteceu. A China não deixou de ser uma ditadura, o desenvolvimento econômico, o capitalismo que foi adotado não transformou o modelo político chinês, essa foi uma aposta. Do mesmo jeito, o Trump faz uma aposta de que liberar a venda de semicondutores avançados para a China

permitiria que os Estados Unidos ditassem os modelos, que a China adotasse a tecnologia americana, que os Estados Unidos ganhassem dinheiro com isso. Essa é a aposta de um lado. Do outro lado é você estar dando a tecnologia que a China precisa para limitar, copiar, quebrar patentes, roubos intelectuais de propriedade intelectual industrial e produzir a sua própria indústria de semicondutores.

a sua capacidade industrial e, com isso, acabar avançando no desenvolvimento da inteligência artificial e chegar perto ou passar aos Estados Unidos esse é o risco. Me parece que o Trump colocou uma...

Talvez uma expectativa positiva além da conta nesse sentido e isso não vai funcionar. Mas esse é só um detalhe das discussões. O fato é que os dois vão se encontrar e como que vai ser esse encontro. Se a gente sair dali assistindo um grande pronunciamento, com pontos claros...

talvez algum avanço aconteça. Se não tiver nenhum pronunciamento específico posterior, como aconteceu na reunião do Trump com o Lula, provavelmente não tivemos nenhum avanço concreto, nenhum dos dois lados concordou, os dois lados não concordaram que eles têm que publicamente aceitar alguma coisa. Mas o fato dos dois líderes se encontrarem é um avanço.

É algo positivo para aqueles que acreditam que é possível uma desescalada da tensão dos dois países. Em última instância, a minha análise é que isso é irreversível, como eu tenho dito para vocês aqui múltiplas vezes, qualquer suposto acordo, suposto avanço, não muda as questões estruturais, é algo cosmético, temporário.

que não vai alterar a natureza do que está acontecendo no mundo, que é uma potência como a China, em ascensão, querendo tomar o lugar da potência hegemônica ou da supremacia americana. E os Estados Unidos perdendo poder relativo, não absoluto, mas perdendo poder relativo em relação à China, mais preocupado com medo.

E essa crescente força chinesa desafia a posição dos Estados Unidos. Isso na história fica claro, isso não é revertido com simples acordos de cavalheiros, de sentarem na mesa numa reunião.

e combinarem que daqui para frente vai ser tudo lindo e maravilhoso. A questão estrutural continua presente, a China tem como objetivo se tornar a maior potência do mundo, nenhuma maior potência do mundo aceita perder o seu posto para o rival que está chegando perto, então em algum momento...

essa competição vai se tornar uma rivalidade maior que chegue a um confronto. Ao longo da história isso sempre foi feito através de guerras e dessa vez não me parece que será diferente, primeiro porque nem Estados Unidos e nem China, Estados Unidos e China não são democracias e se os dois fossem a gente poderia ter uma solução não conflituosa, não belicosa.

A outra saída para o conflito dos dois seria simplesmente um dos dois lados colapsar, como aconteceu na Guerra Fria, com a União Soviética colapsando, e aí não tivemos guerra. Isso certamente também não me parece que está presente. Apesar de Estados Unidos e China, os dois, terem problemas estruturais sérios, nenhum dos dois está à beira do colapso.

Então, o que nos resta historicamente é, sim, um confronto. Ou seja, essa reunião pode ser importante para a gente medir o nível que esse confronto pode aparecer no futuro, ou...

Qual é o grau de preocupação que os dois lados têm com essa realidade? Não acredito que uma reunião é suficiente para desarmar uma bomba estrutural que está em jogo aqui, que é a China crescendo, os Estados Unidos eventualmente tendo que abrir mão do seu papel, do seu lugar no mundo. Isso nunca é feito por nenhuma potência.

pacificamente. Vai ter luta, vai ter resistência, vai ter confronto. A pergunta é com que velocidade e em que áreas. Isso nos traz um pouco para a discussão do que vai acontecer ali. E eu diria que tem três grandes áreas importantes que serão discutidas. A primeira delas é o comércio, depois inteligência artificial e por fim é mais...

delicada ou, do ponto de vista militar, é Taiwan. Então, vou começar falando aqui pelo comércio internacional. Eu disse para vocês que a tensão entre Estados Unidos e China no segundo mandato do Trump aumentou, principalmente pelo tarifácio. Em um determinado momento, as tarifas americanas chegaram a 140% contra a China. Depois, isso recuou numa série de...

recuos dos dois lados, acabou que hoje a gente pode dizer que as tarifas americanas em relação à China estão em média por volta de 47%, e as tarifas chinesas para os Estados Unidos estão em média por volta de 30%. Isso não deve...

serem encerrado por completo, as tarifas vieram para ficar, a grande discussão é se elas vão aumentar ou não, elas vão se estabilizar nesses patamares. Diminuir e serem encerradas, dificilmente isso deve acontecer, as tarifas são parte das medidas do governo americano em tentar alterar o modelo econômico chinês.

Sem sucesso, a China não abdica do seu modelo de incentivo à indústria. Já expliquei isso para vocês em muitos outros vídeos. E se os Estados Unidos não conseguem forçar a China a isso, então ele tenta diminuir o tamanho do estrago, do déficit que a China cria para os americanos ou do superávit que a China tem com os Estados Unidos. O superávit ou a balança comercial favorável para a China tem diminuído.

desde 2018 até agora, talvez pela metade, mas o superávit chinês no geral em exportações tem aumentado. A China arrumou outros caminhos para continuar vendendo para os Estados Unidos, usando outros países como base. Então os Estados Unidos não conseguiu se livrar totalmente.

da questão comercial, do desequilíbrio comercial que a China traz para os Estados Unidos, para o seu país. Então, esse é um assunto delicado, o Trump não está indo sozinho, ele está indo com uma comitiva de grandes empresas, CEOs das maiores empresas americanas, de bancos, a Boeing de aviões, Elon Musk está junto, o CEO da Meta.

Cargill, do agronegócio, empresas e setores muito importantes vão estar com o Trump. A ideia tem se falado de criar um conselho de comércio com essas figuras, tentando...

gerir melhor as relações comerciais dos Estados Unidos com a China. Não necessariamente isso tem algum resultado. Bom, como vocês sabem, o Trump foca também nos ganhos transacionais, ele busca resultados tangíveis. Então, talvez a China ofereça para os Estados Unidos...

garantias que vai comprar mais carne, mais soja e mais aviões da Boeing. O resto de tudo isso não é tão importante assim, porque a China compra ou precisa de menos, ou tem interesse em menos coisas que os Estados Unidos produzem do que os Estados Unidos tem, do que a China produz.

Óbvio que o outro tema importantíssimo são os semicondutores. NVIDIA entrega os semicondutores mais sofisticados, mas isso eu vou falar um pouco quando eu falar da inteligência artificial.

Então, assim, talvez o melhor que possa sair dessa reunião é um acordo de que as tarifas não aumentem. Os americanos, depois da decisão da Suprema Corte que proíbe o Trump de impor tarifas do jeito que ele quiser, estão buscando outros meios de impor tarifas à China. Estão com duas investigações abertas, uma com a exploração de trabalho escravo e a outra...

com uma super capacidade, uma produção além da conta, e se essas duas medidas avançarem, fica mais difícil do Trump retirar as tarifas, uma vez que esse processo de imposição da tarifa foi feito por um outro caminho, por um outro mecanismo.

onde existiu uma investigação que mostra que a China está cometendo violações ao comércio maiores. Claro, a China também não está parada, tem mostrado que vai retaliar comercialmente, já usou as terras raras.

como fonte de retaliação e fez os Estados Unidos acabarem recuando. O governo americano tem procurado alternativas para isso, criando um grande fundo de reserva, buscando diversificar o fornecimento de terras raras, inclusive com o Brasil, mas em outros lugares do mundo. Criou um grande fundo e um conselho e um órgão para buscar esse fornecimento em outros lugares.

Então, basicamente, a gente vê os Estados Unidos tentando se livrar dessa dependência chinesa para poder ser mais firme, mais duro na questão comercial. E a China também tentando arrumar uma não dependência dos semicondutores.

O fato é que talvez os dois lados nessa área tenham medo e receio das consequências e eles não fazem isso porque, ou não tentam encontrar um acordo comercial porque eles se amam, mas sim porque os dois têm muito a perder dependendo do resultado dessa conversa. Talvez o Trump saia com as compras que ele quer, mas isso não vai alterar a balança comercial. O problema é estrutural também.

e é um problema de longa data que os Estados Unidos não conseguem resolver e as tarifas também não vão ser suficientes para isso. Nesse sentido, a indústria americana continua sofrendo pela existência da indústria chinesa e do modelo econômico da China.

Tudo isso não parece que vai ser totalmente solucionado. A discussão aqui é para que lado as tarifas podem seguir. Então esse é o ponto econômico comercial.

Aí nós temos o ponto de vista da inteligência artificial, esse é um ponto bem sério e preocupante, todo o risco que eu tenho comentado com vocês e que o mundo inteiro está atento sobre a inteligência artificial é a tal da competição geopolítica, o nível de competição que as duas superpotências da inteligência artificial, as duas únicas potências ou os dois únicos países.

que realmente tem uma indústria de tecnologia de fronteira da inteligência artificial, controla 90% da capacidade computacional da tecnologia de fronteira da IA.

Esses dois países são quem importa nessa história e se a gente tiver que ter uma convivência um pouco mais ordenada, coordenada e pensada para evitar que essa competição leve a um desenvolvimento de tecnologia sem as devidas precauções de segurança.

Os dois precisam conversar, os dois precisam chegar em algum tipo de consenso. Óbvio que o nível de desconfiança é altíssimo, nenhum confia no outro. Os dois entendem que dominar essa tecnologia vai dar a vantagem militar, a vantagem econômica, a vantagem tecnológica. E quem ganhar essa corrida provavelmente ganhará a disputa.

para continuar governando ou dominando o mundo, para se manter no topo, acima do outro. Então, essa é a corrida mais importante do mundo hoje e ela tem implicações, porque, como eu disse para vocês, ela pode levar ao desenvolvimento das tecnologias sem as devidas cautelas.

É como se os dois não estivessem preocupados com consequências, porque eles estão desesperados para chegar em primeiro lugar e obter a tecnologia antes do outro.

Todo mundo tem a expectativa, ou o sonho, ou o desejo, ou o anseio que os dois países cheguem em algum tipo de acordo em como governar ou regulamentar o desenvolvimento da inteligência artificial de uma forma mais segura. Existem basicamente três possibilidades aqui, uma delas é...

o diálogo e a transparência. Então, tanto os Estados Unidos quanto a China mostrarem para o outro quais são as suas medidas de segurança. Eles não vão concordar em ter medidas comuns, mas eles comunicarem o tipo de medidas, de regras que eles estão usando no desenvolvimento desses modelos de inteligência artificial.

A corrida nuclear, esse tipo de postura, de você comunicar quais são as suas regras de conduzir a questão das armas atômicas, serve para mitigar riscos e problemas. Então, essa seria uma possível solução e uma réplica do que já foi usado na corrida nuclear para a corrida da inteligência artificial.

A segunda possibilidade seria os dois concordarem em regras comuns de desenvolvimento. E, claro, aí eles teriam que estabelecer quais são essas regras e seguir. Ainda assim teríamos o problema se os dois estariam seguindo ou não e os dois teriam essa desconfiança. E o terceiro e mais sofisticado de todos os acordos possíveis na área da inteligência artificial seria...

para os dois seguirem as mesmas regras e irem lá inspecionar e verificar se o outro está fazendo o que deve ser feito.

Claro que isso envolve uma intromissão, né? E você acabaria com sigilos, você teria acesso aos dados do outro. Nós estamos muito longe disso acontecer. Não tem possibilidade nenhuma de chegar nesse nível de acordo. Os dois têm desconfiança, os dois entendem a importância estratégica do que é a inteligência artificial. Os dois não querem mostrar o que estão fazendo um para o outro.

tudo isso então seria, esse modelo, essa saída seria muito mais difícil. Além disso, os Estados Unidos têm uma preocupação muito grande que a forma como a China está conduzindo o desenvolvimento da IA não se preocupa tanto com os guardrails, com as proteções.

Pelo fato da China ser uma ditadura, não ter accountability social popular, não ter grupo de interesse, não ter pessoas reclamando, simplesmente o governo tem tudo na mão para fazer como quiser e, além do mais, o modelo chinês de desenvolvimento da IA é um open source, o que...

criaria ainda mais riscos para o mundo, porque se é um modelo aberto, esse modelo pode ser entregue, compartilhado, copiado por qualquer grupo terrorista ou qualquer outra nação que não tenha tecnologia, mas teria acesso a isso da forma como a China está desenvolvendo.

Por outro lado, a China tem dito que ela acredita que precisa haver uma grande regulamentação internacional e tem defendido que a ONU crie um braço para lidar com isso.

Os Estados Unidos alegam que isso não é verdade, que a China não faz isso porque ela realmente está preocupada, ela só faz isso para aparecer bem na foto e que, na verdade, a preocupação dos americanos em relação à segurança é muito maior com a China por essas razões que eu acabei de explicar para vocês. Então, esse é um dos outros grandes temas, esse tema afeta o mundo inteiro, afeta a segurança da humanidade, não vai embora, não vai desaparecer.

com facilidade e não acredito que a gente tenha nenhum avanço nessa área. Por fim, o próximo assunto é o de Taiwan, que é a disputa, o confronto geopolítico, ou talvez o confronto militar mais importante do século XXI, porque colocaria...

face a face, um diante do outro, por um choque, as duas maiores potências, diferente do conflito da Rússia na Ucrânia, ou diferente do Irã com os Estados Unidos, porque o Irã não é uma grande potência, a Rússia e os Estados Unidos não estão ali, e o primeiro momento onde nós teríamos um choque direto entre duas grandes potências, o que é um...

gatilho para uma guerra mundial seria Taiwan. Então o governo chinês tem pressionado o Trump e tem uma expectativa de que o Trump apareça nessa reunião e fale, por exemplo, que os Estados Unidos mudou a sua política de ambiguidade estratégica em relação à posição de Taiwan. A posição americana é que os Estados Unidos não apoia.

Mas não se opõe a uma independência de Taiwan. O que a China quer é que os Estados Unidos digam.

que eles não aceitam, eles se opõem a uma independência de Taiwan. Ou que os Estados Unidos não se opõem ou apoiam uma reunificação pacífica da China com Taiwan. Se o Trump fizer qualquer uma dessas mudanças, são mudanças de termos, de palavras.

simbólicas, a gente não sabe o que isso significa na prática, mas são mudanças muito substanciais, seria uma vitória diplomática para a China, colocaria Taiwan numa posição muito desconfortável, talvez fortaleceria o KMT, que é o partido de oposição de Taiwan.

que a sua líder, depois de mais de uma década, teve recentemente um encontro com o Xi Jinping. Isso é uma novidade. Esse partido de oposição de Taiwan controla o parlamento e ele é mais pró-China.

E ele vetou recentemente gastos em defesa da ordem de 40 bilhões de dólares por parte do governo, que é um governo mais independente ou pró-independência.

que não quer estar com a China. Então, tem movimentos políticos dentro de Taiwan que seriam afetados por uma mudança de posição do Trump. Parece que o Trump não dá importância devida para Taiwan. Ele sinaliza isso em uns momentos e em outros não.

No começo desse ano ele fez uma grande entrega de armas na ordem de 11 bilhões de dólares para Taiwan. Esse é um sinal de que sim, os Estados Unidos continuariam ou continuam apoiando Taiwan.

Por outro lado, o Trump já disse que ele não tem obrigação, os Estados Unidos não tem obrigação de defender Taiwan. E nos bastidores, muita gente acredita que Trump e Vance estariam dispostos a trocar Taiwan por algum acordo com a China, entregar Taiwan. Para muitos que acham que se isso acontecer, o problema de uma terceira guerra mundial foi eliminado, não tem acompanhado meus vídeos com clareza.

Porque se isso acontecer, o Japão na hora vai produzir uma bomba atômica, a Coreia do Sul também. E aí se esses dois produzirem uma bomba atômica, a Polônia também, que já quer uma bomba atômica, a Alemanha vai olhar e falar, bom, eu preciso ter uma bomba atômica. Nesse cenário não vai dar para falar que o Irã não pode ter bomba atômica. E aí o Brasil vai estar discutindo se nós temos que ter uma bomba atômica e nós vamos ter um mundo com 30 bombas atômicas. Então, os Estados Unidos abandonar Taiwan não é o fim do problema.

de Taiwan, mas é o começo de um novo capítulo, de um outro problema numa escala muito maior. Esse talvez seja o ponto mais sensível da reunião, o que o Trump vai falar, qual linguagem ele vai usar. Ele vai romper com tudo isso, os Estados Unidos congelou uma venda de armas agora próximo ao encontro, isso é comum.

em outros mandatos, em outras administrações americanas, próximo de encontros com a China, era congelado a venda de armas, depois a venda era recuperada. Mas o governo chinês tem dito, e o Xi Jinping falou isso na ligação com o Trump, e o Trump falou isso em público.

para a imprensa que ele falou sobre isso com o Xi Jinping, que ele estava considerando repensar a venda de armas para Taiwan. Se os Estados Unidos também pararem de vender armas para Taiwan, a situação de Taiwan fica bem mais complicada.

Mas, como eu disse, isso manda um recado para os outros países que dependem dos Estados Unidos, como Coreia do Sul, Japão e tantos outros ao redor do mundo. Isso é uma política, uma mudança de política que altera todo equilíbrio de poder, toda a balança de poder do mundo. Esse é o ponto mais atento da conversa. O que o Trump vai dizer?

sobre Taiwan. Essas são as possibilidades. A China tem altas expectativas que essa seja a política. O que a China gostaria também é que o Trump dissesse que não vai mais vender armas para Taiwan. Na lógica e na mentalidade do Trump mercantilista ou transacional, não vender armas para Taiwan é perder.

uma bela de uma receita. Então, não sei se isso ele chegaria a se comprometer. Claro que qualquer coisa que o Trump disser também não é escrito, não é algo determinado para sempre, porque o que ele diz perde o valor até ele dizer a próxima coisa e perde o valor com as ações dele. As falas do Trump não são iguais às ações. A gente não pode descartar isso.

Mas nesse lugar delicado, nessa questão estratégica, onde a linguagem sempre foi importante para a estratégia americana em relação a esse conflito, vai ter um peso, vai ter uma relevância.

Esses são os principais pontos, gente. Eu acho que não imagino grandes mudanças, talvez muita retórica, alguma coisa como venda de chips ou semicondutores mais importantes para Taiwan.

para Taiwan não, para a China, é relevante. Ainda tem uma questão nessa história de Taiwan que os Estados Unidos têm que se preocupar, que afinal de contas 90% de todos os semicondutores mais avançados vêm de Taiwan e os Estados Unidos não estão nem perto de substituir esse fornecimento. Essa é a grande aposta de Taiwan, que o Trump não vai...

abandoná-los porque os Estados Unidos precisam dos semicondutores. O secretário do Tesouro Americano, Scott Bassett, disse recentemente que sem a indústria dos semicondutores de Taiwan, a economia americana colapsa. Engraçado, ou interessante, mas ele também disse que...

se os Estados Unidos perder a competição e a guerra para a inteligência artificial, os Estados Unidos estão em apuros. Ou seja, a questão de um acordo em inteligência artificial é praticamente impossível. Talvez a gente tenha um acordo em algum nível comercial e a maior incógnita de todos aqui, para mim, na minha análise, é...

como o Trump vai se comportar em Taiwan. Mas esse é também o tema mais decisivo para a geopolítica do mundo, para o embate entre o eixo das ditaduras e as democracias ocidentais, ou o mundo democrático.

É um capítulo importante da geopolítica que a gente vai assistir nos próximos dias. Vamos acompanhar e depois a gente faz uma análise do que aconteceu dali, se acontecer algo de substancial, porque pode ser que não tenhamos nada de muito relevante.

É isso, pessoal. Vamos ficar de olho nessa reunião e a gente comenta depois o que aconteceu. Espero que vocês tenham gostado do vídeo. Deem like, sigam o canal. Quem não segue, ative o sininho e compartilhe com seus amigos. Essa reunião é de extrema importância. Até mais.

Anunciantes1

Insider

Camisas e Tech T-shirts
external