Carol Gattaz - Bola da Vez
A ex-jogadora de vôlei veio ao programa para falar sobre a recente aposentadoria e relembrar sua trajetória.
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- Trajetória de Carol GattazAposentadoria aos 44 anos · Perseverança e resiliência na carreira · Conquista da medalha olímpica em Tóquio · Superação de lesões
- Velodromo OlimpiadasConquista da medalha de prata · Grupo desacreditado e conexão entre jogadoras · Desempenho aos 40 anos · Ritmo intenso da competição
- Corridas e lesõesÚltimo jogo contra o Tijuca · Lesão do joelho direito (LCA) · Lesão do joelho esquerdo (menisco e colateral) · Sentimento durante a última partida
- Saúde como prioridade femininaNecessidade de comissões técnicas completas (médica, mental, fisiologia) · Desafios para atletas mães · Estrutura dos clubes
- Crossfit como Futuro EsportivoInteresse em gestão esportiva · Descarte da carreira de treinadora · Possibilidade de atuar na comunicação
- Campeonato Brasileiro de FutebolCorte para as Olimpíadas de Pequim 2008 · Corte para as Olimpíadas de Londres 2012 · Impacto emocional e superação
- Negócios e ParceriasDupla com Macris · Liderança de Leia no Minas · Importância da base no Minas
- Queda de rendimento de atletasExemplo de Gabi Guimarães · Dietas restritivas (zero lactose, zero glúten) · Foco em objetivos de longo prazo
- Evolução do vôlei femininoMudanças nas regras (ex: dois toques) · Aumento da força e velocidade do jogo
Olá, Fã do Esporte, tudo jóia? Que prazer imenso tê-lo conosco em mais uma edição do programa de entrevistas dos canais esportivos Disney. Bola da vez, no ar desde 1999. Rodrigo Jufo, Glaucia Santiago, meus companheiros de bancada hoje, entrevistadores hoje por aqui. Eu já tinha a primeira pergunta na ponta da língua.
Mas daí eu pensei que a resposta era muito manjada, muito fácil. Então eu mesmo vou responder. Eu iria perguntar a Carol Gattaz, recém-jogadora de vôlei aposentada, esquisito falar isso, se a maior qualidade dela era cantando música sertanejo, se era atacando de China.
ou se era no quesito perseverança. Bom, ao longo do programa, quem por acaso não conhece detalhadamente a história da nossa entrevistada vai entender porque a resposta óbvia é perseverança. Porque...
O que a atleta brasileira, de qualquer modalidade, mais longeva, mais velha não, mais longeva, a conquistar uma medalha olímpica, chegou a tal ponto, conquistou essa medalha, às custas de muita perseverança, muita luta, muito poder de superação, muita resiliência, como as pessoas gostam de falar hoje em dia, Glaucio. Então, já vou para a segunda pergunta.
Carol Gattaz, da tua trajetória, agora encerrada, aos 44 anos, e não dá para falar, pelo amor de Deus, Jufo, que a Gattaz encerrou a carreira porque foi vencida pelas lesões. Porque você ganhou de quase todas. Num placar de vôlei, seria 25 a 1. Mole.
Do que você mais se orgulha? E onde é que você vai depositar tanta energia e tanta força que continuam aí? Muito obrigado por ter vindo à Bola da Vez. Obrigada mais uma vez pelo convite. Estou muito feliz de estar aqui novamente. Bom, foram tantos anos aí fazendo a mesma coisa. Exatamente o que você falou, né? Foi uma lesão. Não me venceu, mas me fez repensar na minha vida. E, obviamente, estou muito feliz. Fico muito feliz da minha trajetória.
Claro que a cereja do bolo foram as Olimpíadas de Tóquio, mas eu acho que... Medalha com quarentinha. Com quarentinha, é. Mas eu sou muito feliz de ter tudo que eu conquistei no vôlei. Eu acho que não só no esporte, mas tudo que eu aprendi com o vôlei, com o esporte. E tudo que me moldou.
para ser atleta, pessoa, nessa perseverança que você tanto falou, que eu acredito que sem perseverança eu provavelmente não teria conseguido chegar até aqui. Mas eu acho também pelo amor que eu tenho pelo esporte, pelo vôlei, e com certeza isso vai ficar para a minha história, para o resto da minha vida, e é onde eu quero, obviamente, colocar agora em outra coisa, que eu ainda não sei onde eu vou depositar essa minha energia. Nem desconfia?
Eu pretendo continuar no meio do esporte, né? Uma das coisas que eu gosto de fazer. Mas, enfim, isso vão ser os próximos passos. Mas, dentro do vôlei, eu quero fazer uma coisa. Já falou pra mim, pro Jufo, ali no café, antes de começar a gravar, que não vai ser como treinadora, né?
Não, treinadora, não, pode esquecer. Não é uma coisa que eu encho meus olhos de paixão para fazer, mas eu quero continuar dentro do esporte, que eu acho que os atletas, em geral, têm muito a acrescentar, e eu acho que eu posso tentar dar uma ajudinha, assim, no quesito, não só dentro de quadra, como eu já dei, mas fora de quadra, eu acho que os atletas são importantes nessa...
Nesse pós, até para dar uma ajuda, enfim, né? Nas pessoas que... Então, vamos falar de gestão, né? Você gosta dessa área? Eu gosto, eu gosto dessa área. Eu acho que tem muita coisa a ser acrescentada por atletas na gestão. Porque eu acho que a gestão é muito corporativa. E claro que são pessoas que entendem do meio corporativo, mas também seria importante os atletas darem os seus pontos de vista. Então, eu acredito que eu possa ajudar aí. Baixinha, Glaucia!
1,75, né? É, mas aí... Colocou a cadeira mais alta do que o apresentador. É, mas hoje, ó, você tinha que levantar a cadeira se você tivesse do lado da Carol. Mas a minha rede aqui tá melhor que a minha. Nossa, a rede aqui. Ó, são 17 centímetros de diferença, é isso? É, dá diferença, dá diferença. 1,75, 1,92. Mas tô com meu soltinho de sempre também, né, Filipe?
E a Carol veio de tênis, para te dar uma força. Que é para manter o nível aqui dessa boa rede, amigo. Prazer estar aqui no Bola da Vez, mais uma vez, para conversar com a Carol. Até a sua primeira pergunta, a gente podia dizer que dá até um empate técnico, viu? Se quiser cantar uma música sertaneja, Carol, fica à vontade, te acompanha. Nossa, é verdade, nós somos do interior, né? Vamos embora. Bom, você está vendo? A gente ainda é caipira, ainda tem isso, meus amigos.
Eu sou do Rio de Janeiro, não tenho muito essa do sertanejo, não é muito a minha parte. É Gatais de Santiago, a nova dupla sertaneja.
Olha aí, gostamos. Boa, boa. Já dá para pensar alguma coisa aí, Carol. Está vendo? Vamos viver da nossa arte. Vamos. Carol, você toca nesse ponto da gestão que talvez seja um caminho para você seguir também no esporte. Falando em gestão dentro do vôlei feminino.
quanto à organização fora, mas também como é o trabalho já hoje dentro das equipes, pensando no esporte feminino de uma forma mais específica, quanto à saúde das atletas, quanto a uma outra logística que a gente sabe que é necessária.
Eu acho que, embora tenha alguns clubes que já estão bem à frente nessa questão, eu acho que ainda faltam muitas equipes a aderirem a essa questão no geral, né? Sobre, obviamente, ter uma ótima comissão técnica, mas também ter essa parte...
médica, mental, fisiologia, tudo isso, fisioterapia, nutricionista, então tudo isso que envolve também a área de saúde, mas para o atleta dentro de quadra. A gente sabe que nós atletas, mais do que nunca, a gente precisa do nosso corpo, mas principalmente na nossa mente. E claro que tem algumas equipes que, como eu falei, já estão estruturadas, já estão pensando nisso, mas ainda tem muito espaço para crescer.
Eu me lembro até uma vez de ouvir atletas dizerem da dificuldade para seguir em outras coisas, outras frentes dentro da vida pessoal. Ah, uma atleta que queria ser mãe e aí não tinha um apoio do clube. Isso ainda é muito comum de entender um pouco mais da realidade da mulher dentro e fora de quadra nos clubes?
Isso tem mudado, né? Eu vejo que tem algumas mulheres e jogadoras que já pensam em engravidar, em ter filhos durante a carreira, então isso é bom. Mas, obviamente, a gente sabe que quando a atleta, como o nosso contrato é anual, né? Quando a atleta pensa em engravidar...
E se planeja, porque tem, obviamente, uma gravidez que não é planejada. E aí o clube tem que dar esse respaldo. Mas se for planejada, é muito difícil que ela vá conseguir ter um contrato de um ano. Então ela tem que parar esse um ano para engravidar.
Depois, para retornar, o time também é uma coisa mais complicada, porque como que ela vai voltar, tendo parado um ano, a concorrência ali. Então, você tem que ser uma jogadora muito extraordinária para você conseguir uma vaga, talvez ganhando um pouco menos do que você ganhava antes da gravidez. Ou seja, óbvio que ainda a gente sabe que tem esses...
esses percalços aí, mas hoje em dia eu já vejo que tem mais meninas pensando nisso já no meio da carreira. Eu queria falar um pouco sobre a sua última partida agora, essa emoção contra o Tijuca, né? Você entrou e fez um ponto na estatística da Karol Gattaz, 100% de aproveitamento.
No ataque, mas queria falar como foi esse sentimento, você entrando em quadra ali nesse último jogo, no Praia, você que é campeã em todos os lugares que passou. Jogou no Minas, foi um grande time, acho que foi o ponto-chave da sua carreira. Foi para o Praia, mas assim, ainda é amada pelas duas torcidas que tem muita rivalidade, né? E eu queria falar sobre essa despedida, vai, despedida dentro das quadras, que vem depois de duas lesões muito sérias, principalmente a segunda.
É, a despedida em si, o jogo em si foi muito emocionante, né? Porque quando nós decidimos, né? Quando nós, eu falo, eu e o Praia, né? A gente decidiu que eu não conseguiria mais ajudar a equipe de alguma maneira, né? Porque eu tava tentando voltar, mas meu joelho não reagia, sempre muito inchado, enfim, com muitas dores.
Então eles falaram, vamos fazer o seu jogo despedida no último jogo do retorno, que seria contra o Tijuca. E aí eu comecei a processar tudo, como que eu iria fazer, como que iria ser. E até o nosso técnico, o Rui, foi super compreensível, porque é difícil. Era um jogo que valia pontos, era um jogo que valia a classificação de onde a gente estava. Mas ao mesmo tempo ele queria me prestigiar ali. Percebidamente.
É, muito obrigada. Mas, você imagina, né? Eu treinava raramente. Então, pra gente que... Pra mim, por exemplo, que treina e sempre joguei em alto nível, eu ficava assim, meu Deus, cadê Rinho Bobo? A gente é muito, né? Crítica com a gente mesma. Mas, assim, eu tava, obviamente, muito ansiosa pra entrar.
E ali, naquela hora que eu entrei, começando o sacaco, já era uma... Todo mundo já olhando para mim, foi uma emoção muito grande. Mas ter podido entrar ali no último set, nos últimos pontos, e ter feito aquele ponto com a Macris, assim, foi... Assim, foi o fechamento, eu acho que eu gostaria mesmo da minha carreira. E foi... Assim, acabou que fez com que fosse... Eu acredito que você não iria se aposentar agora. Talvez a gente tivesse mais uma temporada de caralgatagem, mas as lesões, infelizmente, fizeram com que você...
repensasse isso, né? Se você pudesse ter continuado assim, você teria repensado? Você teria enfrentado aquele primeiro LCA? Se não tivesse tido o segundo, teria continuado? Ou você já estava pensando mesmo em parar ali?
Antes da minha lesão, ano passado, eu já pensava em diminuir meu ritmo e parar. Mas era aquela coisa, né? Antes da lesão eu estava jogando muito em alto nível. Eu já tinha acabado de me recuperar da lesão, era a minha primeira temporada depois da lesão. E eu estava jogando em alto nível. Então, por mais que a rotina já estivesse me incomodando, porque eu queria estar mais perto da minha família, dos meus sobrinhos na época, eu já pensava em parar.
E quando eu machuquei, eu pensei, poxa, se eu conseguir jogar essa temporada, eu vou voltar lá para dezembro ali, se eu conseguir voltar em alto nível e bem, talvez eu fique mais uma. Mas o meu pensamento era, vou aposentar o final da temporada.
E aí começaram as complicações, aí realmente eu tive que escutar meu corpo. Teve um fisioterapeuta meu, o John, lá de Uberlândia, ele falou assim, Carol, escuta seu joelho, né? Tantos anos ele te ajudando aí com várias lesões, mas agora ele não tá querendo voltar. Então escuta seu joelho, pensa nele. Então as pessoas que estavam ao meu redor me ajudaram a entender que realmente era um momento de eu cuidar.
minha saúde. E de certa forma fez com que tivesse uma data também, né? Porque muita gente se aposenta sem jogar uma última partida, sua família estava lá, conseguiu reunir uma atmosfera também em torno disso. E acredito que tenha deixado ainda mais especial para você, né? Sim, com certeza.
Por mais que eu não tenha conseguido avisar todo mundo, porque foi uma coisa muito rápida, eu gostaria de ter tido muito mais pessoas que fizeram parte dessa minha trajetória lá naquele dia, mas realmente minha família toda estava lá, as pessoas mais importantes.
E de fato, era uma data que colocaram. E é óbvio que eu não queria ter sido assim, mas também pensando em retrospecto do ano, como eu também estava fora, eu acho que talvez eu sentiria mais se eu estivesse jogando e não tivesse lesionado e tivesse que parar. Então, eu acho que meio que...
Eu fiquei conformada de ter que parar desse jeito, mas por isso, sabe? Porque senão eu provavelmente não iria conseguir parar. Duas coisinhas. A do direito, a lesão do direito, só de cruzado, te tirou do Jogo de Paris, mas como você acabou de falar, você voltou muito bem. Estava jogando num nível muito alto. A do esquerdo, na hora que ela aconteceu, ainda você sem saber da gravidade. Foi muito pior.
Porque pegou minístico e pegou colateral, além do LCA. Na hora ali da lesão, da dor, você pensou o quê? Na hora da lesão, eu tive certeza que era sério, né? Pela dor, exatamente, né? Porque o direito, na forma que eu caí, eu não senti tanta dor, eu senti um estalo só. E meu joelho falciou. Mas no do esquerdo foi uma dor muito, muito, muito grande.
Primeiro momento eu senti muita raiva, confesso. Na hora eu só não pensei nada mais do que raiva, porque eu falei, caramba, não tô acreditando que tá acontecendo isso de novo comigo. A raiva se sobrepôs à dor. Se sobrepôs à dor, eu ficava, não tô acreditando. Enfim, aquilo lá se sobrepôs.
Mas depois, obviamente, nos primeiros dias a gente fica muito mal, né? Fica se perguntando um monte de porquês, mas ao mesmo tempo, como tinha sido uma recuperação muito tranquila, a do direito, eu já coloquei, não, vai ser bom. Tranquila, mas longa, né? Longa, nove meses. Nove meses é o mínimo. Exato. Nove meses é o mínimo para um ou para outro, era a mesma recuperação. Então, nove meses, eu falei, nove meses vai dar tempo de recuperar.
E eu, enfim, com toda a equipe médica, a gente estava muito confiantes e positivos em relação à minha melhora. E assim, nem um momento eu pensei, não, não vai dar certo. A não ser agora, no final, que meu joelho não respondia, né? Mas no começo, não. Começou a inchar e imagino que te limitasse muito.
Você não podia, claro, jogar na mesma batida da carreira toda, mas você treinava todos os dias. Como é que você lidava com essas limitações?
Não, era péssimo, né? Assim, eu não parei de treinar nenhum dia, né? Desde o momento da minha lesão, eu continuei fazendo, porque a gente tem que fazer fisioterapia, né? E pra gente é um treino, eu só não treinava com bola. E quando eu voltei limitada com as dores e não conseguindo fazer o básico que eu fazia todo dia, era muito frustrante pra mim. Então, eu já ia pra lá meio que sofrendo. Ia pros treinos sofrendo. Porque eu sabia que...
Meu joelho ainda não estava 100%, eu estava querendo antecipar uma coisa, porque eu queria estar dentro de quadro, eu queria estar jogando, ajudando o meu time.
mas eu não conseguia. Então, assim, foi muito frustrante a princípio, quando eu comecei a voltar a treinar. Carol, a gente fala cada vez mais de longevidade para os atletas, né? A gente vê hoje atletas em alto nível, performando com mais de 40 anos, enfim. Você está dizendo, pare até antes, conversávamos aqui, se não fossem os joelhos, você ainda tinha o plano de seguir aos 44 anos. E a sua medalha olímpica, que você chama de cereja do seu bolo, vem aos 40.
Como foi para você, nessa tua, talvez reta final, a gente possa chamar assim de carreira, ter essas grandes conquistas, ver essa longevidade, jogando ainda em bom nível, em alto nível, mesmo com as lesões, o que foi o diferencial aí? É uma questão mesmo de maturidade? Com certeza, esse foi um dos pontos mais importantes, a maturidade é experiência.
E eu acho que talvez eu tenha alguma coisa que aconteceu mais tardia em mim mesmo, que me despertou, que foi o lado de ser atleta realmente. Não que eu não fosse antes, mas existem uns cuidados que são chaves ali para um atleta, e principalmente para um atleta de alto nível.
Que às vezes quando a gente é mais nova, fala assim, ah, mas isso aqui não vai fazer a diferença. Ah, se eu dormir um pouquinho mais tarde hoje, não vai fazer a diferença no outro dia. Ou se eu comer alguma coisa, se eu estiver um pouquinho fora do peso, ah, mas eu vou conseguir jogar no outro dia. E eu descobri isso, né? Óbvio que eu já tinha, mas com o passar dos anos, com essa melhoria dessa equipe médica, de saúde, toda essa questão, eu fui entendendo mais meu corpo.
E juntou isso com a vontade que eu tinha muito de jogar vôlei, esse amor que eu tenho, num time que também me acolheu imensamente, que foi o Minas. Então eu tinha tudo lá, eu queria, era jogar. E isso foi demonstrando e foi demonstrado ao longo dos anos.
E eu não tinha, eu não pensava nada nessa coisa de idade. Eu só jogava, porque eu amava estar ali, eu amava estar treinando, eu amava estar naquele ambiente do Minas, então eu fui jogando e fui treinando. E as coisas foram acontecendo naturalmente. Mas eu acho que, com certeza, a maturidade e a experiência que foram que me ajudaram. Esse estalo, para se ligar mais em horas de sono, alimentação, enfim, cuidados gerais, se deu no Minas, em que momento? Você tinha que idade?
33 anos, 33 para 34. Eu já me cuidava, mas não da forma como eu acho que uma atleta, e uma atleta olímpica principalmente precisa. E você teve algum farol assim? Você se mirou em alguém?
Ah, na época sim, na época eu sempre tive uma atleta que sempre foi uma inspiração para mim, um modelo de tudo isso, desse cuidado com o corpo, que foi a Valeuska. Então eu sempre me inspirei nela e sempre me inspirava nela, porque eu via que era uma atleta que se cuidava assim, demais, né? Sempre estava cuidando da alimentação, do sono, então era uma atleta que eu sempre me inspirei muito.
E ela já fazia isso desde antes. E eu comecei a fazer antes disso, né? Óbvio, com 20, 27, 28 anos eu já era, já fazia. Mas talvez eu não fazia tanto quanto eu deveria. Então, às vezes eu ainda dava umas escapadas. Ah, tinha um final de semana que, poxa, eu saía, eu sabia que eu não poderia sair. Então, eu tive alguns momentos que...
que eu não poderia ir para ser atleta realmente nesse nível. O teu rigor era absoluto? Absoluto, absoluto. Nenhum final de semana não dava uma quebradinha? Claro que sim, mas na época da preparação, por exemplo, de finais de campeonato ou de play-offs, era totalmente focado para aquilo. E a atleta mais, desculpa, mais bitolada que você conheceu nesse sentido foi a Gabi? É a Gabi? É a Gabi.
Com certeza. Eu acho que se ela não fosse assim, não que ela não estaria jogando nesse alto nível, porque ela é incrível, ela é craque, ela é uma nata. Mas a Gabi, de quando eu comecei a jogar com ela, que eu conheci com 18 anos, joguei com ela no Minas. E de agora, e assim, ela sempre se cuidou, mas agora é um nível assim, hard. Conta pra gente os extremos da Gabi.
Não, a Gabi é uma atleta assim que não é que para conseguir chegar ao nível dela de disciplina é muito difícil. De não comer doce, de não beber, ela já não bebia mesmo. Mas de fazer umas alimentações muito focadas para isso, zero lactose, zero glúten.
A longo prazo, por um certo período, às vezes você até consegue. Poxa, eu tenho o objetivo de ir para as Olimpíadas e vou fazer isso para um certo período. Ok, mas ela não. Ela está há anos ali fora jogando em alto nível e ela percebeu que para estar entre as melhores do mundo, e hoje ela é a melhor para mim, na minha cabeça, ela tinha que fazer certos sacrifícios. Que para ela talvez não seja um sacrifício, né? Que ela se cuida muito. Então, ela faz todos esses sacrifícios, vamos dizer assim.
ao longo do tempo, assim, todo o tempo. Então, para ela, no dia a dia de final de semana, ela está ali comendo aquela gororoba que ela diz, né? Ela leva a gororoba. Vocês vão para o restaurante e ela leva a gororoba para. Não, não chega a ser nesse extremo. Mas ela não vai comer exageradamente. Ela já pede alguma coisa meio que focada nisso.
realmente ela é fora do padrão e ela está onde ela está. Não é por acaso também. E nessa sua mudança de chave que você diz no Minas, qual foi a importância também da dupla com a Macris, que hoje também era sua dupla no Praia, essa China imbatível de vocês duas, e também da Leia, que era uma líder naquele grupo. Essas duas peças ali fizeram muita diferença também nessa sua virada na carreira.
Muita, muita diferença. Eu falo que, obviamente, tiveram outras jogadoras que eu tinha essa ligação, mas com a Macris foi uma coisa incrível, assim, porque a gente se entende, né, e se entendia muito só no olhar. Então, eu já entendia como ela estava no jogo, ela entendia meu momento. Às vezes, eu ficava brava com ela no meio do jogo e ela aceitava. E, às vezes, ela vinha para mim e eu, às vezes, eu cobrava dela, ela cobrava de volta. Enfim, a gente tinha essa ligação muito grande.
E a Leia, no Minas, era esse ponto de ligação entre a gente também, porque a Leia é uma jogadora incrível, por mais que ela seja mais quietinha, você vê de fora ela mais quietinha, mas ela está em quadra, cobrando todo momento. E ela é uma menina que, toda vez que ela fala, todo mundo presta atenção. Então, ela é uma líder.
e uma das minhas melhores amigas. Então, assim, ela me deu muito esse background para eu crescer como atleta, como jogadora ali dentro, e líder também, vamos dizer assim, porque, querendo ou não, eu comecei a ser capitã ali no Minas, então, assim, era uma responsabilidade diferente que eu conseguia dividir com ela.
essas questões que você precisa ter alguém ali pra te mostrar. Porque eu não sou 100% certa das coisas, né? Ninguém é, mas assim, às vezes eu mostrava meu ponto de vista, ela não concordava e eu olhava, poxa, eu escuto, escutava o que ela falava. Você é fácil de lidar? Eu sou. Eu acho que eu sou muito exigente, eu sou muito disciplinada.
muitas vezes explosiva, mas eu acho que eu sou, eu acredito que eu seja bem consciente das coisas que precisam ser feitas e também gosto de ouvir todo mundo. Eu acho que não tem, porque por eu ser capitã, eu não sou a dona da verdade, pelo contrário, eu acho que todo mundo tem que ser um pouquinho de capitã.
E isso se fez muito no Minas, porque a partir do momento que a gente começou a construir aquela equipe, aí foram chegando, obviamente, jogadoras super importantes que passaram por lá. E foi a Pridaroit, a Rosa Maria, a Jaqueline, depois a Gabi, a Nath, enfim, outras muitas que chegavam e entendiam o nosso sistema, porque a nossa base era ela.
Era aquela, era eu, Leia, Macris, estávamos sempre ali. E aí foram indo e voltando jogadoras e foram entendendo essa base que a gente criou. Então, por isso que eu falo que essa base sempre foi muito importante para o Mies. E chegar numa Olimpíada, com a Macris também, nos seus 40 anos, numa seleção que você era muito experiente, mas não tinha jogado uma Olimpíada ainda. E a seleção também que estava naquele momento, acho que tinha a Garay, né? Campeão Olímpico, a Tandara que saiu por doping ali na semifinal, quase.
E acredito que a Natália também, só essas três campeões olímpicas. Então era uma geração, você de uma nova geração aos 40. Éramos novos, sim. Mas todo mundo vivendo aquilo junto, aquilo pela primeira vez. E como foi conseguida esse passo aos 40 anos? Uma das coisas que eu estava muito confortável era porque a Macris estava lá. A Macris é a levantadora da sua vida.
Ah, com certeza. Com certeza, é. Essa China. Eu falo que... Não tem gamuva. É, porque na verdade a gente... Eu sabia... Óbvio, né? Tinha jogos que não iam tão bem, que exatamente ninguém... A gente não consegue uma consistência sempre. Mas era uma jogadora que eu entendia muito o ritmo dela e eu sabia que ela ia confiar. E ela confiava também muito em mim, então...
Ela sabia que eu ia estar toda hora puxando. Então, eu vejo que a gente tinha essa confiança muito grande. E justamente por isso, quando eu entrei lá na seleção, eu sabia que ela ia estar lá. E na época ela era a titular, né? E a Roberta, que eu também me dou super bem com a Roberta jogando, que é um jogo super cadenciado, mas muito certinho, sabe? A Roberta tem uma bola muito certinha, muito segura, que eu adorava também jogar com ela.
E quando ela estava lá, a Macris estava lá, eu sabia que eu poderia performar meu jogo, né? É uma Olimpíada que todo mundo entra... Ah, o Brasil não vai chegar nem nas quartas, em Tóquio. Que isso, a Central de 40 anos, ganha da Rússia. É.
É, foi uma, vou te falar que foram umas Olimpíadas muito especiais pra gente, principalmente que tava lá, era um grupo desacreditado. Muitas meninas antes tinham pedido dispensa, antes da 2019, enfim, muitas tinham pedido dispensa naquela época. Então, assim, pra gente era muito legal, nove meninas nunca tinham disputado umas Olimpíadas, todo mundo queria muito e o grupo era muito bom. A gente tinha uma conexão muito gostosa naquele grupo.
E, obviamente, particularmente, eu falo que eu quebrei alguma barreira estando ali, porque muitas pessoas não acreditavam que eu pudesse performar bem.
com 40 anos, numa competição de alto nível como eram as Olimpíadas. E outra, né? As Olimpíadas, para a gente, duram 14 dias, né? Do primeiro jogo até o final. E um jogo atrás do outro. Ou seja, é um dia sim, dia não, jogando, e no outro dia, que a gente tem folga, a gente treina. Então, é um ritmo muito pesado.
Então, as pessoas, às vezes, não acreditavam que eu ia conseguir manter, porque a Superliga é um jogo aqui, depois, uma semana depois. E na Olimpíada, o nível de exigência é imenso. Você acha que essa prata...
foi muito pelo ambiente também, porque você viveu duas gerações, você viveu a geração, você pode não ter ido na Olimpíada, mas você viveu a geração 2008, 2012 e viveu essa geração. Você acha que o ambiente dessa você guarda, assim, era um ambiente fantástico entre vocês, que dava para ver que até hoje vocês todas estão super bem e você acha que isso foi fundamental para chegar nessa final?
Para mim, Carol, Gattaz, nada, nenhum, nenhuma seleção se compara ao que a gente teve em Tóquio. E é o que eu vivi várias. Eu vivi em 2004, porque eu cheguei na seleção em 2003. Você diz o quadra e extra quadra. Quadra e extra quadra. O ambiente entre nós ali, sem dúvida nenhuma...
o ambiente melhor que eu já tive. Eu tive a geração de 2003, tive a minha geração, que eu falo que é a minha geração de 2005 até 2012, que foi quando eu não fui para as Olimpíadas, e depois essa geração, né? Aquela outra eu não peguei, mas, assim, sem dúvida nenhuma, foi o melhor ambiente. E quem pegou um pouquinho do ambiente passado, que foram poucas, não foram muitas, mas quem pegou o ambiente das passadas também falam que esse grupo é incomparável, assim.
Então, eu posso dizer com propriedade que... 8h12, que você participou dos ciclos, mas não da Olimpíada, acabou sendo cortada em ambas, e em ambas o Brasil conquistou a medalha de ouro, você demorou quanto tempo para se resolver sobre não ter estado nas duas conquistas?
Foi difícil. Para mim, a pior, com certeza, foi a de Pequim, né? Foi a 2008. Porque eu achava que eu estava super preparada e realmente eu tinha jogado todos os campeonatos. Desde 2005, né? Que é o ciclo olímpico. Até 2008 eu tinha ido para todos os campeonatos com a seleção. Então, eu tinha jogado, eu tinha tido oportunidade de jogar mais efetivamente. Eu participei.
Então, talvez eu sabia que eu não ia jogar de titular, porque tinha a Fabi e a Valeuska na época imbatíveis ali. E a Thaisa também surgindo ali. Ela surgiu em 2007, mas já era um fenômeno. Mas eu achava que eu poderia estar naquele grupo, por ter feito parte de tudo isso.
Então, para mim, foi muito dolorido aquele corte. Então, eu demorei bastante para entender e para superar. Eu vi, inclusive eu comentei. Em 2008 você já comentou? Já comentei. Eu comentei aqueles jogos total, inclusive na final, enfim. Até falei com as meninas lá, porque elas levaram um cartaz com o meu nome, enfim.
Então, para mim, aquela foi... Talvez tenha sido bom trabalhar nos Jogos. Talvez se você estivesse em casa, poderia bater um bode de não querer ver os Jogos. Com certeza. Eu acho que eu me senti ali participando de alguma maneira. E foi bom. E logo depois, eu pensei em... E aí eu voltei para a seleção, disputei o Mundial e logo depois eu já não participei mais e não fui para 2012. Também comentei essas Olimpíadas. Mas eu já estava...
Mas nessa época eu já estava pensando em parar de jogar. Eu pensei, eu cogitei em parar de jogar nessa época. E você ganhou uma medalha olímpica nove anos depois, quase uma década depois.
Então, assim, eu falo que na época, né, que eu falava, gente, por que que eu, né, talvez eu tinha ido para dois times que tinham acabado, né, eu fui para o time de Aracatuba, acabaram com o time, eu fui para Campinas, acabaram com o time, eu falei, poxa, eu acho que não é para ir para todos os times, tá acabando. A gente até também conversava, Glaucia, que jornalisticamente a gente consegue ter essa ótica, as pessoas em geral talvez tenham mais dificuldade normal, natural.
que como roteiro, como trajetória, talvez seja mais marcante você esperar tanto tempo por algo, mesmo que não tenha conquistado a medalha de ouro, do que até atletas que conquistaram o bicampeonato, que estiveram em 8 e 12. A história da Gatais é mais bacana para a gente do que a história de muitas bicampeãs olímpicas.
E é aquilo que a gente faz com o que acontece com a gente, né? E aí, Carol, 2008 te impacta mais, como você diz, já em 2012, você já está pensando em parar e a gente está falando em 14 anos depois, você jogando ainda, né? Então, dentro desse contexto, como é que você decide seguir? Lá em 2012, fala, ah, já estou pensando em parar e você fala, não, vou seguir. Como que esses cortes te impactam nessa sequência de carreira, inclusive?
Na verdade, eu acho que pelo amor que eu tinha pelo vôlei, eu decidi continuar. Mas foi muito engraçado, porque a minha história no Minas, que também eu acho muito legal, quando acabou o time de Campinas, eu estava sem time. Então, a janela de contratações acaba mais ou menos em maio e já estão os times da próxima temporada fechados.
E eu estava sentindo até setembro. Eu estava treinando, até aqui no Pinheiros, em São Paulo, treinando, procurando patrocinador e nada. E eu recebi um convite do Minas. E fui para o Minas. Nos 49 de segundo tempo, vamos dizer assim. E aí, que eu falei, vou continuar jogando mais um pouquinho. E nesse pouquinho...
De pouquinho em pouquinho. Eu fui me apaixonando pelo clube. Você tinha 30 anos, né? 33. E ainda tinha um? Tinha, era nova pra mim. Lógico, né? É lógico. Era nova, mas já tava... Assim, as pessoas me perguntavam assim, quando eu tinha 34, 35, você vai me se aposentar quando? Ah, não sei. E cada ano eu ia me performando melhor. Aí você vai se aposentar quando? Não sei. Tipo, não sei.
E essa foi, eu acho que essa foi a virada de chave, né, como eu disse, mas talvez por isso que eu tivesse continuado a aguentar e ter sido convocada, sei lá, sete ou nove anos depois, né, da minha última convocação. Por isso, pelo amor que eu recuperei ao jogar vôlei.
Pelo time do Minas. Mas sempre foi mais amor ao vôlei que você ama jogar? Ou você ainda se motivava, vai ter toque, vai ter... Não, foi mais amor pelo vôlei. Já estava descartado? Para mim já estava descartado. Mas não porque para mim eu não tinha essa vontade de disputar uma Olimpíada. Não, nunca, nunca terminou essa vontade. Mas...
Talvez pelos... Eu nunca tinha visto uma jogadora com mais de 37, 38 anos, que foi o ano que a Fofão ganhou a medalha dela, e era uma levantadora. Eu nunca tinha visto jogadoras mais velhas jogando em campeonatos de alto nível. Tanto que eu, com 37, 38, eu ia para campeonatos mundiais lá fora, as meninas falavam, nossa, como você consegue jogar ainda? As meninas lá de fora.
E para mim era muito natural, porque eu estava jogando bem e estava me sentindo bem, enfim. Então eu acho que talvez eu não pensava mais por isso, porque as outras pessoas também não viam e eu nunca tinha visto ninguém disputar umas Olimpíadas, principalmente no vôlei, com 40 anos. Então não tinha um modelo a ser seguido.
Temos algumas perguntas pré-gravadas. A primeira parte de um dos jornalistas, seguramente aqui no Brasil, que mais conhecem de voleibol. Super repórter Alexandre Oliveira, agradecendo a TV Record por ter liberado o Ale para gravar esta pergunta para Carol Gatais.
Ó, os amigos do Bola da Vez, um abraço a todos, um beijão pra Carol, que eu conheço fora da quadra, como uma amiga presente, a irmã carinhosa, a tia amorosa, a filha que enche de orgulho os pais, mas que também é um baita de um exemplo para atletas e pra quem gosta de esporte.
A Carol sempre teve muito potencial, sempre foi muito inteligente, mas chegou num momento da carreira dela que ela queria jogar por muito tempo e ela entendeu que ela tinha que investir na parte física, no corpo dela. E quando ela fez isso, ela virou outra jogadora, batendo recordes e sendo essa atleta que serve de exemplo para outras modalidades. Então, todo atleta...
que quer jogar por muito tempo, que tem que mirar no exemplo da Carol, que fez isso e conseguiu fazer isso, e muito bem. A minha pergunta para a Carol é se ela pudesse voltar no tempo, se fosse aquela menina que tomou remédio para parar de crescer, se ela seria que tipo de atleta? Essa que investe na parte física ou apostaria só no potencial? Porque eu acho que ela entendeu que fez muita diferença na carreira dela. Beijo, Carol!
A gente falou bastante no programa do momento em que você descobriu a importância disso tudo. A pergunta do Alê, que também conhece porque teve lá. Ex-atleta, né? Levantador campeão de Superliga. Exatamente. Faltou esse complemento. Exatamente. A parte ali, início de carreira até esse estalo. Como é que você avalia hoje?
Não, o Ale é um querido, um amigo também fora de quadra, conhece muito de voleibol, né? Nos acompanha há muito tempo também. Com certeza, isso sem dúvida nenhuma, eu investiria desde o início da minha carreira na Carol, que eu descobri, né? Depois que eu comecei a cuidar da minha parte física, alimentação e tudo mais. Sem dúvida nenhuma, assim.
Mas eu falo que muito disso também, eu quero e espero que as mais novas, né, hoje em dia veem isso como exemplo, que hoje tem todo tipo de informação, né? A gente tem muita facilidade, não só tem informação, mas os suplementos, os médicos, então que invista, porque na minha época, quando eu era mais nova...
Tinha, mas não tinha tantas informações, não tinha tanta novidade que nem tem hoje. Então, eu acho que, com certeza, sem dúvida nenhuma, eu apostaria nisso. Talento, eu falo que talento é um pouquinho só. Eu prefiro muito mais alguém que trabalhe em cima disso do que ter um talento e desperdiça. Os grandes sábios aí do vôlei dizem que a tua China é a maior de todos os tempos, simplesmente, é a melhor de todos os tempos. Nossa Senhora! Como é que você desenrolou isso? Como é que você desenvolveu isso?
Eu falo que, na verdade, esse comecinho da minha China foi no basquete. Eu jogava basquete antes de jogar vôlei. Eu tinha um técnico, um treinador, que inclusive é um querido lá em Rio Preto, Tonelli, que ele era professor de basquete e eu jogava basquete. Para mim, eu ia ser jogadora de basquete na época. Pivo?
Pivoou, claro, né? Maiores sempre eram as pivôs. Exato, pivô com certeza. E essa passada da bandeja era a passada de China, teoricamente, porque é um, dois, três e vai. Então isso pra mim foi muito natural quando eu migrei pro vôlei, né? Eu migrei porque justamente porque eu não tinha time de basquete feminino na época e só tinha o time feminino que me convidaram pra jogar e eu fui.
Então, por essa passadinha, eu já tinha essa facilidade. E depois eu fui aprimorando com o tempo, mas era uma facilidade que eu tinha desde mais nova. E você desenvolveu... Perdão, Jufo, só para não perder esse gancho, também teve futsal na tua vida, é isso? Ah, pela verdade. É, futsal, futebol. Como é que chegamos ao vôlei? Porque ela passou pelo basquete, futsal. Nesse tamanho jogando futsal. E eu era artilheira, tá? Porque eu fui forte, né? Só chutava para o gol.
É verdade, eu era artilheira mesmo. Eu sempre tive muita facilidade com esportes, né? Eu jogava de tudo na escola. Estudar não era boa, não, mas pra fazer esportes... Não era boa, não era não? Ah, eu não gostava, né? Eu sempre fui muito imperativa. Estudar tinha que ficar quietinha. Pra passar de ano era na raça.
Era na raça, eu estudava, né, pra passar de ano, mas, nossa, era difícil eu ficar quieta. Minha mãe que sofria, gente, porque toda semana era o pessoal me chamando lá na escola porque eu não parava quieta dentro da aula. E eu jogava de tudo pela escola, futsal, handball, vôlei, inclusive, basquete, futebol, tudo. Então, eu jogava futsal também. Ainda bem que tinha vôlei nessa escola. Por que vôlei? Como é que você acabou indo pro vôlei?
O vôlei, na verdade, foi porque o time de Rio Preto se federou na época, né? E o time de interior é mais difícil de ser. Então, a gente se federou e me convidaram para jogar no campeonato estadual ali da região e depois, futuramente, na capital, que seria aqui em São Paulo.
E aí eu falei, ah, bora, por que não, né? Tô aqui. Quem federou primeiro levou. Quem federou levou. Se fosse futsal, era futsal. Eu fui convidada pra jogar no América de Rio Preto, de campo também. Fui fazer uma peneira lá. E posição? Ah, nem tinha posição na época. Acho que eles só me viram, sabia que eu era grande. Você entrava em toda hora, você tá dando referência na área, hein? É. Aí eles falaram, vem, vamos, vem. Vocês não querem vir treinar aqui futebol? Não. Eu falei, não, não quero. Vou continuar no meu vôlei mesmo.
E o seu vôlei que você desenvolveu, acho que, acredito que o seu prime ali, o seu ápice foi no Minas, mas você viveu duas gerações, né? Você viveu uma geração lá, final dos anos 90, início dos anos 2000, que não é o vôlei que você estava jogando até há pouco tempo atrás, né? Essa mudança de vôlei, como você conseguiu se adaptar também, porque hoje as meninas estão mais altas, a fisiologia, o investimento está maior também. Como você enfrentou essa linha do tempo do vôlei, que hoje é outro esporte?
Total. Em 2004 era um vôlei, 2008 era um vôlei, porque a nossa geração de 2000 também era outro vôlei, 2012 era outro e agora é um vôlei totalmente diferente. Eu falo que ainda bem que eu parei de jogar, porque olha... Eu acho que foi a Sheila que declarou outro dia, eu tenho quase certeza. Se não foi, peço desculpas. Que ela não curte o vôlei de hoje, na comparação ao vôlei de antigamente.
Eu acho que é muito difícil falar sobre isso, né? Eu curto, obviamente ela deve ter falado isso pelas algumas regras que eles vêm adaptando no vôlei, como por exemplo permitir os dois toques. Isso pra gente é muito ruim, porque a gente vem de uma base que a gente tinha que aprender os movimentos e as técnicas do vôlei muito perfeitamente. Preciso. Preciso.
E isso é o bonito do vôleibol, né? E hoje em dia se perde muito, por quê? Porque o vôleibol se tornou muito forte e muito rápido. Ou seja, para também ser mais comercialmente atrativo, né? Então, a Federação Internacional tem tentado adaptar algumas coisas que na nossa época realmente não tinha. Que era mais técnico, era mais bonito.
Mas não se pode também descartar que temos hoje em dia jogadoras super altas, super fortes. E não vou falar que está se tornando um masculino, porque ainda... Mas hoje em dia o vôlei feminino está muito mais forte, muito mais rápido do que era antigamente. Quase todos os esportes estão caminhando para isso. Exato. Então isso é uma modernidade. Então acho que não dá para comparar.
Eu acho que essa comparação não tem que ser feita, que nem às vezes fala, a geração de... Não tem que comparar, todas eram excelentes e excepcionais da época, como a geração de Cuba era, mas talvez Cuba hoje não ganharia de uma seleção... Eram gerações diferentes, então não dá para comparar.
Cada uma tem suas... Você acha que o Brasil está mirando muito o voleibol europeu e perdendo um pouco do treino técnico, do refino, e está querendo muito ser uma Itália, uma Rússia? Você acha que o Brasil está perdendo um pouco isso?
Não, eu acho que, por incrível que pareça, eu falo que nós deveríamos, mas a gente ainda não tem jogadoras com potencial de Rússia, por exemplo. Nós não temos 14 jogadoras altas, mais de 90. Nosso time ainda é um pouco baixo, por mais que tenhamos jogadoras mais altas. Mas, eu vou dar um exemplo na seleção, que é o Zé já faz muito tempo.
Ele mira muito essa parte de fundamentos. E isso eu acho que o nosso time sai muito na frente. Porque muitas vezes a nossa equipe não era uma das favoritas para estar no topo. Sempre foi o diferencial do Brasil. Exatamente. Porque muitas vezes eu acho que a nossa equipe bate de frente com as melhores, porque hoje existem seleções melhores que a nossa.
Por causa disso, por causa dos fundamentos. Então, a gente não deve nunca deixar isso. E eu acho que isso o Zé implantou muito bem na seleção. E isso tem que continuar. É óbvio que quanto mais materiais humanos nós tivermos, né? Quanto mais meninas altas e fortes, mais o Brasil vai crescer, né? Mas eu acho que... Espero que não... Por mais que venham europeus para cá... O masculino parece padecer mais disso, né? De querer se igualar aos europeus e não conseguir. É.
Exatamente, porque eu acho que o vôleibol masculino é mais força, né? Então, eles dependem mais disso, de um saque poderoso. O feminino ainda não. O feminino ainda tem muitas defesas, muito... A relação bloqueio e defesa ainda é muito importante pro feminino, não que o ataque não seja... A Julia Cruz vai chegar onde?
A Júlia Cudes é... A Júlia Cudes vai chegar onde ela quiser. A Júlia Cudes é uma das... Talvez eu não tenha visto nos meus 30 anos de carreira uma jogadora da qualidade da Júlia, né? Alta, tecnicamente muito boa desde criança, desde nova, né? Porque eu acompanho ela desde os 15 anos de idade. E você percebeu o saco assim de cara? De cara.
De cara porque ela sempre foi uma menina muito comprometida. E é difícil ter nessa idade meninas comprometidas iguais a ela. E com o talento dela nem se fala, né? Então, ela tem o talento e tem essa disposição de querer melhorar a cada dia. Então, por exemplo, desde nova ela...
Já tem uma parte fora extra quadra muito forte, sempre se preocupou com a saúde, com o corpo, principalmente aqui. Porque ela sempre se preocupou aqui, então ela fazia coach. Hoje em dia, eu não sei como ela está, mas assim, ela sempre se preocupou isso. A família dela deu uma base muito boa também para ela. Então, fora isso, ela tem uma vontade muito grande e ela sabe o potencial que ela tem, que é absurdo. A Thaisa também deram uma base muito boa para ela, que ela estava...
Que escola, hein? Que escola. Você falou duas vezes do Zé Roberto Guimarães, chegou a hora do Zé falar nesse Bola da Vez, fominha. E de uma pergunta gravou logo duas. Vem, Zé Roberto! Ai, que bom.
Carol, é um momento complicado de despedida. Você está encerrando a sua carreira dentro do vôlei. É uma carreira muito vitoriosa, de muitas coisas boas, de muitas felicidades, conquistas, vitórias. E eu tive um prazer enorme de trabalhar com você há alguns anos, seja em clube, seja em seleção.
Mas eu gostaria de te fazer uma pergunta. Nos momentos que você duvidou de si mesma, o que te fez continuar? E uma outra que eu gostaria de saber é como é que você se concentra ou se concentrava para os jogos e principalmente para os jogos mais decisivos. Um beijo, te amo muito, fica com Deus e que Papai do Céu te proteja sempre.
Ah, que lindo, Zé. Vamos não gostar desse homem, né? Eu amo o Zé, não tem como. O Zé foi um dos responsáveis principais de ter me moldado como atleta e como atleta que eu sou hoje, obviamente. É uma relação linda de vocês dois e é o cara que cortou a ela de duas uniputas. Mas vocês separam muito bem isso, né? Dá pra ver. Com certeza. E proporcionou que você ganhasse uma medalha. Exato.
Também, também. E o Zé, eu falo, se eu sou atleta que eu sou hoje, muito por ele, porque eu sempre tive uma base que ele me ensinou. Então, é incrível isso, né? E eu falo que, obviamente, o que me fez continuar depois disso, eu acho que foi exatamente o que eu falo sempre, né? O amor que eu tinha pelo, que eu tenho pelo esporte, pelo voleibol em especial. Eu sempre gostei muito de estar naquele ambiente. Eu sempre via...
Meus ídolos, assim como o Zé é um dos meus ídolos. Então, para mim, era incrível estar perto deles e poder aprender e extrair alguma coisa. E ter conseguido, obviamente, ter virado essa chave, para mim não foi fácil. Óbvio que eu tive que fazer terapias e tive que contar com pessoas muito importantes na minha vida para que eu pudesse continuar. Quais pessoas?
Eu falo que a principal sempre foi minha mãe. Minha mãe sempre esteve ali e eu poderia ter desistido, mas ela sempre esteve do meu lado e ela é a pessoa mais importante para mim, com certeza. Mas tiveram amigos, tiveram outros familiares, minhas irmãs também sempre estiveram do meu lado e sempre me apoiaram no que eu decidi fazer. Então, isso para mim foi muito importante.
E eu falo que os momentos de concentração para os jogos mais importantes, primeiro que não é fácil, né? Obviamente aquela ansiedade de você ter que controlar aquilo ali. Mas eu sempre tenho um ritual, que eu falo, né? De ouvir alguns áudios que eu gravei e que eu fiz antes das Olimpíadas e que me ajudaram muito.
Sobre confiança, sobre o que eu passei, sobre... Eu li também muito, então... Áudios próprios? Áudios, não, de um coach que eu fiz e áudios motivacionais mesmo, que me ajudavam muito a entender e a não me deixar esquecer o que eu fiz e o que eu era para mim mesma, porque eu acho que nesses momentos...
Quando a gente, o atleta performando com medo, às vezes com uma instabilidade emocional na hora do vamos ver ali, ele esquece tudo do que ele é, ou tudo que ele fez, ou tudo que ele se preparou para estar ali. Porque a gente não está naquela final de um dia para a noite, a gente se preparou durante anos ali, a gente estava ali, acordava cedo, então...
Muitas vezes as atletas não entendem, não lembram disso na hora do vamos ver, porque aquilo lá, aquela tensão do momento da decisão ali, é muito rápido. Mas se você for parar para pensar, o nosso subconsciente já está ali condicionado a fazer tudo aquilo. Não é novidade nenhuma. A gente está super preparado. Então, o que eu fazia era tentar lembrar daquele momento, naquele momento antes do jogo, que eu estava preparada.
E eu era boa no que eu fazia. E não duvidar de mim em nenhum momento. Então, assim, eu sempre tentava acompanhar no meu momento ali, do meu fone. Pensei que você escutava os modão. Também. Não, isso com certeza. O modão estava ali. Mas, assim, nos 10, 15 minutos antes do jogo ali, naquela concentração, totalmente foco no que... Qual foi o jogo que você ficou mais nervosa antes?
Nervosa. Nossa, eu acho que... Se eu não sossegar, isso vai me atrapalhar na hora do jogo. Eu acho que todos os jogos decisivos dá aquele nervoso até a gente entrar em quadra. Depois que entra, passa. E qual foi o jogo que você entrou mais tranquila?
Está estranhamente tranquilo. Caramba. A final de Tóquio deu uma tranquilidade para o Gé saber que tinha uma medalha garantida. Eu lembro do Ricardinho Levantador, um cracaço, falando que ele foi para a Atenas para a final contra a Itália. Ele estava tão tranquilo que ele começava... Alguma coisa está errada.
É, não, eu acho que, eu não me lembro de um jogo mais tranquilo, para falar a verdade assim, mas eu acho que, obviamente, depois das Olimpíadas, todos os meus jogos foram mais tranquilos. Talvez porque eu pensasse, poxa, agora eu tenho que fazer para me divertir, não que antes não tivesse. O famoso que vier é louco. Exato, assim, foi tão legal, porque eu falei, cara, já conquistei tudo o que eu almejava na minha vida, todos os campeonatos.
que eu queria, eu joguei, então agora eu vou me divertir. Então eu ficava mais tranquila. Quem quer deixar a pergunta no ar para a gente abrir o segundo bloco? Pode ser eu? Vamos lá. Deixa no ar, ela responde na volta do break. Queria fazer uma pergunta um pouco mais fora de quadra. Você é um símbolo de uma comunidade LGBT, um esporte que no feminino abraça muito, mas no masculino ainda tem alguns problemas.
Queria que você analisasse com esse momento atual que a gente vê cada vez mais jogadoras assumidamente bissexuais ou lésbicas e que dá até confusão em términos. Queria que você fizesse essa trajetória nesse período seu também na sua carreira, desde lá.
do final dos anos 90 até o momento atual, sobre essa luta também fora de quadro. Carol Gataz responde a essa pergunta do Jufo daqui a pouquinho, depois da nossa primeira e única parada neste ótimo Bora da Vez esperado. A Gataz vai bem demais também falando. A gente volta já para o esporte.
Tudo bem, Floresporte? De volta com o Bola da Vez. Últimos cinco minutinhos. Que pena do Bola da Vez com a Carol Gataz. Nosso Rodrigo Jufo deixou no ar, levantou a última pergunta. Antes da parada, antes do intervalo, antes do break. Como você vê hoje, Gataz, especialmente no feminino, felizmente as pessoas podendo dizer, mostrar quem são.
Eu fico muito feliz, eu acho que é uma sensação mais de felicidade mesmo das pessoas estarem se aceitando. Eu falo que quando a gente começou a entender do que a gente gostava realmente, a gente não tinha outros parâmetros e era muito difícil até para a sociedade.
E eu acredito que, com o passar dos anos, isso foi ficando mais natural, mais comum. É claro que existem barreiras ainda, por mais nós somos do interior, você sabe como que é o Brasil, principalmente, mas a gente vem caminhando a passos largos em busca dessa...
manifestação de amor que eu falo, essa felicidade que acho que todo mundo tem que ser. E eu fico feliz por ter sido uma das pioneiras lá atrás, que não foi fácil, obviamente, mas também tive muito apoio da minha família, então isso foi muito importante.
E eu acho que cada vez mais a gente se decidir demonstrar o carinho pela outra pessoa, pode ser do mesmo sexo, pode ser do outro, independentemente, eu acho que as pessoas vão ser muito mais bem esclarecidas e felizes. Então, eu fico muito feliz de ter sido uma das primeiras. Mais fácil gerir o time dentro de quadra ali ou os términos.
É mais fácil gerir o time dentro de quadro. Não é difícil, gente. Nossa, já sofri muito. Você atua como bombeiro em muitas ocasiões? Com certeza, mas não, gente. Olha, é difícil. Agora a gente já está mais esfolada. Mas dá emoção, também tem sua graça. Passa para o psicólogo do time. Não, isso aí a gente não pode nem levar para dentro de quadro. Isso que é pior ainda.
Mas você é habilidosa nesse contorno de situações. Agora sim, né? Quando a gente é mais nova, a gente sofre mais. Agora a gente já está meio calejada, né? Não sofre tanto. Klausinha, a última pergunta é a sua. Ó, Carol disse que ainda não sabe muito bem se vai para a parte técnica, se vai ficar ali na gestão. Mas olha só como passou rápido o nosso papo hoje. E ela já foi comentarista em Olimpíadas. Não pensa em vir aqui para o nosso lado também não, Carol? É uma opção, uma possibilidade?
Não, é, eu gosto desse lado de comunicação, assim, eu gosto de falar, até eu falo demais, né, às vezes, mas eu gosto sim de falar e quem sabe, né, num futuro aí próximo também posso receber alguns convites, enfim, tudo está aberto a novas possibilidades. Temos um golinho, então eu vou fazer a famosa duas em uma e uma não tem exatamente muito a ver com a outra.
Tirando a Olimpíada, qual foi o seu grande título? Você teve vários. Bom, Superligas, vários Grand Prix. Mas o que você guarda com carinho especial, tirando a prata olímpica de 2021? E a outra pergunta. Você gostaria de ter jogado com alguém e acabou não rolando, como companheiro de time?
Bom, o jogo, afinal, mais especial, assim, fora, obviamente, a medalha olímpica, né? E os mundiais também, que eu acho que foram muito importantes. Mas, sem dúvida nenhuma, foi o título do Minas em 18, 19, depois de 17 anos que a gente conquistou. Aquilo ali foi muito especial, principalmente pra mim, que tava ali no Minas, como eu falei, né? Foi o time que me abraçou, o time que mudou a minha carreira. Então, ter conquistado aquele título, pra mim, foi especialíssimo.
E principalmente com as pessoas que estavam lá. E faltou jogar com alguém? Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal Bal
Não, não faltou. Acho que eu joguei com todo mundo. Você realizou todos os seus sonhos. Pelo menos aqui do Brasil, eu realizei todos os meus sonhos. Palmas para essa trajetória, carreira brilhante, espetacular. Cubra-se de glórias, porque a tua vida realmente está marcada no esporte brasileiro. Muito obrigada. Agradeço de coração mesmo. Obrigada.
Obrigado, Gataz. Obrigado, Jufo Glaucio. Obrigado, Fundo Esporte, pela companhia nessa última hora. Todo mundo sabe, o Bora da Vez retorna na semana que vem com primeira exibição, sempre aos sábados à noite. Tchau, gente.