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POR QUE UM CHAMPANHE CUSTA TÃO CARO? A IDEIA QUE MUDOU A ECONOMIA: HISTÓRIA DO DINHEIRO EP.10

30 de abril de 202619min
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Uma garrafa de champanhe vendida por 2 mil reais não custou nem perto disso para ser produzida. Marx e Adam Smith achavam que o valor vinha do trabalho. Estavam errados.No século XIX, um economista britânico chamado William Jevons mudou para sempre a forma como entendemos o valor das coisas — e, de quebra, como entendemos nossas próprias decisões.A ideia dele, a "utilidade marginal", é uma das mais poderosas da história da economia.Neste episódio da série A História do Dinheiro, a gente explica como Jevons e Alfred Marshall construíram o modelo que domina a economia até hoje: oferta, demanda, concorrência perfeita e o famoso "homem econômico racional". Uma teoria elegante, poderosa — e que alguns consideram perigosamente simplificada.

Participantes neste episódio1
D

Desconhecido Desconhecido

HostJornalista
Assuntos4
  • Utilidade marginalWilliam Jevons · Alfred Marshall
  • Oferta e Demanda Petroleo
  • Concorrência perfeita
  • Homem econômico racional
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Lá que horas horas horas E aí E aí E aí E aí

E aí

Por que uma garrafa de champanhe é tão valiosa? Adam Smith e Karl Marx achavam que o valor vinha dos custos de produzir alguma coisa, especialmente do trabalho que foi empregado para isso. Mas uma garrafa de champanhe vendida por dois mil reais, ela não custou nem perto disso para ser produzida. Ela é valiosa porque as pessoas gostam muito dela.

Até agora, nessa série nossa aqui, na história do dinheiro, a gente ouviu bastante sobre os capitalistas ricos e os trabalhadores exaustos sofrendo nas fábricas. Mas e as pessoas que compram os bens? Elas ficam felizes com isso, já pararam para pensar nisso? Não apenas do champanhe, mas também de panelas e frigideiras, chapéu, casaco. Certamente isso deveria ser importante para a maneira como pensamos a economia, vocês não acham?

O economista britânico William Jevons achava que sim. Ele foi o primeiro economista famoso a estudar para obter um diploma em economia em vez de seguir o caminho tradicional dos pensadores que se dedicavam à economia depois de terem estudado o latim e o grego antigo. Jevons desenvolveu uma ideia que revolucionou a ciência econômica, a ideia da utilidade marginal.

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de acesso a essa VPN e essa ferramenta muito importante nos dias de hoje. Vamos voltar para o vídeo. A ideia da utilidade marginal. Imagina você comer um doce de caramelo. Você gosta do doce, adora o doce e ele te dá muita satisfação. Ou utilidade, como os economistas chamam. Mas, à medida que você come mais caramelos, o prazer obtido com um caramelo extra não vai ser tão grande assim.

O décimo caramelo é bom, mas não tão bom quanto o primeiro. E depois de você comer 15 caramelos, você começa a se cansar de caramelo. Talvez o vigésimo caramelo nem prazer vai te dar. O prazer de um caramelo extra é a sua utilidade marginal. Margem significa aqui a borda de alguma coisa, né? Definição clássica. Então, a borda da sua utilidade com caramelos...

É a utilidade do último caramelo que você comeu que deu aquele prazer. A tendência, então, da utilidade marginal cair à medida que você consome mais é conhecida como o princípio da utilidade marginal decrescente. Utilidade marginal é uma das ideias mais importantes da economia que o Jevons a usou para explicar como as pessoas gastam o seu dinheiro. Por exemplo.

Imagina que você está numa lanchonete e tem 100 reais para gastar em cachorros quentes. Ou lata de refrigerante. Suponhamos que você vai gastar tudo de uma vez. Quantos cachorros quentes e refrigerantes você compraria? Você está com muita fome, então você enche a sua bandeja com 10 cachorros quentes. Mas logo você vai perceber que mesmo tendo com fome...

seria uma tolice completa você comprar só cachorros quentes. Se você comprar 10, a utilidade marginal do décimo vai ser muito baixa ou inexistente. Ao mesmo tempo, se você não tem nenhuma lata de refrigerante na bandeja, então a utilidade marginal de acrescentar uma lata à sua compra vai ser alta, né? Vamos lá. Então você deveria comprar uma lata de refrigerante em vez do décimo cachorro quente.

Porque ela acrescenta mais a sua utilidade do que o cachorro quente. Então, se tira um cachorro quente da bandeja e acrescenta um refrigerante. Mas antes de o caixa apagar, você vai pensar de novo. E aí é provável que uma segunda lata também acrescente mais utilidade do que o nono cachorro quente. Então, se tira um outro cachorro quente da bandeja e acrescenta uma segunda lata. Quando você vai aumentando as latas de refrigerante.

e diminui os cachorros quentes, a utilidade marginal das latas cai, porque começa a ter mais latas ou mais refrigerantes. E a utilidade marginal dos cachorros quentes vai subindo, porque existem menos cachorros quentes ali. A pergunta que fica, gente, é... Onde você deve parar? E a resposta é... Quando a utilidade marginal de um refrigerante extra for a mesma do que um cachorro quente extra.

Vamos lá. Como você é um amante faminto de cachorro quente, isso pode significar sete cachorros quentes e três refrigerantes. Não importa, o essencial é conseguir equilibrar exatamente essas utilidades marginais. Quando você descobrir a divisão certa, vai ao caixa e finaliza a sua compra. Agora você pode estar pensando, peraí, eu não passo por todas essas etapas quando eu compro coisas.

Aliás, eu nem sabia o que era utilidade marginal até agora. Vou além. Se vocês vissem alguém numa lanchonete comprando cachorro quente e refrigerante desse jeito, provavelmente você acharia a pessoa um tanto esquisita, pra dizer o mínimo.

Mas os economistas não acreditam que as pessoas se comportam exatamente assim. O que a gente tem aqui é um modelo econômico, um retrato simplificado do mundo. Por exemplo, nessa simulação que eu apresentei para vocês, nós partimos do princípio que você precisa gastar os seus 100 reais de uma só vez e só com cachorro quente e coca. Mas, quando a gente olha para a realidade, tem centenas de coisas diferentes para você comprar.

Mas os modelos, as teorias econômicas, se concentram na coisa principal que eles estão tentando explicar. Na vida real, você já sabe que tem uma quantidade limitada de dinheiro para gastar e que tem muitas coisas para comprar. E você não pode ter tudo. É verdade que você não fica parado ali calculando como um robô. Mas, de algum modo, você distribui a sua quantidade limitada de dinheiro de uma maneira que vai te deixar satisfeito.

A utilidade marginal é uma forma de transformar isso em um modelo preciso o suficiente para explicar o comportamento humano. E no final do século XIX, esse modelo de raciocinar com o princípio marginal tornou-se a base de uma abordagem inteiramente nova na economia. Hoje, esse princípio é um dos métodos básicos que os economistas usam o tempo todo.

O Jevons morreu antes de desenvolver plenamente as suas ideias, mas o economista britânico Alfred Marshall levou esse pensamento adiante. E ele elaborava suas teorias durante caminhadas nos Alpes, fazendo trilhas por dias com uma mochila cheia de livros.

Enquanto ele descansava ao lado das geleiras e com o livro na mão, ele desenvolveu muitas das ideias que hoje são ensinadas aos estudantes de economia na sua primeira aula. E uma delas é a lei da demanda. No exemplo que eu falei dos cachorros quentes, a gente não considera realmente os preços.

A lei da demanda trata de como os preços influenciam as nossas decisões. Um preço alto leva a uma baixa demanda por um bem. Um preço baixo a uma alta demanda pelo bem. E a utilidade marginal decrescente mostra de onde vem essa lei. E você vê isso o tempo todo.

Vamos supor, por exemplo, que uma loja está fazendo uma liquidação, um desconto de encerramento e está reduzindo os preços para incentivar para que os consumidores comprem as suas colheres. Se você não tivesse nenhuma colher, você obteria...

muita utilidade de uma. Então você poderia estar disposto a pagar uns 4 reais por uma colher. Uma segunda colher vai te dar menos utilidade do que a primeira. Então talvez você só estivesse disposto a pagar 3 reais na segunda colher. E a décima colher? Talvez você estivesse disposto a pagar só 1 real. Ou nem isso.

Pra que você precisa de 10 colheres se você mora sozinho, por exemplo? Ou seja, você vai comprar muitas colheres quando elas custarem pouco. Mas quando elas custarem muito, você vai comprar apenas uma ou duas. O que significa dizer que você sempre comprará a utilidade marginal com o preço que tem de pagar.

O que isso quer dizer é que você sempre compara a sua utilidade marginal com o preço que você vai pagar. O princípio marginal não é usado só para descrever como as pessoas gastam. E ele também é usado para explicar...

O que as empresas fazem? Continuando o raciocínio da demanda. A empresa vai produzir muitas colheres se o preço dessas colheres for alto o suficiente para cobrir os custos elevados de produzi-la. Um preço alto traz alta oferta das empresas. Um preço baixo, baixa oferta. O Marshall combinou o consumidor e a empresa na teoria da oferta e da demanda, uma das ideias mais famosas da economia.

Uma curva de demanda liga o preço à quantidade que as pessoas querem. Pensem nisso como uma linha, num gráfico. Imagina um número de colheres correndo ao longo da base e os seus preços subindo pela lateral.

A curva de demanda vai se inclinando para baixo. À medida que o preço cai, as pessoas vão querer mais. Uma curva de oferta liga o preço à quantidade que as empresas produzem. A curva de oferta inclina-se para cima. À medida que o preço sobe, as empresas se dispõem a fazer mais colheres porque o preço mais alto cobre o custo crescente da produção. Mas, afinal...

O que determina o preço das colheres? Oferta ou demanda? Isso é como a gente perguntar qual lâmina de uma tesoura corta uma folha de papel. Ou seja, o que eu quero dizer é que as juntas, os dois lados, os dois conceitos, tanto a oferta quanto a demanda, determinam o preço. O mercado fica equilibrado quando a demanda por colheres é exatamente igual a oferta, onde as curvas de demanda e oferta se cruzam.

O equilíbrio é onde o mercado tende a estacionar. E ele acontece quando o preço está num nível específico. Aquele em que as empresas querem produzir exatamente o mesmo número de colheres que os consumidores querem comprar. Às vezes o equilíbrio muda, suponhamos que colheres sofisticadas e personalizadas se tornem moda. Aí a demanda por elas vai aumentar e o preço de equilíbrio também vai subir.

Porque para as empresas fornecerem mais, elas vão precisar de um preço mais alto para cobrir os custos adicionais de produção. Com o tempo, o preço elevado pode incentivar empresários a construir novas fábricas de colheres. E a oferta vai aumentar e aí o preço vai cair. Enfim, gente, oferta e demanda são aplicados em praticamente todos os mercados, do trigo aos diamantes e às casas.

E uma das ferramentas mais básicas da economia, outra ideia que os economistas adoram falar o tempo todo, é o da concorrência. O Adam Smith era fascinado por concorrência, mas o Marshall e os seus colegas, eles foram além.

E transformaram a concorrência em um modelo. Imagina dezenas de pescadores vendendo seu peixe no porto. O preço de um peixe, vamos supor, R$ 2,00, vem da oferta e da demanda, como acabei de explicar para vocês. A característica crucial da competição é que nenhum comprador ou vendedor tem o poder absoluto no mercado. Se um pescador lhe oferecesse um peixe idêntico por R$ 3,00, você simplesmente compraria de outra pessoa. Aquele que está vendendo por R$ 2,00.

Agora, se você oferecesse para comprá-lo por só um real, o vendedor iria encontrar um outro cliente, um outro comprador. O que eu quero dizer? Nenhum comprador ou vendedor isolado pode alterar o preço. Os economistas chamam isso de concorrência perfeita. Ninguém obtém lucros enormes porque a concorrência mantém os preços baixos.

E é nesse cenário que os consumidores recebem o que querem a preços baixos. Antes do Jevons e do Marshall, os economistas imaginavam as pessoas como personagens diferentes. Na versão de competição do Adam Smith, os mercadores pechinchavam e se mobilizavam para fazer os melhores negócios.

Já os pobres do Maltos, do outro vídeo, eles gostavam de se reproduzir como coelhos. Agora, os economistas colocaram um novo personagem no centro do pau. O homem econômico racional. Uma pessoa que decide o que quer fazer pesando custos marginais e benefícios marginais. Por exemplo, comparando o preço de uma colher com a sua utilidade.

A economia passou a ser vista como cheia de pessoas de cabeça fria, calculistas, que estão o tempo inteiro fazendo esses cálculos perfeitamente. E esse tipo de economia parece controlado e harmonioso, bem diferente de como os economistas do passado, anteriores,

que a gente já falou aqui, enxergavam a economia. Para o Marx, o capitalismo era todo sobre exploração dos trabalhadores pelos capitalistas. Os trabalhadores criam o valor econômico, mas os capitalistas ficam com a maior parte dele como lucro. No mundo do homem econômico-racional, há simplesmente muitas pessoas comprando e vendendo coisas.

não tem exploração, você até decide quando vai trabalhar usando o princípio marginal. Você observa a utilidade marginal de uma hora extra de lazer, jogar futebol ou ir ao cinema, e depois você compara com o salário oferecido. Se você obtiver muita utilidade ao jogar futebol por uma hora, você vai escolher não ir trabalhar.

A menos que o salário oferecido seja realmente alto e vai valer a pena. Ou seja, já não é mais um capitalista impiedoso que dita suas horas em teoria. A decisão é sua. O Marshall chamou essa economia de economia neoclássica, que é uma versão atualizada da economia clássica do Adam Smith e do David Ricardo.

A economia clássica trata de como os mercados movem a economia e a tornam próspera. A economia neoclássica trata de como os indivíduos racionais movem esses mercados.

E essa economia neoclássica abandonou a busca por uma medida de valor definitiva, como o trabalho ou o ouro. O valor é simplesmente o preço de algo vindo da oferta da demanda. Uma garrafa rara de vinho custa muito porque tem uma oferta limitada e muita demanda. E não porque você trabalhou muito para fazê-la.

E essa nova maneira de enxergar e pensar surgiu à medida que as tensões do século XIX iam diminuindo. A revolução industrial colocou os produtos antes de luxo ao alcance de todas as pessoas. E as tensões que existiam sob a superfície da economia, aquelas que o Marx estava tão preocupado e que eu expliquei no episódio anterior,

foram deixadas de lado. E assim, o homem econômico racional, que equilibra perfeitamente as suas escolhas, acabou se tornando a principal teoria dos economistas sobre como as pessoas se comportam. Tem gente que reclama que isso é totalmente irreal, falando que os economistas já conheceram pessoas reais. Frase típica de alguns críticos a essa forma de enxergar o mundo.

E a resposta é que toda teoria tem que simplificar. E a questão é, até onde isso pode ir? Como nós ainda vamos ver nos próximos episódios, tem alguns economistas que acharam que o homem econômico-racional era, no fundo...

Algo bem irreal. É isso aí, pessoal. Mais um episódio da nossa série. Espero que vocês tenham gostado. Não esqueçam de dar like aqui no vídeo. Sigam o canal. Ativem o sininho e compartilhem com seus amigos. A série da história do dinheiro continua. Não percam e assistam os episódios anteriores se você ainda não viu.

E aí

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