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O FIM DA MAIOR ALIANÇA MILITAR DA HISTÓRIA

24 de abril de 202646min
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A maior aliança militar da história não está enfrentando uma crise de orçamento. Está enfrentando uma crise de propósito.Por 77 anos, a OTAN funcionou como a espinha dorsal da segurança ocidental. Hoje, entre a guerra no Irã, a guerra na Ucrânia abandonada por Washington e uma Casa Branca que trata garantias de segurança como moeda de barganha comercial, a aliança chegou ao ponto mais frágil desde sua fundação em 1949.O gatilho foi a guerra contra o Irã, iniciada em fevereiro sem consulta aos aliados. A recusa europeia em participar do bloqueio no Estreito de Ormuz expôs uma ruptura que vinha sendo construída há anos. França fechou seu espaço aéreo. Espanha chamou a guerra de ilegal. Alemanha questionou se o envolvimento cabia no mandato defensivo da aliança. A resposta de Washington veio em tom de ameaça: considerar a saída da própria OTAN.Neste vídeo, destrinchamos a arquitetura dessa fratura. Como três crises simultâneas — Ormuz, Donbass e o flanco nórdico-ártico — colidem com uma aliança que opera por consenso e já não tem consenso algum. Por que o rearmamento europeu, por mais acelerado que esteja, não se traduz em capacidade militar no prazo que a Rússia exige. E por que a maior vulnerabilidade da OTAN hoje não é o adversário externo, mas a dúvida sobre o próprio compromisso americano com o Artigo 5.

Participantes neste episódio1
D

Desconhecido Desconhecido

HostJornalista
Assuntos1
  • Crise da Nikeguerra no Irã · guerra na Ucrânia · relação Europa e Estados Unidos · exército europeu · compromisso americano com a OTAN · percepção de ameaça na Europa · dissuasão nuclear
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Olá pessoal, eu quero falar um pouco de uma das grandes consequências da guerra no Oriente Médio. Eu sei que a atenção toda da geopolítica está focada na guerra em si, a guerra ainda não terminou, estreito abre, fecha, contra bloqueio, o que o Irã, para onde vai, cessar fogo, todas essas questões não estão resolvidas. Mas eu quero falar de um outro assunto que é uma consequência da guerra.

E ela não é uma consequência menos importante. É a relação da OTAN e, particularmente, da Europa, da União Europeia com os Estados Unidos. E a Europa não está envolvida diretamente na guerra, não foi atingida fisicamente no confronto. Mas, politicamente e estrategicamente, consequências muito sérias e graves surgem desta guerra.

E eu acho que a gente precisa falar sobre isso, até porque esse não é um problema que acontece nesse minuto, não acontece só porque a guerra com o Irã está em andamento, mas já era uma tendência que vem de longa data e ela ganhou muito mais força. Talvez nós estamos chegando perto do momento aonde os Estados Unidos possam realmente abandonar a OTAN.

E vale a gente entender qual é o status dessa discussão, quais são as opções que a Europa tem, para onde a Europa pode ir? A Europa tem que se unir, construir um exército europeu? Não, ela tem que manter os Estados Unidos ali? Como que ela vai lidar com essa situação? Um pouco do comportamento da Europa durante essa guerra diz para que lado a Europa quer ir.

Então tem muita coisa para a gente falar sobre isso e no vídeo de hoje eu quero aprofundar nessa questão. Qual é o futuro da OTAN? Qual é o futuro da Europa? E como que a relação da Europa com os Estados Unidos vão seguir daqui para frente? E óbvio que a guerra tem um papel fundamental de exacerbar todas as tensões e problemas que já existiam nessas relações entre americanos e europeus.

Bom, vamos entender aqui o que aconteceu, por que essa guerra talvez acentue ainda mais os problemas. E do ponto de vista militar, a situação ficou grave quando os europeus se recusaram a ajudar os americanos. Eu já falei isso em outros momentos para vocês e isso é extremamente relevante. É relevante porque os europeus estão sinalizando...

que eles querem uma coisa, eles subirem o tom com os americanos ou negarem a ajuda quando os Estados Unidos estão em guerra, óbvio que é uma provocação, uma indicação para o Trump olhar e falar, tá bom, quando vocês precisarem de ajuda, eu vou negar a ajuda.

Pessoal, vamos fazer uma pausa no vídeo para eu falar do nosso parceiro patrocinador, a Coinbase. Já falei da Coinbase para vocês, que é uma das maiores corretoras do mundo, está listada na Bolsa nos Estados Unidos, grande gestora de ativos e eles estão com uma promoção muito especial, principalmente agora que o dólar está tão baixo.

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Então, os europeus, ao fazerem isso, têm que estar preparados para seguir um outro caminho completamente diferente, o que não parece muito simples e nem que eles estão seguindo nessa direção.

Parece que os europeus estão perdidos, confusos, qual é o caminho que eles têm que ir, e não estão sendo coerentes com as atitudes tomadas, as políticas definidas. A Europa decidiu que não ia ajudar os Estados Unidos na guerra com o Irã, primeiro porque o Trump tem sido agressivo contra a Europa em relação à Groenlândia, depois porque supostamente eles não acreditavam na guerra, e...

E, por fim, porque o Trump não comunicou os europeus antes. Então, a relação Estados Unidos-Europa não vai bem por essas razões diversas. A história da Groenlândia é uma das principais e aí a culpa está muito mais no campo do Trump. Mas tem outras questões também, como a discussão de um cessar-fogo, um acordo de paz na guerra da Rússia com a Ucrânia. Os Estados Unidos têm sinalizado que ele tem vontade de...

de trazer um acordo a qualquer custo, um acordo que não beneficiaria a Ucrânia, beneficiaria muito mais a Rússia, os europeus não aceitam. E desde o momento que isso foi discutido, os europeus têm conduzido os Estados Unidos com cautela, tentando trazer o Trump para perto. Mas depois, com a história da Groenlândia, a relação piora muito. E aí vem a guerra.

contra o Irã, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, e aí os europeus simplesmente viram e falam nós não temos nada a ver com isso, nós não vamos ajudar a reabrir o estreito, pior.

Os países europeus, muitos deles, alguns bem importantes, como o Reino Unido, como a França e como a Itália. A Espanha nem se fala porque o comportamento da Espanha já está sendo muito mais duro, muito mais anti-Trump, anti-Estados Unidos, em todos os sentidos, desde os gastos em defesa da OTAN. A Espanha é um dos países que não tem concordado em gastar o que o Trump tem exigido ou pedido para os europeus.

até as críticas mais abertas e públicas diretas ao Trump. Mas Reino Unido, França e Itália também tomaram posturas duras, não permitindo que os Estados Unidos usassem as suas bases na Europa, pistas de pouso, bases militares, para fazer ataques ao Irã. Em algum momento eles voltaram para trás, os europeus recuaram e depois proibiram de novo.

Aí estabeleceram regras, ah, só pode fazer reabastecimento, não pode fazer ataque, aí depois deixou fazer ataque, depois voltou atrás. O fato é que...

são medidas duras para um continente que depende da segurança americana via OTAN. Os Estados Unidos é a maior potência militar, a OTAN não funciona sem a força americana, e quando os europeus dizem para os Estados Unidos que não vão ajudar os Estados Unidos quando eles precisam, na verdade eles estão simplesmente provocando ou instigando ou acelerando um processo de ruptura.

de abandono dos americanos à OTAN e à Europa. Agora, é estranho os europeus fazerem isso sem estarem preparados para lidar com essa realidade. E parece que cada um dos países da Europa está vivendo num mundo paralelo, numa dimensão paralela, sem entender o tamanho do problema e dos riscos. Muitas discussões têm acontecido sobre...

qual caminho a Europa deve seguir no âmbito da segurança, da sua proteção, da defesa, da esfera militar. E esses caminhos giram em torno da Europa, construir um exército comum, ou seja, unificar meio que a sua defesa. O outro é não abandonar os Estados Unidos de jeito nenhum, porque eles não vão conseguir fazer isso acontecer, essa unificação. Então,

E talvez um caminho do meio aí seria simplesmente se distanciar um pouco dos Estados Unidos e cada país europeu ficar mais forte militarmente e aí eles coordenarem uma ação em conjunto para lidar com a ameaça russa. Basicamente esses são os três caminhos. O que choca nessa história toda, ou que chama muita atenção,

e que vai fazer essas tensões dessa relação Estados Unidos e Europa se deteriorarem demais ou acelerarem ainda mais, elementos como, por exemplo, a França ir lá e pagar 2 milhões de dólares para transitar os seus navios para o Irã. E isso é gravíssimo. Você imagina, a França não quis ajudar os Estados Unidos militarmente, mas quis dar dinheiro para o Irã para ter os seus navios cruzando o Estreito de Hormuz. E Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas

Outro país que também choca no seu comportamento e destoa ideologicamente, isso já traz um pouco de clareza para elementos políticos que estão em jogo nessa discussão toda, é o comportamento da Meloni. A Itália, e ela particularmente, é muito próxima do Trump, teve na inauguration.

na posse do Trump, está sempre do lado do Trump, o Trump sempre elogia a ela, eles têm a mesma base ideológica, surgem do mesmo lugar, representam a mesma posição política, e Meloni virou e falou assim, não tem uso das bases italianas. E por que ela faz isso? Porque a opinião pública europeia e italiana...

está olhando para o Trump de uma forma muito ruim. Eles estão muito anti-Trump. Então, para ela sobreviver politicamente, ela tem que se afastar do Trump, inclusive, não só se afastar, mas ir contra o Trump.

E é isso que ela está tentando fazer. E para se preservar no poder, ela tem dito não, que ela contraria o Trump em vários momentos. Ela está realmente tentando descolar do Trump. E esse é um elemento importante que a gente tem que levar em consideração, porque não basta você ser um aliado ideológico ou compartilhar das mesmas visões de mundo. Você tem que sobreviver politicamente. E se a opinião pública muda de posição, não tem como isso acontecer.

E é exatamente o que está acontecendo na Europa. Até mesmo outros partidos muito mais à direita e partidos de direita radical ou extrema, como o AfD na Alemanha, ele tem se distanciado do Trump. E outros também, porque o Trump não está bem visto para ninguém, para nenhum setor do eleitorado europeu.

E isso explica um pouco desse afastamento. É claro que esse afastamento tem uma consequência. O Trump já disse que existirá consequências, que os Estados Unidos, que ele vai se preparar para retirar os Estados Unidos da OTAN dessa vez, que a Europa não conte com a ajuda quando precisar, quando for invadida ou atacada pelos russos, por exemplo.

A situação está muito séria. Repito, isso não é de agora. Esse cenário todo já está sendo construído há um bom tempo, só que parece que ele chegou num momento muito delicado. Porque realmente o que os europeus fizeram, ou estão fazendo,

destoa demais. É uma provocação muito grave. Eu sei que muitos vão dizer ah, Roque, mas o que o Trump fez sobre a Groenlândia também é grave. E é, realmente. Então percebem, o que eu estou descrevendo aqui para vocês, eu quero que a gente entenda, é que tem uma sucessão de ações de ambos os lados que estão escalando essa relação de ruptura.

entre os dois continentes, entre os dois grandes aliados. E aí...

Está tudo bem, se a Europa decidiu que ela vai romper, está tudo certo, só que ela precisa estar preparada para isso. E esse é o ponto que a gente precisa fazer uma reflexão mais profunda, porque claramente a Europa não está preparada. Como eu disse para vocês, tem três opções. A Europa construiu o seu exército, a Europa mantém os Estados Unidos ali, ou a Europa simplesmente...

incentivar que os seus países aumentem os seus gastos militares e construam uma força militar coordenada que haja em conjunto.

O primeiro deles, ou o terceiro deles que eu acabei de falar, que é manter os Estados Unidos ali, eu acho que se a Europa quer que os Estados Unidos fiquem dentro do continente, a Europa não pode, na hora que os Estados Unidos estão precisando de ajuda com a raia abertura do estreito, falar que não vai ajudar, negar o uso das bases.

Então, claramente, a Europa está sinalizando para os Estados Unidos que tanto faz que ela não está mais preocupada, que ela está disposta a subir o tom. E isso vai levar o Trump a querer cortar relações. E está tudo bem se a Europa acha que então é seu caminho, que seja. E aí a gente precisa investigar se a Europa está pronta para isso.

E aí a resposta é óbvia que não. Por que a Europa não está pronta para não ter os Estados Unidos? Por várias razões. Uma delas...

Não adianta só a Europa gastar mais dinheiro, aumentar os gastos em defesa, que isso não vai fazer ela ter uma força militar pronta e operacional coordenada. Ah, mas já não existe a OTAN? A OTAN existe sob o comando americano. O comando supremo da OTAN é sempre americano. Os europeus preenchem pequenas lacunas.

do que falta ou do que os Estados Unidos não se preocupa, questões menores. Os Estados Unidos fazem o trabalho grosso em todas as áreas, em inteligência, na área espacial, na área tecnológica, na área de comando, na área de fornecimento de munições, do grosso dos equipamentos, dos soldados, ou seja...

A Europa, os países europeus dentro da OTAN, eles sequer têm soldados prontos, não têm equipamento, não têm munição, tudo isso já é sabido. E não adianta eles terem aumentado os gastos em uma boa parte hoje dos países.

por volta de 24 dos 32 países da OTAN, já gastam, já bateram os 2% do PIB em defesa. E a promessa é que chegue em 3,5% até 2035, como o Trump está falando em 5%. Realmente, se a Europa gastasse 5%, ela ia ter muito mais dinheiro. Mas isso está longe de acontecer. Não adianta só gastar. E aí vem algumas das discussões importantes sobre o assunto.

Muitos dizem que não é uma questão de dinheiro. O problema europeu, ele é estrutural. E faz sentido essa observação. Por que estrutural? Porque não é só quanto dinheiro, mas é como esse dinheiro é mal gasto. E gasto em projetos militares de defesa, indústrias de defesa, separadas, independentes e autônomos. Então você imagina que se você vai ter...

são 27 países da União Europeia, são 32 países da OTAN, aí você tira os Estados Unidos e o Canadá, que não estão na Europa, tira a Turquia também, sobrou 29, 30 países.

para você construir uma indústria de defesa comum. O que é uma indústria de defesa comum? Armamentos iguais, você ganha economia de escala, a munição de um serve para o outro. Isso é uma força militar estruturada e pronta para enfrentar um inimigo como a Rússia.

E não adianta a gente dizer, ah, mas a Rússia está quebrada, a Rússia não consegue ganhar da Ucrânia. A Ucrânia é o maior país da Europa, a Ucrânia tem uma população relativamente mais jovem, a Ucrânia está lutando pela sua sobrevivência, tem um estômago, um espírito guerreiro muito maior do que, por exemplo, a Alemanha, não importa o histórico do passado que a Alemanha tem.

A Alemanha entrou num período cultural existencial pacifista, antinuclear, com proibições legais, constitucionais, de orçamento e de cultura.

A Alemanha não quer ter nem usina atômica dentro do país, porque teve um acidente no Japão. A Alemanha é o país que tem o maior, o partido verde com maior cadeiras no mundo inteiro, ou seja, ambientalistas, pacifistas. Isso é uma característica cultural da Alemanha hoje. Para transformar isso e estar pronto para lutar, tem que mudar muita coisa.

Os outros países da Europa, a mesma coisa. Então, assim, comparar o que a Rússia está enfrentando na Ucrânia com lidar com uma Europa fragmentada, desarmada, é muito diferente. Sem falar que a Ucrânia conseguiu resistir porque ela recebeu muito equipamento e armamento americano.

E isso não seria uma opção caso nós tenhamos uma ruptura entre Estados Unidos e Europa. Esse equipamento não vai chegar necessariamente, porque esse é o recado que o Trump quer dar para a Europa. Vocês me abandonaram quando eu precisava de vocês, agora se virem, construam as suas próprias armas. Sem falar o tempo que isso vai levar.

Então, não diminuam, não podemos diminuir a ameaça russa e comparar com o que acontece na Ucrânia. A Europa são países muito menores, muito menos estruturados para lidar com o combate e muito mais preparados para sucumbir.

É muito mais provável que um país europeu desista de lutar. Claro, existem países e países, e esse também é um outro problema dessa história aqui. Eu vou entrar nisso daqui a pouco. A Europa não é unida num conceito de percepção de ameaça. Nem todos os países da Europa enxergam os problemas da mesma maneira. Então você não tem...

A Itália achando que a Rússia é uma ameaça igual a Polônia acha. E assim por diante. Imagina a diversidade, a variedade de percepção de ameaça que cada um desses países tem. Bom, mas é mais fácil você imaginar então que cada país europeu vai sucumbir.

A Finlândia não vai sucumbir, a Polônia não vai sucumbir, os Bálticos não vão sucumbir, mas todos os outros poderiam facilmente dizer, ah, tá bom, o que a Rússia quer aqui para eu não ter que lutar ou para eu não ser invadido? Então o problema europeu é estrutural. A Europa precisa de uma força militar e esses gastos precisam ser direcionados para coisas que façam sentido.

Para isso acontecer, uma das grandes propostas é a criação de um exército europeu, de uma força de defesa unificada europeia. Seria a União Europeia na área de defesa. O que não existe. O que não é a OTAN. A OTAN é uma aliança com países soberanos, cada um com seus exércitos.

prontos para lutarem supostamente em conjunto. Mas a OTAN só funciona se o guarda-chuva central, que é os Estados Unidos, que coordena, organiza e preenche todas as lacunas que faltam de cada país, está presente. Sem a presença dos americanos, uma aliança militar com tantos exércitos e forças militares deficitárias não é uma aliança funcional. E aí a ideia, então, seria a construção.

de um grande sistema de defesa europeu.

Vejam, quando os Estados Unidos estavam no auge da Guerra Fria, lidando com a ameaça soviética, os Estados Unidos queriam que os europeus pudessem se defender sozinhos. E ele precisava lidar com outros problemas em outros lugares. Quando a gente tem a Guerra da Coreia, em 1950, os americanos têm que direcionar tropas para lá e naquele momento eles incentivam que os europeus...

crie um exército comum. E isso nasce, uma proposta da criação de um exército europeu, isso acontece em 1952.

Isso é proposto, inclusive, pela França. E vejam a ironia da história. Em 1954, é o parlamento francês que veta essa proposta, porque a França não quer perder a sua autonomia estratégica, a sua independência militar, a sua soberania militar.

E este mesmo pensamento ainda existe dentro da França, mas daqui a pouco eu explico isso. O fato é que aquilo não avançou e a Europa acaba se unificando, se integrando na parte econômica e política.

E esse projeto não avança para a área de defesa. E aí, então, nós temos essa situação que a gente assiste hoje. Uma solução seria a criação dessa Europa unificada militarmente.

Para acontecer isso, a gente precisa da criação de uma espécie de um pentágono europeu. O que seria esse pentágono europeu? Você vai ter em Bruxelas, na sede da União Europeia, uma estrutura inteira para lidar com defesa. E essa estrutura europeia vai emitir dívida, vai financiar gastos militares, vai fazer uma série de coisas. E principalmente...

vai adquirir equipamentos uniformes para todo mundo e vai usar esses equipamentos para construir uma força europeia onde os soldados são enviados por cada país. Não é que os países perderam a soberania, mas eles abriram mão de uma parte da soberania, do mesmo jeito como eles abriram mão...

dessa soberania na questão econômica com a criação do euro. Então, seria algo similar, só que na área de defesa. Você acabaria com os ministérios da defesa de cada país e as aquisições e compras de cada setor e indústria de defesa de cada país europeu e você unificaria tudo isso, ganharia escala, criaria uma estrutura inteira funcional.

Aí os exércitos teriam mais capacidade e você, organizando tudo isso, traria todo mundo para contribuir de uma forma mais igual para uma força militar europeia. A grande pergunta é, isso seria possível? E assim, uma das resistências é que os europeus não querem perder.

a sua soberania militar. Só que o argumento diante disso, a análise mais profunda, mostra o seguinte, os europeus já não têm soberania militar. Então é uma fantasia eles acharem que, ah, não, não vamos criar uma União Europeia de defesa porque a gente vai perder a nossa soberania militar.

Nenhum país da Europa tem soberania militar. Eles têm o seu exército que é uma fachada, uma ficção. Quem defende a Europa militarmente é os Estados Unidos. Isso já é uma terceirização da sua defesa. Isso já acontece desde o final da Segunda Guerra. Portanto, a fantasia dos europeus de que eles têm que preservar uma soberania que já não existe não para de pé.

Óbvio, eles precisam perceber isso e interiorizar essa realidade. Mas é uma realidade. A Europa não é soberana militarmente. Quem defende a Europa é os Estados Unidos, eles delegaram e terceirizaram. Isso é uma divisão de tarefas que surgiu com a criação da União Europeia, que os Estados Unidos tanto apoiou.

e apoiou para manter a Europa segura, para manter a Alemanha contida, a solução seria manter os Estados Unidos lá dentro. Estados Unidos dentro, União Soviética fora e Alemanha contida. Esse era o slogan. Se os Estados Unidos estão dentro...

A União Soviética fica fora e a Alemanha fica contida. E os Estados Unidos dentro, ele integra e faz todos os europeus se unirem, criando um mercado comum, uma potência econômica, aonde a Europa para de brigar entre si e vira um grande mercado gerador de riqueza e prosperidade. E os Estados Unidos cuidam da segurança da Europa. Esse foi o acordo até então.

E se os europeus então perceberem que eles não vão ter a soberania que eles já não têm, aí a gente parte para o segundo ponto, que seria essa criação desse pentágono, e os europeus têm a capacidade de fazer isso.

porque as estruturas burocráticas europeias funcionam, elas conseguem entregar e coordenar uma série de coisas, não só na área econômica, em comércio, fronteira, e poderiam muito bem fazer isso em defesa, se não fosse essa resistência política. Mas essa resistência política vem muito mais por parte dos ministérios da defesa.

ou o estabelecimento militar europeu, do que por parte da população. As pesquisas de opinião hoje já mostram que a maioria dos europeus não se sente seguro e não acha que o seu país, o seu exército e a sua força militar é capaz de defendê-lo das ameaças do século XXI, da geopolítica de hoje.

Porém, eles têm uma confiança muito maior na União Europeia. Então, talvez abra-se um espaço, exista esse espaço para que a Europa construa essa realidade de verdade. Isso...

Criaria alguns problemas e aí os contra-argumentos de por que isso não daria certo. Estou apresentando os argumentos positivos de como isso poderia acontecer. Quais são os argumentos que inviabilizariam a possibilidade disso acontecer? E aí vão, assim, são vários. Primeiro que o financiamento de defesa europeu nada mais é do que a transferência de impostos de certos países da Europa para outros. Então vamos supor que...

A Itália precisa se armar. Da onde vai vir esse dinheiro? Da União Europeia. Da onde que vem o dinheiro da União Europeia? Vem dos pagadores de impostos, dos contribuintes das sociedades que são superavitárias e que são mais austeras, como a Alemanha, como a Holanda. Então, basicamente, o que você estaria desenhando nesse sistema de força militar europeia seria um financiamento...

da defesa italiana ou do sul da Europa por parte dos países do norte. E aí a gente já começa a entrar em entraves políticos, porque se na crise da Grécia e outras crises os países que financiam a dívida dos outros países deficitários europeus não gostavam de financiar, imagina se financiar o armamento desses países. Então esse seria um primeiro obstáculo.

não é fácil de ser resolvido. Depois, além de você criar essa divisão política, você acabaria, por exemplo, com o contrato social alemão.

E a estrutura de funcionamento da economia alemã está fundamentada na Alemanha ser uma potência industrial que exporta, vende muito para dentro da Europa. Esse é o modelo econômico alemão. E essa competitividade alemã mantém a economia da Alemanha pujante, forte, e essa economia sustenta vários dos outros problemas dos outros países. Agora, se você vira e fala assim, a indústria de defesa não vai ser mais nacionalizada.

porque o que seria um exército ou um pentágono europeu seria isso. Vamos produzir tanques na Alemanha, mas vamos produzir mísseis na França, vamos produzir munição na Itália. Você ia dividir tudo isso. Então a Alemanha ia perder uma grande parte da sua capacidade industrial para outros países.

E aí a Alemanha está numa situação difícil internamente. Ia ser difícil de você sustentar essa venda para a sociedade alemã.

Primeiro porque a Alemanha já está enfrentando uma competição muito difícil para se manter como uma indústria forte com a China. Depois que sem a energia barata da Rússia por causa da guerra, a Alemanha também está ficando menos competitiva. Então a situação econômica alemã já não é mais a mesma coisa. E aí você exacerbaria tudo isso dizendo o seguinte, agora a Alemanha.

você não vai mais poder ser uma grande potência industrial, porque nós vamos retirar indústrias daqui e separar pelo continente. Então a Alemanha ia ter que pagar uma conta, ela ia perder a sua capacidade industrial e financiar outros países deficitários. Só um desses assuntos, desses três que eu citei aqui, se a gente pegar só um desses e colocasse dentro da sociedade alemã hoje...

já ia causar uma grande ruptura na teia social alemã e, óbvio, na relação da Alemanha com os outros países da Europa. Imagina você pegar os três e colocar ali dentro, juntos. Então seria insustentável você fazer isso. Aí nós temos um outro problema.

que não é só quem vai pagar essa conta, mas que você precisa concordar, todos os países da Europa precisam concordar qual é a ameaça. E aí existem algumas perguntas, pesquisas de opinião importantes feitas com governantes, especialistas da Europa, todos os países da Europa, que classificam cinco categorias de como eles enxergam as ameaças à segurança nacional europeia.

E a primeira categoria é a Rússia não é uma ameaça importante para a Europa. E aí, quais países estão nessa categoria? Por incrível que pareça, gente, essa é a categoria que tem o maior número de países da União Europeia.

Por exemplo, Portugal, Espanha, Itália, todos estão nessa categoria. Para eles, a Rússia não é uma ameaça à Europa, existem outras ameaças maiores. A segunda categoria seria, a Rússia é uma ameaça, mas não é a principal ameaça da Europa.

Sabe quem está nessa categoria? A França. A França concorda que a Rússia é uma ameaça, mas não acha que é a pior de todas. A França está mais preocupada com o jihadismo, com a ameaça terrorista, com problemas nas suas ex-colônias na África, com imigração, com uma série de outras ameaças. A terceira categoria seria o seguinte.

A Rússia é uma ameaça, mas é uma ameaça igual ou equiparável a outras ameaças existentes. Então, a Rússia é uma ameaça, mas tem ameaças no mesmo nível que a Rússia. E nessa categoria a gente tem países como a Alemanha, como a Suíça, como a Holanda, países que estão meio no meio, entender que a Rússia é uma ameaça, mas não é a principal ameaça.

Quarta categoria já coloca a Rússia como uma grande ameaça, mas ainda assim reconhece que existem outras ameaças significativas. Nessa categoria a gente teria, por exemplo, Noruega e Suécia. A Rússia é a maior ameaça, mas existem outras ameaças. E a quinta categoria final seria a seguinte. A Rússia é a maior ameaça de todos e ponto final.

E óbvio, quem é que está nessa categoria? É a Finlândia, são os Bálticos, é a Polônia, todos os países que fazem fronteira diretamente com a Rússia só entendem que a Rússia é uma ameaça. Então eu classifiquei aqui para vocês cinco categorias de percepção de ameaça. Vejam, vejam como é diferente. E se a gente pegar quem está na categoria 5, não tem nada a ver com a categoria 1.

E como é que você vai fazer todos os países europeus concordarem? Se você vai ter uma indústria de defesa comum, se você vai comprar armamentos comuns, você precisa concordar qual é a ameaça. Porque se a ameaça é terrorista, você precisa de um tipo de armamento. Se a ameaça é a Rússia nuclear, você precisa de outro tipo de armamento. Vejam, então...

Não parece muito fácil para a Europa caminhar para esse lugar também. Existem bons argumentos que alegam que a Europa deveria ir para lá. E realmente, eu citei aqui para vocês. Mas existem outros entraves que não são pequenos.

Um risco grande de você tentar criar uma unidade de defesa europeia é que isso talvez tenha que ser feito na base de um novo tratado. Tratados anteriores, como da fundação da União Europeia, eles criaram muita divisão interna e não passaram. Na Dinamarca, na França, passou por um TRIZ.

Então, se você trouxer um assunto tão controverso como esse, provavelmente o que você pode acabar criando é uma divisão muito maior dentro da Europa.

E se a União Europeia foi criada para trazer a paz entre os países europeus, o que você pode acabar criando com a tentativa de estabelecer um cenário, uma unidade de defesa, é uma grande divisão na Europa e uma briga.

E óbvio que vai entrar as discussões do tipo, e aí, mas a Alemanha vai se armar e isso não é um problema? Talvez volte a ser um problema. Talvez a Europa possa brigar e a União Europeia colapsar se eles tentarem fazer isso. O que sobra?

sobra você armar cada país. E isso eles já estão meio que fazendo, mas isso não vai resolver, porque sem os Estados Unidos, como eu disse, os países não conseguem agir sozinhos. Além de toda a questão do armamento em si, a gente tem uma outra discussão mais importante e relevante.

levando em consideração que a grande ameaça para a Europa é a Rússia, que é a questão nuclear. O que fazer com o guarda-chuva nuclear europeu? E a França veio ao público oferecer o guarda-chuva nuclear das suas ogivas para proteger a Europa. Alguns países, como a Alemanha, falaram, não, tá bom, tô interessado, desde que os Estados Unidos não abandonem completamente.

O fato aqui, gente, é que nessa área ainda é muito mais complicado, porque não tem uma solução realmente nem no curto, nem no médio, talvez nem no longo prazo para a Europa. A Europa precisa se proteger e criar uma capacidade de dissuasão nuclear contra a Rússia.

E a Europa não tem um número de armas nucleares suficientes. Só dois países europeus têm bombas atômicas, que é a França e o Reino Unido. A França tem mais bombas, mais ogivas, do que o Reino Unido. Por volta de 290, o Reino Unido 220.

A França tem uma capacidade de colocar essas suas bombas dentro de submarinos nucleares, o que daria uma resistência a um primeiro ataque e uma capacidade de retaliação mesmo se atacada em primeiro lugar, o que é absolutamente necessário para você estabelecer uma dissuasão nuclear. Então a França tecnicamente tem os meios, mas não tem...

A quantidade de armas. Com 290 perto de 5 mil russas, o número é muito distoante. Dissuasão nuclear não é só sobre números, mas essa diferença de número de 200 ou 400 que se junte com as britânicas ou as do Reino Unido, ainda assim para 5 mil é muito grande. Isso é um incentivo para que a Rússia faça ataques que destruam o arsenal desses dois países. E Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas Sas

E aí, se esses dois países decidirem oferecer essa proteção nuclear para o resto da Europa, qual a garantia que os outros países da Europa vão ter que a França ou o Reino Unido estão dispostos a usar a arma? Porque dissuasão nuclear é sobre duas coisas, principalmente, gente. Primeiro, você tem que ter a capacidade técnica, operacional e militar.

de dissuadir o seu inimigo. O que é capacidade técnica? Você não tem a bomba atômica, você não tem bombas em quantidade suficiente, você não tem os lançadores, você não tem second strike capability, capacidade de segundo ataque, você não tem destruição mútua assegurada. Então não adianta. A segunda é que você tem que estar disposto a usar.

O outro país tem que perceber que você vai usar se precisar. Senão não é dissuasão, você não vai dissuadir ninguém. E aí surgem muitas dúvidas. A França estaria disposta a jogar uma bomba atômica porque a Rússia jogou uma bomba atômica tática, sei lá, na Lituânia ou na Polônia?

Polônia não acreditaria nisso. Então não me parece que essa solução funciona nem pelo lado da capacidade e nem pelo lado da vontade de agir. Aí uma opção para a Europa seria construir uma força nuclear europeia.

E isso seria financiado pelos países europeus, todos iriam financiar a produção de bombas atômicas que ficariam em posse no controle dessa estrutura europeia militar.

E no começo, a França e o Reino Unido dariam algumas das suas bombas, enquanto outras são construídas. E a grande pergunta é, quem vai ter o poder de lançar essa bomba?

teria que ser uma autoridade europeia que não teria uma legitimidade democrática para tomar uma decisão muito complicada e seria uma espécie de conselho, não vai ser um país, quem é o país, quem é o representante disso que vai decidir jogar uma bomba na Rússia, se a bomba é de todo mundo, se é um projeto comum europeu. Imagina, para um presidente tomar uma decisão.

de lançar um ataque nuclear contra alguém já é algo muito complicado e muito difícil de acontecer. Agora, você imagina várias pessoas juntas tendo que tomar essa decisão, o que seria equivalente à ideia da Europa ter a sua bomba atômica. A Europa como um todo. Você precisaria de um conselho supranacional, que não teria legitimidade democrática. E aí, vamos supor que o ataque russo é só contra um país da Europa.

da União Europeia ou da OTAN. E aí o que a Europa iria fazer? Esse país ia ter o direito de pegar essa arma nuclear que é de toda a Europa e que está no seu território e usar num ataque retaliatório unitário, unilateral contra a Rússia?

Vejam, imaginem as complicações disso. É claro que isso não daria segurança, não criaria dissuasão, porque a Rússia não ia achar que esse Conselho Europeu ia lançar uma bomba atômica. E a terceira opção, então, se essas duas talvez não funcionem, a terceira seria simplesmente virar para os países da Europa e falar todo mundo construa sua bomba. E a Polônia já está procurando construir uma bomba atômica.

E a Alemanha também iria construir. Só que para a Alemanha construir uma bomba atômica, ela tem que romper vários dos obstáculos que eu citei para vocês no começo do vídeo. Culturais, legais e assim por diante. Sem falar na questão política que ia suscitar. Pô, uma Alemanha nuclear? Será que a Alemanha não pode perder a mão? Como que a Polônia vê isso? E isso não vai desencadear uma grande corrida nuclear pelo mundo?

Provavelmente vai, mas talvez essa seja a única solução para a Europa. Mas quanto tempo isso vai levar? Quanto tempo demoraria para a Polônia ou para a Alemanha terem uma bomba atômica? Lembra que a Alemanha desligou todas as suas usinas nucleares por causa de questões ambientais depois do acidente das usinas no Japão. Então não me parece que a Europa tem uma saída. E ao provocar...

o Trump desse jeito, a Europa está indo para um lugar muito complicado. E vejam, o secretário-geral da OTAN, que é um ex-político holandês, o primeiro-ministro que ficou mais tempo no poder na Holanda, ele tem uma postura de total submissão ao Trump. Ele repete publicamente o tempo inteiro que a Europa não existe sem os Estados Unidos, do ponto de vista da segurança. E é contraditório ele dizer isso e a Europa querer não ajudar o Trump.

Porque se a Europa precisa, e ele diz isso, então a Europa precisa fazer alguma coisa. Tem alguns problemas. Eu entendo porque ele se posiciona, o Mark, que é o secretário-geral da OTAN, se posiciona dessa maneira. Primeiro porque ele entende que a Europa não vai conseguir lidar sozinha sem os Estados Unidos. A Europa não consegue se defender sozinha sem os Estados Unidos. Depois, ele não quer que os Estados Unidos vão embora.

Só que aí ele tem apaziguado, inflado, agradado o Trump. E o que ele tem conseguido em troca? Nada. Cada vez mais desrespeito por parte do Trump em relação à OTAN e aos europeus. Então não está dando certo essa estratégia. Tem um outro problema nessa estratégia de ficar enaltecendo o Trump e os Estados Unidos, que também sinaliza...

para o MAGA, para o movimento do Trump, que a Europa é fraca, que a Europa é realmente o que o Trump diz que é. E se ela é fraca, por que os Estados Unidos vão continuar ali defendendo ela? Essa não é uma aliança em termos de igualdade.

Por isso que, por exemplo, como eu já disse para vocês, Israel está prontamente querendo demonstrar para os Estados Unidos quem é um aliado confiável, capaz de entregar, capaz de participar, capaz de arriscar soldados, de arriscar a sua vida. O que a Europa não faz.

Então, parece que a Europa está indo para um lugar muito estranho, muito errado, e a sua segurança vai correr muito risco, porque a Rússia vai enxergar isso como uma oportunidade de avanço. Então, a postura dessa forma como a Europa conduziu a guerra, agora no Oriente Médio,

e a possível retaliação que vai vindo do Trump e o dilema que a Europa existe entre criar um exército próprio, manter os Estados Unidos lá dentro ou cada país se armar ou se proteger de uma forma maior. Nenhuma dessas opções parece viável.

O que parece que nós estamos caminhando é para uma Europa enfraquecida de verdade. Isso não vai passar batido pela Rússia de jeito nenhum. Isso vai ter consequências seríssimas para a geopolítica, fortalece demais o eixo da ditadura, gente. E não é impossível a gente assistir, talvez, um movimento russo.

ainda em 2026, dado o desenrolar dessa história toda. Bom, esse assunto é muito interessante, é profundo, complexo, a gente tem que acompanhar para ver para onde ele vai daqui para frente. Vou estar aqui com vocês analisando, vamos ver o que o Trump vai fazer. Ele vai sair do OTAN? Ele vai ser mais duro ainda agora com a Europa? Veremos.

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