MARX ESTAVA CERTO SOBRE O CAPITALISMO? HISTÓRIA DO DINHEIRO EP.9
Neste vídeo, vamos entender quem foi Karl Marx, por que suas ideias sacudiram a Europa do século XIX e como o marxismo se tornou uma das forças políticas mais influentes da história. Partindo da frase de abertura do Manifesto Comunista — “Um espectro ronda a Europa” —, o vídeo mostra como Marx enxergava o capitalismo, a luta de classes, a exploração do trabalho e o caminho que, segundo ele, levaria ao colapso do sistema.Ao longo do episódio, você vai ver como Marx interpretava o conflito entre burguesia e proletariado, de onde vem a ideia de mais-valia, por que ele acreditava que o capitalismo carregava dentro de si as sementes da própria destruição e como essas teorias deram origem a regimes que marcaram profundamente o século XX. Mas o vídeo também entra no outro lado da história: as críticas à teoria marxista, o fracasso econômico de muitos países comunistas e o debate sobre o que ainda resta de relevante em Marx hoje.Mais do que falar de um pensador, este vídeo busca responder a uma pergunta central: Marx estava vendo uma verdade profunda sobre o capitalismo ou construindo uma teoria que o tempo tratou de desmontar?
Desconhecido Desconhecido
- Karl Marx e o capitalismoluta de classes · mais-valia · comunismo · exploração do trabalho · críticas ao marxismo · fracasso econômico de países comunistas · influência de Marx
E aí
Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo. Essa primeira linha do manifesto comunista, que foi escrito em meados do século XIX e talvez o panfleto político mais famoso de todos os tempos. O tal espectro, algo assustador e ameaçador, era uma ameaça ao sistema capitalista existente na Europa na época. E a ameaça vinha de um sistema alternativo.
O comunismo, que segundo seus propagadores, estava prestes a varrer o capitalismo para a lata de lixo da história.
No comunismo, não haveria propriedade privada e os trabalhadores, não os patrões, teriam o controle sobre tudo. As palavras do manifesto foram escritas por dois alemães, Karl Marx e o seu amigo Friedrich Engels. O Marx é lembrado por alguns como uma espécie de profeta social, um grande pensador capaz de ver o futuro como ninguém.
Outros acham que ele é um vilão que levou a economia para um caminho perigoso. Marx fez o seu alerta sobre o fim do capitalismo em 1848, justamente quando as nações europeias pareciam prestes a despencar de um precipício. Na França, a monarquia tinha sido restaurada depois de ter sido derrubada pela Revolução de 1789.
E agora o povo estava novamente furioso com seu rei. Quando Marx publicou o panfleto, manifestações explodiram em Paris. Os protestantes ergueram barricadas e lutavam nas ruas contra os soldados. Marx correu para se juntar à luta. Quando ele chegou, o rei já tinha fugido.
e uma república tinha sido declarada. Multidões de revolucionários em festa enchiam as praças. O fato do Marx ter se juntado à luta mostra a empolgação dele e que vai ficar evidente em algumas frases colocadas logo depois da abertura do panfleto, na continuidade do texto, quando ele diz o seguinte...
A história de toda a sociedade até hoje existente é a história da luta de classes.
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E ele havia previsto a derrubada dos patrões capitalistas, ou a burguesia, pelos trabalhadores, ou proletariado. Ele esperava que aquelas revoltas fossem o começo dessa história toda. Mas poucos meses depois, as revoluções da Europa perderam a força.
O Marx se retirou para a Grã-Bretanha, uma das últimas potências europeias remanescentes que ainda não o haviam expulsado por seus escritos problemáticos. Em Londres, ele se tornou um líder de um círculo de revolucionários estrangeiros.
Ele tinha um olhar intimidador, uma barba longa e usava os seus ensinamentos para expor a suposta estupidez do sistema vigente. E frequentemente repreendia os seus colegas revolucionários em público e gostava de provocar pessoas famosas e poderosas.
Certa vez, ele disse que o filósofo britânico Jeremy Benton era tão seco e entediante que ele devia ter uma língua feita de couro e chamou o primeiro-ministro, Lord Russell, de anão deformado. Marx iniciou um estudo intenso da economia que resultou num enorme livro, o famoso O Capital.
em que ele pretendia oferecer uma teoria completa do capitalismo, já que o Marx tinha a tendência de adiar as coisas e se meter em confusões. Uma dessas confusões, por exemplo, era retratada pelos lojistas, que frequentemente eram encontrados batendo a sua porta, exigindo o pagamento de contas vencidas. A sua mulher e os seus filhos adoeciam com regularidade. Quando uma filha pequena morreu...
Ele precisou tomar emprestado duas libras do vizinho para comprar um caixão. Muitas vezes ele se refugiava na sala de leitura do Museu Britânico, onde devorava livros difíceis de história e economia. E ele voltava para casa carregando grandes pilhas de anotações e passava a noite inteira escrevendo.
Tragando um charuto atrás do outro, com os brinquedos dos filhos e pedaços de móveis quebrados espalhados ao seu redor. Colocar a caneta no papel era frequentemente bastante doloroso, porque Marx sofria de furúnculos horríveis que tentava tratar com arsênico. Finalmente, no fim da década de 1860, cerca de 20 anos depois de ter começado, ele concluiu o volume.
um dos volumes do seu livro, não sem reclamar muito de ter que sacrificar a saúde, a felicidade, a família para chegar no fim. Ele escreveu as últimas páginas de pé na escrivaninha de tão inflamados que seus furúnculos estavam. Quando terminou, ele disse o seguinte, abre aspas, espero que a burguesia se lembre disso até o dia da sua morte, fecha aspas.
Os pensadores utópicos, que nós já falamos aqui antes nas outras edições da história do dinheiro, diziam que o capitalismo envenenava a sociedade humana. E como eles, Marx acreditava que uma nova sociedade era necessária para que as pessoas realmente florescessem. Mas ele achava que os utópicos...
Eram tolos ao pensar que a bondade humana produziria essa mudança. Em vez disso, então, o Marx acreditava que o próprio capitalismo continha as sementes de uma nova sociedade. Ele dizia que a história se desenrolava em uma série de sistemas econômicos. Antes do capitalismo, a economia era governada por tradições feudais. Não havia capitalistas donos de fábricas.
Eram só os pequenos artesões, camponeses e os nobres. E o capitalismo surge quando as pessoas poderosas tomam a terra e montam as fábricas. E os camponeses e artesões tornam-se trabalhadores que recebem salários dos capitalistas.
Seguindo na teoria dele, eventualmente o próprio capitalismo é substituído. Isso acontece por causa da maneira como os capitalistas obtêm seus lucros. Por exemplo, os capitalistas compram matéria-prima, tecido, botões, linha, etc. para produzir um bem, no caso camisas. E depois esse bem é vendido com um lucro.
E de onde vem esse lucro? Para entender isso, é preciso entender de onde vem o valor econômico. Como o Adam Smith e o David Ricardo, o Marx dizia que o valor de um bem é a quantidade de trabalho usada para produzi-lo.
Isso é conhecido como a teoria do valor trabalho. Se uma camisa leva 30 minutos de trabalho para ser feita, então ela vale essa quantidade de trabalho. Como o Smith e o Ricardo, o Marx também acreditava que os trabalhadores ganhavam o necessário para pagar a sua subsistência, uma quantidade mínima de comida e roupa. Suponhamos que, depois de 5 horas de trabalho, os trabalhadores façam camisas suficientes e, depois de 5 horas de trabalho,
para ganhar sua subsistência. E esse é o salário pelo qual o capitalista vai contratá-los. Mas, se a jornada do trabalhador é de 12 horas, tem 7 horas extras, além das 5 necessárias, para garantir a sua subsistência. Esse conceito também é conhecido como mais-valia. Ou seja, o dinheiro que é obtido com a venda das camisas feita durante essas 7 horas extras.
E aí a pergunta que surge é o que acontece com essa mais-valia? Com esse dinheiro obtido com a venda das camisas feitas durante as sete horas extras? E a resposta é, ela vai para o capitalista, na forma do lucro.
O excedente permite que os capitalistas comprem mais máquina e capital. E isso faz a economia crescer. Segundo Marx, os capitalistas estão explorando os trabalhadores no sentido do que eles querem extrair o máximo possível de mais-valia, fazendo-os trabalhar de uma forma dura e prolongada.
Já os trabalhadores querem uma jornada mais curta e salários mais altos. E a competição entre os trabalhadores também mantém os salários baixos, porque aqueles que têm um emprego estão sempre sob ameaça de perdê-lo para outra pessoa. Então, seguindo nessa narrativa, a perspectiva para o proletariado é sombria. O capitalismo transforma a vida do trabalhador em nada além de labuta, e citando Marx, com King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King
abre aspas, arrasta sua mulher e seu filho para debaixo das rodas do rolo compressor do capital, fecha aspas. Para o Marx, o conflito entre a burguesia e o proletariado é uma contradição profunda do capitalismo. Os capitalistas tentam proteger os seus lucros apertando os trabalhadores cada vez mais. Os trabalhadores ficam com uma parcela cada vez menor do bolo econômico.
E, eventualmente, eles simplesmente não têm dinheiro para comprar todas as mercadorias produzidas por eles nas fábricas que eles trabalham. E aí os capitalistas descobrem que eles não conseguem vender tudo o que eles produzem. Por causa de tudo isso, os trabalhadores vão se tornando mais miseráveis e descontentes. E, no final, o sistema inteiro deve entrar em colapso.
Os trabalhadores então se levantam, tomam as fábricas e os campos e estabelecem uma sociedade comunista, que põe fim à exploração. Isso acontece porque na teoria do Marx não deveria existir propriedade privada. Um forno, um guindaste, eles não pertencem a um capitalista em particular. Eles deveriam pertencer à comunidade. As pessoas receberiam aquilo de que precisam para viver e...
em vez daquilo que um patrão capitalista lhes paga.
O comunismo acabaria com essa divisão da sociedade em classes diferentes que estão constantemente lutando umas com as outras. O Marx acreditava que o capitalismo gera muita turbulência e tensão. E por um acaso, nos livros dele, a gente não encontra nenhum sinal, nenhum indício da famosa mão invisível do Adam Smith, pela qual a busca por dinheiro...
na visão do Smith, conduz a harmonia. O Marx acha que, sob o capitalismo, os capitalistas possuem os meios de produção, o capital necessário para fabricar os bens, e os trabalhadores não possuem nada além da sua própria força de trabalho. Ao contrário dos camponeses numa sociedade feudal, que estão presos a um senhor,
Os trabalhadores são livres para trabalhar para qualquer pessoa, mas tudo que eles possuem é a sua força de trabalho, de modo que a sua única opção é trabalhar, no final das contas, para um capitalista e, na visão do Marx, continuar sendo explorado. Os capitalistas, por sua vez, vão conseguir acumular o capital, enriquecer, porque as leis e o sistema político do país com King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King King
permite que eles possuam o capital e mantenham como lucro a mais-valia criada pelos trabalhadores. Na ciência econômica convencional, que vê o capitalismo como algo mais harmonioso, o capital é visto só como uma coleção de coisas.
São os edifícios, as correias transportadoras, as serras, os teares, todos usados para produzir bens finais. Mas para o Marx, o capital não era só isso. Era mais do que isso e tinha a ver com poder.
Segundo ele, o capital depende de uma divisão da sociedade entre aqueles que têm propriedade e aqueles que não têm. E a criação do capitalismo envolve aqueles que têm propriedade ficando com todo o poder. E, para o Marx, entender isso era vital para enxergar a realidade do capitalismo.
E é por isso que ele chamou seus livros simplesmente de O Capital. As ideias do Marx, mais tarde, se desenvolveram em uma visão de mundo, o marxismo, e que se tornou um dos movimentos políticos mais influentes do século XX.
E muito depois da sua morte, sistemas comunistas acabaram sendo implementados na Rússia, Hungria, Polônia, China e em outros lugares. E o Estado assumiu o controle da economia e disse às fábricas e fazendas o que elas deveriam produzir.
No começo, esse modelo gerou um desenvolvimento industrial rápido. Mas as pessoas nos países comunistas frequentemente sofriam privações diárias, como trabalho extenuante em campos de trabalho, e muitas vezes passavam fome.
Isso para não citar a imensa violência que era necessária para impor e manter o sistema de pé. A tarefa do Estado de administrar tantas fábricas acabou se tornando complicada demais. Os produtores tornaram-se ineficientes e lentos para desenvolver novos produtos e métodos. Em vários países comunistas, como os da Europa,
A economia entrou completamente em colapso e o comunismo ruiu. Economistas que vieram depois contestaram muitas das ideias de Marx, como a gente vai ver no próximo vídeo da série, no seguinte. E esses economistas desmontaram a teoria do valor-trabalho e a substituíram por uma teoria diferente. Os mesmos críticos também dizem que os fracassos das sociedades comunistas e os fracassos das sociedades comunistas.
Reais provam que o Marx estava totalmente errado. Na verdade, o que aconteceu na prática e na realidade é uma amostra do que a teoria dele poderia levar. Já os defensores do Marx dizem que a teoria tinha mais a ver com as tensões do capitalismo do que com os detalhes do futuro comunista e argumento que os países comunistas não estabeleceram o sistema que o Marx tinha imaginado.
Esses fãs vão ainda mais além. Eles dizem que ele teria ficado horrorizado com os cruéis líderes comunistas que transformaram a vida do seu povo em trabalho pesado e que não hesitaram em matar quem os questionasse.
Outro ponto que é levantado no debate é que o Marx dizia que a sociedade só estabeleceria com sucesso sistemas comunistas quando já tivessem economias capitalistas bem avançadas e desenvolvidas. Mas a primeira revolução comunista veio no início do século XX, na Rússia, que tinha uma economia agrícola e pobre, e não do tipo capitalista avançado ou desenvolvida que o Marx falava.
Agora, saindo um pouco do debate e voltando para a época do Marx, à medida que o século XIX avançava, havia muitos que, embora preocupados com a situação dos pobres, não achavam que a resposta fosse a derrubada do sistema político-econômico que existia na época.
Eles acreditavam que o capitalismo podia se tornar mais humano. E em muitos países o direito ao voto foi estendido dos ricos para as classes trabalhadoras, que portanto ganharam uma nova influência na sociedade. E alguns governos tentaram amenizar as consequências severas daquele capitalismo primitivo para os pobres. No começo do século XX, por exemplo, a França, a Dinamarca e outros países introduziram...
pagamentos aos desempregados e outros direitos trabalhistas. Os Estados alemães tinham liderado o caminho ao fornecer educação para a massa no início do século XIX e depois os Estados Unidos, França e Grã-Bretanha fizeram o mesmo.
Além disso, aos poucos, os governos também proibiram o trabalho infantil, de modo que as crianças analfabetas e famintas raramente eram enviadas para as minas e para as fábricas. Com tudo isso e com o desenvolvimento econômico propiciado pelo capitalismo,
os padrões de vida do trabalhador médio acabaram melhorando bastante. Isso quer dizer que o Marx é irrelevante? Do ponto de vista da ciência econômica atual, com toda a evolução documentada dos últimos séculos, a resposta é sim, ele é irrelevante. Os conceitos originais do Marx dificilmente se aplicam à realidade que a gente enxerga hoje.
Por outro lado, é impossível negar a influência que o Marx teve e continua tendo na economia, na política mundial, na ideologia, no sonho, no imaginário de muitas pessoas. Mesmo que a teoria mesmo já tenha se provado ultrapassada há muito tempo.
Bom, é isso, pessoal. Mais um para a nossa série aqui da história do dinheiro. Se você não assistiu os outros, assistam todos. É muito interessante. Temos ainda outros pela frente. Espero que vocês tenham gostado. Dê like no vídeo. Segue o canal, ative o sininho e compartilhe com seus amigos.
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