NOVA ORDEM MUNDIAL?
As esferas de influência que definiram a ordem global por décadas estão se redesenhando diante dos nossos olhos. Alianças antigas perdem força, novos polos de poder emergem e regiões inteiras do planeta passam a ser disputadas por atores que, até pouco tempo atrás, não estavam na mesa.Neste vídeo, eu mergulho na história das esferas de influência — como elas se formaram, por que funcionaram e o que está fazendo tudo mudar agora. Da Guerra Fria ao mundo multipolar, passando por disputas econômicas, militares e tecnológicas que estão redesenhando o mapa do poder global.O tabuleiro está girando. A pergunta é: quem vai ocupar os espaços vazios?
Desconhecido Desconhecido
- Influência política e conexõesGuerra Fria · Estados Unidos · Rússia · China · Ucrânia
- Ordem InternacionalConflitos geopolíticos · Domínio territorial · Poderio militar
- Admiração pela América e influência americanaEstratégia de segurança nacional · Alianças internacionais
Olá, gente. Eu quero falar de um assunto que está há tempo em voga, que é uma discussão que supostamente o mundo estaria se organizando em esferas de influência. Talvez vocês já ouviram falar desse termo. Ele é, de uma certa maneira, auto-explicativo. Mas eu vou destrinchar ele para vocês, vou entrar nessa ideia.
Basicamente, o conceito aqui, ou a noção, é de que o mundo está dividido em três grandes esferas de poder. Essas esferas são dominadas pelas maiores potências, de um lado os Estados Unidos, no outro a Rússia e, por fim, a China. E que essa divisão do mundo em esferas...
seria positivo para o mundo e que é isso que está acontecendo. Então, quero hoje aqui debater com vocês, investigar se realmente isso está acontecendo, se isso é bom ou ruim para o mundo, se isso traz estabilidade ou instabilidade. Qual é a história, o que o passado nos mostra sobre essa ideia?
E, claro, que tipo de outras consequências, repercussões, desenrolares tudo isso causa no mundo? Esse tema é bem relevante porque a política externa americana indica, de muitas maneiras, que talvez a gente esteja caminhando para isso. E as pessoas estão botando muita expectativa, muita esperança, talvez muita fé, de que essa seja a solução do mundo.
Vamos ter certeza que isso é dessa maneira. A ideia do vídeo de hoje é, então, entender qual é o status da ordem internacional atual e para onde nós supostamente estamos caminhando e como que no passado essas ordens internacionais foram desenhadas e para onde a gente foi.
Bom, antes de começar, eu quero falar do nosso novo parceiro e patrocinador, a Coinbase, que é uma das maiores corretoras do mundo. Coinbase, para vocês terem uma ideia, ela está listada na Nasdaq, que é uma das maiores bolsas de valores do mundo. Além disso, ela faz parte do S&P 500, que é aquele grupo de 500 grandes empresas.
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Vamos continuar, vamos voltar para o nosso tema. E aí a ideia de esfera de influência. As esferas de influência, elas começam a conferência de Berlim, quando os países europeus estão discutindo o futuro das colônias, isso em 1884. Claro, a gente tem algumas outras instâncias, depois das guerras...
Napoleônicas, o concerto europeu, onde as monarquias estavam tentando impedir que desafios ou que forças derrubassem as suas monarquias do poder e aí elas organizaram o mundo dividindo em espaços para evitar um interferir no espaço do outro, na área estratégica do outro, no quintal, na vizinhança, na região.
E a gente, óbvio, tem os mais recentes que vão na Guerra Fria e Alta, que é o famoso momento ali que Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética se encontram para dividir o mundo, a Europa, e ali se cria uma esfera de influência. Não que os Estados Unidos e o Reino Unido...
consentissem ou quisessem que isso acontecesse, mas eles não tinham disposição, ainda mais sendo uma democracia, para continuar travando guerras e lutando e buscando confrontar a potência soviética depois do resultado da Segunda Guerra, ainda mais Primeira Guerra. Tudo isso, então, deixou os americanos e os britânicos aceitando aquela divisão para apaziguar.
e satisfazer as necessidades, anseios do Stalin, e isso obviamente que...
eventualmente criou outro problema que foi a Guerra Fria. Alguns vão dizer que a Guerra Fria, na verdade, não virou quente, então ela é uma demonstração que as esferas de influência funcionam e elas diminuem tensões, atritos e conflitos. Isso é uma parte do que eu quero conversar aqui com vocês. Claro, então, em outras palavras, esferas de influência é a capacidade de um país e claro, eu vou me apresentar. E aí
Exercer influência sobre o seu território mais imediato. Não é exercer influência no mundo inteiro, porque não dá para você ter como esfera de influência, não está na sua esfera, o planeta inteiro. Então, é óbvio que nós estamos falando da sua região imediata. Por quê? Tudo que está perto de um país é mais importante para ele.
é mais fácil de se chegar. A ameaça real vem mais de perto, vem das suas fronteiras. Então os países, em primeiro lugar, estão preocupados com a sua fronteira, com a sua proteção territorial. Depois, normalmente, o comércio entre nações é sempre maior com quem está perto.
Porque é mais fácil, porque é mais barato, porque é mais natural que você comercialize com os países que estão perto. Então você tem mais relações econômicas, mais dependência, mais interdependência, mais trocas, mais valores mais estratégicos estão colocados ali. Por fim, é mais fácil projetar poder para perto do que para longe.
E essa influência pode ser desde de uma maneira mais agressiva, basicamente você invadindo e dominando os países ao seu redor, ou de uma maneira mais atraente, onde você cria cenouras ou incentivos e mantém todos na sua órbita.
De muitas formas, os Estados Unidos criou esferas de influência baseadas mais nesse modelo. Não quer dizer que os Estados Unidos nunca usem a força para consolidar a sua esfera de influência, mas quer dizer que, no geral, o modelo americano é mais...
focado numa ordem liberal, numa ordem de regras, de comércio, de oferecer atrativos, como, por exemplo, o maior mercado consumidor do mundo. Enquanto os Estados Unidos...
oferece essa potência econômica de consumo, e aí, óbvio, você quer ganhar dinheiro, você quer vender para onde? Para o maior mercado consumidor do mundo. Isso é uma atração, é algo que chama atenção dos países que estão próximos, ou até longe nesse caso.
Se a gente comparar, por exemplo, com o modelo chinês, onde a China quer vender coisas para os países, certamente essa venda desenfreada causa desequilíbrios econômicos e déficits, inclusive vai quebrar indústrias ou negócios locais desses países. Então, por mais que a China também tenha uma presença econômica,
A maneira como a economia chinesa está organizada acaba criando uma sensação de perigo, diferente do que uma economia de consumo pode causar. Mas isso é um detalhe aqui só para esclarecer um pouco do que pode ser a esfera.
Óbvio que quando eu falo que um país pode ter o domínio, ou influenciar o que está acontecendo ali, dificilmente ele vai influenciar 100%. A gente mede essas coisas em grau, como eu sempre explico para vocês. Mas, de uma forma geral, ele exerce uma predominância, uma supremacia, um papel maior do que todos os outros países do mundo, ou outras grandes potências.
Então, a esfera de influência é basicamente isso. Você ter esse domínio, essa prevalência nos seus vizinhos, no seu entorno. Porque o seu entorno é onde está a sua segurança nacional, sua segurança econômica, onde é mais fácil de você controlar. E tem um ponto muito importante da teoria geral de tudo isso, que é bem relevante. Nenhuma potência se torna uma grande potência global.
se ela tem problemas na sua região, se ela não se sente segura, não está garantida, não está consolidada, não tem as suas fronteiras extremamente protegidas, não tem a sua região totalmente dominada. Porque é natural, não adianta você sair de casa para arrumar uma confusão lá no outro lado do mundo, se você tem um problema dentro de casa, você vai ter que voltar correndo para resolver o problema, você tem uma vulnerabilidade extrema.
A regra é muito clara, para você se tornar uma potência global, você precisa ser uma hegemonia regional primeiro. E vejam, olha que curioso, né? Parte da estratégia dos Estados Unidos em se manter com uma supremacia, né? Ou com uma potência global acima das outras, está exatamente em evitar que se criem...
hegemonias regionais, porque ele sabe que o próximo passo da hegemonia regional é partir para um jogo de primeira divisão ou de divisão global. Se a China estiver consolidada na sua região, claramente ela está tranquila para começar a expandir.
os tentáculos do seu poder, projetar poder mais para longe, almejar e ambicionar coisas maiores para além da sua região. E a mesma coisa com a Rússia, a mesma coisa com todas as potências. Então, a estratégia americana sempre foi...
criar rivais ou alimentar ou proteger ou estimular ou se associar a rivais regionais conforme uma das potências locais ou regionais estivesse sobressaindo. Então imagina na América do Sul, o Brasil e a Argentina têm essa rivalidade, o Brasil começa a se consolidar demais, virar quase que hegemônico. Provavelmente os Estados Unidos vai apoiar.
vai incentivar, vai dar mais ferramentas para a Argentina, para que a Argentina então rivalize com o Brasil e o Brasil tenha que parar de olhar para o mundo, parar de gastar dinheiro para fora e focar dentro da sua região, focar com a Argentina.
Essa sempre foi a estratégia de supremacia ou de preponderância dos Estados Unidos no mundo. E foi assim que os Estados Unidos chegou no lugar que ele chegou. Não que desde o começo ele planejou isso, parte dessa condição aconteceu com Primeira e Segunda Guerra, mas aí ativamente quando ele se viu colocado nesse lugar, ele entendeu um pouco dessa lógica. Então, uma vez que a gente está entendendo...
mais ou menos o que é e como funciona, vamos falar do que está todo mundo dizendo ou achando que está acontecendo. E o que está todo mundo falando é as esferas de influência voltaram. A maioria das pessoas estão falando isso e estão dizendo assim, não, o Trump está querendo dividir o mundo em três partes, está querendo dividir o mundo, as Américas ficam com os Estados Unidos, a Europa.
fica com a Rússia e a China fica com a Ásia. Uma divisão bem rudimentar, ou bem genericamente falando, só para entender o argumento. E que isso seria maravilhoso para o mundo, porque a gente vai dividir o mundo em três.
E ninguém mais vai brigar, vai todo mundo ficar em paz e vai dar tudo certo. É isso, a Rússia é muito forte na Europa, os Estados Unidos também, e a China também na Ásia. Cada um na sua região, não tem como contestar, dá o espaço para cada um que todo mundo vai ficar quieto em paz.
E esse argumento é bastante ingênuo, né gente? Bastante, eu diria, até infantil. Porque, obviamente, se potências estão buscando maximizar o seu tamanho, o seu ganho...
E se elas controlaram a sua região, eu acabei de falar para vocês que o natural é que ela busque jogar um jogo maior, numa esfera maior. Ela busque expandir para além da sua região o poder. E muitos usam o exemplo da Guerra Fria para dizer que, sim, olha, foi isso que aconteceu. Na Guerra Fria, o mundo estava dividido em duas grandes esferas de poder, esferas de influência, uma americana e outra soviética, e a gente não teve guerra.
Será que nós não tivemos guerra por isso? Ou porque a gente corria o risco de ter uma guerra atômica e os dois eram superpotências atômicas? Muito mais porque eles eram potências atômicas do que porque cada um estava respeitando a esfera de influência do outro sem invadir e provocar. Tanto que a crise dos mísseis, que é o momento que a gente chega mais perto de uma guerra nuclear na história, é os soviéticos instalando mísseis nucleares em Cuba.
que está dentro da doutrina moral, que está dentro da ideia de que o hemisfério ocidental é um território da esfera de influência americana, que os Estados Unidos exerce a sua influência, inclusive a doutrina moral.
é um desses exemplos de criação de esfera de influência, que por sinal, um parênteses aqui, ela foi inspirada nas políticas de Alexandre I, o tsar russo, que estava expandindo e aí acabou fazendo um acordo com os americanos, entendendo que...
Não, o hemisfério ocidental era um território americano e ele fez isso porque ele não queria provocar e continuar outras guerras e outros conflitos e outras tensões. Mas os próprios americanos fizeram isso porque os europeus não queriam abdicar das suas esferas de influência, que eram as suas colônias. Então, a gente passou por várias etapas no mundo onde o conceito de esfera de influência foi sempre contestado.
os europeus, os franceses e os ingleses, quanto que eles brigaram entre si para ocupar, dominar mais territórios que eram supostamente um do outro na África. A ideia ou a noção de que uma vez que esferas de influência são criadas, as potências vão ficar caladas em silêncio é para quem não conhece a história.
É para quem não sabe o que isso se trata. Acordou hoje descobrindo a geopolítica, viu notícias e falou, não, a Rússia só invadiu a Ucrânia porque ela se sentiu ameaçada num território próximo à sua fronteira, muito dentro de um espaço estratégico seu de segurança nacional, e por isso que ela foi invadir a Ucrânia. Mas a Rússia não vai parar na Ucrânia.
A Rússia não vai querer brigar mais com ninguém se ela estiver se sentindo segura na sua região. Isso não corresponde ao que o Putin diz, onde ele fala que a maior tragédia geopolítica do século XX foi o fim da União Soviética. Ele quer recriar a União Soviética inteira. E vamos só recordar, a União Soviética não foi criada como uma esfera de influência.
constituída, mas como resultado de uma grande guerra mundial, onde sobrou o colapso da Alemanha, da Itália e do Japão, sobrou para a União Soviética todo aquele espaço imenso.
E aí ele fincou a bandeira ali. Não é que simplesmente a Rússia ou a União Soviética conseguiram essa expansão toda pelo seu poderio. Eles se viram num lugar. Então o Putin querer recriar isso já vai muito além de uma esfera de influência. E o exemplo que eu acabei de citar de Cuba é uma demonstração clara.
de que, mesmo com uma esfera de influência gigante, consolidada e imensa, os países continuam tentando ir além. Os próprios americanos abandonaram a Coreia do Sul e depois, quando viram o movimento da Coreia do Norte, voltaram lá para salvar a Coreia do Sul. A mesma coisa no Vietnã, porque eles queriam conter o avanço da esfera de influência dos seus rivais.
E a Guerra Fria foi inteiramente guerras por procuração indireta das duas forças, a Afeganistão também, os russos lá e os americanos tentando conter o avanço deles, e assim por diante, sempre tentando ou aumentar a sua esfera de influência ou impedir que o outro aumente. Ou seja, esferas de influência não trazem...
estabilidade. Não trazem ordem, segurança e tranquilidade para o mundo. Ao contrário, elas potencializam países que vão ficando mais fortes, almejarem e quererem mais. E antigamente, sim, você tinha o controle de território, fazia você ter mais recursos naturais, mais força e, eventualmente, ser uma potência maior. Hoje já não é bem assim, porque...
Controlar territórios grandes na base da força é complicado, é difícil. A economia do mundo não gira no controle específico de um território, mas em cadeias de suprimento globais, onde você tem pedaços das coisas muito longe da sua esfera de influência. Vejam Taiwan. Claramente a China entende que Taiwan é uma peça fundamental da sua esfera de influência e que, eventualmente, a China deve controlar e quer controlar Taiwan.
Só que Taiwan é uma peça central da economia ou da cadeia de suprimento global da tecnologia do mundo, que são os chips. E se os Estados Unidos deixaram a China fazer isso, mesmo sendo a esfera de influência, ou dentro do espaço que deveria ser a esfera de influência chinesa,
os americanos vão estar em apuros. E isso mostra como a ideia de que dividir o mundo em três grandes regiões, com três grandes potências dominando cada uma delas, ela não funciona na realidade, nem econômica, nem logística, nem estratégica, nem de poder e nem da natureza do que os países vão continuar buscando continuamente. É...
E assim, e talvez, né, talvez não, mas com certeza a guerra não aconteceu durante a Guerra Fria porque você tinha duas potências atômicas armadas até o dente, com milhares de armas nucleares prontas para serem lançadas. Esse sim foi o gatilho, tanto que conflitos menores existiram.
E não necessariamente porque tem que deixar o outro ter a esfera de influência. E aí tem uma parte que é muito interessante dessa fala das pessoas, que não permitam, permita que a Rússia e a China tenham a sua esfera. Espera um pouquinho, gente. Esferas de influência, elas não passam a existir porque alguém permitiu.
elas têm que ser conquistadas, construídas. E elas são construídas com força, com atração, com aquilo que eu contei para vocês há pouco. Ou seja, o país, a potência regional, tem que conseguir fazer isso.
E tem que ir lá e tem que ser forte o suficiente, poderosa o suficiente, indispensável o suficiente para que os outros, ou por medo, ou por necessidade, dependência e atração, vão obedecer as vontades e desejos dessa força. Basicamente, o que eu estou dizendo é que os vizinhos...
eles têm que se entregar a isso. Um. Dois. Ela não pode ser sustentada só na força, porque uma hora ela colapsa, como a União Soviética colapsou. Ela tem que oferecer algo a mais, ela tem que ser capaz de criar outros estímulos, outras fontes de sustentação para aquela estrutura, porque como é que você controla um território tão gigante na base da força? Exatamente o que aconteceu com a União Soviética. Chega uma hora que não funciona mais.
E quando você cria uma esfera de influência realmente sólida, as forças externas não conseguem interferir naquilo. É tipo mais ou menos os Estados Unidos não conseguirem penetrar na Coreia do Norte.
que faz parte de uma esfera de influência chinesa hoje, mas já foi russa, aí sim eles conseguiram se consolidar. A partir do momento que qualquer outra potência é capaz de interferir, a esfera de influência não foi construída de verdade. E ela não é construída por combinação, você ligar para o outro e faz um acordo.
O outro tem que ter conseguido aquilo. Então não adianta achar que isso vai acontecer. E um ponto importante aqui dessa história é isso que eu acabei de falar. A ideia dos vizinhos se entregarem. Hoje, se você olhar para a Ucrânia, a Ucrânia não se entregou. E não vai se entregar.
Ah não, ela tem ajuda americana. Sim, ela tem ajuda indireta, com armas, mas ela não tem ajuda de soldados americanos. E não custa nada. E aí é aquilo que eu falei, a esfera de influência não é você não fazer nada.
Você não vai ficar totalmente calado. Os russos não foram lá e colocaram os mísseis em Cuba. Então, ninguém fica totalmente quieto. A Coreia do Norte não avançou em direção à Coreia do Sul e assim por diante. Não ajudaram o Vietnã a resistir aos Estados Unidos. Os americanos não ajudaram os mujahadins no Afeganistão a lutar contra a União Soviética. Isso sempre vai acontecer.
Essa ajuda é necessária, o ponto é, o outro país não é capaz de resistir à ação do inimigo ou da potência regional por conta própria. E a Ucrânia está sendo capaz. E aí a gente pode pegar vários outros exemplos. A Polônia vai ser capaz? Vai!
a Finlândia vai ser capaz? Vai. Ser capaz não necessariamente de resistir, mas vão lutar. Eles não vão se entregar, ou seja, a capacidade de criação da esfera de influência russa não é tão poderosa, não é tão forte assim. Não é. Se fosse, ninguém ia conseguir resistir, todo mundo ia sucumbir, todo mundo ia se entregar. Se a Rússia tivesse conquistado a Ucrânia em um mês...
e partisse para os países bálticos e conquistasse os três bálticos, hoje a Finlândia não estaria na OTAN, provavelmente, e já estaria desesperada negociando e falando, tá bom, o que você quer? Eu já vi que não vai ter como. Então, esferas de influência são criadas porque nações são muito poderosas.
E dar para a Rússia e para a China uma esfera de influência que eles não conquistaram é uma completa maluquice, não faz sentido nenhum. Eles têm que ser capazes de conquistar e criar obstáculos para eles faz parte do jogo. E se a Rússia e a China não criaram obstáculos para o reforço...
da esfera de influência americana na Venezuela ou no Oriente Médio é porque eles não conseguem, porque eles não podem, porque eles não têm recursos, porque eles não estão preparados, porque eles não querem comprar múltiplos provocações simultaneamente, o que indica que eles não são essas potências prontas para criarem as suas grandes esferas de influência.
Esse é o ponto aqui. Por que a Rússia, o Irã, a China foram salvar a Venezuela? E não é que a Venezuela tinha saído da esfera de influência americana. Ela era um irritante aos Estados Unidos, certamente, ela estava se desgarrando. Mas a hegemonia americana na região, ainda na América Latina, na hemisféria ocidental, é muito grande. E aí eu posso dizer o seguinte para vocês.
Os Estados Unidos é o único país dos três que realmente tem uma esfera de influência.
por questões geográficas, que ajudaram demais, porque é um continente isolado por dois oceanos, e isso é um fator puramente geográfico barra geopolítico, que deu essa potência para os Estados Unidos, essa potência no sentido de, tipo, olha, você está isolado, então é difícil da gente acessar e chegar lá e criar problemas, tem que criar problemas mandando navios para mandar um míssil para Cuba, tem que criar problemas...
tentando criar um regime amigo na Venezuela ou comprar portos dentro do Panamá. Tudo isso, tipo, sabe, é algo que não é grandiosamente uma intervenção, uma presença desses países.
aqui nesse continente. Os Estados Unidos detêm uma posição de muito destaque. Existe uma única esfera de influência. Como que a gente mede isso? Compara. A Rússia está tentando capturar um território, a Ucrânia. Todos os outros ao redor...
Estão se armando, estão se juntando à OTAN. Os escandinavos não eram da OTAN, se juntaram à OTAN. A Polônia está se armando até os dentes, falando em ter arma atômica. Os outros países também. A Rússia cada vez mais perde essa capacidade de atrair ou conquistar ou dominar o seu entorno. Os países da Ásia Central estão saindo da esfera de influência russa e indo para a esfera de influência chinesa.
A questão da China é melhor que a da Rússia, mas ainda assim ela está lidando com uma região totalmente diferente na América Latina. A Ásia é um dos lugares com as maiores potências, as maiores potências econômicas, os países que gastam em exército, em defesa, mais do que muitos outros no mundo, populações imensas. Ela não consegue exercer influência sobre a Índia.
Tem um conflito com a Índia. O Japão não é qualquer adversário. Não tem comparação o Japão e o Brasil. O Japão e o México. A Índia e o Brasil. A Índia e o México. Veja, a China está colocada numa região muito mais difícil para ela exercer essa influência com facilidade. Ela está lutando, planejando, fazendo muitos movimentos para fazer um grande cerco a uma pequena ilha. Taiwan.
E sim, ela tem construído outras ilhas e ela está arrumando problema com todos os países da região e todos estão cada vez se armando mais, criando novas alianças entre si, chamando os Estados Unidos para perto, fazendo tudo o que eles podem para conseguir ficar.
protegidos. Então, o que está evidente aqui é que só existe uma esfera de influência hoje no mundo, e essa esfera é a esfera americana. E claro que a esfera dá uma vantagem para os Estados Unidos única e deixar que os outros países avancem sobre outros territórios é o equivalente aos Estados Unidos virarem e falarem assim, bom, a minha esfera já está garantida, por que eu vou facilitar a vida dos outros?
A ideia de que o Trump estaria fazendo isso também não para de pé quando a gente faz um teste mais apurado dos fatos. O Trump está tentando diminuir a capacidade da Rússia de ter um petróleo.
É um preço do petróleo, um acesso ao petróleo, o que alimenta ela para financiar a guerra. O Trump não parou de entregar armas para a Ucrânia, mesmo que sejam os europeus pagando. O Trump não parou de vender armas para Taiwan. O Trump não parou de falar para os europeus gastarem mais dinheiro com armas, vender mais armas para eles. Tudo isso são formas de criar obstáculos para a Rússia e para a China. A mesma coisa acontece na Ásia.
Então, para os Estados Unidos, faz todo sentido continuar fazendo isso. Abdicar disso é simplesmente você conquistar um monte de... avançar um monte de...
no tabuleiro, avançar um monte no tabuleiro, e de repente resolver recuar. Suas peças estarem movimentadas, muito bem posicionadas, e você falar, não, tá bom, eu vou retirá-las de campo. Não tem por que os Estados Unidos retirar isso. Algumas ações do Trump parecem que dão a entender isso, mas o Trump mesmo já viu...
Que nem o Putin, nem o Xi Jinping, nem o Kim Jong-un, nem os iranianos entregam o que prometem. E aí essa ideia de que um acordo entre esses três daria certo pressupõe que eles são confiáveis. E não que o Xi Jinping ou o Putin são confiáveis, mas que o Xi Jinping e o Putin também confiam no Trump. Porque o Trump muda de opinião a qualquer momento e está pronto a usar ferramentas de formas diversas.
claramente, para isso acontecer, teria que existir uma confiança que não existe entre essas três potências e não vai existir, porque elas estão em plena e total competição. A moral da história aqui, gente, é que esferas de influência não são nem forças estabilizadoras e nem forças instabilizadoras. Elas são parte da natureza da política internacional.
Elas são parte da essência do sistema. Sempre você vai ter potências poderosas buscando ter esferas de influência. E você vai ter as outras potências tentando impedir que essas potências tenham esferas de influência. E todo mundo está tentando ampliar o seu e impedir que o outro consiga qualquer coisa.
Essa é a natureza do sistema. Sempre foi assim e continuará sendo assim. Tem muita gente que acha que... Pô, mas e do ponto de vista normativo, legal, jurídico e o direito internacional? Do ponto de vista do direito internacional, isso é um absurdo. Se você olhar com essa ótica ou por essa lente moralizante, ética...
Mas esfera de influência tira autonomia, tira soberania, é imperial, é ditatorial, tira o poder das nações menores. Sem dúvida tira. Mas esse é um mundo onde leis existem. Esse é um mundo onde a gente teria a constituição do mundo, onde os tratados são respeitados, onde a gente tem clareza o que são esses tratados. E esse mundo nunca foi desse jeito.
Em épocas, como eu sempre tenho dito para vocês, de extrema rivalidade geopolítica, o que acontece é que o direito internacional se torna praticamente nulo. Do ponto de vista normativo, olhar para a ideia de esfera de influência e fazer um julgamento que terrível, que horror, isso é injusto.
Não faz sentido nenhum, porque ninguém está respeitando essas regras. Simples assim. Então, não adianta ir nessa análise, ela não corresponde com a realidade, infelizmente, mas é o que é. Tem uma parte que algumas pessoas falam ou acham, ah, os Estados Unidos então virou uma ditadura e vai dividir o mundo com as outras duas ditaduras.
E apesar do governo Trump, da administração do Trump, ter algumas posturas que ferem pilares da democracia, os Estados Unidos ainda é uma democracia.
E tem inúmeros exemplos que comprovam isso. A Suprema Corte dizer que o Trump não pode continuar impondo as tarifas do jeito que pode. Isso é uma grande derrota para o Trump. Uma Suprema Corte que é de maioria conservadora, por sinal. E isso faz o Trump ter que encontrar um outro caminho muito mais burocrático e difícil para fazer o que ele quer. Então, por mais que as pessoas achem isso...
A democracia americana ainda existe. E se ela existe, então essa conversa, essa clareza de que o Trump tem todo o poder e que ele pode negociar com o Putin, não funciona bem assim. E a ideia de que os Estados Unidos se tornou igual aos outros também não é assim.
E outra coisa que todo mundo, alguns advogam e acham que no mundo de hoje é melhor que os Estados Unidos parem de respeitar essas regras democráticas e sigam o modelo chinês, porque a China é muito mais assertiva, muito mais rápida, muito mais veloz, eficiente, toma decisões sem ter que ficar discutindo com todo mundo o que todos querem. E um alerta aqui para quem acha isso é simplesmente...
A história mostra que as democracias são capazes de produzir mais riqueza, mais eficiência, mais inovação.
mais força e ganharem mais guerras. Então, cuidado com a ideia de que se junta, se fecha no seu quintal, deixa a China ali, fazer o que querem e vira também. Estados Unidos deveria virar uma ditadura. Isso não é positivo, não vai ajudar os Estados Unidos no longo prazo. Isso é um problema.
Então, gente, essa noção aí de que o mundo está dividido em três esferas e que os Estados Unidos vão aceitar isso para não brigar com a Rússia, não corresponde à realidade. A briga da Rússia com a Ucrânia não acabou com os Estados Unidos. Não aconteceu nada. Nem mesmo essa guerra no Oriente Médio, que está abrindo uma lacuna, um problema, que é o fechamento do Estreito de Hormuz.
Não é um problema só para os Estados Unidos. É um problema para a China também, é um problema para os europeus, é um problema para o mundo inteiro. Então, os Estados Unidos, eles sofrem com a questão do preço, mas nem com o abastecimento, eles sofrem porque ele é autossuficiente. Então, cuidado com essas conclusões muito fatalistas de que é melhor para os Estados Unidos não brigar com ninguém. Os Estados Unidos estão tentando conter todos.
E se ele abandonar isso, aí sim ele vai estar num lugar difícil e arriscado. Por quê? A própria geopolítica ensina isso. O Mahan tem a tese, o Mahan é um grande pensador da geopolítica, que você controla os oceanos, você domina o mundo e vai ser a maior potência. Só que o Mackinder já explicou, se uma nação dominar a Eurásia inteira, ela vai ser capaz de construir uma grande marinha e desafiar a potência marítima de fora, no caso dos Estados Unidos.
Para os Estados Unidos se manter na posição que ele tem de extrema vantagem, por ser o único com uma grande esfera de influência consolidada, que é as Américas, não adianta ele só se fechar e se trancar dentro das Américas. Ele tem que impedir que os outros sejam capazes...
de ficarem tão ricos, tão poderosos, com o resto do planeta inteiro, porque as Américas é pequena demais comparado com o resto do planeta. E se essas outras forças dominarem o resto do planeta todo, o que sobra para os Estados Unidos é um espaço menor. E ele vai ser proporcionalmente muito mais fraco e menor do que as outras duas ou uma potência que vai surgir dali. E essa potência vai sim vir tirar o trono ou a posição que os Estados Unidos estão.
E isso vai ser um problema porque ela vai construir essa potência naval e vai vir desafiar a posição protegida e segura que os Estados Unidos estão. O melhor caminho para os americanos é continuar criando obstáculo para a criação de esferas de influência.
dos outros, da China e da Rússia. Não precisa ser direto, em confrontos diretos, mas em diretos e apoiando e criando alianças e obstáculos e dando armas e dinheiro e presença e força política e ameaçando e mostrando a sua presença. O Trump, de muitas maneiras, no começo as pessoas acharam que ele está fazendo isso e, na verdade, o que está se mostrando é que ele não está fazendo isso, ao contrário.
ele está projetando o poder americano para fora. Eu sei que ele escreveu na Estratégia de Segurança Nacional que o hemisfério ocidental é o lugar mais estratégico e importante para os Estados Unidos, mas isso é muito mais retórico como uma reafirmação do ponto de partida do poder americano.
ponto de partida e não do fim. E aí, desse ponto de partida, então, você parte para as outras conquistas, para os outros caminhos, para os outros lugares. Óbvio, gente, que isso significa que não tem por que os Estados Unidos entregar isso. E o Trump está mostrando o contrário. Ele está disposto a projetar poder fora.
da sua região. Projetou esse ano no começo do ano na Venezuela? Sim, capturou Maduro, mas foi lá, resolveu o Hamas, atacou o Irã no ano passado e agora foi pra uma guerra com o Irã. Não me parece que os Estados Unidos só vai ficar focando no continente das Américas e porque ele quer recuar e entrar na trincheira e ficar aqui. Pelo menos esse não é o sinal que o Trump tá dando pro mundo. E esse é um sinal...
que talvez traga mais estabilidade do que instabilidade. Parte da instabilidade que nós estamos assistindo, e se nós estamos falando em esferas de influência, é porque nós estamos passando por um momento de questionamento, de transição, de reorganização da ordem internacional. E essa reorganização vem porque China e Rússia estão mais ousadas em realmente tentarem começar...
a criar a sua esfera de influência. E a pergunta é, os Estados Unidos vai deixar e vai entregar direto para eles? Ou não vai tentar lutar? E, óbvio, na maioria da história, os países tentaram lutar. Momentos específicos, como eu falei na Guerra Fria, no final da Segunda Guerra.
o Reino Unido e os Estados Unidos acabaram permitindo, em alta, que a União Soviética tivesse uma esfera de influência. Mas esse é um momento como um produto de uma guerra e não uma entrega. A gente pode olhar para outros exemplos na história como...
os ingleses e os russos com a Alemanha, do Hitler. Saciar a ansiedade dele por terra, nos sudetos e depois na Polônia. E não deu certo. Deixar ele ter aquelas esferas de influência, ele não parou ali. E nenhum país vai parar. Então não me parece que...
essa é a verdadeira explicação do desenho do que está acontecendo no mundo, e a estratégia americana nunca foi assim, e o Trump não está agindo só assim, ele está projetando poder bastante para fora, muito mais do que ele disse que iria fazer, e muito mais do que o Biden e o Obama fizeram. Então, voltamos para os Estados Unidos tentando...
impedir. Por vezes a retórica dele parece que não é isso que ele está fazendo, mas não podemos olhar só para o que ele fala, já falei isso inúmeras vezes para todos vocês aqui, temos que prestar atenção no que ele faz, não só no que ele fala. Política, a fala e a ação são bem diferentes.
É isso, pessoal. Esse assunto não vai morrer, porque essas esferas de influência são bastante relevantes. Então, espero que vocês tenham gostado. Não esquece de dar like no vídeo, segue o canal, ativa o sininho, compartilha com seus amigos, dá uma olhada na Coinbase e também vem conhecer o meu aplicativo Rock Academy. Lá você tem cursos, aulas, o Bunker do Rock, que é um fim de notícias em tempo real. Tudo isso te deixa mega informado.
e pronto para você lidar com o mundo de hoje. É isso, pessoal. Até mais.
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