Episódios de Bola da Vez

Gilberto Silva - Bola da Vez

10 de maio de 202656min
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Ex-jogador é o convidado do programa desta semana.

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Participantes neste episódio3
F

Fábio Santos

HostProdutor cultural
L

Léo Bertozzi

Host
G

Gilberto Silva

ConvidadoEx-jogador
Assuntos6
  • Campeonato Brasileiro de FutebolParalelos entre 2002 e 2026 · Apoio ao torcedor · Ciclos de preparação para Copas · Diferença entre chegar desacreditado e favorito · O legado dos ídolos
  • Vivência internacional na InglaterraAdaptação cultural e de idioma · Diferenças táticas e de intensidade no jogo · O projeto 'Encontros Premier League' · Relação com a imprensa e torcedores
  • Futebol Moderno e InovaçãoO segredo da equipe · A simplicidade na execução · A rivalidade com o Manchester United · A evolução do futebol inglês
  • Carreira de Luis FabianoConquistas como jogador · Experiência na Premier League · Transição para entrevistador · Projeto Encontros Premier League
  • Táticas de FutebolO volante moderno · A importância da marcação · Posicionamento sem a bola · Preocupação com a renovação da posição
  • Análise de Jogadores· EsportesEntrevista com Van Dijk · Entrevista com Bruno Fernandes · Entrevista com jogadores brasileiros · Entrevista com jogadores do Arsenal
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Olá, Furo Esporte, tudo jóia? Que alegria imensa tê-lo conosco em mais uma edição do programa de entrevistas nos canais esportivos Disney, Bola da Vez, no ar desde 1999. E ali, Fabio Santos, daquele lado é a ala do pão de queijo, com fraria mineia. Poderia até falar mais uma característica, mas deixamos quietos, não é necessário. Bom, e... Bertose!

Você quer campeonato nacional grande? O homem tem. Tem a Premier League. O principal campeonato pelo Arsenal. Último título de Premier League do Arsenal. Quer título continental, expressivo, ganho? O homem tem. Copa Libertadores. A única do galo, a única do Atlético Mineiro. Quer Copa do Mundo? Tem.

Disputou três, ganhou de cara a primeira 2002, última conquista de Copa do Mundo no Brasil, o pentacampeonato da seleção brasileira. E muito nos honra, uma vez por ano faz parte do nosso time.

Nosso time de entrevistadores, inclusive, viu? Ó, bota nós três no chinelo aqui. Encontra os Premier League, já alcançando a terceira temporada. Gilberto Silva, nosso entrevistado de hoje, virou, portanto, há três anos, entrevistador.

Os cinco episódios da terceira temporada já estão disponíveis no Disney+. Os primeiros já indo ao ar foram 14 entrevistas com os mais relevantes, significativos personagens do campeonato inglês, do futebol inglês.

Gilberto Silva, que eu conheci 24 anos atrás, pouquinho mais até, 25, um ano antes da Copa do Mundo, eu comentava com você, a primeira pessoa que me falou do Gilberto Silva foi o Carlinhos Neves. Ele, na época, estava trabalhando no Atlético Mineiro como preparador físico. Ele falou, presta atenção nesse meio campo, a gente estava fazendo um jogo de Copa do Brasil. Presta atenção. Que era isso, Pony? 2001.

Presta atenção nesse volante, joga de zagueiro também. É um monstro, vai jogar a Copa do Mundo. A gente só não imaginava que fosse a seguinte. No ano seguinte, conquistou a vaga na convocação daqueles últimos amistosos, mais ou menos como o Danilo, hoje no Botafogo.

vem conseguindo. Deve sacramentar até o dia 18 de maio, tornar isso uma realidade. Tomara que também torne realidade a conquista que veio depois e você conseguiu. Conseguiu muitas coisas, tem uma história lindíssima e normalmente conta a sua história. Escutar a história dos outros pra você é tão divertido quanto. Muito obrigado por ter vindo aqui a Bancada do Bola da Vez. Muito legal ter você conosco.

Pois, já me emocionou com toda essa apresentação. Que belíssimo. Obrigado pela... É uma honra poder estar aqui com vocês, reencontrar novamente o Bertoso e o Fábio, ter a oportunidade de estar junto. A gente nunca...

Nós nunca tivemos uma oportunidade de estar com mais... Infelizmente, não. Então, o Gilberto foi o único com quem você não jogou, né? É, um dos poucos que eu não tive a chance de jogar. É que ele jogou só mais no alto salão, né? Não, é que eu já estou um pouco mais tiozinho, entendeu? Um pouco... Né, Fábio? Mas um prazer imenso poder estar aqui com vocês, voltar aqui a esse programa, Bola da Vez, que já estive aqui em outra oportunidade, foi excelente.

E poder voltar para falar desse projeto maravilhoso, falar do Encontro dos Premier League, que foi sensacional, tem sido desde a primeira edição presente na minha vida e caiu de uma maneira muito especial e que me trouxe, na verdade, um grande desafio, um novo desafio, porque você sair do campo para outras funções que eu faço no futebol.

É totalmente diferente, né? Você tem que pensar um pouco no... Estudar o roteiro que está ali programado, estudar um pouco da vida do atleta, entender, para você internalizar aquilo e extrair o melhor possível do bate-papo, né? E eu falo com eles, é um bate-papo, não é entrevista. Entrevista você dá após os jogos, né? Cada jogo seu você tem suas entrevistas. Aqui com a gente é só um bate-papo para que eles se sintam à vontade.

E tem sido espetacular ouvir as histórias de cada um, cada um com o seu desafio, com a sua expectativa. Cara, tem sido um aprendizado maravilhoso. Dessa terceira temporada, para você em particular, qual foi a entrevista mais desafiadora? A que você, antes de fazer, de repente temia por alguma coisa?

eu estava um pouco mais apreensivo em relação ao Van Dijk. Porque com os brasileiros, por exemplo, eu e o Fábio, a gente nunca teve a oportunidade de jogar junto, a gente se encontrar, mas a gente se encontrou desde o início, parece que a gente já está junto há muito tempo, a gente se conhece, por quê? Porque brasileiros nós já conhecemos a nossa cultura, a gente gosta dessa oportunidade de estar junto, contar a história, ouvir as histórias também. E com os brasileiros a gente encontra essa facilidade.

E acredito também, no meu caso, até por ter jogado na Premier League, ter me tornado uma referência para muitos jogadores. E quando vê um brasileiro chegando ali, é um momento de descontração. Então, já não tem aquele clima de, poxa, uma entrevista, vem com aquelas perguntas que a gente não gosta de responder. Não, eles ficaram super à vontade. Com o Van Dijk...

O que eu achava que seria um pouco mais... Cara, já de cara, ele já quebrou o gelo, já... Pô, não filma meu chinelo. Chegou de chinelo. Chegou de chinelo. Tem aparato todo e o cara chega de chinelo. Ele é gigante, ele é enorme. Mas uma simpatia tremenda. Foi super à vontade, ficou super descontraído.

É engraçado que eu já vi algumas entrevistas do Van Dijk ali em zonas oficiais, na zona missa, ali áreas oficiais de jogo. Ele é mais cisudão mesmo. E o nosso Fora Esporte, vocês dois, Bertozzi e Fábio Santos, vão ver como ele estava soltinho mesmo na presença do super campeão Gilberto Silva. A gente vai acompanhar um mini trecho desse Papo dos Dois.

A música principal que a gente faz para você, as letras diz, Van Dyke passando o balão calmo, e isso é chamado Ghost. Isso é ótimo, por exemplo. Você acha que o estilo de play, que combina o técnico e o controle emocional, reflete sua personalidade? Sim, um pouco. A maioria, mas também...

A calma, talvez, na forma que eu jogo, eu acho que eu tento encontrar o equilíbrio entre calma e, obviamente, estar muito focustado. Eu acho que isso criou o meu melhor estado de mente, de flow.

Léo Bertoz. Tudo bem? Tudo bem, Fihau, Fábio, Gilberto, seja muito bem-vindo. Falou em 2001, foi quando eu conheci o Gilberto também. Não em campo, né? Porque eu já falei do Gilberto de vê-lo no estádio já em 99, no América ainda, né? Começando, dando ali os primeiros passos. Mas eu entrevistei o Gilberto ainda como estagiário. Na primeira convocação dele para a seleção brasileira, né? Ele morava no bairro Preto, ali em Belo Horizonte, né, Gilberto? Então, muito legal fazer parte aí dessa bela trajetória.

E ali era o começo de uma trajetória em seleção brasileira. Muita gente tentando achar motivos para acreditar. Gilberto, 2026, paralelos com 2002. O ciclo acidentado como foi aquele, mudanças de treinador, uma seleção que ainda está tentando se formar. Você vê semelhanças? O Pirral citou, por exemplo, o Danilo, que é um jogador que está atropelando na última hora. Por que o torcedor deve acreditar na seleção brasileira esse ano?

Olha, afinal de contas, cara, nós como brasileiros...

Eu, pelo menos, penso que temos que apoiar a nossa seleção, acho que, independente do momento, porque é muito fácil ser torcedor só quando ganha, só quando as coisas estão bem. Então, é muito fácil, você acaba virando o torcedor da vitória, né? Mas é a hora que o atleta realmente precisa. É nessa hora que, dentro de campo, o atleta precisa sentir que tem alguém que apoia ele. Eu vou ser sempre um torcedor da seleção brasileira. Eu cresci vendo os ídolos, os grandes ídolos.

dos quais eu me espelhei, eu admirei, aprendi a gostar do futebol. Quais eram? Um pouco do Zico, Toninho Cerezo, Reinaldo, muito jovem, Éder Aleixo, lá em Minas, principalmente. Eu cresci sendo torcedor do Atlético. E outros tantos, né? E depois quando a seleção, você vê a seleção de 86 ali com Careca, Miller.

Cara, é maravilhoso ver todos esses ídolos que fazem parte da nossa história. Então, esses caras, esses ídolos, me fizeram me apaixonar pelo futebol de uma maneira muito especial, porque...

Na minha infância, eu nem imaginava que eu teria a oportunidade de me tornar jogador de futebol. Eu só jogava na rua. Mas vendo eles, eu falei, cara, é muito legal ter alguém que nos represente. E o futebol tem isso, essa representatividade de uma nação.

Então, Bertozzi, acho que o que nós temos que fazer, por mais que a seleção tenha atravessado momentos de dificuldade desde a última Copa, e não é a primeira vez, né? Temos que lembrar disso, porque para a Copa de 2002 o Brasil viveu um ciclo de preparação que foi conturbado, mudança de treinadores, poxa, quem vai? Jogador que se lesiona, no caso do Ronaldo, e depois no final teve aquela questão do Romário, vai, não vai? Dúvida em relação ao Rivaldo também, que estava com problema no Júlio.

E outras edições que já aconteceram também com alguns problemas. E nós estamos vendo um filme bem parecido com alguns outros problemas. E qual que é a diferença, talvez se a gente colocasse um pouco, não vou dizer, para comparar no aspecto de colocar que está no mesmo...

Da mesma forma, mas talvez para 2002, a seleção vinha aí de um momento que precisava resgatar. Tinha chegado a uma final de Copa do Mundo. Essa não aconteceu isso. Ela precisava virar o jogo. E aí tiveram outras competições, que o Brasil depois ganhou a Copa América, acho que 2003, né? 2004.

E antes disso, tinha tido algumas conquistas. E aí, o que pesa, você tem o Ronaldo, que foi o melhor do mundo. Você tem o Rivaldo, que foi o melhor do mundo. Você tem o Ronaldo, que depois... A gente tem bons jogadores, mas os marvados... E quando eu coloco assim, não há título de comparação, que acho que não podemos comparar. Acho que nós temos que fazer realmente, apoiar a seleção.

Tem coisas parecidas, né? 24 anos que a gente não ganha uma Copa do Mundo. Era de 70 para 94. Exatamente, como foi para 94. Novamente a Copa nos Estados Unidos. Se a gente for olhar, poxa, tem algo legal. Eu sou mais religioso do que supersticioso. E sou mais de acreditar realmente no trabalho. Acho que a superstição faz parte, acho que faz parte do futebol. Como é que o torcedor Gilberto viveu 94? Como é que eu vivi, cara? Ah, torcendo muito, cara.

Cara, aí, assim, vê,

Eu sempre olhei a seleção, antes de ter a minha oportunidade, como os grandes heróis. Porque a gente tem um país tão maravilhoso como é o Brasil, e a gente sente falta de realmente alguém que nos represente de verdade. E o futebol tem isso, de pessoas que saíram das comunidades, de família muito humilde, muito pobre, e se tornaram...

pessoas relevantes no país, num país tão complexo como é o Brasil, de tanto, tão diverso, é que muitas vezes o que sobra para a gente acreditar são nesses ídolos que fazem parte da nossa infância, da nossa maneira de torcer, de gostar do futebol, gostar do esporte de uma maneira. Isso eu falo do futebol, mas podemos aplicar para outros esportes também. E faz com que a gente tenha esperança que nós teremos um país melhor.

Só que a gente não pode esperar que só a conquista faz com que a gente seja melhor como ser humano, faz com que o nosso dia seja melhor. A gente tem que fazer por onde, né? E fazer por onde é como? Torcer para o nosso país, cara. Torcer para que eles deem certo, torcer para que o Brasil faça uma grande Copa, para que as coisas caminhem bem e que nós possamos ser, acima de tudo, competitivos.

Se o resultado, se nós vamos vencer ou não, vai depender de várias coisas. Como eu já estive depois, 2006, 2010, onde me dá uma frustração também não ter avançado mais. Mas temos que ter a sensação, nós como torcedores, olhar para a seleção mesmo que...

haja muitas dúvidas na cabeça de muita gente, mas que essa seleção, no momento que começa a Copa do Mundo, nos represente da melhor forma possível. Até em cima disso que você está falando agora, Gilberto, dos três ciclos, das três Copas que você jogou, 2002 chega desacreditado, 2006 chega como favoritaça, porque foi uma das melhores seleções que eu vi jogar.

Em 2010, apesar do ciclo ter sido muito bem feito, existia uma certa desconfiança. Não sei por que, né, Pliê? Eu não sei por que. E você não tinha mais jogadores tão brilhantes. Eu acho que é, porque 2006 era muito talento e 2010 era mais competitivo. O quanto isso influencia na chegada de uma competição como essa? Você chegar desacreditado, você chegar favorito. Isso realmente é impactante para jogar uma Copa do Mundo?

Tem o lado bom e o lado ruim, nas duas questões. Quando você não chega como favorito, o lado ruim é que nem todo mundo te respeita.

O lado bom é que você tem tranquilidade para trabalhar, porque você fica ali como... O inglês usa a expressão underdog, né? Ou está correndo por fora ali, meio que um azarão da competição. Então, ninguém se importa. Apesar de que com o Brasil é muito diferente. Ainda existe um respeito muito grande no mundo, porque o Brasil construiu isso ao longo da história. E quando nós chegamos ali como...

como favorito, o lado bom é que todo mundo te respeita muito. O lado ruim é que todo mundo se prepara muito para te vencer, te jogar para baixo. Então, qual que é o cuidado quando você chega como favorito? É não deixar que...

essa coisa do lado de fora, esse favoritismo externo, contamine o ambiente, e aí você relaxa. E o que foi, na minha visão, problemático para nós, a nossa preparação? Ela poderia ter sido muito melhor. Viral esteve lá agora, pô. Estive em Vex agora. Estive em Vex. Recontando aquela história. E para mim, que estive durante todo o ciclo, vivenciando a preparação, as eliminatórias, e chega lá em Vex,

Cara, é tudo que a gente não queria e não precisava. Porque eu acho que a Copa do Mundo é um momento tão especial.

E ele é tão rápido que a coisa que você mais precisa ter, no caso, cada jogador, é tranquilidade para trabalhar. Cara, infelizmente, nós não tivemos. Acho que em algumas ligas a competição terminou um pouco mais cedo. Eu fui até... Até o final da Champions. Até o final da Champions. Eu e o Ronaldinho, nós fomos os últimos a finalizar a temporada.

Na Europa. E algumas ligas... O Big Milsson também que acabou sendo cortado, né? Exatamente. Algumas ligas eu acho que terminou duas semanas antes da apresentação. Eu acho que isso foi ruim também. Acho que alguns baixaram um pouco na condição de física. E você tem muito pouco... Você chegou em Cristo a mais baixa pela perda da Champions?

Ah, você chega, obviamente, chateado, né? Mas quando você chega no ambiente de seleção... Você saiu na frente, né? Tomara a vigada. Exatamente. Ah, você, no aspecto, assim, cara, ninguém gosta de perder, né? Perder é muito ruim. Mas a satisfação que perder aquele jogo que nos dá...

É saber que nós entregamos tudo naquele jogo. Com as condições que a gente tinha, que era diversa, um jogador a menos desde o primeiro tempo. E acaba que a expulsão, já falhou o jogo, né? A expulsão, de uma maneira geral, ela foi ruim para o espetáculo. Imagina o Henry, o Henry perdeu a final da Champions e 45 dias depois, a final da Copa. É.

Sempre tem alguém pior que a gente Mas aí quando você chega num ambiente de seleção Para uma Copa do Mundo é virar chave Mudou É momento de alegria, de contração De poder estar junto Mas ao mesmo tempo tendendo a responsabilidade Mas assim, para mim Foi um pecado muito grande

Eu ainda não, até hoje, não tive a coragem de assistir aquele jogo novamente para entender o que... Brasil e França. Brasil e França. Eu não consegui. Às vezes eu vejo imagem e eu já troco, porque me dá uma certa frustração naquele dia de nós, eu, principalmente sendo jogador de marcação no meio-campo, não ter conseguido parar o Zidane naquele dia, que realmente estava imparável.

Mas são coisas, cara, que você... Acho que uma das principais coisas que você precisa ter quando você ganha e principalmente quando você perde é olhar para trás e falar assim, cara, eu...

fiz tudo o que eu poderia ter feito. Mas naquele momento, eu questiono o que a gente poderia ter feito de melhor. Não foi o caso de 2006. 2006 dava para ter feito mais. Com certeza, olhando para aquele grupo. Vamos falar que o Brasil venceu. Aliás, outro dia a gente rodou no Resenha uma matéria antiga em que eu dizia que o Neymar seria um supercrack. Você lembra disso?

Você falou, puxa, que olhar clínico apurado. Descobriu o mundo. Se fosse o Neymar, ia ser um bom jogador. Eu falei que seria um supercraco. Dá uma olhadinha no que eu disse numa reportagem, num perfil do Gilberto Silva.

da seleção, iniciando a caminhada para o pentacampeonato, ainda em um sã na Coreia, totalmente desacreditada a seleção, como disse agora o Gilberto Silva. Só presta rapidinho atenção no momento em que eu apareço na matéria. Presta mais atenção ainda quando o Gilberto Silva aparece. Pode rodar.

Muito trabalho e pouca conversa. É o lema, o jeito do Gilberto Silva, o substituto de Emerson. Substituto na posição, porque no grito... Ele é mineiro. Mineiro só fala o ai, fica no cantinho ali, faz o dele e...

Não adianta, isso não vai mudar no atleta. Poxa, eu sou bem caseiro. Às vezes, quando tenho uma folga, gosto de estar com meu filho, ir a um restaurante, comer uma comida diferente, que não seja do hotel. Estar às vezes no meu quarto, lendo um livro, alguma coisa assim.

30 de junho, mais ou menos 10 da noite, Brasil campeão do mundo pela quinta vez. Nos títulos, Gilberto Silva costuma se exceder um pouquinho. Nesse, ainda um sonho, é difícil imaginar o que pode acontecer. Aí a adrenalina já é maior, porque você conquistou algo muito importante ali na sua carreira profissional. Ali você extravasa um pouquinho, mas nada de zagueiro, nada de anormal.

Mas você solta aquele grito que você guarda durante toda a competição para aquele momento tão importante que você está vivendo. O grito deve ser alto. Um pouquinho. Demorou quanto tempo para você entender o que representava ser campeão do mundo?

Até hoje eu processo. Já entendeu. Até hoje eu estou processando isso. Porque tem horas com toda sinceridade, meu coração às vezes não cai a ficha. É óbvio que eu sei que existe uma importância, um peso muito grande na conquista. E eu só consigo perceber isso melhor quando eu tenho a oportunidade de conversar com outras pessoas, que esse assunto vem. Esse assunto vem à tona, a gente conversa, vem a...

A maneira como as pessoas se expressam, o olhar, o sorriso, aquela emoção. Cada um da sua maneira, as pessoas se expressam. Eu falei assim, cara, isso é o sentido. E na noite do pós-jogo de Brasil e Alemanha, você não cometeu excessos mesmo? Você cumpriu? Não, nós saímos para um... Aí juntando, tinha uma turma que tinha uma facilidade. Casca grossa.

E foi uma outra turma que era um pouco mais comedida, né? Estava eu, acho que o Clebson, o Polgar. Fomos para um restaurante brasileiro lá e estava tocando samba, uma música. E, poxa, mas assim, muito tranquilo, né? Então, até tem a ver com a pergunta feita agora um pouquinho pelo Fábio Santos, na diferença de dois para seis.

Claro que teve a bagunça de Vex, mas 2002 foi uma Copa também de muita abertura. Por exemplo, os hotéis da seleção brasileira, a exceção do terceiro jogo, foi numa ilha em Sogipô contra a China, os hotéis eram abertos. O pós-jogo, a folga depois dos jogos era liberada ali, eu estava muito, muito próximo ali. E, não vou nem falar, tinha bagunça, talvez tivesse, mas era claro que vocês estavam fechados.

Eu não percebi, de novo, a distância, pode ser uma percepção errada, equivocada, mas eu não percebi o mesmo fechamento quatro anos depois. Eu estou certo na minha percepção?

Eu acredito que o Filipão, ele teve uma... Acho que dentro do planejamento para estar ali, o que foi priorizado na questão do fechamento, o treinamento? Acho que é onde a gente pudesse ter um pouco mais de privacidade. Então, acho que vocês da imprensa estavam ali acompanhando os treinos, mas não tinha nada de torcida. Não, certo. Não tinha torcida. Não tinha aquela confusão toda, que foi em Vegas, cheio de torcedor. Vegas, cara, treino era um jogo.

Exato, e ficou uma coisa exagerada em Vegs. E lá a gente não tinha. E uma coisa interessante, muito legal, depois eu conversando com vários outros amigos da imprensa, falando da proximidade, a relação positiva entre a imprensa e os jogadores, que era super bacana. Às vezes a gente terminava o jantar. Léo, véspera da final da Copa, 11 horas da noite, eu estava gravando no quarto jogador.

A gente tinha essa, digamos, acabava de jantar, a gente batia o nosso papo, às vezes descia para tomar um café embaixo e tinha sempre alguém da imprensa ali, cara, e sentava, batia um papo junto, não tinha aquela coisa de câmera, entrevista, nada, um batismo formal.

Então, era uma relação de respeito e confiança ao mesmo tempo. Porque o jogador de futebol, né, Fábio, sabe? A partir do momento, se ele sentiu que não dá para ter confiança em alguém por algum motivo, alguma interpretação que seja, né, talvez não seja uma boa interpretação, ou algo que ele ficou merecioso, ou o cara falou, mesmo sem querer, ele já se afasta.

E ali existia realmente uma relação muito positiva entre a imprensa, os jogadores, essa certa proximidade. Agora, já o que aconteceu, acho que em Vegues, não vou dizer que uma restrição muito grande quanto à imprensa. Acho que o que houve foi uma abertura muito grande no momento que a gente precisava estar focado no treinamento. Acho que isso houve uma distração muito grande. Agora, já para fechar o ciclo das três, então.

Em 2010, a imprensa era inimiga declarada do treinador. Era uma guerra aberta. Pegou todas as fases, né, Bertal? Ou seja, você saiu... Aí o cadeado se fechou. Acabou. A gente mal tinha contato visual com os caras no treino.

Como é que funcionava isso lá dentro, no discurso? Como é que isso foi trabalhado internamente? Uma coisa que pouca gente às vezes fala, e de repente a responsabilidade foi em cima do Dunga. O Dunga fechou. O Dunga não fechou. Quem fechou foram os jogadores. Nós que fechamos.

justamente porque houve, em 2006, talvez um excesso, uma abertura muito grande. E aí, quando ele chegou para a gente, começou o trabalho para a Copa de 2010, ele tinha trabalhado na Copa de 2006.

Muita informação ele teve também, do lado de fora. E passou para a gente, olha, 2006, o que vocês acham que foi legal, o que vocês acham que não foi legal? Ah, em relação à imprensa, eu estava do outro lado, eu tinha informações e tudo, e o que vocês acham? Passou para a gente o que ele achava, como é que vocês querem fazer? Nós queremos assim, assim, diminuindo. E a culpa ficou só dele, coitado.

Mas, assim, foi uma pena que não houve, digamos, uma relação mais tranquila. Podia ter sido o meio do caminho. Poderia, sim. E acaba que muita gente, acho que pegou pesado um pouco com ele também, né?

E o Dunga não é levar desaforo para casa também. Mas, cara, é uma pessoa espetacular, sensacional, que acho que o que ele fez dentro da seleção, por nós ali, para defender o grupo, tudo que ele podia fazer, ele fez. Tudo que ele podia fazer para nos ajudar, ele fazia no dia a dia. Um cara espetacular e assim, direto. Não tinha essa coisa de meia conversa com ele.

Mas era tudo muito aberto, muito direto, que é o jeito dele de ser realmente uma pessoa fantástica. Ô Gilberto, deixa eu te perguntar, você falou do Zidane em 2006, da atuação dele. Você jogou no mais alto escalão e pegou alguns caras muito bons, né? Quem te deu mais trabalho para você marcar ali no meio campo? Além dele, né?

Cara, nós tivemos um jogo, algumas vezes enfrentei o Messi também com a seleção brasileira, um momento que o Messi despontando, crescendo ali do Barcelona, a seleção da Argentina, Paul Scholes, que era um enfrentamento ali na Inglaterra, Steve Gerrard, Frank Lampa, grandes jogadores, cara.

E aí, nos jogos de seleções, você sempre enfrenta os maiores de cada país. E cada um, cara. O legal é que...

o quanto é bom você enfrentar esses caras, por mais que eles te dêem trabalho. Porque são esses caras que fazem você melhorar. Esses caras, esses bons jogadores que fazem você treinar melhor, porque você sabe que se você não fizer bem feito, esse cara te atropela. E na Inglaterra, pela intensidade que era o jogo, principalmente, eu acho assim, o que eu tinha aprendido aqui no Brasil foi legal, foi importante, para eu ter chegado à seleção brasileira e ter chegado e depois ir para a Inglaterra. Mas chegando lá...

Eu tive que reaprender muitas coisas, melhorar muita coisa do que eu já sabia para poder adaptar, principalmente intensidade de treino. A forma como, por exemplo, aqui a gente tem o nosso bobinho aqui, né? Você faz a roda ali, quem está de fora está doido para jogar um para dentro, né? Lá, pelo contrário, você tem que ferrar com quem está dentro. Por quê? Isso não é apenas um bobinho descontraído, é parte do treino.

É parte do treino. O futebol é muito rápido. Então, o Wenger fazia ali um bobinho, cinco contra dois. Cara, se você não correr lento, você está ferrado. Mas isso é já do jogo. Quem está de dentro é seu adversário. E a questão de você mudar a forma de pensar, de ver o futebol diferente.

E todo treino era muito intenso. Você deu a deixa perfeita, vamos entrar em Inglaterra, que foi a tua vida logo depois da conquista do Penta Campeonato Mundial. Bertozzi, a primeira participação externa no programa vem de alguém que tabelou com você num projeto literário do qual o Gilberto fez parte, né?

Claro, afinal de contas, conta a história do título da Libertadores de 2013, o livro Nós Acreditamos. Você e Mário Marra. Mário Marra e Mauro Bette também. E Mauro Bette. Que conta a história do título da Libertadores. Quem que escreveu o prefácio, foi? Este homem, o Huberto Silva. É uma honra poder ter contado com ele. Então vamos aumentar essa confraria. Mário Marra vai participar do Bola da Vez. Deixou a sua pergunta gravada para o programa. Fala, PlayHall. Prazer estar com você. Um abraço.

Prazer, Fábio, Bertozzi, que honra receber o Gilberto Silva na nossa casa. Gilberto, quero te perguntar sobre a Premier League. Você é uma expressão da Premier League, é muito legal te ver nos encontros, como os jogadores te conhecem, como os jogadores te recebem. E você viveu em uma época que tinha Wenger, que tinha...

especialmente pelas conquistas, Alex Ferguson. O tempo foi passando e outros foram protagonizando. A gente viu também a passagem do Mourinho, a gente viu o Klopp durante tanto tempo. Dá para falar do Pochettino, criando uma história muito legal também no Tottenham. E o que está acontecendo, Gilberto, é que muito se fala do contrato do Guardiola até a próxima temporada. Ou seja...

Vamos perder mais um expoente, né? Depois do Clope, daqui a algum tempo, saída também do Guardiola. Como você vê isso, né? Tantas quebras, tantas quedas, tantas despedidas e ainda assim um futebol e uma competição que encanta o mundo inteiro. Gilberto, uma honra estar com você por perto, viu? É, que prazer, Mário. Obrigado, um grande abraço pra você, cara.

Eu acredito que a Premier League, ele montou, na verdade, um grande produto. Ele embalou muito bem esse produto chamado futebol, que antes a gente conhecia aqui do Brasil, pelo menos eu, o futebol inglês, o campeonato inglês. Hoje pouca gente... Só chuveirinho, campo ruim. Só bola alta, campo ruim. Eles melhoraram o produto em todos os aspectos. Primeiro reorganizaram, criaram a Premier League e, a partir daí, melhoraram os estádios, a condição dos estádios, os clubes melhoraram a infraestrutura.

O Arsenal até hoje continua em melhoria, desde que eu saí de lá. Então, quando eu cheguei em 2002, o Arsenal já tinha um centro de treinamento que não era tão antigo. Era um centro de treinamento novo, que com a chegada do Wenger em 96, eles treinavam no campo do vizinho. Às vezes do lado, não tinha uma estrutura de vestiário bem montada.

se trocavam num hotel próximo e iam para o centro de treinamento para treinar. Com o Wenger, eles criaram toda a infraestrutura de vestiários, para poder atender os atletas. Então, eles melhoraram em todos os sentidos.

o produto. Não é só o dia de jogo, mas os clubes também foram crescendo, aumentando a receita. Então, quando você tem um produto muito bem embalado, muito bem feito, feito o trabalho de... Você falou em melhorias, desculpa te interromper, a gente está vendo alguns gols seus. Você tem saudade da casa antiga? Apesar de você ter marcado história no Emirates fazendo o primeiro gol do estádio, né? Exato.

Adorava jogar no... O Highbrue era algo muito especial também. Aquela coisa do futebol inglês, aquela cultura antiga ali, que foi super importante para mim, para entender o que é a essência do futebol também. Você precisa mergulhar um pouquinho. Mas o que eu vejo é que, independente de quem...

Você falou aí de dois caras que marcaram a época da Premier League, Alex Ferguson e Wenger, por muitos anos aí duelando, não só dentro de campo, mas do lado de fora também, que eles brigavam entre eles. E aí outros treinadores que vieram, o Mourinho, o Guardiola agora, o Klopp. Acho que independente, cada um vai ter seu tempo, seu período de estado ali no país, construindo a sua história, mas a Premier League vai continuar forte porque eles criaram um produto muito bom.

Espero que, a partir do momento que essas grandes personalidades, grandes treinadores vão saindo de cena, nós tenhamos a oportunidade de ver outros grandes treinadores surgindo. A qualidade do jogo mudou bastante também, Gilberto, da sua época para a de hoje? Você vê uma diferença grande de campo mesmo, de jogo? Eu acredito que a forma de jogar mudou muito. Hoje a gente vê um futebol, talvez, muito mais tático.

um atleta diferente também, muito mais atlético do que na nossa época, na época quando eu estive. Então, eu cheguei na Inglaterra em 2002, nós tínhamos ainda, dentro do conceito de liga, um futebol muito aéreo, jogado muito aéreo. O Arsenal era um dos poucos times que diferenciava. Porque o Wenger sempre gostou de um futebol bonito, vistoso, e tanto é que se você olha a equipe, é uma equipe que joga, você vai...

Deu os jogos do Arsenal, você tinha muitas equipes fazendo a ligação direta, o Arsenal pegava, saía de repente contra-ataque rápido. Era um estilo de jogo nosso. E com o tempo isso foi mudando. E com a chegada, principalmente do Guardiola, ele começou, outros times começaram também a fazer esse jogo um pouco diferente, já saindo de trás.

E atualmente o que a gente vê é uma qualidade técnica bem melhor do que era de quando eu cheguei. Porque já não tem mais tanto aquela ligação direta.

Mas eu sinto saudade, cara. Eu sinto saudade daquela, do que a gente tinha um pouco antes, porque eu acredito que existem várias formas de se ganhar um jogo. Então, o que eu vejo hoje, às vezes um risco maior, né? Onde você arrisca a ter, na minha opinião, tá?

Me corrija, me corrija, se eu tiver errado. Só para você ficar tranquilo. Todos os nossos antigos aqui pensam igual a você. Eles adoram esse negócio. Eles detestam esse negócio de correr isso. E se algum goleiro se chatear, pode me mandar mensagem, me corrija. Mas como é você deixar...

O atleta que tem menor condições técnicas com os pés, arma o jogo de trás, acho que pra mim é um risco muito grande. Então, hoje o jogo começa com o goleiro. Por que você precisa começar com o goleiro? Porque você não pode começar com o zagueiro, um volante sai, uma jogada. Então, ele mudou nesse conceito, tem mais riscos, mas eu gosto daquela individualidade que a gente tinha antes. Você tem o Dennis Bergkamp que fazia um drible, dava um passo pro Henri. Você tinha ali o...

Paul Scoles, que fazia uma jogada, o backhand do outro lado fazendo uma jogada bonita. Você tinha o Giggs, o Robert Pires, que a gente jogou junto, o Fred Lienberg fazendo uma jogada. Às vezes tropeçava um pouco, mas driblava o jogador. Você tinha o Canu, que tinha um perfil.

quase dois metros de altura, e de repente ele pegava a bola, você acha que ele vai dar um passe, ele traz a bola, gira para o outro lado e passa com uma facilidade para o atacante. Não atua esse time, não perdeu nenhum jogo. O Campeonato foi campeão invicto. E você tinha também outro brasileiro. Edu, né? Hein, Bertozzi? Edu Gaspar, vem aí também, vai participar do Valariz. Gravou uma pergunta para o Gigi. Fala, Edu!

Fala, Gigi, meu amigo, tudo bem? Tenho certeza que está tudo bem com você, a gente se fala tanto, né, Gigi? Mas eu vou deixar uma pergunta aqui, pedido do nosso amigo André Plirral.

Como foi, Gigi, seu período de adaptação aqui na Inglaterra? Acho que é um assunto que tem muita gente que se pergunta, né? E acham que é fácil chegar aqui na Inglaterra ou em qualquer outro país, pegar as malas do Brasil, chegar aqui e jogar. Conta um pouquinho pra gente como que é adaptação, como que é mudar de país, mudar de cidade.

Centro de treinamento novo, companheiros novos, liga nova, competição nova. Conta um pouquinho, acho que você tem boas histórias para contar, Gigi. Um abraço. Valeu. É, Edu é irmãozão, né? É irmão, cara, porque Edu me acolheu ali de uma forma muito especial quando eu cheguei na Inglaterra. Ele e a Paula, a esposa, eles, né, pra mim, são da família pela forma genuína que eles me receberam na Inglaterra.

Cara, eu fui morar há cinco minutos caminhando da casa do Edu, porque qualquer coisa que eu precisasse, apertasse alguma coisa, não falava inglês. Uma escolha providencial. Sim, e pela facilidade realmente, eu não conhecia ninguém, o único brasileiro do clube é o Edu, ia demorar um pouco. Por segurança mesmo. Por segurança, por segurança também. Mas me acolheu de uma maneira muito genuína, muito especial, ele, a Paula, cuidaram de mim de verdade.

Minha família só foi um pouco depois. Cara, me mostraram tudo da cidade que eu podia. Ó, chegaram pra mim, ó, aqui é o supermercado. Já foram comigo fazer compra, cara, pra casa, né? Me levaram lá, me ajudaram a fazer as compras. Cuidaram de mim, assim, como se eu fosse um filho mais velho. Isso na adaptação foi fundamental. Foi essencial pra mim, porque eu não senti que eu estava sozinho naquele país, né? Tendo que... Tendo que...

Me adaptar com o novo estilo de jogo, novo estilo de vida, com uma cultura diferente, tendo que aprender o idioma. Então, foi fundamental para a minha adaptação. A adaptação ao jogo foi rápida, né? Você já chegou a fazer algo importante, algo de conquista. O jogo, cara, no final das contas, eu consegui até, de certa forma, apesar de ter tido um pouco de dificuldade nos primeiros jogos.

pelo contato físico mesmo, um jogo totalmente diferente que eu estava acostumado aqui no Brasil. Mas, do lado de fora, ter o Edu ali, junto com a Paula, para me ajudar fora do clube, foi fundamental, porque eu não me sentia sozinho. É aquele dilema, né? Você não sabe se você vai bem no campo, te ajuda na adaptação. Mas até que ponto a adaptação te ajuda no campo? Você fica nesse dilema, né? Quando você tem essa segurança de alguém te ajudar...

A chance de dar certo no campo é muito maior. Eu não era o cara que era chatão, toda hora ficava me convocando, né? Mas assim, o que o Fábio falou, dá uma segurança. Essa mesma pergunta que o Edu te fez agora, você fez na terceira temporada de Encontros Premier League com os brasileiros do Chelsea. A gente vai escutar agora o Estevão responder. Estevão e um golinho do João Pedro respondendo para você.

Qual é a diferença que você sentiu nessa transição do Brasil para cá? São duas. A força, aqui na Premier League é incrível. É, nunca veio nenhum lugar. E a velocidade do jogo. Eu brinco com os moleques no meu primeiro jogo, eu ficava perdido, porque a bola uma hora estava aqui, uma hora estava ali. E o jogo é muito rápido, muito dinâmico. E de quando não der os 90 minutos, o jogo não está decidido.

É incrível, pode fazer dois gols, pode sair cinco gols numa partida. Então acho que essas são as duas maiores diferenças. Às vezes no Brasil o jogo vai jogar por um time e acaba no primeiro tempo e já diminui, né?

O André não falou porque ele estava comendo ali. Comeram bem. Comeram bem. Boas entrevistas aí. Comeram bem. Mas eu acho que... Que pena, né? Lamentavelmente, o Estevão acabou se lesionando com gravidade. Mas esse processo de adaptação, né? Quando, assim, os atletas saem daqui do Brasil, acho que uma das coisas que eles têm que...

pensar, não querer comparar, mas ter a curiosidade de aprendiz, de aprender uma cultura nova, aprender rápido, aprender o idioma, porque isso facilita realmente no dia a dia. E, cara, aprende a cultura do local, a cultura do time, como é que se joga, converse com as pessoas. O idioma se aprendeu rapidinho.

Eu lembro que em 2004, a seleção brasileira foi fazer um jogo em Dublin. Eu lembro muito bem você atendendo aos jornalistas em inglês fluente. Sim, eu consegui aprender rápido. Aí entra necessidade também, né? Necessidade de sobrevivência, né, cara? Mas, assim, cara, eu fazia 10 horas de aula por semana.

O Arsson não me dava condição, então acabava o treino, eu descansava. Duas horas por dia, segunda a sexta? Segunda a sexta. Segunda a sexta eu fazia aula. Cara, eu queria ser independente, né? Eu não queria toda hora estar pentelhando o Edu lá, pô, me ajuda com isso, né? Por mais boa vontade que ele aprova. Por mais cômodo também que você. Exato, né? Ô Bertosi, o... Gilberto... Vou pegar rapidinho. O Edu fala que quando ele chegou lá, o Silvinho estava lá, né? Ele falou que ele pentelhou dois dias e o Silvinho falou, ó, chega.

Você aprende inglês ou... Porque teve que acelerar o processo do inglês. Bom, um dos jogadores que você entrevistou nessa passagem pela Inglaterra, um dos brasileiros do Nottingham Forest, dessa vez fez uma pergunta para você. Vai retribuir a pergunta. Morato Zagueirão, no Nottingham Forest, participando do Bola da Vez.

Gilberto, foi um prazer te conhecer. Obrigado pela visita, obrigado por compartilhar o seu tempo com a gente aqui. Você que sempre foi e é um exemplo de profissional, de perseverança, de elegância dentro de campo, jogava de terno.

E eu tenho uma pergunta para você. Qual que era o segredo daquele Arsenal e o que tinha de tão especial para conquistar a Premier League de forma invicta? Um abraço.

Foi muito legal o bate-papo com o Morato. Bom menino, boa cabeça. Muito legal, muito legal. Forte pra caramba. Muito forte, cara. Um monstro, Fábio. Um monte. Eu assustei quando eu cheguei a perder. Caramba, meu. Ainda bem que a gente não trombou. Não vai precisar trombar. Mas foi muito bacana o bate-papo com ele e com os outros meninos lá no Nothraal, né, cara?

Cara, e assim, acho que o segredo daquele time, era um time tão talentoso que talvez a coisa que eu, para descrever mesmo, era a simplicidade de fazer as coisas, fazer coisas complexas de maneira simples. O Wenger tinha uma coisa muito legal, cara, que ele gostava que o jogo fosse bonito, mas simplificado.

Então, todo dia no treino, joga simples, joga simples, no treinamento, passa simples, joga simples. E uma coisa muito legal, por exemplo, eu citei o lance do Bobinho, que a gente fazia o 5 contra o 2, que era uma forma da gente já... O trabalho seguinte, aquilo já era uma preparação, não era um aquecimento somente.

E ele fazia questão que o passe fosse bem feito no bobinho. E que ferre quem está dentro. Porque no jogo seguinte, você vai jogar contra um adversário e vai querer tomar a sua bola. Se você não ficar com a bola, esse cara vai te matar e vai fazer o gol. Mas ele simplificava o trabalho. Ele não inventava. E no treino, por mais qualidade que você via de cada jogador que tinha ali daquele grupo, tinha uns jogadores que eram muito acima da média.

mas a simplicidade, como cada um executava, cada um movimento. E essa simplicidade que fazia a coisa ficar bonita, ficar elegante, ficar produtiva e com resultado. Então era com simplicidade, eficiência para dar resultado. E, bom, você tocou brevemente na rivalidade com o United e o Ferguson. Eu queria entrar mais nesses jogos porque era o ápice de Premier League nessa época.

Fala um pouco sobre isso e se é verdade que o Fábrica está com um pedaço de pizza no pé. É o Pizza Day. É verdade, é verdade. É verdade. Eu não consigo, né? Mas essa rivalidade que existia entre as duas equipes...

é que tornava a competição melhor, esses jogos, onde quando a gente ia jogar lá em Manchester, era sempre muito difícil, ou o contrário. Era o assunto da semana. E não era só do lado de dentro do campo, do lado de fora, porque os dois treinadores também se pegavam ali, o Wenger e o Ferguson. Então era uma... Fazia parte do show. Fazia parte de todo o show, do contexto ali. E eram realmente jogos... Cara, você tinha que estar muito bem preparado.

Era muito bom de se jogar acima de tudo, mas jogos assim, cara, um podia estar melhor, poderia perder para o outro, que estava abaixo um pouquinho. Era assim que acontecia. Agora, pela qualidade das duas equipes, a intensidade era incrível, a rivalidade era...

Era como, assim, não exatamente na essência, mas é como existia um odiando o outro, querendo vencer o outro. Mas tinha, por outro lado, acho que dentro dessa rivalidade, um respeito muito grande, porque quando você olha para o outro lado, era uma grande equipe. Eles olhavam para o nosso lado também e tinha uma grande equipe. Chamaram a briga de cachorro grande. Briga de cachorro grande. Você vê, né? O tempo passa, hoje você pode até entrar.

No Manchester United. Entraram para entrevistar os principais rogadores. E, ó, para dar um gostinho de pizza... Não, mas se eu levar pizza, a gente divide. Não tem problema. Para dar um gostinho de pizza, só um gostinho de pizza na boca do nosso fã do esporte, a gente vai mostrar um trecho do teu papo com um grandíssimo meio campista, o Bruno Fernandes. Pode rodar.

Todo esse tempo aqui no clube, como é que você se enxerga no futuro, a sua história dentro do clube? Como é que você faz uma avaliação de tudo? Não, obviamente é... Eu queria ter ganho mais. Não foi de todo aquilo que eu tinha esperado para mim e para o clube. Mas tive momentos muito bons. Conseguimos chegar a finais. Algumas delas ganhamos, outras não.

mas o meu objetivo sempre foi ganhar as maiores competições e a Premier League faz parte dela. Eu tenho esse sonho guardado em mim ainda e espero conseguir concretizá-lo. E depois, claro, estar na Liga dos Campeões é a competição mais importante.

digamos, a competição onde consegue jogar contra as equipas mais importantes do mundo, da Europa. E é algo que eu quero fazer e quero estar nesse nível para jogar contra os melhores e demonstrar que consigo estar a nível. A Vicente comentou aqui comigo, jogadoras.

Como é gostoso, né? Papo bom, né? A gente é apaixonado por futebol. Esse eu entendi mais, esse eu entendi mais. Não precisa de legenda. Só perguntando, até em cima do Bruno ali, você de Manchester, Casimiro. Casimiro também acho que está indo para a sua terceira Copa, né? Como você vê essa posição? Até como pensando no futuro. Ou algum outro jogador nessa função aqui que tem chamado a atenção? Quando eu olho para o futebol brasileiro e olho para a seleção, eu me preocupo.

Porque quando você sai do Casimiro, quem é outro para a seleção nessa função? Está sendo o Fabinho que é veterano também. São os dois. Eu não vejo outros atletas fazendo essa função que eles fazem. Acho que assim, nós tivemos uma época que começou muito a se falar do volante moderno. Ah, o volante moderno chega na área, ele faz gol, ele está finalizando. Esse para mim é o segundo volante.

Mas muita gente começou a colocar o volante moderno dessa forma. Você pode ser moderno fazendo o que o Casimiro faz, o que eu tive a oportunidade de fazer, outros jogadores da posição, o Maquilele fazia muito bem, o Dunga fez essa posição muito bem, o Mauro Silva, o Mauro Silva até mais nessa função, mais parecido com a minha.

fazendo o trabalho que ninguém gosta de fazer, que é marcar. Ninguém gosta de marcar, mas a grande maioria gosta de realmente estar com a bola. E qual é o grande desafio dessa posição? É você se posicionar sem a bola.

Mas entender qual que é o papel dessa função. Que é o quê, cara? Eu preciso ser o guarda-costas, eu preciso ser o cão de guarda. Então, eu tenho a linha de quatro, três ou cinco zagueiros aqui, eu tenho que ser o cara que protege aqui. Limpa trilho. Limpa trilho. Quando esses caras estão atacando, eu tenho que proteger esses caras para quando eles perderem a bola. Qual que é o meu papel? Eu tenho que pegar a bola e entregar para eles de novo, que é eles que vão criar, vão jogar.

Então, quando a gente sai daí, mas todos esses jogadores que eu falei para você...

todos são modernos, dentro da característica de cada um, porque ele sabe fazer. Ele pega a bola, entrega e posiciona. É um jogo, é simplicidade sem invenção. E para mim, uma das coisas mais sofisticadas está na simplicidade da execução do movimento, você não inventar. Então, me preocupa. Me preocupa. Me preocupa. Wengerzinho. No Arsenal está em boas mãos com o Declan Rice? Não.

O Declan ainda eu vejo ele mais um segundo que o primeiro. Acho que hoje tem a parceria ele junto com o Zubi Mendes. O Zubi Mendes tem sofrido um pouquinho nessas últimas rodadas, tem sido mais criticado. E acho que nessa última partida teve uma partida melhor. Ele com o Thomas Partey funcionava melhor. Acho que era uma parceria mais firme ali. Mas, cara, essa posição...

Depois que você aprendeu a se posicionar, você se posiciona bem e toma a bola, cara, você tem que ser o mais assertivo possível. Você não pode ficar... Aquela ideia, né? Que muita gente fala, ah, volante, burucutu. Cara... Não, posição que acerta a time. Volantezinho me dá volante. Volante centroavante, eu adoro.

rapidíssima parada no Bola da Veis, a gente ainda tem um tempinho de acréscimo aí, a placa vai levantar com 5 minutos que serão vividos no próximo bloco, depois de uma rápida parada, como eu já disse, Bola da Veis com o campeão do mundo Gilberto Silva, a gente volta já.

Tudo bem, pessoal? Grande abraço para todos os companheiros aí do Bola da Vez, especialmente para o Gilberto Silva, né? Meu caro Gunnar, é muito legal poder deixar minha pergunta e também um rápido relato por aqui, aproveitando que eu estou na Inglaterra e tive o privilégio, né, de acompanhar aquele time incrível do Gilberto na época do Arsene Wenger, os Invincibles, né, os Invencíveis que ganharam tantos títulos aqui na Inglaterra.

E naquela época, pelo protagonismo de jogadores como o Henry, craques do time, talvez o Gilberto não fosse o centro de atenções aqui na Inglaterra, pela personalidade também, a posição um pouco mais discreto, talvez. Mas é muito impressionante agora, eu tive essa oportunidade de viajar pelo país recentemente com o Gilberto Silva, nas gravações dessas séries, o Encontros Premier League, já na terceira série.

E me surpreende realmente a moral e o carinho que o Gilberto recebe até hoje. Conta um pouco para a galera como é essa experiência de viajar pela Inglaterra e ter essa interação com torcedores do Arsenal e também de outros lugares da Inglaterra e jogadores atual. Eu acho que vale a gente mencionar isso por ser um brasileiro tendo essa moral aqui na Inglaterra. Então eu deixo minhas saudações, um grande abraço especialmente para o Gilberto. Esse ano é nosso, hein, Giba?

É Gunners. João Castelo Branco, seguramente o repórter que mais entrevistou o Gilberto Silva na sua carreira como jogador. Com certeza. João, pô, nos tornamos amigos. Ele, onde nós fizemos uma entrevista, eu fazendo aula de inglês, aprendendo a falar. Pô, aquela coisa bem pausada, né?

Mas, cara, foi sensacional essa oportunidade de a gente poder viajar junto. Eu e o João, ele nos bastidores, um gunner fanático, está sofrendo um pouquinho agora como eu estou aqui, com a apreensão, a possibilidade de título ou não, nós vamos torcer para que dê tudo certo. E foi muito gratificante ter a oportunidade de viajar em lugares diferentes, onde eu era o rival.

E receber o carinho das pessoas. Então, é super bacana, né? Saber que as pessoas têm uma memória afetiva. E virar para mim e dizer, ah, você era do Arsson, mas poxa, você é legal, bacana. Eu admiro o que você fez, o teu trabalho. Cara, fiquei muito feliz.

Passa aqui a lista de jogadores entrevistados por você na terceira temporada de encontros Premier League. Estevão, João Pedro e André Santos. A gente já viu um trechinho dos três. Gabriel Jesus, Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães. Os Gabriéis do Arsenal não poderiam faltar. Igor Jesus, Murilo, Morato e Jair. Morato e Jair, zagueiros. Três zagueiros, na verdade. Murilo, Morato e Jair. Só o Igor de...

centroavante do Nottingham Forest, Van Dijk, que a gente também viu um trechinho, Igor Thiago, centroavantão aí, com boas possibilidades de estar na lista do Antielote, a lista final, Bruno Fernandes e Matheus Cunha, Matheus Cunha figuraça aí, duas figuras do...

Do Manchester United, a gente viu um trechinho do Bruno Fernandes neste programa. Já estreou na semana passada com o episódio Chelsea, a conexão brasileira. Nesse final de semana, o episódio Arsenal. Olha lá, perfeito. Os três Gabriéis. Episódio Nottingham Forest e a gangue brasileira. O quarto episódio, o episódio Estrelas. E o quinto episódio, Manchester United, pilares do clube imperdível.

Só nesse aperitivo aqui, eu tenho certeza absoluta que o nosso Fora Esporte, se tinha dúvidas se iria assistir a temporada, já não tem mais. Vai ver rapidinho, viu, Gilberto? Muito obrigado pela vinda aqui ao Bola da Vez. O papo com você é sempre muito bom. Obrigado, eu agradeço a oportunidade de poder estar aqui, falar de futebol, coisa que a gente quase não gosta. E 2003, hein, Bertolz? Eita! Vamos ter que fazer o outro, viu?

Só que eu vou fazer. O próximo é só de galo. Só de galo. Tá bom, fechou? Eu quero vir também, né? Não, o time tá mantido. O time tá ganhando, não se mexe. Floreo Esporte, muito obrigado também pela companhia nessa última hora. Você sabe, o Bola da Vez retorna na semana que vem. A primeira exibição sempre aos sábados à noite. E depois, logo depois, encontros Premier League com Gilberto Silva. Tchau, gente!

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